Bifurcados - O Apocalipse Zumbi
29 Continuemos, Continuemos
Notas iniciais
Bifurcados — O Apocalipse Zumbi
Capítulo Vinte e Cinco — "Continuemos, Continuemos"
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O grito ensurdecedor saído de Henrique assustou a todos. André, Ana Júlia e Heitor corriam em volta do hotel para descobrir o porque dos ruídos nada agradáveis para um apocalipse, até acharem Clarissa ajudando-o a se levantar. A mão fétida que tentava sair dali da terra era incansável: seus dedos cravavam com tanta força que era possível ouvir o barulho de suas unhas já secas se quebrando devido ao atrito.
— Caralho! Que porra é essa? — Heitor gritou quando conseguiu chegar aos fundos do hotel.
Henrique já estava de pé, já longe do monte de terra. Todos curiosos para ver o porque de um errante estar ali, enterrado, preferiam não matá-lo. Apenas esperavam com olhos sedentos por informação. Clarissa de qualquer jeito estava já armada com seu arco, apontando raivosamente para a silhueta que se auto-desenterrava – sem experiência alguma.
Sua cabeça, enfim, conseguiu sair dali. Seus olhos e nariz esfarelados com a terra o faziam ter dificuldade de enxergar quem ou o que ali permanecia. Quando seu tronco já estava para fora e suas pernas tremiam de uma forma agonizante, Clarissa atira uma flecha antes mesmo do zumbi levantar. Agora o sangue escuro escorria do buraco que antes estava uma das armas brancas.
Todos se entreolham ainda receosos. Esperando mais alguns minutos os zumbis aparecerem rosnando das profundezas do monte nada aconteceu. Apenas havia um errante ali, enterrado.
Um silêncio profundo acolheu aquele começo de tarde. Um vento nebuloso começara a soprar em seus ouvidos, e ainda em uma roda caótica todos permaneciam calados.
Com uma coragem saída de sua garganta, Heitor rasga o silêncio de uma forma avassaladora.
— Eu sei que estamos todos evitando isso, mas... Uma hora ou outra alguém há de falar. — lentamente cita cada palavra, fitando cada um dos componentes. — Precisamos ir embora. Precisamos continuar nossa viagem, precisamos decidir nosso futuro. Precisamos continuar. Talvez essa coisa ai esteja apenas se alastrando mais e mais. Não podemos perder tempo, temos que continuar.
Todos entreolharam-se confusos, cada um assentando lentamente. Em silêncio entraram no hotel arrumando suas pequenas malas com miúdas mudas de roupas e iam embarcando no carro um por um, sem pensar duas vezes. O hotel distante ficava a cada segundo. Seu acolhimento próprio seria inesquecível, suas camas desconfortáveis e o jeito antigo que aquele lugar proporcionava. Tudo era deixado para trás enquanto o silêncio reconfortava a caminhonete.
— E agora, para onde vamos? — Clarissa pergunta rapidamente olhando para André.
— Para Santos. Quem sabe é lá que está a salvação.
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