Blackfyre

64 A Batalha da Aurora


Notas iniciais
Altas revelações nesse capítulo! Desculpem o atraso, Galera Sem mais delongas #PartiuLer

Jon desceu do cavalo quando finalmente chegaram em Pinkmaiden. Haviam muitos homens e mulheres carregando materiais de construção, enquanto os homens montavam acampamento ao redor do castelo. Não era um lugar muito grande e demonstrava sinais de ter passado por maus momentos. Muito estava quebrado e destruído, sendo reformado naquele momento. Lorde Clement Piper os recebeu com um sorriso cansado de quem passara muito tempo preocupado. Marq Piper, o filho mais velho dele e sobrevivente do Casamento Vermelho, correu até o pai e o abraçou num momento emocionante. Ele tinha sido resgatado das Gêmeas e antes disso ninguém tinha muita certeza de que ele estaria vivo ou não.

Shiera e Robb vieram logo depois, ambos com suas coroas de ferro e bronze na cabeça. Jon a olhou sentindo falta dela, mas ela não o olhou de volta, estando de mãos dadas a Robb. Baixou a cabeça, sabendo que era tudo uma farsa e tentou não prestar atenção naquilo. Procurou a princesa Shireen com os olhos e a viu numa carruagem, ao lado da mãe, olhando pela janela. Engoliu em seco e desviou o olhar. Jamais aceitaria casar-se com ela. Era apenas uma menina. E a única mulher com quem ficaria um dia seria Shiera. Se não fosse com ela, não seria com ninguém. Tinha sido honesto com Robb. Voltaria para a Muralha antes de se casar com quem quer que ele apontasse.

—Sejam bem-vindos. Por favor, acomodem-se. – pediu Lorde Clement indo até Robb, para olhá-lo no rosto – É verdade o que dizem? Que sobreviveste a cem flechas e a um enforcamento?

—Diria que dez flechas e um enforcamento. – Disse Robb levantando a cabeça e mostrando a cicatriz que a corda deixara em seu pescoço. As filhas de Lorde Clement soltaram sonoros “ooh”s ao verem, além de darem risadinhas, quando Robb dirigiu o olhar para elas.

—E você... Shiera... já faz muito tempo. A última vez que te vi foi no torneio de Harrenhal. – Riu lorde Clement e Jon baixou o olhar. Foi quando a vi pela primeira vez. Quando dancei com ela pela primeira vez e fitei seus olhos violetas, perdendo-me neles.— Pensei que não tinha como ficar mais bonita, mas claramente me enganei.

—Continuas gentil como sempre, Lorde Clement – Disse ela e o homem sorriu – Ficamos felizes que tenha estendido sua proteção a nós. Sabemos que a casa Clement é leal a Harrenhal e que meu irmão comanda o castelo, mas...

—Sei que Valerion não passa de um peão nas mãos de Cersei Lannister. O quanto antes tirarem o menino de lá, melhor. – Disse ele. Jon suspirou e Aegon se adiantou, para apertar a mão do homem – Pelos Deuses! Aegon? Por um momento pensei ter visto o fantasma de Haegon. – Murmurou o homem, parecendo assombrado. Aegon baixou o olhar – Sinto muito pela perda de vocês.

—Não tem problema. – Murmurou Aegon e ele finalmente apertou a mão do Lorde – Só ficaremos essa noite. Sabemos que teu castelo não está em condições de receber muita gente por muito tempo. Soubemos o que Sor Gregor Clegane fez.

—Ainda bem que Valerion o matou. – Riu Clement e Shiera pulou de susto. Ela ficava muito bonita com aquela calça. Podia ver perfeitamente o desenho do corpo dela. Lembrou-se daqueles dias na Muralha e um calor tomou suas bochechas. Tormund deu uma risadinha ao seu lado, lhe dando cotoveladas e Jon o empurrou, de leve, constrangido.

—Valerion matou o Montanha?!

—Num combate singular. Foi o que eu ouvi. – Disse Clement.

—Sim, Oberyn me contou o mesmo. Valerion parece ter treinado bem sua habilidade com a espada. – Murmurou Aegon – Mas vamos parar de perder tempo, sim? Temos muito o que fazer e eu ainda tenho um fantasma para questionar.

Jon concordou. Estavam próximos de Coração Alto. Queria falar com o Fantasma, sobre suas origens, já que Naerys se recusara a falar.

Passaram quase uma hora ajudando a organizar tudo. Ficou esperando que Aegon chamasse Shiera, mas ela falou que preferiria não ir.

—Por que? Achei que quisesse falar com ela. – Murmurou Aegon – Até a feiticeira vermelha vai. – Adicionou ele.

—Vamos, Vossa Graça. Não é sempre que temos a chance de ver um fantasma. – Riu Nym, parecendo um tanto quanto cética.

Shiera negou com a cabeça, mas Robb a beijou na mão, a puxando mais para perto. Desviou o olhar, enciumado, mas fingindo que não se importava. Tormund riu de novo e disfarçou com uma tosse forçada.

—Deveria ir, Shiera. – Disse Robb – Talvez esse Fantasma tenha algo a dizer sobre seus sonhos. – Argumentou ele e Shiera concordou com um aceno de cabeça. Os dois se olharam nos olhos e trocaram um beijo terno. Jon virou o rosto novamente, incomodado e sentiu uma troca de olhares entre Tormund e Aegon – Eu vou ficar. Quero rezar um pouco no Bosque Sagrado...

Em vinte minutos estavam deixando o castelo. Ele, Tormund, Aegon, Shiera, Howland Reed, Thoros, Melisandre, um garoto chamado Gendry, que viera com eles de Harrenhal, Hoster e Nym. Trotaram apressados pela trilha que levava ao local da Bruxa. Thoros quem os guiava por conhecer o caminho. Iam em duplas, dois cavalos por vez, formando uma fila. Aegon e Thoros, depois Shiera e Nym. Depois ele e Tormund, Hoster e Howland e por último o tal Gendry com Melisandre.

Estava acompanhando o movimento dos cachos negros de Shiera, com o olhar, quando Gendry emparelhou ao seu lado. O olhou curioso e o garoto lhe lançou um sorriso simpático. Ele tinha os braços fortes e uma armadura bem-feita, negra, com um touro em alto relevo. Ele tinha um martelo de guerra preso nas costas e usava um elmo de touro muito bonito. Jon o olhou esperando que ele falasse e o garoto parecia juntar coragem justamente para isso.

—Você é o bastardo de Winterfell. – Disse ele e Jon suspirou.

—Sou. – Respondeu, por mais que Reed dissesse que ele não era um bastardo.

—Você é filho bastardo de Eddard Stark. – Disse o rapaz, que não parecia ser mais velho que ele. Uns dois anos mais novo, no máximo, por mais que fosse mais alto e mais forte – Eu sou filho bastardo do rei Robert. Soube que nossos pais eram muito amigos.

Nossos pais se odiavam, ou ao menos o seu pai odiava o meu.

—Sim.

—Eu conheci seu pai. Ele foi muito legal comigo. – Disse Gendry e Jon concordou com um aceno de cabeça.

—Conheci o seu pai também. Ele costumava ser muito alegre.

—Eu não o conheci e nem ele me conheceu, eu acho. – Riu Gendry – Eu também conheci sua irmã, Arya. – Adicionou Gendry e ele respirou fundo – Ela é bem diferente das donzelas da idade dela... digo... ela não parece em nada com uma senhora.

Jon sorriu e concordou com um aceno de cabeça.

—Não mesmo.

—Nós nos tornamos amigos, ela e eu. – Adicionou Gendry – Ela... ela sumiu faz um bom tempo. – Ele bufou – Ela quis partir para tentar matar Valerion Blackfyre. Ela o colocou na lista dela.

—Lista?

—Na lista de pessoas que ela quer matar. – Explicou Gendry e Jon teve a impressão que não era o rumo que o garoto tinha imaginado guiar a conversa – Ela foi atrás dele, mas não acho que o Senhor Valerion fosse tentar matá-la. O senhor Naerys disse que ela passou em Harrenhal e ele a enviou para Bravos.

—Para Bravos?! – Perguntou Jon, franzindo a testa – O que raios ela iria fazer em Bravos?

—Treinar. Ela é muito boa com a espada. – Disse Gendry parecendo orgulhoso e Jon o olhou com uma pulga atrás da orelha – Eu prometi que iria continuar treinando com o meu martelo de guerra e ela garantiu que seria a melhor dançarina d’água do mundo. Eu não duvido. Ela é muito boa com aquela espada. – Disse Gendry e Tormund deu uma risadinha.

—Sua irmã Arya é tão bonita quanto a ruiva? Porque esse daí tá saidinho. – riu Tormund e Gendry quase caiu do cavalo.

—Não! Não! Que isso! Somos amigos! Nada mais que amigos! Digo. – Ele riu nervosamente e Jon arqueou as sobrancelhas, sorrindo – Ela é minha amiga... e bem... – Ele coçou a cabeça – Ela é muito mais nova que eu. – Ele pareceu completamente sem jeito e Jon se perguntou se Arya fazia a menor ideia de que aquele garoto poderia estar com algum tipo de interesse por ela – Eu só quis falar que... bem... que ela está bem. Ela sumiu, mas sabe se cuidar muito bem, sozinha. E ela está em Braavos... eu já disse isso, não disse? – Ele riu nervosamente e Jon olhou de canto de olho para Tormund. Gendry engoliu em seco, ficando corado e Jon sorriu.

—Obrigado, Gendry. – Disse ele e Gendry concordou com um aceno tímido de cabeça, reduzindo o passo e ficando na vanguarda.

Foi quase uma hora de viagem até chegarem no local. Tiveram que deixar os cavalos para trás e quase escalar uma colina íngreme. Se segurou para não oferecer ajuda à Shiera, já que ela tinha o irmão e Reed se oferecendo para ajudá-la. Mas a verdade era que ela não parecia precisar realmente de ajuda.

Quando finalmente chegaram no local, um vento gelado soprou sobre eles. Reed se sentou numa pedra e Thoros avançou alguns passos.

Foi quando uma sombra pequena surgiu lentamente, sem quase fazer barulho. Ela olhou para eles com tristes olhos vermelhos e se sentou no chão.

—Não vejo Anguy. – Lamentou o suposto Fantasma de Coração Alto, que parecia simplesmente uma senhorinha muito feia.

—Anguy não veio. – Murmurou Thoros.

—E quem vai cantar a minha música? Vocês aparecem pedindo conselhos e visões, mas não tem como pagar? – Perguntou ela, zangada.

—Que música você gostaria de ouvir? – Perguntou Shiera e a mulherzinha a olhou. Os olhos vermelhos se esbugalharam e encheram-se de água.

—Oh, pobre criança. – Lamentou a velha se aproximando de Shiera – Quanta dor eu vejo em seu rosto. Quantos ferimentos carrega sua alma. Quanto ela sangra. Me perturba apenas olhar pra você. Pobre criança cheia de dor.

—É... não foi uma boa ideia. – Resmungou Aegon abraçando a irmã.

—Conte-nos o que você viu, Velha Anã. – Pediu Thoros com gentileza.

—Eu vi morte. Normalmente é tudo o que eu vejo. Mas eu vi vida também. Vida nova. – Ela suspirou – Eu não quero falar. Nenhum de vocês veio com o que pagar...

—Eu perguntei qual música desejas ouvir. – Ralhou Shiera se adiantando e olhando a velha. Seu rosto não tinha medo, estava tomado por uma determinação que o fez se lembrar de quando a conhecera em Harrenhal.

A velha olhou para Shiera e suspirou.

—Gosto da canção de Jeyne. – Respondeu ela e Shiera concordou com um aceno de cabeça.

—Eu sei cantar muito bem. Hoster toca alaúde maravilhosamente. – Garantiu Shiera – Terá tua música se responder às nossas perguntas. – Ela apontou para Jon, sem olhar direito para ele – Ele é filho de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark? É ele mesmo? – Perguntou Shiera e Jon olhou a velha anã com nervosismo e ansiedade.

A velha bufou e se aproximou a passos lentos e mancos. Ela batia quase em seus quadris e então o chamou com o dedo, querendo que ele se curvasse. Se ajoelhou em frente a ela e ela o olhou nos olhos.

—É o filho dos dois... Gelo e Fogo. – Disse ela – Tua é a canção de Gelo e Fogo, rapaz... oh... – Ela pareceu ficar triste ao encará-lo.

—O que? Vê coisas ruins para mim? – Perguntou Jon, nervosamente.

—Sim, mas... não é só isso. – A velha suspirou e colocou a mão em seu rosto, despenteando seus cabelos e os jogando sobre seu rosto – É só que você lembra alguém que eu conheci... há muito tempo atrás. – Ela suspirou tristemente e o afagou no rosto – Sim... oh, velho amigo... os anos se passaram e eu fiquei só... minha irmã ainda cuida da nossa caverna. – Ela olhou para Shiera e suspirou – Por que os heróis sempre precisam de futuros tão tristes?

—O que aconteceu? Por favor, conte. – Pediu Shiera com uma voz aflita. A velha olhou para Shiera, com um olhar sombrio.

—Você sabe o que vai acontecer, não sabe? – Perguntou a velha – Você vê nos seus sonhos. Água, o leão e então o coração. E por último, o fogo. – Sentenciou a velha e Jon mirou Shiera. Ela empalidecera, com os olhos esbugalhados – Quando ele morrer você saberá o que deverá fazer. E se não fizer, todos morreremos. Você é filha do sal. Culpe teu pai por teu destino. Se ele tivesse casado seu irmão com a menina princesa, teria feito os dois infelizes, mas o fardo não seria teu. Mas como ele poderia escolher proteger alguém que ainda não conhecia quando já amava tão profundamente aquele que já tinha nascido. Profecias são muito perigosas.

—Bruxa. – Chamou Melisandre e Jon olhou Shiera com preocupação. Ela não correspondeu a seu olhar, se abraçando, parecendo assustada. Aegon a abraçou de novo e Shiera o abraçou de volta. Quis ir até ela, para consolá-la, mas precisava ser discreto – Eu posso tentar vencer o Grande Outro com um filho de sombras?

—Não, de nada adiantará. Apenas poderá ganhar tempo e não existem tantos reis verdadeiros de quem arrancar poder. – Respondeu a velha. Melisandre respirou fundo e andou até Jon, o afagando nos cabelos, já que ele ainda estava de joelhos.

—Ele é Azor Ahai? – Perguntou Melisandre e a velha respirou fundo.

—Ele é aquele mesmo herói, que pareceu nascer de novo, para lutar uma última vez com seu inimigo cruel. É seu terceiro retorno e provavelmente o último. – Disse a velha e Jon a olhou confuso.

—Meu terceiro retorno? – Perguntou confuso. Melisandre o olhou como se compreendesse muita coisa e Fantasma deitou a cabeça em seu ombro, deitando ao seu lado.

—A primeira vez foi quando nos conhecemos. Eu e Folha, minha irmã, vivíamos muito ao Norte, com mais irmãos e mais irmãs. Todos juntos escondidos em uma floresta. Escutamos e vimos as magias que outros irmãos fizeram mais ao sul. Quebraram e afogaram a terra, na intenção de impedir que os homens viessem, mas de nada adiantou. Os homens com suas armas de ferro continuaram vindo e nos matando a todos. Então nós tentamos nossa magia, mas ela... bem..., nós... nós falhamos. – Garantiu a velha anã e Jon a olhou confuso. Havia culpa e pesar em sua voz – A ideia foi minha e minha irmã a executou. E os deuses nos castigaram por isso. Eles me expulsaram da floresta e condenaram minha irmã de outra maneira. Ela me acompanhou por um tempo, ambas banidas de nossa floresta, acompanhadas de outras irmãs, que se compadeceram de nós. Nos escondemos numa caverna e lá ficamos, esperando que nada de mal acontecesse a nós. Nos cercamos de feitiços e esperamos o fim dos tempos. Mas no lugar disso, veio o rapaz. – A velha olhou para Jon com um olhar sonhador e gentil, que fez Jon se sentir constrangido – Ele estava ferido e cansado. Nós o alimentamos. Nós cuidamos de suas feridas. Nós rezamos por ele e ele acordou. Ele viera do Sul, para pedir nossa ajuda, para derrotar os Caminhantes Brancos, que era como ele os chamava. E foi como nós passamos a chamá-los. Nosso crime. – Lamentou ela – Queríamos o perdão dos nossos deuses e dos nossos irmãos, então resolvemos fazer uma aliança. Deixamos aquele lugar protegido e fomos para a terra daquele humano. Os outros o seguiram e ele nos apresentou sua família. Nós o ensinamos a ver através dos olhos dos animais. Nós encantamos suas armas com fogo. Nós fomos para o Sul, para uma terra cheia de Vidro de Dragão. Para nós era apenas obsidiana, a mais nobre das pedras. Fizemos mais armas e voltamos para a fortaleza dele. – Ela suspirou e olhou para o chão – A família dele era linda. Uma esposa e três filhos. Um adulto, outro já quase um rapaz, o outro apenas um garotinho. Quando marchamos para enfrentá-los, os dois meninos mais velhos vieram. Lutamos a batalha da Aurora, mas só conseguimos ferir o Rei da Noite. O sol voltou a surgir e ele fugiu. Mas nós sabíamos que ele iria voltar.

—E a Luminífera? – Perguntou Melisandre. A velha anã engoliu em seco e baixou os olhos sem querer falar no assunto – É importante sabermos. Ela virá do fogo, não é?

—Sim, do fogo. – Murmurou a velha, infeliz – Antes de partirmos para a Batalha da Aurora, eles vieram. Eles atacaram primeiro e nós fizemos uma grande fogueira para cuidar de todos os mortos. A esposa dele era uma fazedora de espadas e estava forjando a obra prima delas, para o marido. Mas ela morreu antes de terminá-la. As criaturas a mataram. – A velha suspirou – Mas o herói viu a espada arder junto com a esposa e resolveu que aquela espada serviria muito bem. – Disse a velha – Então ele a pegou do fogo com nossa proteção. Disse que a espada o protegeria para sempre pois tinha alma de sua amada.

—E funcionou? – Perguntou Aegon.

—Não. Ela quebrou no primeiro golpe. E o rapaz teria morrido se não fosse o filho dele. O garoto mais velho se jogou na lâmina da criatura e morreu pelo pai. Então o herói pegou a espada do filho, que jazia no chão, aquela feita por nós... e então acertou a criatura. Eles eram dois. Quando o rapaz acertou a criatura, ela se despedaçou como um cristal de gelo muito fino. O herói então lutou contra a outra criatura, que o derrotou. Mas com a morte do outro, o exército de mortos diminuiu pela metade. Então ele fugiu para o Norte, para além do nosso alcance. Nós sabíamos que ele voltaria, mas não sabíamos quando. Estudamos as estrelas para prever o futuro, mas profecias são difíceis e perigosas. Você sabe. – A velha olhou Melisandre com um ar sombrio, depois respirou fundo – O grande herói morreu pouco tempo depois daquilo. Nós cuidamos dos dois filhos dele, ensinamos nossas magias e eles as aprenderam com maestria. Nós ajudamos o mais novo a construir a Muralha...

—Foi Brandon, o Construtor? – Perguntou Jon, chocado.

—Sim. – Respondeu ela – Nós o ajudamos a construir a Muralha e juramos ajudar os humanos a se defenderem dos monstros, quando eles voltassem. O mais velho jurou que caçaria o Monstro que sobrevivera e nunca mais voltou para o Sul. Os anos passaram e nós nunca mais vimos nenhum dos garotos pessoalmente. Apenas pelos olhos dos represeiros. O mais novo construiu um castelo com ajuda dos gigantes e se tornou o primeiro Rei do Norte. Mas os anos passam muito rápido para os humanos e ele morreu, sendo sucedido pelo filho dele, e este por seu próprio filho e assim por diante. Até que na décima geração, a senhora Stark teve um filho com seu marido e seu marido teve um filho com uma outra mulher. Mas ele era um rei e a senhora Stark teve que aceitar o bastardo sobre seu teto. Os dois cresceram juntos naquele castelo, como os irmãos que eram. Foi a segunda vez que vi aquele rapaz, pobre, pobre, rapaz. As tragédias acontecem de novo e de novo. Para evitar problemas, o bastardo, quando completou certa idade, foi para a Muralha. – A mulher suspirou – Pois se dizia que em todo o Norte não havia nenhuma mulher mais bela que a filha de um certo Lorde do Norte. Sua mãe era uma Flint, seu pai era um Bolton. A mais bela flor do Norte, era o que diziam sobre ela. E o jovem Stark se apaixonou por ela perdidamente. Mas os olhos da donzela eram todos para o bastardo. – Jon sentiu um solavanco no estômago e mirou Shiera, mas ela, apesar de corar, não o olhou de volta – Seu nome caiu no esquecimento, mas sua história, todos sabem. A jovem pegou o nome de sua mãe e cortou os longos cabelos negros, como as penas de uma gralha. Depois se apresentou para se tornar um membro da Patrulha da Noite.

—Danny Flint? – Perguntou Hoster. A velha concordou com um aceno de cabeça.

—Danny Flint foi amante do Bastardo, o décimo terceiro Lorde Comandante da Muralha. Apenas homens poderiam trabalhar na Muralha e ela poderia ter se escondido em algum lugar próximo. Mas ela era corajosa e guerreira. Ela queria estar na Muralha, pois lá vivia seu amor. Mas os homens são cruéis... certo dia descobriram a verdade sobre a jovem rapariga e os gritos dela foram ouvidos por quilômetros e nós tivemos muita pena dela. O Lorde Comandante tinha saído e quando voltou, descobriu sua amada morta e estuprada. E nenhum dos homens parecia saber quem fora o responsável pelo que tinha acontecido com ela. Nenhum deles confessou a própria culpa. Então o Lorde Comandante a enterrou depois da Muralha. Ele chorou em frente ao represeiro, pedindo que os deuses a devolvessem. Os deuses não o ouviram, mas algo ouviu. Algo veio das profundezas do Norte e a trouxe de volta, colocando magia dentro dela e a levando para o Norte com ele. E quando ela voltou, pálida e com os olhos azuis, o Bastardo a viu e a amou. E quando ele lhe entregou sua semente, ela lhe roubou a alma. – A velha suspirou com pesar – Ele a levou para Fortenoite, para então dizer que era um rei e ela uma rainha. Eles escravizaram a Patrulha da Noite e as coisas que eles fizeram foram terríveis. Então, o meio irmão dele juntou seus homens e se uniu ao maior líder do outro lado da Muralha, Joramun. Ele tinha um item mágico, feito pelo seu antepassado, o outro filho do Herói da Aurora. Aquele berrante seria capaz de destruir a Muralha se ele a soprasse, e não restaria um lugar onde o Rei da Noite pudesse se esconder. Mas o berrante não foi usado e Brandon, o Transgressor, e Joramun, o Rei-pra-lá-da-Muralha, o derrotaram. Mas não sabiam como poderiam derrotar sua esposa morta, então a levaram até nós. Nós a matamos com nossa magia e seu choro foi tão triste que todos choraram com ela. Mas antes de morrer, ela disse: “Um longo inverno virá e depois um verão tão longo como nenhum outro. E quando esse verão acabar, ele retornará, mais forte do que nunca. Vocês nunca estarão preparados para o que virá...”

—O herói então nem sempre foi herói? – Perguntou Aegon e a velha anã o olhou – Ele foi um cuzão da última vez que o viu, antes de voltar como Jon Snow, o Frouxo? – E Jon bufou constrangido, enquanto Tormund e Hoster caíam na gargalhada.

—Não, não. Você não entendeu. Brandon era o herói. E não o irmão. – Murmurou a velha – Brandon matou o irmão e a mulher que amava, para libertar a Muralha. Ele matou todos os filhos do Rei da Noite e impediu que ele retornasse. Apagou todos os registros sobre ele e proibiu que dissessem seu nome. Mas todos no Norte da Muralha continuaram contando essa história, que acabou tomando o mundo. Haegon me contou, certa vez, que todo o mundo conhece a história, mas em versões diferentes. Pois bem, eu a vi primeiro e sei o que estou dizendo. – A velha anã suspirou – Mas quando matamos a mulher, ela me tocou e eu não pude mais ficar com minhas irmãs e irmãos. Por isso vim para cá, para Coração Alto, para junto de outros irmãos. Mas eles foram morrendo, ao contrário de mim. Não posso morrer até que me matem. – Ela suspirou – Nunca poderei voltar para junto dos meus deuses, até que me matem. E não é fácil me matar. Nem mesmo o fogo vivo foi capaz de extinguir minha vida, apesar de tê-lo feito com minha doce amiga Jeyne. – A velha anã suspirou, infeliz. – O que mais querem saber de mim? Pois quero a minha música.

—O que nós precisamos fazer para derrotar o Grande Outro? – Perguntou Melisandre e Jon finalmente se levantou – Como conseguiremos a Luminífera?

—Não compreende, mulher? Não existe Luminífera. – Ralhou a Velha.

Melisandre bufou e negou com a cabeça.

—Uma arma será forjada e ela derrotará o Grande Outro. É o que diz as profecias. – Insistiu ela.

—Uma arma não necessariamente é uma arma. – Murmurou Aegon sacando Blackfyre. Jon olhou a espada e a achou magnífica. Era a espada mais impressionante que ele já vira. Todos olharam para ele, sem entender – Essa é a melhor espada do mundo. Uma obra prima de Valíria, a cidade que já não existe mais. A espada de um dos Lordes dos Dragões. – Ele a fincou no chão e deu um passo para trás – Mas se eu a deixar aí, qual é poder dela? O que é uma espada sem alguém que a utilize? O que é uma espada sem um dono habilidoso? – Jon concordou, entendendo – Saque sua espada, Jon.

—O que?

—Agora! – Rosnou Aegon pegando Blackfyre, avançando, e ele quase não teve tempo de se defender. Aegon o atacou muito rápido e muito forte e ele caiu no chão, assustado – Levante-se. – Rosnou Aegon e Jon obedeceu, completamente confuso.

—O que você está fazendo, Aegon? – Perguntou Shiera. Jon se levantou e Aegon investiu de novo. Ele era muito rápido, rápido demais. Parecia ler seus pensamentos. Ele conseguia, em menos de um piscar de olhos, prever pra onde se movimentaria e o que iria tentar fazer. Mais uma vez perdeu a espada e Aegon o socou com força no rosto – Aegon!

—Levante-se. – Exigiu Aegon e Jon cuspiu sangue. Pegou sua espada, ficando furioso, voltando a atacar Aegon, mas mais uma vez foi derrotado, levando um soco nas costelas – Mais uma vez! – Rosnou ele. Se levantou, meio zonzo e se defendeu ainda pior, por estar sem ar. Aegon o derrubou no chão e pisou em sua cabeça – Se isso é o Príncipe Prometido, estamos todos mortos.

—Rhaegar Targaryen era um garotinho que adorava leitura. – Murmurou Reed – Mas em pouco tempo ele se tornou um dos melhores espadachins do seu tempo.

—Rhaegar lutou bravamente, Rhaegar lutou nobremente e Rhaegar morreu. – Murmurou Hoster. Aegon o olhou enquanto Jon sentia a lama sujar-lhe o rosto. Aegon tirou o pé de sua cabeça e Jon se ajoelhou na terra – Ele precisa ser ainda melhor que Rhaegar, começando por: não cobiçar a mulher alheia e começar uma guerra por conta disso. – Alfinetou ele. Jon respirou fundo, se levantando.

—O que devemos fazer para derrotar os Caminhantes Brancos. Só diga de uma vez. – Murmurou Shiera.

—Devem matar o Rei da Noite. Antes que ele mate todos vocês. – Respondeu ela, com simplicidade, enquanto Jon limpava a lama do rosto.

—E como fazemos isso? – Perguntou Hoster.

—Eu não sei. – Ela olhou para Aegon, depois para Shiera. Então para Gendry, para Melisandre, para Tormund, para Hoster. Para Thoros, para Howland e por último, para Jon. Ela se aproximou dele e aproveitou que ele estava de joelhos para lhe beijar a testa – Eu lhe desejo sorte e força, meu velho amigo. – Murmurou ela – Peguem suas espadas. – Murmurou a velha – As coloquem aqui no chão. Eu vou pegar um pouco de seiva para um feitiço.

Jon ficou de pé, enquanto a velha se embrenhava nas árvores. Ele olhou carrancudo para Aegon e tocou o lábio que se cortara com o soco dele. As lendas não eram apenas lendas. Ele era um espadachim absolutamente forte. Parecia uma criança balançando um graveto ao lutar contra ele. Hoster sacou sua espada e a jogou no chão. Depois todos fizeram o mesmo. Shiera colocou tanto seu arco de Aço Valiriano quanto sua espada, enquanto Gendry jogou seu martelo de guerra. Melisandre foi a única que não colocou nada no monte. Tempos depois a velha voltou e fez seus feitiços, cantarolando numa língua estranha. Sentiu a mesma presença pesada de quando Shiera o levou até a Ilha das Faces. Quando a velha terminou, ele olhou para ela.

—O que aconteceu com a espada do garoto, que o herói usou para matar uma das criaturas? – Perguntou ele. A velha suspirou e o olhou.

—Está embaixo da Muralha. – Respondeu a Velha – No Caminho de Gorne.

—E o que faz lá? – Perguntou Jon, lembrando de quando Ygritte falou daquele caminho.

—Dois irmãos idiotas tentaram cavar para atravessar a Muralha, um deles morreu no outro lado, onde o Rei do Norte os esperava. O outro tentou fugir de volta pelos túneis e morreu tentando voltar. A espada ficou lá, perdida.

Jon engoliu em seco, sacudindo a cabeça.

—Essa espada nos poderia ser útil? – Perguntou Melisandre. A velha anã olhou para Aegon e suspirou.

—Muito. Sempre que eu vejo aquele monstro morrer, é quando o príncipe que foi prometido usa aquela espada. Todas as outras vezes, as visões não são boas. – Lamentou ela – Mas haverá preço em sangue, descer pelo Caminho de Gorne.

—Preço em sangue? – Perguntou Aegon. A velha concordou. Aegon mirou Melisandre e suspirou.

—Onde está o berrante de Joramun? Ele existe? – Perguntou Tormund.

—Existe. – Murmurou a velha com um sorrisinho divertido – Mas é melhor que continue perdido. Ele está num lugar bem improvável. – Respondeu ela coçando uma verruga no braço – Se já terminaram, eu quero a minha música.

—Não. Só mais uma coisa. – Murmurou Shiera e a velha a encarou, impaciente – Por que meu pai se recusou a me casar com Jon? – Perguntou Shiera e Jon sentiu um calafrio lhe subir a espinha. A velha a olhou nos olhos e tocou o próprio coração.

—Ora, filhinha. Você sabe o porquê a essa altura... – Sussurrou a velha.

—Devo pensar com a coroa ou com meu coração? – Perguntou Shiera, parecendo aflita. A velha suspirou e a olhou tristemente.

—A vida é feita de sacrifícios. – Respondeu ela – Você quer que eu te liberte de sua culpa, pois bem. Eu não posso fazer isso. Vai doer. Não importa o que você faça. E o destino não está em suas mãos. Só lhe resta esperar e tentar conter o estrago. Filha do Sal. – A velha andou até ela e lhe tocou a barriga – Pobre, pobre, menina... feita de fogo, feita de sal, feita de sangue. Eu lamento muito pelo seu passado, pelo seu presente e pelo seu futuro.

Voltar para Pinkmaiden foi rápido. Estavam todos em silêncio, absorvendo tudo o que tinham escutado. Hoster era o único que fazia algum barulho, cantarolando algumas canções. Jon estava com o olhar baixo, pensando em tudo aquilo, sentindo um peso absurdo em suas costas. Ele não tinha nada de especial, por mais que os outros pensassem que tivesse. Ele era apenas o Bastardo de Winterfell. Como ele poderia proteger o Mundo dos Caminhantes? Quão melhor que todos ele era? Absolutamente nada. Robb era melhor líder, Aegon era melhor espadachim, Shiera era melhor estrategista. Seu maior feito era ser filho de Rhaegar Targaryen, apesar de não poder provar isso, além de não sentir nenhum tipo de conexão com aquele nome. Nem mesmo conseguia pensar na estátua de Lyanna Stark como sua mãe. Sempre a imaginara filha de algum homem simples, que seu pai cruzara em algum acampamento. Talvez uma puta. Em seus sonhos mais delirantes, a imaginava uma filha de algum senhor menor. Pensava que poderia ir até a família dela e pedir para conhecê-la.

Suspirou e levantou o olhar para Shiera. Ela não lhe dirigira um olhar que fosse e isso o estava deixando intimidado. Ficava relembrando aquele dia na Ilha das Faces, sabendo que ela o amava e o aceitara. Que ficariam juntos no final. E aquilo o tranquilizava. Tinham jurado em frente aos deuses. Com esse beijo, empenho meu amor... com esse beijo juro que meu coração será pra sempre teu... Lembrar daquelas palavras fazia-o sorrir, então sorriu, por mais que Shiera parecesse distante. Ela só estava tentando ser discreta. Apenas isso.

Chegaram ao castelo e foram se acomodar. Estava arrumando seu cavalo, quando Aegon veio ter com ele.

—Como está o rosto? – Perguntou ele parecendo sem jeito. Jon bufou e o olhou sem muito humor – Eu não tenho muito jeito pra me expressar. – Resmungou o homem e Jon concordou com um aceno de cabeça – Eu não sei o que aconteceu entre você e a minha irmã nesses últimos tempos, Snow. – Começou Aegon e Jon desviou o olhar – E sinceramente, eu não sei como dizer isso, mas... – Ele coçou o queixo barbado – Não desista dela. Ela gosta mesmo de você... Eu sempre achei que ela iria acabar casada com o Humfrey, mas depois que ela te viu, anos atrás em Harrenhal...

—Quem é Humfrey? – Perguntou ligeiramente enciumado, apesar disso não fazer sentido nenhum.

—Um amigo da família. – Respondeu Aegon sem dar muita atenção a isso – O ponto é... ela gosta de você, mas pode estar se sentindo... presa a alguma obrigação... Não deixe isso roubar a felicidade dela, está bem? – Perguntou o rapaz lhe dando as costas, parecendo sem jeito com a conversa. Jon o observou se afastar e viu Nym se aproximar, olhando-os com desconfiança.

—Snow. – Sussurrou ela. Ele a olhou curioso – Shiera espera encontrar você no septo.

Concordou com um aceno de cabeça.

—Quando?

—O quanto antes. – Respondeu ela. Jon concordou e não perdeu tempo.

Nunca gostara muito do Septo de Winterfell. Aquele lugar pertencia inteiramente à Senhora Catelyn e sempre o intimidara. Podia sentir o mesmo olhar nas estátuas que ela tinha. Aquele olhar de “Quem você pensa que é?” Ou “Não deveria estar aqui. Esse não é o seu lugar.”

Mas mesmo assim entrou no Septo de Pinkmaiden e andou até a estátua da Donzela. Depois mirou a estátua da Mãe e a achou muito parecida com a Senhora Catelyn, ainda mais porque a madeira era avermelhada, deixando os cabelos dela bem parecidos com os da mãe de Robb. Depois mirou o Pai e suspirou. Mirou cada uma das estátuas e parou novamente em frente à Donzela. Não eram seus deuses, mas não iria desrespeitá-los.

—Jon. – chamou Shiera e ele se virou. Ela fechou a porta e respirou fundo.

—O que posso fazer por você? – Perguntou olhando para ela. Shiera respirou fundo novamente e andou até ele, o abraçando. A abraçou de volta, ligeiramente surpreso, para então beijar-lhe a testa – Foi uma tarde difícil. – Murmurou ele.

—Você me ama? – Perguntou ela. Jon a olhou nos olhos e sorriu lhe afagando o queixo.

—Com todo o meu coração. – Garantiu ele.

—Jura pelos Antigos e Novos Deuses? – Perguntou ela. Jon a olhou assustado.

—Juro. – Disse ele. Shiera respirou fundo e o olhou nos olhos – O que houve?

—Jure que vai aceitar quem você é! – Pediu ela o olhando nos olhos também. Olhos violetas que se enchiam de água.

—O que? – Perguntou confuso.

—Jure que vai aceitar seu fardo, assim como eu aceitarei o meu. – Pediu ela baixando o olhar, fazendo uma lágrima rolar por sua bochecha.

—Shiera, eu não estou entendendo. – Murmurou confuso.

—Diga: Eu sou Jon Targaryen, o legítimo herdeiro do Trono de Ferro. Diga!

—Eu... não. Rhaegar perdeu a guerra. Shireen é herdeira do Trono de Ferro. Shiera, olhe pra mim. – Disse sentindo um aperto no peito. Ela o olhou com as lágrimas descendo por seu rosto. Secou o rosto dela com o polegar, para então segurá-la com todo o carinho do mundo, a fazendo olhar para si – Eu não quero aquele Trono. Eu quero você. – Disse sorrindo para ela – Eu quero você. – Repetiu e ela sorriu, por mais que parecesse triste – Ficaremos juntos quando a guerra acabar. Nós juramos.

—Se me ama como diz... – Ela engoliu em seco, com a voz falha e Jon sentiu que nada de bom viria dali – Vai jurar pelo nosso amor. Pelos Deuses, Velhos e Novos. Vai jurar pela sua honra. Vai jurar que você é Jon Targaryen, o legítimo herdeiro Trono, Rei de todos os Sete Reinos. – Disse Shiera – Jure, Jon! – Pediu ela e ele negou com a cabeça.

—Eu não quero nada disso! Por que está me pedindo isso?

—Prometa que fará tudo o que for necessário, para impedi-los, Jon. – Pediu Shiera segurando suas mãos e as tirando de seu rosto úmido – Prometa que lutará com eles com toda sua força e fará tudo o que for preciso. Jure. Jure, Jon.

—Isso eu juro... – Murmurou confuso.

—E assumir quem você é. Assumir o seu sangue... é o caminho pra isso. – Disse Shiera. Jon negou com a cabeça.

—Não quero ser um rei. Pare com isso.

—Você nasceu pra isso.

—Não!

—É seu destino. – Disse ela.

—Meu destino é você. – Insistiu sem entender o motivo de estar tão aflito.

—Não. – Negou ela e foi como ser acertado pelas facas de seus companheiros da Muralha, novamente – Eu me deixei levar. Mas não posso, Jon. Robb é meu marido. Eu pertenço a ele e ele a mim. – Disse ela sem conseguir parar de chorar – Então me jure. Jure que vai... vai fazer o necessário. – Pediu Shiera. Jon negou com a cabeça.

—Shiera, não faça isso. – Murmurou segurando o rosto dela – Nós nos amamos. Nós... nós só precisamos esperar um tempo. É só uma batalha. Só uma batalha.

—Não vai ser só uma batalha. – Disse Shiera – Serão muitas. – Ela fechou os olhos – E as pessoas cairão ao nosso redor. – Ele sentiu um frio lhe subir a espinha – As pessoas que amamos vão morrer. Foi isso que o Fantasma de Coração Alto quis nos explicar, falando da Batalha da Aurora. Nós vamos sangrar, nós vamos sofrer e muitos de nós vão morrer. – Ela abriu os olhos – Mas você não pode morrer. – Disse ela o olhando nos olhos – É sua missão. – Ela respirou fundo – É você quem vai derrotá-lo. Não é Aegon, não é Myrcella, não é Melisandre, nem eu e nem Robb. É você.

—Eu não farei isso sozinho. – Disse confuso.

—Não. Não começará sozinho. Mas nada garante que não terminará só. – Ela o olhou chorando e ele negou com a cabeça.

—Você não vai morrer. – Disse determinado – Eu não vou...

—Jure, Jon. – pediu ela o olhando nos olhos – Jure pra mim, pelos deuses e pelo nosso amor.

—Eu não quero o Trono de Ferro! – Disse desesperado.

—Mas ele é seu. Ele é sua responsabilidade. – Disse Shiera – Aceite os termos de Robb... – Pediu ela quase sem voz e ele entendeu o que estava acontecendo. Jon a segurou pelos braços e a olhou zangado.

—Ele a está obrigando a fazer isso?! – Perguntou. Shiera negou com a cabeça.

—Ele me pediu para fazer isso, mas estou aqui por minha vontade. – Shiera engoliu em seco – Shireen será sua prometida, mas outra mulher virá. É com ela que você deve estar. Ela tomará Dragonstone e quando o dragão negro morrer... os dragões deverão se unir, sem se importar com cores de um brasão. – Shiera segurou sua roupa e fechou os olhos – Ela será sua senhora e não eu.

—Eu me recuso. – Disse Jon.

—Ela trará os dragões. Ela será a chave para salvar a todos. Ela será diferente de tudo o que você já viu. – Jon negou com a cabeça – Adeus, Jon Snow.

—Shiera, por favor... – A abraçou apertado – Eu não quero nenhuma mulher. Se não for você, não haverá outra.

—Então não haverá outra. – Murmurou ela se desvencilhando dele e se virando.

—Shiera. – Chamou, completamente aflito. Ela o olhou com o olhar infeliz – Por favor... – Murmurou cerrando o punho.

—Quando o momento chegar, Jon... Ponha-me no fogo. Não me deixe voltar como um deles. – Pediu ela. Se lembrou das palavras de Haegon: “Você causará a morte dela, Jon... e eu não posso permitir isso. Fique longe da minha filha, se a ama de verdade”.

Ela saiu e o deixou só ali. Engoliu em seco, sentindo-se infeliz. Deixou o septo e correu atrás dela. A alcançou no corredor e a puxou para si.

—Eu juro. Pelos deuses novos e antigos, eu juro pela minha honra, eu juro pelo nosso amor. – Murmurou no ouvido dela, a abraçando por mais que ela estivesse de costas. A sentiu soluçar e ela escondeu a boca com as mãos – Não haverá outra mulher. Nunca. Você é a única para mim. Não casarei com Shireen, não me casarei com Daenerys e eu não vou te deixar morrer. Se você vai escolher Robb, eu não vou julgar você. Não haverá mágoa, não haverá rancor. Mas não mudará meus sentimentos. Eu te amarei até o fim dos meus dias. – Jurou ele abraçado a ela. Se lembrou da história do Cavaleiro Dragão, que era apaixonado pela irmã, Naerys. Quando ela se casou com Aegon, ele entrou para Guarda Real e nunca a desonrou. A amou até o fim dos dias, cumprindo seu dever com o rei. Faria o mesmo, mas não seria vestido de branco. Voltaria a usar o negro e a protegeria como jurou que faria, embaixo daquele represeiro, muito tempo atrás – Eu te amo, Shiera Blackfyre. – Sussurrou, a soltando. Shiera não olhou para trás. Ela soluçou e engoliu em seco. Depois caminhou para longe dele e ele nunca sentiu tanto frio quanto naquele momento – Adeus...

Notas finais
É o fim de Joera? Não, não é o fim ahsuahsuashua xD Mas o que será que a Shiera viu de tão terrível, heim? Pampampam! Prévias? "-O que você sabe sobre gravidez? – Perguntou Cersei – Não há nada de errado com ela. É só essa guerra... é só esse lugar... infestados de inimigos e traidores. É isso que a está afetando. – Cersei engoliu em seco a olhando com devoção e Jaime suspirou. Myrcella estava enlouquecendo. Todos sabiam disso." "-Robb Stark. Já faz muito tempo, não é? – Perguntou Valerion, jovialmente – Lembro-me que da última vez que nos vimos, você me deu uma surra nos treinos de espada..., mas me alegra lembrar que a surra foi ainda maior em Joffrey." Robb e Valerion, minha gente. O último Blackfyre se une, finalmente, ao time ♥