Notas iniciais
Boa leitura~

— Não toque nisso! — Apenas ouviu o grito da morcega negra, indo em direção ao ouriço e um brilho roxo ofuscar sua visão.

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Aconteceu rápido demais para que pudesse entender, em um momento, a alegria da vitória, no outro, a destruição ainda maior se aproximava.

Em uma explosão de puro poder, a morcega fora jogada contra um dos prédios, batendo com força contra o prédio e caindo no chão com os olhos arregalados.

Ela não se mexia mais.

O silêncio se alastrou, o medo gelando suas espinhas, temendo algo que não entendiam o que era, mas que fazia seus pelos se eriçassem e as garras gélidas do terror cavando caminho através de suas espinhas.

Ninguém ousava gritar, nem mesmo a respiração podia vir alta.

Então o brilho cessou e viram Shadow.

Ele mantinha um aperto firme sobre uma pedra roxa, ou, o que parecia ser uma esmeralda, mas não tinha o tamanho certo de uma, nem parecia completa.

— Mary?! — Sally conseguiu gritar engasgada, seu tom agudo era perfurante no silêncio absoluto.

— A traidora... — Skye sussurrou, mas não conseguiu dizer mais nada.

Ninguém conseguia, ninguém entendia o que tinha acontecido.

Shadow acabou de...?

Lábios não conseguiam se mover para dizer as palavras certas.

Como? Por quê?

Splinter se moveu sorrateiro para onde a morcega derrotada estava, tocando a pele e suspirando fundo. Não disse nada, mas sua expressão dizia muito.

De repente, ele precisou ficar muito preocupado com sua segurança, dando um salto para cima e então o brilho dourado da Chaos Spears veio, rápido e perfurante, bem onde ele estava.

— Shadow?! — Amy gritou para o ouriço, tentando se manter em pé, com as pernas trêmulas, não de cansaço, mas de puro medo.

O ouriço tinha um sorriso largo no rosto e seus olhos, bem, não apareciam. Estavam esbranquiçados e não se via sequer uma sombra das íris carmesins frias.

Uma aura arroxeada envolvia sua força, a energia tão negativa que Knuckles, o guardião da esmeralda mestra, estava petrificado, congelado e acuado em um canto como um filhote assustado, suas íris ametistas apenas encarava a figura negra e aparentemente mortal.

Todos sabiam que cada batalha era um passo mais perto de uma possível morte, mas presenciá-la tão brutalmente, de forma tão rápida e doentia, era como se as fantasias de um futuro melhor desaparecessem.

E só conseguiam pensar em apenas uma única coisa.

Shadow era imparável.

Todos estavam mortos.

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O barulho alto de maquinário desmoronando fora o suficiente para o despertar de seu cochilo inquieto, não sabia porque, mas seus pelos haviam se eriçado e o mal pressentimento de uma desgraça o estava incomodando.

Passou a mão distraído por sua barriga, sentindo a pele dura e inchada. Seus filhotes cresciam dentro de si, mas o impediam de fazer tudo que mais gostava.

A curiosidade venceu a cautela, embora Sonic nunca tivera a palavra “cautela” arquivado em seu banco de dados. Queria ver como seus amigos estavam, talvez tenham vencido? Sem ele?

Eles tinham Shadow, o ouriço ébano era suficientemente forte para chutar a bunda de Eggman quantas vezes forem precisas, por que estava se preocupando tanto?

Não fazia ideia da razão de seu estômago se retorcer tanto, quase como se quisesse regurgitar outra vez, mas não havia nada para ser colocado para fora.

Se levantou, ainda usando o casaco como capa, caminhou até a porta do avião e espiou.

Viu a grande nuvem de fumaça aparecendo por dentre os destroços, ouviu os gritos de susto, excitação e vitória, estavam comemorando algo que não conseguiam ver e acreditavam que haviam vencido. Sua foto seria exposta nos jornais como o grande salvador da pátria e idolatrado como o verdadeiro herói, embora nem mesmo tenha participado do golpe final.

Tentou engolir a vontade chorar, a indignação agora vindo em sua mente, colocando o medo desconhecido em segundo plano, onde não poderia incomodá-lo por hora, sentindo-se completamente insatisfeito ao perceber que não importasse se seus amigos dessem o melhor em suas batalhas.

O holofote sempre estava voltado para Sonic the Hedgehog.

Quem escolhera o nome da equipe nem mesmo tinha sido ele, havia sido o público, exaltando seu nome como o suprassumo do heroísmo, colocando-o no pedestal que não merecia.

Afinal, mesmo que ele tivesse salvo o mundo várias e várias vezes, em troco de quê? Muitas mortes eram inevitável e qualquer mísera falha, mesmo que não pudesse ser evitadas, também era culpa sua.

Era uma maldita faca de dois gumes, sempre apontada para ele. O mundo era salvo? Idolatria. Houveram vítimas fatais? Completa culpa sua.

Caminhou para fora da nave, estar ali dentro estava o sufocando e estava desesperado por ar fresco, por algum cheiro agradável, algo que pudesse mudar seus pensamentos para caminhos mais tranquilos e não sentisse novamente a velha ânsia que agora se tornara sua parceira constante.

Malditos hormônios! Como agora os odiava!

Caminhou sem perceber para o mesmo beco de onde saíra. Precisava vê-los, precisava ter completa certeza de que estavam são e salvos, ilesos e felizes pela vitória, talvez até se mostrar para eles.

Mas, a cada passo que dava naquela direção, mais sentia como se estivesse caminhando pelas terras gélidas de Holoska, cada mísera distância percorrida, mais os dedos de suas mãos gelavam, mais sentia frio e medo.

A energia parecia estranha, se sentia cansado e sugado, mais terror sentia.

O que diabos estava acontecendo?

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Amy não podia deixar que as coisas saíssem do controle, Sonic não estava ali, Chaos sabe onde aquele ouriço se metera ou o que Shadow fizera com ele antes de retornar.

Sabia! Sabia que suas suspeitas sobre a veracidade das palavras de Shadow sobre estar do lado deles era duvidável. Mas isso era extremo até para Shadow.

Sabia que tinha algo extremamente errado!

— Temos que sair daqui! — Ouviu Sally dizer, a tensão era tão grossa, que havia se esquecido de que a esquila estava do lado, amparando-a.

Virou para a garota decidida. Não iria mais fugir, mesmo sabendo que as consequências seriam irreversíveis. Estava cansada de viver sempre à sombra, esperando ser resgatada mesmo quando tinha total certeza de que conseguiria sair sozinha e ilesa.

Ela não seria mais essa garotinha que fingia ser indefesa, mesmo que seu oponente fosse Shadow. Sabia que não estava sozinha e que nunca estaria.

— Sally, ajude os mais novos a escapar, proteja sua equipe, eu vou ficar, mesmo sendo Shadow, preciso ficar para atrasá-lo. — Instruiu, tirando a mão macia de sua cintura e usando de sua própria força de vontade para permanecer de pé.

— Não! Você não pode fazer isso. Olhe o que aconteceu com Mary! — A esquila segurou os ombros da ouriça. — Isso é suicídio!

Amy sorriu, um sorriso triste, trêmulo.

— Você precisa liderar sua equipe. Eu também lidero a minha e eles não podem ficar sem mim, eu sei que eles não fugiriam, não abandonarei ninguém. — Se afastou e com passos trôpegos caminhara lentamente para onde Cream e Big estavam, esperando-a. — Não fugirei mais.

A esquila apenas assistiu enquanto corria para seus aliados, Bunnie a olhava com doçura, enquanto Antoine empunhava sua cutlass com a postura ereta e confiante.

Se juntou ao seu grupo e com resignação disse:

— Não podemos ficar, precisamos proteger os cidadãos que estão depois desses prédios e alertá-los que precisam sair, as coisas acabaram de sair completamente do controle. — Apontou para uma rampa formada pelos destroços da nave. — É a forma mais rápida agora de sairmos.

— Por quoi non saímos pelo beco? — Antoine perguntou curioso, entortando a cabeça para ela enquanto Bunnie a olhava com a mesma expressão.

— Exposição demais, até chegarmos lá, poderá ser tarde demais e quero todos bem, não sabemos o que ele pode fazer conosco, só sabemos que ele pode destruir o planeta se quisesse, não quero arriscar que alguém se machuque, ou... — Não conseguiu terminar.

— La mujer murciélago... — Lupi disse insegura, olhando para a mancha negra caída há metros de distância, imóvel.

— Ainda não... — Sally disse apenas. Depois suspirou. — Não perguntem, apenas, não ainda.

— Ocês ouviro a Sal! — Bunnie disse finalmente. — Vamo todo mundo sair daqui e ajudá os qui tão do lado di fora.

O lobo laranja, escondido atrás de Lupi, assentiu várias vezes, assustado, não conseguia por alguma razão se mexer e tinha receio que acabasse urinando na frente de todo mundo.

Dortmund parecia querer cavar um buraco, se enfiar e nunca mais sair dali, nem mesmo sabia porque acabara ali, nem a força superior que o incentivara a aparecer no meio de tantos lutares, seguiu atrás de Rookie, segundo nele de vez enquanto, na verdade quase pulava em seu colo.

Amy observava de soslaio Sally e sua equipe saírem pelo lado, até que um ponto azul chamara sua atenção. Seria Sonic?

Tinha certeza que era, sua visão sempre era treinada para identificar Sonic não importasse onde o ouriço esteja, embora em sua vida tenha cometido pouquíssimas confusões, tinha certeza que era o ouriço cobalto.

Mas... Ele parecia estranho, agora que sua visão estava focada nele notava mudanças que sabiam que não eram normais. Não que saiba. Ele parecia doente, pálido e suado. Mesmo que usasse um casaco de capa, escondido nas sombras, Amy sabia que era ele.

Se fosse em um dia normal, teria gritado e chamado a atenção para ela, deixado a guarda aberta para ser atacada e salva, mas não era um dia normal.

Viu Shadow levantar a mão, brilhando de um Chaos Spears, não estaria surpresa que, se ela viu, o ouriço ébano também era capaz.

Não pensou duas vezes e gritou.

— Shadow! — Seu martelo em mãos, firme e seguro.

Isso não resolveu, então correu sem pensar duas vezes ao mesmo tempo que o Chaos Spears era lançado.

Nunca tentara fazer isso, na verdade nunca tentara nenhuma tática de batalha antes e tampouco fazia ideia de que iria funcionar, seguindo seus instintos, brandiu o martelo e o moveu em direção da lança de energia massiva e...

Funcionou.

Ela olhou para seu martelo chocada, não acreditando no que acabara de acontecer.

Amy Rose acaba de ricochetear um Chaos Spears da Ultimate Lifeform?

Não era tempo de ficar confiante, outras também vieram, continuou batendo seu martelo, mesmo que seus braços doessem, até que um dos seus contra-ataques fizera com que a Chaos Spears fosse de volta para seu dono.

Teria comemorado se não soubesse que isso só deixaria Shadow mais enfurecido e foi isso o que aconteceu, sabia que era seu fim quando o ouriço negro partiu para cima.

Não era boa contra luta corporal e não tinha certeza se acertar Shadow seria o suficiente.

Viu projeteis sendo lançados contra o ouriço negro, de canto de olho vira Espio tentando atrasá-los com kunais, Cream lançava Cheesse na esperança que isso atordoasse Shadow, assim como Big balançava sua vara de pesca, preparado para lança-la.

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Não entendeu nada assim que saiu pelo beco, a aura de medo era real e forte, como se pudessem morrer, em cima do robô enorme que antes aterrorizava a cidade, estava Shadow, segurando algo que não conseguia ver, mas parecia poderoso.

Uma aura roxa rodeava seu corpo e seus olhos estavam sem pupilas, percebeu que o ouriço ébano percebera sua presença e, não aparentava estar muito feliz.

Amy gritou ao mesmo tempo que surgia a Chaos Spears, crepitando entre os dedos do ouriço ébano, viu como sua amiga corria em direção a lança e, rebatia? Sonic não conseguiu não se assustar com a força e poder dela.

Se assustou ao tentar assimilar de que aquela realmente era a Amy que conhecia e sempre acabava tendo por salvá-la. A garotinha irritante que sempre tentava o forçar a um encontro e sempre fugia porque não aguentava a personalidade dela.

E agora... Admitia que estava de boca aberta. Admiração, surpresa e até mesmo orgulho.

Quando Amy se tornara tão forte e capaz?

Não conseguia se lembrar da última vez que vira lutar, nem mesmo a vira lutar!

A força dela! Era assustadora e já sentia antes a potência do seu Piko Piko Hammer e sinceramente não esperava que ela conseguia chegar no nível de competir com a Chaos Spears.

Então, a Chaos Spears acabara acertando Shadow e tudo desmoronou.

Não conseguiu pensar, seus pés se movendo por conta própria.

Se movendo para proteger Amy. Para perto do perigo.

Para sua morte.

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Amy parecia ver as coisas em uma câmera lenta doentia e então o borrão azul se interpondo entre ela e Shadow.

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A dor em suas costelas o fez gritar de agonia, sua velocidade fazendo com que recebesse com mais força do que deveria.

O ar fora sugado de seus pulmões, sentindo seu corpo ser empurrado para trás, seu pé mais conseguindo o deixar de pé, uma nova dor em seu calcanhar quando percebeu que havia pisado de mais jeito, caindo com força sobre sua mão colocada instintivamente para proteger sua barriga, torcendo também o pulso.

Ele e Amy sendo jogados contra uma parede, sem querer, Amy o protegendo da batida.

Seus olhos se arregalaram, a respiração presa na garganta. Tudo parecia desconexo, ao mesmo tempo que ocorria rápido demais também tudo tinha o aspecto de se passar em câmera lenta, seus movimentos eram limitados, sentia a dor lacerante em seu tornozelo, sua tentativa de escapar parecia cada vez mais inexistente. Seus pulmões ardiam a cada lufada de ar que absorvia, estava totalmente indefeso e a mercê dele, não havia saída, não tinha para onde escapar.

Estava revivendo a cena de seu pesadelo, dessa vez não teria ninguém para gritar ou julgar, o campo recaia em um imenso silencio enquanto os telespectadores cumpriam seu papel de observadores, alguns até tentaram se mover, porém pareciam presos ao chão por alguma espécie de força invisível e potente, congelados em um filme horripilante de terror, assistindo o massacre acontecendo diante de seus olhos, sendo incapazes de fazer qualquer coisa para que a morte iminente fosse evitada.

Ao longe, um avião caído, sua asa direita destruída, a cabine enterrada nos destroços, as hélices do biplano estavam espalhadas ao seu redor enquanto o barulho de maquinário em curto soava de algum lugar perto ou até mesmo dentro da carcaça retorcida. Nenhum sinal de que alguém estivesse dentro, tampouco seu condutor parecia estar em qualquer lugar nos arredores.

Seu carrasco andava ao seu encalço, os sons característicos de seus calçados metálicos arranhavam seus ouvidos, engoliu a bile em horror, era seu fim. Não tinha mais desculpas ou eventos que pudessem adiar sua morte iminente, era irônico como o destino o fizera ser salvo para posteriormente estar em perigo novamente, pelas mãos de ninguém mais que seu próprio salvador. Fechou seus olhos para não presenciar a cena, mas não sem antes notar que ele pegou uma das lanças dos badniks danificados que estavam espalhados pelo campo de batalha, inutilizáveis, o objeto rangeu em protesto contra a força que ele empregava para o arrancar das ligas de solda, causando um som irritante e estridente que fazia seus ouvidos sensíveis se retorcerem e um arrepio cruzar sua espinha.

Só ouviu o grito estridente de uma garota e então fechou os olhos esperando sua morte.

Ouvindo o nauseante som de carne sendo perfurada.

Notas finais
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