BlackSwan

30 O retorno de um velho amigo


Assim que atravessei a porta principal da casa senti parte da tensão da viagem desaparecer dos meus ombros. A construção era grande, feita de madeira clara e pedra, posicionada em um ponto elevado da ilha de onde era possível ver o mar através das enormes janelas. O cheiro de café recém-passado misturado à brisa salgada do oceano tornava o ambiente estranhamente acolhedor para um grupo de fugitivos internacionais.

A primeira pessoa a surgir foi Rachel.

Minha irmã atravessou a sala rapidamente e me abraçou antes mesmo que eu pudesse dizer qualquer coisa.

— Você tem alguma noção do susto que me deu? — reclamou enquanto me soltava.

— Eu tinha coisas um pouco mais urgentes para resolver.

— Como sempre.

Apesar da bronca, Rachel sorriu. Seus olhos então encontraram Renesmee.

Por um instante fiquei esperando perguntas, curiosidade ou até mesmo o mesmo olhar que tantas pessoas lançavam para Nessie quando ouviam sua história.

Mas Rachel simplesmente estendeu a mão.

— Finalmente conhecendo você. Sou Rachel.

Renesmee pareceu levemente surpresa.

— Renesmee.

— Eu sei. Jacob fala de você há anos.

— Rachel... — murmurei.

— O quê? Eu não disse nada de errado.

Nessie acabou sorrindo pela primeira vez desde que deixamos a Amazônia.

Charlie, ainda agarrada ao ursinho, observava tudo atrás das pernas da mãe.

— E você deve ser a famosa Charlie.

Minha filha assentiu desconfiada.

— Eu sou a Charlie pequena.

Rachel abriu um sorriso.

— Ótimo. Porque eu sou a tia Rachel.

Charlie pareceu considerar a informação seriamente antes de responder:

— Tudo bem.

Atrás dela surgiram Sam, Leah e Quil.

Leah observou Renesmee por alguns segundos antes de cruzar os braços.

— Então essa é a garota que fez o Black sossegar.

— Eu não sosseguei — respondi.

— Claro que não — ela respondeu ironicamente.

Quil, por sua vez, parecia mais interessado em Charlie.

— Ela tem seus olhos.

— Graças a Deus não herdou o resto dele — comentou Leah.

Charlie olhou para mim.

— Mamãe diz que eu tenho seu nariz.

A sala inteira riu.

Mesmo Leah.

Por alguns segundos aquilo pareceu quase normal.

Como uma reunião de família.

Algo raro demais na minha vida.

Deixei as mochilas próximas ao sofá e finalmente voltei minha atenção para Sam.

— Desculpem aparecer desse jeito. Foi uma emergência.

O sorriso dele desapareceu imediatamente.

— Já imaginávamos.

Sam lançou um olhar rápido para a janela.

— Embry.

— Sim?

— Leve Quil e examinem o jatinho inteiro.

Quil arqueou uma sobrancelha.

— Está achando que rastrearam o voo?

— Estou achando que Jacob não atravessaria metade do continente sem motivo.

Embry assentiu imediatamente.

— Vamos verificar.

Os dois saíram da casa sem perder tempo.

Observei eles desaparecerem pela varanda enquanto uma sensação desagradável continuava presa no fundo da minha mente.

Bree.

Eu ainda não conseguia acreditar que ela tinha chegado tão perto.

— Onde está Seth? — perguntei.

Sam trocou um olhar estranho com Leah.

Aquilo chamou minha atenção imediatamente.

— O que foi?

Antes que qualquer um deles respondesse, ouvi passos vindo do corredor lateral da casa.

Passos de duas pessoas.

Virei a cabeça automaticamente.

Seth apareceu primeiro.

Ele carregava uma expressão estranhamente satisfeita.

Como alguém que estava esperando por aquele momento.

— Finalmente — disse ele.

Então a segunda pessoa entrou na sala.

Por um instante o mundo inteiro pareceu parar.

Renesmee ficou imóvel ao meu lado.

Charlie largou o ursinho no chão.

E eu tive certeza absoluta de que estava vendo um fantasma.

O homem tinha os cabelos mais grisalhos do que eu lembrava. Algumas rugas agora marcavam seu rosto e os anos escondido haviam deixado sua aparência mais cansada.

Mas não havia como confundir.

Charlie Swan.

Vivo.

Os olhos dele encontraram os de Renesmee primeiro e toda a firmeza que eu conhecia naquele homem simplesmente desapareceu.

— Oi, Querida.

Ao meu lado ouvi a respiração de Renesmee falhar. E pela primeira vez desde que a conheci, ela parecia não saber o que fazer.


Por alguns segundos ninguém se moveu.

Renesmee permanecia imóvel ao meu lado encarando Charlie Swan como se ainda estivesse tentando convencer a si mesma de que ele era real. Eu não podia culpá-la. Durante anos acreditamos que ele estava morto, desaparecido ou preso em algum buraco da KGB.

Charlie abriu os braços devagar e sorriu.

Um sorriso cansado.

Mas genuíno.

— O que foi? — perguntou. — Você não vai dar um abraço no seu velho pai?

Aquilo foi o suficiente.

Renesmee atravessou a sala quase correndo.

Charlie mal teve tempo de se preparar antes que ela o abraçasse com força. O velho Swan fechou os braços ao redor da filha e apoiou o queixo sobre os cabelos dela.

— Você demorou para me encontrar, princesa.

— Você desapareceu — respondeu ela com a voz embargada.

— Tecnicamente isso dificultou bastante as coisas.

Mesmo emocionada, Renesmee soltou uma pequena risada.

Observei a cena em silêncio.

Era estranho vê-los juntos.

Charlie Swan havia passado tanto tempo sendo uma missão, uma lembrança ou um fantasma que eu quase tinha esquecido que ele era apenas um pai vendo a filha novamente.

Mas então os olhos dele se moveram.

E pousaram sobre a pequena figura parada ao lado do sofá.

Charlie Black.

Nossa filha observava tudo abraçada ao ursinho enquanto tentava entender por que a mamãe estava chorando e sorrindo ao mesmo tempo.

Charlie Swan estreitou os olhos.

Primeiro para a menina.

Depois para mim.

Depois novamente para a menina.

— Quem é a criança?

Ah.

Droga.

Olhei automaticamente para Seth.

O infeliz desviou os olhos.

Leah começou a estudar uma parede extremamente interessante.

Sam tossiu.

Ninguém tinha contado.

Ninguém.

Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, ouvi passos rápidos vindos do corredor.

Bella apareceu praticamente correndo.

Atrás dela vinha Edward.

Bella nem percebeu o clima estranho da sala. Seus olhos encontraram Rachel imediatamente.

— Nessie!

Ela correu até a irmã e a abraçou forte.

— Meu Deus, você continua exatamente igual.

— Você também — respondeu Nessie rindo.

Edward entrou logo depois e cumprimentou todos com um aceno antes de finalmente perceber a tensão esquisita pairando no ambiente.

— O que está acontecendo?

— Nada — respondi rápido demais.

— Mentira — respondeu Leah.

Traidora.

Bella então viu Charlie.

Ou melhor.

Viu nossa Charlie.

Os olhos dela se iluminaram imediatamente.

— E quem é essa menininha linda?

Charlie apertou mais forte o ursinho e respondeu antes que qualquer adulto pudesse impedir.

— Eu sou Charlie Black.

Silêncio.

Absoluto.

Completo.

Edward levou exatamente dois segundos para entender.

Depois caiu na gargalhada.

Uma gargalhada tão alta que precisou apoiar uma mão na parede.

— Não acredito...

Bella arregalou os olhos.

Rachel cobriu a boca.

Leah virou o rosto tentando esconder o sorriso.

Sam simplesmente desistiu de parecer sério.

E eu percebi exatamente quando Charlie Swan juntou todas as peças. Muito devagar, muito perigosamente.

Os olhos dele foram para Charlie, depois para Renesmee, depois para mim e depois voltaram para Charlie.

— Charlie... Black?

A voz saiu calma demais, isso nunca era bom.

Nossa filha assentiu feliz.

— Sim.

Charlie Swan apontou para mim sem desviar os olhos da menina.

— Black... de Jacob Black?

— É meu papai.

Edward começou a rir ainda mais e Bella agora tentava não rir, e eu considerei fugir, sinceramente. Parecia uma boa opção.

Charlie Swan virou o rosto lentamente na minha direção. Muito lentamente, com a mesma expressão que eu já tinha visto agentes da KGB fazerem segundos antes de puxar o gatilho.

— Jacob.

— Charlie.

— Quantos anos ela tem?

— Três.

Silêncio.

— Três?

— Sim.

— Três anos.

— Continua sendo três.

Renesmee fechou os olhos, porque ela sabia exatamente o que estava prestes a acontecer.

Charlie Swan respirou fundo. Muito fundo.

Então apontou para a própria filha.

— Eu deixei você responsável por ela.

— E eu fui responsável.

— Você engravidou ela!

— Tecnicamente nós dois participamos disso — respondeu Renesmee.

Bella quase caiu no sofá de tanto rir, Edward simplesmente desistiu de manter a postura.

Enquanto isso, Charlie Swan continuava me encarando como se estivesse avaliando qual seria a forma mais eficiente de esconder um corpo naquela ilha.

E pela expressão dele...

O corpo provavelmente seria o meu.


Charlie Swan me arrastou para uma das salas do segundo andar da mansão antes que eu pudesse encontrar qualquer desculpa plausível para escapar. A porta foi fechada com tanta força que o quadro pendurado na parede chegou a balançar. Assim que ouvi a chave girar na fechadura, tive a sensação de que preferiria enfrentar uma equipe inteira da KGB do que aquela conversa.

O velho Swan caminhava de um lado para o outro como um animal enjaulado. Os cabelos grisalhos já denunciavam os anos que haviam passado desde a última vez que o vi, mas a expressão era exatamente a mesma. Charlie continuava possuindo aquele olhar que fazia qualquer pessoa sentir que estava prestes a ser interrogada.

— Três anos — disse ele finalmente. — Três anos, Jacob.

— Eu sei.

— Não, você não sabe.

Ele apontou um dedo na minha direção.

— Eu deixei minha filha sob sua proteção.

— E eu protegi ela.

— Você engravidou ela!

Suspirei profundamente.

Era a terceira vez que ele dizia aquilo desde que chegamos.

Provavelmente não seria a última.

— Charlie...

— Não. Agora você vai me ouvir.

Ele voltou a caminhar pela sala.

— Você tem alguma noção do que isso significa? Alguma? Eu passei metade da minha vida tentando proteger Renesmee do mundo. Passei anos escondido da KGB. Vi amigos morrerem. Vi Carlisle abandonar tudo para protegê-la. E agora eu descubro que existe uma criança.

A forma como ele pronunciou a palavra deixou claro que aquela era a verdadeira preocupação dele.

Não o relacionamento.

Não eu.

A criança.

Charlie Black.

A neta dele.

Permaneci em silêncio por alguns segundos antes de responder.

— Ela não é um problema.

Charlie soltou uma gargalhada sem humor.

— Claro que é.

— Não fale dela desse jeito.

O velho Swan me encarou imediatamente.

Pela primeira vez desde que entramos naquela sala, sua expressão suavizou um pouco.

Talvez porque tivesse percebido a firmeza na minha voz.

— Está vendo? — perguntou. — É exatamente isso.

— O quê?

— Você ama minha filha?

Não respondi de imediato.

Porque aquela era a verdade mais simples de toda a situação.

Depois de tantos anos fugindo, escondendo segredos e sobrevivendo, eu já não tinha motivo para mentir sobre aquilo.

— Sim — respondi. — Eu amo.

Charlie permaneceu em silêncio. Então se sentou lentamente em uma das poltronas próximas à janela, ele parecia estar cansado, muito cansado.

— Como aconteceu?

A pergunta saiu muito diferente das anteriores.

Não havia raiva.

Apenas curiosidade.

Me apoiei contra a mesa próxima e passei alguns segundos organizando os pensamentos.

— Eu também não planejei.

Charlie arqueou uma sobrancelha.

— Essa parte ficou evidente.

Ignorei o comentário.

— Quando conheci Renesmee, ela era apenas uma missão. Uma responsabilidade. Eu devia protegê-la. Nada mais.

Olhei pela janela por alguns segundos antes de continuar.

— Mas então comecei a conhecer quem ela era de verdade. A garota curiosa. Teimosa. Inteligente. A forma como ela enxergava o mundo. A forma como ela acreditava nas pessoas mesmo depois de tudo , de estar sendo caçada.

Charlie me observava sem interromper.

— Eu tentei evitar durante muito tempo.

— E falhou miseravelmente.

— Sim.

Ele soltou um pequeno resmungo.

— Finalmente algo em que concordamos.

Acabei sorrindo.

— Quando percebi já era tarde. Eu não estava protegendo apenas a Renesmee. Eu precisava dela na minha vida.

Charlie permaneceu quieto por alguns segundos.

— E ela?

Sorri sem conseguir evitar.

— Ela foi mais corajosa do que eu.

Aquilo arrancou uma pequena risada dele.

A primeira sincera desde que a conversa começou.

O silêncio voltou a ocupar a sala por alguns instantes.

Então Charlie respirou fundo.

— Carlisle estava errado.

A mudança de assunto me fez franzir a testa.

— Sobre o quê?

— Sobre clones.

O olhar dele ficou distante.

— Durante anos acreditamos que Renesmee seria única. Carlisle tinha certeza de que clones não poderiam se reproduzir. Era uma limitação biológica. Uma barreira natural.

— Charlie é diferente.

— Eu sei.

Ele apoiou os cotovelos nos joelhos.

— E isso é justamente o problema.

A preocupação voltou para sua voz.

— O nascimento daquela menina muda tudo que acreditávamos saber. Significa que Carlisle não compreendeu completamente o que criou. Significa que a KGB vai querer respostas. Significa que Charlie pode ser ainda mais importante do que a própria Renesmee.

Aquelas palavras ficaram pairando no ar.

Porque ambos sabíamos que ele provavelmente estava certo.

Minha filha nunca teria uma vida normal.

Nenhum de nós teria.

Charlie Swan suspirou profundamente e esfregou o rosto com as mãos.

Quando voltou a me olhar, a fúria já havia desaparecido.

Restava apenas resignação.

— Está feito.

— Charlie...

— Não. Está feito.

Ele apontou para a porta.

— Existe uma criança lá embaixo usando seu sobrenome.

Sorri.

— Isso costuma acontecer quando a criança é sua filha.

— Não me faça mudar de ideia.

Levantei as mãos em rendição.

Charlie respirou fundo mais uma vez.

Então finalmente disse:

— Você vai se casar com Renesmee.

Pisquei algumas vezes.

— O quê?

— Você ouviu.

— Charlie...

— Jacob, vocês vivem juntos há anos. Têm uma filha. E eu me recuso a explicar para minha neta por que os pais dela não são casados.

— Esse é seu argumento?

— É.

— É um argumento terrível.

— Continua sendo meu argumento.

Não consegui conter a risada.

Pela primeira vez desde que entrei naquela sala, tive certeza de que sobreviveria à conversa.

Charlie apontou novamente para a porta.

— Agora saia daqui antes que eu me lembre de todos os motivos pelos quais deveria estar querendo te matar.

Quando alcancei a maçaneta, ouvi sua voz uma última vez.

— Jacob.

Olhei para trás.

O velho Swan me observava em silêncio.

— Obrigado por cuidar dela.

Foi apenas isso.

Mas vindo dele, significava muito mais do que qualquer aprovação formal poderia significar.




Quando saí da sala ao lado de Charlie Swan, senti que havia acabado de sobreviver a um interrogatório particularmente agressivo. O velho continuava bravo, disso eu não tinha dúvidas, mas pelo menos já não parecia disposto a me enterrar em alguma parte remota daquela ilha. Atrás de mim, Charlie fechou a porta e caminhou pelo corredor com as mãos nos bolsos, mantendo aquela expressão séria de quem ainda estava processando tudo que havia descoberto nas últimas horas.

Descemos as escadas em silêncio até a grande sala principal da mansão. O ambiente estava muito mais tranquilo do que quando subimos. Renesmee estava sentada em um dos sofás conversando com Bella enquanto Charlie ocupava o centro das atenções sentada entre Edward e Rachel. Minha filha parecia completamente à vontade, como se estivesse naquele lugar havia meses e não apenas algumas horas.

Edward segurava um desenho feito por ela em uma folha de papel enquanto fingia analisar a obra com extrema seriedade.

— Acho que essa é a melhor representação artística de uma baleia que já vi.

— Não é uma baleia — respondeu Charlie.

— Não?

— É o papai.

Bella caiu na gargalhada.

Rachel também.

Até Edward precisou admitir a derrota.

— Certo. Agora que você falou realmente ficou parecido.

Charlie sorriu satisfeita.

Foi nesse momento que todos perceberam nossa chegada.

Renesmee imediatamente ergueu os olhos para mim. A preocupação que estava escondida ali desde que Charlie Swan me arrastou para aquela conversa desapareceu ao perceber que eu ainda estava inteiro.

Apenas sorri discretamente para tranquilizá-la.

Charlie Swan caminhou até o centro da sala antes que qualquer pergunta fosse feita.

— Está tudo resolvido.

Bella arqueou uma sobrancelha.

— Resolvido?

— Sim.

— Isso significa que você não matou ele?

— Ainda não.

— Promissor.

A sala inteira riu.

Menos eu.

Porque conhecia o velho Swan o suficiente para saber que aquela resposta não era totalmente uma piada.

Enquanto todos voltavam a relaxar, Charlie Swan desviou a atenção para a pequena Charlie sentada no sofá. Por alguns segundos ele apenas observou a menina.

A neta.

Talvez ainda estivesse tentando aceitar a ideia.

Charlie também o observava com curiosidade.

Os dois possuíam exatamente a mesma expressão naquele momento.

O que era ligeiramente assustador.

O velho Swan finalmente se aproximou e se ajoelhou diante dela.

— Acho que ainda não nos apresentamos direito.

Charlie inclinou a cabeça.

— Não?

— Não.

Ele estendeu a mão.

— Meu nome é Charlie Swan.

A pequena analisou a mão dele antes de apertá-la solenemente.

— Eu sou Charlie Black.

— Eu sei.

— Eu tenho seu nome.

Aquilo pareceu atingir Charlie Swan de uma forma que nenhuma outra coisa havia conseguido.

Os olhos dele foram imediatamente para Renesmee.

Depois para mim.

E então voltaram para a menina.

— Tem mesmo.

Charlie assentiu orgulhosa.

— Mamãe disse que você é importante.

Renesmee ficou levemente vermelha.

Bella imediatamente começou a sorrir.

Eu já podia imaginar os comentários que ela faria depois.

— Sua mãe disse isso?

— Sim.

— Então ela é muito inteligente.

— Eu também sou.

O velho Swan soltou uma risada genuína.

A primeira que ouvi desde que chegamos à ilha.

Charlie então ergueu os braços na direção dele como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

— Quer me pegar no colo?

Charlie Swan ficou completamente rendido.

Não houve resistência.

Não houve dignidade.

O homem que enfrentou a KGB, protegeu um segredo durante anos e desapareceu do mapa simplesmente pegou a neta no colo.

Charlie imediatamente apoiou os braços ao redor do pescoço dele.

— Você é meu vovô agora?

— Acho que sim.

— Definitivamente sim — corrigiu ela.

A sala inteira observava a cena em silêncio.

Bella tinha os olhos marejados.

Edward sorria discretamente.

Renesmee parecia emocionada.

E eu apenas observava.

Porque naquele instante ficou evidente que Charlie Swan podia continuar bravo comigo por ter me apaixonado pela filha dele.

Podia reclamar.

Podia ameaçar.

Podia me atormentar pelos próximos cinquenta anos.

Mas não havia mais volta.

Bastaram trinta segundos com a neta nos braços para ele se apaixonar completamente por ela.

E todos naquela sala sabiam disso.