Bittersweet.

31 31. O mundo dá voltas.


Notas iniciais
Boa leitura.

Gemeu enquanto se remexia, virou para outro lado, sua mão tocando colchão macio. Espera, colchão?

Abriu os olhos confuso, se lembrava de ter ficado no sofá e depois adormecido, mesmo contra as ordens de Rouge, olhou para seu quarto ainda sem entender o que estava acontecendo, quando seus olhos focalizam a imagem branca encostada na parede com os braços cruzados e uma expressão séria.

— Eu disse cama, não sofá. — Disse repreensiva, olhando para ele reprovativa.

— Rouge... — Gemeu com as atitudes da morcega, ela mais parecia uma mãe super protetora que a ladra de joias que conheceu no passado. — Eu só estou grávido. — Revirou os olhos olhando para ela com a expressão cansada, não cansaço físico, mas mental, eles já tiveram essa conversa antes. — Eu não estou com doença terminal, dá um tempo.

— Sonic... — Começou, sua postura mais séria ainda. — Você sabe que você está longe de ser uma grávida normal — usou o termo do feminino para dar ênfase ao seu ponto — não deve exagerar ou dormir de qualquer forma, principalmente com seu filho precisando de sua energia a cada dia que passa. — Terminou sua argumentação.

Espera, seu filho estava sugando sua energia?

— O que? — Perguntou confuso, não ainda completamente acordado.

— Não me diga que não notou? — Perguntou mais calma, sua expressão se suavizando conforme se aproximava dele, sentando na beirada da cama. — Cansaço muito excessivo, você praticamente passa o dia exausto e dorme mais que o normal — explicou olhando para ele esperando que entendesse —, é o seu filho Sonic, ele parece ter herdado a necessidade de Chaos de Shadow, eu estive conversando com Mary enquanto procurava as esmeraldas... — Disse calma e um pouco hesitante, parecia pensar se dizia ou não algo, respirou fundo diversas vezes e por fim suspirou.

— Conversando sobre o que? — Perguntou, a hesitação da morcega soando suspeita demais para ele interpretar como uma reação normal.

— Sobre sua gravidez, ela me contou algumas coisas, explicou algumas, admitiu que a ideia da criança precisar de Chaos já passou pela mente dela antes, mas não podia afirmar com certeza, desde que a gestação está no início e — Se interrompeu no que iria dizer, olhando para Sonic um pouco surpresa que estava falando demais, ela parecia não querer isso —, todo cuidado é pouco, os meses iniciais são os mais difíceis e com mais riscos. — Completou rápido demais.

Apesar da curiosidade e anormalidade de como estava sendo tratado pela morcega albina, preferiu ignorar por hora, não estava muito atento para dar atenção e até mesmo poderia ser coisa da sua cabeça.

— Não sabia que já estava amiga da Mary. — Provocou olhando para a morcega albina que pareceu relaxar com a mudança do caminho da conversa, afinal, se fosse algo muito grave elas já teriam lhe dito, certo?

— Não exatamente. — A morcega fez uma careta, fazendo Sonic rir. — Mas às vezes sacrifícios devem ser feitos, sim? — Sorriu-lhe.

— Oh, que sacrifício enorme! — Zombou, olhando para ela com ironia.

— Cale a boca.

— Eu não entendo a rivalidade de vocês duas. — Revirou os olhos. — São da mesma espécie, por que todo esse drama?

— Coisa de mulher. — Respondeu desviando o assunto, olhando para outro canto do quarto.

— Nunca vou entender. — Revirou os olhos, se acomodando na cama.

Rouge ficou silenciosa por um tempo, pensando em várias coisas enquanto Sonic parecia novamente sonolento, soltando um bocejo demorado.

— Que horas são? — Perguntou olhando para a morcega com curiosidade.

— 6:35 am — respondeu depois de olhar o relógio que estava na cômoda.

— Acho que dormi demais... De novo. — Sorriu amarelo enquanto encarava o teto.

— Mary veio mais cedo, trazer mais progesterona e ácido fólico. — Anunciou, pronunciando as palavras um pouco lentamente. — Como ela receitou uma quantidade alta de hormônio, o que tinha aqui estava já na metade. — Explicou. E depois olhou para ele de forma inquisitiva. — Você está seguindo a ‘receita’ à risca, não é? Não me faça aplicar eu mesma.

Os olhos do ouriço se ampliaram enquanto um rubor se espalhava pelo seu rosto, olhou para ela com cautela, como se realmente temesse que ela tivesse mesmo a intenção de lhe medicar. Já não chega a humilhação que sentiu quando Mary lhe explicou na pratica como fazia?

Suas pernas se fecharam automaticamente enquanto olhava assustado para a morcega.

Ela riu de sua expressão, quase chorando pela gargalhada súbita.

— Chaos, Sonic, você devia ter visto sua cara. — Ela riu, segurando o estomago com força. — Claro que não vou fazer isso, relaxa. — Disse depois de se recuperar do ataque, olhando para ele em expectativa e relaxando a expressão cautelosa quando viu que ele visivelmente relaxou.

Ela se levantou, indo a cômoda e pegando um pratinho com bolachas de água e sal e olhando para ele inquisitiva. Ele primeiro a olhou confuso, antes de se levantar e Rouge colocando o prato em seu colo.

— Eu ainda não entendo qual o sentido disso. — Murmurou enquanto pegava um e levava a boca, mastigando lentamente e olhando para a morcega distraidamente. — Mas é melhor que acordar dando de cara com o vaso. — Resmungou. — Não que isso mudasse o fato de que eu ainda o cumprimento pelo dia. — Revirou os olhos levando outro a boca.

Ela deu uma risada sem humor.

Ele terminou de comer, colocando prato com migalhas sobre a cômoda e se remexeu, virando o corpo para que seus pés desnudos tocassem o chão gelado. Esticou os braços se alongando, soltou um gemido involuntário enquanto algumas articulações estalavam.

— Achou o que procurava? — Perguntou para ela, sua voz mais natural enquanto se levantava e andava para a porta, ela lhe seguiu depois de se levantar também.

— Não. — Disse frustrada. — Não encontrei nenhuma e não podia demorar muito. — Olhou para ele. — É perigoso demais deixar um certo ouriço sozinho, aprendi da pior forma. — Fez uma careta enquanto Sonic desviavam a atenção para qualquer lugar para não encarar a morcega. — Mary ficou aqui por metade do tempo que estive fora, desde que precisava te entregar os remédios que qualquer forma. — Deu de ombros. — Agradeça a ela por não acordar com a coluna doída.

Ele entrou no banheiro, fechando a porta atrás de si. Rouge se recostou na parede, enquanto ouvia contra sua vontade os sons que vinham do lugar. Fez uma careta enquanto olhava para outros cantos.

Sonic demorou um pouco, não meio constrangido porque sabia que Rouge estaria ouvindo, mesmo que não fosse culpa dela, saiu e fechou a porta.

— Se não encontrou uma esmeralda, como vamos reduzir o meu cansaço? — Perguntou enquanto seguia para o andar de baixo. — Se continuar desse jeito vou literalmente entrar em coma. — Sorriu.

— Com isso. — Colocou a mão entre os seios, mexendo um pouco incomodada antes de tirar de lá uma espécie de pote cilíndrico com vidro transparente, onde um fragmento do que parecia um cristal estava, sua cor era vermelha e o liquido também, tinha um suporte para corrente, onde tinha sido adicionada uma corrente fina e longa de cor prateada.

— Um Chaos Drive? — Perguntou. — Eu não tinha pensado nisso.

— Eu também não tinha lembrado disso, até algumas horas. — Deu de ombros. — Não é como se eu fosse lembrar disso quando a fonte mais poderosa e fácil são as adoráveis esmeraldas. — Sorriu com seus olhos brilhando.

— Menos, Rouge. — Cortou, enquanto seguia para a cozinha.

— Eu não posso evitar! — Disse de modo defensivo. — Não é como se pudesse resistir ao desejo de possuir essas joias tão brilhantes e adoráveis. — Cantarolou.

Sonic revirou os olhos enquanto pegava uma barra de cereal do armário e umas maças na fruteira, comendo lenta e cuidadosamente. Fazendo uma careta para o gosto de aveia, mas comendo mesmo assim.

— Não faça essa cara. — Repreendeu enquanto abria o fecho da corrente e o passava pelo pescoço do ouriço, fechando-a e deixando o ‘pingente’ solto em seu peito.

Sonic suspirou, enquanto sentia uma sensação agradável de calor se alastrando por seu corpo, lenta e calma, suave e confortável. Algo que era familiar quando usava as esmeraldas, porém era em um grau muito menor.

— Não é a mesma coisa que uma esmeralda, como eu disse. — Se desculpou enquanto se sentava junto de Sonic e pegava um cacho de uvas da fruteira. — Mas acho que vai servir até que eu encontre uma esmeralda.

— Obrigado, Rouge. — Sorriu para ela enquanto pegada o pingente com uma das mãos sentindo a energia fluir pelos seus dedos e mordia o resto da barra de cereal.

— Não precisa agradecer. — Respondeu com um sorriso depois que mastigou e engoliu uma uva.

Comeram em silencio, Rouge estava pensativa enquanto Sonic comia a maçã restante, deixando de fazer careta.

Estavam agora sentados no sofá, Rouge como sempre sentava confortavelmente com as pernas azuis por cima de seu colo, ambos tentavam se distrair com televisão, mas não havia nada nela que podia chamar atenção realmente deles. Mudaram de canais diversas vezes, passando por noticiários, onde ainda estavam falando de um quase acidente há uma semana, onde misteriosamente ninguém saiu correndo e ninguém fazia ideia do que tinha acontecido.

Embora o ouriço soubesse qual foi a fonte de toda a comoção e quem quase teve um acidente, ainda assim não podia deixar de se sentir culpado.

— Não tem nada passando de legal nesse horário? — A morcega ainda zapeava pelos canais, muitos deles de noticiais, documentários, alguns filmes que não tinha prendido a atenção de nenhum dos dois e mais nada. — Nenhum sei lá, filme ou desenho legal? Quem paga assinatura para ver esse monte de noticiário? — Resmungou enquanto apertava o botão de desligar. — É por isso que não assisto televisão. — Revirou os olhos.

— Eu quase nunca assisto televisão, queria correr, mas — seu lábio se contraiu com a situação, recebendo um olhar repreensivo da morcega — é, eu sei, Rouge, mas faz falta — sorriu triste enquanto olhava o perfil dela tristemente.

— Por que então não vamos dar uma caminhada? Respirar ar puro, não precisa correr, só andar mesmo correr em velocidade normal. — Sugeriu, olhando para ele com um sorriso.

— Sério, Rouge? — Revirou os olhos. — Eu sou o ouriço mais rápido de Móbius, sua definição de corrida normal é muito diferente da minha. — Disse cético.

— Ok, vamos tentar correr como um mobian normal correria? — Se corrigiu, olhando para ele agora com o olhar levantado.

— Isso é muito lento! — Reclamou fazendo uma careta.

— É isso ou ficarmos aqui o dia todo fazendo absolutamente nada. — Olhou para ele como se esperasse objeção.

— Ok, você venceu. — Suspirou.

Sonic se sentou, se esticando novamente devido ao tempo que ficou sentado.

— Vou comer alguma coisa. — Fez uma careta. — Pega minhas luvas para mim? — Pediu enquanto olhava para a morcega por cima do ombro depois de se levantar e caminhar a cozinha.

— E um casaco. — Ela completou ao seu levantar e subir para o andar de cima.

Ele chegou a fruteira, pegando a maçã restante, fazendo uma nota mental de passar em algum supermercado para comprar mais frutas e comidas mais saudáveis e claro, aprender a cozinhar algo que não fosse molho com chilli, fez uma careta, de algo que ele certamente estava sentindo muita falta, que chegava a se comparar com abstinência era dos seus amados chilli dogs, fez uma careta ao morder a maçã, ia dar mais outra quando seus ouvidos pegaram o som característico de uma porta batendo.

Piscou, ao mesmo tempo em que virava seu corpo para a direção da sala, onde foi para a porta, a maçã indo para a boca enquanto abria a porta para quem é que fosse que estivesse lhe visitando.

Do lado de fora de sua casa, havia uma raposa de pelos amarelos ouro e duas caudas que estavam se remexendo nervosas enquanto seus olhos azuis olhavam para o ouriço com surpresa.

— Tails? — Sonic perguntou surpreso, olhando para a raposa enquanto dava outra mordida na fruta. — Bom dia, irmãozinho! — Cumprimentou com um sorriso enorme. Se aproximou a raposa para lhe bagunça o amontoado de pelos que faziam parte de sua franja, mas para sua surpresa, a raposa se afastou rapidamente.

— Qual o problema, Tails? — Perguntou meio sentido pela ação da raposa, eles sempre faziam isso quando se encontravam, era algo costumeiro, quase como uma tradição, porque agora a raposa se afastava?

— Essa seria a minha pergunta. — Disse sério, olhando para Sonic com os olhos acusatórios, como se ele o tivesse traído, esse olhar fez Sonic se sentir culpado, mesmo sem nem ter a ideia do porquê.

— Bom dia para você também. — Disse com ironia, sua expressão se tornando aborrecida. — Alguém acordou do lado errado da cama hoje. — Resmungou enquanto abria mais a porta para a raposa entrar.

Tails entrou com um revirar de olhos e foi para o sofá, se sentando nele pesadamente, como se estivesse sentindo um enorme peso.

— Qual o problema? — Perguntou Sonic novamente, olhando para a raposa com preocupação. Geralmente eles se cumprimentavam com sorrisos e abraços, porém dessa vez algo estava estranho, uma atmosfera pesada fazia o ambiente parecer tenso.

— Você, Sonic! Você é o problema! — Disse entredentes, os olhos azuis se estreitando enquanto os verdes de Sonic pareciam se ampliar de surpresa, tanto pelo tom irritado quando pela forma como veio a se expressar.

— Ei, espera aí, cara! — Exclamou levemente assustado. — Eu não faço ideia do que está dizendo. — Disse enquanto dava de ombros e seguia para a cozinha jogar os restos da maçã na lixeira.

— Você mentiu para mim, Sonic. — A voz da raposa era carregada de ressentimento.

A mão que estava erguida para jogar os restos da fruta na lixeira paralisou, todo o seu corpo paralisando. Um frio de medo deslizou por sua coluna, fazendo com que o medo surgisse em sua mente. Tremendo ele fez um esforço para jogar os restos no lixo e seguir para onde Tails estava, temendo o rumo para o qual essa conversa estava indo.

— Nunca menti para você, Tails. — Disse incomodado enquanto sentava. Estava surpreso por Rouge não ter decido ainda, mas talvez provavelmente ela estivesse lhe dando privacidade.

— Então por que nunca me disse sobre você e Shadow? — Jogou as palavras com raiva, olhando para o ouriço que, por mais se sentisse medo, ainda estava sustentando uma expressão perfeitamente neura e séria.

— Porque você nunca perguntou, você nunca perguntou sobre relacionamentos, nem nada. — Respondeu calmamente, sua postura ainda tensa, porém conseguiu dar de ombros.

— Você sabe que podia ter me contado sobre o que sofria — Tails começou a falar rapidamente, como se estivesse nervoso demais para pronunciar as palavras com calma — nós poderíamos ter arrumado um jeito de afastar aquele monstro e ele não ferir ninguém, fiquei a semana toda criando uma arma para anular—

— Espera! Espera aí, cara! — Sonic gritou erguendo a mão, olhando para a raposa confuso. — Que monstro? Do que está falando? — Piscou para ele, ao mesmo tempo que tentava organizar seus pensamentos.

— Shadow! Ele é o culpado disso tudo, eu deveria ter desconfiado! Eu nunca poderia ter deixado ele se aproveitar de você! — Disse com nojo e revolta. Sua cara ficando sombria.

— Tails... — Sonic pareceu enfim entender, pelo menos em parte, o que poderia ter causado toda essa reação estranha na raposa. — Shadow nunca fez nada que eu não quisesse. — Começou, olhando para ele com cautela. — Nunca. — Enfatizou.

— Isso é o que todas as vítimas dizem, você tem Síndrome de Estocolmo por acaso? — Perguntou cético.

— Esto o que? — Repetiu confuso, mas disse rapidamente antes que Tails dissesse algo mais. — Tails, Shadow não é assim, você não o conhece direito — deu um pequeno sorriso, tentando amenizar o clima — não sabe o quanto ele tem muitos princípios e tradições — sorriu de um jeito estranho, como se estivesse dando um sentido oculto para suas palavras.

— Claro, estuprar e coagir é um princípio admirável! — Disse sarcasticamente.

— Chega, Miles Prower! — Gritou, se levantando da posição sentada. — Quantas vezes eu tenho que dizer que Shadow não me forçou a nada?! — Rosnou, seu rosto adquirindo um tom vermelho de raiva, os olhos ficando brilhantes.

A raposa se encolheu, um tanto assustado pela explosão, até que uma segunda voz apareceu, mais séria e muito repreensiva.

— O que diabos está acontecendo aqui? — Rouge apareceu descendo as escadas, suas mãos carregavam um par de luvas brancas e um casaco azul escuro. — Que gritaria é essa? — Disse enquanto olhavam para ambos de forma séria.

— Você! — Tails gritou. — Você não tem vergonha, Rouge?! — Rosnou. — Vergonha de encobrir toda essa sujeira?!

Um som soou, um estalo de uma mão em um rosto.

Tails olhou assustado para a mão que o agrediu, depois para o dono. Os olhos verdes estavam ardendo de raiva.

— Pela última vez, Miles. Shadow. Não. Me. Obrigou. A. Nada. — Pronunciou cada palavra acidamente. — E mais, eu me ofereci a ele. — Disse rosnando. — E não inclua Rouge do seu argumento estupido. Ao contrário de você, ela não subiu a voz e nem veio acusando sem provas. — Seus olhos se estreitaram. — Eu não te reconheço mais. — Pronunciou com desgosto.

— Eu não sou uma criança, Sonic! — Rosnou para ele, sua mão passando pela bochecha golpeada. Lágrimas ameaçavam escorrer pelos cantos de seus olhos.

— Então pare de agir como uma. — Rebateu. Cruzou os braços, seu olhar perfurante.

Rouge se aproximou do ouriço com calma, passando seus braços pela cintura dele e o puxando para si, apesar de sua posição séria, ele acabou relaxando ao toque, ele precisava disso, um apoio físico e não de alguém que tanto ama lhe julgando e julgando as pessoas que ama.

— Olha o que aquele monstro fez! — Rosnou mais baixo, Sonic congelou. — Te engravidou! Você está infectado com uma aberração igual ao pai! — Disse com raiva.

Aquelas palavras, tão carregadas de raiva entristeceram o ouriço, que deitou a cabeça no ombro de Rouge e deixou que ela o puxasse para que se sentassem na poltrona com ele em seu colo, ela passava os dedos suave e ritmicamente pelos emaranhados de espinhos de sua cabeça, suas costas, subindo e descendo várias e várias vezes.

— Não fale assim do meu filho. — Respondeu friamente. — Você não tem o direito.

— Agora você ama um monstro? — Disse com uma expressão decepcionada.

— É uma criança, Tails, meu filho não tem culpa dos meus erros e nem de nada. — Respondeu no mesmo tom frio.

— Mesmo sendo filho dele? — Perguntou com toda decepção que conseguiu reunir, tentando fazer o ouriço ver o seu ponto. — Você ainda pode se livrar desse peso, Sonic. Pode esquecer que esse problema existiu e continuar a sua vida. Você ainda pode ser o meu herói! — Implorou.

— Se ser o seu herói implica deixar de ser o que eu sou para te agradar. Desculpe, Tails. — Sua voz se suavizou. — Eu não vou tirar o meu filho, sabe por quê? — Perguntou retoricamente. — Porque eu amo o pai do meu filho, sim, eu sou gay ou melhor, eu me identifico assim, apesar de ser hermafrodita. — Disse deixando as palavras fluírem, sem se sentir culpado ou receoso. — Eu sabia que você iria agir assim, por isso nunca tentei confessar. Sobre ser hermafrodita ou só fui descobrir semana passada, quando uma mulher que nem me conhecia direito me cedeu a sua casa e está me ajudando com tudo isso.

Respirou fundo enquanto seus olhos baixavam, as lágrimas escorrendo por eles, mas não atrapalhou sua fala.

— Ela me estendeu a mão, me ajudou sem nem pensar duas vezes. Exatamente o que eu faria se estivesse no lugar dela. — Tomou uma respiração profunda. — Ela não me julgou, não apontou culpados, não me criticou, ela apenas me ajudou. Uma desconhecida, Miles, uma desconhecida foi mais solidária do que meu irmão de consideração que passou anos e muitos altos e baixos junto comigo. — Desabafou, se sentindo triste e decepcionado. — Miles, se para você o eu carrego é uma aberração por culpa do seu preconceito, então não posso mais te considerar meu irmão. — Porque eu fui o primeiro e o único que te acolheu e protegeu quando todos te tratavam como uma. Não seja hipócrita agora.

Tails se encolheu com a lembrança, enquanto a culpa parecia corroer seu peito.

— Se você veio aqui achando que Shadow era o vilão, fique sabendo que quem está desempenhando essa função é você. — Olhou para ele de forma vazia, o rosto molhado de lágrimas, Rouge nada falou durante esse tempo, não sentindo que fosse adequado se intrometer. — Eu esperava mais de você, Miles. Estou decepcionado. — Balançou a cabeça. — Se não tem mais nada para falar, pode sair. Quem sabe quando aprender a ser mais tolerante, possa ser bem vindo novamente na minha vida. Adeus, Miles Prower.

Apontou com o dedo para a porta, a raposa arregalou os olhos, olhando para Sonic com surpresa e mágoa, ele preferia o filho de Shadow à ele? Era essa a decisão final?

Ele se levantou, as lágrimas descendo em torrentes por seu rosto, fechou as mãos em punhos e deu as costas para o ouriço e a morcega, foi para a porta com a expressão magoada, deu uma última olhada para a dupla, esperando inutilmente que Sonic lhe pedisse para voltar e pedisse desculpas, mas o que viu o deixou desesperado. O olhar da decepção.

Fechou a porta com força, frustrado e correu, correu como se isso pudesse limpar toda a dor de seu jovem coração.

Sonic fechou os olhos apertando suas mãos com força. Não tinha mais a possibilidade de Tails o apoiar, o vazio e a decepção fazia seu peito doer, um soluço alto irrompeu por seus lábios, sentia uma crise forte de choro se aproximando e não fez nada para a refrear.

Rouge nada falou e agradeceu por isso, não queria ouvir palavras de apoio ou o famoso “vai ficar tudo bem”, pela primeira nada parecia que ficaria bem. Mas, agradecia pela companhia e apoio de Rouge, logo quem menos esperava que lhe ajudasse em uma situação dessas.

O mundo dá voltas.

Notas finais
Acaso houver quaisquer erros, sejam de digitação ou gramaticais, peço que por favor me avisem. Comentem caso sintam o interesse, gosto de saber sobre a opinião de vocês. Até uma próxima. by: Shadow Shirami.