Between Sun & Moon
4 To The Moon And Back
Notas iniciais
Autora: Blanxe
Beta: Andréia Kennen
Par: Sasuke + Naruto
Gênero: Yaoi, Universo Alternativo, Amizade,Romance, Angst...
Sasuke estava prestes a explodir de raiva. Desde o incidente do Shopping Center, que Itachi determinara — com toda autoridade que poderia caber a um irmão neurótico -, que estava proibido de sair de casa. Era a coisa mais ridícula que já vivenciara em sua vida! Mas, de certo modo, em um aspecto tinha que concordar com o mais velho: eram muitíssimos bizarros aqueles acidentes ocorrerem ao seu redor.
O que acontecera no shopping fora noticiado em jornais e televisão. As investigações apontaram que uma das fontes de alimentação a gás havia sofrido um vazamento. O local em que estivera e onde os chiados dominaram os aparelhos televisivos, fora praticamente toda destruída.
Se não fosse pelo loiro aparecer e correr com ele para longe, teria morrido, sem dúvida alguma.
Três casualidades, assim como o loiro confirmara, antes de lhe apontar o segundo andar do shopping e a explosão acontecer.
Nas três vezes, escapara da morte e, em todas elas, aquela pessoa estava presente.
Quem era aquele garoto? Como ele conseguia prever onde e quando, aconteceriam os atentados?
E o principal: Por que o estava ajudando?
Sasuke lembrava que o loirinho dissera uma vez que o protegeria e em troca teria que lhe fazer um favor. Mas que favor seria esse?
Eram tantas dúvidas… Muita coisa o confundia, porém, pensar não diminuía a frustração de estar confinado ao lar.
Na sala ampla de decoração contemporânea, Sasuke encontrava-se em meio a mais uma discussão com seu irmão mais velho. Era noite e tentava convencê-lo que podia sair para suas baladas sem se machucar, mas Itachi insistia em dificultar. Já não havia muito que o agradava fazer, e tirar-lhe a liberdade de ir e vir o estava enlouquecendo.
- Vamos tentar de novo. – Itachi motivou, olhando para o aborrecido irmão sentado no sofá de couro preto. — Quem era aquele garoto?
Sasuke não suportava mais aquele inquérito. Todas as vezes que pedia para sair sozinho, Itachi começava com a mesma sessão de perguntas, esperando por respostas que não saberia dar, mesmo que quisesse.
- Eu vou ter que repetir quantas vezes que não sei? – retorquiu, olhando feio para o mais velho que se encontrava mexendo em sua carteira perto da extensa mesa de jantar do cômodo. — Eu não sei. Ele simplesmente surge quando eu menos espero e me ajuda a evitar esses acidentes.
Itachi o fitou, apaticamente, guardando a carteira no bolso do paletó do blazer escuro.
- Então, ele sabe quem está tentando te matar. – atestou o moreno de cabelos longos.
- Ninguém está tentando me matar, Itachi. – Sasuke rodou os olhos ante a linha de pensamento do mais velho, achando que a neurose de seu irmão estava indo longe de mais. Sendo assim, não conteve a zombaria: — Depois o irmãozinho tolo sou eu. Isso é a sua convivência com o Deidara, a loirice dele está enraizando em você.
- Quer que eu adiante o processo de assassinato? – Itachi rebateu, estreitando os olhos.
Sasuke se contraiu internamente perante o olhar do outro moreno. Apesar de nunca ter cumprido nenhuma de suas promessas no sentido de agressão, quando Itachi o fitava daquele jeito, sentia um pouco de medo e preferia não provocá-lo.
- Tá! Eu já disse o que sei, não precisa me prender em casa. – insistiu, voltando ao assunto em questão. — O loiro idiota vai aparecer e me ajudar, como vem fazendo.
Sasuke já não tinha tanta certeza sobre a sua última afirmação, mas, qualquer coisa valia para conseguir que Itachi o liberasse daquele castigo. Parecendo ler a sua mente, o mais velho meneou a mão casualmente e indagou:
- Como pode confiar tanto nele, se diz que não o conhece?
- Não confio, mas é o que ele vem fazendo. – justificou e lembrou-se da noite em que seguira o loiro até o terraço daquele prédio, pouco antes da boate em que estava pegar fogo. — Ele me disse que me protegeria.
- De quem? – o moreno ergueu uma sobrancelha e quis saber.
- Eu não sei. – Sasuke bufou, vendo que a conversa não saía do mesmo lugar. Tudo o que importava para Itachi era o garoto loiro e para si, tudo o que queria era sair. — Olha, você está conseguindo me irritar, Itachi.
O mais velho sequer deu respaldo a seu aborrecimento e como se não tivesse escutado o que disseram ou simplesmente não se importasse, virou as costas e começou a rumar para a porta.
- Se colocar os pés para fora de casa, sua morte vai ser bem mais dolorosa. – Itachi alertou e antes de alcançar a saída, avisou: — Vou sair com o Deidara e quando voltar, espero que tenha se comportado como um bom otouto.
- Vai cair na gandaia com o namorado e eu vou ficar preso?! – Sasuke se ergueu do sofá, indignado.
- Exatamente. – o moreno mais alto lançou um olhar por cima do ombro e abriu a porta. — Vá jogar guittar hero, terminar o dever de casa, falar com seus amiguinhos emos pelo telefone, ou toque uma punheta. – um sorriso oblíquo emoldurou seus lábios e antes de bater a porta atrás de si, debochou: — Divirta-se.
Sasuke fuzilou a porta com o olhar. Mas Itachi estava muito enganado se pensava que acataria aquela ordem. Já vinha tolerando aquele cárcere por tempo demais e ninguém o impediria de sair naquela noite e distrair sua cabeça como costumava usualmente fazer.
Apressou-se até o quarto, escolheu uma das roupas mais ousadas que tinha e foi tomar um banho. Se uma coisa fazia com que seus problemas se esvaíssem, essa era a noite num bom nightclub. Ajustou o corpo na calça apertada e de cintura baixa cinza-chumbo, vestiu o colete curto que deixava seu abdômen e braços nus, fechando-o com o zíper e colocou em torno do pescoço a gargantilha de couro preto que trazia pendurada o símbolo da família o qual Itachi adotara como marca reconhecida para suas criações. O cabelo optou por deixar úmidos; passou em seguida um lápis preto nos olhos, realçando ainda mais seus contornos. Na boca, como gostava, espalhou um gloss de discreta cor lavanda, sorrindo para o espelho ao se ver satisfeito com o resultado. Por fim, adicionou duas munhequeiras de couro aos pulsos, colocou as botas de estilo militar e apagou as luzes da casa antes de cair na noite.
O irmão voltaria tarde — se voltasse — da saída com o namorado. Itachi nunca se detinha aos horários quando estava junto com Deidara. Mas se ele descobrisse de sua escapada, não importaria, pois já teria se divertido mesmo.
oOo
Sentia a noite amena; as luzes dos postes iluminavam a rua praticamente deserta da área residencial, enquanto Sasuke esperava de pé na calçada. Pedira por telefone um táxi, com o intuito de chegar mais rápido a uma boate que era tão boa quanto aquela que pegara fogo, mas foi impedido quando seus olhos se chocaram com os orbes azuis do outro lado da rua.
O que ele estava fazendo ali?
O loiro permaneceu parado, não demonstrando nenhuma intenção de ir até ele ou abordá-lo de alguma maneira, mas sorriu ao perceber que Sasuke o tinha notado. Aquele sorriso fez com que um calafrio se instalasse no âmago do moreno.
Olhou para os dois lados, para garantir sua travessia em segurança, e só depois caminhou até a outra calçada. O ruído das botas em contato com o asfalto, ecoava pela rua vazia e silenciosa. Quando finalmente estava frente a frente com o garoto, não se deteve em inquirir:
- Você é algum tipo de stalker? Como é que sempre sabe como me encontrar?
O jovem deu de ombros, sem nada dizer, e Sasuke foi pego de surpresa quando o loiro se virou e começou a caminhar ao longo da calçada.
Sasuke deveria ter estranhado a atitude, mas vindo do misterioso garoto, nada parecia mesmo normal, apesar de ter notado uma certa palidez no rosto de tonalidade bronzeada.
Irritado, o moreno adiantou-se em segui-lo. Não permitiria que o outro fosse embora sem dar-lhe uma explicação concreta, dessa vez. Talvez, ele não estivesse com vontade de falar, mas sua presença ali fazia com que Sasuke temesse que um novo acidente estivesse perto de acontecer.
- Veio me salvar de novo? – perguntou, agora andando lado a lado com o menor; sua saída para a boate e o táxi que ordenara, foram completamente esquecidos.
- Seu irmão tem razão, é arriscado pra você aqui fora. – o garoto lhe disse, olhando sempre para frente. — Mas ele se engana ao achar que está te mantendo seguro lá dentro.
Sasuke franziu o cenho e imediatamente quis saber:
- Como assim? Como escutou nossa conversa?
- Gosta de caminhar, Sasuke? – o loiro perguntou com um sorriso largo, virando o rosto para fitá-lo.
- Ei, pára de fugir do assunto. – o moreno retorquiu, frustrado.
- Quem está fugindo? – o outro garoto rebateu, adquirindo uma expressão confusa.
Sasuke respirou fundo. O loiro ou estava brincando consigo ou não queria mesmo contar a verdade. Seria pedir demais por uma resposta direta? Não sabia se estava correndo perigo, nem como o jovem tomara conhecimento de sua conversa com Itachi… Por que aquele moleque era tão esquivo?
- Qual o seu nome? – indagou, observando.
Será que nem isso o garoto lhe elucidaria? Um nome? Tinham encontros e mais encontros com ele e sequer sabia como chamá-lo. Sentia falta de um nome para denominar o loiro. Mas, novamente, sua pergunta foi ignorada e meramente desviada para um ponto que, apesar de tudo, o interessou:
- Sabe, isso que está atrás de você, eu o receberia de braços abertos, mas ele não me quer, quer você.
Sasuke ficou impressionado, vendo que o loiro continuava com o semblante sereno enquanto caminhavam.
- Então, tem mesmo alguém atrás de mim? – quis confirmar.
- Não é alguém, mas algo. – o loiro o corrigiu, sorrindo. – Sua vida está por um fio, literalmente, Sasuke, e eu estou evitando que essa linha seja cortada.
- Que linha? – Sasuke piscou, confuso e depois exigiu, irritadiço: — Por que não me explica isso direito ao invés de ficar com esses enigmas idiotas?
O sorriso triplicou de tamanho quando o menor avistou algo a sua frente e apressou os passos ao ponto de Sasuke ter que dar uma curta corrida para alcançá-lo. Era uma pequena praça, onde havia um campinho de futebol, alguns poucos brinquedos para distração de crianças menores com uma caixa de areia, sendo arborizada em todo seu redor.
Para Sasuke, era difícil de entender como algo tão simples despertava tal reação do loiro, mas não o questionou, pois este só parou de caminhar quando estava em meio ao campo gramado e quando o fez, começou a observar cada detalhe com o mesmo olhar que o pegara desprevenido da primeira e segunda vez que o vira: tristeza e melancolia.
A constatação fez o coração de Sasuke se comprimir. Aquele tipo de sentimento não combinava com o garoto. Para ele, que não estava acostumado a tal tipo de sensação, começava a estranhar a si próprio. O jovem não tinha importância alguma – pelo menos não deveria ter – era somente um esquisito que surgira do nada e desde então vinha colocando sua vida de ponta a cabeça, porém, desde o primeiro encontro que sentia o magnetismo: uma atração fora do comum pelo dono dos olhos azuis.
O loiro, então, simplesmente sentou-se no gramado do campinho de futebol e deixou o corpo pesar para trás, deitando completamente sobre o manto verde. Sasuke franziu o cenho, sem saber como reagir, mas sentou-se ao lado dele, depois que o garoto começou a falar:
- Eu costumava a jogar numa praça assim, perto de onde eu moro. – os olhos azuis voltavam para o céu noturno e sorriam discretamente. – Minha mãe me levava durante a semana, e meu pai me acompanhava nos finais de semana.
Interessado pelo súbito comentário sobre a família do desconhecido, Sasuke ficou calado, esperando que o loiro prosseguisse. Talvez, se não o interrompesse ou fizesse perguntas, ele prosseguisse e lhe desse uma chance de conhecê-lo melhor.
- Sabe o que é mais triste? – ele questionou, tornando seu timbre ainda mais carregado daquele sentimento. — É que geralmente não damos valor a esses atos corriqueiros. Eles passam despercebidos, como se fossem… nada.
Pensando no que o loiro lhe falava, Sasuke mentalmente teve que concordar. O que ficara subentendido nas palavras do menor, era algo que ele próprio experimentava desde que os pais haviam morrido. Notava o quanto cada gesto fazia falta e sabia que se eles ainda estivessem vivos, esse tipo de valor jamais chegaria a sua compreensão. Passara a pensar em muitas coisas que simplesmente não havia importância de refletir e, sendo assim, boa parte de seu interesse pelas coisas se esvaíra. Bem como tudo ao seu redor se transformara em algo sem graça e desprovido de vida.
Mas isso parecia ter mudado, ou estar mudando, como a chegada dele: o loiro que se encontrava deitado no gramado, olhando para o céu como se pudesse enxergar através dele.
Ele era tão…
- Bonito.
O garoto desviou o foco de visão para fitar o moreno sentado ao seu lado e, confuso, indagou:
- O quê?
- Você. – Sasuke disse, sem qualquer vergonha de admitir o que havia escapado de seus pensamentos e acabara sendo vocalizado. — É bonito.
O loiro ficou olhando para Sasuke por um tempo, sem reação, parecendo assimilar lentamente o que fora dito, e quando entendimento lhe abateu, um sorriso pequeno brotou no canto de seus lábios e os olhos azuis voltaram a mirar o céu.
Sasuke sentiu-se tentado a perguntar novamente, quem sabe descobrir como o menor arrumara aquelas marcas nas bochechas. Eram tão simétricas que não conseguia crer que ele as tivesse adquirido em algum acidente.
A correlação o fez retornar aos seus próprios infortúnios e estes o impulsionaram a indagar:
- Vai ter algum atentado contra a minha vida hoje?
O garoto negou com a cabeça e Sasuke sentiu-se ainda mais confuso.
- Então, por que estava me esperando?
- Só queria um pouco de companhia. – o loiro replicou, dando levemente de ombro.
O ego de Sasuke inflou-se naquele instante. O garoto o procurara somente por procurar. Nenhum motivo obscuro incluso; queria apenas uma companhia e fora o escolhido para isso. Não eram amigos, colegas, nada; e ainda assim, o menor viera até si.
Portanto, concluiu que talvez — somente talvez — o loiro não quisesse conversar sobre atentados ou ser inquirido. Quem sabe, tudo o que o outro necessitasse, naquele momento, era de alguém que o escutasse.
- Já ouviu falar em acaso e determinado? – ele o questionou, repentinamente.
Sasuke pensou por um instante, buscando ligar o que o garoto lhe falara com algo que fizesse sentido para si, mas chegou à conclusão que o assunto poderia abranger um significado além de uma conotação simples.
- Existem certas coisas que não há como mudar, outras em que a oportunidade inflige essas mudanças. – sugeriu, expondo o que mais lhe parecia coerente para a pergunta feita.
O loiro assentiu com a cabeça e indagou, em seguida:
- Às vezes não sente vontade de ter o poder para mudar aquilo que não tem mais volta?
- Às vezes. – concordou, refletindo que se tivesse tal condição, jamais teria permitido que os pais saíssem de casa aquele dia. – O que você mudaria se tivesse a chance de alterar o que não tem mais volta?
- Algumas coisas, mas não há como mudar o determinado. – novamente exibiu o sorriso triste que fez o coração de Sasuke se comprimir. – Mas o acaso, esse sim deixa uma série de possibilidades de ser despertado ou detido.
- Do que está falando? – finalmente o moreno inquiriu.
- De mim… De você… — o loiro replicou e olhou para o moreno intensamente. – De nós.
Sasuke foi assolado por aquele ímpeto incomum, mediante ao que fora dito pelo garoto. Enquanto parecia significar coisa alguma, ao mesmo tempo lhe dava a sensação de fazer muito sentido; como se fosse importante o outro estar ligando a ambos na mesma linha de pensamento.
Não sabia a sexualidade do rapaz e, naquele momento, a Sasuke não importava. O que tinha importância ali era o jeito forte como seu coração batia, a forma como o loiro o fitava e a vontade de apagar a sombra de tristeza que pairava sobre o semblante deste. Todos esses fatores o levaram a inclinar a cabeça, lentamente, na direção do rosto do outro.
Esperou que ele o repelisse ou demonstrasse receio, mas este não o fez. O garoto o olhou em expectativa e Sasuke chegou à constatação que poderia passar horas só preso àquele olhar, que poderia muitas coisas sem sequer precisar tocá-lo para sentir a palpitação desenfreada contida em seu peito, mas descobriu que tudo isso seria insuficiente a partir do momento em que o loiro o tocou no rosto, acariciando sua pele alva, e deslizou os dedos para seus cabelos negros até a nuca. Numa pressão delicada, o garoto forçou sua cabeça para baixo, fazendo com que seus lábios se encontrassem.
Sasuke não teve tempo para surpreender-se ante a ação dele. O mover daquela boca na sua, o jeito que os orbes entreabertos, abaixo dos seus, o admiravam, e os dedos que se perdiam entre os fios escuros; fizeram-no corresponder, completamente cativo por aquele misterioso adolescente.
Quando suas línguas se encontraram, Sasuke teve certeza que jamais experimentara algo tão excitante e, ao mesmo tempo, tão puro. O beijo não era forçado e sim cadenciado em uma dança em que saboreavam com calma um ao outro.
Repentinamente, foi deitado no gramado, tendo o loiro invertendo as posições, onde agora era este quem se inclinava sobre si e aprofundava o beijo, fazendo ambos perceberem o gosto de uva do gloss de Sasuke se misturando a saliva.
Ele acariciou os cabelos loiros, assim como este fizera anteriormente com os seus, notando o quanto eram macios, apesar de bagunçados.
Nesse momento, o contato de suas bocas foi interrompido e Sasuke ficou encarando diretamente os olhos azuis, admirando a beleza destes.
- Esse seu olhar me dá medo. – o garoto loiro confessou, um pouco sem ar, sem desviar dos orbes escuros.
- Por quê? – Sasuke indagou, intrigado e excitado com a voz rouca do outro jovem.
- Porque eu posso me perder neles. – foi a confissão dita e que impulsionou o moreno a tomar a boca do loiro com mais demanda.
O olhar, as palavras, aquela declaração… Sasuke realmente não tinha noção do que ocorria consigo, mas nunca em sua vida fora abatido por tamanha euforia.
Queria que o beijo não se findasse nunca, que a nova e prazerosa sensação se estendesse por um período infinito, mas seu celular tocou e a insistência fez com que qualquer clima se esvaísse.
O loiro sorriu-lhe ternamente, aquecendo seu coração e permitiu que atendesse o aparelho. Para total desgosto de Sasuke, seu irmão extremamente contrariado ordenou seu retorno imediato para casa. Itachi previra suas intenções e decidira voltar para residência com Deidara, ao invés de curtir a noite na rua. O mais velho não poderia ser mais importuno. Se não quisesse passar a vergonha de ser caçado por Itachi, teria que regressar.
- Eu… — tentou se desculpar ou qualquer coisa do tipo, apenas para abrir dialogo com o outro, mas este interrompeu-o, meneando a cabeça.
- Vá, seu irmão está preocupado. – Sasuke ficou incerto fitando o loiro, e este insistiu: — Pode ir, não tem perigo.
Sasuke queria dizer que não era esse o motivo de estar hesitando e que, na verdade, o que desejava era continuar ali com ele ou chamá-lo para vir consigo, mas travou e somente assentiu.
Levantou-se, guardando o celular no bolso da calça e olhou o loiro por mais um segundo até que este desfez o contato e, permanecendo deitado no gramado, tornou a mirar o céu.
Sasuke entendeu o ato como uma indicação para que partisse. Dessa vez, era ele quem ia embora; sem respostas e invadido por uma torrente de sentimentos fortes que só lhe mostravam que, a cada passo que se distanciava da figura solitária deitada no meio daquele campo de futebol, era lá onde desejava ter ficado.
oOo
Continua...
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