Notas iniciais
Boa leitura~

Acordou em um lugar estranho, era um quarto de paredes brancas, o lugar cheirava álcool e o ambiente era frio.

Aquilo lhe trazia lembranças não muito felizes, eram como cenas de um passado distante voltando para lhe assombrar, se levantou, ignorando a dor que se alastrava em seu corpo, notou a restrição das ataduras, a qual arrancou com força.

Onde estava?

Ainda sentia seu corpo doendo de algo que só conseguia assimilar a uma grande descarga elétrica.

Tudo era um borrão, confuso.

Se lembrou de Amy ter derrubado o grande robô, depois de ter ido verificar a máquina e depois mais nada, embora alguns poucos flashes piscavam de vez enquanto.

Olhou para seu corpo, ainda sujo de sangue, ninguém tivera coragem de limpar seu corpo aparentemente.

Caminhou até o corredor, onde via o borrão de rosa e vermelho no canto mais afastado, sentada com as mãos no colo. Sua expressão era de choro? Choque? Medo?

O que acontecera?

Caminhou lentamente até a ouriça, perdido em seus pensamentos, tentando entender porque estava em um hospital de todos os lugares, não era algo comum de se acontecer, então algo grande tinha acontecido.

— Garota. — Chamou-a, tentando ser educado.

Amy se contraiu ao som de sua voz, depois o encarou com um misto de medo e raiva. Isso não era novidade, eram olhares comuns de se receber, principalmente porque a ouriça não parecia muito amigável consigo, mas ela fez um gesto silencioso para que prosseguisse.

— O que aconteceu? — Se forçou a dizer.

Via médicos overlanders e mobians passando rapidamente por eles, subindo e descendo escadas.

— Que bom que tenha perguntado. — Disse seca. Depois desviou o olhar.

Antes que pudesse repetir sua pergunta, um médico se aproximou, era um pato amarelo que se aproximou com um semblante desanimado.

— Estamos tentando reverter a hemorragia interna, mas ele está respondendo muito mal a cirurgia, está perdendo muito sangue. — Disse para o ouriça, ignorando completamente a presença de Shadow, ou tentando, suas mãos tremiam.

— Não tem nada que podem fazer? — A ouriça perguntou preocupada.

Shadow levantou o olhar para isso, normalmente Amy armaria um escândalo, gritaria ou ameaçaria os médicos. Tinha que admitir que, na situação que estavam, ela estava controlada, mesmo que conseguisse notar na comunicação corporal de que ela estava nervosa.

Até ansiosa. Dava para sentir sua preocupação, como ondas de energia.

Ao pensar em energia, de repente tudo veio a mente, como se acendessem uma lâmpada depois de ficar horas no escuro.

Oscilou, usando a parede como apoio.

Não... Pode... Ser...

É culpa sua...

— Ele é O negativo, estamos sem tempo e pedir de outro hospital demoraria... Com essa onda de ataques, nossos estoques estão acabando, mesmo com campanhas, não temos recebido muitos doadores... — Disse apologético, parecia em suas costas estava o fardo de trazer más notícias.

Amy suspirou, fechou os olhos, esses com lágrimas ameaçando a escorrer, então com a voz de alguém que estava mentalmente esgotada.

— É o mínimo que deve fazer, Shadow. — Cuspiu para o ouriço negro. — Você é o Ultimate Lifeform, — disse com sarcasmo — ser doador universal deve estar na sua gama de habilidades.

A amargura em sua voz assustou verdadeiramente Shadow. Nunca o ouvira usar tais palavras contra alguém, nem mesmo com algo que detestava.

Aquilo fazia sua cabeça girar, uma dor de cabeça surgindo junto com as lembranças do que fizera, voltando a sua mente como em um looping.

Deu um passo trôpego na direção do médico, que se encolheu diante a figura dele, o corpo ainda sujo de sangue, parecendo um monstro grotesco.

E era assim que se sentia.

E... Se não fosse parado por Ômega? Quanto sangue estaria impregnado em suas luvas agora? Quantas mortes estariam em seu contador?

Ele prometera proteger o planeta por Maria, mas, quando quase matou o herói do planeta, estaria ele cumprindo a promessa que havia feito?

Ele era um fracasso. Um completo fracasso.

Fora guiado até uma saleta, onde uma enfermeira rapidamente fizera os procedimentos, ninguém parecia confortável ao seu redor e Amy lhe dirigia palavras de repulsa, seu dia poderia ficar ainda pior?

Nem mesmo conseguira sentir a fisgada da agulha em seu braço, ignorou o que acontecia atualmente, sua mente ainda presa na expressão assustada de Sonic, o medo real da morte, a resignação dele enquanto fechava os olhos.

Aceitando.

Sonic desistiu de lutar.

Ele se deixaria ser morto por suas mãos.

Por quê? Qual o problema dele? Aquela expressão...

Seu estômago se retorceu, algum instinto de proteção e auto ódio, tudo mesclado.

Ele era um completo fracasso, como protetor quase matara Sonic.

Aquilo lhe corroía, sentia como ácido estivesse em suas veias. Sentia seu corpo inteiro gélido, tudo ao seu redor era um borrão de cores.

Sentiu a ardência nos olhos, mas... Por quê?

Por que se sentia tão miserável?

Sonic já passara por situações piores, por que a culpa era tão pesada?

Por que sentia vontade de vomitar?

— Pronto. — Ouviu a enfermeira, mas parecia deslocado, uma voz distante abafada, seus ouvidos estavam abafados.

Saiu da sala no automático, indo para perto de Amy, que era a única referência de um lugar para esperar. Poderia ir embora, mas queria saber sobre ele. Se sobreviveria.

Naquele momento, uma ânsia de ter Sonic em seus braços, seu calor quente aquecendo seu corpo frio e culposo, mas sabia que não era certo, manchar sua pureza delicada com suas mãos imundas, como o monstro que ele era.

Sonic merecia mais.

Muito mais.

Mais do que ele, uma arma letal que poderia dizimar o planeta sem o menor remorso, que poderia destruir sonhos, acabar com vidas tão facilmente que merecia voltar a contenção, aceitaria de bom grado.

Nem mesmo lutaria.

Parecia que toda sua energia havia sido sugada, nem mesmo a ausência do sangue doado fazia diferença para o corpo já quebrado.

Rouge chegou ali com um café na mão, oferecendo para Amy que aceitou.

— Deveria descansar, você ficou a noite toda sentada esperando. — Disse gentil, oferecendo um sorriso triste.

— Eu estou bem, preciso saber se vão ficar bem. — Amy disse com a voz trêmula.

Eles?

Sonic e a morcega?

— Os médicos conseguiram controlar o sangramento, uma enfermeira me certificou que não houve danos a placenta. — Rouge sentou ao lado dela e a puxou para seus braços.

Placenta...?

Se escondeu na esquina, afiando seus ouvidos.

Do que raios estavam falando?

— Sonic continua o mesmo imprudente. — Amy comentou chateada. — Bela forma de saber que ele tem um relacionamento com Shadow. — Cuspiu seu nome com asco. — Gravidez.

Aquilo parecia ilógico, as palavras de Amy não faziam qualquer sentido. Ela só pode estar brincando, talvez algum tipo de código feminino que ele desconhecia para alguma ofensa ou frase que não poderia ser dita por mulheres em lugares públicos.

— Imprudente? Ele foi até aquela merda de batalha se matar! Não só isso, como colocou seus filhotes em risco. Que espécie de pai ele é? — A voz de Rouge era ácida.

Filhotes...?

Filhos?

Isso era... Isso era possível?

Sonic estava...?

Mas o ouriço era um macho... Poderia ser realmente possível?

Ele estava... Carregando filhotes...

Grávido...

Dele...

E ele quase os matara... O próprio pai...

Por que os deuses lhe ofereceram essa dádiva para que acabasse estragando?

Não era idiota, eram dele, ele fora o primeiro e único... O primeiro e único a desgraçar completamente com a vida do ouriço.

Seu peito doeu, não conseguiu pensar, sua garganta queimava da bile que forçava caminho por sua garganta.

Filhos...

Que ele atacara...

Filhos...

.

O brilho do Chaos Control chamou a atenção das mulheres, Amy se levantou apressada, Rouge em seu encalço.

— Ele... ouviu... — Amy disse em um fio de voz.

— Merda. — Rouge estava em choque e desesperada. — Preciso encontra-lo antes que ele faça alguma loucura!

A morcega abraçou desajeitada a ouriça.

— Me avise se alguma coisa acontecer! — Começou a correr, Amy se viu sozinha.

Apoiou as costas na parede do hospital, lentamente suas costas foram descendo, até que estivesse sentada.

Tudo aconteceu tão rápido... Não inusitado, tão... inacreditável.

Sua cabeça doía e não sabia se era devido à falta de descanso. Colocou as mãos na cabeça, deixando com que toda dor finalmente escorresse em forma de lágrimas que tentava suprimir, tudo desmoronando.

Dor, traição... Incredulidade.

Tudo esmagando seu peito.

Sonic estava carregando filhos de outro homem.

Sonic amava outro homem.

Shadow.

Isso era demais para aceitar de uma vez, de repente.

A única coisa que a prendia ali, era o desespero de saber se ele iria sobreviver.

Seu coração estava pisado, se sentia humilhada, feita de idiota todo esse tempo, esperando por um tipo de amor que nunca receberia. Mesmo tendo aceitado que Sonic apenas a via como a irmãzinha, ainda existia aquela centelha de esperança de algo mais, mesmo que tentasse suprimir.

Seu amor ainda era grande demais para aceitar toda essa bomba de uma vez.

E tudo culpa de Shadow.

Queria tanto esmurra-lo, esfregar sua cara no asfalto até que se sentisse satisfeita.

Mas não podia fazer isso, não podia interferir na vida de outra pessoa, prometera mudar para melhor, ser a garota que estava destinada a ser. Mas ser forte era doloroso, aguentar a dor era tão difícil!

Era como se seu coração dolorido estivesse sendo esfaqueado, pisoteado e atropelado. A respiração vinha com dificuldade.

Uma enfermeira estava passando pelo corredor veio ao seu socorro, ajudando-a se levantar, chamando por um médico não a deixando sozinha.

Não se importava se a fachada forte tivesse ruído, ela só queria chorar.

Tudo o que ela acreditava havia sido destruído.

Como uma garota conseguiria lidar com tudo isso?

.

Sua mente estava confusa, de repente estava rodeado por árvores, altas o suficiente para ocultar a luz solar.

Uma floresta? Como viera parar ali?

Socou uma árvore com toda força, vendo o tronco estalar, partindo-se ao meio.

Ele era tão poderoso... Aquela árvore... Poderia muito bem ser Sonic.

Quebrado, rachado ao meio como madeira, caindo através de seus dedos, se despedaçando.

Gritou até sua garganta doer.

Por quê...?

Começara a andar a esmo.

Ele era um assassino...

Odioso...

Imperdoável.

Detestável.

Um monstro.

Notas finais
Comentem ae caso sintam o interesse~