Blackfyre
16 Direito de Herança
Notas iniciais
Direito de Herança
Shiera soltou um gemido mais alto e Robb a mordeu com certa força no queixo, mas ela gostou. Escutou o marido gemer, enquanto tremia de prazer dentro dela. Respirou fundo e o arranhou com força nas costas, em profundo êxtase. O sexo melhorara muito depois que engravidara. Sentia-se praticamente o tempo inteiro completamente sedenta e quando Robb a possuía, seu corpo estava tão desesperado que, o que demorava duas ou três tentativas para acontecer antes, chegava várias vezes antes que Robb terminasse, exausto.
Agora entendo o motivo para Lady Catelyn ter engravidado tantas vezes.
Robb rolou para o lado, com o peito subindo e descendo enquanto tentava normalizar a respiração. Ele estava suado, com um sorriso satisfeito no rosto. Normalmente ele era sempre muito sério, principalmente depois que lhe colocaram uma coroa de bronze e ferro na cabeça. Mas quando estavam apenas os dois, Robb costumava ficar muito sorridente.
Shiera, apesar de já ser a segunda vez que Robb a possuía naquela noite, ainda sentia vontade de continuar. Entrelaçou as pernas nas do marido e o mordiscou no lóbulo da orelha.
—Meu amor... você é insaciável. – ralhou Robb e Shiera sorriu lhe abraçando.
—Culpa tua que me viciou nisso. – ralhou escorregando para cima dele. Se sentou nos quadris do marido e lhe deu um sorriso astuto. Robb sorriu e lhe acariciou o ventre, que estava começando a inchar, muito timidamente. Seus seios já estavam maiores, duros, com os mamilos mais desenvolvidos, para a alegria de Robb. Mas sua barriga só começara a mostrar indícios de que tinha um pequeno Stark crescendo ali dentro havia pouco tempo. Seus enjoos tinham terminado e sua sede pelo marido aumentara muito mais que seu apetite por comida – Mas se não dá conta...
Robb sorriu e girou o corpo, a deitando sob si, lhe arrancando uma risadinha. Ele a beijou com urgência no pescoço e Shiera sentiu-se molhada e mais desejosa dele ainda.
Robb sorriu e lhe olhou com carinho. Mas ela não queria romantismo, queria ação. Só que não conseguiu não adorar o sorriso carinhoso dele e o afago que ele lhe deu no ventre. Sentiu Robb suspirar e a olhar com curiosidade.
—Estamos há um dia de Harrenhal. – sussurrou ele – Está pronta para falar com seu pai? – Shiera concordou com um aceno de cabeça – O que acha que ele vai decidir? – perguntou ele e Shiera se sentou, fazendo o marido fazer o mesmo.
—Eu sinceramente não sei.
—Não sonhou com isso? – perguntou ele com um sorriso maroto e Shiera não soube dizer se ele acreditava nela ou não.
—Não... mas sonhei com outras coisas. – respondeu ela.
—Com o que? – perguntou Robb lhe afagando o queixo com o polegar.
—Sonhos tão loucos que eu nem mesmo considerei acreditar. Não consegui decifrá-los. – explicou ela e Robb a olhou com curiosidade – Sonhei que Renly iria morrer em breve... por um homem feito de sombras. – explicou ela e Robb franziu o cenho – Sonhei com dragões e homens mortos que vinham para cima de nós. Sonhei com as Gêmeas, mas elas estavam transbordando sangue. Sonhei com Winterfell, com o Represeiro, com Jon Snow e com uma mulher em roupas vermelhas, com um rubi reluzente no pescoço. Sonhei até mesmo com meus irmãos. Com Valerion lutando contra um monstro gigante e com Aegon numa cidade feita de ossos. – Shiera suspirou – Talvez a gravidez atrapalhe os sonhos... talvez eu tenha perdido meu dom pra decifrar esses enigmas. Talvez eu esteja distraída demais com seus beijos... – sorriu e recebeu um beijo carinhoso do marido nos lábios – Mas eu acho que pedir ajuda para Renly é perda de tempo. – adicionou – Ele não vai viver muito. E nem adianta pedir ajuda a Stannis. Ele jamais aceitaria abrir mão da metade do reino. Meu pai é nossa melhor esperança...
—Não somente ele. Theon estava falando sobre o pai. Sobre Balon Greyjoy ter mais de duzentos navios. – disse Robb e Shiera o olhou curiosa – O que acha disso?
—O que a senhora sua mãe pensa?
—Não gostou nada da ideia. Disse que Balon Greyjoy não é confiável... mas eu pergunto... Walder Frey é?
—É diferente, Robb. Balon Greyjoy não é como os outros lordes. Para ele, um homem não pode negociar algo. Ele deve tomar aquilo que deseja. Você não pode oferecer algo a ele. Ele quem vai se sentir no direito de tomar algo de você. Não duvide disso.
—Por que acha isso? – perguntou Robb.
—Porque meu pai tenta fazer negociações com ele há anos. – explicou Shiera – Os homens de ferro atrapalham os negócios de Harrenhal desde que meu pai se tornou Lorde. – adicionou calmamente e Robb suspirou, contrariado.
—Precisamos de mais aliados.
—Precisamos de Harrenhal. – discordou Shiera – Harrenhal será o suficiente. Meu pai, sozinho, tem mais de oito mil homens. Eu arriscaria quase dez mil, além de uma boa frota. – explicou ela – Ele é nossa maior esperança, Robb.
Robb concordou parecendo preocupado.
—Ele é nossa maior esperança e maior ameaça. Se ele se unir a Tywin Lannister e Renly se negar a ajudar... eu não vejo como podemos ganhar essa guerra... e os Lannisters têm seu irmão... eu não estou tão convencido de que...
—Roose Bolton disse que meu pai não nos ajudaria de forma alguma. – disse Shiera e Robb a olhou apreensivo.
—Lorde Bolton tem bons argumentos... você tem apenas alguma esperança e...
—Ainda não confia em mim, não é mesmo? – perguntou aborrecida e Robb suspirou – Como quiser. – resmungou ela, se deitando novamente e virando de lado.
—Precisa entender minha posição, Shiera.
—Como quiser. – repetiu, zangada, perdendo todo o desejo de transar. Robb suspirou e se deitou atrás de si, jogando o cobertor feito de pele de urso sobre ambos. Quando ele a puxou para que dormissem mais próximos, ela se afastou e ele respeitou que ela queria ficar longe dele... ou o mais longe possível naquela situação...
Logo caiu no sono. Estava cansada depois de tanto andar a cavalo e de tanto dormir em acampamentos. Sentia falta de um castelo onde se abrigar e desejava ver Harrenhal o quanto antes, com suas camas enormes, macias e confortáveis. A comida deliciosa, os músicos, as festas e principalmente o pai e Talisa.
Seu sonho começou como normalmente começava. Sonhou com o pai e Harrenhal tão nitidamente que parecia estar lá. Depois sonhou com Valerion, bebendo com Hoster em um navio. Em seguida sonhou que estava com Theon, em Pyke. Escutou Theon pedir ajuda ao pai para causa de Robb, em troca da independência das Ilhas de Ferro. Mas Balon Greyjoy desdenhou da oferta e disse que jamais aceitaria uma coroa dada por Robb. Ele pagaria o preço de ferro. E pior. Ele fez Theon ter que escolher entre Robb ou o sangue. Podia sentir a confusão e preocupação de Theon. A aflição que ele sentiu. A necessidade de se provar para o pai, mas o desespero para ajudar Robb.
Shiera engoliu em seco, sentindo aquela dor, aquela confusão de sentimentos. E então ficou muito frio. Estava de pé, numa cabana. Jon Snow estava lá, observando os brincos que um dia dera pra ele, muito tempo atrás. Mas seu sonho continuou a empurrá-la para o Norte. Ficou com medo, pois os sonhos com o Norte sempre eram terríveis e assustadores. Engoliu em seco tentando voltar para seu corpo, tentando acordar. Sentia o frio lhe doer nos ossos, apesar de nunca sentir frio. Tudo passava rapidamente e ela acabou vendo Bran andar por ali. Gritou para ele, mas não soube dizer se ele a ouvira. Estava já muito longe. Gritou de medo, querendo voltar para o sul, para Robb e quando finalmente parou de avançar, viu uma multidão de mortos, todos de pé, olhando para o sul.
Foi quando viu as criaturas. Pálidas, quase azuladas, com armaduras de gelo e brilhantes olhos azuis. Gritou de medo e sentiu alguém sacudi-la. Finalmente conseguiu acordar e sentiu as mãos de Robb em seus ombros.
—Você está bem? – perguntou ele. O abraçou preocupada e ele a abraçou de volta – Céus, Shiera. Está com frio? Você está gelada. – disse ele assustado.
Negou com o rosto e se aconchegou nele. Se deitaram abraçados e ela finalmente teve uma noite tranquila. Se sentia segura nos braços dele.
Quando o dia nasceu, estava ainda aflita com os sentimentos de Theon, que sentira em sonho. Quando montou em seu cavalo, estava ainda com os pensamentos naquilo e Walda notou.
—O que houve, Vossa Graça? – perguntou ela, mas Shiera não respondeu – Está com medo da reação de seu pai? – negou com a cabeça e pressionou os calcanhares em seu cavalo.
Logo estavam na última marcha em direção a Harrenhal. Já tinha mais de um ano desde que estivera no castelo e a saudade de casa era indescritível. Os cavalos estavam cansados, os homens exaustos, mas Robb exigiu que todos marchassem com pressa. Precisavam chegar antes de Tywin, ou estariam com problemas...
Quando finalmente avistou o castelo, muito longe da estrada, notou que seu pai finalmente tinha convocado os vassalos. Uma grande coleção de tendas estava ali, estendendo-se pelos campos. No entanto não via sinal de nenhum estandarte Lannister, o que era uma boa notícia.
Os homens de seu pai eram em sua grande maioria Flechas de Prata, alguns ex mercenários de Essos, alguns ex escravos de Essos e alguns poucos senhores que moravam por ali e deviam obediência a Harrenhal e uma pequena parte de homens que pertenceram à Companhia Dourada. Por conta disso o exército de seu pai era diferente de todos os outros de Westeros. Pra começar, seu pai tinha cem elefantes de guerra, onde os Flechas de Prata lutavam em cima, junto com um ou dois lanceiros. Mas boa parte das forças de seu pai estava em sua frota, que seria extremamente importante para a tomada de Porto Real.
—Meu amor. – chamou Robb e Shiera o olhou – Eu vou mandar um mensageiro. – disse ele.
—Não. Eu vou. Me dê alguns homens e...
—Não posso deixar você ir. Se seu pai tiver concordado ajudar Tywin... você é o que o impede de...
—Robb... – chamou franzindo as sobrancelhas – Será que pelo menos uma vez... você pode confiar em mim? Pare de querer me proteger de tudo. É do meu pai que estamos falando.
Robb a olhou preocupado e ela suspirou.
—Eu temo por você, meu amor. Apenas isso. – disse ele e ela resolveu ceder.
—Ok, peça que um mensageiro pergunte a meu pai se ele se disporia a abrir os portões para nós. – disse aborrecida e Robb sorriu aliviado.
Esperaram por quase uma hora até que uma comitiva de Imaculados viesse em direção a eles, liderados pelo mensageiro. Como era de se esperar, os Imaculados traziam seu uniforme, seu escudo redondo e suas lanças, vindo em uma perfeita marcha organizada. Ficou em seu cavalo, ao lado de Robb. Theon estava ao seu lado e Catelyn Stark estava do outro lado do filho. Os quatro observavam atentos, sabendo que o futuro da campanha de Robb dependia do lorde que enviara aqueles soldados.
Quando o mensageiro chegou, seguido por cinquenta Imaculados, ele falou.
—Lorde Blackfyre receberá Lady Shiera e apenas ela. – explicou o mensageiro de Robb – Depois ele deseja ver Vossa Graça para receber um pedido de desculpas por terem orquestrado tanto pelas costas dele. – o mensageiro soltou um suspiro – E ele trouxe algo para garantir que devolverá o rei e a rainha do norte em segurança. – ele fez o cavalo se afastar e Shiera viu dois Imaculados segurando um baú. Eles o abriram e Shiera arfou, reconhecendo o ovo de dragão que seu pai dera de prêmio a Aegon por ele ter vencido o último torneio de Harrenhal – Lorde Blackfyre disse que vocês podem escolher cinquenta homens para escoltá-los até o castelo, mas não receberá esses homens em seus aposentos.
—Isso é um ovo de Dragão? – perguntou Theon e Shiera concordou.
—Vocês não têm permissão de tocá-lo. – disse um dos Imaculados e Shiera reconheceu Besouro Vermelho.
Mais meia hora até Robb decidir quais de seus homens iriam para Harrenhal. Lorde Bolton, Grande Jon Umber, Lorde Gallard, Lorde Bracken, Lorde Blackwood e Lorde Kastark entre eles. Quando finalmente atravessaram os portões do castelo, sentiu-se completamente nostálgica. Galopou até a entrada, desceu de seu cavalo e quase saiu correndo para dentro. Seu coração batia de saudades de casa, mas o que a fez se alegrar de verdade foi uma doce e conhecida voz.
—Shiera!
Se virou e viu Talisa Rivers, sua verdadeira melhor amiga. Sorriu e correu até ela para abraçá-la, as duas rindo e gritando, esquecendo da etiqueta. Por um momento esqueceu-se que agora era uma rainha. Por um momento era apenas uma garotinha com sua melhor amiga.
—Talisa! Morri de saudades!
—Eu também! – disse Talisa se afastando para olhá-la – Você cresceu! – era bem verdade. Seus quadris alargaram e seus seios tinham crescido bastante, estando quase do mesmo tamanho dos da amiga. Talisa não mudara nada, com seus cabelos compridos e castanhos, os olhos verdes e o vestido simples, mas bonito, delineando belamente suas curvas bem desenhadas – Você está com uns peitos enormes...
—Eu estou grávida. – riu Shiera, sem pensar, e Talisa a olhou boquiaberta. Depois ela olhou para Robb, que lhe dirigiu um sorriso gentil – Lembra-se de Robb? Nós nos casamos.
—Eu ouvi uns boatos, senhora Rainha do Norte. – riu Talisa – Sempre achei que terminaria com uma coroa na cabeça, apesar de ter imaginado que seu marido fosse ser Joffrey.
—Os deuses foram bons. – riu Shiera olhando para Robb, que sorriu de novo.
—Ou talvez muito cruéis. – discordou Talisa e Shiera a olhou confusa – Se você tivesse casado com Joffrey, já teria arrancado a cabeça dele com uma faca e todos os nossos problemas estariam resolvidos. – disse ela ingenuamente, mas Shiera sorriu.
—Onde está meu pai? – perguntou Shiera, notando que também sentia muita falta dele. Talisa suspirou e segurou suas mãos.
—Eu vou levá-la até ele... – disse Talisa, mas então ela se virou para Robb – Lorde Robb... antes disso, no entanto, vamos para o Salão. Lorde Hoster insiste que comam e bebam antes de qualquer coisa.
—Eu agradeço pela hospitalidade dele. – disse Robb. Talisa sorriu e a puxou pelo braço e Shiera os guiou para o Salão das Cem Lareiras. Lá os servos tinham preparado um grande banquete. O cheiro de carne assada estava delicioso, havia vinho e hidromel em abundancia. Notou até que haviam algumas putas esperando para flertar com os homens.
—Lorde Blackfyre sabe como receber as pessoas! – bradou Grande Jon, indo se sentar a mesa – Ele se unirá a nós, imagino?
—Depois, talvez. – respondeu Talisa – Vamos? Seu pai a espera.
Shiera soltou sua amiga e concordou com um aceno de cabeça. Mas antes de segui-la, foi até Robb. Ele segurou suas mãos e as beijou carinhosamente.
—Estarei esperando aqui. – disse ele num sussurro, só para ela – E saiba que eu confio em você. Não apenas isso... eu conto com você... – disse ele e Shiera engoliu em seco.
—Coma, está bem? – perguntou o abraçando. Robb concordou e a abraçou de volta – Eu vou fazer todo o possível para conseguir o apoio de Harrenhal...
—Estarei esperando para me desculpar com seu pai. – disse ele. Os dois se olharam e trocaram um beijo comportado. Shiera suspirou desejando ficar com ele, mas se afastou sabendo de seu dever. Não era apenas Robb quem contava com ela. Era todo o Norte.
Se virou e andou até Talisa e as duas subiram as escadas, indo para o quarto do pai.
—Eu pensei que gostasse do outro Stark. – riu Talisa.
—Oh, cale-se. – ralhou Shiera – Eu me casei. Tive que abrir meu coração para ele. – disse lembrando de Jon Snow. Lembrava-se de tê-lo beijado naquele castelo... de ter desejado ceder a ele. Talvez, se o tivesse feito, a honra o teria feito aceitar a proposta de seu pai. Talvez, a esse ponto, já teria convencido seu pai a apoiar a causa de Robb, por Jon. Talvez tivesse liderado Harrenhal para o cerco a Riverrun, antes mesmo que seu pai voltasse para casa... tudo poderia ter sido diferente... principalmente porque já teria dado um filho a Jon a essa altura. Preciso parar de pensar em tais coisas— Por que meu pai está mantendo os vassalos aqui? Eu não entendo...
—Logo vai entender. Espere para conversar com ele. Eu nunca entendi o que se passa na cabeça de Lorde Blackfyre... e não é diferente agora. – explicou Talisa. Shiera concordou com um aceno de cabeça e seguiu em silêncio. Quando chegaram no quarto de Lorde Blackfyre, Talisa a olhou com solidariedade – Boa sorte.
—Obrigada. – murmurou abrindo a porta. Entrou no quarto e sentiu uma baforada de calor atingindo seu rosto. Estava anormalmente quente lá dentro. Seu pai estava sentado em frente à lareira, que crepitava de maneira quase perigosa. As janelas estavam fechadas e o quarto estava cheio de fumaça e cinzas. O quarto do Lorde era três vezes maior que qualquer outro quarto no castelo. Um absurdo desnecessário. Para ocupar o espaço, seu pai colecionava animais empalhados aqui e ali. Mas o mais impressionante eram os dois dragões de pedra que ele mandara esculpir ao redor da cama. Parecia que as duas bestas cuidavam do leito de Lorde Blackfyre, olhando ferozmente para quem quer que se aproximasse – Pai?
Lorde Blackfyre levantou a cabeça e suspirou. Ele se virou e a encarou com a feição descontente, mas Shiera levou alguns segundos para reconhecê-lo. Seu pai não tinha os cabelos platinados, como eram antes, mas completamente brancos. Sua pele parecia derreter sob seu rosto, seus olhos estavam vermelhos, inchados e esbugalhados. Seu pai estava magro demais, com o rosto encovado e enrugado, muito mais do que um dia imaginou vê-lo. Ele parecia um velho. Um senhor. E além de tudo, parecia extremamente cansado.
—O que raios você pensa que está fazendo, Shiera? – perguntou seu pai. Até sua voz parecia diferente, sem fôlego, exausta – Como ousou casar-se sem minha permissão? O que tens na cabeça? E ainda por cima casou-se com um rebelde, que se autotitula rei?!
—Robb não se titulou rei. – discordou empinando o nariz. Nunca iria se esquecer de quando os lordes do Norte decidiram que não serviriam mais um homem do sul. Quando os lordes decidiram que os Stark deveriam voltar a reinar. Robb foi coroado por aqueles que o seguiam. Não por si mesmo— Se tivesse escutado o chamado do seu suserano, Tully, teria estado lá para ver. – adicionou – O que aconteceu, pai? Está tão doente que não consegue mais deixar o castelo?
Seu pai suspirou e apoiou os cotovelos nos joelhos, parecendo muito fraco.
—Tenho medo do que farão... – confessou ele – Se souberem o quão fraco eu estou. A febre não passa nunca, meus ossos doem, não consigo lutar, as juntas parecem cheias de areia escaldante. – Shiera viu seu pai suspirar e olhar para o fogo – Eu estou morrendo, Shiera. E está sendo muito mais rápido do que eu imaginei... e se eu morrer... o que será de vocês? Aegon nunca voltou de Essos... Valerion é refém de Cersei... e você se casou sem minha permissão com o lobo rebelde.
—Você estava em Porto Real, pai. – disse Shiera se aproximando e se ajoelhando aos pés dele – O que aconteceu lá?
Seu pai a olhou com os olhos cansados, duas olheiras negras estavam logo abaixo deles.
—Ned Stark descobriu que Joffrey, Tommen e Myrcella não são filhos do falecido rei Robert. – respondeu seu pai – Mas ele não teve coragem de contar para o rei, não em seu leito de morte. – seu pai se calou por um momento, parecendo muito sombrio – Ned era um bom homem, mas foi tolo. Cersei conseguiu prendê-lo... eu tinha feito um acordo com ela. Eu queria ter voltado para Harrenhal com Valerion e Myrcella. Cersei tinha concordado com meus termos. Eu apoiaria Joffrey e não ajudaria Ned em troca disso. Eu iria mandar Valerion atrás de seu irmão Aegon, para trazê-lo de volta com a princesa Daenerys e os homens dela e de Viserys... mas deu tudo errado. Aegon nunca voltou e não deu mais notícias... não sei nem se vive. Valerion virou refém em Porto Real e Myrcella está muito bem cuidada em Porto Real, também. Não nos sobrou nada. – ele a olhou com censura – Por que se casou com Robb Stark sem minha autorização?
—Não entendo o que queres dizer, meu pai. Foi o senhor mesmo quem ordenou que eu me casasse com ele.
—Não se faça de espertinha, Shiera. – ralhou ele com energia – Você terminou de nos condenar. Eu iria me unir a Tywin Lannister. Mas agora com você casada com esse garoto... – ele suspirou – Tudo o que eu posso fazer é tentar convencer teu marido a ter algum juízo e...
—Se espera que Robb vá dobrar o joelho para Joffrey, meu pai, eu diria que a idade está lhe deixando muito tolo. – discordou Shiera segurando as mãos do pai – Robb já conseguiu três vitórias, meu pai, lutando contra as forças dos Lannisters. Mesmo com um exército menor. E nós temos o Regicida com refém. Se tivermos o apoio dos seus homens, da sua riqueza e dos seus navios, podemos tomar Porto Real e fazer justiça!
—Onde termina a justiça e começa a vingança? – perguntou seu pai.
—Na ponta da espada de Robb. – respondeu ela – Ele arrancará a cabeça de Joffrey e permitirá que Tommen governe... ou então tentará fazer paz com Stannis...
—Joffrey, Tommen, Tywin, Stannis ou Renly. Nenhum deles irá concordar em perder o norte, filha. – ralhou seu pai – E eu não posso fazer um ataque a Porto Real. Seu irmão está lá.
—Uma vez que tivermos a sua frota, podemos mandar uma carta a Hoster Rivers. Ele avisará meu irmão e Valerion poderá se esconder. – disse Shiera – Ele é esperto, saberá o que fazer. – disse ela – Se tomarmos Porto Real, Tywin terá que abaixar a cabeça. Teremos seus filhos e netos sob nosso poder.
—E ninguém para cuidar de Harrenhal ou Winterfell, enquanto Rochedo Casterly estará são e salvo. Vocês não conhecem Tywin Lannister como eu.
—Podemos salvar Valerion, depor Tommen e entregar o Trono de Ferro a Stannis, o rei verdadeiro. Stannis poderá dar um jeito em Casterly Rock. – disse Shiera.
—Stannis tem um exército ainda menor que o seu. – disse seu pai a olhando como se ela não falasse mais do que baboseiras infantis – Renly, no entanto, tem mais homens do que você, ou que os Lannisters. Renly reuniu um exército de quase cem mil homens e...
—E ele morrerá em breve. – retrucou Shiera. Seu pai suspirou cansado.
—Você viu também? – perguntou ele.
—Eu vi Renly sendo morto por Stannis. – respondeu Shiera e seu pai se levantou. O acompanhou com o olhar e o viu andar de um lado para o outro.
—Não foi exatamente Stannis que você viu, foi? – perguntou seu pai com um semblante sombrio. Shiera engoliu em seco.
—Eu não sei exatamente o que eu vi... mas parecia Stannis.
—Um homem de sombras.
—Então você também viu! – disse Shiera olhando para o pai – Você sabe que Stannis vai derrotar Renly.
—Eu sei disso. – concordou seu pai – Mas eu sei o que minha visão significa. Eu cresci em Essos... você nunca deixou Westeros. Você sabe menos do que Valerion ou Aegon. – seu pai a olhou de rosto franzido – Eu jurei lealdade ao Trono de Ferro e a Robert. Eu quero me unir a Stannis. Ele é o rei de direito. Porém... – seu pai suspirou – Stannis vai avançar contra o norte para encerrar essa rebelião. Robb deveria ter se unido a ele. Ele se condenou e condenou você, em seguida.
—Nossos lordes não quiseram servir um rei do sul que nada significava para eles. – insistiu Shiera – Pai, com a sua ajuda, nós podemos nos declarar independentes! Nós podemos vencer. Você foi o homem que derrotou os Tarly e os Tyrell. Você foi o maior estrategista da rebelião de Robert. Sem falar que ninguém se compara a você na hora de lutar no mar. Por favor. Nos ajude.
Seu pai ficou em silêncio por algum tempo e então finalmente a olhou.
—Reúna seus homens e marche de volta para Winterfell. – disse ele – Deixe que Stannis, Renly e Tywin digladiem entre si. Quando Tywin chegar, porque ele está vindo, eu vou negociar a vinda de seu irmão com ele. Todos irão querer Harrenhal. Meu castelo fica no meio de todos os reinos. – seu pai suspirou de novo – Entregue-me Jaime Lannister e eu terei uma razão ainda maior para trazer seu irmão de volta. E eu garanto que eu não deixarei Tywin, Stannis ou Renly avançarem para o Norte. Eu ajudarei a manter o Norte seguro. – seu pai engoliu em seco e tossiu em seguida, parecendo sentir dor – Faça isso e eu posso...
—Me diga pai, quando foi que perdeu suas bolas? – perguntou Shiera franzindo a testa – Foi quando Aegon partiu? Ou quando deixou Valerion para trás, sozinho e abandonado em Porto Real? – perguntou ela indignada – Onde está aquele homem corajoso que velejou até Valíria e trouxe de lá mil tesouros? – perguntou furiosa – Você é um maldito dragão. Não é um coelho, que se esconde na toca ao menor sinal de perigo. Eu quero a sua ajuda para salvar meu irmão e para garantir ao seu neto... – e ela colocou a mão no ventre – que eu já carrego dentro de mim, que tenha uma vida longa e próspera. Ele já vai passar dificuldades por nascer tão próximo do inverno! Eu preciso da sua ajuda.
Seu pai olhou para seu ventre e pareceu ainda mais angustiado.
—Seja sensata pelo seu bebê, menina. Volte para Winterfell e se prepare para o inverno. Escolha a paz.
—Os Lordes do Norte não querem paz! Eles querem justiça. Não vai mesmo me ajudar?! Vai me dar as costas? Como fez com Aegon e Valerion? Eu sou sua única herdeira em seu castelo, ao seu alcance. Ao alcance da sua ajuda. Mas você vai escolher ficar ai?! – seu pai a fitou parecendo decepcionado – Vai virar as costas pra mim como fez com meus irmãos?
—Shiera...
—Ótimo. Que assim seja. – o cortou. Ficaram em silêncio por alguns segundos e seu pai franziu o cenho.
—Que assim seja? – perguntou ele, parecendo confuso – A Shiera que eu conheci não sairia da minha frente sem conseguir o que quer... muito menos sem fazer um chilique...
—Pois eu não sou mais uma donzela mimada. Eu sou uma rainha e tenho homens que contam comigo. – disse empinando o nariz novamente – Eu exijo meu direito de herança. – anunciou e seu pai esbugalhou os olhos ainda mais – Se você tem nove mil homens e trezentos navios... eu tenho direito a um terço da metade de minha mãe, abdicando de qualquer herança que eu poderia vir a receber de você. Isso são pelo menos mil e quinhentos homens e cinquenta navios. Desses mil e quinhentos homens eu quero pelo menos quinhentas flechas de prata, Imaculados e o que puder de infantaria. Além de homens para guiarem os navios. Eu os preencherei com soldados. – ela engoliu em seco – E eu vou querer o arco que pertenceu a minha mãe, o de aço valiriano. – ela olhou determinada para o pai, que suspirou parecendo ainda mais cansado.
—Você sabe que a verdadeira guerra não será contra os Lannisters, ou contra os Baratheon... – sussurrou ele – Você sabe, porque você viu. Cruéis, vindo do norte, com seus brilhantes olhos azuis, trazendo o frio e a morte com eles.
—Eu sei. O Inverno está chegando. – disse se sentindo mais Stark do que Blackfyre. Aquela frase badalava em sua mente, como um sino em um septo. Todo o tempo, sem intervalo. O Inverno está chegando. O Inverno está chegando. O Inverno está chegando...
—E mesmo assim quer levar os homens para uma luta... vai nos enfraquecer ainda mais... – murmurou ele.
—Não posso pedir que Robb marche para o Norte, para a Muralha com os Lannisters prontos para atacar nossos castelos, incendiar nossos campos e matar nossos camponeses. – rebateu Shiera – Enquanto não tivermos nos livrado dos nossos inimigos vivos, não poderemos lidar com os mortos.
Seu pai a olhou com intensidade e se aproximou um passo.
—Você viu os Caminhantes Brancos.
—Vi. – respondeu simplesmente.
Seu pai suspirou e andou até sua cadeira, onde deixou o corpo cair, parecendo completamente cansado.
—Não acho que vamos sobreviver... talvez seja tempo de pegar nossos navios, nossos homens e fugir de Westeros. Voltar para Essos...
—Isso não é uma opção pra mim. – disse Shiera – Eu sou esposa do Rei do Norte e carrego em meu ventre o herdeiro dele. Eu ficarei aqui e lutarei até a última força que me restar. – disse ela. Seu pai suspirou novamente e olhou as chamas.
—Então imagino que logo assombrará meus sonhos, com a pele pálida, os dedos negros e os olhos azuis... – sussurrou ele – Eu vi a única esperança de sobrevivermos... mas... mas falhou. – murmurou ele tristemente – Vamos todos morrer... eu apenas preciso tirar vocês daqui... mas Valerion está preso em Porto Real e você está presa a seu marido... – ele levantou o olhar para os dragões que vigiavam a cama – Irei viver para ver o fim do meu nome? Valerion e você morrerão pelo Inverno... Aegon pela própria estupidez.
—Aegon... o que? Por que diz isso? Você viu Aegon morrer? – perguntou sentindo um aperto no peito. Seu pai negou com o rosto.
—Eu vi... o exército dos mortos. Enorme, insuperável. Eu vi o Rei da Noite, em seu cavalo de ossos, em sua armadura de gelo, com aqueles assustadores olhos azuis... sim, eu vi... – sussurrou seu pai – Mas eu vi o que iria nos salvar. Eu vi o príncipe que foi prometido... o salvador que iria salvar a todos... e Aegon lutaria ao lado dele... o Dragão vermelho e o Dragão negro, lado a lado, encerrando uma velha desavença... meu herdeiro e o herdeiro dos Targaryen... – seu pai respirou fundo – Mas Aerys morreu pela espada do Regicida. Rhaegar pelo martelo de Robert, Aegon, filho de Rhaegar, foi assassinado pelo Montanha... e agora seu irmão matou Viserys, encerrando a linhagem dos Targaryen para todo sempre e impedindo que a profecia do “Príncipe que foi prometido” se cumprisse... nossa única esperança morreu nos braços de seu irmão, em uma coroa de ouro derretido. – bradou seu pai e Shiera engoliu em seco.
—Você acha que Viserys... que seria ele quem... quem iria derrotar as criaturas do inverno?
—Ele foi o último Dragão Escarlate. – disse seu pai. Shiera franziu as sobrancelhas, relembrando as próprias visões. Os dois ficaram em silêncio por algum tempo, até que ela falasse.
—O que vai fazer, pai? Não tenho tempo para esse tipo de conversa. Eu preciso ajudar Robb a vencer essa guerra, para poder voltar pra minha nova casa. Precisamos nos preparar para o inverno e só eu e você sabemos o que virá junto com a estação. – disse decidida. Ainda se lembrava das histórias de sua ama, sobre invernos tão compridos que uma geração inteira nascia, crescia, envelhecia, sem nunca ver o sol. Desejava que seu filho não demorasse tanto para conhecer o verão...
—Se você quer a parte de sua mãe, eu não vou negar isso. – disse seu pai, sem encará-la – Terá os navios, os Imaculados e as Flechas de Prata. Te darei até alguns elefantes. É um direito seu e sua mãe me amaldiçoaria do túmulo se eu lhe negasse isso... – seu pai suspirou e a olhou severamente – Mas não espere mais nada de mim. Nem mesmo uma moeda de cobre que seja. Esqueça que um dia essa foi sua casa. Esqueça Harrenhal, esqueça o nome Blackfyre. E não pense que eu não me voltarei contra você se isso for necessário para salvar Valerion. – seu pai suspirou – Afinal ele é meu herdeiro.
—Como pode simplesmente virar as costas para Aegon? – perguntou furiosa.
Seu pai a olhou novamente.
—Quando eu tive a visão dos dois dragões... eu chamei Aegon para conversar... eu contei o que eu vi...
—E o que você viu!? Diga logo. Pare de mistérios! Eu preciso saber de tudo, antes de concordar em pagar o preço. – respondeu.
Seu pai concordou com um aceno de cabeça.
—Eu vi dois dragões vermelhos. Um deles estava com três ovos de dragão. E desses ovos vieram mais três dragões. – explicou seu pai – Mas os três dragões que nasceram não eram dragões de escudos... eram dragões mesmo. Eu imaginei que Viserys Targaryen iria conseguir trazê-los de volta... esses três filhotes de dragão iriam crescer e derreteriam o inverno, liderados pelo príncipe que foi prometido, por Aegon e por mais alguém... alguém que eu não soube identificar... – explicou ele – Então o príncipe que foi prometido iria reinar... os dois dragões unidos pela primeira vez... – sussurrou ele – Mas Viserys está morto. Seu irmão me traiu, traiu a todos nós, deixando sua impulsividade...
—Pai. – cortou ela – Aegon não é um assassino sádico. Se ele matou esse tal de Viserys, foi porque ele achou o certo. – disse convencida plenamente daquilo – E até onde eu sei, ainda existe uma Targaryen.
—Sim, eu pensei nisso. – disse seu pai – Eu inclusive pensei nessa garota... eu pensei que ela poderia vir para Westeros, reivindicar o trono do pai... com Aegon como seu esposo. E ela teria meu total apoio. – explicou ele – Eu poderia tentar convencer outros lordes, descontentes com a administração em vigor...
—Teria o apoio do Norte. – disse calmamente – Por que não faz isso? Aegon governaria o Sul, Robb o Norte, comigo ao seu lado. E Valerion seria o herdeiro de Harrenhal, já que Aegon estaria no Trono de Ferro...
—Eu não sei onde Aegon está. E pelo o que eu soube, essa menina Daenerys se casou já... Aegon já não pode desposá-la... não há o que ser feito, Shiera. – adicionou ele – Aconselhe seu marido a não guerrear... a mandar seus vassalos pra casa, a fim de se prepararem para o pior...
—Pai, se Robb mandar os vassalos pra casa, depois de tudo o que já aconteceu, é possível que os senhores do Norte o tomem por um covarde, ou por fraco. Iriam degolá-lo. E talvez enfiassem uma faca em minha barriga, me culpando por ter feito a cabeça dele. Paz não é uma opção agora. Não assim. Nós simplesmente não podemos voltar. Entende?
Seu pai suspirou parecendo triste e resmungou algo que ela não conseguiu entender.
—Mande Talisa chamar seu marido. Talvez ele tenha mais juízo que você. – resmungou ele.
**
Ele estava livre dos guardas Lannister, livre da constante e aberta vigilância de Cersei e se sentia ligeiramente protegido. Tyrion se livrara de Janos Slynt e colocara Bronn no lugar, o que ele gostara.
Valerion sabia que Tyrion tinha trago uma puta de acampamento para a Fortaleza Vermelha, apesar da proibição de Lorde Tywin, sabia que seu irmão desaparecera com Daenerys Targaryen dentro do deserto e não se sabia mais deles. Sabia também que sua irmã estava a caminho de Harrenhal, disputar o apoio do pai com Tywin Lannister.
Mais do que isso. Sabia que Joffrey mandara executar os bastardos do rei Robert também. Por isso ele resolvera agir rapidamente, aproveitando-se de sua atual liberdade.
Estava em sua liteira, olhando a puta favorita do falecido rei. Nos braços dela havia um bebezinho de olhos azuis e cabelos escuros. Barra, pelo que a mãe dissera. Em homenagem ao pai, Baratheon. Barra Waters.
—Muito obrigada, meu Lorde... eu nunca serei capaz de te agradecer o suficiente. – chorava a mãe, agarrada a sua criança com o rosto vermelho e molhado.
—Fico feliz por isso. – riu Valerion – Tenho certeza que poderei contar com você, sempre, não é? – perguntou ele. A mulher concordou com um aceno de cabeça, beijando a testa de sua filhinha – Ótimo. Porque eu vou precisar de você... – riu ele – Você era funcionária do Mindinho. Certamente deve conhecer muitas das fontes dele. Talvez até alguns segredos dele. Talvez saiba de algo interessante para me contar... e se não tiver, bem... você é uma puta. – riu ele e a mulher o olhou curiosa – Posso aproveitar suas habilidades para arrancar informações de outras pessoas, não posso?
—Sim, meu senhor. – respondeu ela. Valerion sorriu, satisfeito.
—Você sabia que Janos matou um outro bebê, naquele puteiro? – perguntou ele. A puta negou com a cabeça – Como era o nome da outra mulher que estava de licença? – perguntou calmamente. Megan, a mãe da pequena bastarda de Robert, respondeu:
—Nynka, meu senhor...
—Sim, ela mesma... Janos arrancou a cabeça do bebê dela, no meio do bordel, na frente da pobre Nynka... ele ficou desesperado ao saber que você já tinha saído de lá... mas ele reportou que matou o bebê certo. O bastardo certo. Porém, nós dois sabemos a verdade sobre isso... e essa verdade deve ser mantida em segredo, ou outros homens virão atrás de Barra.
—Eu não contarei a ninguém, meu senhor... – sussurrou Megan, assustada – Como ele pode... matar um bebezinho... e Nynka tinha um filho e não uma filha...
—Janos achou que ninguém se importaria com um detalhe bobo desses... mas não se preocupe mais com Janos. Tyrion Lannister o mandou para a Muralha, revogou seus títulos e tudo o mais. – riu ele e Megan sorriu – Estamos chegando, Megan. – ele sorriu também, lhe entregando um rolo de pergaminho – Esconda o rosto e entregue isso a Hoster Rivers. Ele lhe levará para um lugar seguro. – adicionou sorridente. A mulher sorriu e lhe beijou os lábios brevemente.
—Muito obrigada, meu lorde. – ela suspirou – Infelizmente eu não tenho segredos bons o suficientes para confidenciar, mas... mas eu sei quem pode ter... Ros... – respondeu ela antes que ele perguntasse – Ela é ruiva, do norte. Veio de Winterfell, se não me engano. Ela é uma das favoritas de Lorde Baelish. – explicou ela e Valerion sorriu.
—Faça uma viagem segura, senhora. Que os Sete te protejam.
—Ao senhor também. – sussurrou ela quando a liteira parou. Valerion a seguiu com o olhar brevemente. Pela janela da liteira, observou Hoster pegar o pergaminho dela e passar o braço por seus ombros.
—Para onde, senhor? – perguntou um de seus homens. Homens seus, mesmo. De Harrenhal. Homens em que confiava bastante.
—De volta ao castelo. – disse calmamente.
Tinha uma reunião do Conselho.
Assim que chegou, notou ter sido o último. A rainha o olhou desconfiado e Tyrion levemente curioso.
—Já foi mais pontual, Sor Valerion. – provocou a rainha e Valerion lhe dirigiu um sorriso doce.
—Mil perdões, Vossa Graça, mas tive que passar no porto. Um carregamento de sementes chegou e eu precisei receber e pagar por eles. – disse se sentando com um sorriso no rosto – Temos muito o que plantar. Em breve estaremos alimentando a cidade novamente. – ele suspirou e olhou para Tyrion – Devo anunciar que consegui uma boa quantidade de comida para o povo. Creio que poderemos alimentá-los até que o trigo termine de crescer nas plantações aqui perto.
—Muito bom. – riu Tyrion. Valerion olhou para um jovem rapaz que estava de pé ali. A rainha soltou um muxoxo e se colocou a ler um pergaminho que tinha em mãos, como se não passasse de uma piada de mau gosto.
—De hoje, até o fim dos tempo, não faremos parte de seu reino, mas um livre e independente Reino do Norte. – leu ela com desgosto e Valerion sentiu um calafrio lhe subir a espinha. Cersei pegou o documento e o rasgou em oito partes, enquanto todos assistiam em silêncio – Ele tem mais audácia que o pai, devo admitir. – resmungou ela quando terminou de rasgar o pergaminho.
—Você aperfeiçoou a arte de rasgar os papéis. – zombou Tyrion – Dê a ele os ossos do pai, como um gesto de boa fé. – sugeriu ele e Valerion concordou. Aquilo poderia acalmar um pouco... bem minimamente, a fúria nortenha.
—Dará aos Starks nossa resposta, primo? – perguntou a Rainha como se não tivesse escutado.
—Sim, Vossa Graça. – respondeu o rapaz que estava de pé e Valerion entendeu que ele deveria ser filho de algum dos irmãos de Tywin... ou talvez da falecida mãe da rainha.
—Viu meu irmão enquanto foi convidado dos Stark? – perguntou ela e Valerion achou que ela ao menos poderia tentar não parecer tão preocupada com ele, levando em consideração as acusações que jogaram sobre ela...
Lorde Stannis tinha mandado cartas para muitos lordes, falando que os três filhos da Rainha eram bastardos de Jaime Lannister e isso a enfurecera absurdamente. Ficou até impressionado com a capacidade dela de se enfurecer com uma verdade, como se fosse uma injúria.
—Vi. Eles não abalaram seu espírito, Vossa Graça. – respondeu o rapaz.
—Se você falar com ele, diga que não foi esquecido.
—Direi, Vossa Graça. – respondeu o rapaz enquanto um leve ar de constrangimento pairava pela sala.
—Boa viagem, primo. – murmurou Tyrion. O rapaz fez um breve e respeitoso aceno de cabeça, se virando para retirar-se. Valerion suspirou e olhou para a mesa, esperando o que viria em seguida – Não tem habilidade alguma para a diplomacia. – ralhou Tyrion sem encarar a irmã. Valerion concordou mentalmente.
—Isso é tudo? – perguntou a rainha, parecendo desejar se retirar da sala e Valerion notou que realmente se atrasara demais para a reunião.
—Um corvo voou essa manhã de Castle Black. – respondeu Meistre Pycelle, estendendo um pergaminho para Tyrion.
—Problemas com os selvagens? – perguntou Varys, curioso, enquanto Tyrion abria o pergaminho.
Por um momento Valerion se lembrou de alguns pesadelos da irmã, sobre os Outros, assim como se lembrou da última conversa com o pai. Um calafrio cheio de agouro subiu por sua espinha e ele não fingiu tranquilidade. Sentiu seu rosto adquirir uma expressão de preocupação e notou que Petyr o olhava com atenção e divertimento.
—Por isso são chamados de selvagens. – riu Lorde Baelish.
—Um pouco menos selvagens nos dias de hoje. – discordou Varys – Parece que eles pararam de se matar e começaram a seguir um Rei-Pra-Lá-Da-Muralha.
—Outro rei? – debochou Cersei – Quantos são agora? Cinco? Já perdi as contas.
—O Comandante pediu para que enviemos mais homens à Muralha. – disse Tyrion enquanto lia o pergaminho.
—Ele esqueceu que estamos em guerra? – perguntou a rainha – Não temos homens sobrando.
—“Ventos frios estão vindo, e com eles vêm os mortos.” – leu Tyrion e Valerion engoliu em seco, lembrando-se das visões de Shiera. Mas já? Não... não estamos prontos ainda. Aegon não voltou de Essos. Não fizemos as pazes com os Lannisters... e eu ainda não pude falar com Tywin...
—Os Nortenhos são supersticiosos. – disse Meistre Pycelle com pouco caso.
—E conhecem o inverno melhor do que qualquer um de nós. – rebateu Valerion – Talvez fosse uma boa ideia mandar alguém para a Muralha, para ver do que se trata. – disse disposto a finalmente dar uma boa resposta Pycelle se este fizesse pouco caso de suas palavras ou ideias novamente.
—Bem... o Comandante disse que um desses homens mortos o atacou. – disse Tyrion enquanto os membros do conselho se levantavam, seguindo a rainha. Valerion seguiu sentado, indo contra eles – Mormont não mente. – adicionou o anão.
—Como se mata um homem morto? – perguntou Lorde Baelish com óbvio falso interesse. Aquele sorrisinho debochado no canto da boca.
—Você os queima. – respondeu Valerion, ainda sombrio, pensando em muitas coisas.
A rainha deu uma gargalhada e Valerion a encarou.
—Sua irmã se casa com o cachorro sarnento de Winterfell e você começa a acreditar em snarks e gramequins. – debochou ela e Valerion sorriu para ela. Um sorriso que fazia pouco do deboche dela.
—Eu tenho uma tendência a crer no que parece ser impossível, Vossa Graça. Meu pai fez o que todos julgavam ser impossível, ele foi até Valíria e trouxe mil tesouros de lá.
A rainha sorriu achando graça dele e revirou os olhos, indo em direção à porta.
—Deixe-me apenas lembrá-la de algo, irmã. – disse Tyrion, ainda sentado, e Cersei se virou – A Patrulha da Noite é a única coisa que nos separa do que está além da Muralha.
—Tenho certeza de que os bravos homens de lá nos protegerão. – disse a rainha.
Tyrion e Valerion se entreolharam e Valerion suspirou.
—O que vai fazer? – perguntou quando ficaram sozinhos.
—Bem... Cersei tem razão sobre uma coisa... não podemos dispensar homens. Estamos em guerra. – disse Tyrion parecendo calcular algo – E um ataque do extremo norte pode nos ajudar a lidar com seu cunhado. – adicionou ele e Valerion suspirou – Tenho uma proposta pra você. – Valerion o olhou, curioso. Tyrion lhe lançava um sorriso cheio de cumplicidade. O mesmo sorriso que dava antes de convidá-lo para um bordel, ou lhe incentivar a deitar-se com uma puta. Um sorriso que via antes de alguma loucura que provavelmente ficaria apenas entre eles, já que seu pai não aprovava esse tipo de comportamento – Eu acho que Porto Real está se tornando um lugar muito perigoso. E como você sabe, minha irmã não parece se preocupar em manter o povo feliz. – adicionou Tyrion enchendo duas taças de vinho. Valerion pegou uma delas e deu um bom gole – Eu penso que cedo ou tarde pode acontecer uma insurreição... algo que possa colocar meus sobrinhos em risco. – acrescentou Tyrion e Valerion concordou – Por isso eu estava pensando em matar dois coelhos com uma cajadada só. Fazer as pazes com o seu pai e manter Myrcella a salvo. – Tyrion lhe lançou um sorriso e Valerion seguiu escutando tudo em silêncio – Eu estou planejando levar Myrcella para Harrenhal. Mas é de extrema importância que minha irmã não saiba... ou ela poderá estragar tudo.
—Ela não ouvirá palavra de mim, senhor. – disse contente. Com Myrcella em Harrenhal... as possibilidades melhoravam e muito.
**
Estava uma gritaria. Seu pai abrira os portões para o exército de Robb. Os lordes mais importantes, assim como Lady Catelyn e as damas de companhia de Shiera, ficariam hospedadas no castelo. Seu pai abrira dezenas de barris de hidromel, vinho e cerveja, servira javalis, cervos, coelhos, peixes, e as mais diversas sobremesas. Um banquete digno de um rei. O Rei no Norte.
Robb se desculpara a seu pai, por tê-la desposado. Dissera que parte tinha sido para aumentar suas chances de conseguir o apoio de Harrenhal, um conselho insistido dos Lordes do Norte. Mas parte havia sido por amor. Robb dissera que tinha se apaixonado e que tivera medo de perdê-la. Ele disse para meu pai que não suportaria me perder e meu pai se emocionou.
O pedido de desculpas tinha feito com que seu pai prometesse que não uniria seus homens aos dos Lannisters. Mas seu pai determinara que não os ajudaria, tampouco. Ele seguiria protegendo suas fronteiras e apenas isso. Se Tywin não tentasse incomodar suas terras, Lorde Blackfyre não iria enfrentá-lo.
Mas agora ela precisava fazer algo. Algo a respeito de um sonho. Partiriam no dia seguinte, mas com alguns homens a menos. Lady Catelyn iria negociar com Renly Baratheon, para formar uma aliança e Theon iria ir para as Ilhas de Ferro, pedir o apoio de Lorde Balon Greyjoy. E Shiera sabia que ele iria negar. Avisara isso a Robb, mas ele insistiu em tentar.
Por isso, quando seu marido já estava relativamente alto pelo vinho, foi procurar Theon. O encontrou num momento íntimo com Talisa Rivers e acabou rindo, flagrando os dois. Talisa saiu de dentro do celeiro, arrumando o decote, sem parecer tão envergonhada quanto uma dama de respeito deveria se sentir e Theon parecia igualmente não se importar.
—Vossa Graça? – disse ele, mas daquele jeito dele. Como se zombasse de seu título – Não esperava vê-la aqui.
—Se estava com saudade de mim, poderia esperar até o fim da noite. – riu Talisa, ainda amarrando o corpete, tentando conter o volumoso busto dentro das vestes.
—Na verdade, meu assunto é com você, Theon. – disse com um sorriso divertido. Talisa a olhou curiosa, mas se afastou – Vamos, entre. – disse empurrando o rapaz para dentro do celeiro.
—Vossa Graça, isso não seria apropriado. O que Robb iria pensar? – perguntou Theon com graça e ela o ignorou.
—Eu preciso falar algo com você, algo de muita importância. – disse olhando para ele. Theon a olhou ligeiramente curioso – Theon, eu sei que Robb te confiou uma missão importantíssima. – disse ela segurando as mãos do moreno. Theon sorriu de maneira orgulhosa – Mas... mas receio que não seguirá como você imagina.
—Viu isso em um sonho? – perguntou ele e Shiera não se importou em concordar, por mais que o tom dele parecesse estar cheio de deboche.
—Seu pai não vai querer uma coroa dada. Você vai passar por um momento difícil, Theon... por uma escolha difícil, entende? – perguntou, ansiosa. Theon concordou com um aceno de cabeça – Eu só peço... para que... quando o momento chegar... você não se esqueça... – ela suspirou – Quem realmente amou você, quem realmente se importou com você. Não se esqueça quem é sua verdadeira família.
—Eu sou um homem de ferro! – disse ele incomodado com suas palavras.
—E eu sou um dragão. – disse ela – Mas eu fui enfrentar meu pai para ajudar Robb, porque eu o amo. – disse ela ainda segurando as mãos de Theon – Quando chegar o momento difícil, Theon... por favor, se lembre da sua família. Da sua verdadeira família. Robb te ama como ama a um irmão. Talvez até mais do que isso. Ned Stark, por mais que você tenha sido um refém, sempre te tratou com cortesia e tentou lhe ensinar como ser um homem digno... um bom homem... você nasceu nas Ilhas de Ferro, mas Winterfell foi seu lar. Lembre-se disso, por favor.
Theon engoliu em seco, a olhando atentamente.
—Por que me diz isso? – perguntou ele.
—Você vai saber em breve. – murmurou Shiera – Apenas se lembre... quem são aqueles que sempre acolheram você... de verdade. – pediu ela, soltando as mãos dele e se virando – Por favor, pense nesse pequeno bebê que carrego dentro de mim, que tem tanto de mim quanto de Robb...
—Lady Shiera. – chamou ele e ela o olhou – Robb é um irmão caçula pra mim. – murmurou ele – Eu jamais o trairia, se é este o teu medo.
—Me consola ouvir tais palavras, meu senhor. – respondeu – Agora se me dá licença, você tem assuntos inacabados com Talisa.
Shiera saiu do celeiro e piscou para a amiga, que sorriu animada, voltando para dentro. Shiera andou novamente para o castelo e se lembrou de quando valsara com Jon no grande salão. Por um momento pode sentir o cheiro dele em seu corpo. Suspirou e fechou os olhos, se perguntando se ele estava bem e se ainda pensava nela.
Devo parar de pensar em Jon Snow! Voltou a andar a passos firmes até o salão e se sentou novamente ao lado de Robb, que entrelaçou seus dedos com os dela.
—Onde estava? – perguntou ele, com o hálito de vinho tocando sua face.
—Fui procurar Talisa, mas ela estava ocupada. – mentiu, sem deixar que seu rosto lhe traísse – Como vai o banquete?
—Melhor do que boa parte dos meus lordes esperava. – riu ele a olhando com malícia – Mas sinceramente eu preferiria estar comemorando essa nossa vitória apenas com você. – sussurrou ele em seu ouvido e Shiera sentiu o corpo ferver, e a região acima das coxas ficar úmida.
—Então se despeça de seus senhores e diga que está pronto para dormir. – disse o olhando com carinho. Robb olhou para ela com aqueles olhos azuis. O sorriso por baixo de sua barba ruiva era charmoso e cheio de segundas intenções. Ele suspirou aproximando o rosto e então lhe deu um beijo gentil nos lábios. Sentiu a mão dele em seu ventre, lhe fazendo uma carícia e os dois sorriram um para o outro – Devemos nos retirar, meu senhor?
—Por um momento, pelo menos. – disse ele.
Sendo o Rei e a Rainha do Norte, era simplesmente impossível saírem sem chamarem atenção. Escutou Grande Jon Umber gritar que ela já estava grávida e que Robb não precisava meter-se entre suas pernas a todo momento. Se Aegon estivesse aqui, Grande Jon perderia mais do que mais alguns dedos.
Seu pai a olhou de sua cadeira de Lorde de Harrenhal e levantou um cálice de vinho em brinde aos dois.
—Ao rei e a rainha do Norte. – disse ele sem força na voz, mas os nortenhos fizeram coro.
Ao chegarem no corredor, Robb começou a beijá-la, louco pelo vinho e pelo desejo. Embriagado de amor. Antes mesmo de entrarem no quarto, ele a levantou pelas coxas a beijando apaixonadamente. Tentando tirar as camadas de seu vestido do caminho, enquanto ela tentava por tudo desamarrar seu calção.
Robb logo achou o caminho para dentro dela e soltou um gemido de alívio.
—Robb... aqui não. Aqui podem nos ver. – pediu amando o modo como ele a preenchia. Robb sorriu em seus lábios, sem parecer se importar e mordeu seu pescoço, enquanto movia os quadris, entrando e saindo de maneira rítmica, levando-a ao delírio.
Chamou o nome dele, enquanto o arranhava nos ombros, completamente envolvida pelo momento. Sua respiração se misturava com a dele, enquanto os dois corpos pareciam lutar para ficarem mais e mais unidos. Sentiu os dentes dele morderem seu lábio e isso lhe arrancou um gemido, enquanto sentia suas costas esfregarem-se na parede, a medida que Robb a empurrava. Apertou os quadris dele com as coxas e segurou a cabeça dele para beijá-lo, sem sentir medo de que ele a deixasse cair no chão
—Abra o vestido pra mim. – pediu Robb e Shiera riu.
—Isso é loucura, Robb... podem nos ver. Vamos para o quarto e me terá sem roupa alguma. – disse excitada, mas com algum receio – Não quero ofender o senhor meu pai desse jeito... – disse quase sem ar. Seu marido suspirou e a colocou no chão. Os dois cambalearam para um quarto qualquer e Robb quase não lhe deu tempo de fechar a porta antes de puxar seu corpo de volta. Completamente louco pela bebida, e desesperado de tesão, o jovem rei tentou abrir seu vestido. Mas seus dedos já sem muita coordenação se embaralharam com os cordões. Ele rosnou sem paciência e praguejou tirando uma faca do cinto – Robb! – mas ele não quis esperar e cortou os cordões, fazendo seu vestido afrouxar. Sentiu os lábios dele tomarem os seus enquanto o esposo tirava as vestes. Seu vestido estava apenas levemente pendurado em seu corpo então livrou-se dele, completamente. Sentiu os braços fortes de Robb envolverem seu pequeno corpo, para pegá-la no colo. Ele a carregou até um tapete, pois os quartos excessivamente grandes de Harrenhal mantinham as camas longe demais das portas. Sentiu o tapete peludo sob suas costas e antes que pudesse reclamar, desejando uma cama macia, Robb meteu-se dentro de si, completamente sedento de seu corpo. Não tinha como recusá-lo. Não lhe era são, recusá-lo, nem mesmo pedir para esperar. Só o fato dele ter entrado no quarto, no lugar de continuarem no corredor já tinha sido uma imensa prova de força de vontade dos dois. Sentiu a mão grande dele em sua coxa, a levantando de leve, para posicioná-la melhor. Ele levantou suas pernas, colocando-as quase sobre seus ombros fortes, movendo o corpo com vigor e vontade, deixando-a louca de prazer. Tentou não fazer barulho, mas isso se mostrou impossível. Sons desconexos deixaram sua garganta enquanto segurava o tapete peludo com toda a força – Oh... Robb...
Depois de alguns minutos naquela posição, Robb se colocou de joelhos e a puxou para seu colo. Envolveu a cintura dele com as pernas e permitiu que ele movesse seu quadril de maneira a guiar um movimento circular, roubando gemidos de ambos. O mordeu com força no lábio e ele riu disso. Aquele calor louco que sentia sempre que Robb a tomava começou a tomá-la, tornando seus gemidos mais insanos, altos e quase desesperados. Sentiu os olhos azuis dele em seu rosto, admirando como sua face se contorcia naquele momento máximo de prazer. Algo que apenas ele lhe proporcionava. Cravou as unhas nos ombros dele, arranhando-o, sentindo a sensação máxima do ato tomar seu corpo e soltou um grito alto, cheio de alívio.
Por um momento respirou fundo, ficando imóvel no colo dele, apesar de saber que o marido não estava satisfeito. Mas ele lhe permitiu respirar e recuperar o fôlego, enquanto lhe dispensava os beijos mais doces que poderia. Sentiu os lábios dele tocarem sua pele com carinho e desejo, enquanto ele a deitava naquele tapete peludo. Robb colocou-se entre suas pernas e jogou o corpo sobre o seu, apoiando o peso nos cotovelos, para não esmagá-la. Ele a olhava nos olhos, enquanto mantinha a testa colada a sua, com sua respiração mesclada a sua, seu cheiro e seu suor se enroscando contra o seu. O corpo dele movia-se num ritmo mais lento e contido, como se não houvesse pressa nem desespero para alcançar um objetivo. Como se apenas quisesse aproveitar o passeio. Seus beijos foram ficando mais intensos e quando Robb finalmente explodiu dentro de si, não foi um momento de puro desejo. Havia algo a mais ali. Fora calmo e tranquilo. Algo repleto de sorrisos. Os beijos eram os mais carinhosos e por um momento pareceu que eram muito mais importantes do que aquilo que acontecera abaixo de suas cinturas. Se beijaram por tanto tempo que seus lábios incharam de leve, assim como os dele.
—Eu te amo... – sussurrou ele ao seu lado, quando terminaram de transar e resolveram apenas ficar deitados naquele tapete de pele de zibelina. Sorriu para ele e parou de brincar com os poucos fios ruivos que começavam a acumular-se no peito do rapaz.
—Eu também te amo, Robb... – disse sinceramente. O amava. O amava e muito.
—Ainda pensa em Jon? – perguntou ele de uma vez, parecendo preocupado. Deveria mentir e dizer que não, mas o amava demais para mentir sobre aquilo. Se aconchegou mais nele e suspirou.
—Eu amo seu irmão. Nunca deixarei de pensar nele. – respondeu o afagando no rosto – Mas eu nunca me arrependi de ter casado com você. Você me faz feliz, Robb... eu te amo demais. – disse amando o sorriso dele – Eu amo tudo em você, até mesmo as coisas que me irritam.
—O que te irrita?
—Essa sua mania de querer me proteger... eu não sou de vidro. – disse o olhando nos olhos – Sou de carne e osso, assim como você.
Sentiu a mão dele lhe afagar a face e o olhar extremamente carinhoso dele. Robb sorriu para ela e a puxou pelo pescoço, para mais um beijo. Um menor e mais contido dessa vez.
—Sinto muito por isso... mas não posso evitar. – disse ele a olhando nos olhos – Eu perdi meu pai, Bran caiu daquela torre, jogado ao chão pelo Regicida... Sansa é prisioneira em Porto Real, Arya talvez seja também. Talvez esteja morta... nunca mais ouvimos uma palavra que fosse sobre Arya... – suspirou ele – Eu tenho muito medo de perder você, minha senhora. De perder vocês dois... – adicionou ele descendo a mão para seu pequeno ventre inchado. Já estava no final do primeiro terço de gravidez – Eu enlouqueceria se algo acontecesse com vocês... e eu coloquei você em perigo me rebelando contra o Trono de Ferro... seu pai tem ressentimentos para comigo por conta disso... eu sei que tem... e eu não o culpo. Eu te coloquei em perigo por meu próprio egoísmo. Simplesmente porque não queria me afastar de você...
—Não fique com todo o crédito. Eu insisti bastante para que você me trouxesse. – disse com um sorriso travesso e Robb segurou um de seus seios, que cabiam perfeitamente em suas mãos grandes.
—Sim, eu me lembro. – disse ele com o mesmo sorriso travesso – Achei que enlouqueceria de amor quando você tirou o vestido e me deixou contemplar sua perfeição. – riu ele a olhando com um sorriso safado – Principalmente porque você me mostrou e quase não me permitiu tocar... – adicionou ele apertando um de seus seios – Muito má... – adicionou ele descendo os dedos até sua fenda, entre as coxas. Arfou quando sentiu uma carícia ali e Robb sorriu voltando a ficar por cima – Não me... – ele lhe beijou a barriga, depois o umbigo e então o ventre – deixou... provar... – e então ele a beijou entre as coxas. Shiera fechou os olhos e arqueou as costas, gostando daquilo. Robb lhe beijou ali novamente e ela gemeu achando tudo muito bom – Gosta disso? – perguntou ele lhe dando um sorriso. Concordou com um aceno de cabeça e Robb subiu até ficar com os olhos em frente aos seus – Posso te beijar mais vezes ali... se me beijar mais vezes em... hum...
—Certo. – disse empurrando a cabeça dele para baixo, de volta para o meio de suas coxas.
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