Black Diamond
2 Innocence
Os dias passavam melancólicos naquele local. Não havia distração que fizesse Persephone entreter-se por muito tempo; em sua mente, em seu coração, apenas habitava uma pessoa. Suas noites, entretanto, eram completas com amor, e todos os sentimentos podiam aflorar como quisessem. Seus sonhos com Hades nunca abandonaram-na, e isso sempre fez a garota continuar firme em suas tardes, por mais que não desejasse.
Fora confinada no Olimpo, após uma bela tarde. Tudo o que desejava, retirado de suas mãos, sem qualquer cerimônia para tal. Estivera no paraíso com seu amor por um dia, mas logo a seguir, deixaram-na no purgatório dos sentimentos. Sua mãe, Deméter, enlouquecera com a possibilidade de ter sua tão amada primogênita nos braços de Hades, o senhor do Tártaro. Não podia entender a profundidade do sentimento; não compreendia a relação entre os dois amantes. Ainda assim, vetada de ter a presença de seu amado, Persephone encontrou-o uma última vez.
Em especial, neste dia, o sol brilhava majestosamente, e o vento leve agitava os cachos da deusa. A brisa que emanava do mar criava uma sensação agradável, acariciava o corpo da garota. Ela dirigia-se para o bosque novamente, com a esperança de rever seu amado e em seus braços acolher-se uma vez mais. Durante o percurso, Persephone encontrou-se com um estonteantemente belo rapaz. Seu nome, ela viria a saber mais tarde, era Narciso, e ele observava-se nas águas de um pequeno lago, distante da cachoeira em que a garota queria chegar. Como não havia pressa em seu destino, a deusa passou a observar o jovem. Narciso fitava-se atenciosamente nas águas do lago, e admirava sua própria beleza. Em determinado momento, o rapaz declarou, observando ainda seu reflexo, que encontrava-se apaixonado. Persephone, que acompanhava o acontecimento entre as árvores do bosque, viu-se impressionada quando ouvira a melodia da ninfa Eco, que habitava aquele pequeno lago.
A cantiga que a ninfa entoava era nostálgica, possuía um tom bucólico. Em questão de momentos, Narciso fora de encontro com seu reflexo, e então, afundara no seu amor-próprio. A canção de Eco, ouvira Persephone, contava do amor que a ninfa sentia pelo rapaz, e que sempre fora ignorado, até então. A deusa aproximou-se do lago, para ver o que restava do pobre rapaz iludido, e encontrou apenas uma bela flor vermelha flutuando entre as águas. Encantada com sua beleza, capturou-na e levou-a consigo, entrelaçada nos fios de seus cachos.
Continuando sua jornada após este fato trágico, Persephone deparava-se com uma fauna que acompanhava-na em todos os lugares. Até mesmo os animais admiravam a beleza natural da deusa, filha da senhora das estações, a eterna inocente. Logo após ter deixado a tristeza que a melodia da ninfa deixara no coração da garota, ela alegrava-se com saber que em pouco tempo, estaria novamente com seu amado. Apenas imaginar estar nos braços de Hades novamente enchia seu coração de sentimentos puros e leves, e apagava qualquer pensamento de sua mente. Então, durante o restante de seu caminho, entoou cantigas apaixonadas, lindas para qualquer audição apurada poder apreciar.
A tarde passava preguiçosamente, e ainda estava em sua metade quando Persephone chegou à entrada da caverna. Sua voz doce adentrava o local, e não foi preciso que entrasse na mesma para que pudesse ter a visão de seu amado. Estava ali novamente, com seus longos cabelos negros e seus olhos enigmáticos, esperando por sua tão esperada deusa.
No momento em que viram-se, a garota foi de encontro ao deus, com sentimentos afluindo e transbordando em seu coração. Seus braços em enlace e seus lábios de encontro eram tudo o que os dois precisavam. Nenhuma outra coisa dentre o Olimpo e o Tártaro lhes era necessária. E, por este motivo, Persephone trocaria qualquer coisa para ter seu amado eternamente ao seu lado — mesmo sabendo os preços que precisaria pagar para isto acontecer.
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