Bittersweet.
8 8. Apenas curiosidade.
Notas iniciais
Olhava distraído para o céu estrelado acima de si, era uma noite calma e fria, mas não menos bonita.
Muitas vezes gostava de olhar para o céu, era reconfortante olhar para as estrelas e sabia que, nunca estaria sozinho se tivesse aquela visão para ver.
Memórias de um tempo remoto dançavam por sua mente, causando-lhe um misto de nostalgia e tristeza.
Talvez para si aquela visão tivesse um significado diferente do que teria para outras pessoas, ver as estrelas de sua posição no planeta era bastante as visões que tinha do espaço, mas, para si parecia mais bonita que através dos vidros da Colônia.
Pensar sobre isso fazia com que um sentimento de tristeza viesse acompanhado de dor. Maria.
A jovem menina era a sua primeira definição de amor, mas não chegava a ser algo mais do que um sentimento de proteção e fraternidade. E ela inspirava isso. A doença fazia com que todos os seus movimentos parecessem frágeis e que a qualquer momento ela poderia se ferir, era pálida demais, magra e ainda parecia não ter muita coordenação. Ao menos na visão de Shadow ela não era coordenada o bastante, porém isso lhe fazia ser graciosa de uma forma diferente.
Gostavam de assistir televisão, seriados e novelas que demoravam anos para chegar até a estação, comprimidos em arquivos de DVD, viam todas as cenas com olhares de alegria e curiosidade e brincavam às vezes de adultos, imitando os gestos e falas dos atores, era divertido para eles.
— Varredura do perímetro completa. — Seus devaneios foram interrompidos pela voz robótica de Ômega.
Piscou por alguns segundos até fixar seu olhar no robusto arsenal móvel. Os olhos de LED amarelos pareciam lhe analisar enquanto ambos os olhares se encontraram.
— Ótimo. Algum empecilho? — Sua voz parecia levemente surpreendida, porém ainda continua uma seriedade analítica, como sempre em cada missão que era encarregado de fazer.
— Negativo. — Redirecionou o seu corpo para outro lado, fazendo ruídos de metal em movimento e articulações robóticas em operação. — Alta concentração de metal em um raio de 50 pés a oeste.
— Qual a probabilidade de ser uma armadilha... — Pensou consigo mesmo, pronunciando em voz alta sem perceber.
— São de 65%. — A voz fria e robótica respondeu a sua frente, Shadow levantou os olhos, encarando a figura robusta a sua frente.
O ouriço suspirou, pegando a mochila que havia levado para a missão extensa.
Havia se passado dias e ambos não haviam encontrado nada, nenhum tipo de base ou construção metálica, ambos sabiam que o Comandante não aceitaria que voltassem com as mãos abanando, ele queria resultados, não simples desculpas e não iria admitir que a Ultimate Lifeform fracassasse.
Ele não os selecionou como os melhores agentes, não atingiram o topo da organização para simplesmente falharem.
Na menção ao comandante, Shadow franziu a testa para uma árvore, aquele humano estava velho e ele suspeitava que louco também. Deu de ombros, tanto fazia. Desde que ele não era novamente o alvo de suspeitas e desconfianças, ele estava em com isso, parecia que ele e o comandante havia construído uma parceria amigável, porém no fundo, Shadow sabia que mesmo depois de tantos anos, ele ainda o invejava por ter lhe roubado a atenção de Maria, mesmo que ambos tentem dizer que já eram águas passadas.
— Seres orgânicos são incompreensíveis. — Ouviu Ômega dizer atrás de si, a voz sem qualquer inflexão para saber se era uma afirmação ou uma brincadeira.
— Temos trabalho a fazer. Vá liderando-
O bip lhe impediu de terminar sua sentença, seu pulso entoando sons de alarme vindo de seu pequeno disposto comunicador, olhou atordoado em direção ao seu pulso antes de finalmente apertar o pequeno botão para ‘atender’ o chamado.
— Agente Shadow na escuta. — Disse friamente, seu tom aderindo nuances profissionais enquanto esperava para saber quem poderia ter, sabia que só havia dois indivíduos que conseguiria encontra-lo pelo comunicador pelo raio de frequência única que ele emitia e seriam eles o Comandante e... Rouge.
— Shadow? Oh, estou atrapalhando algo? — A voz da morcega soou pelo comunicador, seu tom parecia alarmado e até mesmo desesperado.
— Não. Há algo de errado? — Seu tom suavizou visivelmente, aderindo brevemente tons de preocupação, sentia que havia algo de errado, só não conseguia ter noção do que poderia ser.
— Depende. — Respondeu de forma evasiva, Shadow poderia ouvir um suspiro vindo dela antes que ela continuasse a falar. — Shadow... uh...
— Apenas faça logo sua pergunta, Rouge. — Suspirou irritado.
— Okay, okay! Não precisa ser grosseiro, hun. — Provocou, pelo tom divertido de suas palavras, ele podia visualizar a imagem mental que ela estava sorrindo quando pronunciou a última palavra. — Se de alguma forma, você não conseguisse absorver Chao Energy de forma natural, o que você faria? — Depois de uma longa respiração profunda, ela despejou a pergunta rapidamente, quase tropeçando em suas próprias palavras, porém Shadow conseguiu compreender bem. Mas isso não significava que ele entendeu completamente onde a morcega queria chegar.
— O quê? — Todo seu tom sério foi manchado pela surpresa e confusão, enquanto ele piscava na esperança, mesmo que vaga, de apreender o que exatamente ela queria saber.
— Eu sei que você ouviu muito bem, agora me responda! — Ele teria rosnado, mas algo no tom dela lhe impediu de o fazer, parecia que ela realmente estava precisando de uma resposta urgente.
Levou um tempo para que ele pudesse organizar seus pensamentos confusos e pensasse claramente em uma resposta, essa questão nunca havia passado por sua mente antes, porém já teve momentos em que seu corpo estava com seus níveis baixos de energia, a tal ponto de levaria um tempo longo até que os níveis se estabilizasse e ele teria sua força total de volta. Nesses casos ele sempre usava uma Chaos Emerald e absorvia de seu poder.
Uma Chaos emerald!
— Eu usaria uma Chaos emerald, mas porque está fazendo esse tipo de pergunta? — Ele não queria e por mais que tentasse, curiosidade estava evidente em suas palavras, fazendo-o soar estranhamente fora de seu normal.
— Apenas curiosidade. — A voz de Rouge soou em um tom cantante pelo comunicador. O ouriço franziu a testa para essa resposta tão incomum, porém antes que ele pudesse abrir a boca para fazer alguma pergunta, Rouge continuou. — Preciso ir, hun. Boa sorte. — Foi o que falou antes de desligar rapidamente deixando um Shadow atordoado olhando estupidamente para seu pulso.
.
Há quilômetros dali, em uma espaçosa sala, um homem procurava uma posição confortável para se sentar na enorme poltrona de couro. Seus olhos eram azuis e seus cabelos um tom acastanhado quase loiro, ao contrário de seu antecessor, ele não possuía uma carranca séria e hostil, mas um olhar suave e até mesmo compreensivo, apesar da cicatriz que marcava seu rosto iniciando pelo queixo e terminando em sua testa.
Uma mulher estava em sua sala, seus cabelos loiros presos em um coque alto e firme enquanto parecia apressada na organização e remoção de antigos arquivos e pertences da enorme mesa de mogno, um técnico fazia os últimos ajustes de um computador moderno enquanto o antigo jazia em uma caixa ao lado de sua figura encurvada.
Apesar da movimentação em sua frente, o olhar do homem parecia perdido, quase sonhador enquanto os funcionamentos faziam seus trabalhos praticamente às pressas, temendo o novo líder e prezando pelos seus empregos que lhe garantiam um bom pagamento no final do mês.
— Seu computador foi instalado corretamente, senhor. — O técnico informou nervosamente, temendo a reação que o novo sucessor poderia ter. Temendo o pior ao interromper a linha de pensamento daquele que tampouco conhecia.
Ele apenas direcionou seu rosto ao funcionário e assentiu distraidamente. Com um gesto de mão o dispensou.
Viu de soslaio quando o homem pegou a caixa com o computador do antigo ocupante daquela sala e saiu apressado. Suspirou, os antigos comandantes haviam deixado um legado de terror e forte disciplina naquela organização. Fazendo com que o proposito primário pela qual foi criada se perdesse, todo o respeito que G.U.N tinha se converteu em puro medo da população.
Ele sabia dos feitos terríveis de seu antecessor... Seu próprio pai fora literalmente um monstro, seguindo à risca o legado de seu avô. E agora, sentado diante dessa mesa enquanto os funcionários e subordinados lhe lançavam olhares de medo e temor, ele só podia lamentar.
— S-Senhor? — Ouviu a voz hesitante da mulher soou do outro lado da mesa, sua postura tensa.
— Sim? — Suspirou.
— T-Terminei a limpeza, se p-precisar de algo é s-só chamar. — A mulher seguiu o mesmo exemplo, parecia desesperada para deixar a sala.
Ele assentiu novamente, repetindo o mesmo gesto para que ela pudesse sair.
Se ele quisesse mudar algo a respeito das ações passada dessa grande organização, ele teria muito o que fazer.
Seria um longo trabalho.
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