Birth Of a Guilty
2 Is ready to surprise
Notas iniciais
O sol nasceu cedo naquela manhã. Eu já estava acordado e meu coração pulava freneticamente. É hoje o dia. É hoje. Saí da cama sem fazer barulho algum; não queria acordar Uruha. Aprontei-me para sair e peguei o cartão do dia anterior e coloquei sobre meu travesseiro. Saí apressado para a empresa sem tomar café.
- O... O quê? Foi transferido?
- Sim, Aoi... Sinto muito... Ia fazer uma surpresa ao Uruha-san, não é mesmo?
- Ia né...? – Desmoronei em minha poltrona. – Mas que droga! Eu planejava pedir Uru em casamento, perto da torre. E queria que fosse no dia dos namorados...
- Você não mudou mesmo, depois de tantos anos em que te conheço. Continua tão romântico e totalmente entregue quando está apaixonado. Ruki precisa de umas aulas com você, Aoi-chan...
- O que houve? Está tudo bem entre vocês?
- Ah, está sim. Está ótimo. Mas é que... Ultimamente ele têm andado ocupado demais... Até parece que não me quer por perto... – O loiro disse, tentando não parecer preocupado, enquanto coçava a nuca.
- Relaxe, Reita. Ouvi Uruha dizer que está tudo um caos na editora. E como a revista vende bem nesta época, eles estão bem ocupados mesmo. – Eu disse, logo levando o copo de café expresso até os lábios. Bebi um grande gole, deixando aquela bebida quente e amarga se desfazer em minha boca.
- Fico aliviado assim. Mas se bem que Ruki é uma das pessoas mais sinceras que conheço, ele não seria capaz de me trair. – Ele suspirou aliviado. – No mínimo, me avisaria.
Rimos e tomamos o último gole antes de subir e trabalhar.
- Estou indo, minna! – Acenei para Reita e mais alguns colegas.
- Tchau Aoi! Boa sorte.
Desci do prédio em passos largos e peguei o carro. Saí do estacionamento e dobrei a esquina com a rua Mokka e segui para o norte. Parei enquanto o sinal tomava a cor vermelha e esperei. Havia um menino que se apresentava na faixa de pedestres. Ele era ruivo, e engolia fogo. O tal tirava um pedaço de brasa da churrasqueira e apagava-o colocando um inteiro dentro da boca.
O sinal estava prestes a abrir, e a criança passou pelos carros com um boné virado estendido para receber um trocado. Baixei o vidro e chamei o menino ruivo.
- Hey, garoto. – Ele virou-se para mim e olhou em volta.
- E-eu? – O menino apontou para si mesmo.
- Você mesmo, venha cá. – Chamei-o. Ele andou devagar até a mim, hesitando a cada passo percorrido.
- S-sim...? – Eu sorri para o outro e lhe entreguei uma nota de 100 ienes.
- Foi uma boa apresentação. – Afaguei seus cabelos e dei a partida no carro.
Eu estava aproximando-me do condomínio, quando vi uma porsche vermelha estacionada a meio fio da calçada. Um loiro tragava, encostado no carro um tanto familiar. Ele estava de braços cruzados e de cabeça baixa; o homem olhava para o chão. Estacionei meu carro do outro lado da calçada.
Uruha levantou a cabeça e sorriu para mim. Fui até ele e peguei sua mão. Eu estava um pouco confuso; minha cabeça girava.
- Feliz dia dos namorados, koi. – Uruha disse, e beijou-me com fervor. Minhas mãos arranharam sua cintura e prensei-o contra o carro. Encerramos o beijo com um leve selinho.
- Feliz dia dos namorados pra você também, amor. – Eu disse, e sorri. – Hey, espere um minuto. – Soltei sua mão e corri até o carro. Peguei um buquê de rosas e corri de volta, levando até Uruha. – Ano... Eu... Eu sei que isso é meio gay, mas que se foda. Nós somos gays. Eu te amo, Uru.
Uruha pegou o buquê sorridente e me abraçou.
- Por toda a eternidade. – O loiro confirmou, sussurrando em meu ouvido.
Ri baixo de felicidade e perguntei:
- Ah sim! O que fazia aqui a esta hora...? E porque está mais lindo que o normal? – Afastei-me dele e o analisei da cabeça aos pés.
- Tenho uma surpresa pra você.
- Tem, é? – Uma onda de curiosidade invadiu cada parte de meu corpo. Mas eu também tenho uma surpresa, pensei. – Vou subir e largar minha pasta, e você já me mostra a surpresa, está bem?
- Claro, claro. Só não demore. Já são quase nove horas.
O porteiro desejou-me um feliz dia dos namorados quando passei pelo hall. Desejei o mesmo à ele. Yasumoto-san deve ter uma esposa esperando por ele em casa. E talvez até filhos.
- Que demora... – Acordei de meus devaneios enquanto esperava o elevador subir ao décimo oitavo andar.
Mesmo que não fosse em Paris, eu pediria a mjão de Uruha hoje mesmo. Não agüentava mais um dia que fosse não ter o loiro como meu... Etto, como digo? Parceiro para o resto da vida.
A porta do elevador abriu e eu saí.
Coloquei a pasta no sofá e fui até o armário de remédios pegar a aliança e a rosa de cristal. Aproveitei, e liguei para o síndico.
Cheguei ao térreo e fui até a portaria.
- Yasumoto-san, pode ir pra casa.
- Shiroyama-san...? Fiz algo que não devia?
- Não... Oh, não é nada disso, Yasumoto... Tire o resto da noite de folga, eu falei com o síndico. Pode ir, se quiser, é claro.
- O-oh... Muito obrigado, Shiroyama-san. – O outro homem se reverenciou.
- Não há de quê. – Eu sorri e lhe virei as costas.
- Boa noite, senhor.
Uruha estava a poucos metros e sorria enquanto eu me dirijia a ele.
- Fez uma ação grandiosa, hm?
- Só quis que ele passasse o dia dos namorados, ou melhor, o que sobrou do dia, em seu lar.
- Ah, eu sou o homem mais feliz do mundo por te ter. – Uruha sussurrou e puxou-me para ele.
- Não, está enganado. Quem ocupa a posição do homem mais feliz do mundo, sou eu.
Sorríamos um para o outro, enquanto eu aninhava o loiro em meu peito, deixando meus lábios mergulharem profundamente em seus cabelos macios e sedosos. Ficamos alguns minutos em silêncio, apenas escutando o zanzar das árvores ao vento.
- Que tal irmos agora, Aoi?
- Vamos. Eu estou muito curioso.
Notas finais
Eu pretendia fazer apenas dois capítulos nesta fanfic, mas vi que não vai dar, então se preparem, porque o próximo é o último chap. ;;
So... Reviews? *-*
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