Beyond The Bounds Of Sky
12 Capítulo 12 - Garras de predador
Os sete guardiões se agacharam, enquanto os fragmentos riscavam o ar. Gobel e Jô prontamente se colocaram a frente dos outros, braços cruzados a frente do rosto,para se proteger da nuvem de poeira. Ainda sim, era possível de se ver três vultos abaixo do arco aberto a força na parede.
Uma risada feminina cruel explodiu pelo ambiente.
-Finalmente, conseguimos pegar todos os ratos miseráveis de uma só vez.
As sete chamas dos Vongola rugiam dentro do peito, os olhares de quem estavam prontos para lutar a qualquer sinal do chefe. Dudu estava cauteloso.
Outra voz, masculina e mais contida, respondeu a primeira.
-Acalme-se. Viemos apenas buscar a urna. Vamos tentar evitar mortes desnecessárias.
O punho serrado de Ricardo apertou-se, os músculos rígidos com os tendões sendo expostos na pele. Kiba e Karoline se alinhavam lado a lado, a mesma postura de quando ajudavam no campo de batalha. Ao fundo, a nuvem de poeira começou a dissipar, revelando o vulto dos três inimigos.
A mulher da direita, a primeira a se pronunciar diante os adversários, tinhas os cabelos lisos e de uma tonalidade dourada presos em um rabo de cavalo na altura da nuca. Os olhos escuros percorriam o rosto de cada um dos inimigos, e possuía uma pequena argola presa no lado esquerdo do nariz. A aura assassina que ela emanava podia ser sentida a quilômetros.
-Tente se controlar, pelo menos. – o homem a repreendeu. Sua voz era pausada e tranqüila, como em uma conversa casual.
-Acredite, estou controlando o máximo que eu posso... – Ela caminhou dois passos à frente e cruzou os braços, a mão segurando o queixo em um jeito elegante. O vestido vermelho longo que a loira usava aberto nas costas e com uma fenda na perna direita, parecia deixá-la ainda mais perigosa. – Mas acredito que eu já possa escolher os primeiros possíveis alvos, não é?
O homem respirou fundo, provavelmente evitando uma discussão desnecessária. Seu cabelo castanho-escuro era de um comprimento mediano, a franja irregular indo um pouco abaixo das sobrancelhas. A barba transparecia desleixo, embora o conjunto de roupas fosse uma blusa social negra e uma calça cinza.
Um pouco mais afastada, no fundo esquerdo, havia outra mulher de estatura mais baixa. Leves linhas arroxeadas torneavam a parte dos olhos castanhos amarelados. Usava uma camiseta branca de mangas compridas e gola alta junto a uma calça de lycra negra. Uma tiara branca e grossa prendia o cabelo escorrido marrom-cinzento dela, descendo pelas costas até abaixo das costelas. Sua expressão de tédio mostrava que a inimiga estava indiferente perante a toda a situação.
No outro lado do saguão, os comentários rolavam soltos junto a olhares analíticos.
-Quem são eles? – Perguntou Kiba, arqueando uma sobrancelha e colocando as duas mãos atrás da nuca.
-Seja quem for, aquela loira me irrita... – Karoline atropelou o irmão, a cara emburrada.
-Te irrita? Você não esta sentindo isso? – Ricardo se virou para a Guardiã da Nuvem, perplexo. – Aquela aura assassina dela está me oprimindo aqui!
-Que seja, vamos atacar! Três contra sete! Temos a vantagem con...
-Esqueça Karol, não posso lutar. Minha espada está ao lado da moto do Zatch. – Suspirou o espadachim chateado. A caçula lhe meteu um cascudo que fez um imenso eco por todo o ambiente. Jô se aproximou para pegar o próprio brasão na urna, mas Dudu o deteve segurando o ombro do ilusionista.
-As sete chamas estão ressonando entre si. Se você tentar encostar nos brasões, vai se machucar feio. – o tom do chefe estava controlado, mas seus olhos demonstravam seu incessante estado de alerta.
Gobel sorriu, um gesto que beirava a prepotência, abriu a palma da mão esquerda ao lado do corpo. Os dedos tremeram levemente e criaram-se faíscas, virando em segundos uma porção de energia verde esmeralda parecida com eletricidade. A Chama do Trovão.
-Eu e o Jô vamos ficar na linha de frente, somos os únicos que podemos evocar as chamas sem as armas seladas... Bem, o imbecil do Igor também conseguiria, mas o inútil esqueceu a espada lá fora. – o rapaz virou o rosto para o Chefe ainda com aquele sorriso cínico, fingindo não escutar os protestos de Kiba. Dudu concordou com a possibilidade, por mais arriscada que fosse.
De fato, os dois eram os únicos Guardiões com poder de fogo ali. Gobel podia liberar naturalmente a própria chama pela pele sem qualquer problema (Kiba tinha o mesmo talento, mais precisava de um objeto para canalizar a energia. No caso, usava a espada). Jô possuía o “Vértice dos Seis Caminhos”, o que fazia com que seu olho vermelho pudesse criar suas ilusões.
Zatch se pronunciou, após passar por um longo tempo montando uma estratégia de ataque. Sua expressão séria era extremamente desanimadora.
-Mesmo assim, serão três contra dois. Sem contar que desconhecemos as habilidades deles.
-Nos dêem o tempo suficiente para que os brasões possam ser utilizados. Ai eu parto a loira em dois... – a Guardiã da Nuvem encarava a inimiga com um olhar fulminante. A mulher parecia notar a antipatia, e acenou de forma provocante para iniciar a luta.
-Podem deixar, eu cuido disso.
Os sete Guardiões se surpreenderam e voltaram os olhos para trás, sem acreditar no que o Sucessor do Sol acabara de pronunciar. Yure circulou a urna e foi para frente do grupo, livre de qualquer preocupação.
-Procurem se manter o mais afastado da luta. Acredito que não demorará muito para a urna se abrir... – Ele tirou uma pistola do coldre e segurou a arma acima da cintura.
Dudu ia dizer algo, mas se calou por não conseguir encontrar palavras. Jô e Gobel se colocaram ao lado do sucessor, embora soubessem que seria inútil.
-Ficaremos aqui para proteger os outros, se for necessário... – o olho direito do ilusionista já tinha se tornado vermelho sangue. Yure agradeceu fazendo uma mesura com o chapéu e se dirigiu até próximo os adversários.
-Apenas um deles vai nos enfrentar? – a loira franziu as sobrancelhas e fez um biquinho – Assim não vai ter a menor graça.
O homem levantou a mão exigindo silêncio.
-Ele não parece ser um Guardião. O que você diz Vanessa?
A moça de cabelos castanhos fechou os olhos e inspirou o ar vagarosamente.
-Não sinto nenhuma onda de Chama... Ele parece ser uma pessoa comum.
O Sucessor ficou a quatro metros de distancia do trio.
-Boa tarde. – ele inclinou a cabeça levemente para frente, uma reverencia. – Espero não ser grosseiro, mas devo pedir que se retirem para não atrapalharem a reunião da família Vongola.
A loira deixou a outra risada cruel escapar por entre os dedos. O homem apenas a encarou e ela voltou a ficar em silêncio, a mão à frente dos lábios.
-Desculpe meu caro, mais este e um pedido que eu não posso acatar. Tenho ordens expressas da chefa da família Gallardo para tomar posse de sua urna.
O Guardião da Chuva olhou por uma fração de segundo para o ilusionista da Névoa: a suspeita de ambos eram verdadeiras.
O Sucessor do Sol manteve o tom polido, com ameaça camuflada em suas palavras.
-Creio que sua chefa sabe que os Vongola, assim como todos os presentes dos Anciões, são considerados intocáveis pelo Conselho de San Dracone.
— Ela esta ciente deste risco. – O homem sorriu. Seus dentes eram extremamente brancos. – Agora transmita meu recado ao Décimo Vongola: entregue a urna e os brasões assim todos nós sairemos vivos daqui.
O inimigo exigiu em voz alta para todos no ambiente pudessem escutar. Os Guardiões iriam trovejar palavrões e protestos, mais Yure ergueu o braço esquerdo na lateral do corpo pedido calma.
-Como pode ver, não estamos abertos a este tipo de negociação.
-É uma pena. – o homem fingiu estar chateado por não obter êxito no processo pacifico.
Ele arregaçou a manga da camisa social preta, exibindo um bracelete de correntes de prata. A loira sorriu e soltou os cabelos dourados, segurando a presilha dourada com pedras vermelhas na mão. Vanessa tocou no anel prateado com um longo losango amarelo.
-Romper o selo – os três disseram em uníssono.
Três luzes fortíssimas clarearam o ambiente. Yure manteve a expressão rígida, mas os Vongola olharam a cena estarrecidos.
-Eles também podem manipular Chamas?! Muito louco!!! – a euforia de Kiba durou pouco, até Karoline lhe meter mais um cascudo na cabeça. O espadachim ganiu de dor e massageou o local atingido. — Ta, ta, que seja. Mas aposto que vocês também estão surpresos!
-Na verdade, não. – Zatch sorriu de forma sarcástica, enquanto o Guardião da Tempestade fez uma careta. Mas depois o estrategista ficou sério. – O que me impressiona é eles também possuírem armas seladas!
-Muita coisa mudou em três anos... – Ricardo refletiu.
-Essa não é à hora, Guardiões. Quero todos alertas. – repreendeu Dudu.
As luzes diminuíram, se focando em pontos específicos.
-Daniela, Sentinela da Tempestade. – A loira sorriu e fez uma mesura com a barra do vestido. Enroscado no seu braço esquerdo, havia uma comprida cobra naja encarando os oponentes. Suas escamas vermelhas vinho reluziam a luz, o símbolo de uma flor-de-lis prateada na parte de trás da cabeça. O chocalho da cauda tremulava de um lado para o outro em uma dança hipnótica, os olhos cor de âmbar cintilando com a vontade de matar.
-Vanessa, Sentinela do Sol. – a morena disse as palavras com uma convicção monótona, enquanto segurava no colo um pequeno guaxinim. Seus pelos eram dourados com listras negras e suas orelhas triangulares estavam eretas. Os olhinhos redondos tinham um ar de curiosidade, totalmente inofensivo.
-Slan, Sentinela do Trovão. – o homem finalizou as apresentações. Atrás de si, um imenso rinoceronte batia os cascos no chão, bufando. Parecia estar revestido de uma armadura cinza escura, dois chifres de tamanhos diferentes afiados na frente. No lado direito do dorso tinha a mesma marca de flor-de-lis queimada em negro.
Yure finalmente se manifestou, em um sorriso.
-Fico feliz em conhecê-los... Então também vou me apresentar. – ele tirou a parte de cima do paletó e o chapéu, deixando-os no chão. Apenas com a camisa e a gravata na parte superior era possíveis ver um segundo coldre maior, preso na parte de trás das costas. O hitman afrouxou a gravata e arregaçou as mangas, deixando escapar do bolso à corrente que prendia o chocalho amarelo. Por fim retirou a arma que ainda mantinha presa: uma escopeta de cano serrado duplo, de calibre 12. – sou Yure, Sucessor da Marca do Sol.
Os três inimigos se entreolharam atônitos. Sem duvida eles sabiam o que significava ser um Sucessor.
-Você fala de leis e tratados, mas não os cumpre! Sabe muito bem que toda sua Ordem tem que se manter neutra quando a confrontos entre famílias! – Daniela acusou, a cobra mostrando os presas gêmeas.
-E também somos instruídos a combater qualquer tipo de injustiça! – Yure rebateu entre dentes, apontando as duas armas para os inimigos. – Vocês estão atacando os Vongola sem darem ao menos chance deles se defenderem. Serei a linha de defesa pelo tempo necessário até eles se reagruparem.
-Que assim seja... Espero que o Conselho nos perdoe por matar um Sucessor. – Suspirou Slan, enquanto Vanessa arqueou as duas sobrancelhas. Agora a situação parecia mais interessante para ela.
Eles foram os primeiros a se movimentar. O rinoceronte bufou e se transformou em uma imensa lança de justa, a ponta extremamente pontuda e reluzente, enquanto duas faixas verdes se prendiam a uma argola na ponta do cabo. O homem correu em direção ao Sucessor e saltou, tentando lhe ferir com uma estocada. O impacto jogou mais pedaços de concreto para os lados, sem atingir Yure.
Ele havia desaparecido.
Os olhos negros do Sentinela procuraram por traços do oponente sem sucesso, até ele ouvir um clique surdo atrás de suas costas. Virou o rosto, mais era tarde demais.
-Ingênuo. – de alguma forma o Sucessor tinha se materializado ali, apontando a arma de cano duplo engatilhada contra as costas do inimigo
O disparo foi fulminante, um raio dourado de grosso calibre, e arremessou o outro homem contra uma das paredes do galpão a vários metros de distancia. Uma fina linha de fumaça saiu dos canos em riste, enquanto todos os presentes testemunharam o contra-ataque sem conseguir acreditar.
-Então esse é o nível de luta dos Sucessores... Foi tão rápido que eu nem consegui acompanhar. – Murmurou Gobel, assombrado.
-Como aquele bastardo conseguiu?! – Daniela rosnou cheia de raiva.
-Olhe com atenção... – Vanessa condensou o guaxinim em energia, transformando-o em uma imensa corrente com um lampião dourado e hexagonal, cheio de símbolos nos vidros escurecidos.
-As pernas dele...? – a loira se virou para a companheira.
De fato havia uma leve aura em volta das pernas do rapaz, com leves manchas bronze. Na ponta de cada sapato, haviam garras quase invisíveis.
-Parecem garras de um animal selvagem...- Kiba segurou o queixo com uma mão, perplexo.
— O nome da técnica é Transfiguração Reversa, é o caminho contrario das armas seladas. Ao invés de condensar a essência da Chama para fora do corpo, a técnica consiste em colocar suas características em pratica nos próprios membros do usuário. Em suma, a própria pessoa se torna a arma.
Todos se viraram e escutaram atentamente a explicação do Guardião da Chuva. Yure apontou a pistola, o cano da arma brilhando com a Chama do Sol.
-Última chance, meninas. Não tenho nada contra vocês. Peguem seu companheiro e dêem o fora daqui...
-Não fale como se tivesse o controle da situação, Sucessor do Sol. O embate só esta começando... – A naja da Tempestade chiou, apertando-se mais forte ao braço de Daniela, e mudou de forma. Tornou-se uma besta, um pequeno arco curvo em cada lateral, com a forma da serpente. A cabeça era o corpo principal da arma, com a calda circulado o braço esquerdo da mulher. Duas pequenas lâminas prateadas ficaram semi-escondidas na parte dianteira, talvez para possíveis combates corpo-a-corpo. Daniela estendeu o braço com a arma, o segurando com a mão direita, a boca da cobra abrindo uma fresta. – Agulhas Escarlates!!!
Uma chuva de finos projéteis riscaram o ar e voaram na direção de Yure. Ele saltou velozmente para o lado, como se não tivesse peso nenhum. A pistola disparou quatro vezes na direção das duas, os tiros em forma de feixes de luz.
A loira saltou para trás, enquanto Vanessa repeliu o ataque com a corrente da arma. Os riscos vermelhos voaram em direção a família, que foram obrigados a se jogarem no chão para não receberem danos severos.
-Ele é muito rápido, como pode?! – Daniela berrou exasperada sem parar a artilharia rápida. Mas por mais que ela mira-se, Yure sempre estava um passo a frente e escapava por um triz. Era como uma sombra: rápido e fugaz.
-É a ativação do Sol. Ele esta intensificando seu atributo mais forte, no caso a velocidade. Isso o torna muito mais veloz que um humano comum. Não conseguiremos acertá-lo nesse ritmo. Precisamos de um plano. – o lampião tremulava como um pêndulo, enquanto a Sentinela do Sol falava.
Daniela assentiu com a cabeça e as duas se separaram, uma indo para cada lado, enquanto os tiros ricocheteavam para todos os lados. Vanessa girou a corrente e arremessou o objeto metálico contra o Sucessor. Yure deu três passadas para trás, quando sentiu uma movimentação atrás de si. Se virou a tempo de evitar outra estocada do Sentinela do Trovão, defendendo o ataque com o cano da escopeta.
Slan estava com a camisa toda esfarrapada na parte das costas, diversos escoriações nos braços e os olhos negros cheios de ódio. Yure forçou o corpo para frente e abriu uma brecha na defesa do oponente, atirando quatro vezes, no torso. O homem foi arremessado para trás com marcas de queimaduras fortes em sua extensão.
A loira olhava o Sucessor procurando pontos fracos, sem sucesso nenhum. Ele confirmava que a Ordem era composta por pessoas excepcionais, de habilidades únicas. Como iria derrotá-lo? Os olhos dela procuravam o ambiente e então um sorriso diabólico curvou-se em seus lábios delicados.
Daniela estendeu o braço e mandou mais uma leva de agulhas de energia, mais desta vez o alvo não era Yure. A família Vongola foi pega de surpresa, Sendo obrigada a se proteger como podiam. Gobel se levantou e liberou a Chama verde-esmeralda do Trovão na forma de uma pequena explosão, absorvendo parte do impacto. Algumas delas conseguiram passar pela explosão, e Kiba foi pego, ficando com uma no braço.
-Aniki! – Karoline dobrou os joelhos e se curvou ao lado do espadachim, que havia se agachado após receber o golpe. Havia criado um rasgo na manga do braço direito, como se um ferro em brasa tivesse passado por ali. – Você esta bem?!
-Só foi um arranhão... – ele fez uma careta e olhou para o Guardião do Trovão. Gobel também estava caído e arfando, cansado pelo esforço repentino e desenfreado.
Yure observou aquilo estarrecido, como se tivesse observando uma blasfêmia. A loira virou o rosto com uma expressão radiante, como quem tivesse ganhado um super-presente.
-Opa... Meu dedo escorregou.
-Maldita! O que você pensa que esta fazendo?!
-Ah... Matando seus amigos? Mudança de forma. – a besta começou a brilhar e a se modificar novamente. A boca da serpente se escancarou e um grosso cano cromado se projetou para fora. Só pela aparência, era possível ver que o poder bélico havia aumentado drasticamente. O arco da besta tinha desaparecido, deixando a superfície lateral lisa. – Canhão Escarlate!!!
A chama da Tempestade foi se canalizando e condensando no fundo do calibre, brilhando intensamente. Gobel se levantou com dificuldade, ciente que era a única linha de defesa que os companheiros possuíam e começou a liberar sua Chama do Trovão na forma de aura em volta do corpo. Suou frio, ao ver que não conseguia fazer uma defesa eficiente.
A rajada rubra foi disparada do então, em larga escala e na forma de espiral, tendo como alvo a família Vongola. Todos esperaram o impacto fulminante até que, em u piscar de olhos, o Sucessor do Sol havia se projetado entre a família e o ataque.
-Yure!!! – Dudu gritou, acompanhando dos olhares apreensivos dos guardiões.
O disparo da escopeta foi igualmente gigantesco e de um dourado radiante. As chamas se chocaram, criando um imenso clarão momentâneo. A pressão do impacto causou uma forte rajada de vento, obrigando os outros presentes a se forçar, a ficar de pé no solo. Os segundos pareceram durar uma eternidade.
As duas Chamas se extinguiram. Os guardiões se entreolharam perguntando-se o eu havia ocorrido, afinal nem o Sucessor nem a Sentinela se mexiam. Mas a loira tinha um sorriso de triunfo nos lábios.
-Acho que não sou o ingênuo por aqui, Sucessor. – Slan apertou os dedos em torno da lança, encarando o inimigo com cinismo. Caminhou alguns passos, com dificuldade devido aos ferimentos, e ficou ao lado de Daniela. Um silencio mortal pairou sob o ambiente.
-Eduardo... – A voz de Yure trovejou e o Décimo Vongola arregalou os olhoas, estático. – Nunca esqueça da primeira lição que eu lhe dei...
O Sucessor virou o tronco parcialmente, arrancando um berro de exclamação de Ricardo. As duas lâminas da Naja da Tempestade haviam sido cravadas no corpo do rapaz de cabelos escuros, no lado esquerdo e na extremidade do ombro direito. O sangue ia lentamente tingindo a camisa de vermelho.
-Yure!!! – Karoline e o pugilista do Sol berraram ao mesmo tempo. Dudu correu, assim que a paralisia nas pernas terminou, e segurou o corpo do mentor antes que ele desmoronasse no chão. O chefe ficou agachado, enquanto entendia as pernas do ferido. As mãos do Sucessor ainda seguravam as armas de fogo febrilmente.
-Resista!!! Resista Yure!!! Você não pode tombar aqui!
O mentor encarou o chefe com um sorriso de escárnio, um pequeno filete rubro escorrendo de seus lábios.
-Você sempre foi um coração de manteiga... Dudu-vagal...
E com um ultimo fôlego, canalizou o resto de chama de Sol na escopeta e atirou. A urna nem se mexeu, mesmo recebendo todo o impacto. Yure então se entregou, deixando as armas escorregarem de suas mãos frouxas.
A risada cruel de Daniela foi ouvida mais uma vez no ambiente. O chefe Vongola voltou a face para o trio. Podia sentir sua chama se inflamar pelo ódio.
-A primeira lição que você me ensinou, Yure: proteger a família a qualquer custo.
Ouve um clique surdo, quase imperceptível.
Uma barreira de chamas elevou-se, vindo de uma gigantesca fissura no chão, ficando entre a família e os agressores.
Era hora do contra-ataque.
Fale com o autor