Black Mirror
1 A Revelação
Notas iniciais
Será que não mereço morrer? Cheiros e gostos passam a me possuir, será algum tipo de brincadeira que a vida faz comigo? Eu não já causei dor e sofrimento demais para as pessoas?
Ao abrir os olhos percebo que estou em uma cabana, bastante antiga pelo visto, mas há algo estranho em mim, não sei o que é, mas minha garganta arde como se tivesse ficado sem beber água por 3 dias, meu estômago dói muito e pode parecer muito estranho, mas eu consigo sentir tudo, é como se o mundo tivesse mudado, como se eu tivesse sido vítima de algum experimento louco, afinal já estava à beira da morte, que diferença faria?
Ouço a porta bater e corro logo para a cama em que estava, os passos são dolorosos, mas suportáveis, achei que estava disfarçando bem, mas de algum modo a pessoa que estava na cabana comigo sabia que eu já havia acordado.
- Vamos garoto, levante-se! – Nunca havia ouvido a voz desse homem na minha vida, mas era bastante rude.
Devagar fui levantando, ainda fazendo o teatrinho, fingindo que estava acordando, ao que parece, não o convenceu.
- Como você está garoto? Garanto que bem melhor do que antes, te encontrei a beira da morte! Prazer, Plalton Bern. – Quem é esse homem? Nunca o vi na minha vida, e por que me salvou?
- Olá Sr. Bern, meu nome é Rodric Jurth – Senti a dor forte no estômago e a ardência na garganta, e ele percebeu por causa da minha expressão de sofrimento.
- Não se preocupe, já vou alimentá-lo, não faça questionamentos quanto ao alimento, após você terminar conversamos sobre sua atual situação.
A forma na qual eu me encontrava era tão ruim que não falei nada, apenas assenti com a cabeça. Nada fazia sentido, por que a vida me deu outra chance depois de tudo o que fiz?
Sr. Bern volta da cozinha com um copo cheio de um líquido vermelho com um cheiro tão bom que enchi minha boca d’água. Ele me entregou o copo e falou:
- Sei que o cheiro está bom, como eu disse, não me faça perguntas sobre o que é isso, mas por hora, deve bastar para lhe manter.
O Copo estava todo cheio, e não era pequeno, era muito grande, mas por desconhecer o que era aquilo, eu bebi devagar, apreciando o gosto, senti o líquido delicioso descer por minha garganta, que maravilha, nunca bebi nada tão gostoso quanto aquilo, era uma bebida tão suculenta que só pode ter sido feita pelos Deuses.
Infelizmente chegou ao fim e como ele falou, eu estava cheio, não totalmente satisfeito, mas foi o bastante para tirar a dor infernal que sentia no estômago.
- Venha comigo, tenho que lhe mostra uma coisa, mas antes de ver, você terá que sentir o espaço com os olhos vendados. – Quando ele falou isso fiquei com um pouco de medo, mas tal medo foi logo substituído por uma ansiedade, por algum motivo eu me senti muito diferente nesse dia e tudo o que acontecer nele espero que seja surpresa.
Sr. Bern colocou uma venda em meus olhos e foi me guiando para a saída da cabana, eu estava bastante ansioso para o que ele queria que eu visse.
- Preste bastante atenção, eu quero que você relaxe seu corpo, eu sei que você está ansioso, mas apenas relaxe e use seus sentidos para criar a imaginação desse lugar, sinta o cheiro das árvores, dos animais, da água do rio e ouça tudo o que você puder.
Fiz o que ele pediu a mim, era algo maravilhoso, como se eu tivesse renascido, o vento que passa por mim me dá vontade de viver. Mas ainda é muito estranho, sinto o cheiro de uma onça, de aves de diversas espécies, um cheiro maravilhoso vindo do lago, é como se eu estivesse conectado com a natureza e ela a mim. Por um instante eu penso que sou o animal mais perigoso daquele lugar, sinto um cheiro semelhante ao do líquido que o Sr. Bern dera para mim, não exatamente igual, mas esse cheiro me invadiu, tomou conta de mim, logo me vem a vontade de matar, um sentimento que nunca havia sentido antes. O que será que me tornei? Será um demônio?
Sr. Bern percebeu que eu estava ficando alterado e retirou a venda dos meus olhos. Assim ele me perguntou:
- O que você sentiu? Qual a sensação que você tem a respeito desse lugar?
- Não sei dizer ao certo, mas ao que parece, estamos em uma longa floresta, cheia de animais e cheiros fascinantes. Mas há uma coisa que ainda não entendo, eu nunca senti isso antes, porque sentir agora? E qual o motivo de mim ter sentido o cheiro do líquido vermelho que você me dera para beber se esse cheiro veio de um animal? Isso está muito confuso. – Eu não sabia mais o que falar, a sensação era boa, mas tem que haver alguma explicação para isso.
- Calma, eu deveria ter dito logo após você acordar. Então, há 5 dias atrás eu lhe encontrei a beira da morte na rua principal da cidade de Fytin, não o conhecia e senti pena de você, resolvi ajudar, mas para que você tivesse alguma chance de sobrevivência eu tive que mudar você...
- Como assim mudar? Você está ficando louco? Como se pode mudar uma pessoa? – Levantei a voz, já estava impaciente por não saber do que aquele velho estava falando.
- Rodric, para você sobreviver eu tive que te transformar em um monstro – Como assim um monstro, o que esse velho está falando? Eu não pedi isso, só queria morrer e parar de causar sofrimento as pessoas, já estava até conformado com isso, mas não vou interrompe-lo – assim como eu, você passará por um momento bastante complicado em sua vida a partir de agora, como você pode perceber, seus sentidos estão bem mais apurados, você sente coisas que nunca sentiu antes, ver o que nem um ser humano pode ver, Rodric a bebida que lhe dera era sangue, nós somos os predadores mais perigosos dessa floresta, somos VAMPIROS.
O que? Vampiro? Esse velho só pode está de brincadeira comigo. Estou confuso, em parte eu quero acreditar no que ele fala pelo fato de que eu estou realmente diferente, mas acreditar em vampiros, não sei se estou preparado para isso. Então vamos tirar a prova.
- Se eu sou mesmo um vampiro, quer dizer que sou imortal certo? – Decidi testá-lo e a mim mesmo, se sou um vampiro, então devo ter habilidades sobrenaturais.
- Sim, somos imortais – A expressão dele foi calma ao dizer isso.
Corri para uma árvore grande, de aparência bem antiga, a abracei e comecei a bater minha cabeça, quero mesmo saber se essa história de vampiros realmente existe.
- O que você está fazendo garoto?
- Você acha mesmo que vou acreditar em você assim tão fácil? – Cada vez batia mais forte e sentia um pouco de dor.
- Você é louco?
- Cala a boca velho rabugento, quem você pensa que é para me chamar de louco, você diz que vampiros existem e ainda eu sou o louco?
Ele se calou, provavelmente o que eu estava fazendo era loucura de mais, via sua expressão seus olhos verdes claro começaram a mudar, foram tomando uma coloração cada vez mais avermelhada até que ficaram completamente vermelhos. Algo estava errado comigo também, não estava bem, meu estômago começa a doer novamente, mas eu acabara de comer, como isso é possível.
- Você está com fome, e eu também, vá caçar algum animal, não se esqueça de segurá-lo bem.
A dor foi tomando proporções cada vez mais fortes, não dava mais para aguentar, corri floresta a dentro, minha velocidade estava além do comum, era incrível, mas ao mesmo tempo eu ainda sentia angustia de estar ali, quando eu deveria está morto.
O delicioso cheiro me dominou novamente, a poucos metros de mim havia um urso, pelo visto bem grande, não esperei, corri para cima dele e o mordi, a medida em que o sangue entrava em minha boca eu me sentia cada vez mais forte, mais poderoso, e em menos de 5 minutos o urso já havia sido drenado totalmente.
Parei por alguns instantes e algo ruim veio, a raiva que eu estava do Sr. Bern veio com tudo ao ver o animal acabado no chão, agora eu via no que ele havia me tornado, uma aberração.
Corri de volta a cabana, entrei e confrontei o velho:
- Agora eu sei o que eu sou, vi o que eu sou capaz de fazer, depois de tudo o que eu fiz você me faz ser ainda pior, eu matei pessoas, torturei, ri enquanto matava, a morte dos outros era um prazer para mim e agora vou ter que continuar a fazer isso de maneiras ainda piores porque minha vida depende disso agora, eu vivo com a morte dos outros e tudo o que vai acontecer será sua culpa.
- Calma Rodric, não é necessário matar humanos para nossa sobrevivência, podemos sobreviver com sangue de animal, você matou um e se alimentou dele pelo visto... – eu o interrompi
- Matei, me alimentei, mas não estou satisfeito.
- Isso é apenas uma questão de adaptação, tenha calma.
- Eu não vou ter calma e a primeira adaptação que eu vou ter é de não conviver com você.
Segurei-o pelo pescoço com bastante força, pelo visto eu era mais forte que ele, talvez pelo fato de que fui criado a pouco tempo. Olhei bem em seus olhos que agora estavam com um sentimento de medo, enquanto ele tentava escapar.
- Plalton Bern, você acabou com minha vida, eu vou matar em seu nome, olhe bem para meu rosto, meus olhos que antes azuis eram, agora estão negros, agora eles refletem a escuridão, como um espelho, tudo o que será refletido na minha vida será trevas, adeus.
Quebrei seu pescoço e em seguida arranquei sua cabeça, coloquei-a em cima da mesa e me retirei da cabana.
- Você fez mal ao ter me trazido de volta a vida, não quero nem uma lembrança sua. – Incendiei a cabana com o corpo do velho dentro e me retirei do local.
Notas finais
- De início haverá muitas mortes.
- Me ajudem comentando se gostaram da história, no que eu poderia melhorar e dar sugestões para os próximos capítulos! Sempre levarei as sugestões de vocês em conta quando for fazer o próximo capítulo.
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