Beyond the Vengeance

42 Fantasmas do Passado


Notas iniciais
E aí, galera, como vocês "tão"? Espero que não estejam me odiando. Bom, realmente tenho que pedir desculpas por parar assim do nada. Eu já estava pensando em dar um parada, mas não naquele capítulo e não sem avisar. Porém muitas coisas aconteceram que acabaram me atrasando e além de meu tempo livre pra escrever diminuir, eu acabei escrevendo várias vezes o capítulo e não gostando nada do que tinha feito. Na verdade isso já vinha acontecendo a algum tempo. Então resolvi parar. Resolvi mudar totalmente a forma de como esse capítulo deveria ser, pelo menos desta forma eu consegui acabar de escrever sem apagar tudo em seguida. Espero mesmo que vocês me perdoem por todo esse tempo sem postar. Boa leitura

Estava quente.

O cheiro de arroz e legumes cozidos invadiu minhas narinas com aroma delicioso. Pela primeira vez naquele dia me senti realmente confortável, apesar de estar sentado no chão. Uma travessa de norimaki foi posta a nossa frente. Kin e Tsukino sentaram-se também.

— Itadakimasu!

— A propósito, Terii, como você vai descobrir quem roubou o amuleto? — Tsukino perguntou.

Tão claro… poderia estar mais escuro.

— Bem, gostaria de dar uma olhada onde o amuleto estava antes. Procurar por pistas.

Kin lançou um olhar estranho para mim, como se tivesse me advertindo de algo. Logo entendi o que ela queria com aquilo. Procurar por pistas onde o amuleto estava antes provavelmente foi a primeira coisa que fizeram. Tinha sido idiotice minha sugerir aquilo.

— Na verdade — tentei me corrigir — , ainda não entendi direito como ele foi roubado. Poderia me contar a história completa? Só a ouvi por cima.

Estou suando? Quando fiquei com tanto calor?

— Claro. Porém eu não sou a melhor pessoa pra contar sobre isso. Eu não estava aqui quando aconteceu. Havia saído cedo e só voltei durante a tarde. Todos estavam desmaiados por todo o templo e o amuleto havia sumido. Isso é tudo que eu sei.

Isso faz cócegas.

O sol me cegou por um instante quando abri os olhos. Uma formiga estava dando um passeio pelo meu rosto. Não havia me incomodado até que ela resolveu tentar entrar no meu ouvido. Após me livrar dela finalmente me levantei e olhei ao redor. Árvores e mais árvores me rodeavam. Podia ver uma pequena trilha a alguns metros de distância.

— Onde eu estou?

Tentei me lembrar do que havia acontecido, porém nada me vinha à cabeça. Apenas um grande vazio. Eu havia chegado ao templo com Kin. Tinha quase certeza de que isso não era apenas um sonho. Porém todo o resto estava confuso. Eu não saberia dizer se realmente havia acontecido ou se era somente a minha mente me pregando peças.

Comecei a andar até a trilha. Havia vários galhos quebrados no caminho até lá. Seja o que for que eu tinha ido fazer ali fora da trilha, eu parecia estar com pressa na hora. Provavelmente tinha arrancado tudo que estava na minha frente pra chegar lá. Mas o que eu tinha ido fazer num lugar como aquele?

Quando cheguei à trilha fiquei sem saber para que lado seguir. Ambos pareciam idênticos. Esperava encontrar mais algum rastro meu mostrando de onde eu havia vindo, mas não havia nada. Sem saber o que fazer, simplesmente escolhi a esquerda.

Acabei dando sorte. A trilha levava direto para a estrada que eu havia passado antes com Kin. Agora realmente tinha certeza de que aquilo havia acontecido e também sabia onde estava. Já era um começo. Se havia passado por ali com Kin, provavelmente ela ainda estaria no templo. Comecei a andar. Já conseguia ver a montanha e o caminho que deveria seguir. Estava imaginando se não seria melhor apenas voar para lá direto quando a criatura apareceu.

Não sei o que me surpreendeu mais. Se o fato de monstros aparecerem naquele lugar (criaturas do ocidente podem aparecer no oriente?) ou se a própria aparência do monstro. Ele movia depressa e vinha correndo na minha direção. Sua mão esquerda parecia humana, mas a direita era fina e parecia afiada como a lâmina de uma espada. Era totalmente escuro, como uma sombra viva. Somente seus olhos eram diferentes. Eles brilhavam em um azul intenso, como se luzes neon tivessem ocupando as órbitas dos olhos. Tirando esse último detalhe, era algo que eu nunca nem havia imaginado que existia.

Instintivamente saquei a espada. Ele parou subitamente. Estava apenas alguns metros de mim. Seus olhos de neon pareciam estar arregalados, porém não tinha certeza se ele tinha alguma outra expressão. Algo pesado pareceu cair sobre o ar a minha volta. Era como se eu estivesse em um local fechado e de repente alguém houvesse injetado algum tipo de gás estranho na atmosfera. A partir de onde a sombra tinha parado tudo começou a ficar escuro. A floresta caiu numa escuridão profunda. O céu pareceu ser coberto por um imenso lençol de nuvens negras. Tudo foi ficando cada vez mais escuro até sobrar somente àqueles olhos azuis me observando. É claro que aquela escuridão não era natural, mas era pior do que isso. Não era apenas uma escuridão. Eu não via nada. Não era como o escuro normal que meus olhos poderiam distinguir as silhuetas. Minha visão noturna simplesmente não funcionava. Tudo que eu via eram os olhos azuis. Fixos na escuridão como duas lanternas macabras que nada iluminavam. Pela primeira vez na vida eu estava com medo do escuro.

A coisa deu um passo na minha direção.

— Não se aproxime!

Ela hesitou por um segundo, mas continuou se aproximando. Mais próximo agora, eu podia reconhecer sua silhueta ao menos um pouco, uma sutil mudança na escuridão. Eu deveria atacar, mas recuei. Com um súbito entendimento, me lembrei daqueles olhos. Entendi porque eles pareciam tão assustadores. Eram os olhos de Marie prestes a me atacar. Antes de tudo aquilo acontecer. Eram aqueles olhos que tinham iniciado tudo. Os olhos que eu mais temia.

A sombra avançou rápida em minha direção, cansada de apenas acompanhar meu recuo. Instintivamente ataquei com a espada. Ela usou seu braço direito para aparar o golpe. Um ruído de metal contra metal preencheu o silêncio ao nosso redor. Tendo certeza de que aquele braço seria usado como arma contra mim, comecei a atacar severamente, tentando ao máximo acabar com aquilo rápido. No começo ela apenas defendeu os golpes, mas depois começou a se esquivar. Ela era rápida. Rápida demais.

Dando mais alguns golpes, recuei um pouco. Mudando de estratégia, girei rápido, dando um golpe forte com a espada que bateu com força no braço da criatura. Segurando a espada com a mão esquerda, puxei o pingente da lança girando para o outro lado. Assim como eu esperava, a sombra tentou se esquivar dessa vez, porém não esperava que atacasse com a lança. Despreparado para se esquivar de uma arma com mais alcance, o cabo da lança acabou acertando sua cabeça. Alguns centímetros mais e lâmina poderia ter acertado em cheio se ela não estivesse perto demais.

Por um momento ela pareceu sumir na escuridão, mas seus olhos apareceram um segundo depois mostrando que ela havia caído no chão. Corri para cima erguendo a lança, pronto para dar o golpe final, empalá-la ao chão e acabar com aquilo. Porém ela foi mais rápida e se levantou ao mesmo tempo em que ia para o lado, evitando a investida da lança. Seu braço direito vinha em minha direção, mas eu ainda tinha a espada na mão esquerda e consegui desviar o golpe a tempo. Por um segundo nossos olhos ficaram a poucos centímetros de distância, se encarando. Então ela fez algo que eu não esperava. Me deu uma cabeçada.

Minha boca recebeu todo o impacto e eu cambaleei para trás. A lança permaneceu cravada no chão. Antes que pudesse me recompor recebi um chute no estômago. Vi seu braço direito se mover em minha direção, mas ao invés de receber um corte, algo duro acertou do lado de minha cabeça e me fez cair. Antes que pudesse pensar em usá-la, a espada foi chutada de minha mão. Uma lâmina fria encostou em meu pescoço.

Os terríveis olhos azuis miravam em mim. A lâmina se afastou ligeiramente do meu pescoço. Usei essa oportunidade para invocar a corrente, fazendo-a enrolar em meu punho e usando-a para socar a lâmina para longe de mim.

Dei uma cambalhota para trás, me pondo em pé em um mesmo movimento. A sombra parecia paralisada. Avancei sobre ela, achando que havia uma brecha para atacar. No último instante, porém, ela se moveu rápido para o lado e, mesmo usando a corrente enrolada no braço, não pude evitar um corte pouco acima do cotovelo. Felizmente não tinha sido profundo.

Desta vez foi ela quem investiu. Se moveu rápido de um lado para o outro e quando pareceu que ia atacar direto pela frente, ela girou direcionando o ataque para meu lado direito. A corrente não era a melhor ferramenta para lutar contra uma lâmina rápida como a dela, muito menos quando já havia recebido um corte, no entanto ainda tinha uma carta na manga.

Sacar a faca na hora certa não só me fez conseguir parar o golpe, mas também me deu uma brecha para atacar. Cerrando o punho esquerdo, forcei sua lâmina para o lado com a faca, firmei os pés no chão da melhor maneira que pude e, com um impulso, direcionei meu punho esquerdo contra o rosto da coisa.

Por um momento eu achei que tinha visto errado. Enquanto a sombra se afastava graças ao meu soco, eu pisquei. Quando voltei a abrir os olhos foi como se tivesse piscado novamente. Por um breve momento me pareceu que estava em outro lugar. Depois tudo voltou a estar escuro novamente. A sombra parecia ter desaparecido. Devia estar preocupado em saber de onde ela atacaria, mas me sentia estranho. Um mau pressentimento. Era como se eu tivesse cometido um erro e não me lembrasse. Resolvi me concentrar em achar a sombra antes que ela me atacasse de surpresa.

— Onde você está?

Vasculhei a escuridão procurando algum sinal de luz até que encontrei o par de olhos azuis. Corri até eles preparando um golpe, mas parei no lugar quando cheguei perto. Não era ela. Era…

— Por favor… me ajude… — Marie suplicou com os olhos azuis inexpressivos.

Dei um passo para trás, assustado. Ela deveria estar morta… Ela estava morta!

— Você me matou — ela disse que se tivesse lido meus pensamentos.

— Não…

—Sim — uma voz disse atrás de mim.

Liza se aproximava de mim. Estava da mesma forma como havia morrido, porém seus olhos estavam azuis como o de Marie. As duas se aproximavam lentamente, me cercando.

— Foi você…

— Nos matou…

— Mentiu…

— Abandonou…

— Enganou…

— Não, eu…

— Sim…

— Foi você…

— Sua culpa…

Eu não soube o que fazer. Simplesmente corri. Não importava a direção, tinha que me afastar delas, tinha que sair dali. Como se estivesse me esperando, a sombra que havia me atacado antes apareceu na minha frente, pronta para bloquear meu caminho. Tomando a única direção possível para fugir, eu saltei para cima e, com as asas, continuei subindo o máximo possível.

Enquanto subia a escuridão começava a diminuir, até que estava novamente num dia aparentemente normal. Do alto eu já não via nenhum resquício de escuridão, muito menos daquela coisa. Não tinha pensando para onde estava indo até que notei a montanha se aproximando e me lembrei do meu objetivo inicial. Iria para o templo de qualquer forma.



Achei que havia me acostumado com qualquer sensação nas minhas asas. Mas sentir dor foi realmente estranho.

Estava planejando voar direto para o templo o mais rápido possível. Porém quando comecei a ganhar velocidade senti minha asa direita doer como nunca tinha sentido antes. Era como se de alguma forma eu tivesse dado um mau jeito nela (se é que era possível). Não tive escolha se não pousar. Felizmente, tinha subido a maior parte do trajeto voando, então provavelmente não chegaria tão cansado ao meu destino.

O templo no topo da montanha era tão bonito como eu me lembrava dele. O que julguei ser um bom sinal frente às minhas memórias duvidosas. No entanto, mesmo com a beleza do local, ele parecia um tanto assustador. O silêncio era total. Nem mesmo pássaros cantavam mais. O local parecia sem vida.

Me julguei por aquilo, mas por um momento realmente quis dar meia volta. Tentei me convencer que todos os acontecimentos anteriores tinham me deixado um pouco abalado. Apenas isso.

Caminhei através do portal prestando muita atenção ao meu redor. Sentia como se a qualquer momento alguém ou algo pudesse sair de algum lugar escondido para me atacar. Andei devagar até chegar à bacia de pedra da qual Kin havia chamado de “fonte da purificação”. Até aquele momento nenhum sinal de vida tinha se manifestado.

Fiquei tempo demais me decidindo entre procurar no templo ou em um dos alojamentos. Quando percebi já estava escurecendo, mas não de uma forma natural. Não demorou muito para que eu a avistasse. A sombra de antes estava de volta. Vinha correndo pelo caminho que eu havia feito minutos antes. Fora a corrente que havia voltado a ser uma tatuagem, eu só tinha a faca em mãos. Todas as outras armas ainda não haviam voltado, ou então alguém as havia pegado.

A criatura não fez nenhuma questão de esperar dessa vez. Partiu pra cima o mais rápido que pode. Me defendi como pude com a faca, porém não pude evitar recuar. Naquela altura a escuridão já era completa e eu nada podia ver se não a sombra que me atacava e seus olhos azuis. Pensei em sair voando novamente, mas além da asa machucada isso só adiaria mais o problema.

Tentando achar uma brecha para usar a corrente, continuei recuando, mas antes que pudesse prever a sombra mudou de estratégia. De repente seus ataques aceleraram de uma forma brusca e poucos ataques depois ela fingiu ir para um lado e foi para o outro, me enganando completamente. Primeiro senti um soco na cara, depois um chute me mandou para trás e minhas costas bateram em algo duro feito pedra. Tentei me recompor, mas meu punho foi rapidamente agarrado e torcido, me obrigando a largar a adaga. Fui girado para trás pela mão que agarrava meu pulso. Outra mão agarrou em meus cabelos com força. Minha cabeça foi brutalmente impelida para baixo.

Okiru yo!

Meu peito bateu em algo sólido. Logo depois meu rosto foi mergulhado na água. A mão continuou a empurrar minha cabeça até que ela chegasse ao fundo. Comecei a me debater tentando me livrar daquilo, mas não conseguia. O ar escapou dos meus pulmões conforme era pressionado para baixo. Embora ainda não tivesse desistido de lutar ou de prender a respiração, senti que a consciência me abandonava aos poucos, como se tivesse desistido antes mesmo de mim. Uma sensação estranha tomou conta do meu corpo enquanto perdia os sentidos.

Acordei com vontade de vomitar.

Comecei a tossir antes mesmo de abrir os olhos. Alguém ofegava a poucos metros de mim. Meu cabelo estava encharcado, pingando água sobre meu rosto. A minha frente, Kin parecia ter corrido uma maratona em meio a uma guerra. Estava molhada de suor, respirando com dificuldade, seus braços estavam completamente arranhados, suas mãos e unhas sujas de terra. Um fino filete de sangue saia de sua boca e ela parecia estar sentido dores.

Pisquei várias vezes para ter certeza de que aquilo não era um sonho. Precisei de mais um minuto para perceber que ainda estava na montanha, próximo ao tem… santuário.

— Hã? O que… aconteceu? Eu… tive um sonho estranho…

Notas finais
Essa não é uma volta definitiva da fic, porque ano quem vem não vai ser moleza pra mim, mas vou tentar atualizar com mais frequência. Espero que vocês tenham gostado. Não se esqueçam de deixar uma comentário se possível e até a próxima. E feliz Ano Novo!