Bittersweet.

32 32. Suspeitava que isso aconteceria.


Notas iniciais
Acho que já devem ter percebido que os capítulos agora contém títulos, foi uma ideia que há muito estava pensando, na verdade uma leitora sugeriu isso há tempos. Eu admito que adorei escrever esse capítulo, não sei explicar... Sem mais delongas, boa leitura.

— Sonic?! — Exclamou a voz assustada de Rouge.

Nada parecia fazer sentido para ele, estava confuso, seu peito tremia com a intensidade de seus soluços, não conseguia parar as lágrimas de caírem, seu peito doía e estava hiperventilando. Rouge estava praticamente entrando em pânico, tão surpresa que não conseguia se lembrar o que fazer, seus olhos aqua estavam arregalados com a crise forte.

Com cuidado colocou uma de suas mãos entre seus seios, tirando de lá o pequeno celular que sempre carregava para emergências, apertou um botão na discagem rápida, que havia adicionado para tornar mais prático o contato. E esperou.

— Alô? — Respondeu a voz séria, depois de metade do primeiro toque.

— Mary, preciso de você venha para cá. — Pediu a morcega com a voz tremula, olhando para Sonic que estava ainda soluçando e respirando rapidamente. — É urgente.

— O que aconteceu? — Ouviu a voz soar com alarme e preocupação.

— Ele está com crise nervosa. — Disse rapidamente, correndo os dedos pelas suas costas com cuidado. — Hiperventilando. — Completou.

— Imite o modo como está respirando e vai acalmando aos poucos. — Instruiu com a voz séria. — Estou indo para aí. — E desligou rapidamente.

Rouge retornou o celular novamente para entre seus seios. Com a mão agora livre, apertou o ouriço de contra seu corpo tomando devido cuidado com seus espinhos afiados e fez o que Mary sugeriu, respirando rapidamente na mesma velocidade que o ouriço, se demorando no movimento por alguns poucos minutos antes que aos poucos fosse reduzindo a frequência, Sonic ainda parecia confuso, porém aos poucos ele seguia o movimento da morcega.

Ficaram um tempo nisso, acalmando aos poucos as respirações até que ambas se estabilizassem. O ouriço ainda tremia, porém os tremores diminuíam conforme ele respirava mais profundamente e lentamente tentando se acalmar.

Após alguns minutos preenchidos com o som das respirações de ambos, onde nenhum deles queriam e não sentiam a vontade de pronunciar nada, o da porta se abrindo soou em seus ouvidos.

Sonic não levantou o olhar, porém Rouge o fez, seus olhos aqua se encontraram com os castanhos por trás dos óculos, que por sua vez se desviaram para o ouriço firmemente seguro com os braços da morcega albina. Seu olhar transmitia preocupação, junto a ela veio também a raposa vermelha, que olhava um pouco confusa para a cena a sua frente.

Mary se aproximou com cautela da dupla, seus olhos atentos a qualquer movimentação do ouriço, podia ver com clareza que ele ainda continuava chorando, os olhos vermelhos e a expressão desolada, se agachou olhando para Sonic com seus olhos calmos.

— Sonic? — Chamou com calma, tocando com sua mão o rosto quente e molhado. — Olhe para mim. — Pediu com a mesma calma que transpareceria em sua face.

O ouriço demorou um tempo, parecia que estava confuso, perdido em pensamentos enquanto soltava mais um soluço, aos poucos seus olhos focalizavam a morcega negra a sua frente.

— Sente alguma dor? — Ela perguntou mantendo o tom de voz e olhar bastante calmo. Ele piscou algumas vezes para espantar as lágrimas e acenou com a cabeça. — Pode dizer onde? — Ele colocou a mão com força no peito. — Rouge, pode soltar, eu preciso examinar melhor. — Pediu para ela, que soltou seus braços que estavam ficando dormentes e um pouco doloridos com a força.

Mary se levantou e estendeu a mão para ele, em um pedido para que segurasse e se levantasse, ele a segurou com força e em um movimento tão rápido quanto só ele poderia fazer, se lançou contra a morcega negra, a apertando com força em um abraço rápido e necessidade.

Os olhos castanhos se alargaram de surpresa, seu corpo tencionou de choque, Rouge parecia surpresa e ao mesmo tempo preocupada. Aos poucos, a morcega negra relaxava ao mesmo tempo em que retribuía o gesto cuidadosamente e o puxava para se sentarem no sofá, lado a lado.

— Sonic, está tudo bem. — Disse suavemente. — Estamos aqui, com você. Está tudo bem. — Repetiu enquanto com cuidado o afastava de si lentamente.

Ele se afastou sem objeção, olhando para a morcega com olhos tristes, passou as costas das mãos em seu rosto, tentando limpar as lágrimas e suspirou, um som de decepção.

— Nyazu, a maleta. — Pediu olhando rapidamente para a raposa que se aproximou da morcega com um sorriso e uma maleta de tamanho mediano em mãos, ela pegou da raposa e a abriu, tirando um estetoscópio adaptado para a fisionomia mobian, o colocou no ouvido e testou o diafragma com um leve toque, para se assegurar de que estava funcionando devidamente.

— Ouriço — disse levemente mais séria — só relaxe e respire fundo. — Instruiu enquanto tocava seu peito com o diafragma lentamente, o ouriço tremeu levemente com o toque frio, mas fez o que a morcega instruiu. Ela ficou em silencio por um tempo, enquanto parecia concentrada contanto mentalmente os batimentos.

Por fim, suspirou.

— Continue relaxado e respirando fundo e tranquilamente. — Instruiu enquanto movia sua mão para suas costas, tocando novamente a pele do ouriço para ouvir agora seu pulmão, repetindo o processo com calma e cautela.

Tirou o estetoscópio e o colocou sobre o colo.

— Bem, está normal. Ainda sente alguma dor? — Olhou para ele dando um meio sorriso. Um aceno fraco de cabeça. — Forte? — Ele acenou negativamente. — Só se mantenha calmo, ouriço. Rouge? — Chamou.

— Sim? — A morcega respondeu mais controlada, parecia mais relaxada depois que viu que o ouriço parecia melhor.

— Traga água com açúcar. — Pediu, ao mesmo tempo em que empurrava suavemente o ouriço para que suas costas tocassem o encosto do sofá. — Por favor. — Acrescentou.

Rouge se levantou e foi a cozinha.

— Nyazu, pode sentar, não precisa ficar em pé. — Disse para a raposa que levemente envergonhada seguia para um dos sofás e se sentava olhando para baixo. Mary olhou para Sonic novamente. — Como está levando a gravidez? — perguntou suavemente, embora não soubesse o que havia causado toda a comoção, tentava descobrir mesmo que indiretamente o que poderia ser a fonte. — Muito enjoo? — Perguntou com cautela.

— Sim. — Sua voz saiu fraca e rouca, ele tentou um pigarro. — Me sinto mais cansado — reclamou se sentindo culpado por isso. Ela lhe olhou de forma mais terna.

— Sonic, Não se culpe por reclamar. — Deu um pequeno sorriso. — Muitas gestantes pensam que é errado, porque é uma vida que está carregado e que está sendo injusto fazer isso, mas sabe, sempre que precisar desabafar, me liga, me chame, faça o que sentir que precise. — Disse calmamente. — Confie em Rouge também, desabafe como está se sentindo, não guarde tudo só para si. Mais do que tudo você precisa evitar emoções muito fortes, confie em mim. — Sorriu.

Ele sorriu fracamente enquanto Rouge voltava com um copo um pouco cheio, entrou para o ouriço com um sorriso nos lábios, passando toda a tranquilidade que poderia transmitir, mesmo depois do choque de tudo que aconteceu. Ele estendeu a mão, ainda um pouco tremulas e pegou o copo com firmeza, sorrindo em agradecimento para ambas as morcegas. Bebeu avidamente, sentia sua boca seca e sua garganta também, o liquido fez bem para duas cordas vocais depois de uma crise de choro, fechou os olhos enquanto apreciava.

— Eu consegui uma consulta para você na próxima semana. — Anunciou enquanto olhava o ouriço. — Iria ligar para Rouge avisando, mas tinha tido oportunidade. — Explicou enquanto ele tinha terminado de beber e olhava para a morcega com curiosidade. — Não se preocupe, é confiável, você não vai ser mal visto e muito menos maltratado. — Sorriu-lhe, a expressão dele se tornou de dor. — Desculpe. — Ela disse rapidamente olhando para ele. — Sente dor? — Sua expressão ficou preocupada.

— Não é nada. — Respondeu desviando o olhar.

— Como queira. — Disse suavemente. — Não se esqueça do que disse, Sonic, você tem a nós, estamos do seu lado, não precisa se preocupar. — Tocou sua mão, apertando suavemente.

Ele lhe sorriu, era um sorriso fraco, mas ainda assim era um sorriso.

— Eu preciso que você fique em repouso, muito repouso. — Ela disse severamente. — Posso não ter presenciado o pico da crise, mas uma crise assim é perigosa. — Amenizou o tom, olhando para ele cautelosamente. — Ouriço, tente evitar tudo que possa lhe causar estresse, nervoso, tristeza, raiva. — Instruiu. — Se precisar, pode conversar com qualquer uma de nós, aliviar um pouco a tensão ou até mesmo o medo. — Deu um sorriso fraco. — Eu sei que você tem medo, é normal.

— Meu irmão me odeia. — Disse fracamente. — Acredita tanto que Shadow me forçou e que carregou um monstro. — Disse amargamente, tocou sua barriga protetoramente, como se com medo de que algo acontecesse ao seu filhote.

— Fala da raposa ou do equidna? — Ela perguntou levemente confusa, olhando para ele com atenção.

— Raposa. — Respondeu Rouge de forma seca, se sentando na beirada do sofá e puxando uma das mãos do ouriço e a apertando com força, para passar a maior segurança que podia.

— Me explique depois, Rouge. — Olhou para ela com seriedade, ela acenou minimamente. — Que tal tomar um banho? — Sugeriu para o ouriço com um sorriso.

Ambos, ouriço e morcega olharam para Mary surpresos e confusos. Ela apenas deu de ombros.

— Vamos sair um pouco — sugeriu para os dois — ar fresco, talvez uma corrida leve — deixou no ar ainda sorrindo.

— Iriamos fazer isso mais cedo — Rouge disse pensativa — é uma boa ideia, mas, correr acho que ainda não. — Colocou a mão no queixo. Quando sorriu amplamente com uma sugestão. — Vamos às compras! — Pronunciou com um sorriso amplo e olhos brilhantes.

— É uma ideia interessante — Mary disse, Sonic olhava para ela com os olhos levantados como se estivesse desconfiado das ações das duas.

— Vamos, Blueboy. — Ela disse com uma animação enorme, puxando Sonic para se levantar, o pingente com o Chaos Drive balançando por seu peito.

O puxou escada a acima, enquanto a morcega negra se recostava relaxando no sofá, fechando os olhos e respirando pesadamente.

— Por que fez isso? — Nyazu olhou para ela com curiosidade. — Você odeia compras. — Sorriu tristemente para ela.

— Não odeio, só não sou fá. — Respondeu ainda de olhos fechados. — Mas, às vezes precisamos fazer algo para distrair alguém que está triste. — Respondeu séria.

— Ele está muito triste? — Ela perguntou com seus olhos vermelhos olhando para a escada onde o ouriço subiu junto da morcega sob protestos.

— Muito. — Admitiu. — E nós vamos fazer ele ficar melhor, certo? — Sorriu levemente para a raposa que dava um sorriso em resposta.

— Certo! — Ela murmurou alegre.

Rouge desceu as escapas com os ombros caídos, olhou para duas dando um sorriso forçado, foi até poltrona e sentou nela, quase como se estivesse se jogando.

— Está tomando banho. — Anunciou, embora fosse claro pelo som de água correndo apreendido pelas orelhas mais sensíveis.

— Isso é ótimo. — Mary disse mais sem emoção. — O que aconteceu aqui, Rouge? — Ela abriu os olhos e fitou a morcega com atenção.

— Tails e Sonic são como irmãos, não de sangue, claro, mas de consideração, são muito ligados, se comportam como uma família de sangue, os laços entres aqueles dois são fortes, ou pelo menos eram. — Disse em uma torrente de palavras, como em um desabafo. — No dia que Sonic descobriu a gravidez, ele tinha vindo aqui, viu os testes que eu mandei Sonic fazer e me questionou acreditando que Blueboy e eu tivéssemos alguma coisa, então eu falei que eram de Sonic. — Ela admitiu.

— Ele não acreditou, presumo. — Ela disse em afirmativa.

— Exatamente, mas depois a ficha caiu e ele começou a surtar. Eu também não estava bem, estava preocupada. — Admitiu fechando os olhos e tombando a cabeça para trás. — Eu saí e o deixei sozinho, acho que ele ligou os pontos e fez afirmações erradas. — Fez uma careta.

— Ele pensou que Sonic tinha sido forçado? — Perguntou, olhou rapidamente para a raposa a sua frente, que estava olhando atenta para as duas.

— Basicamente. — Resmungou. — Veio dizendo muitas bobagens, culpando Shadow, me ofendendo, pensando que eu fosse alguma cumplice, inclusive esperava que Sonic abortasse e — estremeceu com a lembrança do rosto chocado e decepcionado do ouriço — chamou a criança de aberração. — Concluiu por fim, abrindo os olhos e olhando para a morcega com seriedade.

— Isso explica muita coisa. — Ela assentiu para a morcega albina. — Vou subir. Fique aqui, Nyazu. — Olhou para ambas enquanto Rouge balançava a cabeça afirmativamente e a raposa exclamava um “Sim!” animado.

Ela subiu calmamente, após colocar o estetoscópio no pescoço, o que rendeu um olhar levantado de Rouge, mas que não questionou, apenas se afundou ainda mais em seu assento.

— Está bem? — A raposa perguntou curiosa para Rouge, que abriu um dos olhos e deu-lhe um sorriso cansado.

— Ficará. — Foi sua única resposta.

.

Entrou no chuveiro desaminado, seus movimentos lentos e automáticos, como se não se sentisse animado para isso, porém o contato da água quente escorrendo por seu corpo, relaxou seus músculos e lhe fez dar um sorriso relaxado e tranquilo. Se ensaboava com cuidado, se demorando nos movimentos, massageando seus braços, seu peito que já começava a doer, seus dedos tocavam os mamilos sensíveis que se enrijeceram com toque de seus dedos, fazendo com que estremecesse. Seu corpo estava mais sensível que antes.

Notou diferença no tamanho, como se estivessem inchados, olhou para baixo e notou que a circunferência estava de fato maior, afastou os pelos pêssegos para ver melhor, surpreso que a auréola estava visivelmente maior que o comum para o peito masculino e mais escura, tocar aquela área era doloroso, fez uma careta.

Lavou os espinhos cabeça com força, lavou todos as partes que conseguia alcançar e deu atenção especial para onde se localizava seus genitais, não usando de força suficiente para que surgissem, mas os lavando com cautela.

Havia notado algumas certas mudanças no decorrer da semana, como seu rosto que parecia mais cheio, havia vezes em que sentia alguma falta de ar, mesmo que leve, isso fazia com que dormisse sempre com a janela sempre aberta, mesmo que estivesse com o clima frio.

Suspirou quando terminou o banho, estava mais relaxado, um sorriso estampado no rosto, acariciou o ventre com carinho, fechando os olhos enquanto apreciava o toque e a sensação maravilhosa que sentia de ser capaz desse milagre, depois que todo o choque e surpresa passou, ele conseguia aceitar melhor a ideia, teve uma semana para conseguir se acostumar com a ideia, cada vez que acordava de manhã para vomitar, todas as tonturas, a fome, o sono, todos esses desconfortos valiam a pena.

Valia muito a pena pelo seu filho. Seu pequeno ouriço. Seu mini Shadow ou como chamava carinhosamente, mini faker, por causa de como ele e Shadow se ‘cumprimentavam’.

Sorriu com isso enquanto pegava sua toalha e se secava com cuidado, abriu a porta do banheiro ainda com um sorriso no rosto, enrolado na toalha e fazendo uma pequena careta em como seu peito parecia doer, mesmo que levemente, aquilo incomodava, mas era suportável até. Um pensamento lhe disse que ficaria pior, não conseguiu reprimir a careta à isso.

— Sente dor, ouriço? — A voz olhe pegou de surpresa, olhou com olhos arregalados para a morcega negra sentada confortavelmente na cama olhando para ele com cautela e uma expressão preocupada.

Ele piscou, a mão que segurava a toalha em seu corpo escorregou, olhou estático para a morcega antes de abaixar e pegar o tecido felpudo com um rubor no rosto. Olhou para o chão enquanto murmurava envergonhado.

— Onde? — Perguntou suavemente, ignorando a expressão de constrangimento dele.

— Eh, uh — murmurou sem saber como dizer. A morcega apenas revirou os olhos.

— Não precisa ter vergonha, constrangimento, seja o que for. — Ela lhe assegurou, ainda sem sair da cama olhando para ele com expressão séria. — Eu estou aqui para ajudar, você sabe que pode me contar tudo.

— É só que — olhou para baixo, constrangimento fazendo suas bochechas arderem — é constrangedor... — Murmurou sem olhar para ela indo para seu armário procurando por suas luvas, dando as costas para ela.

— Ouriço, se há algo incomodando, por mais constrangedor que seja, pode dizer. — Reassegurou olhando para outro lugar, dando a privacidade que ele precisava. — Eu já lidei com outras gestações, pode ser que eu possa ajudar a melhorar. — Seus lábios tremeram no canto, enquanto ela tentava reprimir um sorriso.

— É meu peito — podia notar a dificuldade que tinha em dizer — dói, tá sensível! — Ele disse por fim, seu rosto parecia que ia explodir de constrangimento, mesmo que a morcega não fosse rir de si ou fazer pouco de sua reclamação, ainda assim era estranho estar rodeado de mulheres que não pareciam se importar com o fato de que ele era em parte, um ouriço masculino.

— Vem sentindo isso há quanto tempo? — Olhou para suas mãos enquanto o ouriço se vestia com suas luvas.

— Acho que desde ontem, mas não incomodava, era mais uma sensação estranha. — Admitiu.

— Quer que eu dê uma olhada? — Sugeriu com cautela.

Ele ficou em silencio por um tempo, havia se passado uma semana desde a noite com Shadow, as marcas que tinha no peito já tinham desaparecido, mas ainda assim tinha certo receio de permitir que Mary visse, mesmo que ela não tivesse intenção alguma de o prejudicar, ainda se sentia muito deslocado quando alguém diferente lhe tocava, como no caso da morcega que não é tão intima quanto seus amigos, desde que haviam se conhecido há apenas uma semana.

— Eu — murmurou desconcertado — pode ser. — Cedeu virando para a morcega.

Ela se levantou indo em sua direção, deu-lhe um sorriso tranquilo e suave. Olhou para ele de forma como se pedisse confirmação, ele assentiu envergonhado. Tocou levemente, seus dedos gelados tocavam seu peito afastando alguns pelos e visualizando com cuidado seus mamilos e auréola, a expressão era calma, seus dedos mal roçavam a pele, de forma que ele quase sentiu quando estava sendo tocado e analisado.

Ela se afastou com calma, sua expressão mudou de preocupada para uma mais tranquila.

— Eu suspeitava que aconteceria — começou de forma tranquila — não me surpreende na verdade. — Afirmou olhando para ele com calma. — Como todo o hormônio que está tomando, seu corpo está reagindo a ele e se modificando para auxiliar sua gestação, é um bom sinal. — Assentiu levemente.

— Isso quer dizer...? — Não conseguiu terminar sua pergunta, seu rosto parecia chocado.

— Que está desenvolvendo seios? — Sugeriu, ele assentiu sem conseguir dizer nada. — É uma possibilidade, desde que você precisaria amamentar seu filho. — Ela explicou.

Ele parecia chocado, mas depois aos poucos, sua expressão se suavizava, parecia que estava aceitando a possibilidade mais fácil do que a morcega imaginava. Ele sorriu, um sorriso de admiração.

— Vou poder amamentar, meu filho? — Perguntou com um sorriso no rosto, seus olhos brilhavam, parecia emocionado.

— Acredito que sim. — A morcega lhe sorriu minimamente. — O que me lembra...

Ela lhe puxou para a cama com suavidade, ele a seguia sorrindo e confuso.

— Sente-se, quero testar algo. — Ele levantou o olhar em dúvida, mas aprendeu não a questionar.

Se sentou com calma, ela pegou o estetoscópio que havia trago e os colocou novamente nas orelhas, olhou para ele com a expressão calma e tocou com o diafragma seu ventre, ficaram em silêncio por um tempo, enquanto ela ainda movia o dispositivo da esquerda para a direita com lentidão, se demorando alguns minutos antes que movesse o equipamento. Sua expressão concentrada mudou para de surpresa e depois parecia que havia acertado algo que desconfiava, pelo sorriso presunçoso que se seguiu em seu rosto.

— Quer ouvir? — Ofereceu, olhava para ele de uma forma quieta e até mesmo presunçosa, como se estivesse guardando uma surpresa.

— Posso? — Ele perguntou surpreso. Olhando para ela com expectativa, seus olhos brilhavam.

Ouvir o coração de seu filho... Ele não conseguia pensar em algo tão especial como aquilo, tornava ele cada vez mais real, como se ainda estivesse esperando que não fosse verdade, ele precisava daquilo, precisava da confirmação verdadeira de que ele iria ser pai/mãe, de que seu bebê sim existia e que não fosse uma loucura.

— Sim, é ainda fraco os batimentos, quase não se percebe ainda, mas, acho que é uma ocasião um tanto especial aqui. — Sorriu lhe com carinho.

— Especial? — Ele murmurou confuso.

— Aqui. — Ela retirou o estetoscópio de seus ouvidos e usou a parte inferior de sua blusa para limpar os fones, e o entregou para o ouriço, ainda sustentando seu sorriso presunçoso.

Ele os pegou, colocando-os no ouvido com ansiedade, ela cuidadosamente recolocou o diafragma novamente em seu ventre, em uma posição estratégica.

— Feche os olhos e se concentre. É bem fraco mesmo, ainda nesse estágio. — Sorriu.

Ele fechou os olhos, tentando se concentrar o máximo que conseguia, ignorando outros sons e se focando no suave e fraco som de um coraçãozinho batendo. O sorriso que se seguiu a isso era largo, se doer as bochechas, sentia a vontade de chorar, seu peito se encheu de felicidade, esquecendo toda a dor que sentiu mais cedo, toda a decepção que sentiu, se focou apenas naquele som, que soava como música para seus ouvidos.

— É tão... — Disse com a voz embargada. Um soluço irrompeu seu peito, estava a ponto de chorar, não de tristeza, mas de alegria. — Maravilhoso. — Custou a encontrar palavras que descrevesse.

— Há algo que preciso te contar. — Disse com calma. Moveu novamente o estetoscópio, para mais distante do primeiro som, ele abriu os olhos olhando confuso para isso, mas então, ele ouviu novamente o mesmo som. Seus olhos se arregalaram. — Descobri porque já está apresentando barriga. — Ela sorriu com presunção.

Seus olhos verdes se arregalaram, as lágrimas que seguravam caíam livres por seu rosto.

Estava em choque, porém, ele se viu gostando da ideia mais do que pensava ser normal.

Abraçou a morcega com um grande sorriso no rosto.

Não podia se sentir mais feliz do que já estava.

Notas finais
Acaso houver quaisquer erros sejam eles de digitação ou de gramática, por favor me avisem. Comentem caso sintam o interesse, gosto de saber o que acham do capítulo. Até uma próxima~ By: Shadow Shirami.