Blackfyre

33 Desejo Entre Prateleiras


Notas iniciais
Amoooooores! Feliz sexta pra vocês! Sexta feira, sua linda, me possua =3 Vocês estão prontos???? =D Esse capítulo tem plot twist hsuahsausaus Vamos lá! #PartiuLer OBS (pala imaginária do leitor): OMFG! O ROBB TÁ NO BANNER!!! PUTA QUE PARIU!!! TEM CAPÍTULO DO ROBB??? Resposta: Não... talvez ahsuahsuas

Desejo Entre as Prateleiras

Aquela reunião estava uma chatice. Tinha deixado Vento Cinzento com Ned e Talisa. Apenas Lady a acompanhava, deitada aos seus pés, parecendo tirar um cochilo, como se aquela reunião a entediasse também. Estava sentada num lugar de honra, cercada por seus Imaculados, observando a Patrulha definir o que fariam a respeito dos Selvagens. Alguns se recusavam a acreditar que Mance Rayder tinha cem mil homens ao norte da Muralha, mas era impossível não acreditar no garotinho que fugira de uma das pequenas vilas ao sul da Muralha, que contava que selvagens mataram todos e os devoraram.

Para Shiera, a situação era mais do que simples. Ela só precisava mandar metade de seus homens e o pequeno grupo estaria morto. Simples. Mas os homens da Patrulha queriam mantê-la com seus soldados em Castle Black, onde poderiam ter ajuda para reformar o castelo e para preparar a defesa de um ataque que nem todos acreditavam que iria acontecer.

Queria respeitar a opinião deles, então seguiu calada, apenas ouvindo o que eles tinham a dizer. Por mais chato que estivesse sendo...

—Devemos ensinar uma lição a esses bárbaros! – rosnou um membro qualquer da Patrulha e os outros homem soltaram uivos de aprovação – Três dúzias de corpos jogados Muralha abaixo seria uma boa lição. – Os homens gritaram em aprovação.

—Eles querem nos atrair. – disse Marsh com firmeza – Eles nos querem lá fora, para nos matar aos poucos.

—Nós só temos cem homens. – disse Meistre Aemon – Isso incluindo intendentes, construtores e eu. Precisamos aceitar a ajuda de Shiera Stark. Os Stark são aliados históricos da Patrulha da Noite. – ele tomou ar e continuou, enquanto todos escutavam em profundo silêncio – Nós devemos lembrar de nossa maior responsabilidade... – ele fez outra pausa, puxando o ar para seus pulmões velhos – Nós somos os guardas da Muralha.

—Não precisamos ficar devendo favores a traidores. – rosnou Janos Slynt – Isso nos colocará em uma situação ruim com o Trono de Ferro. Os Stark não foram capazes de proteger a própria fortaleza, o que dirá a Muralha. – adicionou ele – Só vão trazer atrair seus inimigos contra nós. – algumas pessoas remexeram, nervosamente e Shiera permaneceu em silêncio.

—Nós precisamos ajudar as pessoas. Elas estão sob nossa proteção. – disse um garoto maricela, com grandes orelhas – Eles plantam e criam animais para ajudar na nossa sobrevivência.

—Você é um campeão das pessoas comuns, Lorde Snow. – debochou Thorne e Jon o olhou com descaso – O que você diria ao irmão Pyp?

—Para aceitar a ajuda de Shiera Stark. – respondeu Jon – Sinceramente, ainda não entendi o motivo de estar discutindo isso. Ela veio ajudar, porque pedimos ajuda... e agora queremos recusar o socorro? – ele fez uma pausa – Mance Rayder está a caminho, precisamos estar prontos quando ele chegar. Impedir que Castle Black seja atacado pelo sul e pelo norte é necessário, porque se falharmos, eles vão destruir tudo num espaço de mil e seiscentos quilômetros antes de encontrar outro exército capaz de enfrentá-los.

—Nós precisamos defender Castle Black... e se Mance chegar e as tropas da rainha não tiverem regressado ainda? E se esse desvio dificultar que ela ataque a retaguarda de Mance. Precisamos estar atentos a isso. – ponderou Marsh e Shiera suspirou.

—Se ele tem um exército de cem mil homens, mesmo um ataque surpresa seria suicídio. – disse Theon – Temos menos de mil e quinhentos soldados.

—É diferente. Temos soldados. Mil e cacete SOLDADOS. Mance tem um monte de bárbaros, sem disciplina, sem treino e sem infantaria, o que é mais importante. – assinalou Zoltan – Se mantivermos as arqueiras aqui e formos rápidos com a infantaria para abater esses carniceiros, dará tempo...

—Isso se não passarmos o Inverno inteiro debatendo isso aqui. – resmungou Shiera.

—Acho suicídio dividir a tropa. Quase metade da força da rainha são arqueiras. Serão quatrocentos contra cem mil assim mesmo. – disse Janos Slynt.

—E sem ela serão cem mil contra menos de cem. – contra argumentou Jon.

Allister Thorne revirou os olhos.

—Sete reinos, cinco reis, mas só uma mulher com um punhado de seguidores veio ajudar. – resmungou ele.

—Agradeça que pelo menos ela se dispôs a vir salvar seu traseiro murcho, velho. – rosnou Theon e muitos homens deram risadas. Thorne certamente devolveria o comentário, mas escutaram uma corneta, que fez com que Lady despertasse de seu sono. Ficaram todos a esperar por um segundo sopro, mas não aconteceu.

—Patrulheiros. – murmurou Jon se virando, sendo seguido por muitos.

Shiera acompanhou os homens, sendo seguida por Lady e eles seguiram para o imenso portão que era a única passagem para o outro lado da Muralha. Dois homens vinham mancando, ajudando um ao outro a se equilibrar.

Um deles sorriu para Jon e o nortenho o ajudou a se manter de pé.

—Achei que você já era um Selvagem a essa altura. – riu ele, mas então o homem a olhou curioso – Uau... as coisas parecem ter melhorado por aqui. Quem é a beldade?

Shiera sorriu ao ver o cenho franzido de Jon, que não parecera gostar do comentário.

Andaram até um lugar onde os recém chegados pudessem se sentar. Ambos pareciam estar feridos e ter passado por péssimos momentos.

—Por que demoraram tanto? – perguntou Bowen Marsh.

—Tivemos dificuldades. – respondeu o maior dos dois.

—Como assim? – perguntou Jon.

—Fomos acorrentados. – respondeu o maior mostrando o pulso, onde haviam marcas que evidenciavam o que tinha dito – E levados pelos rebeldes à Fortaleza de Craster.

—Eles ficaram lá? – perguntou Jon parecendo preocupar-se.

—Eles não vão embora. – sentenciou o mais magro, de cabelos compridos – Têm a comida de Craster e suas esposas.

—Pobres garotas... – murmurou o outro – Aposto que sentem falta dele agora.

Não fazia a menor ideia de quem era Craster, mas achou estranha a reação de Jon. Ele se afastou parecendo bastante aflito. Aproximou-se dele e o segurou no ombro.

—O que houve, Jon? – perguntou o olhando nos olhos. Aqueles olhos de tempestade que encarara uma vez, em frente ao represeiro, jurando jamais esquecer.

Ele a olhou de volta e ela se perguntou o que passava pela mente dele.

—Precisamos matar todos eles. – disse Jon a olhando e depois se voltando para Thorne. O homem o olhou com descaso, como sempre.

—A justiça pode esperar. – respondeu o velho.

—Não é questão de justiça. – explicou Jon e Shiera suspirou prevendo mais complicações – Eu disse a Mance que temos mil homens aqui.

—Temos mais de mil homens aqui. – disse Zoltan.

—Entre Imaculados e arqueiras, o termo homens me parece inapropriado... – brincou Hoster, mas Nym o olhou de maneira mortal e ele se calou.

—Se Karl contar a verdade, e ele vai contar... – continuou Jon, com um semblante sombrio – Mance nos atacará sem se conter. Isso diminui nossas chances. – explicou Jon – Se pudermos enfraquecê-lo, usando a muralha como escudo, enquanto ele ganha tempo tentando descobrir nossa real força... isso nos dará o tempo para as forças de Shiera pegá-lo desprevenido. – disse Jon – Não podemos perder esse efeito surpresa, principalmente porque boa parte das forças da rainha precisarão deter os selvagens ao sul primeiro.

Shiera fez uma conta rápida e se aproximou de Sor Allister.

—Mesmo que cada patrulheiro mate cem selvagens, não haverá como matar todos eles se Mance resolver atacar de uma vez. – murmurou ela – E se eu mantiver minhas forças aqui, teremos que lidar com ataques de ambos os lados.

—Eu não acho que consigo matar cem selvagens... – lamentou o rapaz de orelhas grandes, que ela pensava se chamar Pyp.

Thorne suspirou, olhando para Jon com desprezo e então se virou para Janos Slynt.

—Precisamos discutir isso. – disse num tom contrariado. Depois se retirou, deixando-os para trás.

Shiera notou que Jon parecia muito concentrado, cuidando de seus companheiros, então não quis incomodá-lo com sua presença. Apenas se retirou, dali, esperando uma decisão de Allister Thorne e caminhando em direção aos túneis subterrâneos que levavam à biblioteca. Theon a seguiu, como sempre e ela não se importou com a presença dele. Sempre que achasse que precisava de um tempo sozinha, cantaria mentalmente a canção de Danny Flint, para se lembrar de como os homens poderiam ser cruéis. Mesmo que Lady a seguisse, não se sentia exatamente segura com ela. Vento Cinzento era mais alerta. Lady parecia um cachorro adestrado e manso, mesmo que fosse maior do que qualquer lobo normal que já tivesse visto. Ela era a menor dos irmãos, assim como Shiera era a menor entre seus. Mirou os vários pergaminhos empoeirados entre enormes prateleiras e Theon soltou um espirro por conta do pó.

—Está procurando algo em específico? – perguntou ele.

—Não. – respondeu calmamente – Apenas gosto de manter a mente ocupada... leitura é uma boa maneira de fazer isso. – sussurrou olhando pergaminhos extremamente velhos, antigos, que pareciam que poderiam desfazer-se ao menor toque – Valerion me contou que a biblioteca da Muralha contém registros e livros antigos que nem mesmo a Cidadela possui, sobre os desenhos de rostos nos represeiros, a linguagem das crianças da floresta, pergaminhos de Valíria... talvez contenha informações sobre os Outros. – murmurou calmamente.

—Sobre os Outros? – perguntou Theon com um pouco de seu já não tão típico ar de troça – Por que está interessada nisso?

Shiera suspirou, pois sabia que Theon era um tanto quanto incrédulo. Pegou um pergaminho qualquer e o desenrolou, logo viu que ele falava sobre um Comandante da Patrulha conhecido como Centauro Negro.

—Meu pai acredita que os Outros estão vindo junto com o Inverno. – murmurou enrolando o pergaminho com cuidado, para procurar outro mais antigo – E, como dizem os Stark... O Inverno...

—... está chegando. – concluiu outra pessoa. Shiera se virou e sentiu o coração acelerar, mas logo desviou o olhar. Não prestaria muita atenção nele. Tinha acabado de enviuvar. Não importava se seu coração acelerava sempre que ouvia a sua voz, ou se os olhos de tempestade dele sempre invadissem seus sonhos, sem convite.

—Exatamente, Lorde Snow. – disse pegando outro pergaminho, que parecia ainda mais antigo. O abriu, mas não parecia ter nada de interessante. Era sobre um Lorde Comandante que fora um homem de ferro...

—Lorde Snow... você foi a primeira pessoa a me chamar assim. – sussurrou Jon e ela escutou os passos dele a se aproximar.

—Primeira? O apelido pegou? – perguntou sem olhá-lo, passeando os olhos pelo pergaminho, mesmo que não enxergasse uma palavra que estivesse escrita ali. Sua atenção estava completamente voltada para seu coração, que não parava de bater acelerado demais.

—Sim, Sor Allister Thorne adora falar assim de mim, pois eu cresci num castelo... para ele sou apenas um moleque mimado. – disse Jon se aproximando um pouco – Sobre o que está lendo nesse pergaminho? Algo importante?

Tentou achar qualquer coisa no pergaminho, para reportar, e o fechou em seguida.

—Esse é da época de Aegon, o Conquistador... – respondeu colocando-o no lugar – Fala sobre o irmão do homem que construiu Harrenhal. Ele era Senhor Comandante, mas não quebrou os votos para ajudar o irmão quando Aegon marchou contra o castelo dele. – explicou calmamente e pegou outro pergaminho, para abri-lo. Este era até bem novo, notou que da época de Brynden Rivers. Falava que era uma reescritura de outro pergaminho, que já estava muito velho. Logo identificou que foi o próprio Meistre Aemon quem o reescrevera – Esse é da época de Corvo de Sangue.

—Quem é Corvo de Sangue? – perguntou Theon e Shiera se assustou ao ouvir a voz dele. Por um momento até esqueceu-se da presença do amigo.

—Não conhecem a história do Corvo de Sangue? – perguntou ela, surpresa. Jon negou tanto quanto Theon – Ele foi um dos grandes Bastardos legitimados do rei Aegon IV. – explicou ela, calmamente – Era irmão de Daemon Blackfyre... o fundador de minha família. – explicou calmamente e os dois concordaram com acenos de cabeça – O maior feiticeiro que Westeros conheceu, pelo menos da história documentada. Foi o primeiro Mestre dos Sussurros e um grande inimigo da minha família. – seguiu com a explicação, relembrando a história que seu pai tinha contado, quando ainda era uma moça donzela, que jamais imaginara que se casaria com o Rei no Norte e lhe daria um herdeiro – Quando o rei Maekar I faleceu, Brynden Rivers era Mão do Rei e resolveu convocar um conselho para decidirem quem seria o novo rei. Aenys Blackfyre, que vivia em Essos, pediu para poder vir para Porto Real, para apresentar sua pretensão ao Trono de Ferro. Brynden autorizou e lhe deu salvo-conduto, mas quando Aenys chegou, foi preso, torturado e morto.

—Lembro de outra história assim... sobre um Frey. – rosnou Theon e Shiera concordou.

—Sim... o conselho decidiu que Aegon, filho caçula de Maekar, herdaria o Trono de Ferro. Como ele era o quinto filho de um quarto filho, recebeu a alcunha de Aegon V, o Improvável... – Shiera suspirou e Jon se aproximou ainda mais, por cima de seus ombros.

—Ele era o irmão caçula do Meistre Aemon. – murmurou ele e Shiera piscou surpresa.

—Meistre Aemon é um Targaryen? – perguntou chocada e Jon concordou com um aceno de cabeça.

—Sim...

—Bem... ele parece ser mesmo muito velho. – brincou Theon – Continue a história, Shiera. – murmurou ele se sentando numa mesa, fungando um pouco, parecendo que iria espirrar de novo. Jon se aproximou mais um passo, como se quisesse ler o que tinha em seu pergaminho e foi quase impossível se concentrar.

—Sim... o primeiro ato de Aegon como rei foi prender Brynden Rivers pelo assassinato de Aenys. Foi dado a ele a opção de escolher entre a Morte e a Muralha... ele escolheu a Muralha. Chegou a ser Lorde Comandante da Patrulha da Noite por muitos anos... até desaparecer numa expedição prá-lá-da-Muralha. – explicou lendo outro pergaminho. Era uma lenda, aparentemente... da época dos heróis...

Theon soltou um espirro e depois outro, passando o dedo no nariz e fungando de novo.

—Não nasci pra ficar em lugares com tanto pó. – resmungou ele, antes de espirrar novamente.

—Talvez devesse respirar um ar puro. – sugeriu Jon e Shiera sentiu o rosto ferver de vergonha.

—Não posso deixar Lady Shiera. Sou o escudo dela.

—Ela tem o lobo selvagem a mim para protegê-la. – disse Jon com convicção e Shiera notou que Theon a olhou entre um espirro e outro.

—Está tudo bem... – murmurou tentando manter a voz constante – Eu confio em Jon Snow.

Theon espirrou novamente e concordou com um aceno de cabeça, fungando novamente e espirrando bem alto depois. Jon e Shiera deram risadinhas e se olharam timidamente. Depois riram de novo ao escutar Theon espirrar já fora da biblioteca, para praguejar em seguida, sobre ranho congelado.

—Como você está? – perguntou Jon. Shiera suspirou.

—Ligeiramente surpresa por você não estar me evitando. – respondeu sem rodeios, o olhando nos olhos. Belos olhos de tempestade. Jon suspirou e sorriu timidamente.

—Você é a esposa de Robb, eu sou um homem juramentado a Patrulha da Noite... Não há chances para nós dois... não mais. – murmurou ele com um sorriso gentil, mas havia tristeza também. Tristeza, mas também amor. Shiera sabia que Jon a tinha amado, em algum momento. Talvez ainda em Harrenhal. Talvez sob o luar e aquele Represeiro em Winterfell... mas agora sabia que mesmo ali, depois de tudo, naquela biblioteca, ele ainda a amava, por mais improvável e sem sentido que fosse. Sabia pelo amor que ele lhe dirigia por seus olhos... e isso a fez ter consciência de seus próprios sentimentos. Jamais esquecera Jon Snow. Mesmo depois de Robb, mesmo depois de seu filho Ned. Jon estava sempre ali em seus pensamentos, assim como estava muito presente em seu coração. Porém, entendia as palavras dele. Nenhum dos dois teria coragem para permitir algo. Por mais que seus lábios desejassem os dele, não tomaria uma atitude, muito menos ele... e aquilo era um tanto triste... – Entende, não entende? – perguntou ele a olhando nos lábios e então nos olhos. Como se a tentação que a afligira, o tentasse também.

—Entendo. – murmurou respirando fundo – Só não entendo o motivo de querer ficar a sós comigo. – murmurou desviando o olhar dele, mas Jon se aproximou mais um passo e isso quase lhe roubou o ar. Ele estava próximo demais. Mais próximo do que ela estava acostumada. A noite em que o beijara sob o Represeiro pareceu estar mais próxima. Juramos nunca esquecer um ao outro. Os Deuses nunca deixarão que um de nós quebre esse juramento.

—Anos atrás você previu que os Outros viriam. – murmurou Jon e o calor da conversa pareceu esfriar. Como se aquela cena retirada de uma triste música tocada por Hoster agora adquirisse a formalidade dos Conselhos de Robb. Shiera concordou com um aceno de cabeça e entendeu que a proximidade de Jon nada tinha relacionado com o desejo de ficarem mais próximos. Ele apenas não queria ser ouvido. Por isso o murmúrio, por isso tão próximo... talvez ele só não estivesse ciente do calor que a fazia sentir ao ficar assim tão junto – Você disse que me viu numa grande batalha, liderando um grande exército. Tem certeza de que fui eu quem você viu? – perguntou ele a olhando com atenção.

—Sim. – respondeu confiante – Acredite, Jon, eu sonhei tanto com você... mas tanto. Não haveria como me confundir. Ao ver seu rosto pela primeira vez, lá em Harrenhal, durante aquela festa dos camponeses...

—E sobre os Outros? – perguntou ele mudando o assunto, abruptamente – O que você viu sobre eles?

Shiera desviou o olhar e suspirou.

—Morte.

—E como o derrotamos? – perguntou Jon, parecendo aflito. Shiera suspirou e mostrou o pergaminho que tinha em mãos – O que é isso?

—A lenda do herói, Azor Ahai. – respondeu ela e Jon a olhou confuso – Nunca ouviu falar nessa lenda? – Jon negou com a cabeça e Shiera se colocou a andar para longe dele, por entre as estantes. Ficar perto dele era doloroso, tanto quanto ficar longe. Jon também não parecia saber o que era mais doloroso, pois a seguiu com os olhos atentos – Ele foi um herói lendário que viveu cerca de oito mil anos antes do Desembarque de Aegon. Ele surgiu para derrotar os Outros... mas para isso precisava de uma arma a altura... – explicou ela observando Jon. Estava de um lado da prateleira e ele do outro. Conseguia ver o rosto atento dele por trás dos pergaminhos poeirentos – Assim, Azor Ahai trabalhou por trinta dias e trinta noites até forjar sua espada. No entanto, quando ele mergulhou a lâmina na água para temperar o aço, a espada se quebrou. Ele não era de desistir facilmente, então começou de novo... – Shiera se escondeu atrás de outra estante e escutou os passos de Jon a se aproximarem. Seus pés a guiaram para uma parte mais escura da biblioteca, enquanto Jon a seguia, ainda a olhando pelo outro lado da prateleira – Na segunda vez, ele levou cinquenta dias e cinquenta noites para fazer uma lâmina ainda melhor do que a primeira. Para temperá-la, dessa vez, capturou um leão e enfiou a lâmina no coração da fera, mas o aço quebrou mais uma vez... – disse baixinho e se escondeu atrás de outra prateleira, sentindo algo estranho no peito. Ainda ouvia os passos de Jon, mas agora já não sabia onde ele estava – Na terceira vez, ele trabalhou com o coração apertado, pois já sabia de antemão o que teria de fazer... – olhou ao redor, sem saber onde Jon estava. Sentiu Lady andar ao seu lado, com o pelo macio a roçar sua mão. Suspirou e voltou a andar para junto da lamparina, para sair do escuro – Desta vez, após trabalhar na lâmina por cem dias e cem noites, ele chamou a esposa, Nissa Nissa, e pediu que ela descobrisse o peito. Ele enfiou a espada no coração da esposa, e a alma e a coragem dela se combinaram com o aço da espada, criando a Luminífera... – Shiera interrompeu seu passo e sentiu uma pressão estranha sobre a cabeça. Era como quando sonhava... só que dessa vez estava completamente desperta. Se perguntava se era por conta dos poderes místicos da Muralha... – Azor Ahai irá renascer como o Príncipe Prometido para desafiar os Outros. Isso ocorrerá depois de um longo verão, quando a escuridão e o frio maligno descerem sobre o mundo. O Príncipe Prometido empunhará novamente a Luminífera para lutar contra os Outros e se ele falhar o mundo falhará com ele.

—E quem é esse Príncipe? – perguntou a voz de Jon, mas não sabia onde ele estava.

—Meu pai acreditava que era Viserys. – respondeu baixinho – Pois ele era o último descendente masculino vivo da princesa Rhaella... existiu uma bruxa dos bosques que garantiu que o Príncipe Prometido nasceria da linhagem do príncipe Aerys e da princesa Rhaella... – explicou – Mas Rhaegar morreu no Tridente, meu irmão matou Viserys... não sobraram Targaryens no mundo... – disse encostando as costas na estante. Sua mente divagou. Então deu por si em frente à porta para as criptas de Winterfell. Lá dentro tudo estava negro, e podia ver, apesar disso, com perfeição, os degraus que desciam em espiral. Sentia que precisava descer e assim o fez. Os velhos Reis do Inverno estavam lá, sentados em seus tronos com lobos de pedra a seus pés e espadas de ferro sobre os joelhos. Um dia tomaria Winterfell dos Bolton e mandaria construir uma grande estátua de Robb, pois ele tinha sido um grande rei, apesar de ter sido traído por seus próprios aliados... Continuou a descer, tateando as paredes enquanto avançava, sem uma tocha que iluminasse o caminho. Ficava cada vez mais escuro, até que sentiu imensa vontade de gritar. Conhecia aquele lugar. Tinha seguido Jon ali, até a estátua de uma mulher em um sonho. Correu pelo corredor escuro e lá encontrou uma mulher. Por um momento achou que era Arya já crescida, mas notou que era mais bonita, com os mesmos olhos de tempestade que Jon tinha. Ela sorriu e se transformou em várias rosas azuis, levadas por um vento gelado. Shiera correu seguindo as flores e reconheceu uma melodia. A melodia de Aegon. A que Hoster tinha cantado no banquete... chegou num lugar mais ao fundo da cripta e encontrou a estátua da mulher que tinha visto. Ao lado dela o caixão, que certa vez tentara abrir. Engoliu em seco e escutou a voz de seu pai a falar sobre dois dragões lutando contra os Outros. Dragões de cores diferentes. Um dragão negro e outro vermelho. O dragão Targaryen. Andou até o caixão e o abriu, encontrando um manto negro com o dragão vermelho, enrolado em alguma coisa. Estava para tocar naquilo, quando escutou algo atrás de si. Se virou e viu Jon. A visão tinha acabado e ele segurava a lamparina. Ainda estava confusa, sem saber o que estava acontecendo. Jon sorriu e ela se deu conta que estavam novamente na biblioteca. Sua cabeça pesou, seu corpo fraquejou, seus joelhos tremeram – Acho que vou... desmaiar... – murmurou fracamente. Seu corpo cedeu e ela quase caiu, mas Jon a segurou.

—Está tudo bem? – perguntou ele, a erguendo. Shiera engoliu em seco, sem ter entender o que tinha visto. O que os Deuses lhe sopravam ao pé do ouvido? Eles certamente queriam dizer algo, mas ela não compreendera. Mas era a segunda vez que sonhava com as criptas de Winterfell... não sabia quais eram as perguntas, mas as criptas guardavam respostas – Shiera, você está fria! – disse Jon a abraçando. Se lembrou de falar para Robb que ela nunca sentia frio e de Robb falar que ela era sempre quente... – Shiera. Você está bem? Fale alguma coisa! – pediu Jon. Piscou, recuperando os sentidos, afastando-se do doloroso passado. Olhou para Jon, para os olhos de tempestade dele e sorriu.

—Estou bem. – sussurrou. Jon colocou a lamparina no chão e a olhou preocupado.

—O que houve? – perguntou ele. Shiera suspirou e apoiou as costas na estante atrás de si.

—Já foi até as criptas de Winterfell? – perguntou calmamente. Jon piscou confuso com sua pergunta.

—Por que? – perguntou ele, hesitante.

—Quem é a mulher que tem uma estátua lá? – perguntou Shiera e Jon piscou novamente.

—A irmã de meu pai. Lyanna. – respondeu ele de cenho franzido.

—A que foi sequestrada por Rhaegar? – perguntou Shiera e Jon concordou.

—Sim. – respondeu ele, ficando sombrio – Ele a estuprou e a deixou para morrer, no alto de uma torre. – explicou ele.

—Meu pai e meu irmão conheceram Rhaegar... eles sempre disseram que ele era um bom homem. – murmurou concentrada, mas Jon negou com a cabeça.

—Ele causou uma guerra por simples capricho. – discordou ele e Shiera sorriu.

—Você nunca fez uma loucura por amor? – perguntou travessa e ele corou de leve – Nunca fez algo que jamais imaginou fazer, por se apaixonar? – disse calmamente e Jon suspirou.

—Eu desejei a esposa de meu irmão. – disse ele tristemente.

—Eu desejei o irmão de meu esposo. – murmurou de volta – Mas meu esposo está morto...

—Eu sou um homem da Patrulha. – disse Jon engolindo em seco. Shiera concordou e suspirou.

—A Patrulha da Noite tem tantos votos. – disse o olhando nos olhos – Nunca se sentiu tentado a quebrá-los?

—Já quebrei meus votos, mais de uma vez. – murmurou ele e Shiera o olhou curiosa – Eu deserdei para ajudar Robb, quando soube que ele chamara os vassalos. Eu tinha acabado de pronunciar meus votos. De vestir o negro... – sussurrou ele – Por um lado eu queria ajudar meu irmão... – Jon colocou a mão sobre seu rosto – Mas por outro, eu só queria te ver uma vez mais... – sussurrou ele. Shiera engoliu em seco.

—Mas você não foi me buscar. – murmurou e Jon negou com a cabeça.

—Meus irmãos da Patrulha me impediram... – explicou ele – Eles me levaram de volta e salvaram meu pescoço. – disse Jon e Shiera suspirou – E então teve... teve outra mulher. – desviou o olhar, pois já tinha escutado sobre aquilo – O nome dela era Ygritte... eu me deitei com ela... mas... mas começou como... eu precisava... – ele parecia se atrapalhar com as palavras – Eu precisava convencê-los que era um deles. – explicou Jon – Eu precisava mostrar que não me importava com os votos da Patrulha... então eu me deitei com ela... não vou dizer que foi um sacrifício... ou que eu não quis aquilo, no momento... mas depois... depois a culpa era enorme...

—Imagino. – disse cruzando os braços, sabendo que seu ciúmes era ridículo. Casara-se com Robb e dera um filho a ele, quem era ela para julgar Jon?

—Não... não imagina. – disse Jon e ela o olhou descrente – A culpa não era por quebrar meus votos da Patrulha... era por... por você. – murmurou ele e ela piscou confusa – Minha mente estava sempre em você. Sempre precisava buscar em Ygritte algo que era seu. Porque eu nunca quebrei aquela promessa que fizemos, em frente ao represeiro... no Bosque Sagrado... eu nunca esqueci você, Shiera... – ele engoliu em seco – E depois de tudo o que eu vivi com o Povo Livre... eu me arrependo de não ter fugido com você. Eu queria saber, pelo menos uma vez... o que era... – ele suspirou e tirou algo de dentro do bolso e lhe ofereceu. Era um pergaminho. O abriu curiosa e sentiu suas bochechas corarem com violência. Era a carta que escrevera para ele, no dia em que se casara – Só pude abri-la quando você me trouxe de volta para a Muralha... – ele suspirou, a olhando nos olhos – Você amou Robb? – perguntou ele, se aproximando um passo e Shiera concordou.

—Sim. Eu o amei. – murmurou sentindo-se ligeiramente triste. Robb tinha morrido sem que ambos pudessem fazer as pazes... tinha sido egoísta e tentando dar fim à própria vida, apenas para atormentá-lo... nunca imaginara que poderia ter sido assim tão cruel... – Mas... – suspirou e olhou para Jon, que se aproximou um pouco mais – Mas eu não fui capaz de...

O óleo da lamparina acabou de uma vez e os dois foram lançados numa profunda escuridão. Sentiu o corpo de Jon Snow cada vez mais próximo. Sentiu o cheiro dele cada vez mais enroscado em si. Os braços dele ao seu redor, apoiados na estante às suas costas. A barba negra lhe fez cócegas na bochecha. Seu coração acelerou de uma vez, seu estômago saltou. Seu corpo ferveu, seus cabelos se arrepiaram. Sentiu-se tonta e não teve como afastá-lo. Sentiu seu corpo prensado contra a estante e sua respiração cessou por um momento. A biblioteca caiu num profundo silêncio... ou talvez as batidas de seu coração ecoassem pelo labirinto de estantes... mas seus sentidos estavam tão dormentes que não foi capaz de ter certeza.

Seus braços foram de encontro ao peito forte, mas depois se enroscaram ao redor do pescoço masculino, enquanto seus lábios se ocupavam com os dele. As mãos de Jon saíram de cima da prateleira e desceram por suas costelas, para segurar sua cintura. Sentiu-se quente e anestesiada de toda a dor e melancolia que vinha sentindo. Por um momento encontrou-se em plena felicidade. Por um momento, tudo o que queria era esquecer de tudo e se entregar de corpo e alma para ele.

Mas ela não podia mais pensar como menina. Como donzela. Ela era uma rainha. Jon era um homem da Patrulha. Poderiam ambos acabar perdendo a cabeça por aquilo. Poderia prejudicar todo o futuro de Ned. Então afastou Jon de uma vez. Não conseguia enxergar o rosto dele perfeitamente, mas notou que ele baixou a cabeça, em constrangimento ou em lamentação.

—Não posso... não mais. – suspirou sentindo-se completamente infeliz.

—Eu sei... – sussurrou ele.

—Eu realmente queria, mas...

—Eu sei. – riu Jon se aproximando. Sentiu-se tonta, sem saber se seria capaz de afastá-lo, mas ele apenas lhe beijou a testa – Eu a acompanharei até seus aposentos, Vossa Graça... não é bom andar sozinha aqui. A Patrulha já não é mais o que foi. – disse Jon, num sussurro. Shiera concordou com um aceno de cabeça e Jon a guiou para fora da biblioteca. Seus olhos doeram e ela precisou piscar bastante para ajustá-los à claridade. Jon suspirou ao seu lado e os dois se encararam – Eu... eu sinto...

—Não faça isso. – murmurou desviando o olhar – Não aconteceu nada. – disse determinada – Nada, ouviu?

—Nada. – concordou ele e ela se afastou. Lady logo a alcançou e Jon fez o mesmo – Poderia devolver a minha carta? – perguntou ele ligeiramente corado e Shiera suspirou.

—Claro. – respondeu estendendo o pergaminho. Foi quando notou que ainda estava com o pergaminho do Azor Ahai em mãos. Deu de ombros, decidindo ficar com ele, por enquanto...

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Valerion ainda não tinha ido visitar Tyrion. Tentou se manter muito discreto e apagado em toda aquela situação. A última coisa que precisava eram suspeitas sobre si. Seu pai agia da mesma maneira. Passavam o dia basicamente da mesma maneira. Seu pai o assistia treinar com Loras e Garland. Depois tinha um tempo com Myrcella, sempre bastante comportado, é claro. Estava convencido a não dar muitas falsas esperanças para a princesa. Não tinha nenhum interesse por ela além do físico, apesar de ser sempre gentil com ela, evitava o flerte. Usava a desculpa de que estava preocupado com a irmã, pois não tinham mais notícias dela.

Sua preocupação era verdadeira, mas o que o deixava realmente mergulhado em pensamentos, era a morte de Joffrey, um movimento muito discreto de Olenna e como a culpa tinha recaído em Tyrion. Além de tudo isso, também se preocupava com Sansa. Só voltaria a vê-la quando retornasse a Harrenhal... o que não demoraria tanto assim. Valerion e seu pai só ficariam até o julgamento de Tyrion. Ou ao menos era o que sempre repetiam.

Sabia que a rainha estava articulando sua defesa com ampla vantagem sobre Tyrion, já que ele não podia nem sequer sair da própria cela. Pod vivia insistindo que Tyrion queria vê-lo, mas Valerion insistia que não o faria. Se colocaria em imenso risco se fosse se oferecer para ser testemunha dele. Seu pai lhe pedira para ficar de fora disso. Mas quando Cersei veio conversar, pouco depois da coroação de Tommen, ficou realmente surpreso. A rainha foi muito amável e até lhe pediu desculpas por seu comportamento.

—Myrcella ama você. – disse ela calmamente, enquanto passeavam pelos jardins – O que sente por ela, Valerion? Por favor, seja honesto.

—Eu não a amo como ela me ama. Mas tenho muita afeição por ela. – disse honestamente. Faltavam apenas dois dias para o julgamento de Tyrion – Ela é uma boa garota, será uma boa esposa e uma boa mãe.

—Me prometa que será um bom marido para ela. – pediu Cersei com o semblante cheio de dor – Não há nada pior para uma mãe do que ver seus filhos sofrendo... – disse ela com a voz falhando de leve. Valerion suspirou e concordou com um aceno de cabeça.

—Se o dia em que Myrcella se tornar minha esposa realmente chegar... eu vou tratá-la com muito respeito e gentileza. Provavelmente um dia virei a amá-la, não precisa ter dúvidas disso, Vossa Graça. – disse calmamente – Só porque eu não me dou bem com a maioria de vocês, Lannisters, não significa que eu vou destratar a única que nunca brincou comigo. – disse calmamente. Cersei suspirou e o olhou.

—Você sabe onde Sansa Stark está? – perguntou ela.

—A última vez que vi Sansa Stark, ela estava sentada na mesa do banquete.

—Você sabe que meu filho foi envenenado, não sabe? – perguntou ela. Valerion apenas concordou – E sabe quem mais ganharia com isso?

—Os Tyrell. – disse sem hesitar. Cersei o olhou parecendo curiosa e ele se explicou – Eles logo vão insistir num casamento entre Margaery e Tommen. Tommen será um garoto mais fácil de se persuadir do que Joffrey. – explicou plantando a semente da discórdia – Mas acredito que Vossa Graça pense diferente.

—Tanto Sansa Stark quanto Tyrion tinham grandes motivos para querer ver meu filho morto. – sibilou Cersei. Valerion concordou.

—Sim. Tyrion disse várias vezes isso. – murmurou calmamente e Cersei sorriu como se o tivesse pego em uma armadilha.

—O que? O que ele disse?

—Que era uma infelicidade que Tommen não tivesse nascido primeiro... Que Joffrey não merecia ser rei. Que não permitiria que Joffrey continuasse a brincar com Sansa, pois ela não era mais dele... essas coisas... mas eu não acho que Tyrion tivesse coragem para envenenar Joffrey. – disse como se quisesse parecer um tanto neutro. Cersei o olhava com um brilho quase doentio em seus olhos verdes.

—Mas você mesmo sabe o quanto ele odiava meu garoto... Joffrey tinha um gênio difícil, mas... mas não merecia morrer daquele jeito.

—Ele foi bastante cruel, Vossa Graça. – disse franzindo o cenho.

—Homens fazem besteiras quando bebem. Tyrion ameaçou arrancar partes de Joffrey em seu casamento com Sansa. Não se lembra? – perguntou ela e Valerion fez uma careta.

—Pouco me lembro daquele dia, Vossa Graça.

—Mas é verdade. Pergunte a quem quiser. Ele foi completamente agressivo com Joffrey e Joffrey nada tinha feito. – disse Cersei com um semblante triste – Nada de demais, pelo menos. Ele só quis começar com a tradição de levar a noiva para a cama. Mas Tyrion... – e então ela começou uma narração das terríveis ameaças de Tyrion. Fingiu-se de horrorizado e insistiu que Tyrion não era assim, mas no final da conversa tentou parecer completamente perdido – Eu peço que testemunhe. Que diga a todos o que aconteceu, o que Tyrion já te contou. – pediu ela – Faça isso pra mim e eu farei um favor a você. – disse Cersei e Valerion a olhou com curiosidade – Darei perdão total a sua irmã. Myrcella me falou que você anda muito preocupado com ela... e eu te entendo. O Norte me roubou um irmão também... e o Jaime que voltou... eu quase não o reconheço mais. Eu entendo a sua dor, Valerion. – garantiu Cersei e ele concordou como se estivesse perdido.

—Tudo bem... eu... eu vou rezar para os Sete... e então lhe darei uma resposta. Contarei apenas o que eu sei... nenhuma suposição, apenas fatos. Está bem? – perguntou e Cersei concordou parecendo quase aliviada.

Nesses dias que se seguiram depois da morte de Joffrey, Valerion também se dedicara ao septo. Ia lá pelo menos duas vezes por dia, uma de manhã e outra no cair da tarde. Mesmo seu pai estava começando a achar seu comportamento estranho. Mesmo que sempre tivesse sido mais devoto que seus irmãos, nunca fora tanto assim.

Ao anoitecer, quando estava em seu quarto, seu pai veio lhe prestar uma visita.

—Cersei me disse que você vai testemunhar contra Tyrion. – murmurou Haegon e Valerion concordou com um aceno de cabeça.

—Em troca ela concederá perdão total a Shiera. – disse calmamente. Seu pai se sentou numa cadeira ao seu lado

—Com isso, talvez consigamos paz com o Norte... – murmurou seu pai e Valerion acabou rindo.

—Enquanto Shiera estiver com soldados e apoiadores, os Lannisters nunca terão paz com o Norte. – disse seguro de si – Até parece que não conhece sua própria filha. – adicionou ele e Lorde Haegon não pareceu nenhum pouco feliz com seu tom.

—Bem, uma hora vocês precisam parar de querer fazer guerra... para pensar no verdadeiro inimigo. – disse Lorde Haegon e Valerion sorriu. Estivera tentando ler uma carta que chegara do porto, de Hoster. Shiera estava indo para a Muralha, pois Jon Snow estava lá e ela pensava em reorganizar suas forças ali. Se perguntou se ela iria tentar convencer Jon a deixar a Muralha por ela, mas achou que seria um pensamento muito infantil dos dois se fizessem algo do gênero...

—Engraçado você dizer isso, pois... eu quero destruir a aliança entre os Tyrell e os Lannister. – disse calmamente e seu pai o olhou em choque.

—O que? – perguntou ele, abismado. Valerion levantou a cabeça para ele e sorriu.

—Foram os Tyrell quem mataram Joffrey...

—Não diga tais asneiras...

—Não estou supondo. Eu estou afirmando. – disse ele convicto e seu pai negou com a cabeça.

—Isso não faz sentido, Valerion. O poder dos Tyrell só vai crescer com essa aliança com os Lannister. Por que eles matariam Joffrey? – perguntou Haegon e Valerion sorriu.

—Porque eles amam Margaery Tyrell e não iriam ousar deixá-la nas mãos de um cretino como Joffrey... mas eu entendo que você não entenderia. Você virou as costas para a sua filha, não é? – perguntou calmamente e seu pai se aproximou parecendo simplesmente furioso, mas a fúria dele não faria seu sorriso debochado morrer. Pela primeira vez em sua vida, jogaria com o pai, mas era importante arriscar-se daquele jeito, ou seus planos não dariam certo e Sansa estaria em apuros de novo.

—Como ousa dizer isso? – perguntou seu pai, furioso – Shiera quem deu as costas para nós!

—Você a abandonou no Norte, quando ela não queria ficar lá. Insistiu que ela deveria casar com um homem que ela não queria. E então ela fez isso e você deu a ela uma parte menor do que ela teria direito de suas tropas... e disse que não a ajudaria. Você soube o que os Frey iriam fazer com Robb, mas nada fez. Você soube que ela estaria em perigo em Winterfell, mas ficou se escondendo em Harrenhal... e depois veio aqui assistir o casamento de Joffrey, para garantir que eu me casaria com a bastarda da Myrcella. – disse ainda sorrindo e quando seu pai tentou lhe estapear no rosto, o segurou no pulso – Você não vai fazer isso. – disse com autoridade – Você é Lorde Haegon Blackfyre e é o meu pai, mas você não vai me bater. – disse calmamente – O que será que a mamãe iria pensar de você se visse o que você anda fazendo? – perguntou o empurrando de leve e os olhos de seu pai se esbugalharam – Usando seus filhos como pecinhas no seu jogo político, mandando Aegon para uma missão idiota em Essos. Se queria alguém calculista no lugar de cabeça quente, que enviasse a mim. – disse zangado – Mas você manda Aegon fazer política e depois o culpa por não ter dado certo. Manda Shiera se casar com um cara e quando ela casa, vira as costas para ela. Nós não somos ferramentas suas. Pare de nos usar dessa maneira. Seja um pai pra nós, só pra variar! – rosnou o empurrando – Quando nossa mãe morreu, você nos abandonou. Nos largou por aí e ficou sumido durante anos. Ela era o amor da sua vida? Bem, ela era nossa mãe! – disse furioso – Você me entregou para Stannis! Por que não me deixou na corte com Shiera? Nos deixou sozinhos! Abandonados! Deixou Shiera a mercê de Joffrey e me abandonou naquela ilha longe de tudo, com um homem como Stannis para me criar. Um garoto órfão de mãe! Stannis não sabia ser amável nem com a própria filha, o que dirá comigo, heim?! – perguntou zangado e seu pai pareceu envelhecer muitos anos ali – Aegon deixou seu direito de herança para mim e para Shiera caso ele não retornasse. Você pegou a parte dele para si, quando Shiera tinha direito sobre elas. O mínimo que você deveria ter feito, era marchar para Winterfell e tomar a fortaleza para ela novamente.

—E deixar você aqui?! – perguntou seu pai parecendo angustiado.

—Me poupe. – riu com desdém – Você não se importa com o que acontece comigo, porque lá no fundo, você sonha com o retorno de Aegon. Foi com ele que você deixou a nossa espada ancestral. Tudo o que você quer é que eu e Shiera preparemos o caminho para Aegon seguir. Mesmo que isso signifique nossa infelicidade. Você quer Aegon no Trono de Ferro há anos. Você quem sempre colocou essas ideias nele. Você quem sempre disse que Robert não era um bom rei. Você quem entregou os ovos para Aegon e disse que eram o símbolo da realeza. Você quem o ensinou e o instigou a ser o melhor guerreiro dos Sete Reinos, porque um senhor deve saber lutar. E você quem sempre se frustrou com a cabeça quente dele, porque você sabia que o pavio curto dele poderia interferir no processo pra fazer dele rei. Mas escute aqui, pai, eu não vou mais me sacrificar em prol dos seus jogos. Estou cansado das suas manipulações. – disse baixando o tom – Foram os Tyrell quem mataram Joffrey. Cersei vai matar Tyrion. Tyrion é meu amigo e seu também. Se você não fizer nada para ajudá-lo, eu vou fazer. – disse o olhando nos olhos – E você não vai gostar.

—Eu te proíbo. – rosnou seu pai.

—Eu sou um homem feito. – disse simplesmente – Você não pode me proibir. Você só pode agir como um pai agora. E me apoiar e me proteger. Porque se você me deixar morrer... Aegon nunca vai te perdoar... e quando ele voltar... não vai sobrar pedra sobre pedra e nem mesmo Harrenhal vai ser forte o suficiente para te proteger. Aegon tem três dragões com ele. Harrenhal não é forte contra dragões. – Os dois ficaram em silêncio por um momento – E tem mais uma coisa... eu quem ajudei Sansa Stark a fugir. – seu pai o olhou em choque mais uma vez, mas logo passou para outro momento de fúria – Eu fiz por amor. Se lembra como é? Amar alguém e fazer algo estúpido?

—Sim, eu me lembro bem, Valerion. – rosnou seu pai – E eu me lembro qual foi o preço... o meu melhor amigo. – disse ele num sibilo furioso – Qual o preço que você vai pagar? – perguntou seu pai.

Valerion sorriu.

—Fogo e sangue.

—Você não é um Targaryen. – disse seu pai.

—Não importa. – disse calmamente – Nem que eu entregue a cabeça de Tywin Lannister numa manta para Daenerys Targaryen... eu te juro que o preço vai ser fogo e sangue. – Valerion sorriu calmamente – Agora só me resta saber se você vai ajudar seu último filho ou se vai dar as costas para ele também.

—O que quer dizer? – perguntou seu pai.

—Saia daqui e leve Myrcella com você. Para Harrenhal. Chame os vassalos. Eu vou sair depois. – disse calmamente – Sozinho, da mesma maneira que você fugiu de Porto Real com Aegon, quando Aerys exigiu a cabeça de vocês.

**

Thoros de Myr suspirou bebendo de sua cerveja. Seu manto, que um dia fora vermelho, estava acinzentado na maior parte, desbotado por conta do uso. Seus companheiros de sua Irmandade sem Bandeiras estavam espalhados pela taverna, usufruindo de um merecido descanso. Ainda conseguia se lembrar dos quatro corpos que tinham deixado para trás, pendurados pelo pescoço, em árvores na orla da Estrada do Rei.

Jack Sortudo ali perto soltou um grande arroto e pediu outra caneca. Se lembrou que foi ele quem escreveu aquela placa, entalhando na madeira as palavras “O Norte Se Lembra”.

Thoros mirou seu novo companheiro de viagem. Muito magro, com os cabelos encaracolados vermelhos e quebradiços, apesar de ter uma mecha branca logo perto da nuca. A barba suja e desgrenhada. Em nada lembrava aquele garoto que ele vira de passagem há anos atrás, num torneio em Harrenhal, a dançar com a filha de Lorde Blackfyre.

—Como se sente? A cerveja está boa? – perguntou ele. O homem negou com a cabeça. Seus olhos azuis estavam tristes e vazios, pregados na madeira, como se enxergassem algo extremamente belo ali – No que está pensando? – perguntou, mas o homem não respondeu. Apenas seguiu calado, parecendo amargurado. Suspirou pensando que Beric era uma companhia mais divertida, pois ele ao menos falava. O rapaz que ficara no lugar do amigo era fechado e cheio de espírito de vingança – Vamos, dê mais um gole em sua cerveja e diga no que está pensando. O Senhor da Luz lhe deu uma oportunidade... a oportunidade de...

—Me vingar. – rosnou o rapaz, sem levantar os olhos. Viu fúria ali e se perguntou se o Senhor da Luz só quis fazer um espírito de vingança, ou se ele não teve nada com a decisão de Beric, de se sacrificar para salvar o rapaz. O tinham encontrado nu, enforcado, com uma coroa de ferro em sua cabeça, completamente rasgado, cortado e ferido. Em seus pés tinham pendurado uma placa escrita “Rei do Norte. Rei de Nada”. Ao redor dele havia uma matilha imensa, a mesma que estava dando trabalho para o exército Lannister. Mas havia um lobo que era maior que todos e era ele quem liderava a matilha, pois assim que correu, os outros lobos o seguiram. Um dia aquele garoto fora Robb Stark, Rei do Norte, Lorde de Winterfell... mas agora ele não era mais assim. Ele nem mesmo se lembrava quem era. Apenas que precisava se vingar dos Frey e dos Lannister. E dos Bolton, é claro. Mas ele não se lembrava de seus irmãos, de seus lordes, de si mesmo. Não sabia nem o próprio nome. Beric implorara para que ajudasse o garoto, mas Thoros não quis. Ele parecia estar morto há muito tempo, dias... Sem falar que estava muito ferido. Seria perigoso... mas Beric disse que aquele garoto tinha que viver. O pai dele fora traído e assassinado, e o mesmo acontecera com Robb Stark, de Winterfell... então Beric entregou a própria bênção do Senhor da Luz para o menino, morrendo permanentemente em seguida... e Robb voltou a abrir os olhos, sedento de vingança. Calado, sombrio, furioso... – Preciso me vingar dos Frey, dos Bolton, dos Lannisters... – disse ele pausadamente e Thoros suspirou – O Norte se lembra.

—O Norte, talvez... você não. – disse soltando um suspiro.

—Então me faça lembrar. O que foi que eu esqueci? – rosnou o rapaz e Thoros suspirou – Quem sou eu, me conte, Thoros.

Mas ele não queria fazer isso... e se aquele garoto com um coração tão vingativo soubesse que era um rei? Que ainda tinha um exército apenas esperando que ele retornasse... claro, a rainha dele poderia ajudar a Irmandade com todo o dinheiro que dispusesse. Ela era filha de Lorde Haegon e todos sabiam o quanto os Blackfyre eram ricos... Mas o valor do ouro seria grande o suficiente para pagar o sofrimento de todas as almas que já estavam agonizando graças à guerra?

—Você é apenas um garoto qualquer.

—Eu não sou um garoto qualquer. Eu sei que não sou! – rosnou ele batendo na mesa – Eu era alguém... alguém que tinha aliados. Alguém que tinha uma causa.

—E o que mais você se lembra? – perguntou Thoros, calmamente. O jovem ficou com os olhos agitados, com o punho cerrado e um semblante concentrado... tentando lembrar de coisas que já não estavam em sua mente. Beric passara pelo mesmo. Cada vez que o Senhor da Luz o permitia voltar, menos dele voltava. Menos de suas lembranças, de seu passado. O Jovem Lobo ficara tempo demais morto... por isso muita coisa tinha se perdido... o que era uma pena. Dizia-se que ele tinha amado sua rainha e que ela o amava de volta. Era a história mais contada em todas as tavernas... o amor entre o Rei e a Rainha no Norte. A balada “Senhora de Olhos Violetas e o Jovem Lobo” não parava de tocar nas tavernas. Aquela ali, se tivesse um bardo, certamente estaria tocando também. Mas, infelizmente, o Rei do Norte jamais se lembraria do amor de sua bela esposa – Lembra dos seus pais, irmãos? Era casado? Quem era seu lorde suserano? De que lado da guerra você lutava.

—Eu era um soldado. – murmurou ele de cenho franzido – Eu lutei contra os Lannisters em Riverrun. – murmurou ele e Thoros suspirou – Eu lembro do sangue e de comemorar vitórias. – disse ele parecendo fazer um enorme esforço – Lembro que... – ele respirou fundo, massageando a cabeça – Tinha... tinha uma mulher...

—Tinha?

—Mas ela morreu... ela se afogou no rio. – disse ele parecendo infeliz e Thoros o observou. Tinha escutado rumores de que Shiera Blackfyre tinha se matado, tentando fugir de Winterfell, mas pensava ser apenas isso... rumores – Eu achei o corpo gelado dela... – murmurou ele com dor na voz – E então eu voltei pra guerra... eu... eu acho que sou um Nortenho.

—Hum... o que mais se lembra dessa mulher? Lembra o nome dela? Como a conheceu? – perguntou ele cauteloso. Talvez se conseguisse desviar o objetivo do rapaz de sua vingança, para um sentimento mais bonito, como amor... talvez isso abrandasse o coração dele...

—O nome dela? – perguntou ele de sobrancelha franzida – Ela era... uma bastarda das terras fluviais. – disse ele, hesitante. Thoros notou que ele não se lembrava de Shiera Blackfyre – Ela dançou com... eu a vi dançando no torneio de Harrenhal. Ela era... muito bonita. – murmurou ele e um sorriso sereno surgiu em seu rosto marcado pela morte – E gentil... ela foi para Winterfell... eu sou de Winterfell... – disse o garoto – Eu devo tê-la levado para lá... nós nos casamos... mas ela morreu. – ele suspirou – Mas eu não lembro o seu nome... – lamentou ele e Thoros suspirou, sabendo que ele estava confuso demais para se lembrar de tudo – O que você sabe sobre mim, Thoros?

—Nada. Eu não sei quem você é. – respondeu sinceramente. O que ele era? Um rei? Um rebelde? Um Lorde? Um cadáver? Beric Dondarion abrira mão de tudo par ficar com a Irmandade sem Bandeiras – Eu apenas sei que você agora é o nosso líder. Você é ferramenta do Senhor da Luz... – ou pelo menos era o que os outros pensavam. Lorde Beric ao menos foi. Sempre preocupado em defender o povo simples dos soldados cruéis. A guerra deixara os homens enlouquecidos – Você entende? É sua responsabilidade cuidar de todos aqui.

—Eu não tenho paciência pra isso. Eu preciso me vingar. – disse o garoto – Eles me enganaram, me traíram. Eles mataram a minha família. – disse Robb, transtornado – O Norte não pode esquecer, eu não vou esquecer. Eu vou matar a todos! – rosnou ele socando a mesa novamente e Thoros suspirou.

—Você já ouviu falar em Shiera Blackfyre? – perguntou calmamente e o rapaz nortenho o olhou em choque.

—Já... ela foi proclamada a rainha da beleza em Harrenhal... ela veio para Winterfell junto com o rei.

—Você lembra dela? – perguntou Thoros e o ruivo bufou.

—E faz diferença?

—Claro que sim. Ela é sua rainha, não é? Você não é um nortenho? – perguntou calmamente e o rapaz piscou compreendendo.

—Sim... eu preciso encontrá-la... explicar o que aconteceu... que fomos traídos.

—Mas, meu jovem, você mesmo não sabe o que aconteceu. – riu Thoros dando um gole em sua caneca.

—Mas você sabe! – disse ele parecendo agitado – Você pode explicar que os Frey nos traíram. Eles mataram o rei. Eles prenderam os lordes do norte, para usá-los como reféns. – explicou o rapaz e Thoros suspirou. Realmente mataram o rei. Esse garoto não é o Rei no Norte...— Você pode explicar, não pode, Thoros?

—Não. Eu não posso. – murmurou ele – Nós não podemos ir para o Norte. Nossa missão é aqui, nas Terras Fluviais, com o povo.

—Então fique com sua Irmandade. Eu vou voltar para casa sozinho! – disse o rapaz se levantando.

—Você não pode voltar, garoto. – disse Thoros e o jovem o olhou, zangado – Matarão você assim que te virem. Você nunca chegaria até lá sozinho.

—Então me ajude! – insistiu ele e Thoros sorriu.

—Nós temos uma missão.

—Você disse que eu sou o líder da Irmandade de Sem Bandeiras! – rosnou ele e Thoros suspirou antes de concordar – Então eu digo que nós vamos para o Norte!

—Nós iremos quando você souber quem você é. – respondeu Thoros, com firmeza e Robb Stark rosnou de um jeito que apenas um lobo faria – Acalme-se. – disse calmamente e o rapaz respirou fundo. Os outros clientes observavam curiosos, mas Robb não deu mais problemas. Ele apenas se sentou, parecendo confuso com tudo – Você vai se lembrar um dia. Enquanto não se lembra, ficará aqui, comigo... me ajudando a ajudar as pessoas daqui. Está bem? – perguntou ele. Robb concordou com um triste aceno de cabeça – Caso você se lembre quem é, poderemos ir para o Norte.

—Por que isso é tão importante, Thoros? – perguntou ele apoiando a testa nas mãos.

—Você vai entender um dia... – murmurou ele e o rapaz bufou, contrariado – Mas se quer umas dicas... sim, você é um nortenho. Dá pra notar pelo seu modo de falar. E você era alguém importante para o Norte, levando em consideração o lugar onde você estava enforcado. Haviam lordes enforcados com você. Dacey Mormont e Wendel Manderly eram herdeiros de suas respectivas casas... e aquele enorme que estava lá também só pode ser um Umber.

—Você sabe quem eu sou, Thoros?

—Não... mas eu sei quem você foi... e você precisa se lembrar... mas antes, você precisa me ajudar a proteger as pessoas, garoto.

Notas finais
O ROBB ESTÁ VIVO?!?!?!?! SIIIIIM Prévias?? "-Aquilo é um dragão?! – perguntou ele, em choque. —Não chamam Daenerys de Mãe dos Dragões por nada. – riu Aegon. Lymar suspirou e concordou – Em quanto tempo chegamos em Myr se partirmos hoje? – perguntou. Lymar o olhou curioso." "-Pycelle pode narrar toda sua aborrecedora lista de venenos. Vocês podem escutar os relatos da minha irmã. – riu Valerion – Que se casou obrigada com um nortenho. E depois precisou se esforçar ao máximo para proteger o filho que esse casamento forçado criou. Porque é isso que os pais fazem, protegem seus filhos. – disse sem encarar o próprio pai – Mesmo que isso signifique morrer por eles... – Valerion suspirou – Joffrey era uma pessoa terrível e um rei pior ainda... —CALE-SE! – gritou Cersei ficando de pé. —Mas não foi Tyrion quem o matou. – continuou Valerion com um sorriso sereno no rosto, enquanto a corte falava sem parar. Olenna Tyrell segurou o pulso de Margaery, que o olhou em pânico" HSUahsuahsuahsauha Até Quarta! Bom fim de semana