Notas iniciais
Nada mais posso implorar desculpas pela demora dessa postagem! Nunca mais irá acontecer.
Obrigadíssimo pela linda recomendação da B_M_P_C! Fiquei muito feliz por ter gostado da história.
Recomendo escutar Graveyard da Feist. Nada melhor para esse clima de zumbis, haha. http://www.kboing.com.br/radio-show/playlists/1847828/760373/
Boa Leitura! Espero que gostem.

Bifurcados — O Apocalipse Zumbi

Capítulo Vinte e Quatro — "Das Profundezas"

⊂ ⊗ ⊃

Tudo era calmo naquela tarde. O sol brilhava timidamente envolto por algumas muitas nuvens e os portões fechados com mais correntes que Henrique achara no depósito causavam uma sensação de segurança reconfortante. Ana Júlia já havia acordado, mas ainda permanecia em repouso ao leito da cama. André encontrara alguns remédios básicos, dentre eles analgésicos. Ana Júlia tomou aquilo por algumas semanas. Após encontrar apenas comidas estragadas na cozinha tiveram que tirar da caminhonete alguns alimentos: Clarissa levou tudo para o andar de cima, onde Ana alimentava-se lentamente. O olhos de André tinham um brilho nunca antes visto e pareciam que não conseguiam se desgrudar de sua irmã – a preocupação estava à flor da pele mesmo enquanto a menina afirmava que estava bem.

O cansaço impregnava todos apesar da noite de sono que se passara. Provavelmente estavam escassos de ter que ficar dentro do automóvel vendo mais e mais paisagens devastadas pelo vírus. O hotel – apesar de não ser de conforto tamanho – abrigava-os de um jeito consolador, fazendo suas energias se restaurarem ao menos por algum tempo. O tédio os frustrava, mas era impossível fazer algo de diferente. Pelo menos não nesse mundo.

Enquanto todos ficavam em volta de Ana Júlia, Heitor decidiu procurar Clarissa. Desceu as escadas e antes mesmo de ir em direção à cozinha, a silhueta pacífica da menina sentada no sofá — que impedia a abertura da porta — apareceu. Percebendo que alguém a observava, vira seu rosto, mas lentamente retorna sua posição inicial fitando toda a paisagem vazia da cidade e do estacionamento do hotel.

— Está cansada? — Aproximando-se lentamente Heitor cita.

— Um pouco — Ela ri de lado puxando uma mecha de cabelo de seu rosto — Senta.

Heitor a obedece recebendo alguns raios solares que pela porta de vidro passavam sem pedir licença.

— Estou preocupada.

— Preocupada? — Heitor estranha — Preocupada com o que? Estamos seguros aqui.

— Eu sei, mas não é isso. — Clarissa morde os lábios confusa.

— Então me explica. — Ele sorri de lado fitando a silhueta simétrica da menina.

— E se eu... Estiver grávida?

Heitor arregala os olhos e fita o chão, com um aspecto melancólico, e afirma.

— Impossível.

— Como impossível? — Indaga.

Após alguns minutos de silêncio sua voz é a única que acrescenta o local.

— Não sou fértil. Desde quando nasci, mas não sei bem o porque.

— Me desculpa. — Clarissa fita o chão sem graça.

— Não é sua culpa, nem minha. Só não posso ter filhos. E mesmo se pudesse não teria com esse caos.

Aproximando-se lentamente de Heitor, seus braços envoltos em sua cintura confortam o vizinho – mesmo ele não estando de forma alguma triste. Isso era uma coisa que já estava acostumado. Desde sua infância sabia que não poderia ser um progenitor.

⊂ ⊗ ⊃

Uma semana se passara. Uma lenta semana que apenas impedia que a viagem continuasse. Há tempo eles não se sentiam seguros e não havia dinheiro – ou comida, no caso — que conseguisse pagar essa sensação. Por isso ninguém ousava em testar a ideia de sair dali.

As duas meninas estavam sentada em cadeiras de plásticos no estacionamento revestido por pedregulhos. O sol as atingiam levemente até quando uma nuvem o encobriu. Ana desistiu do sol adentrando ao abrigo. Clarissa Levantou-se frustradamente deixando a cadeira ali mesmo. Enquanto caminhava em direção ao interior do hotel, um vulto interrompe seus passos apressados. Clarissa ficou estável e um arrepio atravessou sua espinha causando uma terrível sensação. Seu inseparável arco já se encontrava em suas mãos, e a flecha já estava engatilhada. Pela lateral do hotel andou lentamente tentando não causar nenhum barulho. Chegando aos fundos – lugar que antes ninguém havia ido – apenas um monte de terra havia. Um trator abandonado, e mais nada. Apenas aquela baixa e indiferente montanha da mais marrom das terras.

Tentando descobrir de quem o vulto era, continuou a caminhar em volta. Nada mais havia a não ser a curiosidade da garota. Quando deu a volta em si mesma com o intuito de retornar ao abrigo o corpo de Henrique a faz levar um susto.

— Desculpa — Henrique solta um riso frenético enquanto Clarissa acalmava-se. — O que está fazendo aqui atrás?

— Nada. Só achei que vi algum deles, mas não era nada.

— Para que tanta terra? — Pergunta aproximando-se do trator.

— Não sei, mas é melhor voltar. Vamos lá para dentro.

A curiosidade imensa que adentrava nas veias de Henrique não o deixou voltar para o hotel. Sua mão sem nojo apalpava aquela terra úmida fazendo seu braço sujar-se completamente. A vontade de descobrir o porque de tanta terra era irresistível ao seu olhar.

— Vamos voltar, Henrique. Para de fazer isso!

Seus ouvidos pareciam hipnotizados em achar o que ali de dentro ficava.

Uma mão saída da terra agarra seu braço. Henrique grita assustadamente indo para trás, caindo ao chão. A mesma mão podre tenta segurar-se em algo, mas falha. Com seus dedos cravados no chão de pedras tenta desenterrar-se. Em busca de comida.

Notas finais
E ai, o que acharam? Estava sentindo falta de ação, então o próximo capítulo estará recheado. Obrigado por lerem!