Beyond the Vengeance

19 Morte à traidora!


Notas iniciais
E aí galera, tudo certo? Mais um capítulo continuando o arco Reveng Island. Espero que gostem u.u Boa leitura.

— Esse vai ser o último certo?

— Sim — Ryan respondeu com certa impaciência.

— Ótimo, porque a ameaça de morte ainda está de pé.

Alguns dias antes, logo depois de sair da Arena direto para enfermaria, fiz algumas dezenas de ameaças de morte contra Ryan por não ter contado tudo sobre os testes. Agora ele estava perto de me apresentar o último deles. Ou pelo menos era isso que tinha dito. Se ele não tivesse salvado minha vida certamente eu já teria acabado com a dele.

— E eu vou falar com Nêmesis? — disse tentando não parecer nervoso.

— Sim — ele respondeu simplesmente — Ela deve te dizer o que fazer em seu último teste.

Antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa chegamos ao centro do templo. De longe maior área do edifício. E também a mais vazia. Tirando o altar e a estátua em homenagem a deusa da vingança o resto estava totalmente vazio. Não havia móveis, nem nada do tipo. Nossos passos ecoavam pelo recinto. Ryan me levou até o altar e me deixou lá. Antes que eu pudesse fazer perguntas ele fechou a porta ao sair.

Olhei para os lados, procurando a deusa. Ela já devia estar aqui, não devia? Olhei para altar. Por um momento pensei que teria que me ajoelhar ou fazer alguma prece, mas rapidamente descartei a ideia. Nêmesis tinha me escolhido. Se ela quisesse falar comigo viria por conta própria.

— Finalmente é chegada a hora — Nêmesis apareceu atrás de mim — Enfim irei arrumar esse desiquilíbrio.

— Desiquilíbrio?

A deusa apontou para sua própria estátua. A balança de pratos presa à mão da estátua pareceu ganhar vida. Ela se inclinou para o lado como se houvesse algum peso a mais em um dos pratos.

— Há um desequilíbrio entre nós. Quero que cuide dele. Ou melhor, dela.

— Não entendo aonde quer chegar.

— A traidora, Terry — não sei por que, mas quando ela disse meu nome estremeci — Ela anda pela ilha, totalmente livre. Ache-a. Vingue-me. Mate-a em meu nome — fiquei parado por um momento sem saber exatamente o que fazer em seguida — Agora vá.

Minhas pernas começaram a andar quase que por vontade própria. Quando cheguei à porta olhei para trás. Nêmesis estava olhando fixamente para a balança, com a testa franzida, como se ela fosse um grande problema que estivesse a incomodando profundamente.

Ryan estava me esperando do lado de fora.

— E então? — ele perguntou.

Tentei contar a Ryan todos os detalhes, mas aquela conversa parecia um sonho. Era como se tivesse acabado de acordar e não me recordasse direito o que tinha acontecido nele. Lembrava-me com clareza apenas da ordem de Nêmesis: Mate-a. Ryan escutou tudo sem nem mesmo abrir a boca, apenas concordava levemente com a cabeça. Quando terminei ele parou um momento pensando, franzindo profundamente o cenho.

— Estranho… — ele disse.

— O que?

Ele ficou um momento sem falar.

— Nada. Vou falar com Robin e Sean. Eles podem te acompanhar.

— Acompanhar para onde?

— Lá embaixo. Pelo que Nêmesis disse só há uma pessoa em que consigo pensar.

Pensei por um minuto.

— Você está querendo dizer a…

— Sim. Não te contei, mas antes de ela ficar vagando pela ilha atacando pessoas como você, ela era uma vingadora também. Na verdade, ela era nossa líder. Seu nome é Anne — Ryan falava com uma melancolia quase que palpável. Imaginei se eles não tiveram algum tipo de ligação no passado — Foi ela quem procurou um lugar para nós. Anne achou essa ilha depois de passar um inferno para chegar aqui. Depois disso ela nos trouxe com ela, mas o poder subiu a sua cabeça. Ela começou a mandar e desmandar como se tivesse poder absoluto. Nêmesis percebeu e quis tirar Anne da liderança, mas ela se recusou. Nêmesis a considerou uma traidora e a expulsou dos vingadores. Desde então ela ficou condenada a vagar pela ilha. Não tem como escapar.

Não sabia o que dizer sobre aquilo. Estava na cara de que Ryan ainda gostava dela de alguma forma e agora Nêmesis me incumbira de matá-la. Ele resolveu isso se virando e indo embora, provavelmente indo falar com Sean e Robin.

Eu estava abeira do penhasco. Ainda era de manhã, mas o sol estava forte. Minha pulseira e meu anel estavam comigo. Tinha imaginado uma maneira de descer aquele penhasco, mas até agora nenhuma das minhas ideias tinha sido boa o suficiente. Ryan nunca me contou como ele me trouxera até aqui. Imaginei que o único jeito de descer seria da mesma forma. Avistei Sean e Robin vindo em minha direção. Ryan não estava com eles. Eles chegaram em silêncio. Pela expressão em seus rostos já sabiam o que eu tinha que fazer. Provavelmente também sabiam sobre Ryan e Anne. Provavelmente mais ainda do que eu.

— E então? Como vamos descer? — perguntei sem olhar para eles.

— Bom… — Sean começou — temos um jeito, mas Ryan não quer revelá-lo para você ainda.

Olhei para ele com uma expressão interrogativa. Notei que trazia um pedaço de tecido preto nas mãos.

— Ele quer me vendar?

— Sim.

Pensei em perguntar por que, mas desisti. Nunca obteria a resposta que queria.

— Ótimo!

Sean passou a venda sobre meus olhos, dando duas voltar em torno da minha cabeça e amarrou firme. Senti as mãos dos dois me segurando, um em cada braço. De repente o vento, naquele momento relativamente calmo, mudou drasticamente. Foi tudo muito rápido. De uma hora para outra Sean e Robin me puxaram para frente e senti o chão do penhasco desaparecendo sob os meus pés. Por um momento achei que iríamos despencar para a morte, mas percebi que estávamos em uma queda controlada. Era como se estivéssemos em uma asa delta, planando, caindo aos poucos.

Eu estava surpreso demais até para gritar. O vento passava por mim como se estivéssemos em um carro de corrida em velocidade máxima. Agarrei-me com força aos dois, sem saber o que estava acontecendo por causa da venda. Tudo que eu podia imaginar era que Sean estivesse usando seus poderes. Como filho de Zeus ele conseguia controlar os ventos. Mas e Robin? Tudo que eu sabia sobre ela é que usava um arco recurvo. Nada mais. Como ela podia estar voando junto? Será que Sean estava fazendo com que ela voasse controlando os ventos? Não. Ela também estava me carregando. Mas não era possível.

Sem nenhum aviso começamos a parar. O vento mudou de novo. Balancei um pouco para frente. Os dois me soltaram. Pensei que estávamos pelo menos a uns 20 metros de altura. O chão veio muito antes do que eu pensava e acabei caindo. Rapidamente me levantei e tirei a venda. Sean e Robin já estavam em pé sobre a areia, como se voar por aí fosse uma coisa comum.

Nem tinha percebido onde estávamos. Eles tinham pousado na praia. Pensando melhor agora aquele era o único lugar sem árvores para nos atrapalhar. Robin já segurava o arco, havia uma aljava cheia de frechas à suas costas. Sean estava com uma espada. Os dois olhavam pra mim como se aguardassem eu dar as ordens.

— Então… para onde vamos? — perguntei.

— A missão é sua. Só estamos aqui para supervisionar — Robin respondeu.

— Então quer dizer que se ela aparecer aqui vocês não vão ajudar em nada?

— Não — os dois responderam juntos.

— Então pra quê as armas? — disse apontando para o arco e a espada.

— Sempre pode acontecer de ela nos atacar primeiro — Robin disse.

— Ou se você estiver prestes a morrer podemos intervir — completou Sean — Mas isso vai significar que você falhou no seu teste.

— Estou gostando cada vez menos disso.

Embrenhamo-nos na floresta procurando Anne. Ninguém sabia onde ela ficava por isso tínhamos que procurar. Até aquele momento eu não tinha parado para pensar se seria capaz de realizar aquela missão. Eu estava buscando vingança e não me importava de matá-lo no final de tudo isso, mas aquilo era diferente. Fora o ataque inicial, eu não tinha mais nada contra ela. E para mim Nêmesis estava sendo injusta. Ela já havia punido ela expulsando-a dos vingadores e condenando-a a ficar naquela ilha sozinha. Não fazia sentido a deusa querer aplicar mais uma punição a ela. Há um desequilíbrio entre nós, ela dissera. De alguma forma aquilo não parecia estar certo.

Caminhamos pelo que pareceu horas. Andando por entre árvores e arbustos que nos atrasavam cada vez mais. Por sorte chegamos a uma clareira. Era pequena, mas nos serviria para ter uma pausa.

Descansamos por cerca de dez minutos. Já estávamos voltando à caminhada quando Sean parou de repente. Olhei pra ele com uma pergunta na ponta da língua, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa ele gritou. Sean levou as mãos à cabeça e despencou no chão, se contorcendo como se estivesse com muita dor. Corri até ele que não parava de gritar em agonia.

— Sean! O que aconteceu? Robin você… — Olhei em volta. Robin não estava em lugar nenhum. Ela estava bem atrás de mim e agora desaparecera — Robin!

Olhei desesperado em volta. Nada. Como era possível ela ter desaparecido daquele jeito. Sean tinha parado de gritar, mas ainda se contorcia, obviamente com muita dor. Em questão de um minuto eu estava sozinho contra a Anne. Não sabia como ela tinha feito aquilo, mas só havia ela na ilha toda que faria tal coisa. Dividir e conquistar. Ela tinha sequestrado Robin e incapacitado Sean. Agora só restava a mim. Pra ela seria fácil.

Saquei a espada, pronto para lutar. Se ela estava querendo brigar… Uma súbita tontura quase me fez cair no chão. De repente tudo girou e pareceu que a terra sob meus pés estava se movendo. Agitei a cabeça com violência recobrando os sentidos. O que era aquilo? Não era natural. A sensação me era familiar, já havia sentido algo assim antes quando Chris tinha entrado em minha mente pela primeira vez, mas não daquela forma. Com Chris eu podia sentir certo incômodo, mas aquilo era totalmente diferente, não era uma mensagem a ser entregue, era um ataque. Alguém estava tentando mexer com a minha cabeça. Foi então que eu ouvi. Uma voz. Muito distante e baixa, como se estivesse em outra dimensão. Parecia vir de vários lugares e ao mesmo tempo de nenhum. Era como se própria existência não fosse real. Novamente a tontura veio, mas dessa vez eu estava concentrado em me manter firme.

A voz parou. Tudo caiu num silêncio profundo. Institivamente acionei o anel que se transformou em escudo. Um ruído me alertou de um movimento a minha direita. Virei-me em posição de defesa, com o escudo levantado. Houve um baque e senti o escudo ser golpeado por algo incrivelmente rápido. Em seguida algo caiu a minha frente. Olhei com cautela para baixo. Uma flecha estava caída na grama. Antes que eu pudesse pensar em algo outra flecha atingiu meu escudo. Dessa vez desviando-a para o alto, passando pouco acima de minha cabeça. Ouvi mais um movimento vindo da floresta e soube na hora o que ela estava tentando fazer. Atirar de pontos diferentes para tentar achar uma brecha em minha guarda, mas a floresta era densa demais para que ela conseguisse se movimentar sem fazer barulho. E mesmo assim o estalo da corda ao soltar a flecha não podia ser silenciado.

Conhecendo sua estratégia eu comecei a me movimentar. Esquivando-me das setas mortais ou desviando-as com o escudo. Ela não poderia continuar com aquilo pra sempre. Uma hora ou outra as flechas de Robin teriam que acabar. Imaginei se ela iria usar os ventos cortantes para me atacar. Eu não tinha nada que pudesse parar aquilo. Já era pedir demais que o meu escudo desviasse as flechas.

Lembrei-me do dia em que lutamos. O modo como ela tinha desviado o meu escudo e jogado ele contra mim só com a força dos ventos. Se ela tinha tamanho controle seria fácil usar apenas as flechas para me acertar, mas a cada tiro eu ouvia o estalo da corda. Por que ela estaria usando o arco? A menos que…

Os tiros cessaram. Talvez as flechas finalmente tivessem acabado ou ela tivesse notado que aquela estratégia seria inútil. Tinha pensado em um por que para o uso do arco, mas era absurdo. Não podia ser verdade…

O barulho dos arbustos sendo remexidos me avisou que ela estava se aproximando. Fiquei atento a qualquer outro movimento, mas parecia que ela estava apenas vindo até mim. Quando a garota surgiu em meio às árvores vindo em direção à clareira, seus cabelos não eram vermelhos como eu lembrava. Ela não era tão alta e seu olhar, embora nada amistoso, não se pareciam nada como o de uma assassina. Quando a luz do sol atingiu seu rosto um nó se formou em minha garganta.

— Robin!

Notas finais
Digam o que estão achando nos comentários u_u Obrigado por lerem e até a próxima!