Blackfyre

17 A Coragem dos Dragões


Notas iniciais
Yeeeei! Vocês conseguiram cinco comentários e a história recebeu mais uma recomendação! Obrigada, Black Adhara (ela é uma das minhsa leitoras mais antigas ♥ ) Eu amei a recomendação! Esse capítulo é completamente dedicado a você^^ Beeeeeeeeeeijos no ♥ A maratona continua. Com mais cinco comentários eu posto mais um capítulo! Beeeijos Bem, o que teremos nesse capítulo? O Valerion vai lutar, Aegon vai ensinar uma coisa ou outra de história pra Dany e Haegon vai mostrar pro Tywin que o Dragão Negro não tem medo dos leões =3 Eu amo esse capítulo! Beeeijos

A Coragem dos Dragões

Ele estava na corte, observando toda aquela loucura. Tyrion não estava lá, provavelmente estava com Shae. Cersei não estava lá, provavelmente estava falando com os alquimistas, lidando com a produção de Fogo-Vivo. Ele era a única pessoa ali para Sansa Stark.

Linda, como sempre. Os cabelos num penteado sulista, num lindo vestido cor de pérola, com tons de dourado. Os belos olhos azuis sob os fios vermelhos. A boca, o nariz, as maçãs do rosto. Tudo refletia perfeição. Beleza. Ela era linda demais e Joffrey a estava humilhando novamente.

Robb vencera a batalha de Riverrun e agora derrotara as tropas de Sor Stafford, em Lannisporto. Ninguém imaginaria que o exército nortenho ousaria marchar tão próximo de Rochedo Casterly. Depois de acabar com as tropas de Jaime, todos pensaram que Robb iria para um tudo ou nada contra Tywin, mas para seu alívio, o rapaz nortenho se mostrou mais inteligente que isso.

Porém, infelizmente, essa inteligência lhe colocou em maus lençóis. Estava de joelhos, ao lado de Sansa. Joffrey movia sua besta, a cada momento colocando um deles sob sua mira. Sansa estava em pânico, chorando, assustada, mas isso apenas divertia Joffrey. Valerion, por sua vez, apesar de temer a estupidez do garoto, tentava manter seus sentimentos controlados, para aparentar estar mais calmo do que realmente estava.

—Vocês estão aqui para pagar pelos crimes de seus irmãos. – bradou Joffrey.

Tinha escutado que Shiera vinha lutando ao lado de Robb. Escutara o rumor ridículo de que os dois eram capazes de se transformar em lobos gigantes durante as batalhas, mas era impressionante o número de pessoas que realmente acreditavam nessa bobagem. Mas havia algo que ninguém poderia negar. Seu pai dera tropas a Shiera. Apenas uma parcela muito pequena de Harrenhal, é verdade... mas dera. E alguns viram isso como traição. Harrenhal estava sofrendo um cerco pelas tropas de Tywin Lannister e Valerion se perguntava o que passava na cabeça de seu pai.

—Vossa Graça, o que quer que seja que meu irmão traidor fez... – choramingou Sansa – não tenho culpa. Você sabe disso. Eu lhe imploro!

Valerion continuou em silêncio, enfadado com tudo aquilo.

—Sor Lancel, diga as acusações. – disse Joffrey.

—Usando de alguma feitiçaria maligna, seu irmão, Robb Stark, e sua irmã, Shiera Blackfyre, atacaram Stafford Lannister com um exército de lobos. – disse Sor Lancel, em suas roupas carmesins e douradas. Valerion revirou os olhos sorrindo e Joffrey notou – Milhares de bons homens foram massacrados. – Valerion riu de novo – Após o combate... – continuou Lancel, incomodado com suas risadas – os nortenhos se deleitaram na carne morta...

Aquilo foi demais para ele. Riu com mais desdém ainda, alto o suficiente para que muitos da corte escutassem.

—Você acha isso engraçado, Valerion? – perguntou Joffrey colocando-o na mira.

—Sim. Acho hilário que essa corte acredite em tais asneiras. Qual é a próxima? Um monstro marinho vai engolir os barcos de Lannisporto? – perguntou com desdém olhando para os lados, ignorando completamente que Joffrey lhe apontava uma besta – Ou talvez... Já sei! Que tal essa! As Crianças da Floresta vão degolar as tropas de Tywin Lannister e farão uma magia para separar o norte do resto do continente! – disse rindo – Ou talvez eu vou pegar fogo espontaneamente, me transformarei em um dragão e devorarei todos vocês por estarem me fazendo perder tempo! – debochou ele escutando algumas risadinhas vindas da corte. Joffrey pareceu se irritar mais ainda com tudo aquilo – Robb Stark derrotou seu tio-avô porque os homens dele não passavam de pescadores e Sor Stafford não teve o bom senso de colocar bons vigias para fazer uma guarda decente. – adicionou – E francamente, eu conheço Robb Stark o suficiente para saber que ele respeita os mortos muito mais do que o senhor, Vossa Graça.

—Como ousa dizer isso?! – perguntou Joffrey – Está pedindo para levar uma flecha na testa, seu...

—Faça. – riu se levantando e ficando entre Joffrey e Sansa – Que todos comentem como o rei acabou com o filho de Haegon Blackfyre. Deixe que todos escutem sua façanha e que não se fale de outra coisa em todos os portos. Um feito desses não se manterá em segredo. Se ouvirá disso desde o Norte, até Essos. Harrenhal, Lannisporto e até Volantis. Quanto tempo levará para que meu pai escute disso? – perguntou com um sorrisinho – Ele tem uma frota de verdade, que pode pegar Tywin Lannister sem maiores problemas. Talvez minha irmã escute sobre isso e venha aqui me vingar. Ou quem sabe, até Aegon escute sobre isso... – Valerion deu um sorriso e escutou a corte inteira prender a respiração – Me pergunto se sobrará pedra sobre pedra em Porto Real caso Aegon souber que você matou o irmão caçula dele. – ele sorriu para Joffrey e abriu os braços – Então vamos, atire. Não é como se você tivesse muitos querendo a sua cabeça e poucos querendo mantê-la sobre seus ombros e sob sua coroa, não é mesmo?

Fez-se silêncio no salão. Todos prestaram atenção. Valerion sentia o coração bater acelerado, Sansa soluçava atrás de si.

—Por favor... por favor... – sussurrava ela, aflita.

—Se eu matasse vocês dois, eu seria um bom recado para seus irmãos.

—Sim, de sua estupidez. – riu Valerion e Joffrey fingiu não escutá-lo, apesar de ter uma veia pulsando na testa dele.

—Mas minha mãe e meu tio insistem em mantê-los vivos. – disse ele baixando a besta e a colocando sobre o Trono de Ferro – Fique de pé. – disse ele para Sansa, que obedeceu prontamente, ainda trêmula, ainda aos soluços, sem atrever-se a olhar para alguém além do rei – Eu vou mandar a mensagem de outra maneira. – todos ficaram em tenso silêncio e Valerion se viu cercado por guardas. Seus homens estavam parados, lá atrás, entre eles, Hoster. Todos esperando um sinal para sacarem as espadas. Sua mão apertou o cabo de sua lâmina. Nunca duelara bem como Aegon... mas quem no mundo conseguira esse feito? – Sor Meryn. Castigue Lady Sansa. – disse Joffrey e Valerion apertou o cabo com mais força – Mas não no rosto. Eu quero vê-la bonita. – quando Sor Meryn se aproximou demais de Lady Sansa, Valerion sacou a espada e se colocou entre os dois – Sor Valerion. Quer ser considerado um traidor?

—Sansa não é um brinquedo seu, Joffrey. – rosnou zangado e Joffrey riu com desdém. Escutou Sansa soluçar atrás de si.

—É exatamente isso que ela é. É exatamente isso que todos vocês são. São coisas minhas. Coisas que eu posso usar da maneira que me agradar mais. – rosnou Joffrey – Saia do caminho! – rosnou ele.

—Não. – respondeu Valerion – Eu não vou permitir que machuque uma donzela indefesa. – então virou-se para Meryn – Você é um cavaleiro, pelos deuses! – rosnou.

—E você não é. – devolveu Meryn – Saia da frente ou eu vou te tirar.

—Então me tire se tiver capacidade pra isso. – disse adquirindo pose de combate. Escutou Sansa arfar atrás de si.

—Ótimo. Vamos ver se o pequeno dragãozinho luta tão bem quanto o famoso irmão mais velho. – riu Joffrey – Acabe com ele Sor Meryn.

Valerion respirou fundo e Sor Meryn lhe atacou. Valerion bloqueou o primeiro golpe e o segundo. No terceiro sentiu seus pés tremerem com a força do golpe, mas não cedeu. Contra atacou, rapidamente, mas seu golpe apenas acertou a armadura branca de Sor Meryn, o fazendo recuar um passo. Mais uma vez bloqueou um golpe e mais um, mas no terceiro apenas desviou-se, com um bom jogo de passadas, para atacar o homem da Guarda Real. O atacou de novo e de novo, fazendo com que ele perdesse o equilíbrio, sendo forçado a recuar. Estava para atacar de novo quando viu o Cão vindo pela sua esquerda. Girou o corpo, esquivando-se de um ataque do Cão, levantando a espada para defender-se de um golpe dele. Sandor Clegane era muito mais forte que Sor Meryn e quando bloqueou um golpe dele, achou que sua espada iria se quebrar. Se afastou dos dois, voltando a ficar na postura de combate, Sansa estava logo atrás de si. Sor Meryn e Clegane a sua frente, com suas espadas erguidas.

Mas antes mesmo que eles atacassem, sentiu uma pontada no braço esquerdo. O golpe veio forte e rápido, num silvo. Seu corpo cambaleou e ele gritou de dor, caindo no chão. Olhou irado para Joffrey e viu que o maldito lhe apontava novamente a besta. A seta perfurara sua cota de malha e lhe adentrara a carne, fazendo com que seu sangue pingasse no chão. Sansa se jogou sobre si, assustada, usando o próprio vestido para conter o sangramento.

—Um rei deve fazer algumas coisas por si mesmo, não é? – vangloriou-se Joffrey – Cão, Sor Meryn... acho que facilitei pra vocês. Acabem com os dois. – disse ele. Sor Meryn veio imediatamente e Valerion se colocou de joelhos para segurar o golpe. Gritou de dor quando a espada dele desceu sobre a sua, pois a seta em seu braço doía demais, e notou que não seria capaz de bloquear de novo. Sor Meryn estava para atacar novamente quando escutou a voz de Tyrion.

—Qual o significado disso? – o anão se aproximava com seus guardas e Bronn. A corte abriu passagem para ele e Valerion seguiu atento, sentindo as mãos de Sansa em suas costas. Joffrey fez cara de uma criança que foi pega fazendo alguma arte pela mãe, engolindo em seco. Escutava os passos de Tyrion com alívio, torcendo para que o amigo pudesse ajudá-lo ali – Que tipo de cavaleiro de merda é você, que é capaz de atacar uma donzela e um garoto ferido e derrotado no chão? – ralhou Tyrion.

—O tipo que serve seu Rei, Duende. – rosnou Sor Meryn e Valerion se levantou, o sangue escorrendo por seu braço, os soluços assustados de Sansa enchendo o salão – Esse moleque desafiou o meu rei.

—Cuidado. Não queremos sujar seu bonito manto branco de sangue. – riu Bronn.

—Alguém faça alguma coisa com o ferimento de Valerion, pelos deuses! – ralhou Tyrion e Valerion sorriu insolente.

—Está tudo bem. – disse apesar de ser mentira. Estava doendo horrores – E eu desafiei a vontade de Joffrey pois ele estava querendo ferir a futura rainha. Se Robb souber que ela está sendo maltratada, sabe-se lá o que fará a Sor Jaime Lannister. – adicionou segurando o braço ferido. Ou à minha irmã...

Tyrion bufou e olhou para Joffrey.

—Ela será sua rainha, Joffrey. Não pode tratá-la assim. Não tem nenhum respeito e honra? – perguntou Tyrion.

—Eu a estava punindo. Punindo os dois! – defendeu-se Joffrey.

—Por quais crimes? Ela não lutou com o irmão, seu bostinha! Nem Valerion. Pelo contrário. Ele está aqui, tentando manter a cidade sob controle, fazendo com que tenhamos comida nesse momento difícil.

—Não pode falar assim comigo. O rei faz o que deseja! – disse Joffrey.

—O rei Louco fazia tudo o que desejava. – riu Tyrion se aproximando mais e mais de Joffrey – Seu tio Jaime já contou o que aconteceu a ele?

—Ninguém ameaça Sua Graça na presença da Guarda Real. – rosnou Sor Meryn avançando um passo e Bronn e Valerion fizeram o mesmo, todos com espadas em mãos.

—Não estou ameaçando o rei, Sor. Estou educando meu sobrinho. – ele suspirou e se virou para Bronn – Bronn, da próxima vez que Sor Meryn falar, mate-o. – os dois guerreiros se entreolharam. Bronn com um sorrisinho e Sor Meryn com ferocidade – Isso foi uma ameaça, vê a diferença? – Sor Meryn concordou com um tímido aceno de cabeça. Tyrion andou até Valerion, mas olhava para Sansa, que estava escondida atrás de suas costas, com o rosto cheio de lágrimas e uma expressão assustada – Vamos, criança... – disse ele num tom gentil – E eu peço desculpas pelos modos do meu sobrinho. – disse Tyrion guiando Sansa para fora do Salão do Trono de Ferro. Valerion lançou um último olhar de desprezo para Joffrey, antes de se virar e seguir Tyrion – Diga-me a verdade. Quer por fim a esse noivado? – perguntou ele num sussurro, enquanto deixavam a sala do trono, seguidos por boa parte da corte. Hoster se aproximou para olhar seu ferimento e fez uma careta.

—Sou leal ao meu Rei Joffrey, meu único e verdadeiro amor. – disse Sansa de maneira treinada. Ela seguiu de volta para o quarto e Tyrion deu uma risadinha, parando no lugar.

—Lady Stark... pode ser que sobreviva, afinal.

—Precisamos tratar desse machucado, Valerion. – riu Hoster – E você lutou bem. – adicionou ele. Valerion concordou.

—Obrigado. Precisamos dar um jeito em Joffrey. – disse pra Tyrion, olhando para trás, para o Trono, no final do salão.

—O reizinho está a ponto de explodir. – concordou Bronn – Entupido das bolas ao cérebro.

—Acha que molhar o bilau vai curá-lo? – perguntou Tyrion.

—Acho que arrancar fora a cabeça dele irá curá-lo. – resmungou Valerion e Bronn sorriu.

—Eu concordo com a ideia dele... mas acho que podemos usar a minha primeiro. Não há cura para ser um cuzão... mas você pode amenizar, não pode? Ele está naquela idade... – Bronn deu outra risadinha – E fica o dia inteiro arrancando asas de moscas. Uma distração não irá machucá-lo.

—Irá machucar a distração. – resmungou Valerion enquanto Hoster ameaçava cutucar a seta que ainda estava fincada em seu braço.

—Deixe o reizinho uma semana comigo num navio. Ele vai voltar um amorzinho depois de deixá-lo amarrado num pedregulho, com o mar até o peito, durante uns três dias. – sugeriu Hoster.

—Eu gosto da ideia de Hoster. – disse Valerion praguejando, sabendo que precisava da ajuda de Meistre Pycelle.

—Valerion. – riu Tyrion – Vá até os aposentos de Pycelle e...

—Meu senhor não irá até aquele rato cinzento decrépito. – ralhou Hoster – Vamos até seu aposento. Eu mesmo cuido disso. Já cuidei de ferimentos piores. – disse ele. Tyrion olhou para o rapaz, ligeiramente surpreso.

—Vejo que não é só Shiera que não gosta de Meistres.

—Fui criado por Lorde Haegon, senhor. – disse Hoster – Compartilho muitas de suas opiniões.

Tyrion concordou e Valerion foi até seu quarto, junto de Hoster. O amigo tirou a seta com a ajuda de uma adaga, limpou sua ferida com vinho fervido e fez um curativo com ervas perfumadas.

—Isso vai ficar muito feio? – perguntou olhando o amigo enfaixar o ferimento com um pedaço do lençol. Hoster sorriu desdenhoso.

—Não se preocupe, senhor. Depois do que fez hoje, uma cicatriz não vai afugentar Lady Sansa. – riu ele.

—Não me refiro a isso. – disse, mas era mentira e Hoster certamente notou. Ele estava terminando de prender a atadura, quando a porta de seu quarto se abriu. Estava apenas de calção, por isso corou ligeiramente quando viu Lady Sansa – Minha senhora... desculpe. – disse constrangido por estar tão exposto. Sansa suspirou e veio correndo.

—Está muito ferido? – perguntou ela, assustada.

—Ele quase perdeu o braço. – disse Hoster com fingida preocupação – Aquele Joffrey é um covarde.

—Não diga isso em voz alta, ou vai perder a cabeça. – aconselhou Valerion. Hoster deu de ombros, com um sorriso desdenhoso, sem parecer preocupado.

—Mas ele vai ficar bem? – perguntou Sansa segurando sua mão direita.

—Eu vou, minha senhora. Não foi nada grave. Não deixe Hoster assustá-la.

Sansa suspirou e o olhou com carinho.

—Foi tudo culpa minha. Você se machucou por minha causa.

—Me machucaria muito mais por você, Lady Sansa. – disse sem pensar e Hoster deu uma risadinha. Sansa corou e o olhou com algum entendimento e ele resolveu tentar consertar – Você é minha futura rainha. E é uma donzela. Eu devo seguir os votos de um cavaleiro se desejo me tornar um. – disse torcendo para que ela ainda fosse inocente e ingênua a ponto de acreditar naquilo.

—Eu devo sair. – riu Hoster – Cuide bem dele por mim, Lady Sansa. – adicionou ele indo até a porta.

—Não pode ficar aqui, Sansa. Certamente os espiões da Rainha, ou de Varys e Mindinho a viram vindo aqui. – disse preocupado.

—E não podem achar que eu só quis vir aqui para agradecer-lhe por ter me protegido? – perguntou ela – Não é isso que esperam de mim?

—Talvez, mas... – Sansa não esperou que ele terminasse. Apenas segurou seu rosto e o beijou nos lábios, tímida e rapidamente.

—Muito obrigada, Sor. – disse se levantando e saindo do quarto apressadamente. Hoster, que estava na porta, deu passagem para ela e se virou para rir.

—A garota tem mais iniciativa que você. – riu ele. Valerion concordou com um aceno de cabeça – Você está com um sorriso idiota na cara. – disse ele, mas novamente, apenas concordou com um aceno de cabeça.

Fora rápido e tímido... mas ainda assim, mais doce do que qualquer outra coisa que já tivesse provado.

**

Nas muralhas de Qarth, homens tocavam gongos para anunciar a chegada de Daenerys Targaryen, enquanto outros tocavam tubas, curiosas trompas que rodeavam seus corpos como grandes serpentes de bronze. Uma coluna de homens montados em camelos saiu da cidade como uma guarda de honra. Os cavaleiros usavam armaduras de cobre, feitas de escamas, e elmos com bocal, presas de cobre e longas plumas de seda negra, e sentavam-se bem alto em selas incrustadas de rubis e granadas. Seus camelos estavam cobertos com mantas de uma centena de tons diferentes.

—Qarth é a maior cidade que já existiu ou existirá – Pyat Pree disse entre os ossos de Vaes Tolorro. – É o centro do mundo, o portão entre o Norte e o Sul, a ponte entre o Leste e o Oeste, mais antiga do que a memória do homem, e tão magnífica que Saathos, o Sábio, arrancou os olhos depois de vê-la pela primeira vez, porque sabia que tudo o que veria daí para a frente pareceria miserável e feio.

Dany aceitou as palavras do mago com certa reserva, mas Aegon nada disse. Sabia da beleza da cidade, pois já estivera ali antes, mas para ele nenhuma cidade seria mais magnífica que Volantis. Porém, a magnificência da grande cidade de Quarth não podia ser negada. Três reforçadas muralhas rodeavam Qarth, elaboradamente esculpidas. A exterior era de arenito vermelho, com nove metros de altura, e estava decorada com animais: serpentes rastejando, gaviões voando, peixes nadando, misturados com lobos do deserto vermelho, cavalos rajados e monstruosos elefantes. A intermediária, com doze metros de altura, era de granito cinza e mostrava-se viva com cenas de guerra: o entrecruzar de espadas, escudos e lanças, flechas em voo, heróis em batalha, bebês sendo massacrados e piras de mortos. A interna era feita de quinze metros de mármore negro, com esculturas que fizeram sua imaginação masculina voar. Há tempos não se deitava com uma mulher e ver aqueles murais com desenhos de homens e mulheres dando prazer uns aos outros lhe deixavam com ideias a mil.

Os portões exteriores eram reforçados com cobre; os intermediários, com ferro; e os interiores eram guarnecidos com olhos dourados. Todos se abriram à aproximação de Dany. Ela avançava montada na sua prata, a égua que Khal Drogo lhe presenteara, para o interior da cidade, crianças pequenas correram para espalhar flores no caminho. Usavam sandálias douradas e pinturas de cores vivas, nada mais. Todas as cores que faltavam em Vaes Tolorro tinham encontrado o caminho para chegar a Qarth; edifícios aglomeravam-se ao redor, fantásticos como um sonho febril, em tons de rosa, violeta e ocre. Aegon passou sob um arco de bronze esculpido em forma de duas serpentes acasalando, com delicados flocos de jade, obsidiana e lápis-lazúli como escamas. Torres esguias subiam mais alto do que quaisquer outras que ela tivesse visto, e elaborados chafarizes, esculpidos na forma de grifos, dragões e mantícoras, enchiam todas as praças.

Os qartenos ladeavam as ruas e observavam as delicadas varandas, que pareciam frágeis demais para suportar seu peso. Eram um povo alto e de pele clara, vestido de linho, samito e pele de tigre, cada um deles um senhor ou uma senhora aos olhos de Dany. As mulheres usavam vestidos e deixavam um seio nu, enquanto os homens preferiam saias de seda com contas. Aegon não conseguia não olhar para aqueles belos seios que as mulheres de Qarth exibiam e logo seu calção começou a apertar mais e mais. Engoliu em seco lembrando de seus votos, mas não adiantou. Em menos de alguns minutos de caminhada já estava procurando um bordel com os olhos. Não estava interessado nas bárbaras Dothrakis e sua Khaleesi estava fora de questão. Então se enfiaria numa puta qualquer, depois de se embebedar até cair. Era disso que precisava. Jorah e os irmãos de sangue de Dany eram capazes de protegê-la por uma noite.

Os dothrakis chamavam os qartenos de “Homens de Leite” devido à sua brancura e Aegon achava graça disso, já que era quase tão branco quanto eles. O sol lhe deixara mais vermelho do que branco, mas em alguns dias estaria do mesmo modo. Mas preferia ser chamado de Cavaleiro de Prata.

Pyat Pree conduziu o pequeno khalasar pelo centro de uma grande arcada, onde os antigos heróis da cidade se erguiam num tamanho três vezes superior ao de um homem, sobre colunas de mármore branco e verde. Atravessaram uma feira localizada num edifício cavernoso, cujo teto entrançado servia de lar a um milhar de aves de cores alegres. Árvores e flores desabrochavam nos muros em terraços por cima das barracas, enquanto, embaixo, parecia que tudo o que os deuses tinham colocado no mundo estava à venda.

A égua de Dany assustou-se quando o príncipe mercador Xaro Xhoan Daxos se aproximou; Aegon tinha descoberto que os cavalos não suportavam a proximidade de camelos.

—Se vir aqui algo que deseje, oh, mais bela das mulheres, basta-lhe dizer e será seu. – gritou Xaro do alto de sua ornamentada sela com chifres.

—A própria Qarth é dela, não tem necessidade de ninharias. – entoaram os lábios azuis de Pyat Pree do outro lado. – Será como prometi, Khaleesi. Venha comigo para a Casa dos Imortais, e beberá verdade e sabedoria.

—Para que ela precisaria do seu Palácio de Pó, quando posso lhe dar a luz do sol, água doce e sedas em que dormir? – Xaro desafiou o mago. – Os Treze colocarão uma coroa de jade negro e opalas de fogo sobre a sua adorável cabeça. No momento eu não me oponho a água doce e sedas em que dormir. Uma bela garota para me fazer companhia não seria ruim também.

—O único palácio que desejo é o castelo vermelho em Porto Real, senhor Pyat – Disse Dany com alguma secura e Aegon se perguntou se ela estava assim por conta de Mirri Maz Duur – E se os grandes de Qarth quiserem me dar presentes, Xaro, que me deem navios e espadas para reconquistar o que é meu por direito.

Os lábios azuis de Pyat encurvaram-se para cima, num sorriso amável:

—Será como ordena, Khaleesi — e se afastou, oscilando com os movimentos do camelo, seguido pela longa veste coberta de contas.

—A jovem rainha tem uma sabedoria superior à idade – murmurou Xaro Xhoan Daxos de sua grande sela. – Há um ditado em Qarth: a casa de um mago é feita de ossos e mentiras.

—Então, por que motivo os homens abaixam a voz quando falam dos magos de Qarth? – perguntou Aegon – Por todo o leste seu poder e sabedoria são reverenciados.

—Antigamente foram poderosos – Xaro concordou –, mas agora são tão ridículos como aqueles velhos soldados frágeis que se gabam de suas capacidades muito depois que a força e a habilidade os abandonaram. Leem os seus pergaminhos em ruínas, bebem sombrada-noite até ficar com os lábios azuis e sugerem terríveis poderes, mas são cascas vazias se comparados com os do passado. Os presentes de Pyat Pree vão se transformar em poeira em suas mãos, previno-a – o homem deu uma pequena chicotada no camelo e se afastou.

—A gralha chama de preto o corvo – murmurou Sor Jorah no Idioma Comum de Westeros. O cavaleiro exilado seguia lado esquerdo de Dany e Aegon no direito, como sempre. Para a entrada em Qarth, tinham posto de lado suas vestes dothraki e voltaram a vestir a armadura, a cota de malha e a lã dos Sete Reinos, a meio mundo de distância. – Faria bem em evitar ambos esses homens, Vossa Graça.

—Esses homens vão me ajudar a recuperar a coroa – Dany respondeu. – Xaro tem uma vasta riqueza, e Pyat Pree…

—… finge ter poder – o cavaleiro disse bruscamente. Em sua capa verde-escura, o urso da Casa Mormont erguia-se nas patas traseiras, negro e feroz. Jorah não parecia menos feroz ao franzir o cenho para a multidão que enchia a feira. – Não quero ficar aqui muito tempo, minha rainha. Nem sequer gosto do cheiro deste lugar.

Dany sorriu e Aegon falou.

—Melhorará quando todos nós tivermos a chance de tomar banho. – disse em tom de brincadeira – Não faça negócios com eles sem minha presença, Vossa Graça. Meu pai e eu negociamos com os qartenos há anos.

—Não pensei de outra maneira, Sor Aegon. E o odor dos qartenos propriamente ditos parece-me bastante bom. – disse Dany, olhando com interesse para os lados, admirando a cidade.

—Bons cheiros são às vezes usados para encobrir os maus. – disse Jorah.

Não pode deixar de concordar com ele. Sabia que aqueles homens tentariam passar a perna neles no menor descuido que dessem.

Xaro Xhoan Daxos oferecera a Dany a hospitalidade de sua casa enquanto estivesse na cidade. Aegon pensou que a mansão dele era como Harrenhal era para os outros castelos. Desnecessariamente grande demais.

Xaro jurara que sua casa podia alojar confortavelmente todo o povo de Dany, e também seus cavalos; na verdade, engolia-os. Foi-lhe oferecida uma ala inteira. Teria seus próprios jardins, uma piscina em mármore para banhos, uma torre de adivinho e um labirinto de mago. Escravos satisfariam todas as suas necessidades. Em seus aposentos privados, o piso era de mármore verde, e as paredes estavam cobertas com coloridos reposteiros de seda que oscilavam a cada brisa. Para Aegon e Jorah, ficariam os quartos ao lados, um pouco mais humildes, mas ainda assim muito luxuosos.

—É muito generoso. – Dany disse a Xaro Xhoan Daxos.

—Para a Mãe de Dragões nenhum presente é demais – Xaro era um homem lânguido e elegante, com a cabeça calva e um grande nariz em forma de bico incrustado de rubis, opalas e lascas de jade. – Amanhã, vai se banquetear com pavão e língua de cotovia, e ouvir música digna da mais bela das mulheres. Os Treze virão para homenageá-la, bem como todos os grandes de Qarth.

Todos os grandes de Qarth virão para ver os dragões dela , Aegon pensou, mas Dany agradeceu a Xaro pela bondade antes de mandá-lo embora. Pyat Pree também se retirou, prometendo que pediria uma audiência aos Imortais. “Uma honra rara como neves de Verão.” Antes de sair, beijou os pés nus de Dany com lábios pálidos e azuis, e insistiu para que aceitasse seu presente, um frasco de unguento que jurou ser capaz de lhe permitir ver os espíritos do ar. A última dos três a partir foi Quaithe, a umbromante. Dela, Dany recebeu apenas um aviso.

—Cuidado. – disse a mulher da máscara de laca vermelha.

—Com quem? – perguntou Dany.

—Com todos. Virão dia e noite para ver a maravilha que renasceu para o mundo, e quando a virem, vão desejá-la. Pois dragões são fogo feito carne, e o fogo é poder.

Quando todos saíram, Sor Jorah disse:

—Ela fala a verdade, minha rainha… embora não goste mais dela do que dos outros.

—Não a compreendo. – murmurou Dany. Ela se virou para seus companheiros de sangue – Vamos montar nossa própria guarda enquanto estivermos aqui. Certifiquem-se de que ninguém entre nesta ala do palácio sem o meu consentimento, e tomem especial cuidado para que os dragões estejam sempre bem guardados.

—Assim será, Khaleesi — Aggo respondeu.

—Só vimos as partes de Qarth que Pyat Pree quis que víssemos – ela prosseguiu. – Rakharo, vá ver o resto e conte-me o que encontrar. Leve junto bons homens… e mulheres, para ir aos lugares proibidos aos homens.

—Farei como pede, sangue do meu sangue – Rakharo concordou.

—Sor Jorah, procure as docas e veja que tipo de navios lá estão ancorados. Passou-se meio ano desde a última vez que tive notícias dos Sete Reinos. Talvez os deuses tenham soprado até aqui algum bom capitão vindo de Westeros com um navio que nos leve para casa.

O cavaleiro franziu a sobrancelha:

—Isso não seria nenhuma bondade. O Usurpador iria matá-la, tão certo como o sol nascente – Mormont enfiou os polegares no cinto da espada. – Meu lugar é aqui, ao seu lado.

—Jhogo também pode me guardar. Você conhece mais línguas do que meus companheiros de sangue, e os dothraki desconfiam do mar e daqueles que por ele navegam. Só você pode me prestar este serviço. Vá andar por entre os navios e conversar com as tripulações, saiba de onde vêm, para onde vão e que tipo de homens as comandam.

—Aegon está acostumado a lidar com portos. – disse Sor Jorah e Aegon concordou, apesar de preferir ficar com Dany do que ir fofocar no porto.

—Sim, mas desejo conversar com ele. – respondeu ela.

Relutante, o exilado anuiu.

—Será como diz, minha rainha.

—Espere lá fora, Aegon. Pedirei que o chamem quando estiver pronta.

—Sim, Vossa Graça. – disse engolindo em seco. Saiu da sala junto com Jorah e quando o nortenho começou a se afastar o chamou – Jorah... – ele o olhou com seu semblante amuado – Se puder, peça notícias de minha família e deixe que escutem que eu estou aqui em Qarth, são e salvo, está bem? – pediu calmamente. Sor Jorah concordou com um aceno de cabeça e se afastou. Minutos depois, Doreah apareceu e sorriu para Aegon, aquele sorriso dela que parecia dizer muito e nada ao mesmo tempo – Ela me aguarda?

—Sim. – respondeu ela. Aegon se virou para entrar e sentiu a mão de Doreah segurar sua capa – Sor Aegon?

—O que?

—Obrigada por salvar minha vida. – disse ela e Aegon concordou com um simples aceno de cabeça – Eu gostaria de agradecê-lo melhor, depois... se me permitir.

—O que queres? – perguntou ele e Doreah se aproximou.

—Sabes que fui treinada em Lys, não sabe? As Ilhas do amor... – ela se aproximou mais um pouco e o apalpou em seu membro, numa massagem indecente, que o fez engolir em seco – Gostaria de agradecê-lo com o melhor que posso oferecer. – Ficou olhando para os olhos dourados dela e concordou com um aceno de cabeça. Segurou a mão dela, a tirando de cima de seu calção e suspirou.

—A Khaleesi me espera.

—Ela não vai te dar o que deseja. – disse Doreah e ele a olhou surpreso – Eu vejo como olha pra ela. Não é apenas lealdade. Não é um amor que um homem sente por uma rainha. A olha como um homem olha uma mulher, mas ela é ingênua demais para notar. – Doreah segurou sua mão e a mordiscou sensualmente na ponta do dedo – Mas eu notei... – ela sorriu – Não precisa se casar comigo. Não precisa ser apenas meu. Apenas me permita agradecer...

Respirou fundo e recuou um passo, sentindo-se tão duro que doía.

—Veremos. – respondeu e Doreah sorriu travessa. Entrou novamente nos aposentos, sendo guiado por ela, mas ela ficou a sua frente. Sorrindo, a moça colocou as mãos dentro de sua calça e colocou seu membro viril para cima, disfarçando o volume. Sorriu sem jeito e ela lhe piscou um olho, guiando-o para onde estava Daenerys. O lugar onde tinha uma piscina de mármore, à sombra de um pórtico. A água parecia deliciosamente fresca, e a piscina, abastecida com minúsculos peixes dourados. Dany sorria para os peixes, que pareciam mordiscar sua pele. Não se aproximou demais para não vê-la nua – Vossa Graça... – disse sentindo-se desconfortável em suas calças.

—Aegon. – murmurou Dany, sem se virar para ele. Via apenas a cabeça e os ombros dela. A menina mulher se virou, apoiando os braços no mármore e lhe lançou um sorriso – Se quiser vir aqui depois, sinta-se a vontade. Está uma delícia. – disse ela gentilmente. Mas ele não queria ir depois. Queria ir agora. Com ela ali. Ficou imaginando-se por trás dela, enquanto a segurava pelos cabelos com uma mão. A outra apertaria seus seios deliciosos, seus corpos unidos e se movendo como um, dentro da água, escutando os gemidos dela, a mais bela música que seus ouvidos poderiam sonhar ouvir – Você tinha razão. Disse que cedo ou tarde iríamos parar aqui. – disse ela. Aegon concordou com um aceno de cabeça, engolindo em seco e evitando de olhar para ela – O que foi?

—Você está nua, Vossa Graça. – disse sem jeito – Eu sou um rapaz impulsivo, com uma mente criativa por demais.

—Se lhe causa desconforto, eu peço desculpas. Podemos conversar quando eu sair.

—Está tudo bem, Khaleesi. – murmurou sem olhá-la – Se deseja conversar comigo sobre algo, apenas diga. Será um prazer conversar...

Dany sorriu e suspirou.

—Você disse que meu pai era um homem louco e que ninguém sentiria falta dele. – murmurou ela e Aegon sentiu o estômago saltar – Isso é mesmo verdade? Porque Viserys sempre disse que meu pai era muito amado...

—Eu discordo, senhora. – murmurou Aegon. Só tinha visto o Rei Louco uma vez e tinha sido o suficiente – Ele era uma versão decrépita de Viserys... talvez ainda pior, pois sabia que todos cederiam a sua vontade. – adicionou – Meu pai costumava dizer que era uma pena que Rhaegar tivesse morrido no Tridente. Ele tinha proposto a Eddard Stark, a Jon Arryn e a Robert fazer uma aliança com seu irmão, para derrubar o rei e coroá-lo logo, pois Aerys já não tinha mais condições de reinar. Mas ninguém lhe deu ouvidos. Na verdade, isso só fez com que Robert se enchesse de desconfianças. – murmurou Aegon e Dany suspirou.

—Por que Viserys mentiu sobre isso? – perguntou Dany e Aegon engoliu em seco.

—Talvez seu pai não fosse cruel para ele. – explicou Aegon – Dizia-se que seu pai desconfiava de Rhaegar... talvez isso tenha feito com que ele se afeiçoasse demais por Viserys, a ponto de poupá-lo de sua loucura e crueldade. – explicou ele e Dany concordou.

—Aegon... – sussurrou ela e ele a olhou – Eu... mudando de assunto. – ela suspirou – Eu acho que me dei conta de uma coisa. – ele a olhou nervoso – Eu acho que Sor Jorah me ama... não da maneira que um cavaleiro deve amar sua rainha... Algumas vezes ele me vê como uma garotinha que ele precisa proteger... outras como a mulher com quem ele gostaria de se deitar... você... você acha que eu estou enganada e vendo o que não há para ser visto?

Aegon suspirou e olhou para as paredes coloridas, enfeitadas com ouro, prata e bronze.

—Eu acho que, independentemente de seus sentimentos, Jorah é, acima de tudo, leal. E isso não deve ser esquecido. – disse ele e Dany concordou com um murmuro – Não podemos escolher por quem nos apaixonar. Mas podemos ser sábios e separar as duas coisas. Se Jorah a ama ou não... ou melhor... se ele a deseja ou não... não importa. O que importa é que ele é fiel. Ele não precisou de nenhum dragão para dobrar o joelho a você e para jurar que a protegeria até o fim de seus dias.

—Nem você. – disse ela com doçura e Aegon concordou.

—Sim, nem eu, Vossa Graça. – suspirou mais uma vez e baixou os olhos – Mais alguma coisa que deseje conversar?

—Sim. – respondeu ela – Me fale sobre sua família. Sobre seus irmãos, seu pai e sua mãe. Por favor. – pediu ela e ele a olhou com curiosidade – Da última vez que conversamos sobre isso... sempre que mencionava sua irmã... sua voz enchia-se de carinho ou preocupação... e você disse que ela é uma das mulheres que você amou.

—Eu amo Shiera, mas não de um jeito incestuoso... Ela é minha pequena irmãzinha. – riu Aegon – Valerion, apesar de fisicamente se parecer comigo... é completamente diferente de mim... já Shiera... ela é uma versão minha, feminina. – riu ele – Vocês seriam boas amigas, eu acho. – adicionou – Se não se matassem antes.

Ficou contando casos de sua família e Dany escutava com um doce sorriso no rosto. Imaginava que ela sentia falta desse tipo de experiência, já que a única família que conhecera tinha sido Viserys. Imaginava que ela seria uma mãe carinhosa e amável e isso só fez com que a visse em maior estima.

Logo Dany pediu para que saísse e a deixasse um pouco, para que se vestisse. As aias a envolveram num roupão de sedareia e os companheiros de sangue dela se comprometeram a cuidar dela. Aegon então pediu uma licença e foi tomar banho. Quando estava tentando tirar sua armadura, Doreah apareceu para ajudá-lo. Sabia o que ela queria e não viu motivos para negar. Estava louco de vontade e precisava se aliviar. Se ela se oferecia de boa vontade, não via motivos para negar-lhe isso. Doreah retirou sua armadura, peça por peça, lhe dando um sorriso e olhando seus olhos. Depois tirou sua roupa e Aegon entrou na água fresca. Suspirou, gostando da temperatura e fez um aceno de cabeça, convidando a garota para a água. Ela se despiu e entrou na piscina, subindo prontamente em seu colo. Descansou os braços na borda de mármore e sorriu sentindo a garota mover-se em seu colo, satisfazendo-o aos poucos. Ela era bela e habilidosa. A beijou nos pequenos seios, os mordicando e saboreando. Sentia o corpo dela mover-se de maneira sensual e deliciosa. Os beijos dela em seu queixo eram uma carícia prazerosa. Os gemidos dela eram de lhe atiçar mais e mais.

Já estavam a algum tempo naquilo quando escutou passos. Olhou para trás e viu um dos Dothraki. Não se importou, pois sabia que eles não eram de ligar para isso. Voltou a encarar Doreah e sorriu a beijando nos lábios. Quando terminou de se satisfazer, saiu da água e ela ficou a lhe perguntar a origem de cada uma de suas cicatrizes.

—Imaginei que o melhor espadachim do mundo não teria cicatrizes. – riu ela enquanto o secava com uma manta de sedareia.

—Apenas um homem que nunca lutou não tem cicatrizes. – riu ele e Doreah sorriu.

—Espero poder agradar-lhe mais vezes. – disse ela. Aegon se sentou, ainda nu, num banco de mármore e sorriu.

—Eu também. – respondeu vestindo o roupão. Se sentia relaxado e pronto para comer e dormir. Doreah se aproximou, ainda nua, ficando de joelhos entre suas pernas. A olhou com as sobrancelhas arqueadas e ela segurou seu membro – Eu esperava que fosse ter algum tempo até desejar agradar-me novamente. – ela riu e o beijou ali, lhe arrancando um gemido rouco. Ficou apreciando o toque e a visão. Nada melhor do que uma garota de Lys para aquilo. Sorriu, gostando do toque e mais uma vez alguém entrou. Olhou e viu que era Mormont. Os dois trocaram um leve olhar constrangido e Jorah se retirou prontamente. O esqueceu de imediato e ficou recebendo a chupada de Doreah. Quando estava prestes a explodir, ela o masturbou e sua semente acabou jorrando para os seios pequenos e bonitos dela. A visão o deixou ainda mais excitado. Ela passeou os dedos pelos seios, colhendo sua semente, para prová-la em seguida. Aegon sorriu achando sensual e suspirou – Vamos fazer isso mais vezes, Doreah.

—Eu espero que sim, meu senhor Cavaleiro de Prata. – riu ela voltando para a piscina. Aegon a ficou observando por um tempo, mas logo foi se vestir. Escolheu suas roupas de pirataria, que eram mais elegantes do que realmente protetoras. Prendeu bem Blackfyre nas costas, assim como sua faca no cinto e outra adaga na bota. Olhou mais uma vez para Doreah, que sorria travessa. – Quer mais uma?

—Não. Você deveria descansar também. Lembre-se que quase morreu. – murmurou e ela sorriu ainda mais largamente. Saiu da ala das piscinas e cruzou com Jorah – Hum... olá. – murmurou sem jeito.

—Não deveria estar fazendo isso. – ralhou Jorah.

—Por que? – perguntou com um sorriso insolente – Porque estou apaixonado pela rainha? Devo fazer voto de castidade? – adicionou e Jorah seguiu olhando-o com censura – Ou está com medo que eu desonre a pobre donzela? Me poupe, Jorah. – resmungou – Você quem deveria seguir meu exemplo e esquecê-la. Ela é nossa rainha e está fora do nosso alcance.

—É isso que repete a si mesmo? – perguntou ele e Aegon concordou – Pois eu fiz como me pediu. Eu tenho notícias de Westeros. – Aegon piscou surpreso e o olhou com interesse – No momento Daenerys está dormindo, então devo esperá-la para...

—Teve notícias de minha família? – perguntou Aegon, preocupado. Mormont concordou – Então diga.

—Como quiser. – murmurou ele de seu jeito emburrado – Sua irmã se casou com Robb Stark, logo depois que a Mão do Rei foi executada, por traição.

—O que? – perguntou em choque – Eddard Stark, um traidor?

—Eu duvido também. – resmungou Mormont – Mas sua irmã casou com o garoto, que agora se intitula Rei do Norte. Seu irmão é refém em Porto Real, como você já sabia e seu pai se trancou em Harrenhal e ninguém sabe o que há com ele. Aparentemente Eddard Stark tentou usurpar o trono do filho de Robert... e o rei está morto.

Aegon o olhou em choque.

—Precisamos reportar isso a Daenerys. – disse chocado.

—Precisamos ter calma. – murmurou Jorah – Mas sim, precisamos reportar isso a Dany. Mas vamos deixá-la descansar um pouco. Eu pedi que o informante viesse até aqui para contar tudo a Daenerys.

—Está bem.

Era quase noite quando pediram para Irri dizer que Sor Jorah voltara das docas… e não vinha sozinho. O informante vinha com ele.

—Mande-o entrar, com quem quer que tenha trazido. – ela ordenou.

Quando entraram Jorah, Aegon e o informante encontraram-na sentada num monte de almofadas, com os dragões ao redor.

O homem que Jorah trouxera usava um manto de penas verdes e amarelas e tinha uma pele tão negra como azeviche polido.

—Vossa Graça – disse o cavaleiro –, trago Quhuru Mo, capitão do Vento de Canela, vindo da Vila das Árvores Altas.

O negro se ajoelhou.

—Sinto-me muito honrado, minha rainha – ele disse; não na língua das Ilhas do Verão, mas no valiriano líquido das Nove Cidades Livres.

—A honra é minha, Quhuru Mo – ela retrucou na mesma língua. – Vem das Ilhas do Verão?

—É verdade, Vossa Graça, mas, antes, há menos de meio ano, aportamos em Vilavelha. Daí lhe trago um maravilhoso presente.

—Um presente?

—Um presente em forma de notícia. Mãe de Dragões, Filha da Tormenta, digo-lhe a verdade, Robert Baratheon está morto.

—Morto? – ela repetiu, parecendo cheia de esperanças e sonhos novos. Sobre as suas coxas o negro Drogon silvou, e uma fumaça branca ergueu-se em frente ao seu rosto como um véu. – Tem certeza? O Usurpador está morto?

—É o que se diz em Vilavelha, e em Dorne, e em Lys, e em todos os outros portos a que aportamos.

—De que modo morreu? – sobre seu ombro o branco Viserion bateu as asas da cor do creme, agitando o ar. Mais ou menos bonita que Shiera? Céus... mais... muito mais.

—Rasgado por um javali monstruoso enquanto caçava em seu bosque do rei, ou pelo menos foi o que me disseram em Vilavelha. Outros dizem que a sua rainha o traiu, ou o irmão, ou Lorde Stark, que era sua Mão. Mas todas as histórias concordam numa coisa: o Rei Robert está morto e sepultado.

—O garoto agora ocupa o Trono de Ferro – disse Sor Jorah.

—Um garoto nojento e cruel. É o que Shiera sempre dizia. – concordou Aegon.

—O Rei Joffrey reina – concordou Quhuru Mo –, mas os Lannister governam. Os irmãos de Robert fugiram de Porto Real. Segundo se diz, pretendem reclamar a coroa. E a Mão caiu, Lorde Stark, que era amigo do Rei Robert. Foi preso e acusado de traição.

—Ned Stark, um traidor? – Sor Jorah desdenhou – Pouco provável. O Longo Verão voltará antes que este manche sua preciosa honra.

—Que honra poderá ter? – disse Dany. – Era um traidor do seu legítimo rei, tal como esses Lannister – ela suspirou – Apesar de Aegon insistir que ele é um bom homem. – ela respirou fundo e Aegon concordou com um aceno de cabeça – Meu irmão também está morto, Viserys, que era o rei legítimo – disse ao homem das Ilhas do Verão. – Khal Drogo, o senhor meu esposo, o matou com uma coroa de ouro derretido – se Viserys tivesse sido mais sensato, teria ficado sabendo que a vingança pela qual rezara estava muito próxima...

—Então choro pela senhora, Mãe de Dragões, e pelo ensanguentado Westeros, privado do seu legítimo rei. – murmurou Quhuru Mo.

Sob os dedos gentis de Dany, o verde Rhaegal olhou o estranho com olhos de ouro derretido. Quando abriu a boca, os dentes cintilaram como agulhas negras.

—Quando seu navio retorna a Westeros, capitão?

—Temo que só dentro de um ano, ou mais. Daqui, o Vento de Canela segue para leste, a fim de percorrer a volta do mercador em torno do Mar de Jade.

—Compreendo – disse Dany, desapontada. – Nesse caso, desejo-lhe belos ventos e bons negócios. Trouxe-me um presente precioso.

—Fui amplamente recompensado, grande rainha.

Dany não parecer compreender aquilo.

—Como?

Os olhos dele cintilaram:

—Vi dragões.

Dany soltou uma gargalhada.

—E voltará a vê-los um dia, espero. Venha até mim em Porto Real quando estiver no trono do meu pai, e obterá uma grande recompensa.

O homem das Ilhas do Verão prometeu que o faria, e deu um suave beijo em seus dedos quando se retirou. Jhiqui mostrou-lhe o caminho, enquanto Sor Jorah Mormont e Sor Aegon permaneceram com Daenerys.

—Khaleesi, — disse Sor Jorah quando ficaram a sós – eu não falaria tão livremente de meus planos se estivesse em seu lugar. Este homem espalhará a história onde quer que vá.

—Que espalhe. – Dany respondeu. – Que o mundo inteiro conheça as minhas intenções. O Usurpador está morto, o que importa?

—Nem todas as histórias de marinheiro são verdadeiras – alertou-a Sor Jorah –, e mesmo se Robert estiver realmente morto, o filho governa em seu lugar. Isso, na verdade, nada muda.

—Isso muda tudo — Dany se levantou de repente, guinchando, os dragões desenrolaram-se e abriram as asas. Drogon voou e empoleirou-se na padieira sobre a arcada. Os outros correram pelo chão, com as pontas das asas roçando no mármore. – Antes, os Sete Reinos eram como o khalasar do meu Drogo, cem mil feitos um pela sua força. Agora, voam em pedaços, tal como aconteceu ao khalasar depois do meu khal cair morto.

—Os grandes senhores sempre lutaram. Diga-me quem ganhou, e direi o que isso significa. Khaleesi, os Sete Reinos não cairão nas suas mãos como outros tantos pêssegos maduros. Precisará de uma frota, de ouro, de exércitos, de alianças…

—Sei de tudo isso – Dany tomou as mãos do cavaleiro nas suas e olhou em seus olhos escuros e desconfiados – Não sou a menina assustada que conheceu em Pentos. Contei apenas quinze anos do meu nome, é verdade… mas sou tão velha como as velhas no dosh khaleen e tão nova como os meus dragões, Jorah. Dei à luz um filho, queimei um khal e atravessei o deserto vermelho e o mar dothraki. Meu sangue é o sangue do dragão.

—Tal como era o do seu irmão – ele retrucou com teimosia.

—Eu não sou Viserys.

—Não – o cavaleiro admitiu. – Penso que há na senhora mais de Rhaegar, mas mesmo Rhaegar podia ser morto. Robert provou isso no Tridente, apenas com um martelo de guerra. Até os dragões podem morrer. – e por um momento Aegon pensou em seu pai. Por que motivos ele estava permanecendo em seu castelo? Com sua irmã sendo obrigada a se casar com Robb Stark e Valerion preso e refém em Porto Real?

—Os dragões morrem – ela ficou na ponta dos pés para lhe dar um pequeno beijo no rosto por barbear. – Mas a mesma coisa acontece aos matadores de dragões.

E Aegon invejou Jorah Mormont.

—Ela tem razão. Um reino dividido é mais fácil de se conquistar do que um reino unido. – disse Aegon – E se minha irmã está casada com Robb Stark... talvez isso nos ajude a ter todo o Norte do nosso o lado quando formos partir para Westeros. – disse calmamente e Dany veio até si para lhe beijar o rosto.

—Contarei com você para negociar essa aliança quando o tempo chegar.

—Será uma grande honra, minha rainha. – murmurou sonhadoramente para ela.

Precisarei distrair-me com Doreah mais vezes agora que Dany não está mais parecendo uma selvagem maltrapilha... que os deuses me ajudem a ter juízo...

**

Arya tinha sido feita de prisioneira logo depois que mataram Yoren. Estava sendo arrastada ali e aqui, acabando por fim no cerco a Harrenhal. Lorde Tywin a reconhecera como uma menina e não um menino e a ocupara como sua copeira. Por um lado isso era bom, pois escutava praticamente todas suas conversas. Por outro era assustador, pois temia que alguém finalmente a reconhecesse.

Mas havia algo de diferente naquele dia. Todos comentavam. Ninguém mais falava sobre outra coisa. Finalmente Lorde Hoster iria vir negociar com Tywin Lannister. E ela desejava aproveitar a brecha para esconder-se em Harrenhal. Todos falavam que Harrenhal estava mais do lado de Robb que do lado do Trono e ela conhecera Lady Shiera. Gostara muito dela e a achara muito bonita, sem ser chata como Sansa. Shiera sabia usar uma espada, sabia atirar com o arco e cavalgava muito bem. Além disso ela gostava de Jon. Seu meio irmão lhe confidenciara que tinha a beijado embaixo do represeiro. Lhe confidenciara que estava apaixonado por ela. E se Jon gostava dela, só era mais uma prova de que ela era boa pessoa.

E diziam ainda que Shiera estava ajudando Robb na guerra. Lutando por ele, negociando por ele e convencendo Lorde Haegon a não apoiar os Lannisters.

Por isso precisava fugir para Harrenhal. Precisava. Era sua melhor chance de ir para casa.

Tinha sido decidido que Tywin Lannister iria conversar às portas do castelo. Uma mesa havia sido posta, com comida e vinho. Parte da mesa fora providenciada por Tywin, outra parte por Lorde Haegon. Tywin iria apenas levar sua copeira para a negociação e Lorde Blackfyre iria vir sem nenhum soldado. Apenas os dois, ambos ao alcance dos arqueiros, numa mesa onde ninguém ouviria suas conversas. Ninguém além de Arya.

Lorde Tywin foi o primeiro a se acomodar, como prova de confiança. Arya ficou logo atrás dele, segurando a jarra de vinho. Se perguntava se Lorde Haegon a reconheceria. Esperava que não... não enquanto não tivesse certeza de que poderia confiar nele.

Se perguntou se ele abriria o portão para sair do castelo, mas logo notou que não. Ele desceu numa tábua de madeira, presa por duas correntes de ferro negro, aos poucos. Junto dele vinha um pequeno garoto com grandes orelhas e queixo pequeno. Os homens os desciam pelo muro, assim não seria necessário abrir os portões. Demorou vários minutos até que eles estivessem no chão. Os arqueiros de Lorde Tywin o colocaram na mira, mas nenhum ousou atirar.

Já tinha ouvido muitas lendas sobre Haegon Blackfyre. Que ele conhecia magias de Valíria. Que ele podia se transformar num dragão. Que ele tinha uma coleção de mais de cem ovos de dragão. Que ele era capaz de controlar o fogo e se transformar em chamas. Que era capaz de desaparecer e reaparecer onde quisesse. Que era capaz de dominar demônios de sombras, para obrigá-los a servi-lo.

Arya não acreditava em nenhuma daquelas histórias.

Lorde Blackfyre se aproximou a passos firmes. Seus cabelos estavam brancos e não platinados, como se lembrava. Seu rosto estava mais enrugado e ele parecia mais velho do que deveria aparentar. Mas mesmo assim parecia forte e firme. Ele se sentou em frente a Tywin e os dois se encararam por breves segundos. Arya serviu o vinho e o garoto serviu uma torta. Tywin bebeu o vinho primeiro e Haegon comeu o primeiro pedaço da torta. Depois os dois comeram e beberam por um minuto. A tradição estava feita e todos os arqueiros baixaram os arcos.

—A guerra não lhe fez bem, Haegon. – disse Tywin.

—Estou me preocupando demais ultimamente. – explicou Haegon, calmamente, bebendo o vinho com tranquilidade – Você, no entanto, não mudou nada... mesmo depois de tudo o que aconteceu.

—E o que aconteceu? – perguntou Tywin.

—Um filho preso e capturado. – respondeu Haegon – Acusações sobre sua filha... um neto estúpido e impulsivo, a guerra. Revoltas em todos os lugares... – Haegon pousou sua taça sobre a mesa e suspirou – Coisas demais para se preocupar, não é?

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos e Arya engoliu em seco.

—Por que não se uniu a Jaime no cerco a Riverrun? – perguntou Tywin e Haegon sorriu insolente. Aquilo o rejuvenesceu um bocado. Lembrou-se do bonito filho dele, Valerion, e os achou bem parecidos. Tão parecidos quanto o senhor seu pai e Jon.

—Eu fiquei confuso sobre meus votos, afinal sou novo em Westeros... – riu ele com deboche – Eu devo lealdade ao trono, mas ao mesmo tempo devo lealdade a Hoster Tully. Eu recebi duas convocações, sabe? – perguntou ele e Tywin o olhou de maneira perfurante – Eu devo dizer que, levando em consideração tudo o que aconteceu, eu fiquei mais tentado a responder à convocação de Hoster... Hoster nunca me desrespeitou, nunca quebrou promessas feitas a mim. Hoster sempre recompensou minha lealdade. Não posso dizer o mesmo de vocês, Lannisters. – disse ele e Tywin ficou em silêncio – Me pergunto o que está passando pela sua cabeça, Tywin... se perguntando como sua filha pode ter fodido tanto com tudo? – Haegon deu uma risadinha – Eu tenho a maior frota dos Sete Reinos, um dos maiores exércitos. Meus campos são difíceis de se atravessar, o terreno é difícil e pantanoso. Porém, eu tenho o maior castelo de Westeros, com as melhores defesas, com provisões para anos. Quanto tempo você tem? Quanto tempo vai passar até que Renly marche para Porto Real? Ou Stannis? Ou Robb Stark? – Haegon deu uma risadinha – No entanto você está aqui... perdendo tempo comigo... – Lorde Haegon se calou quando uma música começou a ecoar do exército Lannister. Uma melodia vinha de lá. Arya reconheceu a música. Rains of Castamere. Lorde Haegon sorriu, parecendo se divertir e olhou para Tywin, que estava inexpressível – Impressionante. Soube que fez isso uma vez... com o Lorde Farman, de Belcastro, não foi? Aposto que ele se borrou todo... aposto que nunca mais lhe deu problemas... – Haegon pegou seu vinho e sorriu – Mas eu não sou esses pequenos homenzinhos, Tywin. Eu sou um Blackfyre e não tenho medo de você ou das suas ameaças. E eu sei que você não é estúpido como Cersei. Eu sei que não vai me destruir. Precisa de mim... se não puder ter minha ajuda, pelo menos precisa saber que vou ficar fora do seu caminho.

—Você fala de Cersei, mas sua filha se casou por livre e espontânea vontade com um traidor do trono. – rebateu Tywin.

—Bem... levando em consideração que ela tem um irmão gêmeo... poderia ter sido pior, não acha?

—Eu não vou ficar aqui dando credibilidade a essas histórias ridículas discutindo sobre elas. – rosnou Tywin. Mas Haegon não pareceu se alterar.

—Do que está falando, Tywin? Não sou eu quem te insulta. Nem sou eu quem insulta sua família. – riu Haegon e Arya apertou os lábios para não sorrir.

—Eu acho que você não entendeu a sua posição. O rei ordena que...

—Eu me lembro de um lorde, que ignorou o chamado de seu rei, até o último instante. Quando ele finalmente marchou, foi para saquear a cidade real... tivemos um príncipe morto, duas princesas mortas, uma estuprada... Faz com que eu me lembre de outra coisa. De outro Lorde. – ele sorriu para Lorde Tywin – Eu fui um bom vassalo do rei. Eu fui fiel a Robert, apesar de não gostar dele. Eu cultivei uma boa relação com você, apesar de não gostarmos um do outro. Nunca gostamos... mas sempre nos respeitamos. Mas então, certo dia, eu fui a Porto Real, com Valerion, o meu herdeiro. – ele suspirou – E Ned Stark me contou que descobriu um segredo sujo de Cersei. Eu o aconselhei a esquecer isso. A fazer as pazes com a sua família e deixar passar... pelo bem do reino. Mas Stark era tão honrado que chegava a ser estúpido. Eu paguei os guardas da cidade, para prenderem os nortenhos, porque Cersei me garantiu que eles seriam presos e não mortos. Eu prometi a ela que iria ajudar, mas eu iria querer algo em troca. Eu estava quebrando meu voto sobre o Trono de Ferro... trono esse que deveria pertencer a Stannis. Cersei me fez promessas. Meu apoio, meu joelho dobrado, meu dinheiro e minha lealdade. Era o que ela queria. Em troca, eu voltaria para Harrenhal, com Valerion e Myrcella, que se casariam em pouco tempo. Mas quando tudo se encaminhou, Cersei me ofendeu. Os nortenhos foram todos assassinados, sem direito a um funeral digno. Cersei não me permitiu trazer Valerion, nem concedeu a mão de Myrcella a ele. Me mandou para casa com as mãos abanando. E agora o senhor vem me censurar por não ter ido ajudar Jaime? Me diga, Sor Tywin... por que deveria? Porque meu filho é refém em Porto Real? Eu sou jovem. Eu posso ter outro herdeiro. E mesmo se não pudesse, ainda tenho Aegon, que não descansaria até que todos aqueles que fossem responsáveis pela morte de Valerion estivessem mortos. Não... eu não tive e nem tenho intenção de ajudar sua família. Não depois do que me foi feito. Não depois de terem me enganado. E eu me sinto no direito de fazer isso. – Haegon pegou mais um pedaço de torta e a mastigou, sendo encarado por Tywin, que tinha um olhar penetrante – Eu vou me preparar para o Inverno. Não vou ajudar Shiera nessa guerra, apesar de dizer que apoio a independência do Norte. Harrenhal não ajudará nenhum lado. Eu vou ficar aqui até o fim dos meus dias, protegerei minhas terras até o fim dos meus dias. Então, quando eu morrer, meus filhos decidirão o que vão fazer. E você se conforme com isso, Tywin. Porque eles iriam escolher ir contra você, enquanto eu prefiro simplesmente assistir. Se quiser que eu permita que entrem apenas você e seus principais lordes no meu castelo, certo, eu abrirei meus portões. Mas vá logo embora e não ouse matar uma pessoa que seja... ou você vai despertar o dragão.

Arya viu os olhos de Tywin estreitarem. Ele apertava a boca com tanta raiva que seus lábios pareciam brancos. Se perguntou o que aconteceria.

—Tenho sua palavra que não unirá suas tropas a Renly, Stannis ou Robb?

—Tem. – respondeu Haegon.

—Que assim seja então... – Tywin suspirou – Eu posso pensar que ainda há conserto entre as relações de Rochedo Casterly e Harrenhal?

—É claro. Dê-me o que me prometeu e eu posso cogitar fazer as pazes. Mas eu aviso. Se seu neto inventar de me tirar o título de Lorde de Harrenhal, eu vou colocar a cabeça dele num espeto. – Haegon se sentou mais confortavelmente – E eu estarei fazendo um favor a todo o reino.

Notas finais
O próximo capítulo é pequeno, então eu já vou postá-lo também, em agradecimento à recomendação! Obrigada, Black Adhara! ♥