Beyond the Vengeance

43 Prelúdio de Vingança


Notas iniciais
Eu sei, provavelmente vocês já tinham desistido dessa fic, mas eu não e sei que devo algumas explicações. Aqui vai a versão curta: uma incrível sucessão de eventos além da minha teimosia de nunca saber parar de arranjar mais e mais responsabilidades acabaram tomando boa parte do meu tempo. Aliado a isso a história estava chegando em um ponto em que eu tinha que pensar muito bem como ocorreria cada coisa. Se quiserem saber exatamente o que aconteceu, explico melhor nas notas finais. Espero que me perdoem u.u Boa leitura. P.S: Quase esqueci de avisar, mas a história acabou se tornando grande demais para que eu a narrasse apenas pelos olhos de Terry, então decidi mudar o estilo de narração desde já. Espero que não estranhem.

Kin respirava pesadamente. Estava cansada, machucada, com raiva e confusa. Ainda não tinha certeza se o estrangeiro a sua frente, Terry, a havia salvado ou tentado mata-la. Embora nos últimos minutos estivessem lutando, aqueles olhos não podiam ser naturais… não, aquele dia todo não estava sendo natural. Tudo que havia visto até aquele momento não fazia o menor sentido e isso a deixava maluca. Olhou para a coleção de arranhões pelos seus braços, as mãos e as unhas sujas de terra. Sua cabeça ainda latejava do lado direito. No canto de sua boca havia um pequeno corte onde ela havia recebido um soco.

Terry se aproximou. Instintivamente Kin pensou em atacar.

— Está tudo bem? — ele disse estendendo a mão para ajuda-la a se levantar.

Kin a aceitou cautelosamente, ainda confusa. Mas então a confusão deu lugar à raiva e suas mãos agarraram a gola da camisa dele com força.

— O que diabos você estava fazendo?! — Ela perguntou quase gritando — O que foi tudo aquilo? Quem é você?

— Hã? Do que você está falando?

Kin o avaliou por um segundo, ele parecia tão confuso quanto ela. Embora parte de si quisesse simplesmente culpa-lo por tudo aquilo, pelo modo como ele agira, de certa forma ela já esperava por aquela resposta.

— Você não se lembra de nada?

— Hum… não…

Chikushou! ­— ela praguejou.

— O que aconteceu?

— Eu não sei direito, mas temos que encontrar Tsukino-sensei rápido. Acho que ele tem o mesmo que você… seja lá o que isso for. Vamos! Eu te conto no caminho.

— Como é que é?! — Terry a agarrou pelo ombro, o que não a agradou. — Eu realmente caí da montanha?

— Sim — ela disse se soltando e continuando a andar.

— Mas…

— Olha, eu não sei direito o que aconteceu, ok? Tsukino-sensei nos levou até a parte de trás do santuário para nos mostrar algo, mas de repente ele pegou um vidro com um líquido verde. Assim que você viu me empurrou para o lado e eu rolei montanha a baixo. Quando finalmente consegui parar e olhei para cima, havia uma nuvem de fumaça verde e você estava sendo carregado por um pássaro negro gigante que de repente começou a cair…

— Pássaro gigante?

— Eu sei que parece loucura, mas foi isso que eu vi. Já foi difícil descer a montanha sem despencar para morte por um caminho como aquele que você me jogou. Sem contar que depois tive que lutar com você daquele jeito… O que era aquilo afinal? Seus olhos estavam brilhando…

— O quê?! — Pela primeira vez Terry pareceu realmente preocupado e não somente surpreso. Como se cair de montanhas sendo carregados por pássaros gigantes fosse apenas um pequeno desvio de sua rotina diária. — Repita o que você disse!

Kin parou de andar por um momento.

— Seus olhos estavam brilhando…

— Brilhando em um tom azul?

— Bem… é. Como sabe?

Dessa vez foi Terry que recomeçou a andar. Kin não pode fazer nada a não ser segui-lo, embora estivesse cada vez mais vontade de bater nele para que falasse o que estava acontecendo.

— Ei! Espere aí, responda a minha pergunta!

Ele ignorou e continuou seguindo em frente como se ninguém houvesse falado. Kin chamou outra vez.

— Ei!

Sua paciência se esgotou. Com a katana ainda embainhada, ela fez sua ponta bater na lateral do pescoço com força o suficiente para empurrá-lo para a parede mais próxima. Ela pressionou a ponta da bainha contra seu pescoço. Não iria ferir, mas doía. Kin precisou de alguns segundos para se acalmar e conseguir falar inglês sem soltar uma dúzia de palavrões japoneses no meio.

— Responda minha pergunta! — ela falou entredentes. — Você não tem direito de andar por aqui. Você disse que veio para ajudar, mas não há nada que prove que você mesmo não é o culpado por o que tem acontecido aqui. Normalmente eu te levaria de volta para o Doujou, mas não sei o que está acontecendo com Tsukino-sensei. Então se você sabe de algo, fale. Do contrário vou te nocautear e procurar por ele sozinha. Você só está atrapalhando.

Kin o observava com atenção, estava preparada para agir a qualquer movimento brusco dele. Por um momento ele não fez nada. Então um movimento de sua mão ativou os reflexos de Kin, ela girou a katana e a usou para prender tanto sua mão quanto seu pescoço à parede, pressionando-os com força.

— Eu… só quero mostrar uma coisa… — ele disse com dificuldade.

Kin aliviou a pressão sobre seu pescoço. Ele lançou um olhar para a mão direita. Com calma se desvencilhou da katana que a prendia à parede e posicionou o braço a frente do rosto, como se tivesse querendo se defender. Kin não entendeu o que ele queria mostrar. Em seu braço direito havia uma tatuagem de corrente, embora ela não fosse uma grande fã de tatuagens, não parecia haver nada de anormal naquela. Porém, para o susto de Kin, a tatuagem começou a se mover como se estivesse viva. Kin recuou enquanto a tatuagem lentamente se movia para fora do braço de Terry, se transformando em uma corrente negra muito real.

N-nan… — Kin gaguejou nervosa, tropeçando entre o japonês e o inglês — O que é isso? Como você faz isso?

— Eu não sei se você está vendo o que realmente estou fazendo, mas essa é uma das minhas… hum, habilidades.

— Como assim se estou vendo?!

— Os mor… pessoas como você geralmente não podem ver exatamente o que pessoas como eu fazem por causa da Névoa.

— Névoa?

— Sim, a Névoa é… Olha, eu prometo que respondo todas as suas perguntas, mas não temos tempo agora. Tsukino-sensei corre perigo.

Kin ainda estava abalada pelo que tinha visto e demorou um segundo para perceber que ele havia recomeçado a andar. Ela teve que se apressar para acompanha-lo.

— Espere! O que você quer dizer exatamente com ele correr perigo? Se sabe o que está acontecendo com ele…

— Não posso dizer que sei o que está acontecendo exatamente, mas acredito que sei quem está por trás disso.

— Quem?

— Alguém da Ordem, provavelmente.

— Ordem?

— Depois eu explico, temos que achar eles.

Terry apertou o passo, olhando pra todos os lados, vasculhando cada canto do santuário. Kin estava acostumada a ser uma espécie de “guia” para pessoas de fora do Doujou e, por ser a mais velha, de certa forma também era seguida pelos outros alunos. De forma que ver alguém de fora (não só do Doujou, mas do país) tomando a frente e esquadrinhando o santuário daquela forma, começou a irritá-la.

— Essa Ordem… eles são pessoas como você?

— De certa forma sim, mas somos bem diferentes.

— Então como vou saber que não está do lado deles?

Terry não respondeu, simplesmente continuou em frente. Ele parou ao chegar a uma porta de correr e, por um momento, pareceu hesitar em abri-la.

— O que exatamente você está fazendo?

Em resposta ele simplesmente fez sinal para que ela ficasse quieta, mas Kin já não aguentava mais. Passara toda a vida com pessoas que acreditavam no sobrenatural. No Japão não era difícil achar uma pessoa que não tivesse uma história envolvendo fantasmas ou espíritos dos mais variados tipos. Boa parte dos seus conhecidos acreditavam em algo sobrenatural, ela não. E em um único dia tinha visto uma pessoa que conhecia muito bem agir como se estivesse possuída, uma fumaça verde nada natural subir aos céus enquanto ela despencava de uma montanha, um pássaro gigante surgir do nada e uma tatuagem que se transformava em corrente. Aquele era seu limite e a última coisa que ela queria era receber ordens do estranho que poderia estar por trás de tudo aquilo.

— Responda minha pergunta!

— Cale-se.

— Seu…

A raiva não permitiu que Kin continuasse a frase, porém sua espada desembainhada continuou. Ela não estava pensando quando o atacou. Nos últimos momentos antes da lâmina o atingir ela se arrependeu de ter se exaltado, mas era tarde demais para voltar atrás. Ciente de que ela poderia tê-lo ferido gravemente ela fechou os olhos no momento exato em que sua katana ia fazer contato com o alvo.

Ela sentiu sua espada subitamente ficar presa em algo e abriu os olhos. O breve arrependimento do golpe e a inesperada visão que teve a fez com que largasse o cabo da katana e recuasse. Num tempo que ela julgava impossível, enquanto fechava seus olhos, Terry havia se virado para ela e agarrado a lâmina com as mãos envoltas nas correntes. Porém o que realmente a fez recuar não foi a reação rápida ou o fato de que as tatuagens haviam se tornado uma corrente real quase instantaneamente, o que a fez recuar foi uma visão que não via a muitos anos, uma visão que só aparecia em seus piores pesadelos. Os olhos de alguém que parecia prestes a matar uma pessoa.

— Eu não vou repetir. Fique quieta.

Ele deixou a katana cair no chão ao mesmo tempo em que abria a porta com força. Kin precisou de um segundo para voltar a si e ir atrás dele. Estavam na sala do altar, o lugar da onde o amuleto havia sido roubado semanas atrás. Tudo estava da mesma forma, porém havia um visitante inesperado. Um garoto estava sentando de forma displicente sobre o altar, parecendo entediado. Porém Kin se preocupou mais com algo caído à frente do garoto.

Sensei!

Ela correu para ajuda-lo, mas Terry ergueu o braço, bloqueando seu caminho. O garoto em cima do altar só naquele momento pareceu notar a presença dos dois e os mirou com seu par de olhos âmbar.

— Ah, finalmente chegou, estava começando a achar que você não vinha.

— Quem é você? — Terry rosnou.

— Sabe… houve três reis na Inglaterra com o meu nome. Algum palpite? Não? Deixe-me apresentar então. Ricohard Reimund, ao seu dispor, mas pode me chamar de Rick. Ah, mas eu fico triste que não tenha me reconhecido… Terry. — Ele fez uma pequena pausa dramática — Me magoa muito perceber que nosso último encontro não foi… marcante o suficiente. De fato parece que você acabou ganhando uma nova marca nesse seu braço, muito interessante.

Terry inconscientemente lançou um rápido olhar para a tatuagem em sue braço direito.

— Ah, tente o outro. — Ele disse sorrindo. — Sabe, você passou um bom tempo caminhando sob o sol forte, pegou um belo bronzeado por sinal, mas ainda assim tem uma parte completamente pálida na sua pele. Eu não tinha notado mais cedo, talvez não tenha sido tão mal você ter conseguido escapar…

— Escapar?

— Já que você me ajudou com a meu pequeno experimento, acho que posso retribuir o favor. Estava testando uma nova invenção minha. Muito útil para controlar pessoas, embora não dure tanto quanto eu gostaria. — Ele lançou um olhar para Tsukino, caído no chão. — Infelizmente ela parece não funcionar tão bem em pessoas com sua natureza vingativa, se entende o que quero dizer. Eu também não sabia que você podia voar, obrigado pela dica. Graças a ela decidi esperar você em um lugar fechado. Mais íntimo, não?

— O que você fez com Tsukino-sensei?! — Kin gritou pronta para partir pra cima dele.

— Eu ouvi dizer que japoneses eram bem educados, devo ter me enganado. — Os olhos levemente entediados se tornaram extremamente frios ao encarar Kin — Não te ensinaram que não se deve interromper a conversa dos outros? Principalmente em assuntos alheios a você.

Damare!

Kin simplesmente partiu pra cima dele. Sua katana ainda estava do lado de fora, mas o garoto estava desarmado e ela era uma lutadora experiente. Ela estava a menos de dois metros dele quando por um momento pareceu que ia escorregar. Ela o viu fazer um gesto com mão e quando percebeu seus pés não estavam mais no chão. A sala toda pareceu girar em alta velocidade e só parou quando Kin sentiu suas costas baterem com força em algo sólido. A sala ainda parecia girar quando ela se viu novamente perto da porta. Levou um segundo para ela se dar conta que ela tinha sido, de alguma forma, atirada até lá.

— Desculpe, só preciso de uma pessoa querendo vingança por hoje, mais sorte na próxima vez. — O garoto voltou à atenção para Terry. — Então… onde estávamos? Ah, sim! Então, Terry, realmente não se lembra de mim? Que vergonha! Talvez eu tenha que refrescar sua memória.

Rick apanhou algo atrás de si. Algo que Kin não tinha reparado até àquela hora, parecia ser algum tipo de roupa. Só quando ele começou a vesti-la é que Kin percebeu que a roupa na verdade era uma espécie de capa preta, comprida o bastante para que sua barra roçasse o chão. Rick jogou a capa por cima dos ombros e a fez se enrolar em seu corpo. Podia ser apenas uma ilusão de ótica, mas Kin podia jurar que a capa havia se fechado completamente na frente, como se houvessem botões ou um zíper no meio. Por fim ele levou o braço para trás e puxou um capuz por cima da cabeça.

— E agora? — Rick novamente pareceu saborear as palavras, com um sorriso afetado no rosto. — Reconhece a pessoa que matou sua namorada?

Notas finais
Aqui vai a versão longa: Além de alguns problemas pessoais, fiz 18 e tive que passar por toda a seleção do exército (no fim, eu não servi, mas ainda assim tive que ir várias vezes para seleções e afins), também comecei um curso técnico à noite (meu horário mais produtivo), mas não foi o bastante e eu quis concorrer a um intercâmbio no final do curso, o que quer dizer que se eu faltar um dia ou ter uma nota ruim, adeus intercâmbio, pois só tem uma vaga para toda a escola. Estava precisando de trabalho, e não conseguindo achar um, tive a brilhante ideia de me juntar com mais dois amigos para formar uma empresa e tentar ganhar dinheiro de forma independente.Sozinhas a escola ou a empresa já tomariam muito do meu tempo e provavelmente eu mal escreveria, juntas ficou quase impossível. O segundo motivo para eu parar por tanto tempo foi por causa da própria história. Essa foi minha primeira tentativa de escrever algo. Escrever acabou virando uma paixão e eu acabei tendo inúmeras ideias. Resolvi mudar a história que ainda estava no começo e tentar algo maior. No entanto tinha que arrumar toda a história por trás da história, criar personagens, histórias para esses novos personagens, etc. Fui adiando isso o quanto dava, até não ter como mais adiar. Tinha que dar um tempo de postar ou teria que começar a forçar qualquer motivo besta para que as coisas acontecessem da forma como quero que aconteçam. Por isso, mesmo não postando, esse período foi um dos que mais escrevi, isso tudo em fins de semana ou nessas últimas duas semanas de férias. Enfim, foi isso, se você teve paciência de ler tudo isso, parabéns (eu não teria :v). Hoje acaba minha férias e nesse semestre vou ter que fazer um TCC, então provavelmente vou ficar sem tempo novamente, mas já tenho alguns capítulos prontos, só falta revisá-los. Prometo pelo menos encerrar esse arco da história antes de parar de novo. Obrigado por lerem e até a próxima!