Bifurcados - O Apocalipse Zumbi
11 Subterfúgio - Parte II
Notas iniciais
Após receber um pedido de "Quais músicas você ouve enquanto escreve?" criei uma lista no Kboing. São as músicas da minha história: http:http://www.kboing.com.br/radio-show/playlists/1847828/760373/
Obrigado e boa leitura =)
Bifurcados — O Apocalipse Zumbi
Capítulo nove — Subterfúgio
Parte II
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Heitor freia o carro bruscamente quando milhares de automóveis abandonados impedem o contínuo da viagem. Os automóveis eram extremamente mal distribuídos e o caos tomava o lugar impiedosamente. Aparentemente nenhum errante ali permanecia então lentamente saíram do carro ainda armados: nesses dias quem sobrevivia eram os temerosos (ou os sortudos).
O anoitecer apagava o dia a cada segundo que passava e silenciosamente o receio dominava cada respiração e cada passo que davam.
— E agora? O que faremos? — Clarissa balbucia transitando com cuidado pelo meio dos carros.
— Não sei. Sinceramente não sei. Provavelmente teremos que ficar no carro, mas... E se eles chegarem?
— Dentro do carro? Nunca. O vidro pode ser facilmente quebrado. Olha — ela vai em direção ao automóvel e passa seus dedos pela rachadura do vidro traseiro — Quando saímos da garagem um deles tentou bater e já aconteceu isso. Ficar aqui é a última opção.
— Então aonde? — Heitor diz com olhos cerrados
Clarissa dá a volta em si mesma olhando para toda a paisagem que enegrecia a cada momento. Carros, carros, carros e uma floresta que contornava a rodovia agora fechada.
— Sei que é difícil, mas... E se tiver algum abrigo por lá...? — ela aponta.
— Só poderei te dizer se formos.
— Então vamos, não temos o que perder. Daqui a pouco já está de noite e não sabemos o que ela faz com eles.
Abrem o carro novamente e apanham suas mochilas de mão. Talvez a sorte estive em seu favor.
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O único barulho que ali restava era as folhas secas que quebravam a cada passo que davam. Um zumbi mórbido com cor acinzentada tem uma flecha certeira bem em seu olho esquerdo. Clarissa pegava todas as flechas que atirava já que a quantidade de munição era extremamente pouca e possuíam apenas armas brancas.
Quando um barulho diferente fora ouvido por Heitor parou no meio do caminho e ficou quieto fazendo-a repetir a ação. Rapidamente tirou de sua mochila uma lanterna velha e iluminou a escuridão que a noite proporcionava: Árvores, folhas e mais árvores. Nada mais havia ali.
Clarissa arregala os olhos quando um rosnado atrapalha o caminho. Fita com dificuldade pela noite a visão de suas costas. Um lobo cinzento babando pelas entranhas olha com desprezo para a humana. Em questão de segundos ele já persegue o casal famintamente que corre sem olhar para trás. Clarissa tentava armar seu arco e matar o maldito animal, mas era impossível fazer isso em velocidade constantemente rápida. A adrenalina era injetada como ar em suas veias. A cada passo que davam a lugar nenhum chegava. Heitor lembrara seu sonho totalmente não lúcido do animal na biblioteca e tentou pensar o porquê da premonição. Não havia tempo para pensamentos.
Era impossível achar uma casa ou algum abrigo ali, mas esperançosamente corriam como se não houvesse o amanhã.
Heitor olha para trás e percebe que agora não é um, mas são três lobos cinza que ferozmente os perseguem. O cansaço começa a atingir as pernas que correm em câmera lenta. A cada momento eles aproximam-se e a perna de Clarissa um deles abocanha. Ela grita melancolicamente de dor e Heitor desesperadamente tenta voltar ajudá-la, mas era impossível.
As árvores acabam e um grito feminino solto de cima de um pequeno vale atiça os ouvidos dos lobos largando a perna de Clarissa e parando de perseguir Heitor. A lua, que iluminava fortemente o espaço, faz a silhueta aparecer. Cabelos loiros, olhos sedentos e uma carcaça de lobo da mesma espécie dos perseguidores como chapéu.
A deusa da noite.
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