Bifurcados - O Apocalipse Zumbi

10 Subterfúgio - Parte I


Notas iniciais
Quero agradecer a todos que comentaram em minha fic. Me ajudam muito! Aqui está a parte um do capítulo nove. Ele está curto mas se juntará com a Parte II. Boa leitura, espero que gostem.

Bifurcados — O Apocalipse Zumbi

Capítulo Nove — Subterfúgio

Parte I

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Clarissa voltou a segurá-lo com ternura.

— Sei que está abalado, e eu entendo isso, mas não temos tempo para ficar aqui. Eles já estão no corredor, consigo ouvi-los... —sussurra desesperadamente fitando os olhos claros de Heitor — Pelo jeito você conhece bem o apartamento e o prédio em sim, deve haver outra saída, não?

— Sim. — Responde limpando as lágrimas de seus olhos inchados em sua camiseta cinza — Há uma escada de emergência na sacada dos fundos onde sempre entrava escondido sem o pai dela saber. — Clarissa olha-o com malícia mas o pensamento é rapidamente desviado pela marcha de Heitor em direção à sala de jantar (onde uma bela e ampla varanda se encontra) e ela segue-o apertando seu arco que envolve o meio de seus seios. Desliza a porta de vidro abrindo-a e apóia-se na grade de ferro. A quantidade de zumbis nas ruas eram de uma quantidade absurda. Eles jorravam terror impiedosamente. Clarissa leva as mãos em sua boca mostrando o pavor diante do caos que se formava em São Paulo.

Pegando uma faca de seu cinto, Heitor corta a tela de proteção que envolve toda a vista da Rua Oscar Freire que se despedaça caindo dos quatro andares que eram apoiados pelo alicerce. A porta do apartamento, empurrada insensatamente pelos errantes, desaba causando um barulho descomunal atraindo ainda mais dos canibais para a edificação.

— Puta que o pariu! Vamos Clarissa! Desço primeiro e você vem atrás. Lá embaixo te seguro!

As escadas de emergência eram extremamente inseguras e a qualquer momento pareciam cair com o balanço constante que era proporcionado pelo casal desesperado. Um errante, que entrara no apartamento, tenta mordiscar os dedos de Clarissa que tremem o suficiente para cair dos quatro andares. Ela tenta socá-lo até quando o lento zumbi joga-se do edifício achando que será a solução para comê-la.

Heitor chega à base do prédio onde poucos errantes ali permaneciam. Ajuda Clarissa a descer e apanha a faca de seu cinto enfiando-a no lobo frontal de uma mulher – aparentemente uma empresária já que vestia roupas da profissão – que corria estupidamente em sua direção. Clarissa arma seu arco atirando em alguns que ali enxergavam o casal de sobreviventes.

Dão a volta no prédio até chegar à esquina do mesmo de mãos dadas. Ao fitar uma horda de errantes, revidam encostando-se à parede de tijolos brutos. Jatos de adrenalina pulsavam com lavas quentes de um vulcão em suas veias.

— Merda! — Heitor grita baixo — Não dá para chegar ao carro! Vamos pelo outro lado.

Contornaram novamente o beco sem saída e chegaram ao outro lado do edifício. Os zumbis concentravam-se menos do que do outro lado, mas de qualquer jeito a quantidade deles era praticamente impossível de exterminar.

— Não temos tempo... Vamos correndo. Está com as chaves do carro? — Clarissa as entrega e arma seu arco colocando uma majestosa flecha no gatilho.

Respiraram fundo e engoliram saliva. Entrar no meio de errantes era uma sensação agonizante, principalmente quando algum deles consegue te comer. Pararam por um momento e correram. Correram o mais dorápido que podiam, correram o mais rápido que puderam.

Um errante foi morto por Clarissa, outro por Heitor em uma ordem não ordenada de desespero. Eles atrapalhavam-nos muito e a sensação que o carro distanciava-se era extremamente horripilante. Heitor aperta o botão das travas muito antes de chegar ao automóvel e o alívio toma-os quando entram no carro rapidamente. Dessa vez a chave não havia caí no chão. Acelerou enquanto a cidade diminuía no retrovisor.

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P.O.V. HEITOR

Após caminhar por horas chego a uma casa de madeira bonita, pequena e simples. Provavelmente seus moradores a abandonaram quando faltaram suprimentos. Morreram. Era impossível viver naquela terra dos mortos por muito tempo e minha vontade também é de morrer. Não aguento mais correr, correr e correr...

Subo as escadas de madeira – as quais rangem a cada passo que dou – e abro a porta. Ela estava encostada então não precisei arrombá-la como tantas outras que já repeti a ação. Um hall de entrada me recebe e após ele uma sala de estar. Dentro da mesma um portal de madeira introduz uma linda sala de leitura. Os oitocentos e quarenta e dois livros que ali eram dispostos na bela estante davam uma incrível forma de sedução para uma pessoa simpatizante a literatura como eu.

Raios fúlgidos entram pela janela causando uma sensação reconfortante. Quando olho para o lado um lobo marrom bronze, que por estranho que parece flutua, é envolvido por margaridas. Tento chegar perto, mas uma força magnética me impede. Ele continua voando dando voltas em si mesmo deliciosamente confortável. Até quando seus olhos pretos abrem-se e transforma-o lentamente em uma mulher. Alta, olhos negros, cabelos loiros e seios robustos. Ela sorri para mim e me mata sedutoramente. Acordo.


Notas finais
Muito obrigado por lerem! Posto o outro com 10 reviews.