Bifurcados - O Apocalipse Zumbi
12 Animalia
Notas iniciais
Tenho também uma novidade. Quem fizer o melhor comentário desse capítulo vai ler o próximo antes que todo mundo. Então escrevam inspirados!
E para quem achou que ela é realmente uma deusa sobrenatural, não se preocupem: fiz apenas uma analogia para instigá-los. Boa leitura =)
Bifurcados — O Apocalipse Zumbi
Capítulo Dez– "Animalia"
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A perna de Clarissa sangrava muito, mesmo com o impedimento da visão que a noite proporcionava. Ela gritava de dor e era possível sentir os buracos que a arcada dentária do maldito lobo em sua ante perna. Heitor, sentado em seu lado no meio da floresta, tentava consolá-la calmamente. Tirou os cabelos negros de sua face angelical e pouso-os atrás de sua orelha.
Esperavam que o grito feminino solto em cima do vale viesse ajudar, mas depois de vários minutos eles permaneciam sozinhos. Em seu colo Heitor a levava desesperadamente para onde a mulher estava.
Correu rapidamente mesmo com o peso em seus braços até chegar ao vale. A mulher lá permanecia fumando calmamente um cigarro em sua mão esquerda. Quando chegaram a sua nivelação puderam ver uma velha casa de madeira protegida com barras de ferro nas janelas e portas.
— Quem são vocês? — Ela tirou uma arma de sua cintura a apontou para o casal.
Heitor parou com Clarissa no colo, a qual tinha olhos sofredores.
— Calma! Não fomos mordidos! Só precisamos de ajuda! Um daqueles lobos mordeu a perna dela, preciso que você ajude! Por favor! — Heitor cuspia as palavras em intervalos de respiração intensa.
Após alguns minutos ela termina seu cigarro e joga-o no chão pisando-o com suas botas de cowboy.
— Entrem.
Uma descarga de alívio ultrapassou os limites das costas de Heitor. Entrou na frente enquanto a mulher observava-os entrarem na casa.
A casa tinha quatro cômodos: Um banheiro, sala de estar, cozinha e um quarto, todos mal iluminados por velas velhas. Heitor deitou Clarissa no sofá principal e apoiou sua cabeça lentamente em uma almofada com bordados antigos. Ela estava aos prantos.
Enquanto a mulher andava despreocupadamente pelas pedras que levavam sua casa, Heitor fora ao seu encontro.
— Por favor, preciso de sua ajuda!
— Calma queridinho... Nos dias de hoje minutos não se passam mais. — a cada passo que dava Clarissa agonizava na casa — E por acaso, qual seu nome?
— Heitor. Posso também saber o seu?
— Leila.
Leila entrou na casa lentamente e fora em direção ao machucado de Clarissa. Antes do primeiro passo em casa, tirou o chapéu (mais conhecido como carcaça de lobo) e deixou-o em um prego preso a porta de madeira. Heitor sentiu levas pontadas de curiosidade sobre quem era e o porquê da face duvidosa, mas a situação de Clarissa era mais importante no momento. O sangue não parava de se verter, e Clarissa contorcia-se no sofá velho e mofado.
— Heitor? É esse mesmo o nome? — Leila perguntou com uma calma tremenda. Concordou. — Primeira gaveta do banheiro. Traga tudo que tem lá.
Heitor (sem pensar) arrancou a gaveta e trouxe-a inteira para a mulher desconhecida examinar. Ela tocou a pele da perna de Clarissa com grande sedução, e da gaveta quebrada tirou álcool. Clarissa chorava de dor a cada gota do líquido forte que caia vagarosamente em seu machucado. Fechou os buracos aonde uma arcada dentária do animal encaixava-se perfeitamente com uma gaze e muita fita adesiva. Devia adiantar. Clarissa adormeceu ali mesmo.
⊂ ⊗ ⊃
A noite estava relativamente fresca. Em uma cadeira de balanço rangente Leila permanecia com seu chapéu novamente. Após consolar algumas horas Clarissa, Heitor foi arejar seus confusos pensamentos do primeiro dia do apocalipse.
— Queria te agradecer. — Heitor diz lentamente.
— Agradecer o que?
— Ter cedido a casa. Não se preocupe, amanhã mesmo partiremos. Não temos tempo de ficar aqui.
— Para onde estão indo? — Leila tragou seu cigarro que agora era visível de perceber por seu cheiro que era de maconha.
— Minas Gerais. — Heitor apoiou-se nas grades que envolviam a pequena varanda.
— Fim de mundo — ela riu consigo mesmo tossindo algumas vezes — E porque a escolha da cidade?
— Os pais de Clarissa moram lá. Não tenho família então tive que ajudá-la.
— Vocês são amigos, primos... Algo assim?
— Não. Somos apenas vizinhos.
— Você deve ser corajoso... Arriscar sua vida por uma menina daquelas?
O silêncio agonizou e Leila jogou sua maconha no jardim central. Esticou suas pernas longas apoiando-as na sacada da varanda (cobertas penas por um shorts preto curto) faziam movimentos de sedução para Heitor. Ele ruborizou.
Os olhos azuis sedentos fitaram-no de cima abaixo desejando o corpo comum de Heitor.
— Quantos anos você tem?
— Vinte e três. E você?
— O mesmo. Sempre morou em essepê?
— Sempre. E porque mora aqui? Nesse casebre rodeado de lobos?
— Nunca morei e essa casa não me pertence. — Leila tirou um pacote da erva de seu bolso e enrolou em um papel, o qual lambeu sedutoramente fechando seus olhos (os quais tinham grandes e escuras olheiras) — Morava na capital também. Vim para cá depois do que aconteceu.
— Você sabe o que é esse vírus? Algo a mais do qual deveríamos saber?
— Acerte sempre na cabeça e eles param te incomodar. — tira um isqueiro de seu bolso e acende o cigarro.
— E por que do chapéu de lobo? Pelo o que eu vejo é uma carcaça.
— É sim. Era do líder da matilha dos animaizinhos. Também fui quase comida, como essa tua amiguinha ai. Me perdi nessa floresta quando sai de São Paulo, como vocês fizeram, e depois de muito tempo correndo consegui matar o lobo líder com uma faca que achei no meio do caminho. Para mostrar superioridade para os outros e para não me matarem arranquei toda sua pele e fiz esse chapéu. Assim eles me tratam como seu líder.
Heitor fita para seus olhos assustado.
— E como conseguiu comandar todos?
— Treinamentos básicos de um curso ruim de adestramento de cães. Mas não gosto de falar sobre cães.
— Porque não gosta de falar sobre cães?
— Eu disse que não gosto de falar sobre eles. — Leila cospe as palavras com raiva, e com o cigarro na boca faz um coque com seus cabelos loiros compridos. Tira o colete com estampas africanas e joga-o no chão. — Esse lugar é bom, não? Impede muitos daqueles de chegarem aqui.
— É muito bom. Você tem sorte. — Ele arregala os olhos que pedem por uma noite de sono.
— Sono? Aposto que o dia foi cansativo.
— Mais do que parece. — O rosto caricato de Amanda volta em sua mente causando-o uma dor no peito imensurável.
— Pode ir dormir. O quarto fica no corredor à esquerda.
Notas finais
Posto o próximo com quize reviews. Até o próximo!
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