Notas iniciais
Well, tenho que admitir que essa é uma das histórias que estou mais entusiasmada em escrever. Mesmo com o pouco retorno dela, é interessante o quanto eu realmente gosto de escrevê-la. Enfim, sem mais delongas, boa leitura.

Olhava para os arredores para confirmar algo que desconfiava. Aquela não era a realidade.

Estava em um lugar rodeado por árvores, porém a sua frente estava uma clareira. Seu olfato identificava o perfume das flores silvestres que nasciam ali, enquanto suas orelhas podiam ouvir com clareza o som de água corrente, parecia correr um rio pequeno ou um córrego inofensivo. Entretanto, não deixou de estremecer com a possibilidade de água nas proximidades.

Sua atenção foi roubada por um brilho, por um momento sentiu medo, mas logo relaxou ao perceber que era apenas o reflexo do sol nos anéis inibidores de Shadow, sentiu alivio ao mesmo tempo que sentia confusão. O que Shadow estaria fazendo ali? Ou melhor, o que ele próprio estaria fazendo ali.

Ouviu o ruído de farfalhar de folhas, ocasionalmente um “crack” suave de galhos que foram ruidosamente pisoteados e não precisava olhar para saber que quem for que fosse, estava sentindo raiva e de forma alguma queria que sua presença fosse ocultada.

— A culpa é sua! — Ouviu o grito feminino alto ao mesmo tempo em que um borrão de rosa e vermelho passava pela vegetação e se tornava visível pelo sol tênue que fazia.

— Não sei do que está falando. — O tom frio fazia seu coração gelar, ao mesmo tempo em que sentia suas pernas fracas e sua visão embaçada, sem nem saber o motivo.

— Você destruiu meu relacionamento com meu Sonikku! — Gritou a plenos pulmões, fazendo com que ambas as orelhas dos presentes se retorcessem pelo som alto e irritante.

— Uh? Relacionamento? Não sei do que está falando. — Repetiu novamente, nem sequer olhava para ela. — Rá, nem gosto do faker, não seja absurda. — Um pequeno sorrisinho aparecia no canto de seus lábios, embora Amy não conseguia ver, em sua posição privilegiada Sonic tinha todo o acesso ao seu rosto, embora tinha a impressão que não podia ser visto.

— Mentira! Você o-

— Cale a boca! — Gritou. Não soube porque aquilo saiu de seus lábios e nem porque estava sem movendo em direção para os dois que pareciam ter sido surpreendidos pelo ouriço azul ter os encontrando.

E muito menos soube a razão pela qual seu braço se mexeu contra sua vontade segurando com força o braço da ouriça rosa e fulminando-a com o olhar.

— Você não tem o direito de se meter no que não é da sua conta! — Gritou novamente. Não tinha controle sobre as palavras que saiam de sua boca, não queria dizer aquilo e muito menos a tratar com tamanha violência, em realidade não entendia nada o que estava acontecendo com ele.

— Mas nós-

— Quantas vezes tenho que repetir que nunca existiu relacionamento algum? Eu. Não. Amo. Você. — Sabia que era rude, sabia que estava ferindo os sentimentos de Amy, mas era como se estivesse preso em sua mente, não conseguia mudar o olhar, muito menos suavizar o seu tom de voz. O que apenas lhe restava era observar e tentar entender o que tudo aquilo significava.

Ele só podia esperar pelo pior.

— Mas-

— Agora saia daqui! — Soltou o braço com força, nem se importando que tivesse ficado marcado ou que com a força Amy acabou por tropeçar e cair.

O olhar da ouriça ficaria para sempre gravado em sua mente. Ela levantou com lágrimas nos olhos e sem nem esperar começou a correr desesperadamente, sem alguma vez ter olhado para trás.

Seu olhar caiu em Shadow, que assistiu toda a cena sem nem ter se movido, encarava a forma imóvel e fria, era como se ele pudesse matar só com o olhar e ele não duvidava que o ouriço fosse capaz de tal faceta tão facilmente.

— Shadow, eu-

Não conseguiu pronunciar palavra alguma, enquanto sentia seu pescoço sendo violentamente preso entre mãos fortes em um aperto mortal. Não sabia que Shadow poderia se mover tão rápido a ponto de em um momento estar a alguns passos de distância e em outro prendendo seu corpo com força contra a árvore do outro lado da clareira. E isso apenas em um breve piscar de olhos.

Não conseguia se soltar e as palavras que queriam dizer estavam presas em sua garganta, engasgadas e impossíveis de saírem.

— A culpa é sua! Toda sua! — Repetia as palavras de Amy com uma acidez mortal enquanto a mão parecia intensificar cada vez mais o aperto em seu pescoço.

— N-Nã... — Tentou dizer, mas o ar parecia quase inexistente e toda a força que tinha se desvanecia rapidamente.

— Não se preocupe, faker... Irei dar um fim nesse incidente infeliz... — Falou lentamente, sua outra mão formando uma espécie de lança de energia de coloração amarela. — Você não vai arruinar minha vida...

Seus olhos verdes se enchiam de lágrimas, enquanto o medo se apossava de seu corpo com uma velocidade voraz.

— Chaos... — Pronunciou as palavras lentamente, seus olhos pareciam divertidos ao ver o medo e as lágrimas estampadas nos olhos verdes. — Spears!

.

.

— Shadow, não! — Gritou com todas as suas forças, seus olhos abriam-se de repente, enquanto seu tronco se erguia da cama em velocidade surpreendente.

Um pesadelo.

Mas foi o bastante para fazer com que lágrimas enchessem o canto de seus olhos e sua respiração ficasse travada na garganta. Medo fazia seu coração disparar descompassado enquanto sua mente lutava contra a tontura que vinha do movimento brusco e inesperado.

Não conseguia controlar, suas mãos tremiam com a intensidade de seu sonho ruim. Fazia frio, era uma noite fria ao contrário do dia ensolarado e aconchegante de seu pesadelo. Oh, bem, só o clima estava aconchegante.

Estava tão perdido no choque e tentando organizar seus pensamentos que não prestou atenção ao som da porta abrindo com força, muito menos nos sons dos passos que corriam ao seu encontro. Braços envolviam seu tronco magro enquanto sua cabeça descansava inerte entre o par de seios volumosos e macios.

— Shiiii... — Sussurrou com calma, tomando a liberdade de correr seus dedos desnudos entre o emaranhado de espinhos afiados. — Foi só um pesadelo... — Sua voz soava rouca, tendo seu sono interrompido por gritos e correu assustada até o quarto principal. Não o culpava.

— R-Rouge... — Tentou dizer, sua voz ainda amedrontada e as palavras pareciam presas na garganta, assim como no pesadelo.

— Shiiii, está tudo bem, Blueboy. — Ainda deslizava seus dedos dentre os espinhos cobalto, tendo o cuidado com o ato. Como ela adquiriu essa experiência, ninguém poderia saber.

— Rouge... — Tentou dizer, a garganta seca e os olhos ainda ardendo, se sentia mal, era como se um enorme bolo tivesse se formado em sua garganta enquanto ainda permanecia sobre os efeitos do medo.

— Uh? — Cantarolou suavemente distraída. Ainda concentrada em não causar uma reação negativa nos instintos dele, que no caso lhe custaria uma mão.

— Shadow... Ele... — Tentou dizer, mas ainda se sentia bastante incapaz de pronunciar uma frase sem que a vontade de chorar ganhasse dele.

— Sinto muito, Sonic. Ele vai demorar... — Respondeu calmamente. Deslizando os dedos da mão livre sobre a face do ouriço, tentava suavemente acalmá-lo.

— Mas... Já faz duas semanas... — Tentou argumentar, mas era inútil.

— Bem, esse tipo de missão leva bastante tempo. Principalmente quando se tem apenas dois trabalhando nela. Você sabe, sistemas avançados de defesa levam tempo para burlar. — Deu de ombros suavemente, fios perolados de cabelo caindo suavemente por seu rosto.

— Você acha que.... — Outro pensamento soou por sua mente, e se?

— Eu não pensaria nisso se fosse você. Ele está bem, não precisa se preocupar. — Disse seriamente, porém ainda sustentando suavidade em seu tom. — Não se preocupe desnecessariamente, sweetie.

— Mesmo assim... Tenho medo.... — Confessou, suspirando em derrota e relaxando ainda mais seu corpo.

— Não se preocupe desnecessariamente. — Repetiu, seu polegar deslizando por uma bochecha pálida. — Se acalme, Sonic. Esse nervosismo não fará bem. Por que não tenta dormir, uh? — Sugeriu com um sorriso tranquilo, no qual em sua posição, Sonic não conseguiria ver.

— Não. Eu não quero voltar a dormir... Tenho... Medo... — Admitiu enquanto fechava os olhos, deixando com que as lágrimas que tinham se acumulado deslizassem livres por sua face.

— Por que não me conta sobre o pesadelo que teve? Vai lhe fazer se sentir melhor. — Seu tom de voz era maternal, de um jeito estranho conseguia tranquilizar Sonic. Ele entendia agora porque Shadow confiava na morcega. Ela transmitia tranquilidade e segurança quando queria.

Passou-se quase uma hora enquanto Sonic se entregava aos relatos sobre seu mais recente sonho, algumas vezes hesitava, porém tomava uma respiração profunda e se punha novamente a falar. Rouge por sua vez apenas ouvia calmamente, seus dedos tinham parado na tarefa de ‘pentear’ seus espinhos e apenas descansavam ao lado de seu corpo. Mesmo que tentasse, ainda tinha a memória vívida em sua mente e a tarefa de descrever todas as cenas do que aconteceu fazia com que novas lágrimas escorressem de seus olhos.

— Você anda se preocupando demais, sweetie. — Rouge disse depois que Sonic terminou seu relato. Sentia seu busto molhado devido as lágrimas do ouriço, porém ignorou a sensação. — Isso faz com que seu subconsciente lhe pregue peças como essa. — Concluiu.

Para Sonic era como se ela estivesse ressaltando o óbvio, porém não sabia realmente o que pensar.

— Mas... E se... — Tentou dizer, mas seus lábios foram presos por dois dedos de unhas escarlates.

— Nada de “mas” e muito menos de “e se”. — Seu tom era autoritário. — Já que estamos acordados, vamos fazer algo, não?

Empurrou suavemente a cabeça dele de seu peito e se levantou da cama, estendendo a mão para que ajudasse o ouriço a levantar. De início iria negar, mas sabia que era o mais prudente aceitar a ajuda, ainda estava assustado e mesmo que quisesse não conseguiria confiar em suas próprias pernas, não naquele momento.

Assim que seus dois pés tocaram o piso de madeira, uma sensação de tontura lhe abateu, teria caído se a morcega não tivesse agido rápido o suficiente para lhe amparar.

— Outra vez? — Tentou não rir, enquanto passava um braço em suas costas e puxava o dele para seus ombros.

Sua pergunta foi respondida com uma careta de desgosto.

Rouge ao contrário do que esperava tentava o puxar rapidamente para o corredor, enquanto abriu a porta do banheiro e Sonic entrou quase tropeçando no tapete.

O ouriço fechou a porta ansiosamente e Rouge entrou no quarto com um suspiro. Sentou na cama pesadamente e usando seus braços como apoio se esticou e olhou o relógio.

Acabava de completar as 4:00 a.m.

Notas finais
Well, capítulo inusitado não? Estava com vontade de escrevê-lo acho que o dia de ontem todo, mas precisava pensar bem em como o colocar em palavras, tarefa que é praticamente complicada para escritores. Anyway, o que acharam? Críticas, elogios ou opiniões, deixe seu review, incentivando a autora a melhorar cada vez mais suas histórias. Até uma próxima~ by: Shadow Shirami. [P.s.: Eu disse que iria lhe surpreender, Ages.]