Bittersweet.
59 50. Vou te mostrar do que sou feita.
Notas iniciais
Skye correu pelos escombros, deslizando pelos pedaços de parede arrancadas que serviam de rampa, não era tão rápido ou ágil quanto os outros, a forma esguia parecia adoecida e frágil. Seus olhos afiados buscavam um melhor caminho para seguir enquanto tampava a boca com a luva para abafar uma tosse.
Endireitou a postura, encarando o túnel a frente e correu até o corvo caído, caindo sobre o corpo inerte, suas mãos pequenas fora até o rosto, desferindo tapas na face lívida, o corpo empoeirado, mas nenhum resquício de sangue, surpreendentemente.
— Acorde idiota! — Rosnou, mais sons estalados no bico. — Não é hora de tirar um cochilo.
Pálpebras negras se abriram, relevando olhos vermelhos brilhantes e zombeteiros.
— Finalmente. — Resmungou estufando as bochechas, olhando para o corvo com impaciência. — Não podemos chegar a guerra sair fora do controle.
Se afastou, abrindo espaço para que o corvo se levantasse.
— É uma ordem, Sebastian, se livre do campo de força! — A voz saiu tão firme tanto um lorde, mantendo a postura impecável.
O corvo ofereceu ao garoto um meio sorriso, enquanto limpava o fraque e fazia uma mesura digna de um mordomo real. E, muito deliberadamente lhe respondeu.
— Yes, my lord.
Amy corria com uma determinação ímpar.
Dias atrás, admitia que se colocaria em tamanho risco apenas para conseguir a admiração de Sonic, recebendo elogios pelo seu bom desempenho e talvez até usando como desculpa para o forçar a um encontro.
Mas esses dias passaram e Amy Rose não era mais a mesma ouriça. Parecia engraçado que sua epifania tivesse vindo da maneira mais inusitada, estranha e inacreditável, mas viera.
Ela era uma tola por acreditar que o amor poderia ser conquistado a força, submetendo os outros à sua vontade sem nem mesmo procurar saber se Sonic estava de acordo, era uma idiota por viver em um mundo de fantasia.
Se colocando em risco por atenção, colocando os outros em perigo para lhe salvar. Se dignando ao papel de pobre princesa a ser resgatada.
Não seria mais assim.
Ela não lutaria pelo amor de Sonic, porque ela já tinha. E saber que era amada, mesmo que não da forma como suas fantasias queriam, era mais do que o suficiente para que erguesse seu martelo, pisasse com determinação a cada vez que sua corrida a colocava mais perto do enorme robô que lhe lembrava o Death Egg,
Ela não fazia isso para receber migalhas de atenção. Não se dirigia para o que poderia ser sua morte porque acreditava que alguém a salvaria.
Seria a heroína, ela era muito bem capaz disso.
Não era mais a mesma garotinha assustada que esperava que viessem ao seu encontro, sentiu o aperto em seu ombro e sabia que era hora, seu coração corria em palpitações altas, seus olhos jade se estreitaram.
Era hora.
Agora ou nunca.
Ouviu a risada alta de Eggman, soando quase vitoriosa, o feixe de luz era quase cegante, seu coração saia pela boca, em marteladas.
Iria morrer. Iria morrer.
Mas então ela sorriu, seus lábios se retorciam em uma curvatura zombeteira, empurrando a figura invisível de Espio para o lado e saltando em uma altura que ninguém nunca antes a tinha visto saltar.
Usou um pedaço de parede quebrado como catapulta, se içando para frente depois que o feixe de luz cessou, usando toda sua força para acertar aquele ponto em especifico.
Por um momento, o silêncio.
Não se conseguia ouvir nada, nenhum suspiro, nenhum rangido. Era como se o tempo tivesse parado.
Quando todos menos esperavam, o robô rangeu, causando um barulho alto demais para os ouvidos presentes.
Os olhos podiam ver com clareza o compartimento da onde saíra o laser ser esmagado com força, chiando e protestando.
Antes que pudessem fazer qualquer outra ação, a parte de trás estalou, então como magia, podiam ver o campo de força que protegia o robô sair, quase como despindo-o.
— MALDITOS! ISSO NÃO FICARÁ ASSIM! — Ouviram o cientista megalomaníaco xingar enfurecido, enquanto apertava uma série de botões, outros compartimentos se abriram, revelando pequenos mísseis. — Ia guardar essas belezinhas para aquele maldito rato! Mas vocês provocaram isso! — E começou a rir.
Amy levantou a cabeça, depois de ter pousado em algum entulho. Esfregou abaixo do nariz e endireitou a postura.
— Pode vir, Eggman! — Gritou para ele em desafio. — Vou te ensinar a não menosprezar o Team Rose!
Como se despertos pelo grito de desafio de Amy, todos parecerem energizados com uma onda de entusiasmo, sendo capaz de alcançar até mesmo Shadow, que estava parado em choque, com uma Chaos Spears na mão.
Todos viram quando um raio negro atravessou o céu, então uma série de explosões vindo do céu se seguiram ao mesmo tempo, olharam para cima e viram a morcega empunhado a claymore, sobre uma nave que soltava fumaça, do outro lado, o corvo exibia sem qualquer pudor ou receio sua pose zombeteira.
Confiança inesperada encheu o coração de Amy Rose.
O medo, a sensação de insignificância, o receio de ser sempre deixada para trás.
Tudo parecia tolo agora.
Afinal, ela era Amy Rose, quem conseguia alcançar Sonic the Hedgehog, quem teve acesso a Prision Island sem qualquer nave. Tudo pelo seu próprio esforço e determinação.
Big apareceu do seu lado, pressionando os seus punhos juntos e olhando desafiador para a massa crescente de metal e circuitos, sem dizer muito, mas sua postura a expressão dizia tudo.
Cream estava sentada confortável no ombro esquerdo, demonstrando confiança enquanto sorria para Cheese que estava animado em seu entorno.
Seu time não era fraco, nem inferior. Podia aguentar tanto quanto o Team Dark.
E Amy Rose não era mais uma garota indefesa.
Na realidade, ela nunca fora. Mas fingia com medo de ferir o orgulho masculino de Sonic, fazendo-o sentir menos capaz de protege-la, mas, agora, ela não iria deixar barato.
Iria proteger aqueles que assim como ela fora um dia, não podia se proteger. Poderia não ser a heroína que Móbius queria, mas se tornaria a que o planeta precisava.
Seu corpo se curvou em uma posição de ataque, não deixando a guarda aberta.
Tomou uma longa respiração e, ao contrário do que esperava, seus dedos não estavam trêmulos diante do perigo.
— Dessa vez Tails não vai tomar o meu lugar nessa batalha. — Sua voz era convicta.
Outro áudio de risada que estava agora soando irritante.
Eggman só sabia ameaçar e rir. Amy pensou que era uma característica bem irritante, junto com linhas de diálogos prontas e clichês de qualquer vilão dos videogames que via Sonic jogando quando estava com tédio.
— Eu estaria com medo se fosse você, ouriça estupida. — Eggman cuspiu. — Continua a mesma criaturazinha indefesa que não consegue fazer nada sem gritar e implorar para que Sonic venha lhe salvar. — Começou a rir novamente ao ver que a posição confiante de Amy vacilou.
Tomando outra respiração para se acalmar, começou a balançar seu martelo no ar. Estava em linha reta para o robô e tinha a total atenção de Eggman, o que era o esperado. Já que a teoria dela ser o foco tenha se tornado real, podia se aproveitar disso.
Pelo canto do olho podia ver Espio, agora visível, se aproximando de Knuckles, viu o camaleão apontando para uma das pernas do robô e ela entendera o plano.
Sorriu.
— Quer mesmo colocar isso à prova? — A postura tencionou e, por um momento Amy desapareceu, indo tão rápido quanto Sonic, aparecendo e reaparecendo em lugares longe um do outro, como se estivesse brincando de esconder.
Então tocou o ombro de Knuckles, sussurrando suave.
— Agora!
Ouriça e equidna se moveram sem sincronia, mesmo nunca antes tendo trabalhado junto, mas Knuckles já estava acostumado com a velocidade de Sonic e Amy não era diferente, somando com o plus dela ser talvez tão forte quanto ele, se a ouriça tivesse explorado mais sua força.
Agora era hora de colocar em plano todas as teorias.
Knuckles particularmente achava Amy irritante e chata, sempre histérica, gritando por todos os lados por Sonic, esse que sempre fugia quando ouvia o grito dela.
Não entendia porque Sonic deixava que Amy se metesse nas lutas, colocando em perigo tanto ela quanto Cream, que ainda era uma garotinha, nova demais para se expor tanto ao perigo.
E agora lá estava ele, lado a lado com Amy, não a protegendo, mas lutando de igual. Quando fora que as coisas mudaram tão drasticamente? Onde estava aquela garotinha amedrontada que sempre implorava por piedade ou clamava por Sonic?
A mudança nela, a forma como seu andar era confiante, as mãos firmes, sem aparentar hesitação. Uma verdadeira guerreira, uma lutadora.
Alguém que é igual a Sonic. Alguém que poderia ser companheira de Sonic.
Amy se preparou para tudo, para uma chuva de mísseis, para a derrota, para o pior. A adrenalina havia tomado conta de seu cérebro e conseguia sentir a energia subindo por seu corpo.
Todos aqueles anos, sendo capturada, sendo usada de refém para ser resgatada. Todo aquele tempo de princesinha indefesa.
Isso acabaria aqui e agora.
Preparou o martelo e usou toda sua raiva e frustração no ataque, não existia mais o campo de força graças a Espio, o dano seria colossal.
Metal, parafusos e circuitos se despedaçaram com a força, sem as pernas, toda a estabilidade ruiu, fazendo com que o grande corpo acabasse por sucumbir a gravidade e cair.
— Não tinha me desafiado, Eggman? — Zombou. — Vou te mostrar do que sou feita!
O som alto dos sistemas entrando em pane ecoou pelo campo de batalha, Eggman sem controle acabou acionando os mísseis que foram para cima, atingindo suas próprias naves, explodindo-as e fazendo com que perdessem controle.
A cidade já estava evacuada, mas as perdas materiais seriam imensuráveis e indizíveis. Ouve gritos dos participantes, Amy olhou para trás vendo que um pedaço imenso de metal estava indo em direção ao grupo de Sally estava.
Iria esmaga-los se ninguém fizesse algo!
Agiu por impulso, aproveitando-se da carga de adrenalina que preenchia seu corpo, como a explosão de um boost, ela fora tão rápida que nem mesmo sabia como suas pernas se moviam tão rápido, entendendo de forma inusitada a sensação que Sonic tinha.
Gritou para eles, tirando cada um da rota de colisão terminando por Sally, lhe dando um sorriso que muitas vezes vira Sonic lhe oferecer.
— Acho que estamos quites. — Riu, então seu corpo oscilou para frente, seus joelhos cedendo pelo esforço e sendo amparada pela esquila.
— Você está bem? — A esquila perguntou preocupada, segurando o corpo perto do seu, passando o braço da ouriça pelas suas costas e segurando sua cintura. Notou como seus músculos pareciam trêmulos.
Mas fizera um bom resgaste.
Pessoas corriam de um lado para o outro, tentando se esquivar dos destroços, alguns tendo grande sucesso, outros com pequenos problemas, tirando alguns arranhões, todos estavam à salvo.
Amy suspirou aliviada, apesar de sentir-se completamente esgotada, estava feliz e satisfeita com o andar dos acontecimentos.
Havia demonstrado sua força finalmente, saído da fantasia de garotinha vulnerável e mostrando a grande mulher que sempre escondera ser.
Viu Eggman saindo de seu Egg-Mobile xingando palavras proibidas, totalmente enfurecido, nenhum sinal dos outros que pilotavam as outras naves, certamente tinham saído antes que as coisas piorassem, mais sábio que o próprio Eggman.
Shadow foi até o robô, parecendo atraído por algo.
Não dera importância, afinal Shadow sempre fora misterioso e nunca sabia quando ele seu amigo ou aliado, mas o temia sendo o ser poderoso que era, não era idiota a ponto de acreditar que seria capaz de derrota-lo se as coisas saíssem do controle.
Mas não pensara ela que essa realidade poderia acontecer mais cedo do que imaginara.
— Não toque nisso! — Apenas ouviu o grito da morcega negra, indo em direção ao ouriço e um brilho roxo ofuscar sua visão.
Fale com o autor