Blackfyre

69 Bowed, Bent, Broken


Notas iniciais
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH Eu não ia postar hoje. O próximo capítulo ia sair lá pro dia 10. Maaaaaas.... Em agradecimento à leitora Giovanna, que fez um TRAILER MARAVILHOSOOOO pra fic, aqui teremos mais um capítulo, cheio de intrigas! Blackfyre sem intriga é tipo GoT sem gente morrendo. Não tem como Mas bem... Obrigada mais uma vez pelo trailer, Giovanna! Eu amei! Beijão!!! #PartiuLer

Cersei jogou a cesta de bolinhos em cima da mesa com mais violência do que pretendia. O ódio que sentia era tamanho que falar se tornara simplesmente difícil. Mas gritar era fácil, então ela pegou um castiçal e o jogou pela janela, gritando a plenos pulmões. Meistre Pycelle a olhou assustado e encolheu no mesmo lugar, próximo à porta.

—Malditos! – Rosnou Cersei, furiosa, mirando a cesta de bolinhos, que virara, derramando seu culpado conteúdo sobre a mesa do arquimeistre.

—Senhora... posso saber o que...

—Diga-me, velho. Esse seu colar cheio de elos... algum aí indica que tem conhecimento sobre venenos? – Questionou ela. Pycelle a olhou ligeiramente ofendido, mas logo voltou a encolher sob seu olhar furioso. Ele, com as nodosas mãos idosas, passeou pelos elos até segurar um de cor acinzentada, bastante fosca.

—Um elo de peltre. Peltre para venenos, sim. Fiz um vasto estudo sobre o tema na Cidadela e por isso tinha uma satisfatória coleção de venenos, que seu irmão injustamente...

—Algum desses venenos que estudaste na Cidadela pode... Causar algum tipo de efeito... Que tire as faculdades mentais de alguém? – Perguntou Cersei. O Meistre a olhou parecendo cansado, como se pensar em tais ardis o aborrecesse. Mas estava mais do que convencida que Myrcella não tinha enlouquecido do nada. O Meistre coçou a parca barba que voltava a crescer lentamente em seu queixo fraco. Desde que Tyrion cortara a barba do velho, ela não voltara a crescer muito bem.

—Bem... – O velho andou até uma estante e balbuciou alguns sons desconexos. As mãos dele procuraram alguma coisa e depois de alguns instantes ele finalmente pegou um livro de capa de couro vermelho desgastado. Pycelle colocou o livro sobre a mesa e folheou as suas páginas – Sim... Ou talvez não..., mas esse aqui... Hum... – Cersei achou que iria acertá-lo com uma cadeira. Mais de um minuto se passou até que Pycelle falasse algo que fizesse sentido – Bem... Temos o sangue de basilisco. – Murmurou Meistre Pycelle – Algumas gotas e pode levar homens ou animais à loucura. Temos o suco de Naath, que também pode enlouquecer quem o usar... Surtos de humor, febres, tremedeiras, violência. Seus efeitos são muito fáceis de identificar... No entanto é um veneno muito raro. Também temos a Sombra da Tarde, que faz quem o bebe alucinar. Muito usado pelos Imortais, em Qarth. – O Meistre suspirou e a olhou como se perguntasse se ela estava satisfeita.

Cersei bufou e marchou até os bolos dorneses. Pegou um por um, os farejando, até encontrar os dois que buscava.

—Algum desses causa vício? – Perguntou ela.

—Todos os três. – Respondeu Pycelle – E o suco de Naath vai aos poucos prejudicando tanto a mente quanto o corpo. – Respondeu o velho e Cersei andou até ele com os bolinhos em mãos.

—Qual desses venenos está aqui dentro? – Perguntou Cersei. Pycelle pegou um dos bolinhos, o de limão. Ele o cheirou e o partiu ao meio, estudando a provável causa da insanidade de Myrcella.

—É impossível dizer. Se a rainha foi envenenada a ponto de não sentir o gosto dos venenos, provavelmente as quantidades são mínimas. Ela deve ter sido envenenada dia após dia, o que eu acho muito improvável. – Pycelle a olhou parecendo convencido de que suas desconfianças eram infundadas – A Casa Lannister tem a Casa Martell como aliada, assim como a Blackfyre. Os dorneses não têm nada a ganhar matando ou enlouquecendo Myrcella.

—Claro que têm. – Rosnou Cersei pegando o bolo de volta – Eles têm Valerion Blackfyre no Trono de Ferro e Arianne Martell absolutamente disponível para ele. – Disse apertando a metade do bolinho, completamente enfurecida.

**

Oberyn estava com sua filha e com a sobrinha num quarto. Elaria estava bordando um vestido com algumas pedras preciosas, distraidamente. O castelo estava em absoluta euforia, pois a rainha em breve ganharia seu primeiro herdeiro. Nymeria e Arianne jogavam cyvasse, completamente entretidas pela partida. Nymeria parecia perder absolutamente feio para Arianne, que estava muito calada, concentrada em vencer.

Sorriu para as duas mulheres e se levantou para servir um pouco mais de vinho para si mesmo. Um Tinto da Árvore absolutamente doce e gostoso. Por mais apaixonado que fosse pelas terras ardentes de Dorne, precisava concordar que o vinho da Árvore não tinha adversário à altura.

—Ganhei outra vez. – Disse Arianne e Nymeria soltou um muxoxo contrariado.

—Cansei de brincar disso. Acho que vou passear pelos jardins e aproveitar que hoje está fazendo um dia agradavelmente frio. – Resmungou sua filha e Arianne se levantou, pegando uma grande echarpe e a jogando ao redor dos próprios ombros.

—Te acompanharei, querida prima. – Disse ela e Nymeria deu de ombros pegando uma echarpe para fazer o mesmo.

—Fiquem espertas. Todo cuidado é pouco aqui nessa capital. Ainda mais agora que o rei está fora. – Murmurou Oberyn. As duas concordaram e saíram do quarto. Oberyn sorveu um gole de seu vinho e andou até a janela, para observar a feia cidade de Porto Real. Um aglomerado de casas que foram surgindo de maneira suja e desgovernada, até onde os olhos poderiam ver. Mais um gole em seu vinho e sentiu as mãos de Elaria Sand em seus ombros – Minha querida? – Perguntou ele recebendo um doce sorriso cheio de segundas intenções.

—Finalmente a sós... – sussurrou ela e Oberyn sorriu pronto para um beijo e para muito mais. Mas a porta se abriu no lugar disso. Os dois miraram a porta e viram Cersei entrar, junto de alguns membros da Guarda Real. Boros Blount, Osmund Kettleblack e Meryn Trant.

Cersei sempre costumava andar com dois ou três membros da Guarda Real, isso não o impressionava. Mas havia algo de diferente naquela situação. Tinha sua adaga no cinto, outra na bota. Sua lança estava próxima à parede e ele ainda tinha uma espada no cinto, apesar de não ser tão hábil com ela. Sorriu inocentemente, como se desse as boas vindas à Cersei. Não sabia o que ela queria, mas sentia que nada de bom viria dali.

—Meninos? Meninas? Um de cada? – Perguntou se referindo aos herdeiros de Valerion. Cersei sorriu, mas havia fúria em seu sorriso.

—Ainda não nasceram. – Respondeu ela dando alguns passos à frente. Oberyn notou que ela trazia uma cesta. Ela a repousou em cima do tabuleiro de Cyvasse, jogando algumas peças no chão. Oberyn a olhou com mais cautela e Elaria deu uma olhada assustada nos cavaleiros da Guarda que estavam ali na porta, com mãos nos punhos das espadas – Me diga, Príncipe Oberyn... Soube que é versado em venenos. – Disse ela e ele pode sentir o perigo que cada palavra dela significava. Concordou com um aceno de cabeça, tentado a olhar para a lança do outro lado do quarto. Mas fazer isso seria se denunciar – Soube que estudou a respeito na Cidadela.

—Fiquei alguns anos lá. Conquistei alguns elos, sim. – Concordou dando um longo gole em seu vinho – Por que?

Cersei sorriu e a fúria que ela continha pareceu mais evidente.

—Porque quero que me ajude a descobrir o que tinha nesse bolinho. – Disse ela pegando um dos vários doces que a cesta continha.

—Leite, trigo, açúcar, uma pitada de sal... – Brincou descontraído, por mais que seu coração estivesse acelerado – Não sou um confeiteiro.

—Não. – Disse Cersei girando o bolinho em seus dedos – Mas depois de arrancar alguns dedos das cozinheiras que vieram de Dorne com vocês... – E Oberyn acabou olhando para sua lança. Quatro passos longos até ela. Mirou Cersei novamente, que aparentemente seguira seu olhar. Dez passos longos até os guardas— E ela me falou que esses bolinhos sempre eram feitos por sua doce Nymeria, tragos prontos para assar até a cozinha.

Oberyn matou o vinho e entregou a taça vazia para Elaria, que tinha as mãos trêmulas.

—Bem, então terá que perguntar para Nymeria, o que ela colocava nos bolinhos. – Andou até Cersei, que não se moveu um passo que fosse. Tirou com delicadeza o doce da mão dela e então deu uma boa mordida, a olhando com divertimento – Laranja. Delicioso. – Riu ele dando outra mordida e Cersei sorriu ainda parecendo zangada. Oberyn voltou para perto de Elaria, tomando o cuidado de ficar mais próximo de sua lança – Se quer me acusar de algo, Cersei. Faça de uma vez. – Disse Oberyn dando outra grande mordida no bolinho e o jogando de volta para ela. Cersei respirou fundo e ele jurava poder ver uma veia pulsando na têmpora dela.

—Vocês acham que vai ficar barato? – Perguntou ela devolvendo o bolinho para a cesta – Os Lannister pagam suas dívidas. Não se esqueça disso. – Rosnou ela e Oberyn a olhou com desafio.

—Dorne também. – Garantiu ele. Cersei deu um tapa na cesta, jogando-a no chão, para então seguir em direção à porta. Oberyn prendeu a respiração, esperando que ela desse ordens aos três guardas, mas ela passou reto e os três simplesmente a seguiram. Foi quando entendeu o motivo. Dez guardas Blackfyre a esperavam do lado de fora. Os homens que Valerion deixaram vigiando-a certamente iriam impedir um ataque por parte dela. A porta se fechou e ele mirou Elaria, sentindo um frio no estômago – Nenhum de nós deve andar só por aí. E Arianne deve regressar a Dorne imediatamente. – Sussurrou ele para sua amante. Elaria concordou com um aceno de cabeça – Porto Real não tem um bom histórico com princesas dornesas...

**

Aqueles malditos guardas Blackfyre a seguiam em todos os lugares que ia. O único lugar em que a deixaram só fora no quarto de Myrcella. Homens pareciam sentir horror a nascimentos, era impressionante. Então teria que aproveitar daquele momento. Não teria outro. Voltou para o quarto de Myrcella, escutando os gritos de dor dela. Até aquilo poderia ser de ajuda. Usarei tua dor para te proteger, meu amor.

Entrou no quarto e tanto os soldados Blackfyre quanto os homens da Guarda Real escolheram deixá-la entrar sozinha. Jaime segurava a mão de Myrcella, parecendo muito assustado e quando a viu, Cersei notou alívio nos olhos dele. O irmão se levantou, provavelmente pronto para sair, mas Cersei o olhou significantemente e fechou a porta.

Recebeu um olhar questionador de Jaime e mirou Myrcella.

—Como nossa filha está? – Perguntou num tom cauteloso e baixo. Jaime suspirou, parecendo assustado.

—Nada bem. Está gritando com pessoas que não estão aqui, novamente. – Murmurou ele. Cersei sentiu mais uma vez aquela ira violenta a dominar por completo.

—Eu sei o motivo da loucura dela. – Sussurrou para o irmão, em meio aos gritos da filha. Jaime a olhou curioso e ela notou um pouco de culpa nos olhos dele. Imaginou que ele pensava que talvez tudo fosse culpa do incesto que a gerara, mas aquilo não era verdade – Os dorneses estão envenenando nossa filha há séculos. Talvez eles tenham envenenado Joffrey e quem sabe até mesmo Tommen. – Calculou Cersei – Ninguém soube explicar o fedor que Tommen estava exalando, mas talvez fosse simplesmente porque ele estava apodrecendo por dentro, envenenado. – Sugeriu ela e Jaime a olhou como se estivesse com pena. Era mais do que óbvio que ele não acreditava. Que imaginava que ela simplesmente estava buscando alguém para culpar – Eu falei com Pycelle, Jaime. É completamente possível. – Myrcella gritou de dor novamente. O tempo dela estava chegando. – Chame Pycelle para fazer o parto e depois... – Ela o olhou – É hora de tomarmos conta da situação. Estou cansada de ser prisioneira no meu próprio castelo. – Ela deu um passo em direção a ele – Você é o herdeiro de Casterly Rock.

—Eu sou um membro da Guarda Real... – Começou ele.

—Barristan Selmy também era. – Disse convicta – Está na hora de você se tornar o que nosso pai queria que você fosse. O que você nasceu pra ser, Jaime. E nossa filha precisa disso. – Cersei segurou as mãos do irmão, o olhando nos olhos – Eu preciso que você mate nosso tio. Eu preciso que você derrube nosso irmão. Não só eu, mas Myrcella também. Eu contestei o Príncipe Oberyn. Ele tem culpa e ele sabe que eu sei. Precisamos pegá-los antes que eles escorreguem pelos nossos dedos, como as serpentes que eles são.

—Cersei. – Suspirou Jaime, a olhando – Eu vou ver o que posso fazer. Mas adianto que não será tudo como você deseja. Vou falar com Pycelle e com Varys. E pelo amor dos deuses, não deixe esse quarto. – Pediu ele. Cersei concordou e Jaime deu um último olhar em Myrcella, antes de se retirar.

Cersei sorriu satisfeita e foi se sentar ao lado da filha. Myrcella a olhou com lágrimas de dor nos olhos e lhe deu a mão.

—Não se preocupe, meu amor. Não vou deixar que te tirem de mim.

**

Jaime bufou, sentado com Tyrion e Varys. Tyrion engoliu em seco e mirou o irmão.

—Você tem absoluta certeza disso? – Perguntou Tyrion e Jaime concordou com uma aceno de cabeça. Sor Meryn confirmara boa parte da versão de Cersei, assim como Pycelle. Dorne realmente tivera um dedo na loucura de Myrcella – E eu pensando que a Serpente Vermelha de Dorne tinha concordado em deixar as diferenças para trás. Estamos à beira de uma crise política. E Valerion não está aqui para resolver.

—Ele deixou tudo em suas mãos capazes. – Sorriu Varys e Tyrion suspirou.

—É..., mas me pergunto se as tropas Blackfyre vão acatar minhas ordens com tanto entusiasmos quanto aceitariam as dele. Os dorneses se mostraram aliados dos Blackfyre em todas as oportunidades. O apoiaram contra o Montanha, na fuga para Harrenhal, na luta por Riverrun, por Dragonstone... Nas reuniões do Conselho...

—Eu não entendo o motivo que levou os dorneses a traírem Valerion, mas certamente eles o fizeram. – Resmungou Jaime e Tyrion suspirou.

—Talvez não necessariamente. Valerion é o regente do Trono de Ferro. E tem feito um bom trabalho. Ele ganhou muitos apoiadores e é querido pelo povo comum. Muitos Lordes respeitam e temem o poder de Harrenhal, principalmente depois do retorno de Aegon. Com ou sem Myrcella, o Trono está bastante seguro nas mãos dele. Sem Myrcella, Valerion poderia ser coroado rei dos Sete Reinos e Dorne ofereceria sua princesa a ele. Arrancariam o poder que nossa família conseguiu e o tomariam para si. Eles nunca esqueceram o que nossa família fez.

Jaime respirou fundo, lembrando do manto carmesim, Lannister, com os restos mortais das crianças de Rhaegar e Elia. Aegon, o bebê de peito, estava irreconhecível, com a cabeça estourada. A menina, a princesa Rhaenys, ainda tinha os olhos abertos e esbugalhados, cheios de medo. Podia ter enfiado uma espada nas costas de Aerys, mas aquele horrendo espetáculo no chão, oferenda de seu pai a Robert, tinha sido grotesco até para ele.

—Mas matar Myrcella seria uma jogada realmente arriscada, até mesmo com Valerion tão bem apoiado no Trono. – Murmurou Varys, com aquele seu tom falso, de que estava pensando naquilo pela primeira vez – Quais venenos Pycelle desconfia que foram usados? E que efeitos eles poderiam causar em uma mulher grávida? Com um herdeiro de Myrcella ainda vivo, o Trono de Valerion estaria mais assegurado ainda... – O eunuco fez uma pausa, como se estivesse levando em consideração alguma outra informação – Bem... o tanto quanto poderia estar assegurado, levando em conta as notícias que vieram do Oriente. – Varys suspirou, de um jeito afetado e tanto Jaime quanto Tyrion lhe lançaram olhares de expectativa – Meus passarinhos descobriram que Daenerys Targaryen está em Westeros. Ela tomou o castelo de Dragonstone e... aparentemente três dragões estavam com ela, o que pode significar que seu aliado Aegon, tenha voltado para junto dela.

—Isso quer dizer que a paz entre Aegon e Valerion não vai durar. – Ponderou Jaime – Se Aegon for mesmo leal a essa menina. – Ele suspirou – Mas sem exércitos, nem mesmo três dragões poderão ir contra a Campina, as Terras Fluviais e as Terras Ocidentais.

Tyrion fechou a cara, parecendo pensar e Varys suspirou como se odiasse ter mais más notícias para reportar.

—Bem, digamos que algumas fontes me dizem que Robb Stark partiu para Dragonstone. E ele estava com nosso rei.

—Valerion está lá em Dragonstone, junto com os irmãos, Robb Stark e Daenerys Targaryen? – Perguntou Tyrion, parecendo surpreso. Ele deu um longo gole em sua taça e suspirou – Isso pode ser ou muito bom ou muito ruim.

—Me diga como esse traidor de merda pode significar algo bom, irmão. – Rosnou Jaime. Tyrion colocou a taça sobre a mesa e a encheu de vinho.

—Bem. Se ele tiver se adiantado para criar algum tipo de aliança ou trégua... Se ele se encontrou antes com os irmãos, ele pode ter ido pedir que Daenerys dê meia volta. O reino inteiro estaria unido contra ela. Agora... – Tyrion suspirou – Se ele estiver participando de um plano, junto de Dorne, para se livrar de Myrcella para se casar com Daenerys e assegurar seu lugar no Trono de Ferro...

—Como ele poderia ter feito tal plano? – Perguntou Jaime.

—Aegon esteve aqui pouco antes de Valerion partir. Ele levou um filho querido da família Tyrell com ele. Seus soldados são maioria na cidade. – Ponderou Varys – Juntos com os Dorneses, poderiam nos sobrepujar facilmente. – Adicionou ele e Jaime se levantou inquieto.

—Então está na hora de acabar com isso.

—Acalme-se. Nós não sabemos o que está acontecendo. – Resmungou Tyrion – É uma boa hora para descobrir. Em breve Myrcella nos dará uma excelente vantagem sobre Valerion. – O anão soltou um suspiro, com os olhos se movendo rapidamente enquanto calculava alguma coisa – Mas Cersei está certa sobre uma coisa. Oberyn Martell terá que responder a algumas perguntas, assim como a filha dele. Varys, me arrume tinta e pergaminho. – Pediu ele e Jaime olhou para o irmão – Vou emitir uma ordem de prisão para o príncipe, a princesa e a bastarda Nymeria Sand.

—Mas e se as forças Blackfyre se unirem contra nós? – Perguntou Varys. Tyrion respirou fundo.

—As forças Tyrell e Lannister não serão pegas de surpresa, o que para nós poderá ser uma vantagem. Atacar agora é melhor do que esperar a serpente terminar de nos agarrar para o abraço sufocante.

**

Os gritos da batalha logo se uniram aos gritos de Myrcella. Pycelle tentava dar instruções para a menina, mas o som do aço parecia estar deixando-o desconcentrado.

—O que está acontecendo, mamãe? – Perguntou Myrcella, muito fraca, entre uma contração e outra.

Cersei foi até a janela, para olhar a vista lá embaixo.

—Empurre na próxima contração, Vossa Graça. Já posso ver a coroa do seu bebê. – Disse Pycelle.

—Eles vão levar o meu bebê. Eles vieram me matar. – Chorou Myrcella enquanto Cersei observava tropas Dornesas serem rendidas por tropas Lannister, Tyrell e Blackfyre. Não tinha sido o golpe que desejara, mas serviria. Aquilo tinha dedo de Tyrion. As tropas Blackfyre respondiam a ele. A luta parecia se aproximar de sua porta. Cinco membros da Guarda Real estavam ali, pelo menos. Loras fora com Valerion e Jaime provavelmente liderava as forças Lannister. Além dos membros da Guarda Real, pelo menos dez soldados Blackfyre estavam ali também. Myrcella gritou de dor e fez força. Cersei respirou fundo olhando a porta. O som do aço contra aço tomava o quarto. A luta estava do lado de fora.

—Empurre, Vossa Graça. – Pediu Pycelle. Mais um grito de Myrcella e então o silêncio. Um longo segundo de silêncio que pareceu se prolongar por eras. Alguém foi jogado contra a porta e o momento de silêncio foi quebrado por um choro sofrido – É um menino. – Disse ele e Cersei olhou para o pequeno bebê. Myrcella estava deitada, parecendo exausta, com os cabelos dourados desarrumados, grudados pelo suor em seu rosto vermelho. O bebê chorou brevemente e Pycelle cortou o cordão que o prendia a Myrcella. Uma serva o pegou para limpá-lo e Pycelle voltou sua atenção para a jovem rainha novamente – Falta mais um, Vossa Graça. – Disse o velho enquanto Cersei mirava a porta. Estavam todos nervosos ali dentro.

—Mamãe... – Chorou Myrcella e Cersei andou até ela para segurar sua mão.

—Não se preocupe, meu amor. – Disse apertando a mão de Myrcella.

—Olhe... olhe se ele está bem... Se Haegon está bem... – Pediu a pequena rainha, sem fôlego. Cersei suspirou e largou a mão da filha, passando pela porta com desconfiança. Mas o som do aço indicava que homens ainda brigavam lá fora e que por algum motivo queriam entrar. Depois foi para o lado do pequeno bebê que nascera. Ele estava de olhos fechados, mas era muito cabeludo. Cabelos dourados como o sol. Cabelos Lannister. A serva o tinha limpado e agora o vestia. Cersei o tomou das mãos dela e o olhou. Menor do que Joffrey fora, mesmo que ele tivesse nascido uma lua antes do previsto. Mas seu neto era muito silencioso. Mais silencioso do que Tommen. Silencioso demais. A serva parecia aflita, mas Cersei não sabia se era pela confusão do outro lado da porta ou se era pelo silêncio agourento do herdeiro do trono. Acolheu o neto em seus braços e o levou para Myrcella. Sua filha estendeu os braços e o levou ao peito, mas o bebê não respondeu. Cersei conferiu a respiração do menino e viu que ele respirava – Vamos, Haegon... Por favor... – Chorou Myrcella e o bebê pareceu responder ao som da voz dela – Haegon... – Um adorável beicinho se formou no rosto do principezinho e ele abriu os olhos. Vibrantes olhos violetas, muito escuros. Ele olhou de Myrcella para Cersei, apesar de provavelmente ainda não conseguir enxergar quem quer que fosse.

—Beba um pouco de leite, pequeno. – Murmurou Cersei e o príncipe soltou um soluço, seguido de choro. Um homem gritou do lado de fora e a porta vibrou com violência. O bebê choramingou de novo e mexeu o rosto, finalmente procurando o bico do peito de Myrcella. Cersei notou que havia espaço em seu coração para amar mais uma criatura. Aquele bebê que mamava sem muito vigor, como se estivesse com preguiça. Sabia que aquilo não era um bom sinal. Meu filho de cabelos negros fora do mesmo jeito. Mas Myrcella parecia realizada, olhando aquele pequeno bebê. Ele levantou uma das mãos, para agarrar um cacho dourado e logo caiu no sono, nos braços da mãe. Myrcella pareceu recuperar as forças e minutos depois Cersei tomou Haegon para que a filha voltasse a prestar atenção no parto. Cersei ficou zelando o pequeno bebê, tão lindo e perfeito, que era seu neto. A luta lá fora continuava, sem permitir alguma paz ali. Apenas Haegon Blackfyre parecia não estar preocupado com a luta que acontecia dentro das paredes do castelo. Se perguntou se ele viveria o suficiente para ver um nascer e um por do sol, mas realmente duvidava.

Myrcella gritou de dor e outro grito se uniu ao dela. Como um rugido. O segundo bebê veio gritando a plenos pulmões. Era maior que Haegon, com os cabelos platinados cobrindo toda sua cabeça. Pycelle cortou o cordão e o entregou à serva.

—É uma menina. – Declarou ele e Cersei fechou os olhos, preocupada. O mundo era difícil demais para mulheres.

—Será... Daena Blackfyre. – Declarou Myrcella, parecendo simplesmente exausta. Daena chorou sem parar até que terminassem de limpá-la e vesti-la, calando-se apenas ao encontrar o peito da mãe. A pequena mamou com força e vigor e Myrcella pediu para segurar seus dois bebês. Assim que Cersei entregou os dois, a porta se abriu de uma vez e todos olharam, assustados, mas era Jaime.

Cersei sorriu com alívio e Jaime sorriu de volta.

—O castelo é nosso. Nymeria Sand está presa, Oberyn Martell está preso. Elaria Sand está presa. Estava escondida na cidade, mas a encontramos. – Ele suspirou olhando para Myrcella, parecendo aliviado. A armadura alva dele estava toda suja de sangue, assim como seus cabelos, mãos e rosto.

—E Arianne Martell? – Perguntou Cersei, sabendo que muito dificilmente Jaime teria simplesmente esquecido de mencionar o nome dela. De fato, seu irmão respirou fundo antes de responder, deixando claro sua hesitação.

—Não vai ficar desaparecida por muito tempo. – Garantiu ele e Cersei bufou.

—Me prometeram o mesmo sobre Sansa Stark. – Sibilou ela e Jaime baixou a cabeça, repreendido, saindo e fechando a porta.

—Por que prenderam os Dorneses? – Perguntou Myrcella.

—Porque eles estiveram envenenando você. – Respondeu Cersei. – Talvez fosse melhor procurarmos uma ama de leite, Myrcella... Nem mesmo teu leite pode ser a mais segura das opções para os teus filhos.

Myrcella respirou fundo e olhou para as duas crianças. Haegon dormia com a respiração lenta. Daena tinha os olhos violetas abertos, atentos a tudo. Cersei sorriu para os dois bebês, sabendo que por mais que tivesse perdido dois filhos, os deuses lhe tinham dado dois netos. E aqueles bebês seriam seus pontos fracos tanto quanto Joffrey e Tommen foram. Os amaria de todo coração, por mais que o sangue daquele maldito Blackfyre estivesse neles.

Myrcella respirou fundo e beijou a cabeça de cada um de seus bebês. Meistre Pycelle terminava de limpá-la, parecendo preocupado. Logo a rainha dormiu e Cersei colocou seus netos nos cestos destinados a eles. Pycelle estava limpando as mãos quando a chamou num canto.

—Esse parto foi demais para ela, Vossa Graça. Se Myrcella pretende viver durante muitos anos ainda, ela não poderá engravidar novamente. – Explicou ele – Quase não consegui conter o sangramento. Ela perdeu sangue demais, está muito fraca. Ainda está sob risco. – Garantiu ele e Cersei engoliu em seco, sentindo o ódio pela casa Martell lhe sufocar a garganta – A Rainha precisa de descanso absoluto e eu aconselharia mantê-la longe dos problemas do Reino. Ela precisa ser poupada disso.

**

Os Dothraki quem anunciaram que um navio com um sol e uma lança nas velas se aproximava, seguido por um navio Lannister. Aegon e Valerion se prontificaram a ver o que poderia ser e em poucos minutos três navios Targaryen partia ao encontro dos outros dois. Não levou muito tempo para alcançá-los. Aegon, um marinheiro experiente, se preparou para pular no primeiro navio. Com uma corda, se pendurou e jogou o corpo, para ser levado pelo impulso até o outro barco.

Aegon pulou para o navio inimigo e, com Blackfyre já desembainhada, decapitou um soldado Lannister. O navio estava cercado, mas os soldados lutavam ainda assim. Lannister contra Martell. Não fazia a menor ideia do motivo. Quando Valerion gritou, exigindo que a luta cessasse, não foi mais preciso derramar sangue. Seu irmão caçula andou pelo navio, procurando por alguém de alta patente e logo puxou um soldado qualquer pela placa peitoral.

—O que raios estão a fazer? – Perguntou ele com firmeza e superioridade. Aegon o olhou orgulhoso e o soldado Lannister pareceu encolher.

—Recebemos ordens de capturar Arianne Martell por traição. – Respondeu ele e Valerion piscou, surpreso.

—O que? Traição? Quem deu essa ordem? – Perguntou ele e Aegon se virou. Se ela estava naquele navio, seria no lugar mais seguro possível. Ou talvez escondida em algum canto improvável.

—Tyrion Lannister, a Mão do Rei. – Respondeu o soldado enquanto Aegon descia as escadas.

—Arianne. Sou eu, Aegon. – Gritou procurando por ela e repetiu o grito por diversos minutos, até que ela saísse de dentro de um barril qualquer, cheio de beterrabas – Arianne. – Murmurou e ela sorriu, parecendo aliviada.

—Aegon... – Disse ela estendendo os braços. A ajudou a sair de dentro do barril e recebeu um abraço trêmulo da princesa dornesa – Por favor. Jure. Jure pela sua honra de cavaleiro que vai me proteger, não importa o que digam. – Chorou ela. Aegon engoliu em seco se lembrando de anos atrás, quando era apenas um moleque de quinze anos.

Quando seu pai anunciara que ele iria se casar com uma adorável donzela de Jardim de Cima. Nunca a tinha visto e muito menos desejava se casar. Se lembrava da maldição. Portanto, no meio da noite, selou um cavalo e partiu de Harrenhal. Cavalgou até Porto Real e de lá se uniu às embarcações, se apresentando como Auron Waters. Ninguém questionou seus cabelos platinados ou seus olhos violetas. Provavelmente o tomaram como algum bastardo dos Velaryon ou dos Celtigar, ambas casas de origem Valiriana. Partiu como um marinheiro e seu navio naufragou nos Degraus, capturado por piratas de Essos. Foi vendido em uma ilha para um senhor Lyseno, que provavelmente pretendia transformá-lo em prostituto, mas a justiça dornesa caiu sobre eles, antes que deixassem a ilha.

Foi levado para Dorne quando foi questionado o que queria fazer. Ele era um jovem forte e por ter alguma experiência com navios, foi aceito entre os marinheiros dorneses. Quando finalmente chegou em terra firme, conheceu Oberyn Martell. Ele o reconheceu de imediato, como filho de Haegon Blackfyre, e o levou para o Sunspear, sede da Casa Martell. Foi acolhido por eles e logo conheceu Arianne. Já naquela época não era mais um rapaz virgem. Tinha conhecido mulheres e até tido um bastardo, ao que diziam os rumores. Seu avô em Essos cuidava dele. Mas Arianne o fez se sentir um menino bobo.

Ficou meses em Sunspear, conheceu as Serpentes de Areia, conheceu o garoto Trystane, irmão caçula de Arianne. Exibiu seu talento com a espada para os Dorneses e conquistou a amizade de seus anfitriões. Mas mais do que isso, conquistou o coração da princesa e lhe roubou a virtude. Em seus últimos dias em Dorne, pediu humildemente a mão de Arianne em casamento desistindo de sua ambição de se tornar membro da Guarda Real, mas Doran se recusou. Disse que ele, mesmo sendo um Blackfyre, não era de nascimento alto o suficiente para a herdeira de Dorne. Arianne precisava se casar com um dornês, já que ela não poderia deixar Dorne. Então Aegon prometeu que renunciaria ao seu direito de herança de Harrenhal e ficaria com ela em Dorne. Mas mesmo assim seu desejo não foi concedido e Arianne lhe foi proibida.

Estava pronto para lutar pela mão dela, desafiando todo e qualquer príncipe que se colocasse em seu caminho, mas se lembrou das palavras do Fantasma de Coração Alto. Sua morte seria por conta de uma mulher que teria seu coração, uma mulher que lhe seria proibida. Não estava pronto para morrer. Então voltou para casa, jurando que jamais veria Arianne novamente. Vê-la era atormentador.

Mas a reencontrou em Porto Real e o tempo a tinha deixado ainda mais bela. Tinham a mesma idade, os dois. Ambos já deveriam estar casados a aquela altura, mas não acontecera. O passado o assombrara com tanta força que por um momento até Daenerys pareceu insignificante. E quando deixou Porto Real, parte de seu coração permaneceu lá, com sua princesa dornesa, a quem jurara seu amor uma vez, quando era apenas um rapaz bobo.

Daenerys o conquistara, era verdade. Arianne tivera o garoto, Daenerys conquistara o cavaleiro, mas o passado ainda era poderoso e Aegon não conseguiu evitar de envolver Arianne com os braços e jurar o que quer que ela pedisse.

—Eu juro. – Sussurrou. Arianne suspirou aliviada e no momento seguinte o olhou nos olhos – O que está acontecendo? Por que os Lannister estão atrás de você?

—Eles prenderam meu tio, minha prima e Elaria. Ela ficou para trás, para me dar uma chance de escapar. – Lamentou Arianne. Sabia que ela lutava para não chorar, pois ela odiava fazer isso, principalmente na frente dos outros.

—Por que fizeram isso? – Perguntou Aegon e escutou uma espada ser desembainhada. Se virou para receber um olhar furioso de Valerion. Nunca o tinha visto daquele jeito. Por alguns segundos pareceu ver seu pai em suas piores brigas.

—Porque eles tentaram matar Myrcella. – Rosnou Valerion – Solte-a, Aegon. Eu a condeno à morte.

Aegon se virou, sentindo Arianne encolher-se atrás de suas costas. Blackfyre deixou seu cinto com leveza. Valerion segurava Dragonblood. As duas espadas de aço Valiriano que a casa Blackfyre ainda possuía. Valerion possuía ódio no olhar, além de uma expressão cheia de determinação. Aegon engoliu em seco, mas não recuou.

—Arianne tem minha proteção. – Disse tentando manter a calma – Você veio num navio Targaryen, portanto ela deve ser entregue a Daenerys. – Disse tentando pensar e Valerion rosnou, furioso.

—Não tente dar uma de espertinho comigo, Aegon. – Ameaçou Valerion.

—E não tente dar uma de melhor espadachim comigo, Valerion. Eu sou melhor que você, nós dois sabemos disso.

—Clegane se achava melhor que eu também, irmão. – Rosnou Valerion – A família dela tentou machucar os meus filhos! – Gritou ele – Myrcella corre risco de vida. Sabe-se lá o que os venenos que eles usaram podem ter causado aos meus herdeiros! – Havia dor e acusação na voz dele e Aegon engoliu em seco. Sangue. Sangue era importante e ele entendia a motivação do irmão caçula.

—Ela tem o direito de se defender, de se explicar. – Insistiu.

—Não! Não tem! – Rosnou Valerion, para em seguida, avançar. Mas por mais que ele fosse bom espadachim, lutar em um navio era muito mais difícil que lutar em terra firme. E entre os dois, apenas Aegon tinha experiência nisso. Defendeu o golpe de Valerion e aproveitando o balançar do navio, jogou o corpo contra o do irmão caçula, o derrubando facilmente no chão. Mas Valerion rolou e se levantou habilmente, atacando de novo. Aegon se defendeu novamente e chutou a barriga do caçula. Ele lutava com raiva, o que provavelmente atrapalhava seu raciocínio.

—Por favor, parem! – Pediu Arianne – Sor Valerion, não sou culpada pelos crimes da minha família. Eu não fazia ideia do que eles estavam fazendo! – Explicou ela enquanto Valerion e Aegon brandiam espadas – A única coisa que me pediram para fazer foi que ficasse amiga de Myrcella. Imaginei que fosse para criar vínculos com a coroa. Eu nunca quis machucá-la. Precisa acreditar em mim. – Lamentou Arianne – Eu jamais tramaria contra crianças, ainda mais depois do que os Lannister fizeram com a minha tia. Eu lembro a dor que foi causada ao meu pai e ao meu tio pelo que aconteceu com a princesa Elia. Por favor, acredite em mim.

Valerion respirou fundo, com as mãos segurando Dragonblood com firmeza. Ele arfava, sem ar, olhando de Arianne para Aegon. Depois ele se aprumou, guardando a espada.

—Eu não acredito em você. – Rosnou ele – Aegon não vai te proteger pra sempre. – Rosnou ele dando as costas para os dois, para então voltar a subir as escadas, deixando o depósito do navio. Aegon guardou a espada e mirou Arianne, com desconfiança.

—Eu também não acredito em você. – Disse oferecendo o braço para ela e Arianne suspirou – Deu certo o plano de matar Myrcella?

—Não sei. – Respondeu ela sem se preocupar em mentir – Precisei fugir antes. Seja o que tenha sido que Nymeria colocava na comida de Myrcella, Cersei de alguma maneira descobriu. – Ela engoliu em seco e o olhou com dor em seus olhos negros – Meu tio e minha prima provavelmente serão mortos.

—Eu duvido muito. – Murmurou Aegon – Oberyn pode pedir um julgamento por combate. Poucos homens seriam capazes de vencer a Serpente Vermelha de Dorne em combate singular.

Arianne abraçou seu braço, parecendo ainda assustada.

—Não sei... Estou angustiada. O que devo fazer? Daenerys vai me poupar? – Perguntou ela. Aegon suspirou e desviou o olhar.

—Se prometer o apoio de Dorne a ela.

—Eu não sou Dorne. Meu pai é. – Lamentou Arianne e Aegon sorriu tentando animá-la.

—Não deixe Daenerys saber disso. – Murmurou dando uma piscadela para a moça, fazendo-a corar. Ela o olhou da cabeça aos pés e fixou o olhar em partes de sua armadura que estavam sujas de sangue.

—Sor Aegon. Será que terei a oportunidade de encontrá-lo sem que tenha acabado de matar alguém, ou ao menos não esteja prestes a matar? – Brincou ela e Aegon revirou os olhos, lembrando daquela breve brincadeira entre os dois .

—Perderia metade do meu charme, não acha?

Os dois riram um para o outro e subiram as escadas. Daenerys provavelmente os esperava.

**

Cersei desceu os degraus até a as Celas Negras. Sor Osmund, da Guarda Real, vinha com ela, já que Jaime e os outros estavam vigiando a rainha. Além de Sor Osmund, os dez guardas Blackfyre a seguiam também, como era o costume. Pela primeira vez desde que Valerion colocara aquela escolta ela sentia-se satisfeita por tê-los ali.

Sor Osmund abriu a porta pra ela ao mesmo tempo que segurava uma tocha. Não havia janelas naquele piso das masmorras. Os prisioneiros ali ficavam mergulhados no escuro, para refletirem sobre suas traições até que o rei estivesse pronto para julgá-los. Mas rei nenhum iria julgar aqueles dorneses. Eles estariam nas mãos dela. Não perdoaria aquelas víboras por tentarem machucar sua doce garotinha.

Oberyn Martell levantou o olhar para ela. Ele não estava ferido, pois não resistira à prisão. Os homens dele não poderiam se gabar do mesmo. Muitos tentaram impedir as forças Lannister de prendê-lo, assim como tentaram chegar em Myrcella. Possivelmente na intenção de fazer uma troca. Elaria Sand tinha passado maus bocados e Nymeria lutara contra a prisão. Elaria estava em outra cela. Naquele buraco imundo apenas Oberyn e Nymeria aguardavam seu julgamento.

Cersei olhou de maneira superior e vitoriosa para eles. Oberyn não parecia assustado, no entanto.

—Então? Divertindo-se, Cersei Lannister? Já sabe do que nos acusar? – Perguntou ele. Engoliu em seco mirando-o com ódio – Quando Valerion voltar, ele vai te trocar de lugar comigo, sabe, não sabe? – Perguntou ele.

—Quando ele voltar, você não estará vivo para falar o que quer que seja para ele. Você é um homem morto e homens mortos não falam. – Disse ela com tranquilidade.

—Verá que não é tão fácil assim me matar, Cersei. Apenas o rei poderá me julgar, ou a rainha. Como está Myrcella?

—Está bem. Sã e salva. – Respondeu, satisfeita, mas Oberyn pareceu mais satisfeito ainda.

—O que me torna mais inocente ainda, não acha? – Ele se levantou, apesar de grilhões prenderem seus tornozelos – Não acha que se eu a quisesse matar, ela já não estaria morta? – Questionou ele. Mas ela não se deixaria enganar. Ele era o inimigo. Sabia que sim. Todos os que não eram família, eram inimigos. Alguns, mesmo família, eram inimigos – Eu vou ter meu julgamento por combate e lutarei para conquistar minha liberdade, para provar minha inocência. A minha e a da minha filha.

—Acho que você não entendeu. – Sussurrou Cersei, mais do que satisfeita – Você é um homem morto. Homens mortos não lutam. – Disse com um sorriso – Ninguém saberá que está aqui. Ficará nessa cela escura até o fim dos seus dias. Não virão alimentá-lo, não virão trazer água. Ninguém virá cuidar das feridas dela. – Apontou com a cabeça para Nymeria e Oberyn pareceu surpreso e chocado – Ela provavelmente morrerá primeiro. Assim poderá saber a aflição que eu senti quando notei que estavam envenenando a minha filha. Você verá sua bastarda morrer e então morrerá também. De fome, de remorso, de arrependimento, de sede, não me importa. O importante é que você vai morrer e só então a dívida estará paga. – Rosnou ela enquanto Oberyn olhava dela para Nymeria, que estava deitada no chão, machucada, ferida cortada.

—Não... – sussurrou ele. Viu o desespero tomar conta dos traços do homem, que a olhou nos olhos – Não! Cersei! – Se virou, saindo da cela – Não pode fazer isso! Eu sou um príncipe de Dorne! Cersei! Cersei! – Sor Osmund fechou a porta e ela sorriu, se afastando da cela – CERSEI!

—Os Lannister sempre pagam suas dívidas. – Disse satisfeita consigo mesma.

—CERSEI! – Gritou ele da cela, cada vez mais distante, cada vez mais próximo da morte – CERSEI! – Sorriu novamente, desejando voltar para junto de seus adoráveis netinhos. Cedo ou tarde lhe trariam Arianne e ela colocaria Dorne em seu devido lugar. Depois que Sansa fora embora, o castelo ficara vazio, sem ninguém para brincar. Margaery tinha quebrado graças à Fé. Já não era mais um problema. Cada dia estava mais próxima de seus objetivos.

Escutou o príncipe de Dorne berrar, furioso em sua cela e isso lhe deu vontade de beber algum vinho, para comemorar. Depois passaria um tempo com Myrcella e seus netos, para em seguida ir foder com Jaime. Sim, era um bom plano.

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Trailer

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Notas finais
Eiita! Que os irmãos agora estão com um pequeno problema Tanta gente pedindo a Arianne com o Aegon... Era o plano desde o início, apesar da Dany. Vamos ver como os três vão ficar. E esse Oberyn? Cersei mostrando que quem se mete com um Lannister, se fode ahushausa Muito bem! Vamos para as prévias!!! "Arianne veio andando, se aproximando. Ela ficou em sua frente, o olhando com intensidade. Com suas mãos finas o acariciou no rosto e Aegon se sentiu aquele mesmo menino de quinze anos, quando estivera em Dorne, prestes a ceder aos encantos dela. —Você ainda a ama, não ama? Daenerys? – Perguntou Arianne. Aegon soltou um suspiro e engoliu em seco." Huuuuum... * aquela carinha * Só uma prévia por hoje! Beijos gente! Espero que tenham gostado! Deem uma olhada no trailer! Beijos da Tia Vênus. Titia ama vocês ♥