Between the Woods
4 As pessoas tem que parar de adorar o queijo, é sério.
Notas iniciais
Nada de sonhos estranhos desta vez, apenas uma noite muito bem dormida.
Acordei com o sol a bater em meu rosto. Era quente e agradável, eu não sentia nenhuma vontade de sair da cama.
Eu ainda estava com a mesma roupa de ontem, e com aquele mesmo casaco de lã verde. Eu demorei alguns segundos para lembrar todos os pormenores do meu encontro no dia anterior. A caminhada, a cascata, o susto em que eu quase morri, e o Nate...
Quando ia começar a me psicanalisar eu ouço minha mãe a gritar o meu nome lá de baixo. Apenas coloquei minhas botas e desci.
Minha mãe estava com sua roupa de costume, jeans azul claro, uma camisa branca e um casaco roxo por cima.
—Onde estiveste ontem? – Ela perguntou enquanto preparava o café da manhã com as poucas coisas que trouxemos da viagem.
Eu expliquei para ela tudo oque aconteceu. Desde quando eu saí até quando eu quase morri congelado, se não fosse por Nate.
Ela parou e refletiu sobre oque eu disse.
— Ok. Da próxima vez tente levar um casaco. – Ele disse calmamente.
Eu sinceramente estava á espera de qualquer sermão, ou lição de moral em que ia acabar em como eu não deveria usar drogas. É sempre a mesma coisa. Talvez esse lugar a tenha deixado um pouco mais tranquila e menos paranoica.
— Eu vou ver se aquele carro está em condições para se usar, e depois temos de ir á cidade comprar comida e mais algumas coisas. Depois eu quero passar na sua escola para confirmar sua matrícula. – Ela começou a dizer. Eu sinceramente não estava com paciência para sair de lá. Eu havia acabado de chegar! Eu precisava do meu sono de beleza. E, além disso, não estava nem um pouco a fim de visitar minha nova escola, afinal, quem sabe que tipos de criaturas habitam aquele lugar nefasto?
Tomei meu café da manhã, apenas um suco de caixinha e duas barras de cereais, enquanto ouvia notícias pelo rádio. Nevascas, estradas interditadas, pessoas desaparecidas e todo o tipo de notícia deste gênero.
Estava realmente mais frio. As janelas da casa estavam embaçadas e a neve caía lá fora. Isso é estranho, nevascas não acontecem simplesmente do nada, eu acho.
Eu termino de tomar meu luxuoso café e vou tomar banho. Apenas espero que a água esteja quente o suficiente para eu não virar um bloco de gelo Ask.
Enquanto tomava banho, minha mãe estava lá fora, checando o carro e talvez expulsando alguns roedores de sua antiga casa móvel. Por mais que eu não quisesse sair, adoraria que aquele carro estivesse em condições para andar. Eu realmente preciso de chocolate.
Depois do meu quase congelante banho, eu coloco algumas roupas limpas e quentes para sair. Pelo oque consegui escutar da minha mãe, antes de sair correndo para me trocar, foi que o carro funcionava. E talvez houvesse uma ratazana morando lá. Eu preferi não dar atenção para a segunda parte.
Depois de arrumado e seco, desço e vou lá para fora, onde minha mãe me esperava, com o carro ligado.
Era uma caminhonete vermelha, nada de especial. O interior estava inteiro, porém gasto. Mas pelo menos andava, eu espero.
Eu tranco as portas, (tinha mais medo que ursos entrassem do que ladrões.) e me dirijo para o carro.
Já vou adiantar uma coisa, a viagem não era confortável. O caminho até a estrada era extremamente irregular. Mais parecia que eu estava a andar num cavalo do que num carro. Mas pelo menos quando chegamos à estrada a situação melhorou.
A estrada era a mesma pela qual viemos, porém desta vez estava coberta de neve.
Nós fizemos a viagem em silêncio. Eu olhava para a janela e via a paisagem deslumbrante das montanhas enquanto minha mãe dirigia.
Eu podia notar a diferença nela para os dias antes de sairmos de Portland. Seu cabelo estava mais brilhante, com uma cor mais intensa. Seus olhos cor de âmbar nunca estavam parados. E parecia que ela tinha dez anos a menos, é sério. Então se querem rejuvenescer dez anos, já sabem oque fazer. Vão para um lugar inóspito e coberto de neve, cheio de árvores e habitantes que surgem do nada e adoram queijo. Super-recomendo.
Devo confessar que o encontro com Nate ainda estava na minha cabeça. Não por qualquer tipo de dúvida, ou porque eu achei estranho. Era uma memória interessante para se ter.
Demorámos uma meia hora para chegar à região urbana de Tillamook, onde as árvores perdem seus lugares por pequenos negócios e algumas casas.
Eu podia ver crianças e alguns adultos a brincar na neve. Pessoas passeando com os seus cães e vivendo suas vidas normalmente, além é claro de centenas de anúncio de queijo. Parecia interessante conviver com algumas pessoas novamente, principalmente quando elas não aparecem do nada no meio da floresta. Mas quem sou eu para reclamar? Ele me emprestou um casaco com um ótimo cheiro.
Paramos no mercado primeiro. Não era grande coisa, só alguns olhares estranhos vindos por parte das outras pessoas. Que ótima maneira de tratar os novos moradores. Compramos as coisas e saímos rápido, eu podia sentir que minha mãe se sentia incomodada com aqueles olhares.
A próxima parada: Tillamook High School, ou seja, meu pior pesadelo.
Mas por que todo esse drama por causa da escola? Vai ser divertido!
Não, não vai. Eu tenho experiência o suficiente para saber que não vai.
Na escola de Portland já era péssimo, agora imagine num lugar muito menor? E o logotipo da escola de Tillamook é “Cheesemakers”. Isso não vai dar certo. Mudar de escola nunca foi bom para mim demorava meses para eu arranjar alguma pessoa para só conversar, não é preciso dizer que eu nunca tive muitos amigos. Além de do fato de sempre que eu já não era tão excluído de tudo e as pessoas deixavam de reparar em mim eu mudava de escola e o ciclo começava de novo. Ás vezes não tão ruim e ás vezes péssimo. Então vamos apenas dizer que eu nunca tive uma experiência boa em qualquer tipo de recinto educativo.
O caminho para a escola é mais do mesmo, pessoas, neve, prédios, casas e mais carros. Não demoramos muito para chegar ao local.
O complexo escolar era realmente grande, a parte da frente era feita de vidro e cimento, com um telhado triangular e grandes jardins com árvores á frente. Não havia sinal de qualquer aluno, apenas alguns funcionários e alguns adultos.
Basicamente era um ótimo lugar para sofrer.
Deixamos o carro no estacionamento do lugar e fomos lá para dentro.
O lugar era grande por fora e maior ainda por dentro. Dirigimo-nos até a recepção, onde uma senhora estava sentada atrás do balcão.
— Olá, Boa tarde – Minha mãe a saudou.
—Olá- Ela respondeu. Sua felicidade seria contagiante, se não fosse o fato de ela parecer morta. – Em que posso ajudar? –Ela continuou.
Elas começaram a conversar enquanto eu saía de perto e começava a observar em volta.
A sala era realmente grande, o logo da escola estava pintado no chão. Alguns vasos de planta tentavam dar vida ao lugar, oque a meu ver era impossível já que as plantas pareciam ser de plástico. Mais algumas pessoas entraram na sala e esperaram minha mãe terminar de ser atendida. Eu voltei para perto do balcão.
— E qual seria o nome da senhora? – A senhora zumbi do balcão pergunta a minha mãe.
— Elisa Young. – Ela respondeu.
— E de seu filho? – Ela continua com o questionário
— Ask Young – Ela responde novamente.
A senhora meio morta do balcão parou durante um minuto e olhou para mim. Com todos estes anos de prática, já sei que ela deve estar pensando: ‘’Que raio de nome é esse?’’. Bem, eu já estava acostumado.
Ela simplesmente voltou a olhar a papelada me ignorando completamente (algo que eu também já estava acostumado).
— Bem, Senhora Young, Seu filho já está registrado. Aqui estão os horários. – Ela diz entregando alguns papéis – E a Senhora terá que assinar aqui. – Ela diz mostrando outra folha.
Ela terminou de assinar as coisas e entregou os papéis.
— Muito obrigado. — Ela diz ao receber as folhas. — As aulas começam amanhã, espero que você já esteja preparado, rapazinho- Ela disse se direcionando a mim.
— Sim, eu estou... Eu acho... –Eu digo. Eu apenas não queria continuar a conversa.
Depois de mais algumas folhas partilhadas e finalmente saímos daquele lugar.
Nós saímos pela mesma porta. Aquele lugar era realmente grande, mas mesmo assim era claustrofóbico.
Fomos até o carro e entramos. Minha mãe ficou a olhar alguns papéis.
— Precisamos comprar alguns materiais.. E depois voltamos para casa.- ela disse, ainda analisando os papéis.
Eu apenas me apoiei na janela do carro e tentei descansar, oque resultou, pois quando acordei já estava em casa.
Descarregamos o carro e levamos tudo para dentro. Sinceramente não sei como não acordei quando estávamos na estrada de terra. Depois fui fazer o óbvio. Dormir novamente.
Sinceramente todos os últimos dias de férias são péssimos e monótonos. Para ficar melhor eu só precisava sonhar com lhamas.
Fale com o autor