Bigger Than Us
3 CAPÍTULO 2º
Notas iniciais
PVD – Charlotte
E como se não me bastasse toda essa confusão, dois retardados – mas lindos – ainda estavam rondando a casa! Aquela casa, arg! Estava me dando arrepios.
Eu havia preparado tudo, apenas a luz do hall estava ligada, e o resto da iluminação era feita à luz de velas. Prendi meus cabelos que caíam no rosto em um coque em cima da cabeça, e me concentrei no antigo livro de magias que havia achado numa biblioteca, há um tempo, e havia roubado. Poxa! Ninguém o usava, ele era interessantíssimo! Sem falar que eu o aluguei, pra depois sumir com ele. Achei mais educado roubá-lo assim, claro.
E como sempre, o azar me perseguia. Não apenas o azar como os espíritos também. Cansada demais para estudar aquele livro, ou apenas conhecer seu conteúdo pela ponta dos dedos , dobrei as pernas, ainda sentada no chão. Fechei os olhos e tentei fingir que não vi os faróis do Chevy atravessarem a janela mais uma vez. Tentei fingir também que estava numa praia deserta, sem fantasmas, sem terror, sem magia, sem mitos. Apenas eu, o sol, a areia, e o mar. Como eu poderia me chamar nesse sonho? – me perguntei, sorrindo levemente. Ah! Que tal Dulce?! Ou Beatrice?! Sempre gostara desse nome, mas o azar e os espíritos me perseguiam demais para eu pensar em ter uma filha e chamá-la assim. Abri os olhos abruptamente quando senti algo em minhas pernas.
– Porra, Beagle! – acariciei os pêlos negros do meu gato. E mais uma vez, as luzes fortes entraram pelas janelas. – Filhos da puta.
Poderia ter escolhido qualquer arma de meu repertório, mas uma espingarda resolvia muitos problemas. A verdade é que eu não queria saber se estavam do outro lado da rua, ou se não estavam mais na rua, apenas queria sentir o peso da arma em minhas mãos, e sentir o poder que emanava dela, quando apontada para algo ou alguém. O mais legal é que a espingarda era do falecido, e tentei imaginar-me atirando com ela. No caso, nos dois idiotas – lindos, mais idiotas -, ou no precioso carrinho deles. Eu poderia escolher. Não soube dizer se foi sorte ou não quando, ao abrir a porta, dei de cara com os dois... padres?!
– O que querem aqui de novo? – perguntei, estressada demais para ser simpática ou receptiva. Mas tenho a impressão que não conseguiria passar uma boa imagem com aquele mondrongo em minhas mãos. Mesmo se eu fosse simpática, o que eu, absolutamente, não sou.
– Hã, calma filha. – disse o mais baixo. – Viemos na paz do Senhor.
– O que querem aqui de novo? – perguntei mais uma vez, repetindo as palavras lentamente, caso fossem retardados de verdade.
– Se nos deixarem entrar, nós podemos conversar, e esclarecer as coisas. – o mais alto com cara de neném falou. Levantei o queixo, hesitante, mas acabei dando passagem para que entrassem.
– Há, eu disse, Sammy! – disse o mais baixo e com cara de tarado. – Disse que meu plano iria ser um sucesso.
Revirei os olhos e guardei a espingarda num lugar próximo.
– Hey! – chamei o que havia falado há pouco. – Seu bigode falso tá caindo.
– Hã, obrigado. – ele me deu um sorriso amarelo e guardou aquela coisa no bolso.
– Podem começar com: quem são vocês. – sorri fingindo gentileza. Sentei-me no sofá, e esperei até os dois homens se mexerem e sentarem-se também.
– Somos caçadores. – levantei uma das sobrancelhas. – Eu sou Dean, e ele é Sam. Somos irmãos.
– Dean e Sam... – instiguei que dissessem seu sobrenome, mesmo que eu já desconfiasse sobre.
– Winchester. – disse Sam. Preguei meus olhos nos dele, e procurei por mentiras ali. Nada.
– Hm. – foi o que consegui dizer. Levantei-me do sofá e continuei a estudar o livro antigo que cheirava a mofo. Pensar em quanto eu havia torcido secretamente por eles no apocalipse me deixou sem graça comigo mesma, e eu funguei. Lembrei-me da simples simpatia de proteção que havia feito para eles. Pelo menos eu sabia que havia funcionado, eles estavam vivos. Mas eu não estava pronta para pedir-lhes nada.
– O que é isso? – perguntou Dean. Observei seu rosto, sim, ele era lindo. Pisquei, como se fosse uma pergunta banal.
– Um livro de magia e rituais. Cristãos e pagãos.
– E o que houve por aqui? – o irmão perguntou.
– Ué! – deixei o sarcasmo libertar-se de mim, expressando-os em minhas palavras. O alívio de vê-los pessoalmente foi encoberto pelo orgulho, e eu me senti infantil. – Vocês não são os ‘grande Winchester’?! Teriam de ser os primeiros a saber.
– Qual é o seu problema, hein, garota? – o que se chamava Dean levantou-se estressado, e tive de trincar os dentes para não rir quando ele se embolou para tirar a roupa de padre. Voltei meus olhos para o livro, ignorando-o – ou fingindo que ignorava. Ele bufou, e eu sorri de lado.
– Sr. Green era filho de um dos assassinados de Jonh Wayne Gacy Junior. Ou, o famoso ‘palhaço assassino’. – eles se entreolharam, enquanto meus olhos corriam entre os móveis, procurando a imagem do palhaço macabro que estava fazendo aquele estrago. Desesperei-me quando percebi que daria meia noite e que eu tinha prometido a mim mesma que acabaria com aquilo no mesmo dia. – Vai ter que ser isso. – resmunguei.
– O serial-killer de 78? – perguntou Sam, em dúvida. Olhei para seu rosto, também lindo, e concordei. Abri a boca para continuar explicando, movimentando meus dedos entra as páginas dos livros, sugando suas teorias, posicionando as velas.
– Isso. Ele esta matando todos os descendentes de suas vítimas. Mas é claro que, justamente em Chicago, isso não é muita novidade. – eles me olharam em dúvida. – Todo dia, alguém morre ali. Não é nenhuma surpresa se alguém morrer lá, porque é uma cidade grande. Sem falar que não há padrões. São quedas nas banheiras, enforcamentos com a própria gravata, atropelamentos de diversos tipos, engasgos, assaltos... Acho que quer se vingar por ter sido condenado à pena de morte.
– Nossa, o cara é esperto. – comentou Dean e eu revirei os olhos.
– Mas como aqui, em Naperville, não é comum muitos assassinatos, tal acidente chamou a atenção.
– Acidente?
– Sr. Green, supostamente, derramou álcool no corpo, e sem querer, — disse com rispidez. – esbarrou no fogão, que estava aceso. Morreu, carbonizado. O que, além de ser estúpido, é bem improvável. Por isso, eu vim.
– Não pensou que seria mais fácil salgar e queimar os restos mortais de Jonh? – perguntou Sam. Sorri de má vontade; ele me achava com cara de idiota ou o quê? Gente que impede apocalipse, por acaso, é tão convencido assim...?
– Mais fácil impossível... se houvesse algum resto mortal daquele doente. – eles me olharam em dúvida. – Ele foi cremado! Fiz uma armadilha para atraí-lo e exorcizá-lo, okay?
Silêncio e irritação – da minha parte, claro. Eu podia ver o choque na feição deles, mas não me incomodei em descobrir se era por causa do meu plano ou do absurdo que aquele caso parecia. Já havia ficado chocada em ver a imagem do monstro em minha frente, não precisava mais daquele sentimento. Apanhei meu livro de magia e comecei a exorcizá-lo. Ele se moveu até mim, e ficou preso no pentagrama que desenhei no chão, rosnando de ódio, tentando me alcançar.
– O que está fazendo? – perguntou Dean, abrindo uma pequena agenda ou sei lá o que era, procurando por algo que pudesse ajudar. Àquela altura, eles já deviam ter visto o bicho.
– Exorcizando o espírito da casa. – resmunguei como se fosse óbvio, enquanto torcia internamente para que aquela armadilha pudesse dar contar de tanta energia que aquele espírito investia, com violência. Ele é um caçador, sabe meu plano... não deveria saber o que eu estava fazendo?, pensei. A casa começou a tremer, e os porta-retratos do corredor começaram a trincar, os quadros caíam e se espatifavam no chão, a luz piscava sem parar e eu me senti numa boate.
Eu gritava, a voz saindo rouca, mas a vontade daquele espírito de ficar e matar mais e mais era interminável. E eu, que sempre duvidei que existisse pessoas ruins que pudessem ficar piores. Morrer, para esses caras doentes e assassinos, era uma oportunidade de ficarem piores. E eles conseguiam, vejam bem!
Senti meu nariz arder, e percebi que estava sangrando. Isso sempre acontecia quando eu exorcizava algo, e eu não sabia por quê. Continuei a gritar, me certificando de que Sam e o outro enxerido estivessem me ajudando. Eles estavam e quase sorri em alívio.
Continuei o ritual, percebendo a sintonia em que havíamos formado. Percebi que Sam não precisava de apoio e que sabia falar latim muito bem, o que quase me fez rir. Eu teria rido da cara de Dean por precisar ler – e pessimamente mal – para exorcizar. Mas não poderia falar nada: eu também não sabia de cor. Mas sabia ler latim melhor que ele. Mas sempre o pior de tudo era saber que, apesar de todo o meu esforço, apesar daquele mantra estar sendo lido, apenas eu podia ver com quem estava lutando. Apenas eu podia assistir àquela criatura disforme, com roupa de palhaço, resistindo ao meu esforço de mandá-lo novamente para o inferno. Os espíritos só são vistos se querem, e apesar dos meninos já terem o visto por causa da armadilha, eu via esses monstros sem ele nem ao menos saberem que estavam sendo assistidos, eles querendo ou não. Eu era a aberração ali. Por exemplo: eu não deveria saber que a vítima estava ali, assistindo o exorcismo. Mas ela estava...
E como se estivesse desistindo, o monstro soltou um urro de agonia, e com um imenso clarão, assistido por todos nós, ele se desintegrou. Meus ouvidos doíam, a casa ainda parecia tremer, meu coração parecia bombear sangue rápido demais, fazendo minhas veias doerem, arderem em meus pulsos, por todo o meu corpo. Obriguei meus olhos a continuarem abertos.
Cansada demais para ficar em pé, senti meus joelhos baterem no chão, sem me importar com quem estivesse assistindo. E sem ao menos perceber, caí.
~•~
PDV – Dean
Eu não sabia bem o que estava fazendo. A verdade é que eu não soube bem o que estava fazendo desde que Sammy colocou as duas mãos na cabeça, e além de berrar de dor, teve a visão de um corpo carbonizado, e de uma placa que dizia ‘Bem Vindos à Naperville’. Eu não sabia o porquê ou como estava resolvendo um caso com uma estranha, uma garota louca que havia me apontado uma espingarda carregada. Senti meus olhos queimarem com uma luz fortíssima que saía do pentagrama no chão, das chamas que haviam atingido, pelo menos, meio metro. E com um baque surdo, a garota caiu de joelhos, resmungou mais algumas coisas, e... morreu?
– Porra, Sammy! – larguei o diário do papai no chão e virei a menina, para encarar seu rosto.
Ela tinha pele morena, como café com leite, ou mais leite do que café, os cabelos – antes presos – caíam pelos ombros, castanhos, quase negros e ondulados como cascatas. Os olhos cerrados estavam me preocupando e prendi a respiração, sentindo – de certa forma – falta dos olhares sarcásticos que havia me lançado desde que eu tinha posto os pés naquela casa. Ouvi Sam respirar aliviado, e imitei o mesmo movimento ao perceber que ela balbuciava.
– Está viva. – apontei, com um alívio estranho em meu corpo. – Temos que sair daqui.
– E a garota? – perguntou desesperado.
– Vai com a gente. – ele me olhou confuso e eu sorri maliciosamente, tendo o prazer de deixá-lo mais preocupado ainda. – Ela nos deve respostas.
Tentamos organizar as coisas na casa do Sr. Green. Sammy olhou os vidros estilhaçados no chão com desgosto, e continuou a juntar as velas, recolhendo os livros jogados por todos os lados. E eu, como o maníaco que sou, cuidei das armas. E, Deus, meninas que carregavam tantas armas assim iam pra onde, quando mortas?! Tentei não pensar muito nisso com o susto recente que havia tomado.
Saímos da casa, temendo a curiosidade alheia das pessoas. Mas, por incrível que pareça, a bagunça acontecera lá dentro, e não fora notada do lado de fora. Os moradores ainda dormiam, e aproveitamos a deixa para colocar a garota-sem-nome no banco de trás do carro e sumirmos da cidade, antes que esta despertasse.
– E agora? – olhei para Sammy.
– E agora, o quê? – perguntou confuso.
– Quem vai ficar com a garota no quarto? – com esta, nós dois paramos para pensar. Eu não costumava parar em sinais, principalmente quando se tratavam de sinais na autoestrada. Mas obriguei meu pé a pisar no freio, teria de resolver a pendenga ali mesmo. – Par ou ímpar!
– Quem ganhar, fica com ela? – ele franziu os lábios, nervoso.
– Sim. – respondi, depois de pensar bem e concluir que, na verdade, eu iria ganhar. E que eu já estava cansado de ‘pedra, papel e tesoura’. – Par!
– Ímpar! – ele agitou a mão em punho, pronto para jogar.
– Um! Dois! Três, e já! – falamos juntos, no mesmo ritmo. E como eu havia previsto, ganhei.
– Ops. – foi o que pude dizer, depois de Sammy reclamar a viagem inteira até um hotel na beira da estrada.
Caminhamos até a recepção; Sam carregando a mala da garota, com não-sabia-o-quê dentro além de armas e livros; e eu, carregando a própria nos braços. A recepcionista nos olhou de cima a baixo e levantou uma das sobrancelhas, parecendo estar morrendo de tédio.
Na verdade, eu desconfiava que seu problema fosse menopausa ou falta de pica, na boa.
– E a garota? – perguntou.
– Ah! – me surpreendi com sua desconfiança, inventando uma desculpa na hora. – Ela é minha esposa.
– E onde estão as alianças? – desafiou-me.
– A garota, digo, Jane as vendeu. – Sam jogou verde, e eu acenei com a cabeça, concordando. Até com o nome falso eu havia concordado.
– E pra quê ela as vendeu? – mulher maldita!
– Pra comprar bebida. – concluiu Sam, interrompendo qualquer desculpa mal feita que eu desse, e usando sua inteligência mais uma vez. – Estamos tentando fazer com que ela se readapte a sociedade novamente.
– Oh, coitadinha! – a senhora de, aparentemente, 500 quilos, colocou as duas mãos na boca.
– Er, é! – balancei a cabeça incerto, começando a sentir o corpo da garota pesar em meus braços. – É, pois é. Triste. Agora, se não for muito incômodo... – apontei com a cabeça para o quadro de chaves pendurado atrás dela. E, pra facilitar, a desgraçada me mandou até um quarto no ultimo andar do chiqueiro, digo, hotel. Considerando que o prédio possuía cinco andares, e que não haviam elevadores, eu deveria matá-la?
Sam me seguiu, enquanto eu perambulava pelo prédio com a garota no colo. No meio da viagem, já não agüentava, e pedi para Sam a levar, eu iria me arrastando com as malas atrás. E assim, chegamos ao nosso quarto, número 25.
– Onde você está hospedado? – perguntei.
– Bem ao seu lado. – disse com um sorriso malicioso. – Eu vou poder ouvir tudinho, portanto, cuidado! Posso salvá-la das suas garras a qualquer momento. – completou, enquanto eu ria.
– Rá, rá! Palhaço. – lhe dei um tapa na nuca enquanto Sammy passava pela porta com a garota, e a deixava na cama.
– Boa noite. – tocou meu braço e saiu.
Enfim, a sós. Eu e uma estranha.
Algumas mulheres me batiam na cara, outras, choravam por mim. Eu nunca havia entendido nada disso. Meu pensamento sempre fora: ‘eu sou homem, porra!’, só. E me perguntei se, pela primeira vez na minha vida, estava sendo realmente digno com uma mulher que não fosse Lisa. Ela se encontrava em minha cama, adormecida, sem nenhuma proteção; mas eu não queria simplesmente tratá-la como outra qualquer, como uma prostituta. Não, pelo menos, enquanto ela estivesse dormindo. E achei até um erro ter virado minha cabeça em sua direção, para analisá-la, mas era só o que eu podia fazer.
Sua pele, de um moreno estranho e apagado, parecia ser macia. Seus membros eram roliços, e tambémpareciam ser macios. Seu corpo possuía muita forma, alongado, mais ainda sim, possuía algo em formato circular por todo seu tronco. E ela era gostosa. Tanto que, mal sabia a desconhecida, que suas pernas estavam me afetando demais. Ela não era o tipo de garota – pelo menos, não parecia ser – que prezasse sua forma, ou se seu cabelo estava arrumado, ou se as unhas estavam feitas. Ela era apenas aquilo, e ponto. Analisei melhor seu tronco pela blusa fina de algodão, e sorri ao pensar que ela deveria ficar extremamente sexy numa lingerie ou melhor, nua. Quis me socar por pensar isso, em seguida.
– Arg! – resmunguei. Tentei tirar toda essa loucura da cabeça e passei a me preocupar em onde eu iria dormir. E como estava com surto de cavalheirismo – ou boiolice -, resolvi que dormiria na poltrona ao lado da cama.
Analisei o quarto minuciosamente; verifiquei as janelas, colocando sal em volta das duas; analisei o banheiro, dentro do box e na privada. E, apenas por segurança, dei uma olhada no corredor. Estava limpo, amém. Tentei não me lembrar de que fazia isso sempre na casa de Lisa, mas não adiantava resistir às lembranças.
– O que é isso, pai? – olhei aturdido para a garota. Ela balbuciava, como se estivesse tendo um pesadelo. – O que é isso em meus dedos?
Olhei suas mãos, e elas estavam como antes: morenas, fechadas em punhos; franzi o cenho enquanto tirava a blusa. Não parecia algo com que deveria me preocupar. Arranquei as calças aos chutes e, apenas de cueca, observei a única mala da garota. Seria falta de educação abri-la? Mesmo que seja apenas para saber com quem estou dividindo quarto? Alguém bateu na porta, tirando-me de meus questionamentos.
– Sammy? – o olhei, sem entender o que fazia ali.
– A-há! – apontou-me um dedo acusatório. – Pronto para abusar da garota, não é?!
– Não, garoto doente! – ele entrou no quarto com raiva, sem minha permissão. Analisou a garota, que ainda dormia com o cenho franzido, como se estivesse concentrada em seus próprios sonhos. – Viu?! Inteira.
– Hm. – não se convenceu. – Bobby me ligou.
– Você não disse nada sobre a garota, disse?!
– Não, claro que não. – respondeu rapidamente, tranquilizando-me. – Ele disse não há novidades, por enquanto.
– Bem, isso sim é um milagre. Então, acho melhor irmos dormir. – estralei minhas costas, e me acomodei da melhor forma possível na poltrona. – Amanhã teremos um longo dia. – sorri, já sentindo minha bunda doer por causa do estofado que mais parecia cimento.
– Hm. – Sam me olhou com aspereza, fitando a garota em seguida. Fechei os olhos, e pensei em não querer acordar no dia seguinte, porque as dores nas costas não seriam nada agradáveis.
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