Blackfyre

70 Desejos Ardentes


Notas iniciais
No início de 2017 (No capítulo Fantasmas), Daenerys perguntou se Aegon tinha algum fantasma e ele se lembrou de uma certa moça cujo pai lhe recusou a mão. Já sabemos que essa moça era Arianne. E agora ela e Aegon estão juntos de novo... Dragão e Serpente. Será que Aegon vai se meter em encrencas? Daenerys já confessou para Shiera que não sente nada pelo primogênito dos Blackfyre... Vamos pra o capítulo? ^^ ~~~~~~~~~~ * * * ~~~~~~~~~~ Então, lindezas. Tenho uma proposta pra vocês! Estou procurando alguém para fazer meus banners! (Eu gosto muito de banner...) Como tá difícil conseguir um site, vou me voltar para vocês, leitores e leitoras, nessa hora difícil. Como vai funcionar: Mandem PM pra mim com alguns dos banners que vocês já fizeram. Pode ser que eu fique com mais de um de vocês. Mas qual é a vantagem disso? Bem, vocês vão receber capítulos mais rápido (não deixem de comentar apesar disso, ok?) Eu vou mandar um frag do capítulo, e passar uma ideia geral do que vai acontecer, o leitor faz o banner, me manda e então eu envio o capítulo inteiro! O que acham? Querem participar? ♥ Beijos, falem comigo!!! #PartiuLer

Desejos Ardentes

Eles partiriam para White Harbor na manhã seguinte. Valerion ainda não estava falando com ele, magoado por ter protegido Arianne, que agora estava sob a proteção de Daenerys. Dorne contava com pouco mais de dez mil espadas e lanças e Dany jamais deixaria de fazer uma aliança com eles.

Porto Real rompera a aliança com Dorne, aparentemente matando a escolta do Príncipe Oberyn. Os Martell não se esqueceriam disso. Agora Daenerys contava com um grande exército, além de um aliado poderoso e importante. Valerion sabia que isso seria uma ameaça no futuro, depois da guerra. Principalmente porque Daenerys era quem mais tinha chances de sobreviver a tudo aquilo. Ela tinha homens para lutar por ela. Por ser uma mulher, ninguém esperava que ela fosse lutar. Já Valerion e Robb... Se eles não fossem, perderiam o respeito de seus homens e isso seria o fim da causa de ambos.

Aegon estava no quarto e Melisandre lhe fazia companhia, como sempre. Ela estava sentada em frente à lareira, mirando o fogo, bebendo um pouco de vinho. Aegon fazia uma refeição, na mesa ao lado dela. Peixe salgado, com alguns legumes e vinho de Meereen. Preferia o dornês, mas não era uma opção válida.

—Não há nada que eu possa fazer para convencê-lo, Aegon? – Perguntou Melisandre. Ele sabia do que ela falava. Ainda estava mastigando seu peixe, quando deu de ombros. Engoliu com um gole de vinho e suspirou.

—Não há o que ser dito. – Respondeu – Eu conheço meu destino há mais tempo que você. – Adicionou mirando o peixe rosado. Melisandre mirou as chamas novamente e suspirou – O que vê no fogo? – Perguntou curioso.

—Apenas o que o Senhor da Luz me mostra. – Respondeu ela. Aegon revirou os olhos, mordendo mais um pedaço de peixe. Ficaram em silêncio até que engolisse.

—E o que ele te mostra?

—Morte. – Murmurou ela – Peço que ele me mostre Azor Ahai, mas...

—Pensei que fosse Stannis. – Provocou. Melisandre suspirou e negou com a cabeça enquanto ele dava mais uma mordida em seu peixe.

—Eu também pensei, mas hoje entendo que Stannis foi um caminho que eu precisava percorrer para encontrar o verdadeiro Azor Ahai. – Explicou ela e Aegon não deu muito crédito – Visões são perigosas e traiçoeiras. Nunca são claras. Sempre precisamos decifrá-las, e não há garantias de acerto. Eu sempre fui a mais proeminente vidente do grande Septo de R’hllor, mas isso não me impediu de cometer erros. – Melisandre suspirou e o olhou. Aegon a olhou de volta, de boca cheia – Talvez você possa me ajudar, eu vi imagens no fogo, mas não sei o que podem significar.

—Hum... – Aegon engoliu a comida e suspirou – Certo, o que você vê?

Melisandre mirou novamente as chamas, curvando-se para mais perto do fogo.

—Uma enorme torre, feita de mármore e ouro. – Descreveu ela e Aegon suspirou – Dentro dela há um dragão, enrolado em si mesmo, protegendo um ovo. Dois lobos estão com o dragão, sendo que um deles parece estar morto. Há uma sombra por trás da torre, que não consigo distinguir, mas parece ser alguma fera. – Melisandre se aproximou mais da lareira e Aegon se perguntou se ela pretendia atear fogo nas próprias sobrancelhas – Dragões voam ao redor da torre, mas não podem fazer nada. Há choro e lamento por todos os lados. O Grande Outro se aproxima. – Ela afastou o rosto e as chamas brilharam, parecendo atiçadas. Aegon se levantou e andou até a lareira – Dragões em uma torre...

—Os dragões que você vê, são Drogon, Viserion e Rhaegal? – Perguntou indo mirar as chamas, mas nada viu além de fogo, carvão e brasas.

—Não. Devem ser novos dragões. Precisamos do sangue de um rei para despertar os dragões de pedra. – Explicou ela ainda mirando o fogo, com atenção. Seus olhos estavam vermelhos e provavelmente ardiam, como sempre acontecia quando ela mirava as chamas por tempo demais.

—Você precisa descansar, Mel. – Murmurou Aegon e ela sorriu, baixando o rosto.

—Mel... – Ela suspirou – Minha antiga mestra me chamava assim.

—Encare como um sinal de sabedoria. Vá descansar. – Disse colocando a mão no ombro dela. Melisandre se levantou e o olhou. Ela era bastante alta para uma mulher, sendo poucos centímetros menor que ele.

—Irei. – Disse ela o olhando com divertimento – Sairei assim que baterem na porta.

—Quem vai bater na porta? – Perguntou curioso e recebeu um sorriso travesso da sacerdotisa. O som de algo batendo em madeira ecoou pelo quarto e Melisandre andou até a porta, para abri-la.

—Princesa, Sor Aegon irá recebê-la. – Garantiu Melisandre, se retirando. Aegon mirou Arianne, que já não se vestia à moda de Dorne. O guarda roupa dela ficara para trás, então Shiera lhe emprestara algumas. Preto caía bem nela, apesar de preferir as sedas leves e coloridas que ela costumava vestir.

—Posso entrar? – Perguntou ela com um sorriso travesso e Aegon concordou com um aceno de cabeça. Arianne entrou e fechou a porta atrás de si – As coisas aconteceram de maneira tão rápida. – Sussurrou ela se aproximando. Seus cabelos cacheados e negros estavam soltos, caindo até o meio de suas costas. Sua pele cor de oliva brilhava de leve por conta dos archotes na parede. Aegon respirou fundo observando o quanto ela era diferente de Daenerys e, apesar disso, mexia com ele de maneira muito parecida. Ou talvez mais. Meu sentimento por Daenerys nunca foi correspondido. Mas Arianne... Houve um tempo em que não havia jogos ou tramas. Não havia nada além de sinceridade e o que ela sentia era refletido em mim... Mas Doran não me permitiu desposá-la...— Nem tive tempo de agradecê-lo... Se Valerion tivesse me encontrado antes de você... – Ela levou a mão até o próprio pescoço e Aegon suspirou – Ele sabe de nós? De nossa história?

—Não. Nunca contei a ele e nem a ninguém. – Murmurou Aegon.

—Quando você foi embora de Dorne, temi que fosse voltar para aquela mulher Tyrell. – Murmurou Arianne andando pelo quarto. Aegon a acompanhou com o olhar – Eu a conheci na corte, e acabei por descobrir que você nunca tinha sequer a visto. A recusara sem fraquejar. – Murmurou Arianne – Depois soube que você ambicionava uma vaga na Guarda Real e depois que tinha ido para Essos, para se unir a Viserys Targaryen...

—Houve um plano, entre seu pai, tio e Willen Darry... Para casá-la com Viserys Targaryen. Em troca, ele teria as espadas de Dorne. Você seria a rainha dos Sete Reinos. – Confessou Aegon – Por isso ele se recusou a aceitar minha oferta, que tinha sido feita em segredo. Quando meu pai falou que Harrenhal apoiaria Viserys, eu lembrei desse plano e fui o mais rápido possível para Essos. Eu deveria me casar com Daenerys para selar uma aliança, mas deu tudo errado. – Ele a olhou e Arianne suspirou.

—Sim, você se apaixonou por ela e ela se casou com outro. – Suspirou Arianne – E nesse meio tempo, meu irmão foi atrás dela, para selar a aliança feita por nossas famílias. Quentyn ofereceu Dorne, em troca de um casamento. – Murmurou ela parecendo triste.

—Vejo que perdeu a chance de se tornar uma rainha. – Murmurou desviando o olhar – Daenerys aceitou Quentyn?

—Ela o recebeu, mas recusou a proposta. Ele, aparentemente, pensou que ela queria que ele se provasse pra ela, então tentou domar um dos dragões dela, Rhaegal. Mas ele o queimou mortalmente. Meu irmão morreu sete dias depois de muito sofrer. – Respondeu ela e Aegon piscou chocado.

—Eu não sabia disso... – Disse sentido e Arianne suspirou.

—Nem eu. Daenerys me contou hoje. – Ela o olhou com pesar – Eu não o conheci muito bem... e de certo modo o desprezava por meu pai querer que ele herdasse Dorne. Muitos anos atrás li uma carta do meu pai para ele, falando que meu irmão um dia sentaria onde ele estava. Entendi que meu pai queria me passar para trás, ignorando meu direito de herança... Claro... Na época eu não sabia desse plano. – Ela o olhou com os olhos brilhantes – Como você sabia?

Aegon suspirou e olhou para ela.

—Meu pai sabia do plano. Ele foi uma das pessoas que ajudaram Willen Darry em Bravos. Mas quando Darry morreu, Viserys e Daenerys foram expulsos e meu pai perdeu o contato com eles. Nossos pais há muito conspiravam para o retorno dos Targaryen ao poder.

—Seu pai sempre planejou casar você com Daenerys? – Perguntou ela.

—Desde a morte da princesa Rhaenys. Ele acreditava que seria necessário unir nosso sangue ao de Rhaegar para acabar com o terror que o inverno traria.

Os dois suspiraram e se olharam.

—Me enfada que sempre tentaram planejar nossas vidas, sem questionar se... se queríamos que fizessem isso. Nunca nos perguntaram se nós desejávamos o que eles planejavam para nós... – Arianne soltou um suspiro – Mas por que seu pai resolveu que queria te casar com a menina Tyrell? – Perguntou a dornesa e Aegon se sentou na cadeira em que Melisandre estivera usando.

—Ele sabia que eu iria recusar, mas não imaginou que eu iria fugir. Causaria desconfianças se ele não tentasse me arrumar uma noiva durante todos esses anos. – Adicionou ele – Mas creio que o desgosto de me ver fugindo foi o suficiente para explicar a quem quer que seja o motivo dele não ter tentado me casar de novo.

Arianne veio andando, se aproximando. Ela ficou em sua frente, o olhando com intensidade. Com suas mãos finas o acariciou no rosto e Aegon se sentiu aquele mesmo menino de quinze anos, quando estivera em Dorne, prestes a ceder aos encantos dela.

—Você ainda a ama, não ama? Daenerys? – Perguntou Arianne. Aegon soltou um suspiro e engoliu em seco.

—Eu estava muito convencido disso até pouco tempo atrás... – Respondeu ele. Arianne o olhou parecendo confusa – Eu me apaixonei e me entreguei por inteiro a ela, mas ela nunca me amou de volta. Mas eu não me importava. Eu estaria satisfeito apenas em ser o escudo juramentado dela. Há muito eu tinha matado toda e qualquer intenção de me casar. Muito antes de Daenerys...

Arianne deu a volta na cadeira, o massageando nos ombros.

—Por que? – perguntou ela.

—Porque eu tenho um fraco por mulheres inacessíveis. – Respondeu. Arianne voltou a dar a volta na cadeira, voltando a ficar de frente para ele.

—Você poderia ter lutado por mim. Desafiado a todos, me sequestrado! Me roubado e se casado comigo em segredo... Mas simplesmente voltou para casa, me deixando para trás, com o coração partido e desonrada.

—Virgindade nunca foi um problema em Dorne... nem a falta dela. – Riu Aegon – E eu não pude fazer isso. Eu iria morrer. – Explicou e Arianne o olhou surpresa – Foi profetizado. Eu irei morrer lutando por uma mulher. Uma mulher que me foi proibida. Morrerei lutando pelo meu amor por ela. Eu sei disso desde que era um reles menino. – Murmurou Aegon e Arianne o fez olhar para ela. Para seus olhos escuros, em seu perfeito rosto cor de oliva.

—Pois eu retiro essa maldição. Com os poderes que herdei dos Roinares, eu retiro essa maldição. Não morrerás assim. – Declarou ela e Aegon engoliu em seco – Morrerás velho, depois de ter muitos filhos com a mulher que tiver seu coração. Morrerá num castelo, e muitos contarão histórias sobre você, o maior cavaleiro que os Sete Reinos já viram. – Garantiu ela e Aegon sorriu para ela.

—Não acho que profecias podem ser quebradas assim, tão facilmente.

—Não foi facilmente. Precisou ter seu navio naufragado, ter sido vendido como escravo, ser resgatado por dorneses, conseguido a amizade dos Príncipes de Dorne e o coração da princesa. Precisou sobreviver a inúmeros perigos, precisou testemunhar o retorno dos dragões ao mundo. Precisou me resgatar no mar e lutar com seu próprio irmão. Foi um longo caminho que você percorreu para chegar aqui, Aegon.

Aegon respirou fundo e concordou com ela.

—Viserys está morto. – Disse ele e Arianne concordou – Eu ajudei a matá-lo. – Adicionou – Meu irmão está no Trono de Ferro e jamais aceitará você como a esposa dele. Os outros dois candidatos ao Trono são Daenerys e... – Engoliu em seco, pois ela não sabia sobre Jon Snow. Arianne o olhou, curiosa e ele bufou – Não importa. O que importa é que você não conseguirá se tornar a Rainha dos Sete Reinos a menos que uma grande reviravolta aconteça. – Explicou ele.

—Não quero uma grande reviravolta. – Disse Arianne se empertigando – Eu quero o mesmo que eu queria há oito anos atrás. Eu quero Dorne, e eu quero você.

Aegon engoliu em seco.

—Eu pertenço a Daenerys agora. Sou da Guarda Real, um serviço pra toda vida. Nos é proibido possuir terras, ter uma esposa ou filhos. – Disse a olhando.

—Então ainda segue amando Daenerys, mesmo que ela não sinta o mesmo por você? – Questionou Arianne recuando um passo.

—Não é questão de estar ou não amando outra mulher... É uma questão de honra, de dever.

—Honra? Dever? Essas duas vadias? – Riu Arianne puxando um dos cordões que prendiam seu vestido. Aegon respirou fundo, se lembrando da primeira vez que a vira fazer isso. Estava tentando explicar a ela como ele não poderia desonrar Doran Martell, que tão bem o recebera em sua casa, mas foi impossível rebater os argumentos dela, naquela ocasião – Eu as conheço. São secas entre as pernas e seus beijos o deixam sangrando. – Brincou ela abrindo o vestido e o fazendo escorregar até o chão. Ela não usava outros vestidos por baixo daquele, como era de se esperar que estivesse. Aegon se viu em frente a ela, sentado, completamente encurralado. Tanto daquela vez quanto da outra. Seus olhos percorreram o perfeito corpo de Arianne e pousaram sobre os olhos dela – Garanto-lhe que meus beijos serão doces e que estarei molhada e pronta para acolhê-lo, Sor Aegon. – Disse ela colocando o pé entre suas coxas, em cima da cadeira.

Aquilo era uma luta injusta. Arianne fora sua paixão da infância. Deixá-la pra trás fora, provavelmente, a coisa mais difícil que fizera na vida. A afagou na perna e se curvou para beijá-la na parte interna da coxa. A desejava tanto quanto das outras vezes, em Dorne. Embaixo das laranjeiras, temendo que Doran os visse. Ou nos corredores e quartos de Sunspear. Arianne era tão desejosa dele quanto ele era dela. Se lembrava bem de todo o fogo que compartilharam naqueles dias.

Mas agora as coisas eram diferentes.

Agora ele tinha compromissos que ele mesmo tinha selado. Ninguém o obrigara a se ajoelhar para Daenerys e lhe jurar lealdade. A herdeira dos Targaryen era sua rainha e ele escolhera segui-la e obedecê-la. Por mais que o passado exigisse que a saudade fosse aplacada, ele tinha sua honra como cavaleiro.

—Não posso, Arianne. – Murmurou, sentindo-se triste. Triste como no dia em que Doran recusara dar a mão dela em casamento. Quando fora até ela, para se despedir e voltar para casa, quase um ano depois de fugir de Harrenhal – Eu sinto muito. – Disse se levantando e pegando o vestido dela, para devolvê-lo.

—A ama tanto assim? – Perguntou ela parecendo infeliz. Negou com a cabeça.

—Não. Não a amo tanto assim. Mas ainda assim, é o certo a se fazer. Se eu não for leal aos meus votos, que tipo de homem eu seria?

—Um livre, talvez. – Murmurou ela, pegando o vestido. Concordou com um aceno de cabeça.

—Talvez.

Se encararam por um breve momento e Arianne deu um passo para frente.

—Ao menos um beijo, então. – Pediu ela o olhando nos olhos – De despedida.

Aegon engoliu em seco e concordou. A puxou pela cintura e a beijou. Mais uma vez era apenas um menino de quinze anos. Aquele menino em Dorne, que tentava parecer mais confiante do que realmente estava. Tentando por tudo impressionar aquela princesa de gênio forte e olhos escuros. Arianne largou o vestido e o envolveu ao redor do pescoço. Aegon a trouxe ainda mais para perto, desejando-a mais e mais. Logo apenas beijos não eram suficientes e Arianne desejou mais pele. As mãos dela foram para debaixo de sua camisa e o arranharam na barriga.

Ela exigiu mais contato, o despindo daquela peça e ele a apertou contra si, para sentir os fartos seios dela contra seu corpo. Sua mão se afogou no mar de cachos negros, aprofundando o beijo, por mais arriscado que isso fosse. Ela o puxou mais, desejando-o mais e ele soube que estava perigosamente próximo do próprio limite.

Seu passado o assombrou novamente, aquela noite em Dorne, em seu quarto. Tudo que começara com uma brincadeira de contar segredos, que terminara com os dois embaixo das cobertas. Com o sangue nas coxas e beijos e juras e gemidos e risadas. Sentiu as unhas afiadas dela arranharem suas costas e suas mãos escorregaram pelas costas dela, procurando pelas ancas firmes e arredondadas.

Sabia que se parasse para respirar, teria que parar para ser honrado e responsável, então escolheu se afogar. Se afogar nela. Se entregar a ela. E pensar sobre isso depois, como sempre fazia. Seus lábios percorreram o caminho até o pescoço dela e Arianne soltou um gemido sofrido, buscando seu cinto. Segurou a mão dela, sabendo que não conseguiria parar se passassem daquilo. Se olharam, ambos desesperados por aquilo.

—Eu não contarei a ninguém. – Pediu ela. Engoliu em seco, tentado. A lembrança dela muito vívida em sua mente. Tinha sido covarde uma vez, seria de novo?

—Arianne, eu... – Mas nem sabia o que iria dizer. O olhar dela era demais para resistir, no entanto, não foi necessário fazer uma escolha. Bateram na porta e os dois se afastaram – Vista-se. – Pediu e ela concordou, ambos sem disfarçar o quanto lamentavam por aquilo. Arianne pegou seu vestido e foi até o banheiro, para se vestir. Aegon andou até a porta e a abriu, para ver Daenerys ali. Oh, merda – Vossa Graça. – Cumprimentou se curvando. Daenerys entrou no quarto e ele notou que ela não vinha acompanhada nem de Jorah, nem de Verme Cinzento e nem mesmo de Missandei. O que ele achou estranho.

—Aegon. – Murmurou ela, entrando em seu quarto. Fechou a porta quando ela entrou e a observou com os olhos.

—No que posso servi-la, Vossa Graça? – Perguntou ele.

—Você partirá amanhã para White Harbor. – Respondeu ela e Aegon sentiu uma vertigem. Engoliu em seco, concordando e Daenerys notou que algo o perturbava – Nervoso com a próxima missão? – Perguntou ela e ele negou com a cabeça. Sabia o que o esperava no Norte e estava preparado para aquilo.

—Tento não pensar demais sobre isso. – Respondeu. Daenerys concordou com um aceno de cabeça.

—Preciso de seus conselhos, antes que parta. – Disse ela. Concordou com um aceno de cabeça – Sei que poderá ser mais objetivo que Sor Jorah.

—Me esforçarei para tanto, Vossa Graça. – Murmurou simplesmente.

—Fui informada sobre Jon Snow. – Disse ela servindo vinho para os dois. Aegon voltou a se sentar e Daenerys lhe ofereceu uma taça cheia de vinho – Ele é o último filho de meu irmão Rhaegar. – Disse ela e Aegon concordou se perguntando se Arianne estava escutando – Eu ofereci a ele a chance de se casar comigo, mas ele recusou. Ele ama a sua irmã, mesmo ela sendo casada com Robb Stark. – Daenerys deu um gole no vinho e Aegon a imitou – Devo me preocupar com ele? Ele me parece um bom homem, justo e honrado. Homens assim não deveriam ser mortos, mas ele pode ser um perigo para mim, quando eu quiser reivindicar o Trono de Ferro. – Explicou ela.

—O pouco que eu conheço de Jon diz que ele não fará a menor questão do Trono. – Garantiu Aegon. Daenerys suspirou.

—Mas outros podem querer que ele tente conquistar o trono. Como o irmão dele. Ele sempre me olha com desconfiança.

—Se quer minha opinião sobre Robb Stark, saiba que eu não gosto dele. – Disse Aegon sem hesitar – Mas eu duvido muito que ele convença Jon a tentar conquistar o Trono de Ferro. Essa pode até ter sido o plano dele, um dia, mas certamente não é mais. Robb preferiria ver o irmão na Muralha, antes de vê-lo com uma coroa na cabeça.

—Por que?

—Porque isso o manteria longe de Shiera. – Respondeu Aegon.

Daenerys deu mais um gole em seu vinho e Aegon a imitou.

—Então acredita que eu não preciso me preocupar com Jon Targaryen?

—Sinceramente, eu acho que não. – Respondeu Aegon – Jon não busca por glória ou fama. Ele só quer proteger o povo dele, de maneira honrada. É provavelmente o melhor homem que eu conheço. Eu gostaria de vê-lo coroado, sentado ao seu lado, regendo o reino... ou ao lado da minha irmã. – Disse sem pensar. Daenerys o olhou, surpresa e se aproximou, colocando a mão sobre a sua.

—Pensei que tinha outro desejo sobre a pessoa a se sentar ao meu lado. – Disse ela. Aegon soltou um suspiro e retirou a mão, se levantando e se afastando.

—Um dia tive. Mas hoje sei que foram tolos sonhos, de um tolo apaixonado. Mas passou. – A olhou calmamente e sorriu – Sou seu cavaleiro, Dany. Desejo vê-la no Trono de Ferro. Desejo vê-la governar os Sete Reinos, porque sei que seria uma boa rainha, uma justa, uma diferente de todos aqueles que vieram a se sentar naquela cadeira. Mas eu sei muito bem que meu lugar não é como seu esposo. Sou sua espada. Eu sempre fui a sua espada e nunca serei mais do que isso.

Daenerys sorriu e colocou a taça de vinho sobre a mesa, o olhando com um sorriso gentil.

—Fico contente com isso. Tinha muito medo de partir seu coração.

—Como fez com Daario? – Perguntou ele. Dany o olhou, surpresa e ele sorriu – Eu escutei histórias a respeito. Você precisava vir solteira, pois alianças por casamentos poderiam ser úteis. – Ele suspirou – O herdeiro de Highgarden está solteiro. Os Tyrell são uma das famílias mais ricas de Westeros e se mantiveram leais à sua família praticamente até o fim. – Disse tranquilamente.

—Os Tyrell são leais aos Lannister... Ao seu irmão... – Suspirou Daenerys – Ele pode vir a ser um problema. – Disse ela com receio e Aegon teve certeza que era sobre isso que ela queria falar desde o início – Pode ser que ele resolva não desistir do Trono depois da trégua. Ele talvez seja pai de duas crianças agora. Talvez ele esteja disposto a ir até o final numa luta comigo, por elas... E ele é mais próximo de Robb do que você. Shiera sabe o que é perder um filho, o que é perder sua casa para um estranho. Ela provavelmente o apoiaria. – Ela o olhou nos olhos e Aegon suspirou.

—Essa é uma possibilidade. – Confessou e Daenerys suspirou.

—E o que você faria nessa situação? – Perguntou Daenerys. Aegon levantou o olhar para ela, sem gostar de ter de responder aquilo – Se tiver que escolher entre eu ou os seus irmãos? – Daenerys não o olhava como se exigisse uma resposta, mas com algum medo. Como uma criança que pedia desculpas aos pais por ter quebrado uma relíquia de família.

—Já deixei claro aos dois que ficarei ao seu lado, Dany. Jurei minha espada a você. Valerion chegou ao Trono de Ferro casando-se com uma bastarda. Se ele quer se agarrar ao osso, terá que aceitar lutar por ele.

—Eu fico feliz de ouvir isso... por isso gostaria de pedir algo. Algo que possa vir a ser muito doloroso. – Disse ela o olhando com receio. Aegon a olhou hesitante – Será, provavelmente a coisa mais dolorosa que virei a te pedir algum dia.

—Quer que eu mate meu irmão? – Perguntou com o coração acelerado no peito.

—Quero evitar chegar a esse ponto. E a melhor maneira de fazer isso... É retirando o poder que ele tem. Retirando o que o mantém no Trono.

—Myrcella o mantém no Trono. Quer que eu mate Myrcella?

—Não são os Lannister que colocam Valerion no Trono. Se fosse apenas Myrcella, ele seria apenas um consorte. Uma figura decorativa. Mas não é o caso. Ele tem poder de fato. – Daenerys o olhou por um momento, enquanto Aegon tentava entender o que ela queria dizer, onde ela queria chegar – O que mantém seu irmão no Trono é...

—Harrenhal. – Respondeu Arianne saindo do banheiro. Daenerys a olhou surpresa e Aegon tentou entender o que aquilo significava.

—Você... Você quer que eu tome Harrenhal do meu irmão? – Perguntou fazendo as contas.

—Harrenhal é seu por direito. – Argumentou Arianne e Daenerys o olhou aceitando o apoio dela, sem se preocupar em questionar a presença dela ali – Foi ele quem usurpou você, da mesma maneira que Renly fez com Stannis.

—Meu pai declarou Valerion herdeiro de Harrenhal. – Discordou Aegon.

—Porque ele planejava colocar você no Trono de Ferro. – Disse Arianne e Daenerys a olhou surpresa – Meu pai e meu tio me contaram algumas coisas sobre os planos de Haegon. Seu pai imaginava que Viserys seria uma ferramenta para colocá-lo no Trono de Ferro. De alguma maneira ele pretendia trair Dorne, mas acabou morrendo antes, imagino. – Murmurou Arianne e Aegon se levantou, engolindo em seco – Era na sua cabeça que seu pai queria colocar uma coroa. Você rei, Valerion talvez devesse ser sua Mão. – Murmurou Arianne o olhando com convicção.

—Se você reivindicar Harrenral, boa parte do poder do seu irmão, e consequentemente o de Myrcella, será reduzido. Isso pode nos dar alguma vantagem sobre eles, quando terminarmos nossa trégua.

—Já está pensando no fim dela? – Perguntou Arianne com um sorriso cheio de aprovação. Daenerys caminhou pelo quarto, bebendo de sua taça de vinho.

—Claro. Eu concordei em unir força com todos os usurpadores do meu trono, para salvar o maior número de civis possível... Eles são o meu povo e é minha responsabilidade protegê-los. Mas quando tudo isso acabar, eu não vou ter me esquecido que esse é o meu Reino, conquistado pelos meus ancestrais. – ela olhou de Arianne para Aegon – E quem não dobrar o joelho será considerado meu inimigo. Quando Aegon o Conquistador veio com suas irmãs para conquistar Westeros, ele ofereceu amizade e proteção a aqueles que se renderam sem lutar. Mas aqueles que o desafiaram, morreram. – Daenerys deu mais um longo gole no vinho e Aegon respirou fundo. Arianne colocou uma mão em seu ombro, como que lhe dando algum apoio – Por serem sua família, tentarei outras alternativas com seus irmãos. Não vou desejá-los mortos, mesmo que me desafiem. Mas se não houver outra opção... eu espero que entenda.

Aegon engoliu em seco e se levantou.

—Eu entendo. – Disse preocupado com sua família – Falarei com eles mais uma vez. E outra e outra... tantas vezes quanto forem necessárias. – Aegon respirou fundo colocando sua taça de lado – Shiera está aberta a convencer o marido a nos apoiar, desde que prove seu valor. Valerion é um garoto inteligente. Se ele tiver noção de que não tem nada a ganhar te enfrentando, ele vai se reder. Ele nunca foi do tipo que trava batalhas perdidas. – Aegon coçou a barba – Quando desejas que eu reivindique Harrenhal? Depois de derrotarmos o inimigo que vem das terras geladas do Norte?

—Sim. Não há pressa em ameaçar nossa aliança. Se tudo isso o que os Nortenhos dizem é verdade, o melhor é que não criemos desavenças. Mas eu quero que saiba minhas intenções desde agora, para não ser pego de surpresa depois. – Explicou ela.

—Como Lorde de Harrenhal, Aegon não poderá ser membro de sua Guarda Real. – Murmurou Arianne e Daenerys a olhou com um simples concordar de cabeça – O que significa que está livre para se casar com quem lhe convier, Aegon. – Aegon olhou para Arianne e lhe deu um sorriso canalha – Como princesa de Dorne, para garantir uma aliança ainda mais forte com a causa de Daenerys, Nascida da Tormenta, e em compensação pela morte do meu irmão Quentyn, que estava sobre a proteção dela... – Arianne sorriu de Daenerys para Aegon – Poderia requisitar uma aliança por casamento?

Aegon sorriu sem jeito e Daenerys se aproximou os olhando com os olhos risonhos.

—Já pedi demais de Aegon. Ele é livre para escolher quem amar e com quem se casar. – Disse ela com um sorriso divertido que o fez corar. Olhou para Arianne que tinha os olhos cheios de maliciosa esperança – Creio que interrompi algo quando vim sem avisar. Vou deixá-los discutindo alianças e estratégias. – Daenerys se aproximou e colocou as duas mãos em suas bochechas. Gentilmente ela ficou nas pontas dos pés, puxando sua cabeça. Sentiu um beijo gentil na testa e recebeu um olhar cheio de carinho e agradecimento. Sorriu para ela e a acompanhou com o olhar, enquanto a rainha deixava o quarto.

—Oh, temos a bênção de Vossa Graça. – Riu Arianne depois que Daenerys saiu. Aegon concordou com um aceno de cabeça e então puxou Arianne com alguma violência. Ela gritou de susto, mas logo se calou, perdida nos lábios dele. Anos haviam se passado, mas a brasa de seus sentimentos jamais tinha se apagado. A jogou na cama e matou aquela saudade que há muito sentira. O sol e o dragão negro, finalmente estarão juntos. E foda-se o que Doran pensar. Um pouco de calor antes do fim é tudo o que eu mais poderia desejar...

**

Shiera estava vomitando no mar, pois o balançar do navio sempre a deixava enjoada. Jon suspirou sentindo falta dela, mas não havia o que ser feito. Robb estava ao lado dela, a ajudando a vomitar, segurando seus cabelos com delicadeza.

—Ainda não entendi o que aconteceu. – Resmungou Tormund – Você foi um frouxo, Snow.

Jon desviou o olhar, procurando a costa com o olhar. A qualquer momento avistariam a cidade de White Harbor. Tentaria ao máximo se concentrar em sua missão. Shiera precisava deixar seus pensamentos. Ela fizera uma escolha e por mais que doesse, respeitaria a vontade dela. Ela era sua senhora e ele lhe seria fiel.

Voltaria a vestir o negro, como garantira a Robb. Jamais seria de outra que não ela.

Segurou-se a uma corda que pendia do mastro e mirou o horizonte. Muito além do mar finalmente era possível ver uma fina linha branca, provavelmente o porto. Por mais que seu coração sangrasse, não era assim tão impossível esquecer o que tinha passado. Tinha uma missão para cumprir e um povo para proteger.

Sou o escudo do reino...

Se perguntava se conseguiriam unir todos os reinos contra a ameaça comum. Ainda não sabia como Robb faria para manter o Norte alimentado. Muitas provisões tinham sido esgotadas e colheitas negligenciadas, graças à Guerra. O vento gelado lambeu seu rosto, como um beijo de boas vindas. Jon engoliu em seco se lembrando de sua verdadeira origem. Podia ter sangue Targaryen, mas seu coração era Nortenho. Como o coração de minha mãe... quando passarmos por Winterfell, visitarei seu túmulo e lhe prestarei homenagens...

Jon engoliu em seco baixando o olhar. Ela sempre estivera ali, bem debaixo de seu nariz. Arya se parecia bastante com ela.

Lyanna Stark, minha mãe...

Não desviou o olhar do que julgava ser White Harbor, mesmo com a aproximação que julgava ser Tormund. Mas uma mão delicada o fez virar o olhar. Era Melisandre. A olhou, se perguntando o que ela queria e recebeu um olhar amável da parte dela.

—Vejo grandes feitos da sua parte, Jon Snow. – Disse ela, mas ele não deu muita importância. Não cairia sob os encantos da Feiticeira. Ela passava o dia sussurrando coisas ao ouvido de Aegon, que parecera perder um pouco de sua fanfarrona alegria. Cada dia mais ele ficava tão taciturno como Stannis fora, antes dele. Claro, Jon não se via como um poço sem fundo de alegria, mas não deixaria as palavras sombrias dela enlaçarem seu espírito. Tinha esperança de que tudo, de alguma maneira, daria certo. A vida encontraria o caminho para se perpetuar, como água achava caminho por entre as telhas, até o chão, em forma de goteiras insistentes – Mas vejo sofrimento em seu coração. – Melisandre suspirou e mirou a direção de Shiera. Não conseguiu não fazer o mesmo e viu o irmão abraçar a esposa, que parecia fraca. Havia um ar de cumplicidade nos dois que Jon nunca tinha visto. Robb sussurrou alguma coisa para Shiera, que deu um sincero sorriso discreto. Os dois trocaram um olhar e a mão de Robb desceu para o ventre dela. Jon sentiu um arrepio lhe subir a espinha e desviou o olhar, como se tivesse visto algo proibido – Deixe-o desfrutar o momento, Jon. – Sussurrou Melisandre – Ele conhece o próprio destino. Shiera também sabe o que o futuro reserva.

—O que quer dizer? – Perguntou não gostando do rumo da conversa e Melisandre sorriu de maneira enigmática.

—Você sabe. Pode tentar disfarçar o quanto quiser, mas a verdade é que sabe.

Ela se afastou em seguida e ele não teve gana de ir atrás dela. Palavras são como vento. Jon respirou a brisa marítima e ficou contando os minutos, esperando que chegassem ao porto.

White Harbor os esperava com anseio. Lorde Wyman Manderly os esperava com notícias de Winterfell, que estava sob regência de Sansa. Robb logo foi tratar com ele enquanto Shiera foi ter com o Meistre. Jon sabia o que aquilo poderia significar e tentou encontrar espaço em seu coração para ficar feliz por Robb e Shiera. Depois de tudo o que tinha passado entre eles, eles mereciam uma vida feliz. Robb merecia poder ter seu herdeiro de volta, assim como Shiera.

Bufou se afastando de todos, com Fantasma em seus calcanhares. No que estava pensando? Que realmente fugiríamos? Que ficaríamos juntos? Nunca deveria ter tido esperanças. Nunca deveria ter ousado sonhar tão alto...

Afinal... sou apenas um bastardo.

Jon se interrompeu em meio a degraus que ele desconhecia. Estava andando a esmo pelo porto, sem prestar atenção para onde iria. White Harbor era a única cidade verdadeiramente grande de todo o Norte. Se dava conta naquele momento que nunca tinha estado num lugar assim e logo se viu perdido, mas algo em si não estava preocupado.

Não sou um bastardo.

Mirou Fantasma, que parecia olhá-lo com alguma curiosidade. Subiu aqueles degraus, sem saber onde eles levariam. Não, não era um bastardo. Crescera acreditando naquilo, mas era uma mentira. Ele era alguém. Alguém com um nome tão nobre quanto o de Robb... talvez até mais. Shiera viera de uma família de conspiradores, mas ele tinha sangue de duas famílias que outrora regeram seus respectivos reinos. Os Stark, os reis do Inverno... e os Targaryen, que por anos formaram a maior dinastia que os Sete Reinos já presenciaram.

Mas o que isso poderia significar de fato? Ele podia ser dragão e lobo, no sangue. Mas quem acreditaria nisso? E como poderia usar isso ao seu favor?

E mais... Teria coragem para tanto?

Parou em frente aos degraus, quase ofegante. Mas sua respiração não estava fora de compasso por conta de um esforço físico. Sua cabeça pesava de leve, por estar pela primeira vez pensando em algo que insistira em negligenciar. Olhou para o alto e correu pelos degraus. Havia algumas lojas ali, que vendiam mariscos, carne de foca, peixes. Algumas putas sorriram e acenaram. Jon virou o rosto, zangado. O que esperava encontrar no topo daquelas escadas? Respostas para suas perguntas?

Se virou e notou que ali do alto podia ver o castelo dos Manderly, e todo o Norte. O vento bateu em seu rosto e o beijou de novo. Respirou fundo, sentindo o cheiro do mar, o frio nortenho... Por um momento se viu em Hardhome novamente, tentando convencer os selvagens a confiarem em sua palavra. Fechou os olhos se perguntando se algum dia começaria a lutar por si mesmo, ou se seguiria lutando por outros.

O vento bateu forte em seu rosto e ele se viu em Harrenhal, anos atrás. Viu Shiera rindo e o puxando para uma dança. Abriu os olhos e viu que era uma das putas, com um sorriso travesso. Seus cabelos eram negros, seus lábios vermelhos. O nariz era mais pontudo e seus olhos eram verdes e não violetas.

—Olá, meu senhor. Posso lhe fazer companhia? Tenho certeza que colocaria um sorriso nesse seu rosto sério. – Brincou ela. Mas a voz não era a que ele queria ouvir. Se desvencilhou e negou com o rosto.

—Como chego no castelo? – perguntou com o coração doendo. Tirou uma moeda do bolso e ofereceu para a mulher, que sorriu, voltando a abraçar seu braço. Virou o rosto para o castelo e respirou fundo.

Notas finais
Jon Snow finalmente pensando nas coisas importantes. Será que agora nosso herdeiro do gelo e do fogo sai do banco de reserva e começa a jogar o Jogo dos Tronos? Bem, vamos para as prévias? ♥ "Olhou para o Norte e viu o sangue transbordar pela Muralha, que acabou cedendo, deixando todo aquele sangue negro escorrer. Fechou os olhos e o viu. Lá, além da Muralha, guiando seu exército de Mortos. Os olhos azuis brilhantes." "-Se eu morrer, me queime. Não me traga de volta. Não deixe que me tragam de volta. – Disse engolindo em seco." "Loras e Valerion brandiam espadas. Era apenas mais um treino, mas algo no olhar de Loras o assustou. O rapaz pulou sobre si e os dois caíram no chão. Teve a impressão de escutar um zunido e no momento seguinte Loras estava de pé. —O que foi isso, Loras? – Perguntou. Foi quando olhou para o lado e viu uma adaga fincada numa árvore." VIXI Vejo vocês nos comentários! Titia ama vocês!