Beyond the Vengeance

27 Preso na Floresta - Fúria da Tempestade


Notas iniciais
E aí galera, tudo certo? Mais um capítulo pra vocês. Espero que gostem u.u Avisos nas notas finais. Boa leitura.

Acordei com alguém mexendo no meu ombro. Rapidamente segurei a mão da pessoa achando que fosse algum inimigo, mas era apenas Jennifer.

— Desculpe, só estava querendo cuidar de seu ombro.

Relaxei ao perceber o que ela estava fazendo. Jennifer havia dobrado a manga de minha camiseta e limpava o sangue com um pano umedecido.

— Desculpe, pensei que você… — deixei a frase no ar. Não me pareceu justo dizer que achei que ela estivesse tentando fazer algo comigo.

— Tudo bem, eu sei.

Sentei-me enquanto Jennifer cuidava do ferimento. Vi sua testa se franzir ao olhar para meu ombro já limpo de sangue.

— Algum problema? — perguntei.

— Você já estava machucado.

Estranhei aquela frase. Não havia sido uma pergunta. Só então olhei para o ombro e vi do que ela estava falando. Os pontos que Gina havia feito em meu ombro tinham estourado. A ferida não estava tão ruim assim, mas ainda sangrava, diferente dos arranhões do urso. Jennifer tirou os restos da linha inútil que tinha se prendido ao ferimento e limpou novamente, enrolando o pano o mais firme que pode em meu ombro.

— Espero que isso resolva por um tempo. Não tenho linha nem agulha pra costurar novamente.

— Obrigado — agradeci.

— Você salvou a minha vida. É o mínimo que posso fazer.

Jennifer deu um pequeno sorriso, mas seus olhos indicavam o quanto ela estava cansada. Não sabia quanto tempo eu tinha dormido, mas provavelmente tinha sido muito.

— Eu vou ficar bem. Vai dormir. Você merece um descanso depois de tudo isso.

Jennifer adormeceu em um instante. Eu poderia tê-la deixado para procurar Liza, mas não consegui. Não era justo fazer aquilo com ela. E, por mais que eu quisesse fazer aquilo, sabia que iria me arrepender se fizesse.

Tentei passar o tempo reavivando o fogo e assando mais pedaços de carne de urso. Não sabia quanto tempo teríamos que passar naquela floresta e todo o recurso era bem vindo. Ainda estava impressionado com o tamanho daquele urso. Se realmente fosse um caçador estaria orgulhoso da caça. Um grande urso negro como aquele não era fácil de achar. Enquanto assava a carne num graveto, joguei alguns pedaços na fogueira, como oferenda aos deuses. Geralmente eu agradecia à Atena, mas naquele caso achei melhor oferecer a carne para Artêmis. Afinal ela era a deusa da caça. Nada mais justo, pensei.

Após algumas horas acordei Jennifer. Eu pretendia deixá-la dormir mais um pouco, mas me incomodava ficar perto daquela fogueira. Era como gritar para a floresta inteira que estávamos lá, pronto para sermos atacados. Expliquei a situação para ela e começamos a andar.

— Temos que achar o rio. Não tenho muito mais água no cantil — ela disse.

— Você sabe onde ele fica?

— Sei que ele corta a floresta no meio. Se continuarmos indo para dentro dela acho que vamos encontrá-lo uma hora ou outra.

Concordei com um aceno de cabeça. Andamos por mais algum tempo, em silêncio.

— Eu sei que não tenho nada a ver com isso — Jennifer começou — mas como você vem a uma floresta procurando alguém sem nenhuma provisão?

— Eu estava com pressa — expliquei — Estou perseguindo ela desde Long Island e é bem capaz que ela esteja se afastando cada vez mais. Eu não podia simplesmente parar para arranjar provisões.

— Long Island! Isso fica muito longe! Por que tanto urgência em procurá-la? Se ela está se afastando não quer dizer que… — ela parou de falar, como se não quisesse me fazer pensar na possibilidade.

— Eu não tenho certeza do que aconteceu, mas muito provavelmente ela foi sequestrada. Há alguém com ela. Não sei quem é, mas é o responsável por tudo isso.

— Entendi.

— Mas e você? — questionei — você me fez contar o que eu vim fazer aqui. É a sua vez.

Ela respirou fundo, soltando o ar em seguida.

— É minha irmã. Ela desapareceu quando sua classe estava acampando nessa floresta.

— Não estou criticando você, mas não era melhor ter deixado que as autoridades cuidassem disso? Quero dizer, eles com certeza conhecem melhor essa floresta.

— Nós fomos separadas quando minha mãe morreu. Eu consegui fugir do orfanato, mas ela só tinha sete anos. Estava em um orfanato diferente. O desaparecimento foi minha única notícia dela em anos. Eu tenho que achá-la antes do resgate. Se não ela irá de novo para o orfanato e…

Jennifer se calou quando fiz sinal para que ficasse quieta. Rapidamente nos escondemos atrás deu uma árvore.

— O que foi? — ela sussurrou.

Eu também me fazia àquela pergunta. Tinha ouvido algo, porém não sabia o que era. Poderia ser apenas algum animal da floresta, mas algo tinha chamado minha atenção. Ficamos em silêncio total. Concentrei-me em escutar. Algo fluindo…

— Água! — sussurrei para Jennifer.

Avançamos mais alguns metros, mas paramos quando avistamos o rio. Havia um pequeno declive no terreno. Lá em baixo, ao lado do rio, havia uma garota em pé. Estava de costas para nós. Ela tinha cabelos negros, mas o que chamou minha atenção foi o que tinha nas mãos. Um arco prateado, combinado com a aljava de flechas que pendia de suas costas. Jennifer e eu trocamos olhares, nervosos.

— O que devemos fazer? — ela perguntou baixinho.

Não sabia o que responder. Precisávamos de água. É claro que poderíamos contornar ela, mas também precisávamos passar para o outro lado da floresta. Naquela parte o rio era estreito, mas olhando para os lados ele se alargava e sua correnteza ficava mais rápida. Aquele era o lugar perfeito.

— Vamos nos aproximar com cuidado. Precisamos de água e se formos passar pelo rio não há outro ponto tão seguro quanto esse. Pelo menos nenhum que eu saiba — olhei para Jennifer na esperança que ela conhecesse o lugar melhor do que eu, mas ela apenas balançou a cabeça — Então vamos.

Descemos o declive com cuidado, sem fazer barulho. Redobramos o cuidado ao se aproximar da menina. Ela não se mexia, parecia uma estátua. Jennifer e eu trocamos mais um olhar cheio de nervosismo. Pigarreei para avisá-la da nossa presença, mas a menina parecia não ter escutado. Pigarreei novamente, mas não houve mudança. Por fim comecei a me aproximar dela. Quando estava há apenas alguns passos de distância ela se virou. Dei um passo para trás. Ela usava calças jeans e uma camiseta preta que fazia seus cabelos, da mesma cor, sumirem ao tocar os ombros. Mas o que realmente me assustou foram seus olhos. Estavam azuis, mas não porque realmente eram azuis. Eles brilhavam em azul, como duas pequenas lanternas. E eu conhecia aquele brilho.

Com um movimento rápido ela tirou uma flecha da aljava e encaixou no arco. Tudo foi muito rápido. Num momento eu estava de pé e no outro, Jennifer estava pulando em cima de mim. Caímos juntos. Com o canto do olho reparei que a menina já encaixa outra flecha no arco. Empurrei Jennifer para um lado e rolei para o outro. A flecha se fincou no chão onde estávamos segundos antes. Levantei-me rapidamente. Jennifer invocou seu arco, mas a menina foi mais rápida e avançou em sua direção, usando o próprio arco para bater no de Jennifer e lançá-lo longe, fazendo sua dona ir ao chão ao mesmo tempo. Avancei sacando a espada, aproveitando a brecha que ela havia dado. Ataquei num movimento horizontal, mirando seu pescoço. Ela estava de costas, mas, de alguma maneira, conseguiu prever meu ataque. Ela se abaixou no último segundo e girou dando uma rasteira. Caí dolorosamente com as costas no chão.

Num momento perfeito, Jennifer a agarrou por trás, num golpe mata-leão. Sem perder tempo me pus de pé, mas havia algo diferente na menina. Ela estava cerrando os dentes, olhando para mim, furiosa. Os ventos começaram a acelerar ao nosso redor. No céu, reparei que as nuvens também se moviam rapidamente, formando um escuro aglomerado bem acima de nós. Um forte trovão fez a floresta estremecer. Uma filha de Zeus! Corri para cima dela. Se não a matasse antes dela atacar não saberia o que poderia acontecer. Preparei um golpe com a espada, mas, ao chegar perto, a filha de Zeus gritou. Agarrou Jennifer por sobre a cabeça e a puxou com força, lançando-a em cima de mim. Caímos rolando. Minha espada foi parar dentro do rio. A menina sacou duas facas e avançou. Novamente me pus de pé e saquei a lança. Jennifer ainda estava no chão, zonza. Tentei golpear a menina, mas ela era rápida e evitou meu ataque. Ela correu até mim, preparando a faca, mas rolei para o lado, me esquivando. Novamente ataquei. Ela desviou para minha esquerda, mas já estava preparado para isso e, num ajuste rápido, fiz a ponta da lança ir em direção a sua mão. Pensei que iria atingi-la, mas ela largou a faca e segurou a lança com a mão esquerda. A lança estava inútil, mas sua faca não. Tentei mantê-la longe. Erámos como dois pugilistas brigando, tentando achar a brecha do outro.

A tempestade que se formava no céu estava prestes a despencar em cima de nós. Ela tentou me forçar para trás, mas resisti firmemente. Avancei sobre ela, deslizando a mão pelo cabo da lança. Ela preparou um golpe com faca, mas quando estava perto deslizei pelo chão, passando do seu lado e evitando o golpe. Agarrei com força a lança, fazendo-a girar. A filha de Zeus foi obrigada a fazer o mesmo. A chuva começou a cair. A água parecia ter a força de uma cachoeira, encharcando tudo em poucos segundos. A menina estava desequilibrada. Pensei em puxá-la com força pela lança, mas ela foi mais rápida e fez o mesmo. De pé sobre a terra molhada e escorregadia, eu tropecei em direção à faca dela. No último segundo acionei o escudo, evitando o golpe mortal. Porém ela usou isso como vantagem, dando um chute no escudo e me mandando para trás, cambaleando. Acabei escorregando e caindo sentado. Jennifer estava se levantando. Vi a filha de Zeus levantar a faca para os céus. Antes mesmo de Jennifer estar totalmente de pé, eu me joguei para trás levando-a junto. Fiz o escudo voltar a sua forma de anel. Houve uma explosão onde o raio caiu. Jennifer e eu rolamos e caímos no rio. A forte chuva que estava caindo tinha feito o rio subir um pouco para as margens. A grande quantidade de água havia dobrado a velocidade da correnteza e fomos carregados por ela.

A água a nossa volta estava furiosa. O próprio rio parecia querer se livrar dos dois corpos que flutuavam loucamente pela sua superfície. Tentei me agarrar a Jennifer, mas a água estava agitada demais, nos jogando de um lado para o outro, fazendo com que passássemos perto um do outro, mas nunca perto o suficiente. Por inúmeras vezes fui para baixo d’água. Tentei manter o fôlego, mas era praticamente impossível. Entrava mais água do que ar em meus pulmões. Jennifer passou do meu lado. Tentei agarrar sua mão, mas ela escorregou e nos separamos de novo.

— Terry! — a ouvi gritar.

A minha frente o rio fazia uma curva. Na ponta da curva, nas margens, havia uma velha árvore. Ela era um pouco torta, e seus galhos mais baixos tocavam a água. Tentei nadar histericamente para a margem. Estava me aproximando rápido e não sabia se o galho aguentaria meu peso. Em algum momento, quando olhei para trás, tive um pequeno vislumbre de Jennifer. Se ela passasse perto da margem poderia salvar a nós dois. O galho se aproximou e eu o agarrei. Por um momento achei que ia quebrar, mas ele apenas entortou um pouco.

— Jennifer!

Vi que ela havia entendido o que eu pretendia, mas não sabia se podia pegá-la. Jennifer se aproximou rápido. Tive que me esticar ao máximo para agarrar sua mão. Dessa vez segurei firme para que ela não escapasse. Porém quando tentei puxá-la para a margem encontrei uma resistência muito maior do que esperava. Não era apenas uma questão de tirá-la da água, eu tinha que vencer a força do rio que a puxava para baixo. Meus braços reclamaram no mesmo instante, os músculos doendo, sendo exigidos ao máximo. Sentia como se fosse um cabo-de-guerra prestes a estourar, sendo puxado com força demais. Forcei os braços a se flexionarem e aproximei Jennifer da margem. Ela tentou desesperadamente se agarrar às margens, mas não parava de escorregar.

— Rápido! — gritei com urgência.

Jennifer agarrou uma das raízes da árvore e disse para que eu soltasse a outra mão. Com alguma dificuldade, ela se ergueu do rio. Eu estava longe demais para poder agarrar as raízes da árvore. Jennifer se posicionou para agarrar minha mão e acenou para que eu largasse o galho. Soltei o galho e senti a água me arrastando novamente. Quase não consegui pegar a mão de Jennifer e quase a puxei junto, mas ela se manteve firme. Por fim agarrei uma das raízes e, com a ajuda dela, finalmente saí do rio.

Já em terra firme, Jennifer e eu passamos alguns minutos tossindo água para fora dos nossos pulmões. Quando finalmente consegui respirar sem tossir reparei um pequeno fio vermelho no braço de Jennifer.

— Está ferida? — ela olhou para mim sem entender. Depois olhou para o braço.

— A flecha me pegou de raspão. Não é nada demais.

Fiquei de pé e a ajudei a se levantar também. Jennifer apanhou o cantil da mochila e o encheu com a água do rio. Estávamos completamente encharcados, mas conseguir água para beber era um assunto diferente.

— Temos que voltar lá — eu disse.

— Você está maluco? Nós dois nem conseguimos acertar um golpe nela. Ter caído no rio provavelmente foi o que evitou sermos mortos.

— Você o brilho nos olhos dela, não viu? Eu sei quem fez isso com ela. É por isso que temos que voltar.

Jennifer abriu a boca para falar, mas pareceu se arrepender. Vi seu olhar desviar para minha direita.

— Acho que temos outros problemas agora.

Segui seu olhar. Uma menina, aparentemente com uns doze anos, estava com um arco armado, apontando na nossa direção. Com o canto do olho registrei outro movimento. Outra menina apareceu de trás de uma árvore. Ela devia ser quatro anos mais velha que a primeira, mas também trazia um arco em mãos e apontava para nós. Então vi outra menina surgir da floresta. E outra. Olhei em volta. Havia pelo menos uma dúzia delas. Todas apontando seus arcos em nossa direção. Jennifer e eu ficamos atentos, de costas um para o outro. Uma garota se aproximava de nós. Ela era diferente. Levava o arco pendurado nos ombros, suas roupas eram prateadas e ela tinha um ar imponente como se fosse uma princesa ou...

— Ártemis!

Notas finais
Tem algumas coisas que tô pensando em fazer e... bom, não vou afirmar nada porque é uma coisa que eu ainda não decidi. Mas tenho algumas novidades que eu espero que me ajude a manter um contato melhor com vocês e poder dar qualquer aviso o mais rápido possível. E é essa aqui: https://twitter.com/Mello_147 Criei uma conta no Twitter só pra ver como era e acadei gostando e achei bom usar ela pra alguma coisa útil. Em breve estarrei postando algumas coisas sobre a fic entre outras coisas. Então se quiserem podem me seguir ou fazerem o que vocês quiserem lá, o twitter tá mais a disposição de vocês do que pra uso pessoal. Enfim, espero que vocês aprovem a ideia. Obrigado por lerem e até a próxima!