Between Sun & Moon

2 Life On The Moon


Notas iniciais
Beta: Andréia Kennen

Ele estava aproveitando a música eletrônica. Sua pele alva suada, seu corpo se movendo no ritmo que a batida ditava. Liberação. Não havia outra definição. A noite, para ele, tinha mais vida do que o dia. À noite sentia-se menos perdido; menos morto. Os flashes e raios de luzes coloridas dançavam pela pista, onde todos se remexiam em frenesi. Às vezes se chocavam uns com os outros e ele permitia que houvesse o encontro.

Não se importava com os toques; não o incomodava o quão ousado fossem. O que realmente fazia sentido era a música e os movimentos.

Com os olhos fechados, jogava os quadris de maneira sensual, apreciando o calor da forma masculina que se moldava aos contornos de suas costas. Entreabriu os lábios, sentindo a mão do desconhecido vagar por seu tórax – que estava revestido apenas por uma simples camiseta de tecido muito fino e de cor preta, que se colava a si como uma segunda pele. Os dedos grossos esbarraram propositalmente em um de seus mamilos, fazendo o pequeno botão se eriçar. Um suave gemido perdeu-se em meio à música alta.

A pélvis do desconhecido apertou-se ao seu quadril e sentiu, sem dificuldades, a masculinidade rija contra sua carne macia que se ajustava a calça preta de vinil. A mão tornou a subir, alcançando seu pescoço de maneira possessiva, brincando com sua coleira de couro preto, para em seguida prosseguir, tocando seu queixo e através dele, virar seu rosto para o lado.

O hálito quente passeou por seus lábios, antes da boca inclinar-se sobre a sua. Permitiu que o beijasse, sem se importar se o batom negro que usava, borraria ou não. Seus hormônios correspondiam, faziam da situação a mais propicia e agradável possível.

Mas nada além da sedução, do contato e do alívio momentâneo. Como aquele que viria da proposta feita por palavras sussurradas ao pé de seu ouvido.

Virou-se, observando o rosto bonito do desconhecido e, como resposta, começou a caminhar para fora da pista de dança. Foi seguido de perto até um dos corredores escuros da danceteria, aonde o som não era tão intenso.

O ar abafado pela fumaça de cigarros, cheiro da nicotina e outras ervas ilegais no local não o incomodava; tornavam-se um aditivo e se pudesse estaria fumando também, mas quando a boca do rapaz mais velho fechou-se sobre a sua, devorando-a com voracidade e prensando seu corpo contra a parede, esqueceu-se de qualquer outra ânsia.

Empinou a pélvis para frente, instigando e querendo mais contato com o outro para aliviar a pressão que crescia dentro de sua calça apertada. Escutou o rapaz grunhir e corresponder a fricção.

Logo, a mão afoita buscou a frente de sua calça preta para abri-la, ele intercedeu. Se estragasse algumas das peças feitas pelo irmão, teria um verdadeiro haraquiri quando Itachi descobrisse. Sendo assim, abriu ele mesmo a calça, libertando sua rigidez.

O rapaz afastou-se, devorando-o com os olhos por um instante, mas logo desapareceu de sua linha de visão.

Arfou ao sentir sua ereção ser engolfada pelo ‘ficante’. Sua mão se fechou instantaneamente sobre a cabeça daquele que estava abaixado diante de seu quadril, segurando com força nas mechas escuras, acompanhando o vai e vem.

O vibrar do aparelho no bolso de sua calça, o fez grunhir. Tentou ignorar, mas quem quer que fosse, era insistente. Puxou o aparelho, mas fez questão de continuar guiando os movimentos do rapaz para que não parasse, fazendo que o sugasse com mais vontade.

Sem se dar ao trabalho de ver o display – assumindo que poderia ser Itachi – deslizou o slide e levou o aparelho ao ouvido.

Seus olhos se abriram em puro estranhamento, quando nada além de um chiado foi emitido pelo celular.

Grunhiu frustrado e fechou o aparelho, gemendo ao ter os testículos acariciados.

Novamente, o telefone vibrou. Desta vez, fez questão de observar o display. Não havia número. Só indicava uma chamada, sem nome, sem nada. Raciocinou que poderia ser interferência de dentro do local, mesmo que ainda achasse ser improvável.

Levou o telefone ao ouvido e, mais uma vez, somente o chiado adentrou sua audição.

Desconsiderou a chamada, porém, ao vibrar pela terceira vez, Sasuke teve vontade de jogar o celular na parede mais próxima. No entanto, mesmo com a mente nublada e desejosa pela atenção que recebia em seu baixo-ventre, ficou preocupado com Itachi, por isso, atendeu.

A estática invadiu a ligação.

Nunca tivera problemas com o celular dentro daquela danceteria. E, por mais que não quisesse deixar de lado o que fazia com o outro rapaz, não poderia ignorar a insistente chamada. Precisava ter certeza de que não era Itachi precisando de alguma coisa.

Muito a contragosto, afastou a cabeça do jovem de seu sexo, grunhindo levemente pela perda do prazeroso contato.

- Qual o problema? – ele lhe perguntou, confuso.

- Vai ter que ficar para uma próxima vez. – retrucou, friamente.

- O quê?!

Sem dispensar segundos olhares ou qualquer outra palavra, guardou o membro dentro da calça e a fechou, dando as costas para o rapaz e se afastando na multidão de pessoas do nightclub.

O celular voltara a tocar – sentia-o vibrando em sua mão –, mas não o atendeu. Reparou na estranha chamada sem número que piscava no display e continuou andando o mais rápido que lhe era permitido, desviando das pessoas a sua frente que se aglomeravam e retardavam a sua saída.

Somente quando deixou a casa noturna, parou na calçada em frente a mesma. Apreciando o ar frio que recepcionou seu corpo quente, então, atendeu a ligação.

Imediatamente, trincou os dentes e afastou o celular da orelha. Mesmo com o aparelho distante, conseguia ouvir o chiado que de tão alto, mais parecia um guincho ensurdecedor.

O que estava acontecendo? Ao invés de melhorar a recepção, ao deixar o interior do nightclub, esta simplesmente piorara.

Repentinamente, voltou a sua mente ao ocorrido com seu iPod no início da semana anterior. Parecia o mesmo problema, só que ao mesmo tempo, não era.

O que infernos era aquilo?

Foi então que seus olhos pegaram de relance a forma que caminhava pelo final da calçada e virava a esquina.

Não tinha certeza, mas a figura se parecia muito com o garoto que encontrara no parque.

Fechando o celular e esquecendo-se completamente do chiado, bem como dos telefonemas, Sasuke apressou-se até a esquina para tentar confirmar sua desconfiança. Só que, novamente, viu o desconhecido de relance. Porém, aqueles fios loiros – lisos e bagunçados – pareciam os daquele esquisito do parque.

Desta vez, correu na direção que vira o estranho seguir e o viu entrar em um beco.

Sentia-se um tanto idiota por estar perseguindo aquela figura, mas…

Ao entrar no beco escuro, sujo e sem saída, ficou totalmente confuso. Não havia ninguém ali. Entretanto, vira o garoto seguir por aquele lugar, logo, ele não teria como ter simplesmente desaparecido.

Sua dúvida foi sanada ao escutar passos ecoando pelo lugar. Não vinham de trás, nem da frente, mas de cima. Olhou para o alto e localizou a origem do ruído. Era o choque do tênis do garoto em contato com o ferro da escada de incêndio que ziguezagueava ao longo do prédio a sua esquerda.

Era o loiro.

Sem pensar, começou a subir apressadamente os degraus de ferro da escadaria, seguindo o ziguezague atrás do garoto. Mesmo assim, não foi capaz de alcançá-lo.

Sequer entendia o porquê era tão imprescindível alcançar aquele desconhecido, mas ficou aliviado ao chegar ao terraço do prédio e ver que o loiro parara.

Primeiramente, observou o mais novo, que estava de costas para si. Aparentemente, os olhos azuis fixavam-se no horizonte. Pode sentir algo triste e, talvez, melancólico vindo do loiro. Notou também que ele usava as mesmas roupas da primeira vez que haviam se encontrado.

- Ei. – acabou chamando, suavemente.

O garoto se virou e o encarou. Os orbes azuis brilharam em reconhecimento e a voz rouca o cumprimentou sorrindo:

- Olá, Sasuke.

Achando esquisito o reencontro e o local aonde o garoto resolvera se refugiar em plena noite, Sasuke indagou:

- O que faz aqui?

- O mesmo que você. – respondeu o loiro, dando de ombros.

- Eu vim atrás de você. – o moreno, replicou e isso fez com que pensasse.

Poderia o garoto ter vindo a sua procura também?

Tolice. A mais pura tolice.

O loiro ficou em silêncio e não treplicou, causando um frio na boca do estômago de Sasuke. Era como se no silêncio ficasse implícito algo que não acreditaria de forma alguma que pudesse ser verdade.

O garoto lhe deu as costas e adiantou alguns passos a frente, aproximando-se do parapeito do terraço. Sasuke o imitou, até ficar lado a lado com ele. Verificou a linha em que os olhos azuis se perdiam – o campo noturno da cidade – e fixou seu olhar na mesma direção.

As luzes cintilantes da urbe resplandeciam no véu noturno, fazendo tudo parecer tão grandioso e ao mesmo tempo, deixava aquele sentimento de que eram tão medíocres perante aquilo tudo…

- Eu costumava subir em prédios como esse e me debruçar sobre os parapeitos. – escutou o loiro comentar, subitamente. — Sempre quis saber qual seria a sensação de estar caindo.

Sasuke virou o rosto para admirar o semblante sereno do outro e perguntou-se qual o motivo dele estar lhe confidenciando aquilo. Era quase uma confissão de um suicida. Seria possível que o garoto estivesse ali para mais uma tentativa de se jogar? A ideia de que loiro fosse alguém em depressão, chegava a ser inconcebível, mesmo que só o tivesse visto por duas vezes, contando aquele encontro. Enquanto ele – Sasuke – tinha a sensação de que nada no mundo valia muito a pena, o jovem ao seu lado parecia quebrar essa convicção. O interesse de conhecer melhor o garoto surgiu dentro de si, inesperadamente. Para alguém como ele, que raramente se cativava por pessoas, desejar saber o que fazia o loiro pensar daquele modo, era algo totalmente novo.

- E o que o impediu de pular? – indagou, vocalizando sua curiosidade.

- Minha família. – foi a resposta que recebeu, enquanto o garoto dava de ombros. O que surpreendeu Sasuke, foi o momento em que os olhos azuis se voltaram para fitá-lo. O brilho neles contido, pareciam atingir o fundo de sua alma e quase acreditou nisso quando o garoto comentou: — Aposto que é o que te impede de pular também.

Ficou estático, momentaneamente, como se tivesse sido golpeado e assim privado do ar em seus pulmões. O garoto tinha um sorriso confiante nos lábios, indicando que sabia muito bem sobre o que estava falando. Só que Sasuke não acreditava que ele pudesse saber tanto assim sobre si, muito menos algo tão pessoal quanto aquilo. Mas aqueles límpidos olhos azuis… Eles inocentemente vasculhavam sua psique, lhe dando a impressão de que não era algo proposital. Ainda assim, o incomodava que o lessem tão bem.

- Quem é você? – retorquiu, ignorando completamente a acusação feita anteriormente.

Com o sorriso ficando melancólico, o loiro disse:

- Ninguém especial. – no segundo seguinte, impulsionou o corpo para cima e subiu no parapeito, ficando de pé. De frente para si, o garoto lhe estendeu a mão. – Quer tentar comigo?

Sasuke engoliu em seco, ficando apreensivo. O loiro estava mesmo falando sério e aquilo o assustava. A forma como ele parecia despreocupado em estar a um passo de se arrebentar numa queda, deixavam o moreno receoso. Fechou o semblante e demonstrou sua insatisfação:

- Isso não tem a mínima graça.

- Você não tem a mínima graça. – o garoto rebateu, insultando levemente o ego do moreno.

Ele não queria mesmo ser engraçado. Nunca quisera. O que ele desejava, verdadeiramente, era que o loiro descesse do parapeito e fizesse com que passasse a apreensão que sentia. Entretanto, se deu um instante para admirar o semblante despreocupado do loiro, que o olhava de cima, sorrindo, com os fios dourados de seus cabelos sendo embalados graciosamente pelo vento noturno. Então, se viu vocalizando sua curiosidade:

- Por que quer pular?

- Você não entenderia. – ele lhe subestimou.

O temor foi substituído pela raiva. Sasuke resolveu, então, colocar um basta na intenção do outro.

- Nem quero entender. Agora desça daí.

- Ou o quê? – o jovem o desafiou, erguendo uma das sobrancelhas e, com um passo para trás, aproximou seus pés ainda mais da borda do parapeito, fazendo o corpo do moreno todo ficar tenso com a sutil ameaça. — Tem medo que eu pule? Que eu escorregue e caia? – o garoto falou, sem qualquer entonação de zombaria. — Não foi você quem acabou de dizer que não queria entender?

Que motivos realmente tinha para se importar com o outro? Não o conhecia. Sequer sabia seu nome. Porém, no fundo, estava confuso com aquele desejo de que o garoto não se machucasse. E se decepcionava em ver que este estava disposto a tal, sem demonstração nenhuma de remorso. Não deveria ser afetado, mas ainda assim, era atingido pelo dono daqueles olhos cristalinos.

Mas, orgulhoso, não admitiria aquilo em voz alta, por isso, falou com indiferença:

- Só não quero ter que descer desse prédio e cruzar com seus miolos espalhados pela calçada.

Suas palavras não afetaram o outro, como pensou que ocorreria. O loiro sequer demonstrou ser comovido ou ofendido por elas. E, ao contrário do que esperava, ele continuou a sorrir e constatou:

- Você tem medo… — pulando de volta para segurança do terraço do prédio, ele concluiu: — Medo da morte.

Aliviado pelo garoto ter descido do local de risco, Sasuke o observou com altivez, julgando sua última pretensão.

- Quanta tolice.

Novamente, o loiro não poderia ter dado menos valor ao que lhe dissera. Ele ignorou-o solenemente e disse:

- Eu vou te proteger, mas em troca, no final, terá que me fazer um favor.

Sasuke piscou, fazendo uma careta de pura confusão, enquanto o loiro lhe dava as costas e caminhava para ir embora. Sem a menor intenção de ir atrás do garoto, o moreno indagou em alto:

- Do que você está falando?

- Logo vai entender, Sasuke. – foi a resposta que recebeu, antes do outro o deixar ali, sozinho, com os próprios pensamentos bagunçados.

oOo

A noite provara ter sido um grande fiasco para Sasuke. Primeiro perdera a oportunidade de ter momentos prazerosos com um rapaz no nightclub, tudo por causa daqueles telefonemas bizarros; depois o encontro com aquele loiro estranho… Por que seguira o garoto? Por que simplesmente não retornou para dentro da casa noturna e aproveitou o que sua libido ditava? E o que fora toda a conversa que tivera no terraço daquele prédio?

A questão era que o loiro o intrigava e mesmo que tentasse se convencer que tudo não passara de uma grande perda de tempo, não conseguia parar de pensar no que havia sido dito.

Entrou em casa e escutou o barulho da televisão vindo da sala de TV. Caminhou até o local, onde encontrou o irmão mais velho cercado de pranchetas de desenhos, enquanto dividia sua atenção entre o esboço que fazia, com o noticiário que passava no aparelho a sua frente. Como Itachi conseguia trabalhar daquela forma? Era uma questão que ia além da compreensão de Sasuke.

Sua presença foi notada rapidamente, e o mais velho, sem desviar os olhos do que fazia, o cumprimentou:

- Ei, Sasuke.

Parado, em meio ao vão da porta, retribuiu o gesto.

- Oi.

- Chegou cedo. – Itachi ressaltou, desviando o olhar para a televisão, ao escutar algo que prendera sua atenção. O cenho do mais velho se franziu e observando atentamente, através dos óculos de grau, as imagens no aparelho a sua frente, o outro moreno meneou a cabeça e indagou: — Veja, aquele não é o nightclub que você frequenta?

Adentrando no cômodo e ficando de pé ao lado do sofá onde o irmão estava sentado, Sasuke fitou o noticiário, um pouco assombrado. As cenas mostravam o local sendo lambido pelas chamas, enquanto o corpo de bombeiros tentava controlar o fogo que se apossava do lugar, enquanto paramédicos estavam dispostos e cuidando de algumas vítimas.

- É. – foi só o que respondeu, mesmo assim, muito debilmente, por ver o lugar onde estivera e deveria estar durante a noite toda, ser completamente destruído por um incêndio, mas foi Itachi quem vocalizou o que exatamente estava passando por sua mente.

- Sorte você não estar lá essa noite, irmãozinho.

- Eu estava lá…

Os olhos escuros do mais novo se arregalaram ante a constatação.

Sorte.

Tivera sorte de seu celular ter ficado louco, ter deixado o nightclub e seguido aquele loiro desconhecido.

Um celular que endoidecera como seu iPod dias atrás. O seu caminho que fora desviado até que encontrasse aquele loiro e, assim como da primeira vez, um acidente trágico que evitara cruzar em seu caminho.

Não…

Não poderia chamar aquilo de sorte.

oOo

Continua…

oOo

Notas finais
Notas da Autora: Bem, o mistério continua… Alguém arrisca um palpite sobre o que está acontecendo?