Between Sun & Moon

8 Secrets of The Moon


Notas iniciais
Aviso: Capítulo sem revisão, portanto, perdoem qualquer erro que encontrarem, sim?

Estou sonhando estou sonhando estou sonhando estou sonhando…

Não ele não estava sonhando…

Era um maldito e tenebroso pesadelo!

Mas, Sasuke repetia sem parar aquele mantra, encolhido no leito, segurando sua veste hospitalar em punho no centro do peito, como se assim pudesse acalmar o pânico, almejando acordar. Queria se convencer de que estava em meio há outro sonho, que em breve iria despertar e, assustado, ver o quão patético tudo aquilo era.

Ele precisava acordar porque, senão acordasse, saberia que estava louco.

Queria falar com Itachi. Sim! Precisava conversar com o irmão mais velho. Ele lhe daria a certeza de que o que vira não passava de um surto seu, algo ocasionado por estar internado naquele hospital, ou ter batido a cabeça muito forte na hora da explosão.

Só que, não havia nenhum telefone consigo e se arriscasse a vagar pelos corredores em busca de um, temia se deparar com Naruto.

Não queria vê-lo…

— Eu disse que não ia gostar, não disse? — a voz sussurrou, chistosa, em seu ouvido, fazendo-o estremecer e os pêlos de sua nuca se eriçarem.

Sobressaltou-se, sentindo o coração acelerar de tal forma que pensou que explodiria. Imediatamente, sentando-se na cama, querendo manter o máximo de resguardo e distância do dono daquela voz, Sasuke engoliu em seco e, com os olhos negros arregalados, fitou o loiro sorridente.

Aquele sorriso, naquele momento, nada mais lhe trazia além de raiva.

— Eu quero a verdade. — exigiu, vendo que a expressão inalterada no rosto do loiro. — Agora!

O garoto deu de ombros e puxando a cadeira para perto do leito, contou:

— A verdade é que eu também preciso da sua ajuda tanto quanto você precisa da minha.

Sasuke negou com a cabeça. Naruto continuava totalmente esquivo para si. Porém, necessitava de respostas mais diretas, uma delas em especial.

— Quando isso vai acabar? Como aquele cara pode…

— As respostas você já sabe, sempre soube. — o loiro o interrompeu, fazendo borbulhar aquela ira que vinha crescendo em Sasuke, por sempre ter os seus questionamentos evadidos.

— Eu não sei de nada! NADA! — explodiu sem se importar com o local em que estavam ou se alguém viria lhe repreender. — Você… A culpa é sua, não é? Tudo isso é uma peça, uma ilusão que você de alguma forma enfiou na minha cabeça. Confessa!

O que esbravejava não fazia sentindo, entretanto, o que mais poderia fazer àquela altura dos acontecimentos? Ao ver Naruto desviar o olhar para o chão e seu sorriso antes trocista se transformar em pesaroso, Sasuke sentiu um pouco de sua indignação se esvair.

— Você tem razão de se zangar… — o garoto confessou, com a voz levemente triste. — Mas eu só estou tentando te ajudar, Sasuke.

— Então, por que não ajuda? — perguntou, abalado, fechando os punhos sobre o lençol esverdeado da cama hospitalar.

— Estou fazendo o que posso. — murmurou o loiro. — Mas não depende muito de mim.

Sasuke pensou que se talvez se aproveitasse daquele momento, Naruto confessaria o que desejava saber, por isso, tomou coragem, chegou mais para a beirada da cama e pegou na mão do outro garoto.

— Por favor… — pediu, solicito. — Me conte a verdade.

Os olhos azuis se prenderam aos seus negros e Sasuke sentiu a respiração falhar. Aquele não era o momento para pensar em algo do tipo, mas… O azul dos olhos de Naruto era de tirar o fôlego e fazia outro sentimento percorrer seu peito, sobrepujando o inconformismo e a raiva que o loiro lhe causara.

— Você se lembra quando nossos olhos se conectaram pela primeira vez? — Naruto indagou, sustentando o olhar do moreno.

Sasuke franziu o cenho, confundindo os pensamentos, enquanto desviava o olhar para os lábios do outro adolescente.

— O que isso interessa?

— Lembra, Sasuke? — Naruto insistiu, apertando com mais força a sua mão, chamando a sua atenção.

O moreno balançou a cabeça, querendo ir contra a súbita atração que sentia e forçou a se recordar, dizendo em seguida:

— No parque.

— Milésimos de segundos antes do impacto. — Naruto o corrigiu.

Dessa vez, Sasuke voltou sua atenção completamente para o que o loiro dizia e a incompreensão mostrou-se nítida no vinco entre suas sobrancelhas escuras.

— I-impacto?

— Exatos milésimos de segundos antes do impacto. — Naruto confirmou, tocando o rosto de Sasuke com a mão livre e observando com certo deslumbramento o contato e contraste de sua palma bronzeada com a pele alva do moreno. — Você ficou assustado e eu ainda pude escutar seu grito tentando alertar seu pai.

O carinho em sua face parecia proposital, como se fosse feito para distraí-lo. Sasuke demorou a raciocinar, com vontade apenas de sentir mais do toque morno de Naruto, mas esforçou-se, até que finalmente indagou:

— De que impacto está falando?

Naruto não respondeu. Ficou calado e a tensão pairou sobre ambos, principalmente sobre Sasuke, que não sabia como interpretar os gestos e o que havia sido dito pelo outro. Mas o jeito como ele continuava acariciando-o, era bom; a forma como ele o olhava, era intensa e, ao mesmo tempo, reservada.

Ele quase seria capaz de esquecer o que acontecera e acontecia ao seu redor…

Quase.

— Eu não consigo sozinho, Sasuke. — o loiro quebrou, enfim, o silêncio. — Não sou páreo pra você.

— Do que está falando? — perguntou, mais uma vez, sendo tomado por uma discreta aflição.

— Você viu. — Naruto atestou. — No quarto.

Imediatamente, Sasuke se encolheu, afastando-se do toque do garoto, sendo obrigado a se lembrar do que vira naquela UTI.

— Aquilo foi uma alucinação! — retorquiu, bravo novamente.

— Aquilo é a verdade. — Naruto afirmou, com o semblante endurecido e recolhendo as mãos, incomodado com o distanciamento do moreno. — Uma verdade que eu ainda estou tentando reverter.

Dando um passo para trás, Naruto se afastou, permitindo que um sorriso adornasse o canto de seus lábios.

— O tempo não é seu amigo, Sasuke. — ele disse dando outra passada e, enfim, virou-se caminhando para fora do quarto.

— Naruto. — o Uchiha chamou, subitamente tomando consciência de que queria que o loiro ficasse, que não o deixasse sozinho. Entretanto, o garoto não parou; cruzou a porta, sem olhar de volta e virou o corredor, desaparecendo de seu campo de visão. — Naruto!

Não adiantou gritar, pois ele não retornou.

oOo

Sasuke sabia que faltavam poucas horas para o amanhecer; sabia que com o novo dia, viria Itachi e ele iria embora do hospital. Mas também sabia que não poderia simplesmente ir embora e ignorar o que estava deixando para trás:

A verdade.

A verdade era que se virasse as costas e fosse embora, Sasuke tinha certeza que nada se resolveria.

Um ciclo — como Naruto dissera — Continuaria num ciclo.

Por mais que o aterrorizasse, precisava colocar um fim naquilo.

Com a mente agitada, sempre voltando à imagem daquela pessoa, Sasuke levantou-se e saiu do leito hospitalar. Seus pés tocaram o piso gelado, fazendo o frio subir por seu corpo.

O medo não lhe abandonava um só instante; medo de confirmar que estava errado e que, de fato, aquela pessoa internada era real.

Engoliu em seco e, determinado, caminhou para fora do quarto. O silêncio dentro do hospital era sepulcral. Passou furtivamente pelos corredores até as escadas, embora parecesse que o prédio estava completamente abandonado. Nenhuma viva-alma transitava, ninguém à vista para censurá-lo e forçá-lo a voltar para seu leito.

Subiu rapidamente os degraus, lances de escadas após lances de escadas até chegar ao andar que Naruto havia lhe levado. O corredor estava tão vazio e frio quanto os de onde ficava seu quarto. Respirando fundo, Sasuke continuou com sua meta até estar perante a porta daquela UTI.

Seus punhos fecharam automaticamente e seus dentes trincaram em seu lábio inferior, enquanto vacilava a tomar o próximo passo.

Vamos, Sasuke. — ordenava a si mesmo. — Deixe de ser covarde e abra a merda dessa porta.

Com a mão estremecida, segurou na maçaneta e, de olhos fechados, a girou ouvindo o leve barulho da mesma se abrindo.

Quando tornou a abrir os orbes ônix, viu apenas o brilho dos aparelhos que monitoravam a pessoa deitada na cama.

O quarto estava imerso na penumbra.

— Você precisa fazer isso. — disse baixinho e adentrou o ambiente, procurando pelo interruptor na parede, até encontrá-lo e ligá-lo.

A luz branca inundou o cômodo, ofuscando Sasuke brevemente. Assim que conseguiu manter os olhos abertos normalmente, fixou-se no enfermo.

Continuava na mesma posição, inerte, parecendo um manequim desbotado.

O Uchiha comediu seus passos e aproximou-se dele e chegou à conclusão de que sentia falto do calor em sua mão.

Sentia falta de Naruto ali ao seu lado, da palma dele na sua, da presença que tentava lhe transmitir segurança.

Gostaria de ter sido menos estúpido e não fugido da primeira vez. Teria sentindo aquele calor por mais tempo e, quem sabe, o loiro pudesse ter falado mais antes de ir embora.

Agora Sasuke estava sozinho para lidar com tudo aquilo.

Com ele.

Sem tocar o convalescente, Sasuke foi até o pé da cama e do suporte no espelho puxou a ficha médica que ali ficava disposta.

Data de admissão, nome, tipo sanguíneo, medicamentos…

— Você entende agora?

O calafrio fez com que girasse nos calcanhares rapidamente e, apesar do susto, ficou aliviado em ver que ele continuava consigo.

— Não. — confessou ao loiro que o olhava com especulação. — Me diga o que aconteceu.

— Você precisa descobrir, Sasuke. — o loiro lhe falou. — Sozinho.

— Besteira. — Sasuke rebateu, esforçando-se para manter a calma e recolocando a ficha médica de volta no lugar.

— Besteira seria você se negar a acreditar e se trancar nessa mentira de novo.

Que mentira? Sasuke não sabia mais o que era mentira ou verdade. Seus olhos recaíram sobre a pessoa desacordada e pensou na bizarra situação que via. Mais real do que aquilo, seria impossível. Mas, se aquele ali no leito era real, então…

— O que eu sou? — o moreno perguntou, sem desviando os olhos para o outro garoto.

— Você é Sasuke. — Naruto sorriu da maneira que o vira pela primeira vez, no parque, fazendo o coração de Sasuke falhar uma batida.

Tinha vontade de perguntar quem era Naruto, mas desconfiava que não obteria respostas. Percebeu então que ele o distraía; sempre que queria se focar em algo importante, ele desviava sua atenção, com aquele sorriso, com aqueles olhos…

Balançou a cabeça querendo afastar os pensamentos que se reclinavam para os sentimentos intensos que vinha adquirindo por aquele desconhecido.

— Por que disse só mais alguns dias? — perguntou, querendo manter a razão.

— Por que é o tempo que preciso pra fazê-lo compreender, sem perdê-lo de vez.

Havia distinta sinceridade nos olhos azuis; sinceridade esta que conquistara ainda mais Sasuke. Não precisava confundir ainda mais as coisas, mas via-se incapaz de negar o que estava sentindo por Naruto.

— Me conte. — pediu, solicito. — Me diga o que aconteceu e como posso fazer pra mudar isso.

— Você já sabe o que aconteceu. Só precisa aceitar.

Sendo invadido por aquela ebulição de inconformismo ao ter novamente Naruto hesitando invés de dizer logo o que precisava saber, Sasuke lutou contra seus instintos de explodir e demandar explicações. Parecia que isso não adiantava muito com o loiro.

Por isso, baixou o olhar para o chão e tentou usar do que o loiro lhe falava. Buscar em seu raciocínio algo que ligasse, que lhe confirmasse que já sabia o que havia ocorrido. Procurava pelas conversas, tudo o que Naruto já lhe dissera em seus jogos de palavras sem sentido; a última conversa que tiveram antes de chegarem ali, naquele quarto.

Onde haviam se conhecido, senão no parque?

O flash da imagem do rosto de Naruto, dos olhos vazios parando em meio à rua e olhando na direção do carro que em velocidade alta iria colidir com ele.

— Foi o acidente… — murmurou quase que instantaneamente e, quando percebeu, seus olhos se arregalaram. — Não pode ser…

Uma leve sensação de tontura o assolou, seu corpo vacilou e o bipar do aparelho junto ao leito começou a ser emitido em um oscilar mais frequente.

— Teme, fique comigo! — urgiu Naruto, indo imediatamente até o moreno, segurando-o pelos braços. — Escute. É a minha única chance de me redimir.

Olhou para o rosto bonito o loiro, fitando-o de maneira desolada, enquanto negava com a cabeça.

— Mas não tem lógica, dobe.

O barulho da máquina se tornou mais alto, mais rápido, mais frenético e os olhos azuis tomaram uma tonalidade mais obscurecida; o semblante outrora despreocupado ganhou nuances endurecidas, como se uma nova resolução tivesse sido decidida ao passo que um tremor começava a atingir Sasuke.

— Eu fui o culpado pelo acidente que tirou a vida dos seus pais. — Naruto confessou, enquanto o moreno desviava o olhar para verificar ao seu redor e finalmente percebia que não era seu corpo que reagia contrariamente às descobertas; a tontura e o tremor vinham do quarto: aquele quarto estava tremendo.

Naruto apertou seus braços com força, o sacudindo e sibilou:

— Sasuke! Você tem que me escutar. — o moreno voltou imediatamente a fitar o loiro. — Lembra de como me olhou? Lembra que estava naquele carro também?

O beep se transformara num apito ininterrupto, um guinchado quase sobrenatural que penetrava seus ouvidos ameaçando ensurdecê-lo. O quarto era abalado pelo terremoto. Sim, Sasuke só podia definir aquilo como um terremoto, pois começava a ficar mais intenso à medida que sua mente cogitava uma resposta para dar a Naruto.

— Não. — replicou amedrontado, seu corpo, juntamente com o do outro rapaz ameaçando perder consequentemente o equilíbrio.

— Você precisa, teme! — gritou Naruto, fazendo a voz a sobrepujar o ruído ensurdecedor do aparelho. — Precisa antes que seja tarde!

Sasuke vislumbrou a porta do quarto ser aberta de supetão, sem ninguém entrar, mas, como se estivesse à distância, conseguia ouvir passos ali dentro.

— Isso é loucura. — fixou seus olhos aos de Naruto, vendo uma súplica muda, mas não podia aceitar o que ele dizia. — Eu nunca estive naquele acidente, eu nunca…

— Seu subconsciente criou todos esses sinais para que não tivesse que enfrentar a realidade. — o garoto disse afoitamente. — Você escuta os chiados sempre que seu corpo está pra entrar em colapso; você passa por situações de extremo perigo todas as vezes que está a um passo de perder sua vida, mas não aqui, nesse mundinho particular que você criou, mas ali, naquela cama de hospital. — finalizou apontando na direção do leito.

Sasuke olhou para a figura que agora convulsionava na cama. Era impossível negar quem era; era impossível de não se reconhecer no enfermo. E, enquanto toda a verdade parecia ser reavivada em sua mente, a negação queria suplantar o que era real e o que era uma mera versão distorcida de uma vida que jamais vivera.

— Sasuke!

Era a voz de seu irmão que havia escutado?

Olhou na direção da porta, mas se assustou ao ver que o quarto começava a colapsar.

Naruto puxou-o para fora do local, segurando tão firme em seu pulso que Sasuke, sabendo como seu corpo marcava fácil, previa ficar com um hematoma horroroso depois de algumas horas.

Mas, ficaria mesmo?

Se aquilo não fosse mesmo real. Então, nenhum hematoma mancharia a pele alva de seu pulso. Por isso, mesmo em meio à fuga e ao prédio que sacolejava e desafiava seu equilíbrio enquanto era praticamente arrastado por Naruto, Sasuke indagou:

— Se tudo o que diz é verdade; se eu estou mesmo preso dentro da minha mente por causa do acidente; se você o provocou… como consegue me ajudar?

Queria entender. Evocando as lembranças que compartilhara de Naruto, queria saber como daquele acidente tenebroso o loiro escapara; como sabia que ele estava naquela situação; como era capaz de alcançá-lo daquele jeito?

— Coisa de olhar. — Naruto ironizou, rindo, enquanto abria a porta da saída de emergência do andar e brincou: — Vai ver que foi amor à primeira vista.

Abruptamente, Sasuke parou, causando um solavanco em Naruto que foi obrigado a parar também. Viu o loiro olhá-lo com curiosidade, enquanto ambos seguravam em um dos corrimões do vão da escadaria para não acabarem caindo e, antes que o garoto de olhos azuis pudesse vocalizar qualquer coisa, questionou, seriamente:

— Se eu sair daqui… se eu voltar… vou vê-lo de novo?

Naruto o fitou, ficando inexpressivo repentinamente. Aquela reação causou um aperto no âmago de Sasuke.

— Vai. — Naruto respondeu, diretamente o olhando nos olhos.

— Não está mentindo? — Sasuke quis garantir e ficou aliviado ao ver o sorriso moldar-se no rosto do outro.

— Eu não posso mentir. — Naruto lhe disse.

Sasuke não sabia o que aquilo significava, mas naquele momento nada importava. Nem a pessoa naquela cama de UTI, nem o ruído ensurdecedor que anunciava sua possível morte e que deixara para trás; não importava o prédio caindo ao seu redor, o tremor violento que ameaçava jogá-los no chão caso não segurassem o bendito corrimão.

Não era real.

Era apenas ele, dentro de sua mente, lutando contra si mesmo.

Mas, confiava que agora ficaria tudo bem; que se saísse daquele cárcere particular que o protegia do que quer de ruim que o esperasse quando abrisse os olhos, por mais que fosse doloroso, ele superaria.

Se Naruto estivesse lá, tudo ficaria bem.

Nem sabia por que estava acreditando em toda aquela baboseira, mas parecia o mais razoável a se fazer já que não existia qualquer normalidade naquilo que vinha enfrentando e talvez, quem sabe, fosse verdadeiramente a solução.

Antes que pudesse sorrir ante ao pensamento, já estava sendo puxado por um Naruto apressado, escada abaixo. Infelizmente, algo estava estranho. Seu pulso se tornou escorregadio à pegada do loiro e a mão dele escapuliu, separando-os.

— Naruto?

Sentiu que dessa vez era mesmo seu corpo que tremia, que suas pernas fraquejavam e que seu eu inteiro parecia entrar numa anestesia letárgica.

— Sasuke!

Assim que seu corpo desabou, Naruto o amparou e, por um momento, temeu ser tarde demais para sobreviver ou apenas querer viver de novo.

— O que está acontecendo? — com a voz grogue, perguntou o moreno.

Naruto o olhou incerto e somente pediu:

— Eu preciso que faça uma coisa pra mim, teme.

Aquele idiota estava mesmo lhe fazendo requisições numa situação daquelas? Encontrava-se provavelmente morrendo e ele queria lhe pedir que fizesse algo?

— Dobe, eu to…

— Escuta! — ordenou, tocando a palma da mão no rosto pálido. — Eu só preciso que faça esse favor pra mim. Lembra que eu disse que salvaria a sua vida, mas queria que fizesse algo em troca?

Sasuke tentou lhe dedicar uma careta de reprovação, mas falhou miseravelmente. Porém, apesar da letargia, sentia que o prédio não mais sacudia e que a apreensão de Naruto estava voltada para qualquer outra questão, menos a de salvar a sua vida naquele instante.

Assentiu à pergunta feita, porque ele se lembrava bem da barganha que Naruto lhe oferecera sem ele — Sasuke — concordar.

Naruto respirou fundo e disse:

— Pois eu vou te dizer exatamente o que quero que faça.

oOo

Continua...