Between Sun & Moon
6 Goodnight My Moon
Notas iniciais
Sasuke quase deixou o telefone cair no chão em meio ao entendimento do que aquilo significava.
Como se o aparelho fosse algo medonho, ele desligou a ligação, tentando pensar rápido em um meio de deixar a casa.
O celular tocou novamente, mas ele não se incomodou em atendê-lo.
Não podia perder tempo.
Como iria sair dali é que era o grande problema.
Teve a ideia de ligar para Itachi, afinal, o mais velho o havia trancado dentro de casa e se algo lhe acontecesse seria culpa dele.
Correu para o telefone convencional, enquanto seu próprio celular continuava a chamar. Sua esperança de pedir ajuda morreu quando o mesmo chiado, vindo do outro aparelho, invadiu a sua audição.
Com o coração batendo forte e a adrenalina o dominando, Sasuke tentou abrir as outras portas, mas Itachi não esquecera nenhuma delas aberta.
O celular insistente ressoava pela casa vazia mesclando-se ao ruído de sua respiração pesada, deixando-o mais nervoso e com um desespero crescente em seu âmago.
Era o sinal.
Aquela coisa que sequer entendia do que se tratava, estava se aproximando.
E onde se metera o garoto loiro quando precisava dele?
Provavelmente, do lado de fora, porque seu irmão tivera a brilhante ideia de trancá-lo ali dentro!
- Itachi, sua anta! – praguejou o moreno, sem saber para onde andar, ou que atitude tomar.
Sasuke sentiu, então, o cheiro forte de gás de cozinha quando passava pelo cômodo. Olhou para o fogão e viu que todas as bocas estavam desligadas. Não havia como ser um deslize de Itachi. Logo deduziu que se tratava realmente de um forte vazamento. Não era algo que sentia sutilmente, e sim, como se espalhasse com uma intensidade fora do comum.
Sua primeira intenção foi se apressar e abrir todas as janelas, pois isso lhe daria tempo para não morrer intoxicado e também, poderia gritar para que algum vizinho lhe ajudasse.
Entretanto, antes mesmo de ser capaz de deixar a cozinha, a lâmpada que estava acesa no local simplesmente queimou de tal forma que o vidro arredondado estourou, sendo o estopim para a explosão que acabou por arremessar Sasuke a uma distância considerável pelo corredor, jogando-o violentamente contra uma das paredes do lugar.
Ainda escutou o eco de sua cabeça se chocando contra a superfície dura, bem como notou sua incapacidade de respirar, pela pressão sofrida em seus pulmões. Enquanto seu corpo desabava em direção ao chão, Sasuke teve a sua consciência tragada, pensando o quão estúpido seria morrer daquele jeito.
E sem ao menos reencontrar o garoto loiro que prometera lhe proteger.
oOo
Sasuke observou o irmão mais velho entrar no quarto onde estava internado, parecendo querer segurar a angústia e o alívio intenso ao vê-lo no leito hospitalar. Não havia visto ainda, mas o Uchiha mais novo sentia a cabeça enfaixada e certamente deveria estar mais pálido do que o de costume.
Itachi se aproximou do leito e deixou-se cair pesadamente na cadeira próxima à cama, como se toda a adrenalina que houvesse tomado conta de seu corpo do atelier até ali, tivesse se esgotado, fazendo com que um peso enorme curvasse seus ombros e o obrigasse a esconder o rosto nas mãos.
- Idiota… — escutou a voz do menor dizer, rouca e cansada.
Imediatamente, Itachi tirou as mãos do rosto, olhando para o irmão com culpa.
- Você poderia ter me matado, sabia? – o adolescente acusou, fraco, fingindo indignação.
Finalmente, Itachi inclinou-se sobre o irmão e o abraçou, afundando o rosto no pescoço dele.
- Eu sinto muito, otouto. – pediu à beira das lágrimas. – Se eu soubesse que algo assim poderia acontecer…
- Ei, Itachi… — Sasuke chamou, com o semblante terno. — Está tudo bem.
O mais velho se afastou e Sasuke se penalizou ao ver a vermelhidão nos olhos dele.
- Droga, Sasuke. – Itachi praguejou. – O que você arrumou pra essas coisas estranhas estarem acontecendo com você?
Sasuke gostaria de ter as respostas, mas sabia de alguém que as tinha e daria tudo para poder vê-lo ali.
- Como eu escapei? – o adolescente perguntou, com um fio de esperança na resposta.
- Nosso vizinho escutou a explosão e tirou você de lá. – Itachi contou. – Tenho que agradecê-lo depois…
O garoto de olhos azuis e cabelos loiros, realmente, não aparecera para ajudá-lo – Sasuke concluiu, com uma pontada de tristeza. Ele prometera que o protegeria e não viera ajudá-lo. Perguntou-se se algo teria ocorrido ao outro adolescente que o tivesse impedido de estar junto consigo.
Seu irmão continuou falando entre a culpa e o alívio, recitando sua intenção de manter-se ao seu lado para não permitir que nada de ruim lhe acontecesse, mas Sasuke não o escutava mais. A porta aberta do quarto onde estava lhe dava uma visão do corredor e neste uma figura prendeu sua atenção.
Ele estava passando até ser abordado por um médico, bem à frente de seu quarto.
Os olhos negros de Sasuke se arregalaram em um reconhecimento imediato.
Era o homem do seu sonho; o mesmo que acompanhava o garoto pouco antes deste ser atropelado pelo carro de seus pais.
Ele realmente existia.
Existia e estava bem ali!
Exatamente como no sonho, ele parecia com o garoto. Os fartos cabelos loiros, o rosto compenetrado e os olhos azuis que expressavam agora um cansaço e desesperança inigualáveis.
Se ele não era somente um fruto de sua imaginação durante aquele pesadelo absurdo, então, saberia lhe dizer onde encontrar o garoto.
Tentou se levantar, mas para sua surpresa, foi segurado pelos ombros e forçado a se deitar novamente. A dor que sentiu em suas costas foi absurda e, por instantes, cegou-o, fazendo com que tivesse que trincar os dentes para não gritar.
Parecia que um caminhão passara sobre suas costas.
- Itachi…
- Não pode se levantar, Sasuke. No que está pensando? – criticou o mais velho. – Suas costas estão machucadas e teve uma concussão por ter batido a cabeça.
A explosão…
Claro que se lembrava que havia sido lançado contra uma parede e da força brutal que o empurrara pelas costas e provocara o impacto doloroso. No entanto, aquele homem no corredor era importante, precisava falar com ele. Quando foi capaz de abrir os olhos novamente, estava disposto a pedir a Itachi que fosse chamá-lo para si, entretanto, assim que fitou a porta aberta, desolou-se ao notar que o homem não estava mais lá.
- O que foi, Sasuke? – Itachi perguntou, percebendo seu incômodo.
- Itachi, tinha um homem loiro ali no corredor. – Sasuke descreveu. – Loiro e de olhos azuis. Vá lá fora e procure ele pra mim.
- Ficou louco ou a pancada na sua cabeça está te causando problemas? – Itachi indagou, sem conseguir conter sua ironia.
- Anda, Itachi! É importante! Ele pode ajudar a entender o que é isso que está acontecendo comigo!
O mais velho o olhou com desconfiança, mas tomado pelas palavras do menor, se levantou.
- Loiro e de olhos azuis? – repetiu, vendo Sasuke assentir. – Vou procurar, mas não se levante. Se sentir qualquer coisa estranha, chame por ajuda.
- Vá logo! – Sasuke o apressou.
Ainda um pouco receoso e incrédulo de que ia fazer mesmo o que Sasuke mandava, Itachi deixou o quarto. Deveria estar louco por seguir o pedido do irmão, mas no estado atual das coisas, qualquer esperança de saber o porquê do mais novo estar sofrendo aqueles "atentados" era importante.
Um homem loiro e de olhos azuis.
Não deveria ser tão difícil de localizar.
oOo
Sasuke inspirou profundamente e espirou da mesma forma, fechando brevemente os olhos. Torcia para que Itachi encontrasse aquele homem. Ansiava por falar com ele e descobrir mais sobre seu loiro.
Seu loiro…
O garoto nem era seu. Pelo que sabia, se aqueles pesadelos guardassem um pouco de realidade, existia alguém na vida dele. Alguém por quem o loirinho certamente era apaixonado. Vira nos olhos dele quando estivera naquele quarto; provavelmente o quarto dele.
- Eu avisei que a casa não era um lugar seguro.
Sasuke sobressaltou-se e seus olhos tornaram a abrir imediatamente. Para sua surpresa, sentado na cadeira onde a pouco estivera Itachi, encontrava-se o garoto, o olhando com seriedade.
Com sua expressão se endurecendo, Sasuke estreitou minimamente os olhos e rancoroso, inquiriu:
- E qual lugar é seguro pra mim, Naruto?
O nome saído de seus lábios pareceu espantar o garoto. A realização abateu instantaneamente o moreno: os pesadelos não haviam sido simples pesadelos; eram reais.
- Esse é o seu nome mesmo, não é? – Sasuke perguntou, mesmo que não precisasse que o loirinho confirmasse.
E ele não confirmou. Somente desviou o olhar para o chão e alertou:
- Não há lugar seguro pra você.
Aquilo não trazia alento algum para Sasuke. Se nenhum lugar era seguro para si, então, até mesmo ali no hospital estaria correndo risco.
- Como faço pra me livrar dessa maldição ou disso que está me perseguindo? – indagou, desesperado para chegar aos termos com o que vivenciava.
- Como descobriu o meu nome? – imediatamente o loiro questionou.
Sasuke não sabia dizer se o garoto estava evadindo sua pergunta ou simplesmente curioso para entender como descobrira aquele segredo.
- Naruto… — testou novamente o nome nos lábios, satisfeito pela maneira que ele soava. — Sonhei com você. Eu vi coisas que não entendi, mas… aconteceram de verdade, não é? – cuidadosamente elevou a mão ao rosto de Naruto, acariciando as marcas as quais vira serem feitas durante o primeiro pesadelo. – Foi você quem fez essas cicatrizes.
Como se estivesse receoso ou com medo, Naruto se afastou do toque, causando confusão no moreno.
- Isso não faz diferença, Sasuke. – atestou o loiro. — O que tenho que fazer é te proteger.
- Mas você não me protegeu. – Sasuke retorquiu um tanto rancoroso. — Sequer apareceu pra me ajudar como havia prometido.
- Eu não consegui… — Naruto confessou. – Não consegui sair de onde eu estava a tempo.
Contrariado, o Uchiha foi levado a recordar-se do segundo sonho e um sentimento mesquinho o qual futuramente denominaria de ciúmes, que o dominou, fazendo com que perguntasse:
- Quem era o cara que estava na cama com você? Foi por causa dele que me deixou pra morrer?
- Que cara? – Naruto retorquiu, confuso.
- Eu estava lá no seu quarto: uma mulher ruiva flagrou vocês dois. – Sasuke esclareceu, ansioso por respostas: — E quem era ela? Sua mãe?
Nitidamente mais surpreso e incomodado, Naruto se levantou.
- Você faz muitas perguntas. – resmungou o loiro.
- E os meus pais? – continuou Sasuke, incapaz de se deter, mesmo vendo uma nuance de dor nos orbes azuis. — O acidente deles, foi você quem causou?
Era uma loucura, sabia disso, afinal, Naruto não poderia ter causado o acidente de seus pais. Eles haviam morrido há dez anos e Naruto só tinha, no máximo, uns dezesseis.
- Chega, Sasuke! Nada disso é sobre mim, não entende?
- É sobre nós! Você mesmo disse naquela noite, lembra? – esbravejou o Uchiha, irritado com a relutância de Naruto em lhe contar a verdade. — É sobre nós e eu tenho o direito de saber, dobe maldito!
"Assassino maldito"
As palavras escritas a sangue no espelho se sobressaíram em sua memória e arrependeu-se imediatamente ao ver os olhos azuis se obscurecerem.
Como se buscasse conter a raiva, Naruto amenizou a tensão em seu semblante e estendeu a mão para o moreno.
- Naruto?
- Eu não posso te responder a essas perguntas, Sasuke. — o loiro tocou em sua face, inclinando sobre si e roçando os lábios nos seus ao falar. — Mais alguns dias, Sasuke… Só mais alguns dias.
Sasuke sentiu-se zonzo, assim como seus olhos ficaram pesados. Achou que aquela medicação que recebia através do soro estava fazendo algum efeito, mas não queria que o singelo toque morno da boca do loiro na sua se perdesse.
- N-Naruto… — chamou, incapaz de manter os olhos abertos.
- E quando terminar, você…
Não foi capaz de escutar mais nada, ou sentir…
Sua mente foi consumida pela escuridão, enquanto ainda podia sentir o formigamento que os lábios de Naruto deixaram nos seus.
oOo
Continua...
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