BlackSwan

24 Noite de chuva


Notas iniciais
Não vou me aprofundar nos momentos deles juntos, senão ficará muito extenso, a narração do Jacob vai terminar quando a história chegar no ponto onde parou a da Renesmee. Prestem atenção nas detalhes é super importante.

Naquela noite eu finalmente entendi que tinha perdido o controle da situação muito antes do que imaginava.

Passei meses tentando convencer a mim mesmo de que o que sentia por Renesmee era apenas responsabilidade. Proteção. Instinto. Charlie Swan havia colocado a vida dela nas minhas mãos e eu apenas estava cumprindo uma missão que ninguém mais poderia cumprir. Era isso que eu repetia mentalmente toda vez que percebia o quanto observava ela sem perceber, ou quando acabava sorrindo só porque Renesmee estava feliz.

Mas naquela praça, vendo ela rir enquanto dançava errado no meio do povoado ribeirinho, alguma coisa mudou dentro de mim de forma definitiva.

Porque pela primeira vez em muitos anos eu não me senti sozinho.

E isso era perigoso.

Muito perigoso.

Depois que voltamos para a ilha, Renesmee passou quase uma hora falando sobre a música, sobre as pessoas, sobre as comidas e sobre como ninguém parecia assustado vivendo no meio da floresta daquele jeito. Ela falava rápido, animada, ainda carregando aquela energia da praça enquanto eu fingia prestar atenção apenas em partes da conversa para evitar encarar o verdadeiro problema.

Eu estava apaixonado por ela.

A constatação me atingia de tempos em tempos como um soco no estômago.

E eu odiava aquilo.

Porque amar alguém significava ter algo a perder.

Depois que ela foi dormir, me tranquei no quarto tentando colocar a cabeça no lugar. Liguei um dos notebooks criptografados e comecei a acessar mensagens acumuladas de antigos contatos espalhados entre a CIA e a KGB. As informações eram cada vez piores.

Para a CIA eu oficialmente havia desertado.

Para a KGB eu era um traidor procurado internacionalmente.

Bree Tanner tinha cumprido a ameaça dela.

Ela realmente me entregou.

A KGB agora possuía provas suficientes de que eu trabalhei infiltrado durante anos passando informações para a CIA. Fotos, movimentações bancárias, relatórios de missões comprometidas. Tudo.

Mas o mais irônico era que eles ainda não faziam ideia do verdadeiro tamanho do problema.

Porque o que a KGB mais procurava no mundo inteiro estava escondido comigo no meio da Amazônia.

Renesmee.

E aquilo era apenas a ponta do iceberg.

Passei a mão pelo rosto cansado enquanto encerrava as mensagens criptografadas. Minha cabeça latejava tentando antecipar quantos problemas ainda estavam vindo na nossa direção. Eu, agora era procurado, Charlie Swan provavelmente estava morto e, em algum lugar do mundo, organizações inteiras caçavam a garota que naquele momento provavelmente dormia tranquila no quarto ao lado.

Desliguei o notebook e me levantei.

A casa estava silenciosa além do som distante da chuva fina voltando a cair sobre a floresta. Caminhei lentamente pelo corredor escuro tentando organizar os pensamentos quando ouvi um som baixo vindo do quarto de Renesmee.

Soluços.

Parei imediatamente e meu corpo inteiro ficou alerta no mesmo segundo.

Abri a porta rápido demais já imaginando mil possibilidades diferentes, desde um ataque até algum tipo de crise causada pelas experiências da KGB.

Mas encontrei Renesmee sentada na cama chorando. Aquilo me desarmou instantaneamente.

Ela estava encolhida entre os lençóis, os olhos vermelhos e os cabelos bagunçados caindo pelo rosto enquanto tentava limpar as lágrimas sem muito sucesso. A cena parecia errada demais. Renesmee ja tinha derrubado homens armados sem hesitar, atravessar treinamentos impossíveis e sobreviver a situações que destruiriam agentes experientes.

Mas nunca tinha visto ela daquele jeito.

Me aproximei imediatamente. — Nessie… o que aconteceu?

Ela levantou os olhos lentamente na minha direção e então perguntou algo que eu definitivamente não estava preparado para ouvir.

— Por que você não me ama?

Fiquei imóvel.

Por alguns segundos meu cérebro simplesmente parou de funcionar.

Ela abaixou os olhos logo em seguida como se tivesse vergonha do que acabou de dizer.

— Eu tentei não perceber… — murmurou entre lágrimas. — Mas percebi faz tempo.

Meu peito apertou de um jeito desconfortável enquanto eu continuava parado perto da cama sem saber como responder.

Renesmee respirou fundo tentando controlar o choro.

— Você cuida de mim. Me protege. Me ensina tudo. Você sorri pra mim… mas nunca deixa eu chegar perto de verdade.

Ela finalmente voltou a me olhar e aquilo foi pior, porque não havia raiva nos olhos dela, só tristeza.

— Eu fiz alguma coisa errada?

A pergunta me atingiu como um tiro.

Caminhei devagar até a cama e sentei na frente dela sem desviar o olhar. Renesmee enxugou o rosto rapidamente tentando parecer forte outra vez, mas eu conseguia ouvir o coração dela acelerado mesmo daquele jeito.

Passei alguns segundos em silêncio antes de finalmente responder.

— O problema nunca foi você.

Ela continuou me olhando sem entender.

Soltei um suspiro pesado e passei a mão pelos cabelos tentando encontrar palavras que eu normalmente nunca precisava usar.

— Você é literalmente a melhor coisa que apareceu na minha vida em muitos anos, Nessie.

Os olhos dela vacilaram levemente.

— Então por quê…?

Fechei os olhos por um instante antes de admitir a verdade que vinha evitando havia meses.

— Porque eu tenho medo.

Renesmee pareceu surpresa pela respostaz e eu também estava.

Porque Jacob Black não tinha o hábito de admitir medo pra ninguém.


Renesmee continuou me olhando em silêncio depois que admiti que tinha medo. A chuva caía fraca do lado de fora da casa enquanto o quarto permanecia iluminado apenas pelo pequeno abajur ao lado da cama. A luz amarelada deixava o rosto dela ainda mais delicado, os olhos ainda úmidos pelas lágrimas e os cabelos bagunçados espalhados sobre os ombros.

Ela fungou baixo antes de perguntar:

— Medo do quê?

Soltei um pequeno suspiro desviando os olhos por um instante. Era estranho falar sobre aquilo em voz alta. Durante anos eu fui treinado para esconder emoções, controlar reações e nunca permitir que ninguém percebesse o que realmente acontecia dentro da minha cabeça.

Mas com Renesmee aquilo simplesmente não funcionava.

— Existem formas de machucar alguém que vão muito além do físico — respondi por fim.

Ela continuou me observando atentamente como se tentasse entender cada detalhe escondido na minha voz. Então aproximei a mão devagar e coloquei uma mecha do cabelo dela atrás da orelha, num gesto quase automático naquele ponto.

Renesmee fechou os olhos rapidamente ao sentir o toque antes de abrir outra vez e dizer baixinho:

— Eu amo você.

Meu peito apertou imediatamente.

Porque ela falou aquilo com uma sinceridade tão absurda que parecia impossível duvidar.

Ainda assim tentei.

Sorri de leve tentando aliviar o peso daquela conversa.

— Você não conhece muitos caras, Nessie. Talvez só ache que me ama porque passou muito tempo comigo.

Ela negou na mesma hora.

— Não.

A resposta saiu firme, sem hesitação.

— Hoje no vilarejo eu vi vários homens, ouvi eles falando, dançando, rindo… nenhum deles é como você.

Aquilo me arrancou uma pequena risada cansada.

— Realmente não. Eu sou mais velho.

Renesmee riu baixinho finalmente, e ouvir aquele som depois de ver ela chorando trouxe um alívio estranho dentro de mim. Era assustador o quanto o humor dela já influenciava o meu sem que eu percebesse.

Ela secou o rosto outra vez enquanto me observava em silêncio.

Então percebi algo perigoso demais.

Renesmee não estava apaixonada pela ideia de mim.

Ela realmente me enxergava.

E talvez aquilo fosse o mais assustador de tudo.

Passei o polegar devagar pelo rosto dela limpando o restante das lágrimas antes de falar mais baixo:

— Eu não quero que você sofra por minha causa.

Os olhos dela continuaram presos nos meus.

Respirei fundo.

Porque naquele momento eu sabia perfeitamente que estava cruzando uma linha sem volta.

— E a verdade é que eu amo você também.

Vi o brilho surgir imediatamente nos olhos dela.

Mas continuei antes que ela dissesse qualquer coisa.

— Amo a mulher que você se tornou nesses meses. Essa mistura impossível de força e doçura que eu sinceramente não achei que pudesse existir em alguém criado da forma que você foi.

Renesmee sorriu devagar enquanto me escutava.

— Você consegue ser a pessoa mais perigosa que eu já conheci… e ao mesmo tempo a mais gentil.

Ela não desviava o olhar nem por um segundo e aquilo estava acabando comigo. Porque eu sabia exatamente o tamanho do problema que aquilo criaria. A KGB nos caçando, a CIA me considerando um traidor, Charlie desaparecido e um futuro inteiro cercado de incertezas.

Mesmo assim, naquele momento, nada disso pareceu importar de verdade.

Aproximei a mão do rosto dela outra vez acariciando sua pele lentamente enquanto Renesmee se inclinava quase sem perceber na direção do meu toque. Então a beijei, primeiro devagar, como se ainda existisse uma última chance de voltar atrás.

Mas não existia.

Porque no segundo em que ela segurou minha camisa e correspondeu ao beijo, percebi que já estava perdido muito antes daquela noite.


O beijo mudou quase imediatamente depois daquilo.

A doçura inicial desapareceu aos poucos, substituída por algo mais intenso, mais urgente, como se meses inteiros de sentimentos guardados finalmente estivessem escapando de uma vez. Renesmee segurou minha camisa com força enquanto me puxava para mais perto, e antes que eu percebesse meu corpo já estava sobre o dela na cama.

O coração dela batia rápido.

O meu também.

A chuva continuava caindo lá fora enquanto o quarto parecia pequeno demais para toda a tensão acumulada entre nós.

Afastei o rosto por um instante tentando recuperar um mínimo de lucidez.

— Calma, Nessie…

Ela sorriu daquele jeito que desmontava qualquer linha de raciocínio minha.

— Eu preciso de você.

Fechei os olhos rapidamente soltando uma risada nervosa antes de encostar a testa na dela.

— Não fala isso desse jeito.

Mas Renesmee simplesmente voltou a me beijar antes que eu terminasse a frase.

E eu correspondi.

Porque naquele ponto já estava ficando impossível pensar em qualquer outra coisa além dela.

O beijo se aprofundou outra vez enquanto minhas mãos percorriam lentamente a cintura dela por cima do tecido leve da roupa. Renesmee arrepiava inteira a cada toque como se sentisse tudo de forma mais intensa do que qualquer pessoa normal.

Talvez sentisse mesmo.

Quando o beijo parou outra vez, olhei diretamente nos olhos dela tentando fazer ela entender a dimensão do que estava acontecendo.

— Se a gente continuar… não vai ter volta.

Renesmee ergueu a mão devagar tocando meu rosto com delicadeza inesperada antes de responder algo que me pegou completamente desprevenido.

— Minha mãe conversou comigo sobre sexo.

Fiquei alguns segundos encarando ela em silêncio.

Então comecei a rir.

Uma gargalhada verdadeira, inesperada, quebrando completamente toda a tensão absurda daquele momento.

— Renee Swan teve conversa com você?

Renesmee sorriu orgulhosa.

— Ela disse que é algo natural entre duas pessoas que se amam.

— Sua mãe estava certa.

Ela riu baixinho outra vez e puxou minha camisa de novo me trazendo de volta para perto dela. Dessa vez não resisti.

Comecei a beijar lentamente o rosto dela, o maxilar, descendo pelo pescoço enquanto sentia os dedos dela se prenderem nos meus ombros. O som baixo que escapou dela ao sentir meus lábios em sua pele destruiu o pouco de controle que ainda restava dentro da minha cabeça.

Naquele instante eu simplesmente esqueci da KGB, da CIA, dos agentes espalhados pelo mundo tentando nos encontrar.

Tudo desapareceu.

Só existia Renesmee sob minhas mãos, a chuva caindo do lado de fora e a sensação perigosa de te-la em m3us braços.

Aquela noite acabou acontecendo de forma tão intensa quanto inevitável. Entre beijos demorados, mãos inquietas e respirações descompassadas, eu sentia Renesmee cada vez mais próxima, não apenas fisicamente, mas de um jeito que atravessava qualquer defesa que construí durante a vida inteira. A chuva continuava batendo contra o telhado da casa enquanto ela me olhava como se eu fosse o único ponto seguro no mundo, e aquilo me destruía de uma forma bonita e perigosa ao mesmo tempo. Em vários momentos tentei desacelerar as coisas, tentei lembrar dos riscos, do caos que existia fora daquela ilha, mas bastava ela tocar meu rosto ou sussurrar meu nome perto demais para todo o resto desaparecer outra vez. Renesmee ria baixinho entre os beijos quando eu perdia completamente o foco das frases que começava, e eu acabava rindo junto, porque nunca imaginei que alguém pudesse me deixar daquele jeito. Aos poucos as roupas foram ficando esquecidas pelo quarto, espalhadas entre os lençóis bagunçados e o chão de madeira, enquanto nossos corpos se procuravam com uma urgência que parecia guardada havia muito tempo. Eu ainda lembrava dela naquela biblioteca meses atrás, curiosa, inocente, observando o mundo como quem tentava entendê-lo pela primeira vez, e agora ela estava ali comigo, me beijando como se não existisse amanhã.

Em determinado momento Renesmee segurou meu rosto entre as mãos e encostou a testa na minha, os olhos brilhando mesmo na luz baixa do quarto.

— Eu amo você, Jake.

A forma como ela falou aquilo acabou comigo de vez.

A Beijei novamente, mais devagar dessa vez, tentando colocar naquele beijo tudo o que nunca consegui dizer direito para ninguém.

— Eu também amo você, Nessie. Mais do que deveria.

Ela sorriu daquele jeito doce que sempre desmontava qualquer parte racional da minha cabeça e me puxou outra vez para perto, fazendo o resto do mundo desaparecer completamente. O tempo perdeu o sentido enquanto nos entregávamos um ao outro sem medo, sem estratégia, sem fugir do que sentíamos. E quando finalmente a intensidade daquele momento nos atingiu por completo, eu a abracei forte contra mim, ouvindo a respiração acelerada dela se misturar à minha enquanto a chuva continuava caindo lá fora, como se a floresta inteira guardasse em silêncio aquele instante que mudaria nossas vidas para sempre.


Ficamos um tempo apenas abraçados, ainda tentando recuperar o fôlego enquanto a chuva seguia caindo do lado de fora da casa. O quarto estava quente apesar do clima úmido da floresta, e Renesmee permanecia aninhada contra mim debaixo do lençol, distribuindo beijos lentos pelo meu rosto e pescoço como se ainda tivesse energia infinita. Eu passava a mão devagar pelas costas dela sentindo os cabelos espalhados sobre meu braço enquanto tentava entender em que momento exatamente minha vida saiu completamente do controle.

A verdade era que eu nunca tinha me sentido daquele jeito antes.

Nem perto disso.

Renesmee levantou um pouco o rosto apoiando o queixo no meu peito enquanto me observava com atenção curiosa demais para alguém que acabou de virar meu mundo de cabeça para baixo.

Então perguntou da forma mais inocente possível:

— Podemos fazer de novo?

Eu literalmente comecei a rir.

Uma gargalhada espontânea que fez ela estreitar os olhos fingindo indignação.

— Não ri de mim.

Ainda rindo, segurei o rosto dela entre as mãos.

— Você gostou assim tanto?

Ela confirmou imediatamente sem o menor traço de vergonha.

— Muito.

Aquilo me fez rir outra vez enquanto ela escondia parcialmente o rosto no meu pescoço.

— Podemos… — respondi tentando recuperar o ar. — Mas eu preciso de uns minutos antes, Nessie.

Ela levantou o rosto devagar e sorriu daquele jeito perigosamente bonito antes de começar a me beijar de novo. Primeiro os lábios, depois o maxilar, o rosto, o pescoço. Em algum momento ela simplesmente sentou sobre mim debaixo do lençol me enchendo de beijos enquanto eu segurava sua cintura tentando inutilmente manter qualquer pensamento racional funcionando.

— Pra onde foi minha Nessie inocente? — perguntei entre risadas baixas.

Ela riu imediatamente.

— Acho que você estragou ela.

— Então a culpa é minha?

— Totalmente sua.

Balancei a cabeça sorrindo enquanto ela me beijava outra vez, mais lenta agora, mas não menos intensa. E foi nesse momento que percebi algo ainda mais perigoso do que me apaixonar por ela.

Renesmee confiava em mim completamente.

De corpo, alma e coração.

E isso me assustava mais do que qualquer agente da KGB.

Ainda assim, quando ela voltou a me olhar daquele jeito impossível de ignorar, toda preocupação desapareceu outra vez. Puxei ela de volta para mim e recomeçamos entre beijos demorados, risadas baixas e promessas silenciosas que nenhum dos dois precisava dizer em voz alta para entender.

E enquanto a madrugada avançava sobre a floresta amazônica, eu sabia que aquela tinha sido apenas a primeira noite de muitas que ainda viveríamos juntos.

O problema era que amar Renesmee Swan inevitavelmente traria consequências.

E cedo ou tarde seríamos cobrados por isso.