Between Love And Hate

6 Capítulo 6: Bad Things Really Happen.


Notas iniciais
Devo pedir,mais uma vez,trocentas desculpas por ter demorado tanto a postar esse chap,mas a semana de provas começou e já fazia uns 5 dias que eu não pegava no pc, e pra compensar, aqui está o chap com umas 11 ou 12 pags (meu recorde),espero que gostem.
Kisses e boa leitura!

Axel abriu seus olhos lentamente, aproveitando a sensação que tomava conta de todo seu corpo. Era de manhã, os raios quentes do sol atravessavam algumas partes da tenda, deixando um clima quente, mas aconchegante, no ar.

Lá fora todo acampamento, como sempre, estava agitado, com soldados e servos correndo de um lado para outro numa frenética corrida para vencer aquela guerra, que já apresentava ser de pouca importância para o ruivo.

Algo dentro de si dizia que já não queria mais lutar. Não queria empunhar outra espada, ter que vestir outra armadura ou matar mais anjos. Estava feliz ali, e se pudesse, daria seu braço inteiro para que aquele momento durasse para sempre.

Estava deitado na cama, confortável, mas não era por isso que sentia tamanha felicidade radiando em seu peito, fazendo seu coração bater mais rápido cada vez que olhava no rosto adormecido de seu querido amado. Roxas.

Por ele pararia de lutar, de matar, e até de obedecer aos seus superiores. O protegeria, mesmo que isso custasse sua própria vida. Por quê? É o amor, e se o amor fosse algo racional, talvez não fosse tão bom quanto é hoje.

Roxas dormia serenamente nos braços de Axel, virado para ele, com o rosto apoiado em seu peito tão belo quanto o de qualquer escultura grega. Respirava calmamente, e vez por outra, fazia uma careta que levava o ruivo a pensar que estava tendo curiosos sonhos.

Ambos vestiam somente as calças brancas de tecido fino, parecendo muito com seda, apesar de que na noite anterior não tinham precisado muito delas.

Flashes de memória passaram pela cabeça de Axel, que logo relembrou todas as emoções que passara horas antes.

O medo de não ser perdoado por Roxas, de ele querer ir embora uma vez que o ruivo dissera que já não ia mais prendê-lo, e até, por incrível que pareça, o medo de não ser correspondido. Tudo amainado de forma surpreendente quando o menor proferiu aquelas três simples palavras: “Eu te amo”.

Todos os temores, inseguranças e ansiedades se dissiparam num instante, carregadas por uma espécie de vento mental, levando-as para longe da cabeça do ruivo como se nunca houvessem existido.

Depois que Roxas finalmente admitira seu amor, Axel o beijou da melhor e mais demorada maneira que pôde pensar, entrelaçando suas línguas, vasculhando sua boca, mordiscando seus lábios e mais várias outras trocas de carícias.

Então ambos se deitaram na cama, e tudo começou a ficar quente demais ali. As mãos de Axel eram impetuosas e não hesitavam em passar e massagear todos os lugares do corpo do menor, e quando digo todos são todos mesmo.

Enquanto isso, tudo que Roxas conseguia fazer era gemer, cada vez mais alto, coisa que até excitava bastante Axel, que naquele exato momento lambia-lhe o peito e mordiscava-lhe os mamilos com fúria e paixão. Logo podia-se notar algo se “levantando”, digamos, por baixo das calças de ambos os dois amantes, principalmente de Roxas, que corou quando o ruivo dirigiu seus olhos (e suas mãos) à aquele local em especial.

Logo o anjo e o demônio estavam despidos de suas roupas, jogadas ao chão de uma forma dramática (e em algumas partes estavam meio que rasgadas por terem sido praticamente “arrancadas” do corpo de seu dono, sem mais delongas).

O que aconteceu a seguir, caro leitor, deixo a cabo da sua querida (e “pura”, acrescenta-se sarcasmo na última palavra) mente cheia de uma imaginação perfeita para tais tipos de acontecimentos (ui, isso é muito pervertido — mas e daí? — , até para uma simples {e inocente, acrescenta-se sarcasmo a última palavra novamente} narradora como eu).

Enfim, voltando aos acontecimentos do presente...

Ambos vestiam as calças de tecido fino... Por quê? Porque simplesmente Roxas fizera questão de não dormir totalmente despido, morrendo de medo que alguém entrasse na tenda de repente e, além de os verem agarrados ali, notasse que estavam totalmente nus e praticando tal promiscuidade no meio de uma guerra (mas e daí?).

Roxas então abriu os olhos, sorrindo ao constar que a primeira coisa que viu ao abri-los foi o rosto de Axel, numa expressão amável e apaixonada, dando-lhe um beijo nos lábios com ternura.

-Bom dia, Roxas. -Falou o ruivo, sorrindo e se afastando um pouco para que o outro se sentasse na cama, espreguiçando-se.

-Bom dia, Axel. -O menor respondeu, bocejando um pouco e voltando a se deitar, com a cabeça sobre o peito do maior. Desde a noite anterior, já não havia mais vergonha ou constrangimento entre os dois. Eles se amavam, se conheciam, não havia segredos entre eles.

-Está dolorido de ontem?-O ruivo perguntou, colocando sua mão sobre as costas do menor e a movendo para cima e para baixo num carinho simples, mas prazeroso.

-Não sabe como. -Roxas riu. As emoções e as imagens também voltaram a sua mente. -O que faremos hoje?

-Gostaria de repetir a dose?

-Mais tarde, okay? Não em leve a mal, mas eu nunca tinha feito isso e estou, literalmente, arrombado.

Axel riu alta e estrondosamente, fazendo Roxas se levantar e o olhar com raiva.

-O que foi?É engraçado, você tem que admitir.

-Doeu, sabia?

-Mas você gostou.

Roxas corou e virou o rosto, no entanto, Axel se sentou e com uma das mãos segurou o queixo do menor e o virou de volta para si, beijando-o num pedido de desculpas silencioso, que, claro como a operadora, foi aceito de bom grado. Quando o ruivo afastou-se, disse, rindo:

-Pode ser guerra, mas hoje nós sairemos para comemorar mesmo assim. Seremos eu, você, a Kairi e o psicopata do Riku. O que acha?

-E o que exatamente comemoraremos?

-O simples fato de que, o Roxas, o puro anjinho de olhos azuis que mal olhava na minha cara, perdeu a virgindade ontem. -Axel deu um sorriso matreiro, se levantando da cama e indo até um dos armários, retirando duas mudas de roupas, antes que o loiro pudesse reclamar de alguma coisa, apenas dizendo:

-Nossa. -Revirou os olhos. -Isso que é um motivo pra se comemorar.

-Eu comemorei quando perdi a minha.

-Você nasceu sem uma, Axel, aliás, nasceu sem um pingo de pureza no coração, de modo que até seduziu um pobre e inocente anjo. -Roxas falou, expressando uma falsa cara de horror, que fez o outro rir, enquanto ia banhar-se no banheiro improvisado da tenda, sem fazer questão de puxar a cortina.

-O que eu posso dizer? Sou sexy por natureza. Já você, é fofo.

-Fofo? Só isso?

-Muitíssimo fofo, mais fofo que aqueles cachorrinhos que os humanos criam... Ah, também adoro quando você cora.

-Você não teve infância, Axel.

O outro riu, terminou de tomar banho e se vestiu, depois empurrando Roxas para o tal banheiro, que quando terminou também vestiu uma das mudas de roupas que Axel pegara para ambos.

Foi nesse instante que uma das abas da tenda se elevou, mostrando duas figuras que adentravam no lugar. Num impulso, Roxas correu para trás de Axel, que também se encolheu num dos cantos do quarto, abraçando o menor.

-Calma, calma, eu não vou matar nenhum de vocês hoje. -Soou a voz de Riku, que levantava as mãos num gesto de paz. Kairi estava ao seu lado, rindo do medo de Axel e Roxas, com aquela sempre presente expressão sorridente em seu rosto feminino.

-Deviam ver a cara de vocês. -Ela disse, colocando as mãos na cintura. -Mas olha só... Parece que algumas pessoas se acertaram desde ontem... Eu ouvi sabia? Aliás, acho que metade do acampamento ouviu seus gemidos, Roxas.

Roxas corou e, de mãos dadas com Axel, foi se sentar na cama, aonde apoiou-se no ombro do maior, escondendo o rosto. Uma coisa era não sentir vergonha entre eles dois, e outra era sentir vergonha quando metade do acampamento tinha ouvido aqueles sons, coisa que era praticamente impossível de se evitar.

-Kairi, assim você assusta ele. -Falou Axel, num tom brincalhão, abraçando Roxas e permitindo que o menor enterrasse seu rosto em seu peito. -Mas... Hum... Desculpe por nós termos ido... Espionar vocês...

-Está tudo bem, Riku já não está com tanta raiva e eu fiquei feliz por vocês terem se aproximado de alguma forma com isso. -Falou Kairi, se sentando numa das cadeiras próximas a escrivaninha. -Vimos o que rolou na campina também. Devo dizer que acho vocês dois muito fofos juntos.

-Mas e vocês? Não quero ser o assunto pelo resto do dia, então podem ir falando.

-Eu e Riku estamos que... Digamos...

-Namorando. -O rapaz de cabelos prateados disse, sorrindo como raramente fazia, cruzando os braços e indo se apoiar na cadeira de Kairi.

-Ah. -Axel falou, afagando a cabeça de Roxas. -Fico feliz por vocês.

-Eu também. -O loiro disse, levantando o rosto, apesar de ainda um pouco corado. -Parabéns.

-Ah, e por falar em parabéns, que me lembram festas, hoje nós sairemos para comemorar a... -O ruivo ia terminar de falar quando Roxas tampou sua boca com uma das mãos e deu um sorriso amarelo para Riku e Kairi, que os olhavam, confusos.

-Comemorar aos casais, ele quis dizer... -Roxas disse, xingando quando Axel invocou fogo de algum lugar e fez a mão do loiro se aquecer o bastante, não para queimar, mas para apenas dar-lhe um susto, tirando-a dali.

-Aos casais e a virgindade do Roxy, que a perdeu ontem à noite. -Falou o ruivo, rindo com os outros dois demônios. Até o Riku riu, baixinho, mas riu. A Kairi tentava abafar as risadas, sem sucesso, e Axel ria sem pestanejar, fazendo com que Roxas corasse e ficasse irritado.

-Não acho a mínima graça nesse assunto. -Disse, cruzando os braços numa expressão dura.

-Mas devia achar, é um ritual pelo qual todos passamos, e por isso temos que comemorar, Roxy!-Axel falou, num tom brincalhão ainda.

-Hmph.-O loiro bufou, de cara emburrada.

-Quando e onde vai ser?-Kairi perguntou, uma vez que já tinha parado de rir.

-Como a cantina não está a nossa disposição por causa da guerra... Podemos simplesmente trazer as coisas para cá e fazer uma pequena festinha entre nós mesmos, só nós quatro. O que acham?-Axel falou, sorrindo quando Riku e Kairi afirmaram com a cabeça. -O que acha, Roxas?

-Precisa mesmo disso? É tão constrangedor!

-Então você acha que a noite mais especial, da minha vida pelo menos, não merece ser comemorada e lembrada?-Axel então fez uma cara de cachorro sem dono, fazendo beicinho, coisa que Roxas não conseguiu resistir por muito tempo.

-Okay, vocês me convenceram. Vai ser hoje a noite, depois do pôr do sol, aqui. Estão felizes agora?

-Estou irradiando felicidade. -Riku brincou, sorrindo novamente, assim como Kairi e Axel, que puxara Roxas para perto e agora o beijava longamente.

Riku e Kairi entenderam o recado e se afastaram dali, saindo da tenda em seguida, indo cuidar logo dos preparativos para a festa daquela noite. Num clima daqueles nem parecia que estava acontecendo uma guerra bem ali ao lado.

Axel se afastou do menor, ofegante, corado, mas alegre. Até o temível general dos demônios precisa respirar. Roxas fechou os olhos e se jogou na cama, esfregando os olhos como se ainda estivesse com sono, se espreguiçando em seguida.

O ruivo se levantou da cama por um momento e depois voltou, sentando-se ao seu lado, chamando sua atenção.

-Roxas, olhe isso.

-O que é, Axel?

O ruivo segurava um colar de prata, super bem trabalhado, sem manchas e totalmente bem cuidado, mas apesar disso, o que chamava mais atenção era o pingente que ele carregava: Um tipo de argola cheia de espinhos apontando para todas as direções, com uma espécie de cruz aonde uma pequena mãozinha poderia segurá-la sem dificuldade, no centro, com detalhes em relevo, além de também ser de prata, com linhas vermelhas que Roxas teve certeza de ser rubi. A peça toda não era maior que o polegar de Axel, no entanto, era perfeita, e lembrava o ruivo até.

-Este é colar que ganhei quando me tornei general, e esse pingente é a representação de um chakram, uma arma que eu criei faz muito tempo. Foi meu por mais de mil anos, e agora quero dá-lo a você, Roxas.

-A mim?!

-Sim, a você. Os anjos não costumam presentear aqueles que prezam?

-Sim, mas...

-Mas nada. Eu quero que fique com você, para que se lembre de mim aonde quer que eu esteja, aconteça o que acontecer.

-Por que está dizendo isso? Faz parecer como se soubesse que algo ruim vai cair sobre nós...

-Não é nada, estou só me prevenindo. Vamos ver como fica em você. Olha só, fica bem. Cuidado pra não se cortar nele, alguns dos espinhos continuam afiados.

Roxas tocou o pingente com ternura. Era uma verdadeira lembrança de Axel, com certeza, mas algo estranho pairava no ar, como se uma tempestade de raios estivesse vindo para acabar com o dia de sol perfeito, por isso, tentou mudar de assunto:

-Foi você que criou... Como é o nome?Chakram?É desse jeito a arma? Nunca vi você usando nada do tipo, só as espadas normais.

-É que eu simplesmente não preciso deles. Preste atenção, todos nós nascemos com uma espécie de energia que, se canalizada direito, pode se materializar numa arma, mas somente poucos seres que conheci faziam isso. Um dia eu estava numa confusão realmente grande, e no meio do aperto, dois chakrams apareceram em minhas mãos. Eu os joguei e eles atingiram os alvos como se eu tivesse nascido sabendo fazer aquilo.

-Você os... Jogou?

-Você precisa ver para entender o que eu estou querendo dizer, mas tudo bem.

-Então quer dizer que eu posso fazer aparecer uma arma só minha? Sem precisar carregar uma pra todo lado?

-Falando em termos simples, sim, mas antes que você precisa saber que, como a própria arma é feita de energia, ela mesma consome essa energia, que logicamente, vem do seu corpo...

-Simplifique, Axel.

-Você precisa estar treinado antes de sair por aí destruindo as coisas com sua arma, senão vai ficar exausto tendo somente passado menos de dois minutos com ela nas mãos. Eu só não uso a minha porque não precisa, posso matar o mesmo numero de anjos, sem ofensas, com uma espada simples e manter minha energia intacta.

-Gostaria de poder tentar invocar minha arma um dia.

-Quer tentar? Acho que só vão me chamar pro campo de batalha amanhã mesmo, então temos o resto do dia livre, exceto a noite, claro.

-Sério?!

-Claro. -Axel respondeu, sorrindo e puxando Roxas para fora da cama, levando-o para saída da tenda, já conseguindo sentir o aroma da manhã, ao mesmo tempo em que seus ouvidos eram preenchidos com os habituais gritos e barulhos que os demônios apressados faziam.

No entanto, quando tinha dado cerca de vinte passos para longe do abrigo, Axel parou de repente, fazendo com que Roxas batesse contra suas costas com força, caindo no chão em seguida, massageando o nariz.

-Axel, o que... Você está bem?-O loiro perguntou, se pondo de pé e olhando nos olhos de seus amado. O ruivo estava abismado, com os olhos arregalados numa expressão de puro pavor. Algo estava errado ali.

-Roxas...-Começou a falar aos poucos, mas não terminou a frase. Apenas procurou a mão do menor, encontrando-a caída ao seu lado, entrelaçando-a com a sua, mantendo-a firme ali.

Roxas então seguiu o olhar de Axel até um ponto mais distante no acampamento. Havia uma multidão de demônios a cerca de trinta metros dali, e no meio deles estava uma figura alta, com mais de dois metros e meio, se destacando na multidão, vestindo uma armadura parecida com a de Axel, embora mais enfeitada e com várias pedras preciosas.

Estava na cara que era um dos superiores do ruivo, Sirius, governante do Oitavo Círculo do Inferno e também um dos Generais do Exército do Inferno. Gente importante, se é que me entende.

No mesmo segundo que Roxas pousou o olhar naquele demônio, o mesmo virou o rosto exatamente para ele, sorrindo maliciosamente e se aproximando dos outros dois, dispersando a multidão a sua volta, sendo seguido por alguns servos e um outro demônio bastante familiar ao loiro.

Num impulso, Axel tomou o pulso de Roxas e o pôs atrás de si, assumindo uma postura mais alta e defensora, pronto para defender seu tesouro até o final.

O General Demônio foi chegando mais perto ate que ficasse somente a poucos passos da dupla, ainda sorrindo com malícia no olhar, desviando sua atenção entre Roxas, escondido atrás da figura imponente de Axel, e o próprio ruivo, que assumira uma expressão mais dura que pedra.

-General Axel, A Agitação Das Chamas Dançantes, como é bom vê-lo em campo de batalha. -Falou Sirius, com um tom amável demais na voz.

-Estou igualmente satisfeito que também esteja presente aqui. Posso saber o motivo de vossa visita ao meu acampamento?-Axel respondeu, num tom mais rude que o normal. Estava obviamente irritado com a aparição súbita de seu superior ali.

-Ouvi rumores...

-Que tipo de rumores?

-Dos quais você deve estar interessado em ouvir. Sabe, Axel, todos nós, demônios, sabemos que uma vez ou outra sentimos atração por alguns anjos. Isso é perfeitamente natural. Nós capturamos alguns, os usamos e depois nos desfazemos deles. No entanto, ouvi boatos de que você salvou um anjo, cuidou dele e deixou bem claro que não queria nenhum outro subordinado tocando na sua “presa”. Isso me intrigou, de fato.

-O que exatamente você ouviu?-Axel questionou, deixando transbordar na voz um tom que Roxas não reconheceu.

-Que está abrigando um anjo. Uma coisa é sequestrar anjos e abusar deles, outra é cuidar deles e os fazer seus... Como se diz... Amigos?Acho que a palavra é essa. Recebi até uma denúncia em especial que afirmava até que você estava sendo “gentil” demais com o anjo. Toleramos muitas coisas, Axel, mas não esse tipo de tratamento, principalmente com o inimigo.

-E o que você veio fazer aqui? Me prender? Me levar de volta pro Inferno?

-A princípio eu vim ver se esse rumor era mesmo verdade, e se fosse, eu encaminharia o caso para Vossa Maleficência e ele decidiria o que fazer com você. Pelo que parece, esses rumores realmente possuem fundamento...

-Então saia daqui e corra pra contar...

-Você é o tal de Roxas?-Sirius perguntou com um tom mais simpático, se dirigindo ao loiro, que estava encolhido atrás de Axel.

-Si-sim. -Respondeu, se mostrando um pouco.

-Não é de se jogar fora, apesar de eu já ter visto anjos mais bonitos. Deixe-me vê-lo melhor, Axel.

-Não. -O ruivo respondeu, duro.

-Ora vamos, eu não vou matá-lo, isso não cabe a mim.

-Não, já disse.

-Então vou tirá-lo do caminho.

Sirius deu um sorriso escarnecedor e uma enorme foice apareceu em suas mãos, materializando-se como mágica. Seja por costume ou porque simplesmente Axel estava sem uma espada naquele momento, o ruivo fez com que aparecessem duas daquela arma que ornava o colar de Roxas, os Chakrams, empurrando Roxas mais para trás e xingando baixinho.

-Tem certeza de que quer fazer isso, Axel? Podemos evitar esse conflito se você simplesmente fizer o que mando. -Sirius voltou a falar, porém assumindo uma postura mais defensiva enquanto os demônios ao redor dos generais se afastavam dali.

-Se você machuca aquele que tem meu coração, logo você machuca a mim próprio. -Axel responde, pulando para cima do outro, jogando um dos chakrams, que é detido com a foice.

Sirius então contra-ataca, empurrando o ruivo para longe, com um golpe mais forte do que o esperado com o cabo da foice, fazendo Axel cair no chão, quase sendo esmagado quando o outro general pulou para cima de si.

Axel se levantou, materializando outro chakram na mão esquerda, fazendo-os dessa vez pegar fogo e os jogando mais uma vez, enquanto logo fazia outros dois aparecerem nas suas mãos e corria até Sirius, usando-os como adagas.

Sirius desviou dos chakrams que foram jogados, surpreendendo-se quando Axel apareceu na sua frente, com um dos chakrams elevados acima da cabeça e desferindo um golpe de cima para baixo no outro general, que desviou por pouco, mas mesmo assim sendo ferido no rosto, deixando que um filete de sangue descesse por sua face.

-Seu maldito... Vai me pagar pelo que fez!-Sirius gritou, partindo para cima de Axel com mais ímpeto, brandindo a foice e traçando vários golpes tanto verticais quanto horizontais, dos quais o ruivo escapava com um pouco de dificuldade, contra-atacando quando podia.

Logo ambos os generais estavam ofegantes. Sirius era mais forte, tinha uma patente mais alta e até mais experiência, no entanto, Axel tinha o corpo condicionado para lutas que duravam horas devido a sua convivência com a guerra, armas mais leves, que o deixavam mais rápido e mais estratégia no campo de batalha, além de até ser mais novo, claro.

Num golpe repentino, Sirius partiu pra cima do adversário com a lâmina da foice se arrastando no chão, e de repente a levantou, fazendo com que a areia do lugar entrasse nos olhos de Axel, que perdeu a atenção por um instante, tempo o bastante para que o outro investisse contra ele com o cabo da foice, atingindo-o no meio do peito, deixando-o sem fôlego e o arremessando para longe, deixando-o atordoado.

Roxas, que assistia tudo, refreando o impulso de ir lá ajudar Axel, estremeceu quando sentiu seu pescoço sendo apertado de repente. Foi erguido no ar, vendo que Sirius, aproveitando o estado do ruivo, agora o impedia de respirar. As mãos do anjo foram para as do general, numa tentativa inútil de afrouxá-las.

A vista do menor começou a escurecer, seus braços perdiam as forças e suas pernas já não esperneavam tanto. Seus pulmões imploravam por mais ar, mas aquele aperto de urso não permitia aquilo. Roxas deixou que os braços caíssem ao seu lado, sentindo um enorme cansaço súbito. Ia morrer, voltar para o céu, ser punido por ter se relacionado com um demônio, além de ser general deles, mas apesar disso, não sentia um pingo de remorso, e se pudesse ter uma segunda chance, a única coisa que faria diferente seria passar mais tempo com Axel, repetindo aquelas três palavras a cada dois minutos: Eu te amo.

Quando Roxas finalmente sentia sua vida esvair, de repente caiu no chão, liberado do aperto de Sirius. Levou sua mão ate o pescoço, vermelho, enquanto respirava como se tivesse acabado de submergir de um lago profundo.

Axel tinha se jogado contra Sirius usando um dos ombros, apressado demais para invocar os chakrams na hora, mas que agora estavam em suas mãos, enquanto observava o outro general se levantar do chão por causa do impacto.

Sirius fez reaparecer a foice, mas uma de suas mãos abraçava seu próprio peito, num sinal de que havia realmente se machucado, além de que gotas de sangue manchavam o chão onde estava de pé.

-Vai me pagar pelo que você fez, Axel. Você irá para o inferno, sofrer no último anel até o fim da eternidade, guarde minhas palavras. -Sirius disse, enquanto uma fumaça negra caia sobre si, cobrindo-o por uns instantes.

-Só devemos guardar aquilo que nos faz bem. -Axel murmurou, caindo sentado no chão, vendo a fumaça se desfazer no ar. Sirius havia retornado ao Inferno, e agora Axel tinha quebrado mais uma regra. Demônios subordinados jamais devem levantar a mão contra seus superiores.

Roxas correu até o maior, ajudando-o a se levantar e ambos voltaram para a tenda. Pelo restante de todo o dia, nenhum dos dois saíram de lá. Kairi e Riku se juntaram a eles horas depois, conversando coisas habituais, apesar disso, Axel estava melancólico, ficando calado na maior parte do tempo, e isso preocupava Roxas.

Nenhum demônio ousou se aproximar da tenda também, assustados demais com o conflito para agirem normalmente. Eles sabiam o que aconteceria a seguir, e não seria nada bom.

Quando a noite chegou a seu estado avançado e a lua brilhava no meio do céu, Riku e Kairi voltaram para suas tendas de mãos dadas, embora também estivessem um tanto inquietos sobre o que aconteceria a seguir. Axel seria chamado ao Inferno para um julgamento que decidiria se era culpado ou não, e se fosse, qual seria sua punição. O pior era que tudo se tornava triplamente ruim por causa da patente do ruivo, pois quem devia ser o exemplo de perfeição era ele, sem erros, sem defeitos.

-Axel... Vamos ficar bem, não vamos?-Roxas perguntou, sentando-se no colo do maior, que o envolvia nos braços ternamente enquanto brincava com uma das mechas de seus cabelos.

-Eu não sei, Roxas. A única coisa que posso confirmar é que não vai acontecer nada de mau com você, isso eu prometo, sabe que eu jamais deixaria isso acontecer.

-Eu sei, mas... E se acontecer com você? Não consigo suportar uma vida onde você não esteja comigo, principalmente se eu souber que você está sofrendo no Inferno.

-Contanto que eu saiba que você está bem, aguento até a pior das torturas. -Axel sorriu, segurou o queixo de Roxas e o trouxe para mais perto, o beijando longamente.

Então uma figura adentrou a tenda, fazendo com que os dois se separassem para ver o intruso. Era baixo, com uma pele vermelha, olhos com fendas e dois chifres na cabeça, além das duas asas negras membranosas em suas costas. Um típico demônio do Inferno, oitavo ou nono círculo por causa do tom de vermelho da pele.

-O que quer?-Axel perguntou, levantando-se e se aproximando do outro demônio.

-Estou aqui para levá-lo ao julgamento, mestre Axel. Vossa Maleficência quer julgar suas ações. -Respondeu o outro, fazendo uma curta mesura, desviando o olhar entre Axel e Roxas por diversas vezes.

-Hoje ainda?

-Sim, senhor.

-O transporte está aí?

-Aguarda nos limites do acampamento.

-Muito bem, me dê cinco minutos para me aprontar.

-Sim, senhor, aguardo-lhe na carruagem.

O demônio então saiu, deixando uma tensão pesada no ar. Roxas sabia que Axel ia ser chamado ao Inferno, mas não sabia que seria tão cedo, até porque, uma vez lá embaixo, o ruivo podia não mais voltar. Axel se arrumou em silêncio, evitando olhar para o menor. Sabia que se fitasse aqueles orbes azuis, veria o tamanho da preocupação, temor e ansiedade do anjo, e aquilo o angustiava.

Não podia simplesmente não ir. Uma coisa era desafiar um dos generais (e governante do Oitavo Círculo) do Inferno, outra era desafiar o dono do Inferno inteiro e o demônio mais forte que já existiu, além de ser o primeiro anjo caído que se tem lembrança.

Axel vestiu um casaco negro com capuz, com somente as roupa íntima por baixo, tornando-se uma sombra mais negra que a noite sem lua. Colocou o capuz sobre a cabeça e caminhou até a saída da tenda com passos vagarosos, como se estivesse deixando aquele lugar somente com muito esforço, e realmente estava.

Quando tinha cruzado a saída, Roxas segurou a manga do casaco, fazendo o demônio parar, de costas para o menor. O loiro não aguentou e o abraçou, começando a chorar em seguida. Aquilo quase fez Axel voltar a trás, não suportava ver o menor chorando.

-Só me prometa que vai voltar a salvo pra mim, Axel, por favor. -Roxas suplicou entre os soluços.

Axel se virou e o puxou para si num abraço apertado, e até ele teria começado a chorar, mas falou:

-Roxas, isso não é um adeus. Prometo que em menos de um dia você me terá de volta, e nós poderemos comemorar a perda da sua virgindade, rir com a Kairi e fugir do Riku como nós fazíamos. Eu prometo, tudo terminará bem, okay? Por favor, não chore.

-Estarei esperando, Axel. -Roxas soltou o maior, dando-lhe um carinhoso beijo nos lábios antes.

-Espere, porque eu voltarei.

Então o ruivo caminhou por entre a escuridão, pois naquela noite o acampamento estava silencioso e nenhuma fogueira crepitava ao longe.

Notas finais
Ufa,acabou. Ainda não tenho previsão pra quando sai o próximo chap, embora, claro, quanto mais reviews eu receber, mais rápido posto o proximo. Temo que a parte da luta entre Sirius e Axel não tenha ficado muito boa (não escrevo muita ação), e sim,surrupiei a arma do Marluxia e emprestei pro Sirius,espero que ele não se importe...
Enfim,obg por ter lido esse chap.
Kisses!! e por favor,mandem reviews,minha felicidade depende deles!