BlackSwan
29 Caribe
Notas iniciais
Narrado por Jacob
Observei Bree manter a arma apontada para Renesmee enquanto a chuva batia forte contra o teto metálico do hangar. O som ecoava pesado pelo ambiente misturado ao vento vindo da floresta e ao choro baixo de Charlie escondida contra o peito da mãe. Minha mente calculava distância, tempo de reação e possíveis trajetórias do disparo enquanto tentava impedir que aquela situação explodisse de vez.
O problema era que Bree estava emocionalmente instável.
E pessoas instáveis segurando armas perto da minha família nunca terminavam bem.
Renesmee, por outro lado, parecia assustadoramente calma. Ela acariciava os cabelos de Charlie lentamente enquanto observava Bree como se estivesse analisando um problema pequeno demais para realmente preocupar. Aquela frieza silenciosa sempre fazia as pessoas subestimarem Nessie. Ela não gritava, não tremia e nem demonstrava descontrole.
Mas eu sabia exatamente o que existia por trás daqueles olhos escuros.
Perigo.
— Bree — falei devagar tentando manter a situação sob controle. — Você enlouqueceu? Tem uma criança no colo dela.
Os olhos de Bree se estreitaram imediatamente ao ouvir o apelido.
— Nessie… — repetiu lentamente. — Então é assim que ela se chama.
Renesmee sequer reagiu.
Charlie apertou mais forte a roupa da mãe enquanto olhava assustada para a arma.
Bree respirou fundo tentando recuperar algum controle sobre si mesma antes de apontar a arma diretamente para mim.
— Você vai pegar seu celular, Jacob. Vai ligar para o primeiro contato da KGB que tiver salvo e vai se entregar.
Soltei uma pequena risada desacreditada.
— Você realmente acha que isso termina bem para você?
— Termina melhor do que fugir sozinha.
Ela puxou um aparelho celular do bolso da jaqueta e jogou no chão do hangar. O telefone deslizou pelo concreto molhado até parar próximo de mim.
— Pega.
Mas antes que eu me movesse, Renesmee caminhou.
Simplesmente caminhou.
Ainda segurando Charlie no colo.
Meu corpo inteiro ficou tenso imediatamente ao perceber o que ela estava fazendo. Bree também percebeu.
— Não se mexe! — ela gritou.
Nessie ignorou completamente.
Ela se abaixou calmamente, pegou o celular do chão e voltou a ficar de pé como se Bree nem existisse. Charlie escondia o rosto no ombro da mãe murmurando baixinho que estava com medo, e Renesmee beijou os cabelos da nossa filha enquanto seguia andando lentamente na direção do avião.
— Vai ficar tudo bem, bebê — disse ela em voz baixa e controlada. — A mamãe está aqui.
Bree parecia não entender o que estava acontecendo.
— Eu mandei você parar!
Renesmee continuou caminhando.
— Ou o quê? — perguntou finalmente sem sequer olhar para trás.
A voz dela saiu fria.
Controlada.
Quase entediada.
Bree ergueu mais a arma.
— Eu atiro!
Nessie finalmente virou parcialmente o rosto na direção dela, e até eu senti o ambiente mudar naquele instante.
Porque Renesmee já não parecia apenas uma mulher protegendo a filha.
Parecia algo muito pior.
— Você não vai atirar — respondeu calmamente. — Está desesperada demais pela atenção do Jake para isso. Agora está ameaçando até uma criança.
A frase atingiu Bree como um tapa.
Vi a mão dela tremer minimamente na arma.
Erro grave.
Muito grave.
Porque Renesmee percebia qualquer fraqueza emocional instantaneamente.
Bree deu um passo à frente furiosa.
— Cala a boca!
Charlie se assustou com o grito e começou a chorar mais forte. O som atravessou meu peito como uma lâmina. Renesmee imediatamente voltou a acariciar os cabelos dela tentando acalmá-la enquanto continuava caminhando na direção da aeronave.
A tensão dentro do hangar parecia viva agora.
Pesada. Violenta.
Bree estava perdendo o controle rápido demais e isso me obrigava a calcular quanto tempo ainda tinha antes de agir. O problema era que Renesmee também estava calculando. Eu conhecia aquele olhar dela. Nessie já havia decidido exatamente o que faria se Bree apertasse o gatilho.
E honestamente…
Isso me preocupava quase tanto quanto a própria arma.
— Bree — falei mais firme agora. — Última chance. Abaixa essa droga.
Ela me encarou respirando pesado enquanto lágrimas começavam a surgir nos olhos dela misturadas à chuva no rosto.
— Você escolheu ela…
— Eu construí uma família.
A resposta saiu automática.
E foi pior do que um tiro.
Porque algo se quebrou definitivamente na expressão de Bree naquele instante.
Ela ergueu a arma outra vez, agora diretamente na direção das costas de Renesmee.
Só que Nessie sorriu.
Um sorriso pequeno. Frio. Perigoso.
Então ela finalmente parou de andar.
— Jake… — disse sem tirar os olhos do avião à frente. — Acho que ela realmente vai tentar.
E no segundo seguinte tudo aconteceu rápido demais.
Bree puxou o gatilho.
Ao mesmo tempo em que Renesmee girou o corpo protegendo Charlie e arremessou o celular violentamente contra o rosto dela com uma velocidade impossível para um ser humano comum.
O disparo explodiu dentro do hangar.
O celular acertou Bree em cheio antes da bala alcançar o alvo.
Ela cambaleou para trás gritando de dor enquanto a arma voava da mão dela deslizando pelo concreto molhado.
E então Renesmee entregou Charlie diretamente para mim sem hesitar.
— Segura nossa filha.
A voz dela saiu calma demais.
Perigosa demais.
Porque eu sabia exatamente o que vinha depois.
O disparo ainda ecoava dentro do hangar quando corri até Renesmee e arranquei Charlie dos braços dela antes que a situação piorasse. Nossa filha estava chorando assustada, agarrada à minha camisa com força enquanto escondia o rosto no meu pescoço. O som dos soluços dela atravessava qualquer pensamento racional que eu tentava manter naquele momento.
— Ei, ei… está tudo bem — falei rápido enquanto corria na direção do avião. — Papai está aqui.
Charlie tremia levemente nos meus braços.
A porta da aeronave ainda estava aberta. Subi os degraus quase pulando enquanto atrás de mim ouvia o som abafado de luta no concreto do hangar. Renesmee já tinha partido para cima de Bree antes mesmo de eu alcançar o avião.
Claro que tinha.
Coloquei Charlie rapidamente em um dos bancos internos da cabine e peguei um pequeno ursinho perdido entre as mochilas. Entreguei o brinquedo para ela enquanto me ajoelhava na frente da nossa filha tentando fazer minha voz soar calma apesar da adrenalina queimando dentro do corpo.
— Escuta o papai agora, princesa. Você vai ficar aqui dentro sem sair, certo?
Charlie segurou o ursinho imediatamente.
— Eu quero a mamãe…
Meu peito apertou forte.
Beijei os cabelos dela rapidamente.
— Eu vou buscar a mamãe. Mas não olha pela janela. Promete pra mim?
Ela assentiu ainda assustada, abraçando o brinquedo contra o peito.
Desci do avião praticamente correndo.
E encontrei exatamente o cenário que imaginei.
Renesmee estava atrás de Bree aplicando um mata-leão brutal enquanto mantinha a arma apontada para a cabeça dela. Bree tentava respirar desesperadamente, arranhando os braços de Nessie enquanto os joelhos batiam contra o concreto molhado do hangar.
Mas Renesmee…
Renesmee parecia assustadoramente calma.
Os olhos dela estavam frios daquele jeito que eu conhecia bem demais. Não havia raiva descontrolada ali. Havia instinto.
Um instinto perigoso que eu passei anos tentando ensinar ela a controlar.
Ou talvez esconder.
— Nessie! — avancei imediatamente até elas.
Ela nem olhou para mim.
— Precisamos nos livrar dela.
A voz saiu baixa. Objetiva. Sem hesitação.
E aquilo me fez sentir um medo que eu raramente experimentava.
Porque naquele instante consegui enxergar claramente a criatura que a KGB tentou criar dentro dela anos atrás. Não a mulher que dividia a cama comigo ou a mãe carinhosa da nossa filha.
Mas a arma.
A arma perfeita.
Aproximei-me devagar sem movimentos bruscos.
— Solta ela.
Renesmee apertou ainda mais o braço ao redor do pescoço de Bree.
— Jake…
— Solta.
Finalmente ela virou o rosto na minha direção. Havia irritação clara nos olhos dela agora. Frustração. Como se eu estivesse impedindo algo lógico de acontecer.
— Ela vai continuar vindo atrás da gente.
— Eu sei.
— Então por que ela ainda está respirando?
A pergunta saiu séria.
E sinceramente… Essa foi a parte mais assustadora.
Respirei fundo tentando manter a calma.
— Porque eu estou pedindo pra você soltar ela.
Por alguns segundos achei que Renesmee fosse ignorar minha ordem.
Então, claramente contrariada, ela largou Bree bruscamente. A mulher caiu de joelhos tossindo violentamente enquanto tentava recuperar o ar. A marca vermelha dos braços de Nessie já começava a aparecer no pescoço dela.
Renesmee sequer olhou novamente para Bree.
Ela apenas virou as costas e caminhou na direção do avião.
Quando passou por mim, lançou um olhar tão irritado que quase consegui ouvir mentalmente todos os problemas que teria depois.
E pior…
Percebi exatamente o motivo da raiva.
Ciúmes.
Ótimo. Absolutamente ótimo.
Minha esposa geneticamente modificada, treinada para matar e absurdamente territorial estava com ciúmes da ex-namorada agente da KGB.
Eu estava ferrado.
Observei Renesmee subir no avião ainda claramente furiosa antes de finalmente voltar minha atenção para Bree caída no chão do hangar. Ela respirava com dificuldade enquanto me encarava misturando medo, mágoa e incredulidade.
Aproximei-me lentamente.
Bree levantou os olhos para mim esperando alguma coisa. Talvez ajuda. Talvez explicações.
Mas eu já estava cansado demais para qualquer uma das duas.
Parei diante dela e falei calmamente:
— Eu não vou te matar.
Ela pareceu surpresa.
Passei a mão pelos cabelos molhados antes de continuar:
— Porque ainda tenho uma dívida com você por coisas do passado. Apesar de tudo.
Bree riu fraco entre a tosse.
— Generoso da sua parte.
Ignorei o sarcasmo.
Então me abaixei levemente até ela ouvir perfeitamente cada palavra seguinte.
— Mas escuta com atenção agora. Se você cruzar meu caminho de novo… ou ameaçar minha família outra vez… não vai existir dívida no mundo capaz de te salvar.
O silêncio pesado tomou conta do hangar.
Bree sustentou meu olhar por alguns segundos antes de finalmente entender que eu não estava exagerando.
Atrás de mim, o motor do avião começou a ligar.
E eu sabia exatamente quem estava pilotando agora.
Dei as costas para Bree sem olhar novamente para trás. O som da tosse dela ainda ecoava pelo hangar enquanto eu caminhava rapidamente até o avião sentindo o peso da situação piorar a cada segundo. Bree agora sabia sobre Renesmee. Sobre Charlie. Sobre nós.
Aquilo mudava tudo.
Subi os degraus da aeronave quase no mesmo instante em que os motores começavam a ganhar força. Assim que entrei na cabine principal encontrei Renesmee sentada no banco do piloto ajustando os comandos com movimentos rápidos demais. O olhar dela permanecia fixo no painel enquanto a chuva escorria pelo para-brisa da aeronave.
— Nessie.
Ela ignorou completamente minha voz.
Aproximei-me imediatamente percebendo que ela realmente pretendia levantar voo sem esperar qualquer conversa.
— Ei. Me deixa pilotar.
Agora ela me olhou.
Furiosa.
Os olhos escuros carregavam uma irritação tão intensa que quase consegui esquecer por alguns segundos toda a situação envolvendo Bree e a KGB.
— Eu sei pilotar — respondeu seca.
— Eu sei que sabe.
E realmente sabia. Eu mesmo ensinei.
O problema era que Renesmee pilotava exatamente como fazia tudo na vida quando estava irritada: rápido demais e agressiva demais.
Me apoiei ao lado da cabine tentando manter a voz calma.
— Nessie, escuta. Você não sabe para onde vamos ainda. Charlie precisa de você agora.
Aquilo pareceu atingir ela minimamente.
Renesmee desviou os olhos na direção da cabine traseira onde Charlie provavelmente ainda estava agarrada ao ursinho tentando entender por que a noite de aniversário dela tinha se transformado numa fuga no meio da floresta.
Nessie respirou fundo antes de finalmente destravar o cinto do banco do piloto.
Mas o olhar que lançou para mim antes de levantar deixou claro que eu ainda teria problemas.
Muitos problemas.
Ela saiu da cabine sem falar nada, mas segurei o braço dela antes que se afastasse completamente.
Renesmee parou imediatamente.
A tensão entre nós parecia quase palpável naquele espaço pequeno do avião.
— Olha pra mim — pedi com a voz baixa.
Ela virou o rosto lentamente.
Ainda brava, ainda linda demais mesmo querendo provavelmente arrancar minha cabeça naquele momento.
Passei a mão pela cintura dela tentando trazer um pouco de calma para aquela situação.
— Não faz isso agora.
— Fazer o quê?
— Criar coisas na sua cabeça.
Renesmee soltou uma pequena risada irônica.
— Ah, claro. A ex-agente linda da KGB aparece armada no meio da floresta atrás de você e eu deveria agir normalmente.
— Bree não significa nada pra mim.
Ela cruzou os braços imediatamente.
— Mas significou.
Abri a boca para responder, mas Nessie nem me deu chance.
— Talvez você ainda goste dela.
— Nessie…
— Não importa.
O tom dela saiu mais frio agora, quase irritado consigo mesma por estar sentindo aquilo.
Porque Renesmee não lidava bem com ciúmes. Na cabeça dela emoções deveriam ser controladas, organizadas e dominadas. O problema era que sentimentos ligados a mim bagunçavam completamente essa lógica.
Ela se afastou antes que eu pudesse segurar novamente.
— Charlie precisa dormir.
Observei Renesmee seguir até a cabine traseira enquanto passava a mão pelos cabelos tentando conter um suspiro cansado.
Aquilo definitivamente não era o momento ideal para uma crise de ciúmes possessivos envolvendo uma ex-namorada armada da KGB.
Mas honestamente… Minha vida já tinha passado do ponto de qualquer normalidade fazia anos.
Sentei finalmente no banco do piloto e comecei os procedimentos de decolagem enquanto a chuva batia forte contra a fuselagem do avião. Meus olhos analisavam os instrumentos automaticamente, mas minha cabeça continuava presa em várias coisas ao mesmo tempo.
Bree encontrando a ilha. Renesmee quase matando ela. Charlie assustada. A KGB provavelmente mais próxima do que imaginávamos.
E agora eu também precisava lidar com uma esposa geneticamente modificada claramente irritada comigo.
Olhei rapidamente pelo espelho interno improvisado da aeronave e vi Renesmee sentada abraçando Charlie no colo enquanto nossa filha lentamente começava a se acalmar. Nessie beijava os cabelos dela distraidamente, mas ainda mantinha aquela expressão fechada.
Definitivamente eu estava ferrado quando pousássemos.
Respirei fundo, puxei os controles da aeronave e acelerei na pista molhada enquanto o avião começava a ganhar velocidade em direção à escuridão da floresta amazônica.
A viagem até o Caribe pareceu durar dias.
O silêncio dentro do avião se tornou tão pesado ao longo das horas que até o som constante dos motores começou a incomodar menos do que a ausência de palavras de Renesmee. Charlie acabou dormindo depois de algum tempo agarrada ao ursinho novo, completamente exausta depois da confusão no hangar, mas Nessie permaneceu acordada quase todo o trajeto inteiro olhando pela pequena janela da aeronave ou acariciando distraidamente os cabelos da nossa filha.
Sem falar comigo.
E aquilo estava me matando lentamente.
Fizemos duas paradas rápidas durante o percurso em pontos clandestinos usados há anos por agentes fugitivos e contrabandistas internacionais. Pequenas pistas escondidas em regiões esquecidas do mapa onde ninguém fazia perguntas desde que você pagasse em dinheiro vivo. Em uma delas Charlie acordou confusa perguntando se já estávamos “na casa dos amigos do papai”, e Renesmee respondeu antes de mim dizendo apenas que faltava pouco.
Fria. Controlada. Distante.
Eu preferia honestamente quando ela gritava.
Porque silêncio em Renesmee quase sempre significava que ela estava pensando demais. E uma Nessie pensando demais sobre ex-namoradas armadas da KGB definitivamente não era algo saudável para mim.
Durante uma das paradas tentei me aproximar dela enquanto Charlie observava fascinada um avião de carga estacionado próximo da pista clandestina. Toquei o braço de Nessie devagar tentando chamar sua atenção.
— Você vai continuar me ignorando até quando?
Ela sequer desviou os olhos da janela.
— Ainda estou decidindo.
Suspirei cansado.
— Você sabe que não existe nada entre mim e a Bree.
Agora ela me olhou.
— Ótimo. Então você não vai sentir falta dela quando eu arrancar os cabelos daquela mulher se ela aparecer de novo.
A resposta saiu calma demais.
E aquilo não ajudou em absolutamente nada meu estado emocional.
Horas depois finalmente começamos a sobrevoar o Caribe. O contraste foi quase absurdo depois de tantos dias cercados pela escuridão úmida da floresta amazônica. O mar azul profundo refletia parte da luz da lua enquanto pequenas ilhas surgiam espalhadas abaixo de nós como pontos isolados no meio do oceano.
Reduzi a altitude lentamente até a pista clandestina aparecer entre palmeiras e pequenas construções escondidas próximas da praia.
A ilha era pequena. Privada. E praticamente invisível para quem não soubesse exatamente onde procurar.
Perfeita.
Assim que o avião pousou e os motores começaram a desacelerar, senti um peso sair parcialmente dos ombros. Pelo menos ali teríamos algumas horas de segurança antes de decidir o próximo passo.
Ou era o que eu esperava.
Desliguei os sistemas da aeronave enquanto Renesmee despertava Charlie devagar no banco traseiro. Nossa filha ainda estava sonolenta quando pegou a mão da mãe e desceu comigo do avião observando tudo ao redor completamente encantada.
O ar quente do Caribe misturado ao cheiro do mar fez Charlie arregalar os olhos imediatamente.
— O oceano é gigante…
Sorri automaticamente ao ouvir aquilo.
Ela ainda conseguia encontrar magia em coisas simples mesmo depois de toda aquela fuga.
Renesmee, no entanto, observava a ilha inteira com atenção estratégica enquanto o vento balançava os cabelos escuros dela.
— Onde estamos? — perguntou finalmente.
Antes que eu respondesse, uma voz masculina surgiu próxima aos hangares menores espalhados pela pista.
— Finalmente chegaram.
Olhei imediatamente na direção da voz já reconhecendo o tom irritantemente debochado.
Paul Lahote caminhava na nossa direção vestindo camiseta escura e segurando uma garrafa de cerveja como se estivesse esperando amigos para um churrasco e não fugitivos internacionais ligados a um projeto biológico secreto.
— Sam quase surtou quando recebeu suas coordenadas no meio da madrugada — continuou ele. — Disse que você provavelmente estava morto ou sendo perseguido por um cartel colombiano.
Charlie imediatamente se escondeu parcialmente atrás das pernas de Renesmee observando Paul com curiosidade.
Então ele finalmente olhou diretamente para Nessie.
E congelou.
O sorriso desapareceu lentamente do rosto dele enquanto os olhos percorriam Renesmee de cima abaixo.
— Puta merda… — murmurou baixo. — Então é verdade. A cópia da Elizabeth Swan realmente existe.
Erro.
Muito erro.
Renesmee estreitou os olhos imediatamente.
— Se me chamar de cópia mais uma vez… você não vai ter mais língua pra repetir isso.
Paul levantou as mãos rapidamente em rendição.
— Certo. Anotado. Personalidade assustadora também é genética então.
Nessie passou direto por ele sem responder enquanto segurava Charlie pela mão em direção às construções próximas da praia.
Ao passar por mim, lançou outro daqueles olhares furiosos que prometiam problemas futuros.
Muitos problemas futuros.
Paul observou ela se afastar por alguns segundos antes de finalmente olhar para mim outra vez.
— Que bicho mordeu ela?
Acabei soltando uma pequena risada cansada pela primeira vez em horas.
Então respondi baixo enquanto observava minha esposa caminhar irritada pela ilha carregando nossa filha:
— Honestamente? Acho que fui eu. E vou ter muito trabalho hoje à noite.
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