Between Sun & Moon

9 Secrets Of The Sun


Notas iniciais
Autora: Blanxe Beta: Andréia Kennen Par: Sasuke + Naruto Gênero: Yaoi, Universo Alternativo, Amizade,Romance, Angst...

Quando Sasuke abriu os olhos pela primeira vez, a sensação que teve foi exatamente a de estar despertando de um sono profundo. As coisas ao seu redor eram desconhecidas, as pessoas que o rodeavam eram estranhas, mas pareciam surpresas e aliviadas em suas expressões. Um deles lhe fazia perguntas que ainda não conseguia responder, ou assimilar de imediato. Sua mente parecia não estar reagindo apropriadamente, mas não demorou muito para que compreendesse que estava em um hospital.

Constatou que seu peito doía imensamente e um tubo incomodava sua garganta. Imagens, barulho do apito do monitor cardíaco e médicos invadindo o quarto lhe retornaram a memória. Aquilo que vivera em sua mente se perdendo e fazendo-o ficar confuso sobre tudo ter sido mesmo um mero sonho.

Depois que certificaram que estava bem e retiraram a obstrução de sua garganta, foi explicado exatamente o que havia ocorrido: sobre o acidente, sobre estar em coma, sobre como estivera à beira da morte.

Sasuke sabia de tudo aquilo, não era necessário que contassem.

Já haviam lhe informado sua situação.

Permitiram que Itachi entrasse no quarto e os deixaram a sós. O irmão parecia ter envelhecido anos e, ainda assim, a felicidade que via no rosto do mais velho era algo que suprimia qualquer constatação.

Itachi não era de sorrir daquele jeito, comumente.

Já vira emoção similar nele em seus sonhos. Já o vira se preocupar e se emocionar depois do acidente com o estouro do gás em sua casa. Mas aquilo fora meramente um sonho, não ocorrera de verdade. Ainda assim, era praticamente a mesma feição que encarava agora, só que multiplicada várias vezes.

— Eu pensei que ia perdê-lo também, otouto. — Itachi confessou, com a voz de alguém muito cansado.

Mesmo sem o tubo, Sasuke ainda não conseguia falar. Qualquer tentativa era falha, sua voz não saía, parecia tomado por uma rouquidão profunda que roubara o som de suas cordas vocais. O médico lhe avisara que era passageiro e, só por isso, se acalmara.

Apertou a mão do irmão e forçou um sorriso para assegurar-lhe que estava tudo bem, que fez Itachi retribuir.

— Seu médico disse que se continuar reagindo bem, poderá voltar para casa em breve. — Itachi informou. — Parece que terá que continuar com acompanhamento profissional e fazer sessões de fisioterapia para ganhar novamente coordenação pra andar.

Ir para casa seria ótimo. O hospital estava deixando-o com um sentimento opressivo. Como se já não bastasse ter saído de um sonho onde estava dentro de um hospital, ter que acordar e permanecer no mesmo ambiente, o fazia sentir aquele mal-estar.

Mas, o acidente que levara a vida de seus pais, acabara gerando algumas lesões mais sérias para Sasuke, e o tempo em que estivera internado, em coma, propiciava a falta de sensibilidade em suas pernas.

— Deidara vai passar aqui, depois, pra visitá-lo.

Refletir sobre como acabara trancado dentro de sua mente, para evitar aquela realidade, parecia tão tolo. Recriara seu mundo conforme as suas expectativas, onde o acidente dos pais ocorrera, mas ele não presenciara, onde era novo demais para compreender a dor em sua forma mais complexa; uma realidade onde crescera sendo criado pelo irmão e o sentimento de perda se extinguira pelos anos que achara ter crescido.

Naquela realidade — a verdadeira e a qual se encontrava acordado no momento —, Sasuke carregava uma leve sensação de culpa por ver o irmão tão esgotado por sua causa. Sentia-se triste em relembrar dos momentos que antecederam o acidente de carro.

Estava com o IPod ligado, os fones de ouvido tocando a pleno volume uma de suas músicas favoritas, enquanto os pais conversavam nos bancos da frente do veículo. Tinham ligado para seu celular, pois estavam passando perto, e ido buscá-lo após a última aula.

— O pai do rapaz que causou o acidente… ele gostaria de vir visitá-lo também. — Itachi contou e Sasuke pode sentir a tensão na mão que pegava na sua. — Se você não quiser…

Lembrava-se do grito da mãe — que sobrepujara o som da música em seus ouvidos — e de ter pensando que na velocidade em que estavam, seria impossível parar o carro antes de atropelar o garoto que entrara repentinamente na frente do veículo.

Lembrava-se de sua intenção de alertar o pai para que freasse.

Seu pai tentou inutilmente guinar o carro, mas nada deteve ou amenizou o impacto. Só piorou a situação, pois perdeu o controle da direção, fazendo-os colidir.

Mas os olhos azuis pertencentes ao garoto que destruíra sua família ficaram registrados na mente de Sasuke. Não sabia como em segundos fora capaz de guardar a imagem perfeita do rosto dele e da paz que seus olhos transmitiam. O loiro não expressava medo, ou angústia, nada além de completude.

Naruto… — balbuciou, mas sua voz não saiu.

Seu irmão, estando atento a si, leu facilmente seus lábios e franziu o cenho.

— Naruto é o nome do garoto, sim. Como você sabe?

Itachi se surpreenderia se contasse sobre as coisas que vivenciara em seu subconsciente e em como fora aquele rapaz quem o ajudara a despertar para a vida, novamente.

Mas, por hora, deu de ombros levemente e mexeu os lábios dizendo pausadamente para que o irmão pudesse lê-los:

Quero falar com o pai dele.

Mesmo intrigado, Itachi concordou e disse que avisaria ao pai do garoto que poderia ir visitá-lo quando estivesse um pouco melhor.

E Sasuke ansiava por aquele encontro.

***

Depois de duas semanas, aquele homem loiro entrou em seu quarto hospitalar. Trajava roupas casuais e seu semblante era tão bonito quanto o do filho. Ele era alto, tinha um sorriso contido e uma seriedade no olhar que trouxe a Sasuke alívio por não ter que lidar com uma versão mais velha de Naruto.

O Uchiha queria respostas através daquele homem e, se fosse como Naruto, temia que teria sérios problemas para conter sua irritação.

O bom era que já conseguia falar, embora sua voz ainda saísse rouca.

— Olá, Sasuke. — ele começou, se aproximando do leito. — Sei que não me conhece, mas me chamo Minato Namikaze.

— Pai do Naruto. — Sasuke concluiu, mostrando que sabia muito bem quem ele era.

— Sim, pai dele. — o homem confirmou, demonstrando leve acanhamento. — Eu estou contente por você estar se recuperando do acidente. Sinto muito pelos seus pais. — disse pesaroso. — Bem, esse é o motivo de eu estar aqui, já me desculpei com seu irmão, mas queria me desculpar com você também.

Era bem típico os pais virem pedir perdão pelos erros de seus filhos, mas Sasuke achava tal formalidade injusta e não hesitou vocalizar sua contrariedade:

— O senhor não fez nada.

— Mas meu filho fez e eu era responsável por ele naquele dia. — Minato contestou. — E eu sinto muitíssimo por isso. Naruto não fez por mal, tenho certeza que ele não desejava que pessoas se ferissem, só que, ele não estava…

— Por que ele entrou na frente do carro? — Sasuke interrompeu-o, sem ser capaz de esperar para sanar suas dúvidas.

Houve um silêncio e os olhos azuis do mais velho mostraram uma desolação que Sasuke quase sentiu remorso por ter perguntado.

— Ele queria morrer.

Sasuke engoliu em seco, incomodado por ouvir aquilo.

— Por quê?

A conversa que se seguiu resumiu-se mais a Minato contando-lhe sobre o filho. Vagarosamente, isso ativou certa recordação que parecia ter sido perdida no fundo da mente de Sasuke em meio aquela transição de subconsciente e realidade.

Mais Minato lhe contava, mais Sasuke ficava transtornado ao ouvir tanto do garoto que o ajudara. Naquele momento, ele se dava conta que Naruto era um total desconhecido para si. Sempre tivera a noção de que não conhecia nada sobre o rapaz, mas a sensação de que estivera sonhando, que nunca tocara verdadeiramente e que jamais tivera uma informação solida sobre ele, o abalava, o fazia sentir-se desolado.

Em algum ponto do quase monólogo do pai, Sasuke desejou retornar a inconsciência, almejou não ter acordado só para ter a chance de encontrar com Naruto novamente.

Ele dissera que se veriam novamente.

Ele afirmara que não poderia mentir.

E, ainda assim… Ele não estava ali, ao seu lado.

Existia muito que Sasuke precisava compreender e, justamente por isso, faria de tudo para cumprir com essa meta.

***

Fazia quase sete meses que despertara de um longo estado coma.

Sasuke caminhava pelo extenso corredor hospitalar, sentindo o cheiro de éter, a limpeza que o lugar emanava. Seus passos ainda eram sustentados pelas muletas que de acordo com as expectativas dos médicos não seriam mais necessárias até o final do ano, graças às sessões diárias de fisioterapia. Quisera ter indo até ali antes, mas Itachi não permitira e sua saúde, ainda precária, também não lhe dera força de decisão para tal.

Aquele não era um hospital comum.

Ao seu lado, caminhava um enfermeiro, guiando-o por aquele labirinto para que não se perdesse.

Estava ansioso e temeroso, apesar de não demonstrar.

A cada novo passo, recordava-se do que Minato lhe contara com a voz pesada em tristeza, ressentimento e culpa.

***

"Estávamos saindo de uma das consultas dele com o psicólogo e paramos no sinal pra atravessar a rua. E foi tudo tão inesperado, tão rápido…

Se eu houvesse escutado aos avós dele, se eu o tivesse internado para que fizesse um tratamento adequado, tudo teria sido diferente."

***

O moreno parou à frente da porta e o enfermeiro que o acompanhava, avisou:

— Não espere muito quando entrar aí.

Sasuke não respondeu e aguardou o profissional abrir a porta e indicar para que entrasse.

Sua visão foi invadida por um quarto praticamente estéril, praticamente vazio, praticamente todo branco.

***

"Sabe, Sasuke, Naruto não era um garoto ruim. Ele era alegre, cheio de expectativas pro futuro e era até meio bobo.

Mas depois de alguns problemas… e a mãe dele… faleceu…

Naruto nunca mais foi o mesmo."

***

Sasuke adentrou o cômodo, fitando a pessoa no canto do quarto. Sentiu a garganta ressequida, as palmas das mãos firmaram-se com mais força nos suportes das muletas enquanto começavam a suar.

Nunca estivera tão nervoso.

E inseguro.

Nada disse e escutou o enfermeiro lhe avisar:

— Se precisar de algo, é só voltar à recepção ou falar com algum dos outros enfermeiros. Há sempre profissionais por perto.

Sasuke assentiu, escutando a porta fechar-se, anunciando que estava sozinho com ele.

Depois de tanto tempo, poderia seu coração estar batendo tão forte que sentia até um pouco de dificuldade para respirar?

Era o que ocorria.

Sasuke lembrava-se, superficialmente, dos sorrisos, dos súbitos encontros, do jeito como ele sempre evadia suas perguntas e o tirava do sério… Momentos que o Uchiha vinha lutando para não se perderem como acontecia com os sonhos.

Sonhos, pesadelos…

Esses que, por mais marcantes que fossem, as pessoas acabavam esquecendo, sequer recordando que um dia existiram. Esses que eram substituídos por novas ilusões criadas pelos subconscientes dos adormecidos. Invenções, presságios, reminiscências…

Mas Naruto não fora nada daquilo.

Naruto fora real e, a cada passo que o aproximava do ocupante daquele quarto, mais Sasuke sentia como se aquilo que vivenciara em seu estado de coma, finalmente, se fundisse com o real.

Era como estar de volta; a sensação de familiaridade o dominava, bem como a de angústia.

Porque aquela ali era uma realidade imutável.

***

"Ele parecia ter saído de si e era como se alguém houvesse colocado outra pessoa no lugar do meu filho.

Alguém que eu não conhecia; alguém que… queria destruí-lo."

***

Fitou as grades na janela e notou como os raios de sol refletiam as sombras das barras no chão. A cor no rosto dele já não era mais saudável, pelo menos não como se lembrava de ser. Aquela cor bronze estava tingida por um tom doentio. Os olhos azuis também pareciam desbotados, bem como os fios loiros.

Naquele estado, Sasuke se questionava como Naruto fora capaz de buscá-lo e tirá-lo do coma.

Depois que despertara e melhorara o suficiente, lera bastante na internet sobre contatos como aquele. Nada explicava realmente como Naruto o alcançara consciente do que fazia.

Ele estava sentado na cama, com o olhar concentrado na prancha de desenho que apoiava em suas pernas flexionadas. Não se distraíra nem por um segundo, nada a seu redor parecia desviar-lhe a atenção. Chegou perto, esperando que em algum momento o loiro fosse elevar o olhar e encará-lo, e Sasuke decepcionou-se quando isso não aconteceu.

Uma das mãos segurava a prancha e a outra rabiscava rapidamente.

Ele pensou em chamá-lo, mas ao abrir a boca, outra voz sobrepôs a sua.

— Naruto?

Ele esqueceu-se de sua debilitação e virou-se tão rápido, que seu equilíbrio falseou e quase foi de encontro ao chão. A situação seria vergonhosa e ridícula, entretanto, o tombo não aconteceu, pois o dono da voz se precipitara e o segurara pelo braço, antes de cair.

— Está tudo bem?

A voz que lhe questionava era simpática, mas quando Sasuke elevou o olhar para identificar de quem se tratava, o sangue pareceu lhe deixar o corpo e tratou de se desvencilhar imediatamente do toque dele.

Foi invadido por um misto de incredulidade e apreensão.

Afinal, o que infernos ele estava fazendo ali?

— Quer que eu chame um enfermeiro? — o homem lhe perguntou, olhando-o com estranheza a sua reação. — Você está meio pálido.

Sasuke ajeitou a pegada nas muletas, pigarreou e respondeu em seguida:

— Eu estou bem.

O moreno lhe sorriu de um jeito bizarramente forçado e deu uma olhadela para Naruto e depois tornou a focar-se no Uchiha.

— E eu posso saber quem é você? — quis saber num timbre amistoso. — Interno novo? Nunca te vi pelos corredores, nem aqui no quarto.

— Não. Eu sou um visitante.

— Entendo… — o moreno disse, caminhando até a cama, cautelosamente, sendo seguido pelos orbes negros. — E quem é você?

Sasuke não queria dizer quem era, nem ter que explicar o que ele fazia ali. Não era da conta daquele idiota. Queria ele fora do quarto; queria ele longe de Naruto. Mesmo sentindo-se como uma criança por tais pensamentos, era exatamente o que desejava.

— Sasuke Uchiha. — acabou replicando, esperando que isso encerrasse o questionário, mas o homem de tez pálida não compartilhava de suas expectativas.

— E?

— E o quê? — rebateu, petulante.

— Naruto-kun não recebe visitas, tirando as do pai, dos avós e, obviamente, de mim. — ponderou o visitante que ao chegar à beira do leito, olhou a figura que ali estava com carinho. — Então, de que buraco você saiu, Uchiha?

Ele tinha algo nas mãos. Um pacote que fora estendido para o loiro.

— Seus desenhos sempre me surpreendem. — comentou a Naruto, observando o papel em que ele desenhava. — Você nunca me disse que era tão bom.

O loiro apanhou o pacote mecanicamente e o abriu sem cuidado algum. Sasuke viu que se tratava de um estojo novo de pintura. As imagens de momentos que estivera preso em sua mente e que pensara ser sonhos com as lembranças de Naruto, retornaram, fazendo-o recordar-se de quando vira a cena na sala de pinturas do colégio.

— Eu sou o sobrevivente do acidente que ele causou. — Sasuke finalmente respondeu e escutou a ponta de um dos lápis se quebrar contra a prancha.

Naruto rapidamente substituiu o lápis por outro e continuou, enquanto Sasuke teve que desviar o foco para o outro ocupante no quarto.

— Entendo… Então, finalmente despertou. — disse o moreno que se apresentou: — Me chamo Sai.

Sai. Saber o nome dele não lhe fazia diferença alguma, entretanto, um detalhe lhe instigou a curiosidade.

— O pai dele não contou que eu tinha saído do coma?

Com o sorriso firme, tentando manter-se indiferente, Sai lhe contou:

— A família do Naruto e eu não nos damos muito bem, principalmente depois da morte da mãe dele.

— Você e o Naruto são…? — Sasuke iniciou, querendo ter certeza daquilo que já desconfiava.

— Namorados. — Sai respondeu. — Somos, ou éramos… Não tem como saber, né? Não é homofóbico, também, é?

Sasuke negou com a cabeça, no fundo sentindo-se tentado a dizer que não era nada homofóbico e que já beijara o namorado dele. Mas, tudo fora falso, não ocorrera realmente.

— A família dele é, mas a mãe dele era mais. Se não fosse por causa dela, ele nem estaria aqui.

— O que aconteceu?

Sai deu uma olhada para o loiro compenetrado e deu de ombros:

— É passado e não é certo falar de algo assim, sobre ele. Bem, eu tenho que ir. — avisou, virando-se para Naruto e informando: — Hoje vim só para entregar o estojo.

Sem qualquer constrangimento, Sai inclinou-se e beijou a testa do loiro, que não parou seus rabiscos, ou dedicou atenção ao moreno. Sasuke fechou os punhos, frustrado com a proximidade e demonstração de carinho do outro, mas sequer podia dizer alguma coisa, ou simplesmente arrancá-lo de perto de Naruto. Não tinha esse direito.

Ainda ficara intrigado sobre o assunto que Sai iniciara e se negara a concluir. Pelos lapsos de recordações que havia visto de Naruto, sabia que a mãe dele não aceitava o relacionamento dele com o moreno. Ficara curioso por saber quais circunstâncias haviam levado o loiro ao limite para acabar internado ali, em um hospital psiquiátrico.

— Eu sinto muito por sua família, Uchiha. — disse Sai, antes de sair do quarto. — Não tenha ressentimento pelo Naruto-kun; tenho certeza que tudo o que ele menos queria era ferir mais pessoas.

O moreno passou por Sasuke, indiferente ao impacto que suas palavras haviam causado.

"Ferir mais pessoas…"

O que Sai quisera dizer com aquilo?

Não teve tempo de tirar sua dúvida, pois escutou a porta do quarto se fechar e, novamente, estava sozinho.

Ainda havia tantas dúvidas e sua mente parecia se aguçar cada vez mais em preencher aquelas sutis lacunas deixadas pelas pessoas ligadas ao loiro que mudara sua vida, literalmente.

Sasuke direcionou-se a pessoa em questão e ocupou o lugar junto à cabeceira onde anteriormente Sai se colocara.

Disseram-lhe que ele não falava desde o acidente; que fora um milagre ele ter sobrevivido sem sequelas maiores em seu corpo. Mas o pai — Minato — decidira interná-lo naquele lugar, seguindo finalmente o conselho dos avós e médicos que anteriormente o consultara.

Olhou com mais atenção os riscos nas bochechas. Dessa vez eram reais. Cicatrizes feitas com precisão.

Autoflagelação consequente do trauma por ter perdido a mãe. — Minato lhe dissera, ao explicar parcamente sobre as ações do próprio filho.

Mas pelo pouco que Sasuke sabia sobre isso, o ato de se punir deveria prover do sentimento de culpa.

— Ei… — disse mansamente, mesmo convicto que Naruto não responderia. — Por que nunca me disse que eu te encontraria assim?

Sasuke achou-se tão estúpido.

Nunca fora enganado realmente por aquele loiro. Ele sempre lhe privara de qualquer informação e, talvez, nunca tivesse sido intenção dele lhe esclarecer coisa alguma sobre si.

Ainda assim, ele lhe pedira para ajudá-lo.

Para que lhe retribuísse com um favor.

Em seu subconsciente, não houvera tempo de negar, de mostrar ao outro o quanto era louco o que lhe solicitava. Porém, agora estava frente a frente com ele e, embora a lucidez faltasse ao outro, podia aliviar o peso de algo que não chegara a concordar.

— Eu não vou te ajudar, Naruto. — ele falou, quase penosamente, afinal, Naruto salvara a sua vida e estava se negando a retribuir. — Não posso fazer o que me pediu.

"Eu quero que você…"

— Foi a coisa mais idiota que você poderia ter me pedido. E eu nunca disse que faria algo em troca. — Sasuke comentou, deixando sua voz ser tingida pela raiva e inconformismo. — Você não pode entrar do nada na minha vida e achar que tem o direito de me pedir isso.

"Eu quero que você me encontre…"

Sasuke olhou para a prancheta de desenho em que o loiro finalmente parara de rabiscar e o desenho que viu fez seus olhos transmitirem estranhamento e choque.

"Eu quero que você me encontre e tire…"

O que via era uma mulher, de cabelos longos e ruivos, olhos azuis plúmbeos. Olhos estáticos e cabelos espalhados pelo chão. A boca delicada semi-aberta vertendo um carmesim que pingava no piso coberto por um carpete claro.

O pescoço alvo encontrava-se num ângulo anormal, bem como o restante do corpo delgado feminino.

— Eu matei seus pais, Sasuke, por que não ser justo? — Naruto sussurrou, com a cabeça baixa e as mãos pousadas de cada lado do desenho, o segurando com cuidado.

"Eu quero que você me encontre e tire a minha vida."

Continua...

Notas finais
Bem, não sei se muita gente daqui do site participou da enquete que foi feita há um tempo atrás sobre animes e yaoi que divulguei, mas o propósito daquela enquete pode ser encontrado aqui nesse link: http://raquelsumeragi.deviantart.com/art/Teaser-Entropia-webcomic-221008495. Raquel Sumeragi e eu estamos desenvolvendo uma webcomic yaoi/BL que irá online em breve. No link vocês poderão encontrar o primeiro teaser da webcomic e serão postados mais seis — dois por semana — até a abertura do site oficial.Espero que gostem!Blanxe