Bifurcados - O Apocalipse Zumbi
30 Claustrofobia
Notas iniciais
Bifurcados — O Apocalipse Zumbi
Capítulo Vinte e Seis — "Claustrofobia"
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A caminhonete, estabilizada, no meio do nada estava. Suas rodas pareciam já gastas pela quantidade de quilômetros que já havia percorrido e toda sua carcaça estava imunda – certa hora de terra, certa hora de pingos de sangue. Heitor e Clarissa estavam distantes do carro e dos outros três indivíduos do carro – o futuro próximo era decidido ali, no meio de uma estrada deserta.
André observava-os com receio entre olhares e seus lábios que fumavam um dos últimos charutos que restavam na caixa. Henrique e Ana Júlia conversavam baixo — e era a única coisa que era possível ser ouvido no meio da rodovia. O sol ainda estava forte apesar de que a noite aproximava-se lentamente.
Após mais alguns minutos de conversa, Heitor e Clarissa voltam a se juntar-se ao grupo. Todos viram-se e ficam de frente ao casal de vizinhos esperando a decisão: continuariam a viagem para Santos, ou a jornada seria para Minas Gerais?
— Então — Heitor como porta voz da dupla assenta — Estamos indecisos se continuamos ou não. Clarissa quer ir para Minas tentar encontrar seus pais, mas ela aceitou passar antes em Santos. Quem sabe seus pais não podem estar no navio? Então vamos continuar. — Ele ri sem graça enquanto Ana Júlia aproxima-se pulando de felicidade, ajeitando seus braços nos ombros dos dois.
— Ai! Que bom que vão ficar! — Ela sorri para os dois de um jeito ingênuo e separa-se do casal, voltando para sua posição inicial.
— E ai? Vamos continuar? — André completa seco, entrando no carro.
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A noite já estava completa enquanto Ana Júlia comandava o volante do carro. André dormia no banco de passageiro – assim como Henrique e Clarissa. Heitor e Ana trocavam algumas palavras, perguntas ou apenas vontades ali na atmosfera do carro.
— Se ficar cansada pode deixar que eu dirijo — Heitor afirmou — Tenho carteira de motorista. — Os dois riram baixo, tentando não acordar os outros que estavam em estado de dormência.
Enquanto Heitor distraia-se desenhando com seus dedos compridos os desenhos estampados no banco de tecido do carro uma respiração forte invadiu seus ouvidos. Uma freada brusca fez todos acordarem, deixando todos aterrorizados.
— Puta que o pariu, Ana! O que foi isso? — André grita ainda assustado.
— Ali... Na frente. — Cada palavra parece sair com dificuldade e as letras pareciam arranhar em sua garganta.
Todos deslizam seus olhos para a estrada – somente iluminada pelos faróis da frente da caminhonete. Algumas sombras são possíveis de enxergar, e quando elas se aproximam uma horda imensa de zumbis invadem a pista de tráfego. Ana começa a tremer enquanto fita todos os errantes atiçados pela luz do carro. A fome invadia seus estômagos e qualquer pedaço de carne adiantaria.
— Para trás Ana! Vai! — Heitor grita.
Em um movimento rápido que durou apenas dois segundos, Ana Júlia move o carro para trás acelerando a cada segundo. O carro treme fortemente quando atropela alguma coisa – mais um errante que ali estava vagando pela estrada.
— Merda! Vamos ter que atropelar, não podemos voltar! — André diz fitando sua irmã. Seus olhos pareciam em chamas, então Ana obedece seu irmão. A cento e quarenta quilômetros por hora o carro vai em direção aos errantes. Muitos ainda tentam atacar, mas a maioria é morto pelas grandes rodas. Um deles joga-se contra o pára-brisa – causando uma rachadura enorme no vidro dianteiro. Todas as laterais eram batidas pelas mãos fétidas dos errantes, e alguns tentavam se prender no carro – coisa estúpida, já que nem um humano conseguiria prender-se por mais de dez segundos em uma caminhonete com certa velocidade.
Clarissa tinha seus olhos fechados e mãos atrofiadas por medo. Tentava apoiar seu corpo em Heitor – o qual fazia um elo reconfortante em volta de seu tronco. A sensação claustrofóbica de estar completamente cercados causavam uma sensação agonizante.
Os gemidos de medo de Ana Júlia davam um tom extraordinário de horror no carro – a cada segundo parecia que os vidros se quebrariam com a quantidade horrenda de errantes. Após quatro mais aterrorizantes minutos é possível não mais ouvir as batidas nos vidros e os grunhidos incessantes cessaram. Alguns errantes mais ágeis ainda tentavam acompanhar o carro mas eram derrotados pela estupenda velocidade que Ana proporcionava. O sol se punha, os corações acalmavam-se e mais uma vez estavam salvos.
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