Beyond the Vengeance

18 Uma grande vitória, ou quase...


Notas iniciais
E aí galera, tudo certo? Nada para dizer aqui, apenas leiam XD Boa leitura.

Acordei cedo demais pensando que iria descobrir alguma coisa que me ajudasse a resolver aquela situação. Já havia se passado três dias desde que Nêmesis tinha me proclamado seu iniciado. Ryan não me dera muitas respostas. Em vez disso ele me deu um quarto. Ele era bem espaçoso, havia camas em todas as paredes. Nenhuma delas estava ocupada. Como Ryan tinha me dito antes: os vingadores de Nêmesis são bem independentes e a maioria não fica na ilha por muito tempo. Ele também tinha me avisado que a deusa iria querer me testar, mas ele não me deu mais detalhes.

Naquele dia eu iria até a arena para treinar, segundo Ryan. Na verdade eu não tinha nenhuma vontade de treinar e sim de conseguir respostas. Minha perna já estava boa e não necessitava continuar engessada. Meus outros ferimentos também já estavam melhores. Assim pude ir correndo para a arena sem problemas.

Logo vi que acordar cedo não tinha sido uma boa ideia. A arena estava vazia. Eu deveria esperar no subsolo então resolvi descer as escadas. O subsolo era tudo que Ryan havia falado. Era amplo, dividido em quatro partes. O arsenal, onde ficavam todas as armas de treino, era a primeira parte que se via depois de descer as escadas. Logo depois vinha uma área que deveria ser alguma mistura de depósito de matérias com um local de manutenção. Havia bonecos de palha, caixotes com placas de bronze, ferramentas, armas quebradas e um monte de outros materiais espalhados. No canto havia uma pequena forja com uma chaminé que levava sua fumaça para algum lugar acima. Logo depois havia um corredor que levava para o lugar onde os monstros ficavam presos e outro corredor que levava para a área de treinamento.

A área de treinamento era sem dúvida a maior de todas as partes do subsolo. Havia uma academia num lado, com vários pesos e alguns aparelhos de musculação. Do outro lado havia uma espécie de ringue. Era quase igual a um ringue de luta comum, mas várias vezes maior e com muito mais postes para segurar as “cordas”. Não eram realmente cordas, mas sim correntes de ferro perfeitamente esticadas. Muito mais eficiente que cordas, imaginei. Havia alguns bancos de pedra circundando o ringue para quem quisesse se sentar para assistir uma provável luta.

— Chegou cedo.

Virei-me para ver Ryan encostado numa das colunas que sustentavam a arena acima. Ele estava com um escudo na mão esquerda. Uma espada pendia do seu cinto.

— Você também — retruquei.

— Então não vamos desperdiçar o tempo — Ryan se encaminhou até o ringue, pulando por cima das correntes.

Continuei parado onde estava.

— Tá esperando o quê?

— Eu não vou fazer nada até você responder as minhas perguntas.

— E eu só vou responder depois do treinamento.

— Eu já estou cansado disso! — gritei — Estou cansado de você e Nêmesis falarem o que eu tenho que fazer. Eu não tenho que fazer nada! Não tenho que me tornar um vingador. A única coisa que eu tenho que fazer e ir embora daqui — disse dando as costas pra ele.

— Aonde você pensa que vai?

— Vou embora. Vou arrumar um jeito de descer desse penhasco, arrumar algumas provisões e pegar meu barco.

— Qual barco?

Olhei pra ele desconfiado.

— O MEU barco. Existe mais algum barco nessa ilha?

Ryan deu um sorriso.

— Não existe nenhum barco nessa ilha. Nem mesmo o seu.

— Como é que é? — inconscientemente avancei em sua direção, quase não me importando com a resposta.

— Tivemos uns problemas e tivemos que queimar o seu barco. E se você quiser mais algumas respostas é melhor lutar comigo.

A essa altura eu já estava próximo ao ringue, quase encostado nas correntes.

Que se dane!

Saltei sobre as correntes e mirei Ryan com o olhar. Espada e escudo. Saquei a espada da pulseira e avancei sobre ele. Ryan aparou meu golpe com escudo e tentou usar sua espada contra mim. Acionei o escudo bem a tempo de bloquear seu golpe. Nos encaramos por um segundo antes de nos empurrarmos, cada um indo para um lado.

Ryan avançou. Corri em sua direção. Nós demos um golpe ao mesmo tempo, bloqueado o golpe um do outro. Espada contra espada. Tentei usar a borda afiada do escudo, mas ele se esquivou a tempo de evitar que eu arrancasse sua cabeça. Resolvi usar a agilidade e comecei uma série de golpes que tinha treinado quando ainda estava no acampamento. Porém dessa vez eu estava muito mais rápido. Eu havia me esquecido, mas ainda usava os calçados que Hermes me dera, agora na forma de coturnos. Eles me deixavam mais rápido, mais ágil. Era alucinante me mover daquela maneira. E estava dando certo, Ryan já via grande dificuldade em se defender. Só precisa esperar o momento certo e…

Ryan baixou a guarda. Foi só por um instante, mas o suficiente. Ele mal tinha se recuperado de um golpe quando atingi a mão que segurava a espada com meu escudo. O aço polido do centro atingiu os nós de seus dedos. Ryan não chegou a gritar, mas ainda assim a dor em seus dedos estava estampada em seu rosto e o fez largar a espada. Rapidamente ele posicionou o escudo de forma defensiva. Fiz o mesmo e avancei correndo, batendo escudo contra escudo, com violência, obrigando-o a recuar vários passos para não perder o equilíbrio. Antes que ele percebesse já estava nas correntes, ainda tentando se recuperar. Corri em sua direção e repeti o movimento, derrubando-o por sobre as correntes. Ele caiu de costas no chão duro do subsolo, de braços abertos, completamente desprotegido. Antes que pudesse pensar em levantar, minha espada já estava em sua garganta.

— Agora eu consigo as minhas respostas?

Depois de recuperarmos o fôlego Ryan começou a falar, começando pelo motivo de ter queimado o meu barco. Aparentemente a menina que me atacou também causou problemas para os vingadores. Nêmesis não queria que ela saísse da ilha por que era algum tipo de punição. Ryan não me deu detalhes.

— E agora como eu saio dessa ilha? — perguntei.

— É por isso que você precisa se tornar um de nós, assim você vai poder sair da ilha. Terá até ajuda de nós para isso.

— Mas como?

— Você vai ver.

Eu teria discutido com ele ou até dado um soco por ele insistir nessa coisa de vingador de Nêmesis, mas por algum motivo eu não fiz. Nem mesmo fiquei irritado. A ideia não me agradava nada, mas eu quase queria ser um vingador, participar daquele grupo. Sendo sincero comigo mesmo eu havia gostado daqui. Era completamente diferente do acampamento. Ali eu me encaixava. Me sentia parte de tudo aquilo, não apenas mais um.

— E o que eu tenho que fazer para me tornar um de vocês?

Ryan não conseguiu esconder o sorriso.

— Você tem que passar por alguns testes.

— Que são…?

— Isso já foi um teste. Você provou que luta bem.

— OK — disse tentando processar tudo — então o que vem agora?

— Agora… — Ryan fez uma pausa dramática — vem a arena.

Eu estava repensando no que tinha dito. Talvez não fosse uma boa ideia eu participar daquilo. Não esperava ter que lutar na arena contra cinco monstros ao mesmo tempo. E pior: eu teria que lutar sozinho. Segundo Ryan se não houvesse dois iniciados (e não havia) o iniciado teria que lutar sozinho. Essa era a regra. Só iniciados lutavam no teste. Ele também havia falado que os monstros seriam os mesmos da última batalha. Um ciclope, uma dracaena, um cão infernal, uma empousa e uma górgona. Ótimo!

Na Arena, todos os espectadores já estavam aguardando a minha chegada. Os monstros já estavam em suas jaulas. Eu só tinha que subir a escada que levaria ao centro da Arena. As portas no topo da escada estavam abertas, mas assim que eu passei por elas Sean, o garoto que tinha lutado na última batalha, as fechou.

— Boa sorte — ele disse antes de trancar as portas por dentro.

Ryan estava debaixo da estátua de Nêmesis aguardado eu me dirigir ao centro da Arena. Todos estavam com os olhos grudados em mim, o que de certa forma só piorou o meu nervosismo.

— Muito bem — Ryan disse — Terry Rivers, você está aqui como um iniciado, para enfrentar seu desafio para se tornar um vingador. Você aceita o desafio?

Não!

— Sim — disse tentando parecer confiante — Aceito.

— Então, que comece a luta. Por Nêmesis!

As jaulas se abriram. Ouvi alguns gritos de animação. Esperava que não estivessem animados para ver a minha morte. Eu não costumava ser do tipo que não sentia medo, praticamente em todas as minhas batalhas eu o sentia, mas naquele momento era diferente. Eu estava apavorado. Por um momento achei que nem mesmo conseguiria me mover.

— Vai lá Terry! — Trish gritou, me incentivando.

De alguma forma aquilo me tirou do momento de paralisia. Uma empousa estava perigosamente perto de mim. Mais por reflexo do que por outra coisa acionei meu escudo antes que ela me atacasse com as presas e movi o braço com força fazendo o escudo bater violentamente em sua cabeça. O barulho do aço contra o crânio da empousa provocou dores até em mim. Tarde demais registrei que se tivesse feito o movimento com o escudo virado, teria decepado a cabeça dela.

A empousa cambaleou para trás e antes que se recuperasse avancei sacando a adaga. Ela morreu antes que percebesse a adaga fincada em sua testa. O público gritou em aprovação. Pela primeira vez no dia sorri. Talvez aquilo não fosse tão… Uma espada quase se enterrou no meu peito. Se não estivesse com escudo posicionado a dracaena teria acabado comigo antes que eu pudesse perceber. Ainda assim o golpe me fez recuar vários passos para recuperar o equilíbrio.

— Oh! — o público soou.

Saquei a espada e ataquei. A dracaena bloqueou com o escudo e atacou com a espada. Levantei o escudo a tempo de parar seu golpe. Poderia ser um impasse se eu não tivesse a vantagem de ter pernas que não fossem répteis. Eu a chutei no estômago mandando ela para trás. Um cão infernal que vinha correndo na nossa direção foi pego de surpresa e a atropelou. Os dois começaram a brigar.

Virei-me e encarei os outros dois monstros. Uma górgona vinha na minha direção. O ciclope, mais atrás, estava tentando desvencilhar seu martelo da grade da jaula. De alguma forma ele havia prendido o martelo. Tanto melhor pra mim. A górgona já estava perto o suficiente. Usei as bordas afiadas do escudo para provocar um corte transversal em seu peito e enfiei a espada no corte, atravessando-a por completo. A torcida berrou frases de incentivo enquanto a górgona virava pó. O ciclope tinha conseguido desvencilhar o martelo das grades e se aproximava, porém muito lento, provavelmente devido ao peso do martelo. Foi então que tudo deu errado.

Eu não percebi quando o cão infernal deu um fim na dracaena e correu em minha direção. Tarde de mais, eu me virei e senti como se tivesse sido atropelado por um carro. Minha espada voou longe. O cão caiu por cima de mim com a boca aberta, pronto para me morder. O escudo me salvou de ser mordido, mas o cão infernal era uma besta feroz sedenta de sangue, batia constantemente contra minha precária defesa, sempre com muita violência. Antes que eu pudesse pensar em uma solução sua pata jogou meu escudo para o lado.

O cão não perdeu tempo e atacou tentando fechar suas mandíbulas sobre o meu rosto. Tentei jogar todo o meu corpo para o lado a fim de evitar sua mordida. Deu certo. Ele errou minha cara e cravou os dentes afiados em meu ombro, por pouco não acertando a artéria no meu pescoço. Tentei usar o escudo, mas meu braço esquerdo inteiro parecia paralisado. O cão infernal estava puxando o meu ombro como se quisesse arrancá-lo fora. Numa tentativa desesperada de acabar com aquilo consegui alcançar e sacar a última arma que tinha: minha lança.

Se estivesse tempo para pensar teria acabado de vez com aquele monstro. Quando saquei a lança ela cresceu rapidamente em minha mão, transformando-se de pingente para a arma de verdade. A ponta da lança perfurou a pata do cão e ele se afastou ganindo. Me arrastei um pouco antes de conseguir ficar de pé. Meu ombro esquerdo estava ensopado de sangue e eu mal podia me mover sem sentir dor. Todos na arquibancada estavam de pé com uma expressão tensa no rosto. O cão rosnou e correu em minha direção. O grito do público me fez olhar para trás.

Tudo aconteceu muito rápido. Atrás de mim o ciclope erguia o martelo para me esmagar e aquela coisa era quase maior do que eu. A minha frente o cão se preparava para saltar em mim mais uma vez. Eu estava entre a forca e a guilhotina. O ciclope baixou o martelo. O cão saltou mirando meu pescoço. Saltei para o lado tentando desesperadamente não ser atingido por nenhum dos dois.

Pareceu que tudo tinha explodido. O choque do martelo do ciclope contra o chão provocou um barulho ensurdecedor. O cão infernal tinha explodido em um monte de pó que choveu junto com a terra da arena em cima de mim. Os vingadores gritaram mais uma vez, mas dessa vez não me animaram. Saltar para o lado tinha espalhado uma nova onda de dor por do meu braço. Estava cansado. Meu ombro continuava sangrando. Tinha que me esforçar para não largar a lança. O escudo tinha voltado a ser um anel. Era peso demais para o meu braço machucado.

— Eu tenho que ganhar — sussurrei pra mim mesmo —Do contrário vou morrer. Eu preciso da vitória!

— Alguém me chamou?

Uma mulher tinha se materializado a poucos metros de mim. Eu não esperava que alguém pudesse me ouvir além de mim mesmo. Muito menos esperava que uma mulher aparecesse do nada ao meu lado. Ela vestia calças legging, tênis esportivos da Nike e uma camiseta branca escrita “We are the champions”. Ela sorria como se aquele fosse o momento mais feliz da sua vida, os cabelos dourados caiam sobre as costas num rabo de cavalo.

— É… — olhei em volta. Tudo estava completamente parado. O ciclope estava congelado numa posição do tipo “vou esmagar sua cabeça”, os vingadores pareciam um bando de estátuas na arquibancada. O tempo havia parado — Eu te chamei?

— Mas é claro, seu bobo — ela disse se aproximando — Atena está apostando muitas fichas em você.

— Então Atena mandou você aqui?

—Não. Atena pode gostar de você, mas ela não pode se intrometer desse jeito. Seria violar o que Zeus decretou. Em minha opinião ela é a filha preferida dele, mas nenhum dos dois pode admitir isso. Vim porque você me chamou. Sei de todas suas vitórias… e derrotas também. Acho que você tem talento.

Precisei de um momento para entender.

— Então você é Nike, certo? Deusa da vitória.

— Bingo! Achei que nunca ia descobrir. Vejo que você já fez um belo trabalho aqui, mas ainda não venceu — ela fez um gesto mostrando a Arena — Eu não posso te ajudar na verdadeira batalha, mas nisso eu posso ajudar.

Antes que eu pudesse abrir a boca, a deusa veio correndo em minha direção. Primeiro achei que ia esbarrar em mim, mas ela me atravessou como se fosse um fantasma. Senti que ela estava dentro de mim. Uma náusea seguida de uma onda de calor que começou do meu peito e se espalhou para o resto do corpo. O grito dos vingadores me avisou que o tempo tinha voltado a funcionar. O martelo do ciclope desceu novamente, mas eu rolei para trás, parando em pé enquanto via o ciclope urrar de frustação. Era como se a deusa tivesse injetado uma dose cavalar de adrenalina em mim. A dor no meu ombro mal incomodava. Eu me sentia como se estivesse acabado de chegar à Arena, sem cansaço nenhum.

Corri em direção ao ciclope. Era como se meu corpo tivesse vida própria. Eu sabia exatamente o que fazer e meu corpo correspondia. O monstro baixou o martelo novamente. Ao invés de recuar eu avancei mais, indo em sua direção e rolando entre suas pernas. O barulho do martelo foi seguido do grito do ciclope que acidentalmente acertou o próprio pé. Ele se curvou de dor. Vendo suas costas completamente desprotegidas eu saltei, segurando a lança firmemente e atingi as costas do monstro. Nike devia ter aumentado minha força também porque a lança quase atravessou seu corpo imenso. Ela ficou cravada em suas costas, e eu preso a ela. O ciclope urrou, cambaleou e caiu. Sua queda me fez voar alguns metros para frente. Eu caí rolando. Imediatamente meu ombro me fez gritar de dor. Deitado ali consegui ver Nike sair correndo e desaparecer do nada, do mesmo jeito que apareceu. Ninguém além de mim pareceu ter notado a presença dela. Todos na arquibancada aplaudiam e gritavam, mas pra mim pareciam estar em outra dimensão silenciosa, eu mal os escutava. Pensei em fechar os olhos. Talvez eu desmaiasse e acordasse na enfermaria como parecia ser o meu costume, mas Ryan veio correndo em minha direção antes que eu tivesse chance.

— Está bem? — ele perguntou me estendendo a mão e me ajudando a levantar.

— Como se tivesse caído num triturador de carne.

Ryan sorriu.

— Você conseguiu — disse pra mim e depois se voltou para a arquibancada — Vamos parabenizar o Terry por sua coragem ao completar o penúltimo teste.

— Penúltimo?!

Notas finais
"Aff Mello, mas o nome da deusa Nice, essa empresa que vende chuteira tem nada ver" Se acalmem jovens gafanhotos. Primeiro de tudo essa empresa recebeu o nome justamente por causa da deusa, caso vcs não saibam. Segundo: o nome da deusa pode aparecer tanto como Nice ou Nike, sendo o mais comum no português Nice. "Mas então pq não usou Nice" (pq eu quis, pode ir lá denunciar XD) Porque a pronúncia do nome verdadeiro (em grego: Νίκη) é Níki̱, por isso é bem mais próximo colocar Nike. Enfim, se possível não se esqueçam de comentar aí em baixo. Obrigado por lerem e até a próxima!