Bittersweet.
58 49.2. Satisfaction
Notas iniciais
Se disse que não estava sentindo medo pelos objetos que Shadow escolhera para a ocasião, estaria contando uma grande mentira.
Olhou para o plug como se aquilo pudesse lhe morder, paralisado pelo choque e sem saber nem mesmo o que dizer para retrucar a súbita ousadia de Shadow, só podia olhar como um idiota.
— Achei que não quisesse usar essas coisas. — Disse por fim, embora ainda sentisse o forte calor lhe percorrendo o corpo, deixando seus pensamentos confusos. Se orgulhou que sua voz não traiu o tremor que sentia percorrendo o corpo.
— Seria um desperdício apenas deixar pegar teias de aranhas. Dinheiro foi gasto nisso e Rouge me cobrou com juros. — Fez uma careta a uma memória que parecia ser particularmente desagradável.
Sonic só podia imaginar o quão desagradável deve ser ter sua colega de equipe sempre lhe lembrando de algo muito, muito íntimo.
— Achei que fosse um presente. — Argumentou, sentando-se na beirada de sua cama com suas pernas fechadas, se perguntando em nome de qual entidade religiosa ele ainda conseguia preservar sua linha de pensamento ao mesmo tempo que sua mente sempre girava para imagens grandes e agradáveis de um membro do corpo de Shadow que estava ansiando em demasia naquele momento.
Era tão irritante que Shadow apenas não entendesse sua necessidade e fosse obrigado a expressar em palavras, algo que Sonic já havia percebido que o ouriço ébano gostava, era claro como cristal a forma que ele parecia presunçoso de suas habilidades e o pobre ouriço cobalto não tinha nenhuma outra fonte para recorrer, sabendo muito bem que de todos seus amigos, o único que aceitaria esse tipo proposta irracional era ninguém mais ninguém menos que seu próprio rival.
E era culpa totalmente de Shadow que seu corpo estava tendo reações indesejadas. O ouriço ébano era o responsável por ele estar desejando tanto aquelas mãos firmes percorrendo cada centímetro de seu corpo, memorizando cada zona sensível, cada ponto prazeroso de seu corpo cobalto flexível.
— Rouge? — Shadow deu uma risada sombria, Sonic não conseguia conter o arrepio que percorreu sua coluna vertebral com o som. — Não seja ingênuo, faker. Rouge nunca faz algo sem pensar no que poderia ganhar no futuro, não se iluda, mas ela só se preocupa com seus próprios interesses. — O ouriço negro encolheu os ombros, desinteressado.
— Não parece que estamos falando da mesma pessoa. — Sonic retrucou, embora ainda estivesse confuso com o fato de Rouge ter lhe dado tantos... objetos em primeiro lugar. Principalmente depois que o... relacionamento conturbado deles começara.
— Acredite no que quiser, faker. Mas fique sabendo que nenhum desses itens, por mais aleatório que seja, foi de graça. — O ouriço pegou a barra e a testou em suas mãos, sentindo o peso e a resistência.
— Não está pensando em me espancar com isso, está? — Levantou o olhar para as ações de Shadow.
Particularmente o ouriço cobalto não era um masoquista, quer dizer, ele gostava de se arriscar, gostava da adrenalina do perigo enquanto lutava contra as novas invenções de Eggman, mas ele não sentia nenhum tipo de prazer sexual na dor e o efeito de excitação apenas durava o tempo necessário para a adrenalina ser dissipada de seu sistema e ele sentir a dor crua percorrendo por cada mísero centímetro de seu corpo.
Imaginar Shadow lhe espancando com uma barra de ferro não era nenhum pouco agradável e fora o suficiente para manter o calor que ameaçava toldar seus pensamentos sob controle, embora soubesse que o ouriço ébano também não deveria sentir prazer em espancar, mesmo que algumas vezes parecesse um maníaco psicopata. Mas era um dos pensamentos mais íntimos que nunca ousaria expor.
Ele não era suficientemente louco para isso. E ele estava tentando não se desesperar.
Não queria que... As coisas fossem rápidas demais. Claro que estava curioso, mas não estava em seus planos usar brinquedos sexuais tão cedo, principalmente desde que iniciara as atividades noturnas, nunca sentira nenhum interesse em vibradores ou qualquer tipo de estimulante e não conseguia entender o porquê.
— Claro que não. — Shadow parecia seriamente ofendido com a sugestão. — Não sou sádico a esse nível. — Revirou os olhos.
Embora ambos soubessem que um certo ouriço azul discordava de sua afirmação. Não houve nenhum comentário sobre, nem mesmo uma provocação.
— Então para que vai usar isso? — Se remexeu desconfortável, sentindo o rosto quente e a respiração difícil, não que estivesse sem ar, mas era como se o simples ato de levar oxigênio aos seus pulmões requeresse mais esforço de seus músculos.
— Simples, faker. — O ouriço ébano tinha adotado um ar superior, enquanto falava com ele como se fosse um professor experiente do assunto. — Tem a função muito interessante de manter esse — tocou com a barra o joelho esquerdo, para ilustrar sua explicação de forma prática — longe desse aqui — depois mudou para o outro joelho, sua expressão não traía nada de seus pensamentos.
Sonic olhou para Shadow com confusão, não entendendo qual seria o proposito por trás de separar seus joelhos, até que a realização do que isso acarretaria se assentou em sua mente, como se a resposta estivesse o tempo todo em sua mente. A imagem mental dele indefeso, amarrado e impossibilitado de fechar suas pernas enquanto seus genitais estavam expostos, impossibilitado até mesmo de proteger seu ânus, era aterrorizante e... tentador.
Sentiu a onda de constrangimento e horror ao se deparar com pensamentos de curiosidade e empolgação, sua mente traindo seu corpo, seu corpo sendo totalmente controverso aos seus padrões normais, assustado com o fato de que ele não conseguia nem mesmo se sentir ofendido com o fato de que Shadow seria controla-lo, deixa-lo vulnerável.
Ele apenas... Queria estar indefeso. Queria se contorcer contra as restrições enquanto Shadow dava seu pior, tocando seu corpo, dedilhando, sem nenhum tipo de pudor.
Sua expressão confusa deu a ideia errada para Shadow, de repente o ouriço ébano estava na defensiva, abaixando a barra e colocando-a na cama, ao lado do ouriço cobalto.
— Nem tudo nesse tipo de prática envolve punição física, faker. — Pegou a boca estranha com as tiras elásticas e colocou na frente no rosto de Sonic. — Isso por exemplo, serve para te proteger de engasgar com a saliva ou mesmo a língua, é bem útil em práticas que o controle depende de outra pessoa, mas não necessariamente preciso te ferir para tirar algo de você, aprendi... Truques bem interessantes.
— Como...? — Perguntou sem fôlego, sentia o quarto quente, sua cabeça estava confusa, seus sentimentos uma bagunça incompreensível.
— Club Rouge. Não é só uma boate barulhenta cheia de bebidas chiques. O subsolo do clube é especial para os sócios, onde eles podem fazer o que quiser. Quando não estamos na GUN, Rouge ministra o clube e eu... Fico de segurança desse setor VIP, porque geralmente as coisas costumam ficar loucas, então acabei vendo e ouvindo muitas coisas. Acredite, eles realmente não se importam se tem alguém assistindo ou vendo o que eles fazem e o que mais tem é praticamente de BDSM, achei que era algo mais oculto, uma prática vergonhosa, mas não. Existem muitos que pagam para ter acesso aos quartos para as sessões. Durante o dia, existe aulas e treinamentos, como eu sou segurança contratado, na falta de um auxiliar, às vezes me pediam para ajudar com algo. Como eu estava curioso, mas não podia transparecer, aprendi algumas coisinhas aqui e ali.
— Só você de segurança? — Perguntou tentando não focar nas imagens que sua mente projetava.
— Eu sou o único homem de confiança de Rouge, para todos os efeitos, sou o suficiente para cuidar disso, geralmente os clientes dela são conscientes do que estão fazendo, tomam cuidados, são discretos, então nunca temos problemas. — Encolheu os ombros.
— Então foi daí que ela tirou essas coisas... — Bateu o dedo no queixo, pensativo.
— Sim e não. Temos parceria com um sexy shop, Rouge achou que seria ótimo para os negócios e de fato foi. Ganhamos quase mais do que a GUN nos paga, então pode-se dizer que ela tem bons palpites e visão de empreendimento. — Encolheu os ombros com indiferença. — Embora eu nunca entendesse porque o mercado do sexo é tão lucrativo, não estou tão familiarizado com toda a sujeira desse planeta, mesmo estando infectado por ela. Na ARK isso não existia, cientistas não tinham tempo nem para dormir, imagina para sexo. — Balançou a cabeça com pensamentos que iam além da compreensão de Sonic.
— Não entendo porque você aceitou tão rápido nosso... Trato. — Murmurou baixo, sem saber se Shadow seria suficientemente capaz de ouvi-lo.
— Curiosidade. — Respondeu de imediato, olhando para o próximo objeto em mãos, o plug. — Talvez eu esteja perdendo a noção de realidade, não conseguindo diferir certo e errado. Eu não entendo você, tanto quanto não me entendo para ter aceitado. — Olhou para o objeto pequeno entre seus dedos, confuso e desconcertado. — A verdade, Sonic é que tem algo que me faz voltar, mesmo eu tendo jurado que seria a última vez.
— Do que está falando? — Seus olhos verdes estavam genuinamente curiosos, olhava para o ouriço carmim com cautela, tensão e algo mais.
— Você tem uma espécie de imã, acabo sempre sendo atraído ao seu redor, não sei porque e, quando você me sugeriu esse trato, por mais... Louco que fosse, não parecia... Errado. — Franziu a testa sem olhar para Sonic. — Parecia... Esperado, algo dentro de mim esperava que você se aproximasse, não desse jeito, mas esperava. E então você veio literalmente do nada, pedindo para ser tomado e eu... Só aceitei.
Sonic tocou o ombro do ouriço negro, ignorando a descarga elétrica que seu corpo sentia toda vez que se tocavam, naquela noite a sensação parecia quadruplicada, era quase insuportável ficar em torno de Shadow e não sentir desejo de escorregar sua mão até o meio das pernas dele e tocá-lo ali. Engoliu em seco e tentou se recompor.
— Se arrepende? — Se encolheu depois de ter feito a pergunta, sabendo que de uma forma ou de outra, a resposta de Shadow significava muito para ele.
— Não. E é isso que me assusta. Não me arrependo nenhum pouco. — A mão negra se arrastou pela barriga pêssego, pela luva ainda dava para sentir como suas peles estavam quentes, a mão subiu tortuosamente até o queixo, Sonic fechou os olhos, sentindo o prazer tomando conta de seus pensamentos, sem nem mesmo conseguir se conter. — Vamos começar? — Um sorriso lascivo deslizou pelos lábios bronzeados, enquanto a língua passava pelos lábios secos.
Os olhos esmeraldas se abriram com luxuria.
— Claro... Mestre. — Acrescentou a palavra, depois de dois segundos de hesitação, seu rosto superando os limites da vermelhidão, fora recompensado por um rosnado rouco e surpreso, então sua ousadia havia aquilo valido a pena.
— Se ficar demais para você, tenta gritar vermelho, é a palavra de segurança para que eu não te machuque, nem leve seus limites para onde não aguente. — Desceu os dedos para o curto pescoço, descansando a mão ali. — Me ouviu, faker?
— Sim... — A voz baixa e o rosto vermelho denunciavam sua vermelhidão.
— Se eu ver que está se machucando, eu tiro a mordaça, não vou fazer nada muito radical, não precisa ter medo, mas como dessa vez foi você que chamou aqui, darei um tratamento especial. — Sussurrou com a boca perto do ouvido cobalto, seus dedos roçaram a pelagem, provocando a cartilagem e amarrando a venda.
A escuridão era... Assustadora para dizer o mínimo. Se sentia deslocado, perdido e tenso. Como não conseguia ver nada de toda forma, fechou seus olhos, enquanto respirava com dificuldade, sentindo Shadow segurando suas mãos esperando que sua frequência respiratória se acalmasse.
— Tudo bem? — A voz soou calma, controlada, mas tinha um toque de preocupação que ajudou o ouriço cobalto se acalmar. — Não precisa se forçar a isso.
— Não me venha com essa agora. — Tentou zombar, mas sua voz tremeu.
Shadow passou os dedos pela bochecha pêssego, lentamente.
Não era de seu feitio ser... Gentil, era verdade. Nem mesmo tinha a pretensão de tentar coisas novas com Sonic, mas algo o impeliu a tentar, mesmo que fosse cedo demais para algo tão delicado. Viu várias sessões no Club Rouge e sabia que precisava ir com calma para que aos poucos o submisso conseguisse confiança e relaxasse.
E se essa experiência desse errado, poderia simplesmente deixar para lá, pelo menos deixar a ideia armazenada para quando estivessem mais acostumados um com o outro. Torceu a cara ao notar que esperava que isso durasse mais tempo que planejava.
Segurou o corpo de Sonic junto ao seu, enquanto colocava os braços para trás, pegando as tiras de tecido maleáveis que eram melhores e mais confortáveis que as algemas e amarrando os braços nas costas, tomando cuidado com os espinhos tensos para que nem ele, nem Sonic se machucassem.
Agora vinha uma das partes difíceis, separar as pernas. Pareciam firmemente amarradas juntas e sabia que usar a força só contribuiria para o efeito contrário, então suspirou, teria que usar toda sua paciência e parecia ser o dia de sorte dos dois.
Shadow não estava estressado, nenhum pouco e o dia havia passado calmo e sem preocupações, Eggman não apareceu para encher a paciência e o Comandante parecia de muito bom humor, levando em consideração que estavam fazendo algum processo na procura de outros cientistas que conseguiram fugir com vida da ARK e estavam espalhados por Mobius, escondidos, claro.
Um dedo começou a deslizar por uma coxa tensa, descendo e subindo com lentidão, um suspiro saiu os lábios pêssego e por um momento Shadow se perguntou se era de fato uma boa ideia manter aquela boca expressiva calada, não gostava de admitir, mas os sons que Sonic emitiam eram bastantes excitantes e atacam diretamente em um ponto em particular de sua virilha.
— Vou precisar que coopere, faker. — Sua voz era fria, sem emoção.
Uma mão descia e subia pelas coxas musculosas e Sonic se contorceu, os braços firmes presos nas costas e ele resmungou, se sentindo indefeso e sem chances de se livrar de algo que nem mesmo estava conseguindo ver. Shadow o segurou com força, mantendo-o no lugar para que não acabasse se machucando e se xingando mentalmente por não ter colocado as barras primeiro.
— Você quer isso não quer? — Deu dedo pousou na bolsa protetora do pênis do ouriço cobalto, provocando a pele sensível e fazendo Sonic dar um gemido tremulo. — Abra as pernas, faker.
Sonic sentia que era questão de tempo para seu pênis aparecer, de tão excitado que se sentia e pelo calor que subia a cabeça, uma parte racional dizia que essa necessidade era idiota e outra estava praticamente de quatro, com a bunda empinada e implorando para ser fodida.
E era a parte necessitada que estava ganhando.
Engolindo o resquício que ainda tinha de orgulho, começou a relaxar as pernas, deixando que Shadow as abrissem tanto quanto queria, lágrimas de vergonha começaram sair de seus olhos, mas reprimiu-as, só esperava que Shadow não jogasse isso na sua cara depois, mas, antes que pudesse se lamentar, recebeu um agrado por sua cooperação, algum dedo do ouriço ébano havia se adentrado em seus lábios e acariciava sua língua.
Sonic se distraiu dos pensamentos depreciativos rápido com aquele gesto, sua língua era provocada enquanto Shadow cuidava de sua nova posição, separando suas pernas para além da compreensão do ouriço azul. O dedo abandonou sua boca e então sentiu uma barra sendo amarrada ao seu joelho esquerdo, com rapidez surpreendente, ele nem teve tempo para processar o que estava acontecendo quando o outro lado foi arramado.
Esperava sentir tesão pela posição, mas o que sentia mesmo era medo. Medo do desconhecido, medo do que Shadow poderia fazer de bom grado ao seu corpo, desde que ele cedera o controle.
O polegar enrugado deslizou pelos lábios pêssegos, acariciando-os e Sonic não precisava ver para saber que Shadow estava deliberando algo. Poderia ser qualquer coisa e essa incerteza não era agradável.
— Está com medo. — Disse casualmente, não era uma pergunta, Shadow sabia.
Toda sua linguagem corporal denunciava seu estado de espirito.
Shadow por impulso queria dizer “não tenha medo”, como ouvira outros dominantes instruir os submissos, mas preferiu por apenas esperar que Sonic relaxasse antes de qualquer coisa.
— Não vou impedir que fale, mas só se não tagarelar. — Era um aviso sutil e Sonic suspirou, agradecido que algo seguro ele teria para usar. — Mas só vamos começar quando você relaxar.
Sonic balançou a cabeça e tentou se ajeitar em sua nova posição, o que era difícil, estava super consciente da mão espalmada no meio de suas costas, segurando seu corpo, enquanto a outra subia e descia por suas coxas, parecia mais um ato de provocação que para acalmá-lo e o sentimento de desejar que aquelas mãos não brincassem consigo e fizessem o trabalho completo estava o incomodando.
— Isso dói? — Shadow deslizou o dedo pela sua cabeça que estava começando a surgir entre suas pernas, o movimento inesperado fez com que tentasse fechar as pernas, mas era impossível com a barra impedindo, choramingou desolado quando o dedo correu de novo, chamando sua atenção. — Dói?
— N-Não. — Conseguiu dizer, em meio a um gemido.
— Sabe, faker? — perguntou casualmente, soltando a mão que estava nas costas e deixando o tronco cair para trás, havia alto macio entre sua coluna e o colchão e não precisou muito para perceber que eram seus travesseiros. — Você está bem tenso... — A voz agora estava distante, longe de seus ouvidos e sentiu seu corpo endurecer, não sabendo o que esperar.
Ele podia simplesmente ataca-lo ali mesmo. Ou explorar seu corpo.
Se contorceu em sua posição desconfortável.
— Sabe o que significa bondage? — O ouriço perguntou com a voz leve, como se estivesse comentando sobre o clima. Ouviu o som de sacolas e seu ouvido se retorceu, tentando encontrar a origem do som. — Sabe? — Pressionou.
— Não. — A voz saiu firme, mas era porque não sentia nada tocando-o, então conseguia controlar sua voz, antes ouvir o som de algo sendo destampado, seus ouvidos estavam atentos e entendeu porque Shadow queria-o vendado.
A incerteza do que viria a seguir, o medo do que poderia acontecer, a posição exposta e submissa em que estava, com seus braços atados e suas pernas atadas... Como ele pareceria para Shadow?
— É mais do que te amarrar e depois foder, faker. — Um aroma novo preencheu o quarto, lembrava algo amadeirado, alguma espécie de perfume, farejou, tentando identificar qual seria o cheiro. — É controle. Você está dependente de mim agora. Eu comando o que faremos e como faremos. — Sentiu o colchão se afundar ao seu lado direito e prendeu a respiração. — E eu decidi explorar até onde você consegue aguentar. — A voz disse rouca, perto de seus ouvidos cobalto o pegando de surpresa.
Sonic sentiu um arrepio com aquela voz, a sensação correu por sua coluna e o fez estremecer, a voz dominadora o deixava indefeso. Não tinha como lutar, não havia porquê lutar.
— Palavra de segurança? — Perguntou, enquanto a mão úmida tocava seu curto pescoço.
— V-Ver-melho ah. — A mão desceu com lentidão, passando para seus ombros com a força mínima.
— Isso. Você vai ser um bom garoto e pedir para parar se chegar no seu limite, não é? — Shadow desceu a mão pelo peito e Sonic percebeu tardiamente que se tratava de uma massagem.
— Sim-Ah! — Os polegares descobriram seus mamilos, ainda ocultos pela pelagem pêssego, o polegar passando ao redor deles em movimento circular, fazendo com que os pequenos botõezinhos de nervos saltassem rosados, duros e muito, muito sensíveis. Parecia quase doloroso.
— Lembra da primeira vez? — Shadow perguntou com seus polegares ainda brincando com os mamilos, fazendo o ouriço cobalto arquear as costas em busca que de mais contato. — As algemas.
— Urhh, sim. — Sentiu seu rosto ficando vermelho, a respiração vinha em baforadas, sentia-se tonto, preso em uma nuvem de torpor.
— Aquilo é bondage. Só de amarrar você me deixa excitado e sabe por que isso? — Sua voz era ainda rouca, porém calma. Acabou por responder logo em seguida. — Porque adoro a visão de você amarrado e indefeso. Quem imaginaria não é? Sonic the Hedgehog, na minha frente, indefeso, trêmulo e necessitado. — Sua voz tomou um timbre possessivo, o ouriço cobalto se contorceu quando o polegar e o indicador se fecharam em volta dos mamilos, apertando-os aos poucos, testando sua força.
Aquela voz, aquele modo como Shadow falava de si, ele esperava se sentir ofendido, subjugado, mas só conseguia acender ainda mais seu tesão, ele amava a forma como o ouriço ébano tomava conta da situação e Sonic era livre, não precisava fazer mais nada. Até que sentiu seus mamilos sendo puxados e resmungou em meio a um gemido.
Sentia a pele quente, ardendo, se era pelos dedos abusivos, não sabia dizer, mas era... Bom. Céus como era bom!
As mãos desceram, deixando seus mamilos vermelhos e desamparados, parte de si pedia para que Shadow ainda continuasse a tortura, queria que chupasse e mordesse também. Sua cabeça era inteiramente preenchida de pensamentos de Shadow, Shadow e Shadow.
Mexeu a cabeça para o outro lado, tentando encontrar algum ponto de salvação para sua depravação. Mas apenas se encontrou sozinho em um mar de sensações.
A mão desceu por sua barriga, acariciando, massageando. Até que passou por sua pélvis. Subiu de novo pela barriga e depois outra vez na pélvis.
Então a mão parou.
— Você sabe que eu tenho o controle sobre você agora, não sabe, Sonic? — Shadow disse ainda com a voz rouca, que Sonic aprendeu a atribuir ao personagem de dominador. — Mas você tem toda a liberdade de me dizer o que quiser. Nossos negócios particulares são... Só nossos. Rouge não faz ideia se usamos ou não essas coisas, nem do que eu aprendi.
— O-onde quer ch-chegar?
— Ninguém vai saber do quão devasso nosso herói é, nem o quanto tem um cheiro tão delicioso. — Sentiu a respiração em seu rosto, o nariz tocando seu pescoço quente, sentiu aspirar seu cheiro, enquanto uma das mãos descia por sua coxa. — Ninguém nem faz ideia do quão depravados somos, Rouge só tem uma ideia e nada do que fazemos aqui... Sai daqui, entende isso? — Os lábios tocaram a pele sensível e frágil, provocando-a de forma que não deixasse marcas profundas. — Não precisa fingir que não está sentindo isso também. Nem sentir... Vergonha de implorar algo que queira, sabe que no final vai perder.
— Não é-é i-isso—
— Shiiii — deu um chupão leve quando se afastou do pescoço, a língua quente descendo por sua clavícula, alternando entre mordidas e chupões. — Estamos entre quatro paredes, Sonic. Se entregue, ninguém vai te machucar aqui. — A mão que deslizava pela coxa musculosa contornava, indo mais a fundo, o dedo tocou o ânus rosa que estava exposto. — Só aqui. — Pressionou o dedo para enfatizar seu ponto.
— Eu-eu s-sei, m-mas... — Não conseguia encontrar respostas para questionar seu ponto, não via como rebater a proposta, algo dentro dele ainda estava hesitante, o medo e a tensão construída em seu corpo durante todos os anos que passou lutando pela sua liberdade e para proteger os outros tomava seu preço.
Sentia que perdeu grande parte de sua infância, seu corpo cheio de cicatrizes, as marcas psicológicas, os medos infundados, os traumas mentais que carregava. Tudo aquilo estava pensando nas suas costas, como se fosse Atlas e o mundo estivesse sendo carregado por ele, ele apenas não conseguia... Não conseguia...
O dedo que provocava seu ânus subiu até a cauda azul e rodeando o lado direito da bunda musculosa, apertou, mas não era grosseiro. Era quase um carinho, mesmo que fosse no lugar errado e em situação totalmente deslocada. Ainda assim trazia algo como conforto.
— Eu sou seu dominador, faker. — A voz de Shadow tinha um tom de comando. — Posso fazer o que eu quiser, mas só se você me permitir, sabe o que isso significa? — Não deu tempo para o ouriço cobalto responder. — Você precisa ser honesto consigo, seu corpo deseja, mas sua mente bloqueia, não pense muito no que estamos fazendo. Apenas siga seus instintos. O que quer que eu faça com você?
A mão que descansava em sua nádega subiu pela coluna, tomando cuidado com os braços amarrados e se adentrando em meio aos espinhos azuis com facilidade, se prendendo em sua nuca.
— Deixe eu tomar conta de você. — Acrescentou unindo seus quadris, balançando o seu contra o de Sonic e segurando seus corpos juntos, Sonic gemeu com a fricção, mais alto que havia gemido antes. — Não sou nada mais que seu, aqui e agora.
Shadow não conseguia acreditar como seu roleplay de dominador estava saindo tão bem, principalmente porque em parte ele mentiu, ele nunca ajudou nas sessões, mas elas realmente aconteciam, só que os praticantes tinham tanto medo dele que nenhum deles pediu sua ajuda.
Mas seus olhos era observadores, seus ouvidos pegavam cada palavra trocada, cada sigla, cada instrução. E... Como não poderia saber como era a sensação... Tinha Sonic para entender como era a prática, mas conforme o tempo corria, sentia medo e remorso do que estava fazendo com o ouriço.
Sonic não parecia ser do tipo que lidava bem com constrições, principalmente levando em consideração seu passado nenhum pouco agradável como foragido de robôs e toda as lutas que geraram tantas cicatrizes em seu corpo que era impossível acreditar que algum ser mortal poderia resistir tanto.
Distraidamente, um de seus dedos começaram a traçar uma das cicatrizes, longas que se estendiam do quadril direito até a metade da barriga, o corte deveria ter sido profundo, imaginar o quão doloroso tenha sido suportar tanto... Fez com que Shadow sentisse compaixão pelo ouriço que mesmo não sendo tão poderoso, invencível, estava arriscando sua vida como se fosse imortal.
Sonic contorceu-se ao notar o dedo traçando uma parte particular de seu corpo, geralmente bem escondida por sua pelagem, não ficando em evidencia desde que raramente chegavam perto o suficiente para verem até onde suas cicatrizes iam, nem mesmo Amy que sempre invadia seu espaço pessoal notava.
Aquela era uma zona muito delicada, um de seus pontos fracos, despertavam lembranças dolorosas, estava prestes a dizer a palavra segura, para que Shadow não explorassem mais, quando sentiu algo molhado e quente substituindo o dedo, gemeu involuntariamente, surpreso.
Esperava sentir repulsa, talvez até mesmo vergonha, mas ao invés disso só conseguia pensar o quanto aquela língua fazia milagres, queria mais, sempre queria mais. Nunca estava completamente satisfeito quando Shadow parecia curioso em sua exploração.
— Continue-ah! — Sua voz saiu tremula, Shadow não parou, sua língua traçava o caminho todo, contornava as linhas irregulares e começava a traçar outras. — Ch-Chupe m-meus mam-mi-loooh — a voz tentou sair mais firme, confiando nas palavras de Shadow. E envergonhado que estava expondo seus desejos.
Um momento de pausa se seguiu, antes que a boca ávida se ocupasse de um mamilo já ereto e sensível, sugando com força.
— Gosta assim? — Sua outra mão torcia o outro pequeno carocinho avermelhado, tinha certeza que no final estaria no mínimo roxo.
— Sim, oh, sim! — Suas costas arquearam, a boca entreaberta, enquanto um dedo voltava a explorar sua boca, acariciando sua língua em movimentos circulares ritmados. Sem que conseguisse se conter, começou a sugar aquele dígito invasor, enquanto se perdia nas sensações que não podia ver.
— Alguém está relaxando. — Shadow provocou enquanto se ocupava do outro mamilo, tirando seu dedo molhado e chupado dos lábios ávidos e substituindo pelos outros da outra mão, aproveitando a lubrificação para massagear o pobre mamilo chupado, tendo cuidado com a força e fazendo Sonic se contorcer na sensação.
Os efeitos do óleo que passara no corpo de Sonic começara a surtir efeito, podia sentir seu corpo relaxando e se soltando cada vez que prosseguia em sua exploração lenta. Sonic voltou a chupar seus dedos como se nunca tivesse deixado de o fazer. Estava surpreso que o ouriço azul estava cooperando, deixando suas paredes ruírem, mostrando seu verdadeiro eu sem mesmo perceber.
Por um momento, se perguntou como seria ser chupado por aquela boquinha ávida, mas reprimiu o pensamento, sabendo que aquele era um limite para Sonic, o herói não se sentia confortável com beijos ou colocando a boca no mesmo lugar onde urina e outras coisas saem, então ele apenas respeitou, desde que ele mesmo tinha seus limites e isso nunca fora um empecilho para que a relação deles progredisse.
Então seus pensamentos foram lentamente para o pênis que deslizava pela bolsa protetora, vindo a surgir inteiramente, sua boca parou de chupar aquele mamilo e sua língua agora apenas o massageava, sabendo muito bem que a dor depois de um hematoma seria desagradável.
E Sonic estava sendo bem mais receptivo do que ele esperava, então por que não recompensá-lo? Sua boca desceu pela barriga pêssego, em paralelo com uma outra cicatriz, descendo e subindo como se fosse degusta-lo.
— Outro ponto do bondage. — Shadow recomeçou, sua voz abafada pela pele quente e suada que lambia. — É a comunicação. E a sinceridade nela. — Mordeu a pele da barriga puxando-a e soltando, deixando uma marquinha vermelha dos dentes na pele clara. — Isso doeu?
— Não... — A fala foi suave, suspirada.
— Como se sente? — Perguntou enquanto sua boca se movia para a coxa esquerda, trilhando outras cicatrizes que por alguma razão fascinava-o.
— Quen-te-ah. — Respondeu tremendo.
— Gosta disso? — Mudou de coxa, suas mãos agora estavam uma em cada lado do corpo curvado, não o tocando.
— Mais! — Sugou o ar com os dentes trincados, seu coração martelava em seus ouvidos.
Estava exposto, vulnerável, completamente aberto e no entanto aquilo apenas parecia perfeitamente certo.
O ouriço ébano sorriu minimamente, seu rosto diante do pênis de Sonic, podia sentir o ouriço cativo enrijecendo ao sentir a respiração quente sobre a pele sensível exposta. O ouriço azul não sabia o que estava acontecendo aos seus arredores então qualquer movimento, respiração ou som o deixava incomodado, não sabendo o que esperar do ouriço dominante que estava administrando suas punições com bastante cautela, atencioso.
— Relaxe. — Instruiu e muito calmo, colocou sua língua para fora. Provocou a cabeça com sua língua quente, provando o liquido que escorria e franzindo a testa com o sabor.
— Ah! — Sonic ofegou, se retraindo com o contato inesperado, seu quadril se moveu para se afastar, no entanto as mãos firmes o mantiveram parado, os dedos finos com unhas pontudas cavando a pele cobalto.
— Quieto. — Foi uma ordem clara e firme, sem emoção.
Sonic estava confuso nas ações, na forma como Shadow estava manuseando o seu corpo e fazendo o que queria dele. Tentou se contorcer, demonstrar alguma resistência a essa ideia de ser tratado como um escravo sexual, no entanto antes que seu cérebro enviasse os comandos para que seus braços se mexessem, a boca estava novamente em seu pênis, agora se fechando na cabeça e a língua brincando com a glande preguiçosamente, como uma criança experimentando um doce novo, antes de conquistar confiança e aprofundar o movimento, colocando o falo completamente em sua boca.
A boca de Sonic se abriu de choque, quase se engasgou com sua própria saliva quando a língua ávida brincava com sua genitália sensível e necessitada e antes que percebesse, seus quadris estavam lutando contra a restrição, desejando mais daquele contato por seu pênis, no entanto, Shadow parecia ter outros planos, tendo certeza de que seus movimentos eram perfeitamente lentos, em uma tortura cruel.
Sonic estava prestes a implorar, quando a boca abandonou sua pele de repente, como se Shadow tivesse recebido um choque.
— N-Não! — Sonic protestou, gemendo frustrado por não sentir mais o contato.
Antes que percebesse, a voz sussurrou em seu ouvido baixa e rouca.
— Já volto. — Foi apenas duas palavras, mas que fazia todo o quarto ser carregado com um clima de tensão e expectativa.
Não ouviu quando Shadow saiu do quarto, notou a ausência do som dos sapatos deles, a falta de qualquer barulho fora sua respiração e seu coração ecoando nos seus ouvidos, tentou estabilizar sua respiração, conquistar algum resquício de controle que perdera durante a experiência, mas sua mente não cooperava, reproduzindo os últimos momentos com lembrança dos toques, choramingou para o quarto vazio, sentindo falta de algum escape para o prazer frustrado.
Não recebeu nenhum aviso prévio, nem mesmo uma pequena dica quando de repente sentiu o choque térmico de algo gelado pressionado contra um dos seus mamilos abusados, a ação tão inesperada que lhe fizera gritar pelo susto.
— Você não estava se sentindo quente? — A voz de Shadow provocou.
O gelo fora removido de seu mamilo, agora pressionado contra seus lábios seco, a pedra gélida deslizando por seus lábios, acariciando suas bochechas, descendo por sua mandíbula, rodeando sua garganta, adentrando por sua nuca, descendo até o outro mamilo.
Sonic gemia com a sensação a cada rastro gelado que deixava uma trilha quente de desejo e necessidade desesperada a medida que o simples cubo era deslizado. Seu corpo tremia, se contorcia, mordeu o lábio para evitar mais gemidos constrangedores, se sentia totalmente perdido no mar das novas sensações, a dor do gelo guerreando contra o novo desejo ardente por mais tortura dessa tortura deliciosa em seu corpo.
Shadow não deixava nenhum sem deslizar o gelo, se certificando de deixar uma marcada úmida e gélida, logo o gelo era substituído pela língua quente novamente, deslizando pelas bochechas, mandíbula e garganta, refazendo o caminho gelado.
Sonic tinha se sentido decepcionado daquela língua não ter sequer cogitado passar por seus lábios ardentes, desejando aquela boca na sua mais do que desejava em seu pênis.
Sentiu suas coxas molhadas, algum liquido deslizando entre seus pelos e não sabia dizer se era do gelo, do seu próprio pênis ou algo a mais, porém sua atenção foi novamente mudada quando a pele de seu ombro fora mordida com força o suficiente para tirar algum sangue, o machucado sendo logo acariciando pela língua enquanto a pedra de gelo voltava a circundar o pequeno ferimento.
— S-S-Sha-dow... — Conseguiu dizer, no entanto fora interrompido por outra onda de gemidos carentes.
Uma das mãos de Shadow apanhou uma bunda e apertou-a com força, fazendo o ouriço gemer mais animado. E então gritar quando o gelo, agora bem menor por ter derretido ao passar por seu corpo, fora pressionado contra seu ânus, não sendo forçado a entrar, mas queimando a pele quente e sensível.
— Sim? — O ouriço murmurou distraído, a voz abafada pela pele torneada de seu abdômen pêssego.
Era óbvio que era apenas outra provocação e ambos tinham plena consciência que Shadow não obteria nenhuma resposta, pelo menos nenhuma que fosse inteligente.
E então o calor envolveu novamente seu pênis ao mesmo tempo que o gelo não mais pressionava seu ânus, Shadow deu uma breve pausa antes de adicionar o gelo na boca, movendo o com a língua enquanto iniciava novamente a sucção lenta e vagarosa, adicionando um plus ao ato que deixou Sonic com os sentidos embaralhados, se esquecendo de onde estava, seu nome e toda sua essência.
Havia se transformado em uma geleia azul sem nome onde apenas conhecia o prazer proporcionado por uma boca firme, lenta e torturante.
Desistiu de tentar controlar seus gemidos quando eles passaram a se tornar gritos, antes que pudesse processador tudo que estava acontecendo, um dedo quente tinha adentrado por trás, timidamente entrando e saindo, tão lento que Sonic era capaz de senti-lo completamente, sua atenção agora dividida nos dois atos, o dedo que o preparava para o baquete principal e a língua gelada brincando consigo. Apresentando-lhe sensações novas.
No entanto o próprio ouriço sabia que eventos assim eram demais para ele e perderiam toda a magia se fossem desperdiçados com a repetição frequente, mas apenas a amostra, a dominação que experimentava de bom grado então era devastado, torturado e controlado, restrito a apenas ficar aberto e gemer enquanto Shadow fazia o que quisesse consigo...
Ele ainda não havia experimentado a dor de força prazerosa, nem mesmo sabia que sensações tortuosas poderiam ser tão magnificas. Claro que ele já sentira alguma excitação na dor durante as batalhas, quando lutava contra Eggman, mas era culpa da adrenalina que o fazia se sentir assim. As sensações de agora não tinham nenhuma comparação com o que sentia nos embates.
Eram melhores.
Mil vezes mais.
Um segundo dedo finalmente resolvera fazer companhia para o primeiro, agora esticando-o mais consciente, esperava sentir a dor de ter sido esticado sem lubrificante, mas Shadow era mais cuidadoso do que na primeira vez e mais consciente, então os dedos saíram. Sem nenhuma explicação.
E então um objeto fora inserido no lugar, não tinha certeza da textura, para saber o que era, a única certeza era que não se tratava de nenhum membro de Shadow.
Nem mesmo conseguiu se recordar dos objetos que o ouriço ébano separara, sua mente incapaz de formar pensamentos coerentes estava nublada, completamente subjugada pela onda crescente de êxtase, tornando qualquer tentativa sua de formar palavras uma total perda de tempo.
Shadow começou a movimentar o brinquedo, simulando os movimentos característicos de vai-e-vem que ele já conhecia muito bem, a língua ainda brincava com sua carne, chupando e beliscando o órgão tortuosamente. Sonic desistira de implorar por movimentos acelerados, até mesmo algo que pudesse o liberar das correntes pesadas de seu orgasmo não liberado.
E então, até mesmo aquela fonte mista de calor e frieza fora arrancada de si, fazendo o gemer frustrado, a garganta já arranhada e o suor impregnando sua pelagem, tornando-o pegajoso e salgado.
Choramingou como uma criança, sem formar palavras claras e objetivas o suficiente para que se fosse entendível, sentiu-se pequeno, miserável e desamparado. Estava tão perto que poderia ser considerado um crime nacional.
As lágrimas escorriam por seus olhos, molhando a venda enquanto se remexia, buscando por algum atrito que pudesse lhe proporcionar a libertação tão almejada, aliviando seus músculos tensos e lhe levando ao paraíso.
O orgasmo nunca lhe pareceu tão distante naquele momento.
— Por favor... — Sua voz era miserável, rouca e digna de pena. As simples palavras eram carregadas por um sussurro quebrado.
— Hm? — O ouriço negro cantarolou distraído.
— Por favor me deixa-
Antes que ele conseguisse terminar sua frase, outra surpresa aconteceu, surpreendendo-lhe de tal como que não conseguia processar, antes que conseguisse assimilar o que estava acontecendo, Shadow já estava se movendo.
A posição na qual estava não lhes favoreciam naquela posição, principalmente porque Shadow apertava seus quadris com força, segurando-o enquanto se acomodava, uma careta se formando no rosto bronzeado.
Sonic não conseguia entender como a posição poderia ser possível, estando ele inclinado, aberto e acomodado no travesseiro enquanto Shadow lidava com a parte mais complicada em uma pose que o ouriço azul não conseguia visualizar em sua mente já incapaz de formar pensamentos coerentes.
Gemeu quando o ouriço negro começou a mover, as paredes internas de Shadow lhe apertando dolorosamente enquanto ele se movia, era uma nova emoção, algo novo que desconhecia até o momento, se sentia confuso naquele mar de sensações enquanto o ouriço ébano era claramente o dominante ali, apesar da penetração.
Sonic desistiu definitivamente de entender o ouriço negro e suas ações, quando os músculos de Shadow relaxavam e tornava as fricções prazerosas, elevando as sensações para outro patamar. Era surpreendente que o ouriço ébano havia cogitado de tão bom grado retribuir as sensações que ele tinha ao explorar seu corpo e proporcionando-o a oportunidade de conhecer o sentimento de estar penetrando.
Os movimentos do ouriço ébano adquiria certa urgência, quando ele estava em busca de seu próprio prazer, no entanto era um ambiente não conhecido para si, nunca antes experimentando ser penetrado antes, então não tinha nenhuma expectativa do que esperar, sendo ele tão inexperiente nesse âmbito, embora vestisse para si a imagem de controlador da situação.
A verdade crucial de toda essa negociação era que ambos, Sonic e Shadow, eram tão novos e inexperientes que se perdiam facilmente nos seus achismos, era diferente as vivências, os pensamentos e as emoções.
Shadow pensava ser dono da razão quando decidira no último momento surpreender o ouriço submisso com uma demonstração forte de confiança, dando a ele a chance de perceber que ambos estavam entre quatro paredes e assim sendo, não havia espaço para constrangimentos e receios, desde que um conhecia o outro, ambos estavam presos em um segredo sujo que colocaria em risco toda a imagem pública que construíram.
O ouriço negro não se importava verdadeiramente, era um pequeno e insignificante detalhe, no entanto isso prejudicaria ainda mais seu relacionamento no trabalho, na forma como os outros agentes o veriam e agiriam em seu entorno e, se não estivesse enganado em seu pré-julgamento que já estava tão velho que já criara raízes firmes, Abraham seria uma dor real.
Claro que, o Comandante precisaria do ouriço entre sua equipe e, Shadow havia se ingressado na GUN para que pudesse cumprir sua promessa para Maria e, o que aconteceria ali, naquela madrugada antes do sol nascente, não era interessante para os outros, mesmo que Sonic se tratasse de uma figura pública, logo todos os holofotes eram direcionados em cima de sua cabeça, não eram obrigados a expor para terceiros algo pessoal e íntimo.
Soltou um gemido rouco, seus olhos se revirando enquanto sentia o pênis entrando e saindo, a genitália preenchendo-o de tal modo que tinha certeza que conseguia sentir exatamente cada mínimo centímetro dentro de si, seu formato e até os vasos sanguíneos salientes provocando-o. Fechou os olhos com força, era novo, assustador e ao mesmo tempo excitante.
Fora sua própria escolha, uma decisão que ele mesmo tomara e, mesmo que não parecesse grande coisa ou algo grande o suficiente para merecer tanta glorificação, porém, era uma novidade que merecia ser recordada.
Pelo menos por ele.
Claro que, não estava decidido que essa seria a única vez que algo assim aconteceria, porém dependeria de seu humor, ocasião e vontade, desde que, não seguiria padrões e nem estereótipos que os taxariam como inferiores ou superiores apenas pelo fato de que um era fodido.
Se sentia no limite, o atrito em seu interior e os gemidos desconexos, altos e confusos de Sonic era um estimulante surreal, duvidava que em algum momento iria se acostumar com aqueles sons.
Sonic estava em seu limite, não suportava mais aguentar nenhuma tortura, sequer uma mísera espera, sentir seu pênis se contraindo, seus testículos interiores doloridos imploravam pelo orgasmo, nem mesmo tinha ciência se seria capaz de suportar mais uma tortura, sua mente não aguentaria, seu psicológico em frangalhos.
Eu mal conseguiu dizer qualquer palavra enquanto gozava, soltando um meio grito, meio rosnado pouco e distorcido, enquanto sentia que sua alma transcendia e reencarnava no mesmo segundo, a sensação tão intensa que sentia que seu corpo era esmagado pelas sensações.
Mal conseguia respirar enquanto ainda estava em meio a sua libertação, se sentindo um misto de sobrenaturalmente satisfeito e culpado por não ter nem mesmo tido a oportunidade de alertar de alguma forma de seu iminente orgasmo, claro que, embora soubesse que era inevitável que iria atingi-lo. Seu corpo imediatamente relaxou depois que toda a tensão foi liberada, sentindo-se um misto de exausto e satisfeito.
A letargia pós-orgasmo lhe fizera demorar a perceber que Shadow estava se afastando, nem mesmo havia percebido que o ouriço negro, apesar de claramente mais vocal que antes, ainda não estava satisfeito e seu pênis, viril, ereto e no limite, ainda não havia liberado o tão desejado liquido que demonstrava seu ápice.
O ouriço negro se moveu de novo, ainda com sua bunda abusada, escorrendo sêmen quente e viscoso por entre suas coxas, pelo seu ânus despreparado que, devido a subida invasão era incapaz de conter os fluidos dentro de si, a qual se misturava com sangue e latejava em dor.
No entanto aquele sentimento não era o suficiente para que a sensação prazerosa, embora mesclada de dor, fosse ignorada. Havia sido uma experiência única, diferente e que sabia que não seria tão assustadora se quisesse ousar uma segunda ou terceira vez.
Segurou a cintura cobalto com os dedos trêmulos, sua respiração descompassada não ajudava a se estabilizar enquanto movia um dedo e tirava o plug anal que, Sonic havia se esquecido que ainda estava dentro de si, depois das sensações intensas e orgasmo arrebatador.
O ouriço azul ainda ouvia a respiração alta e tremeu sobre o toque quente e possessivo e soltou um gemido involuntário quando sentiu a ponta bulbosa se esfregando no espaço entre seu pênis meio flácido e seu ânus, já umedecido devido ao pré gozo que escorria de forma mediana, a fricção parecia uma caricia, embora provocadora, sentia o liquido se grudando aos seus pelos, ao mesmo tempo que Shadow muito cautelosamente decidira que nem mesmo o Ultimate Lifeform era tão resistente assim e se moveu para se emprenhar na cavidade até então inexplorada naquele dia, embora tivesse sido cuidadosamente preparado para a melhor parte.
Shadow entrou vagarosamente, apreciado cada centímetro conquistado enquanto se esforçava ao extremo para que não perdesse o controle. Sonic ainda estava letárgico, seu corpo tão relaxado que a investida lenta tivera consequências mínimas, embora o ouriço azul não estivesse reparado para uma segunda rodada. Temia que, acabasse por não conseguir andar direito por um longo tempo outra vez.
É claro que, apesar do prazer avassalador, alguma parte ínfima ainda sentia-se insatisfeita, a sensação de falta de algo o deixando confuso com seus próprios pensamentos, apesar de que claro, Shadow já estava cumprindo seu papel e lhe dando a viagem completa, dessa vez sendo ele a sentir a penetração, embora não tão brusca, Shadow lhe dando uma trégua curta para que ele mesmo pudesse se controlar, seu corpo no limite, quase em desespero por libertação.
Apesar de seu corpo ser construído para suportar climas extremos, esforço físico absurdo e conseguir durar dias sem dormir ou ingerir qualquer alimento, Gerald não havia pensado sobre sua resistência sexual, não que ele tivesse qualquer problema com isso, mas sua genitália parecia ser então o único membro de seu corpo que era vulnerável, sensível em graus maiores e complexo de obter um controle firme sobre.
A tortura a qual Shadow esperava que fosse apenas para o ouriço cobalto, tornara de ambos, seu limite era aquele e, por mais que quisesse estender mais, descobrir os próprios limites de seu corpo e explorá-lo de tal modo que obtivesse um novo conhecimento sobre si, não aguentava mais, seu corpo tremia, se inclinou para alcançar um pescoço desprotegido, abafado seus gemidos sobre a pele cobalto, suava e quente.
O cheiro do óleo de relaxante impregnava suas narinas e ao invés de o acalmar, tinha o efeito contrário, se misturando com o cheiro natural de Sonic, sua mente girava, parte dele queria terminar logo com isso e gozar como se o futuro não existisse e outra apenas queria adiar até seu limite e ultrapassá-lo. Ganhando uma recompensa muito maior e sensorial no final.
Não sabia qual lado escolher enquanto seus movimentos ganhavam mais força.
Sonic era uma bagunça sob suas mãos, não podia ver seus olhos, mas sabia que estariam nublados, a boca pêssego estava entreaberta, gemidos novos e roucos saiam dela enquanto seu pênis meio duro balançava no ar, batendo em ambos os ventres.
Sem a visão, conseguia sentir muito mais cada estocada, apreciá-la e amá-la, seus ouvidos captavam com tamanha e assustadora clareza o som de seus corpos se chocando, os grunhidos ferais e guturais vindo de Shadow, seu corpo sentia o perto forte dos dedos em sua cintura, em um aperto de possessão quase primitivo, marcando território, deixando claro sua pose.
Embora não houvesse nenhuma ameaça para seu “território”, um instinto que Shadow desconhecia possuir, estava mais evidente, embora apenas Sonic fosse capaz de distinguir, dentre tantas outras peculiaridades do ouriço ébano.
Shadow chegou ao seu ápice com furiosa, o corpo pesado e tremulo enquanto Sonic, desnorteado acabara por morder o ombro ébano inconscientemente, os dentes se afundando na carne causando um misto de dor e prazer que fora o suficiente para levar o ouriço para um paraíso a qual ignorava a existência fictícia.
Sonic apenas percebeu o que fizera quando já era tarde e o sangue inundava sua boca, Shadow tampouco se importou, logo curaria e a dor desapareceria, nenhum dos dois sendo capazes de recordar que sequer algo assim aconteceu.
Shadow se retirou vagarosamente de dentro de Sonic, esfregando novamente a glande bulbosa naquele caminho, se divertindo internamente com a sujeira que provocava, sabendo que Sonic ficaria irritado depois, mas incapaz de não fazer.
Suspirou, inclinando seu corpo contra o corpo curvado, sua mão pescando uma chave e logo soltando os braços nas costas, liberando os braços pêssegos que só depois de livres o ouriço cobalto percebeu que estavam doloridos. Logo a barra fora retirada de suas pernas e podia as fechar de novo, os dedos firmes, embora levemente fracos devido a intensidade de seu recém orgasmo, massageou onde as amarras estiveram como um pedido silencioso de desculpas, cuidando das pernas e dos pulsos.
Sonic queria dizer alguma coisa, qualquer coisa, porém parecia que seus lábios eram incapazes de pronunciar qualquer palavra coerente, tentou algumas vezes, depois desistiu.
Seu desejo amenizando por algum tempo, embora não tivesse desaparecido.
Decidira ceder ao cansaço e descansar um pouco, estava esgotado, mas feliz.
Embora nenhum dos dois suspeitassem das consequências do joguinho de Shadow.
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