Between Love And Hate
5 Capítulo 5: The Three Words
Notas iniciais
Por causa disso, esse chap já vem com mais de 10 pags. Sei que pra vcs isso não é o bastante,mas já é meio caminho andado,e prometo que o proximo chap n vai demorar um mes pra sair,prometo pelo "Got it Memorized" do Axel.
Ah,esse chap é dedicado a algumas pessoas como a Gigantera, que me ajudou bastante e a todas as outras que me mandaram reviews desde o começo e que exigiram que o novo chap saísse logo,hahaha.
Bjos e boa leitura!
Estava um silêncio agradável, calmo, gostoso, perfeito para dormir. Lá fora, os gritos dos demônios pareciam sussurros distantes, assim como aquele outro som, familiar, mas longe demais para se distinguir.
Que som era aquele?Era tão harmonioso, calmante, como uma melodia. Mesmo dormindo, o subconsciente de Roxas fez questão de tentar entender aquele doce ruído, que pouco a pouco ficava mais alto. Passaram-se alguns minutos, e finalmente o loiro descobriu que na verdade era uma voz, querida e bastante conhecida por ele.
-Roxas... Roxas... Acorde... — Sussurrava baixinho, como se tentasse acordá-lo da forma menos desagradável. Roxas descobriu de quem era aquela voz. Era Axel. Como a voz não estava apressada ou apreensiva, o anjo intuiu que não fosse algo de muita importância, e se não era de muita importância, podia voltar a dormir, ignorando totalmente o outro.
O ruivo continuou a chamar, balançando-lhe o ombro de vez em quando, mas Roxas continuou deitado, de olhos fechados, querendo dormir. Um erro fatal por parte do loiro.
Desde que Axel voltara da batalha ferido, tomara sua cama de volta e agora dormia nela todas as noites, e como Roxas já estava praticamente curado, de forma que não precisava mais de nenhum curativo ou pomada, não achou ruim em devolvê-la. Por causa disso, um colchão meio surrado foi arrumado para o loiro descansar, ao lado da cama de Axel.
Isso significava que se Axel quisesse se levantar teria que passar por cima do menor, tendo o cuidado de não pisar nele ou algo do tipo. Por que não tirar aquele bendito colchão dali? Simples, uma vez que as coisas eram colocadas num lugar, principalmente na sua tenda, ele detestava quando eram mudadas. Mania de demônio, sabe?
Pois é, a questão era que naquele exato momento Axel chamava Roxas insistentemente, ambos ainda deitados em suas camas, e como o outro não respondia, resolveu tomar uma medida drástica, se não infantil.
E lá estava o inocente Roxas, respirando profundamente, com uma face serena, até que sente um enorme peso sobre si e todo o ar escapa de seus pulmões desavisados. Seus olhos azuis se abrem de repente, levando um susto ao perceber que o ruivo tinha se jogado em cima dele e agora o fitava com uma expressão divertida.
-Qual é o seu problema?!Enlouqueceu de vez, Axel?!-Roxas exclamou, corando ao mesmo tempo em que percebia o quanto Axel estava perto de si, com os corpos colados na verdade.
-Shhh!-Sussurrou o outro ruivo, com um sorriso divertido no rosto. -Sabe que horas são?
-Hora de voltar a dormir, presumo.
-Não, idiota. São 05h30min da manha em horas humanas. Precisamos ir.
-Pra onde?
-O que?!Ah é... Eu não te contei. -Disse, se afastando e saindo de cima do menor, que agora o fitava, curioso. -Um passarinho de cabelos prateados me disse que hoje iria “passear” com a Kairi naquela mesma campina onde corremos naquele dia, lembra?
-E daí?
-Daí que não podemos apenas ficar aqui esperando.
-O que? Você quer ir lá e espionar o encontro deles?
-Não é espionar, Roxas, é só ver se as coisas estão indo bem.
-Ok, pode ir. Quando voltar, me conte o que aconteceu.
-A não, você vem comigo. Até porque, se eles me pegarem, eu tenho você como desculpa: “Ah, Riku, o Roxas queria voltar aqui, e por acaso encontramos vocês.”-Falou Axel, sorrindo amarelo.
-Ele não vai cair nessa, e eu não vou deixar meu conforto pra espionar meus amigos. Só saio dessa cama carregado.
Axel sorriu maliciosamente e se levantou, murmurando palavras já conhecidas, que eram a magia que prendia Roxas a base da cama do ruivo. O loiro olhou para o maior, mas resolveu dar de ombros e voltar a se deitar no colchão. Uma tentativa falha de voltar ao sono.
Assim que o fez, Roxas se sentiu levantado no ar, e quase no mesmo segundo, sentiu também ser abraçado por Axel, e agora estava em seus braços, deitado. Na hora que ia reclamar, no entanto, Axel pousou sua mão em sua boca, tampando-a, o fitando com algo desconhecido nos olhos esmeraldinos.
-Antes que dê uma de chato e insista em ficar pra dormir, tenho que dizer que foi culpa sua, você mesmo disse que só saia daqui carregado, além de que eu não quero ir sozinho. Vamos, Roxas, por favor! Você é meu amigo não é? Trocaria a presença de um amigo por umas horinhas de sono?
Roxas parou de se mexer e desviou o olhar de Axel, fitando o nada, por um momento envergonhado demais para aguentar o olhar penetrante do outro em si, como se quisesse vasculhar sua alma.
-Vou considerar isso como um sim. -Axel disse, sorrindo e colocando Roxas no chão, voltando a murmurar as palavras da magia da corrente que prendia Roxas pelo pescoço, agora ligada ao pulso do ruivo.
Ambos saíram da tenda, com passos cautelosos e olhando para os lados, temendo ser descobertos ou por Riku ou por Kairi, que nesse exato momento caminhavam para a campina que Axel os mostrara dias antes. Apesar de ainda estar bastante cedo, o acampamento já mostrava muitos sinais de vida, com vários demônios de todos os rostos correndo para lá e para cá realizando seus afazeres.
-Axel?-Roxas chamou de repente, enquanto eles tomavam caminho por trás das tendas só por precaução. -Posso fazer uma pergunta?
-Bem, você já está fazendo uma, mas o que é?-O ruivo respondeu, sorrindo, continuando a andar a frente do menor.
-Hum... Você sabe que estando comigo e tudo mais... Você não acha que os outros demônios devem achar ruim ou coisa assim?
-Roxas, eles não tem que achar ruim. Aqui sou eu que mando, entendeu? Se eu ordenar que eles se matem, eles se matam. Se eu ordenar que eles comecem a se agarrar com os anjos, eles, apesar de não gostarem, cumprem as ordens. É da natureza de um demônio obedecer a seu superior sem discordar, mas entendi o que você quis dizer. Está preocupado com o fato de eu ser pego acolhendo um anjo, não é?
-Você e os outros, na verdade.
-Tem razão, eu não seria o único a pagar por isso. Mas não há motivos pra se preocupar, pelo menos não por enquanto. Antes mesmo de trazer você para minha tenda, deixei bem claro que sua presença aqui deveria ser mantida em total sigilo, além de que, mesmo se eles descobrissem, os únicos que poderiam realmente me prejudicar seriam meus próprios superiores, os senhores do oitavo e nono círculo do Inferno, sabe?
-Mas não tem como eles descobrirem?
-A não ser que um deles venha aqui, o que é bastante improvável, ou um dos demônios ouse desobedecer minhas ordens e me denuncie, o que mesmo assim traria um deles aqui, não há motivos para se preocupar, porque ambas as opções são muito, muito impossíveis de se acontecer.
-Ah.
Após alguns minutos, ambos chegaram a campina, e de longe puderam avistar Kairi e Riku, de costas para eles, caminhando lentamente de mãos dadas. Pareciam conversar algum assunto casual, mas de longe não era possível se entender, de modo que as palavras não passavam de sussurros.
-Ah!-Exclamou Roxas, ao ser subitamente puxado para o chão pelo pescoço. Caiu, deitado, olhando que ao seu lado estava o ruivo, com uma expressão dura e concentrada. -Axel, o que...
-Shhh... Eles estão dizendo alguma coisa. -Sussurrou o outro, chegando mais perto do menor. -Tente não se levantar ou fazer barulho sim?A grama alta vai nos esconder.
Roxas entendeu e, levantando um pouco o rosto, correu os olhos mais uma vez sobre a campina, avistando o casal, que agora se abraçavam na beira do laguinho de águas escuras.
-Você consegue ouvir o que eles estão dizendo?-Perguntou o loiro, sem tirar os olhos da paisagem.
-Consigo, mas não vai dar se você ficar falando a cada momento.
Roxas enrubesceu e deitou a cabeça na grama, fazendo seu rosto coçar um pouco. Não gostava da idéia de estar espionando os amigos, e mesmo sendo mais uma brincadeira do que algo sério, uma vozinha em sua cabeça dizia que aquilo era errado e que tinha que evitar olhar o máximo que pudesse.
-Quer ouvir o que eles estão dizendo, Roxas?-Axel perguntou, chegando mais perto para falar no ouvido do menor.
Ok, Roxas podia não ver, mas a curiosidade não lhe permitia não ouvir.
-Quero.
-O Riku disse: “Seu cabelo fica muito lindo quando está sob o sol, sabia?”... -A frase de Axel foi morrendo aos poucos, não porque ele tinha parado de falar, mas sim porque Roxas já não conseguia mais escutar. O fato era que o ruivo estava basicamente com o corpo colado ao do outro, e seus lábios estavam tão próximos de sua orelha que seu hálito quente provocava arrepios, e mesmo sem querer, Roxas inalava a fragrância de sua respiração, e tinha que admitir, apreciou-a bastante.
O anjo começou a corar violentamente por estarem tão próximos, e logo sua respiração se tornou pesada e seu coração começou a assumir um ritmo mais veloz. Então um pensamento veio a sua cabeça: Se Axel escutava coisas a dezenas de metros de distancia, imagine um coração super palpitante ao seu lado. Roxas não queria demonstrar seu constrangimento, então voltou a repousar a cabeça na grama numa tentativa de pelo menos esconder a cor de suas bochechas.
Mas é claro que Axel notou, e também é claro que jamais perderia esta oportunidade de mexer com o menor.
-Roxas. -Chamou com uma voz propositalmente sedutora. -Seu coração está batendo rápido demais. O que houve?
-Nada. -Gaguejou o outro, escondendo o rosto ainda.
-Nada é? Sei... Olhe para mim, Roxas.
-Não.
-Por quê?
-Porque eu... Eu não quero.
-Por favor?
-Uh-um. -Disse, balançando negativamente a cabeça, sem olhar pro maior.
-Okay... Mas você sabia que esse tipo de grama da alergia?Ela faz você ficar cheio de bolhas no rosto e é muito difícil de curar depois...
-O que?!Por que você não me disse antes?!-Gritou Roxas, se levantando de repente sem pensar.
No mesmo instante, Riku e Kairi se viraram para trás, buscando quem seria o dono daquele grito tão... Desesperado?
No entanto, eles não viram mais do que a grama alta sendo balançada pelo vento, pois no mesmo instante que Roxas abriu a boca, Axel o puxou pelo braço violentamente, fazendo-o cair deitado de novo, mas dessa vez, ao invés de ter caído no chão, ele caiu sobre o peito do maior.
Os braços de Axel estavam ambos em Roxas, um em suas costas, para impedir que se levantasse, e o outro, em forma de concha, em seu rosto, cobrindo seus lábios para que evitasse formar mais gritos ou coisa parecida.
Roxas estava obviamente corado com aquele toque repentino. Seu coração batia rápido e, embaixo de si próprio, sentia o do ruivo martelar tão nervosamente quanto o seu. Era uma sensação que aquela pouca roupa que vestia proporcionava. Não pense que Roxas estava nu ou algo parecido, mas o fato era que ele vestia somente uma calça e uma camisa de mangas longas de um tecido tão fino que mal se conseguia sentir o toque, servindo como uma segunda pele.
Não se sabe por quanto tempo Axel ficou encarando Roxas ali, não de um jeito rude, mas sim como se conseguisse enxergar mais do que os simples olhos demonstravam, como se estivesse lendo um livro e já tivesse uma certeza sobre como seria o final.
Uma das mãos de Axel saiu do rosto do menor e foi para o topo de sua cabeça, agarrando as mechas douradas que ali cresciam, bastante rebeldes até, numa carícia simples, como se estivesse apenas tocando seu ombro.
Roxas não lembra ao certo de como aconteceu, afinal, estava preso em seus próprios pensamentos, confusos demais para serem deixados de lado. Para se ter uma idéia, se imaginem num estádio de futebol lotado, com dezenas de milhares de pessoas ali, divididas em duas enormes torcidas rivais. Uma delas, a racional, a que sempre teve razão e a que Roxas sempre ouviu desde o momento que abriu os olhos pela primeira vez, gritava num coro: “Você está sendo humilhado! Olha o jeito que ele te trata! Parece um capacho, você é um capacho? Não! Então por que ainda está deitado aí? Por que está corando? Você gosta dele? Você não é doido de gostar de um demônio, muito menos de gostar do general deles...”
A outra torcida, recém descoberta para falar a verdade, não gritava, falava ou sequer pulava das arquibancadas feito macacos num zoológico, mas sim apenas suspiravam e davam olhares apaixonados uns para os outros ali, e acredite se quiser, foi o bastante para convencer Roxas. Aquele bando de torcedores imaginários liberavam uma sensação de conforto e felicidade tão grandes que Roxas se sentiu viciado naquilo. De onde vinha aquela sensação? Será que era do...
O anjo não conseguiu completar o pensamento, além do mais, nem sequer pensaria nos próximos minutos. Axel tinha deixado de apenas fitá-lo e se aproximara, rápido demais para que o outro notasse. A mão que brincava com os cabelos de Roxas desceram para seu queixo, o segurando, deixando num ângulo perfeito para o que pretendia fazer.
Foi aí que, sem perceber no começo, Roxas ganhou seu primeiro beijo. Os lábios de Axel espremeram os seus, mordiscando-os de leve, induzindo-os a se abrirem, coisa que não demorou a acontecer. Segundos depois, a língua do ruivo vasculhava a boca do menor, que não apresentou nenhum sinal de recusa a tamanha carícia.
No começo, Roxas tinha ficado tímido e inseguro, sem saber o que fazer. Uma parte de si (a torcida racional) dizia que aquilo era errado e que ele deveria parar com aquilo o quanto antes, no entanto, a outra parte (a torcida apaixonada) não agia por causa da insegurança, com medo de fazer algo que não devia e machucar os sentimentos do ruivo.
Axel pareceu ter percebido aquilo, pois tinha parado de vasculhar a boca do menor e agora brincava com sua língua, e segundos depois, Roxas participava da brincadeira como se fosse uma coisa que tivesse domínio há vários anos. Não era algo que se aprendesse, apenas deixou-se levar, fez o que queria fazer.
Agora as mãos do loiro estavam entrelaçadas nos cabelos de Axel, agarrando-as com força, como se temesse que ele fosse embora, coisa que ele realmente temia que acontecesse. Enquanto isso, a mão que segurara o queixo de Roxas tinha saído dali e ido para as costas do menor, junto com a outra, e agora ambas descreviam pequenos círculos em sua pele macia, sob a camisa, provocando pequenos arrepios e gemidos que deliciavam Axel.
Subitamente o ruivo deixou a boca de Roxas, mas antes que o anjo começasse a pensar que tinha feito algo errado e por isso o outro se afastara, Axel começou a dar leves beijos em seu pescoço, acompanhados por mordiscadas e, claro, alguns chupões que deixariam marcas por alguns dias.
Axel então se virou rapidamente, derrubando Roxas e ficando por cima do mesmo dessa vez, sem parar o que fazia, com as mãos ainda correndo pela pele desnuda por baixo da camisa do menor, agora em seu delicado peito, sentindo cada músculo, cada osso.
Mesmo sem notar, Roxas gemia, como um reflexo qualquer. Cada vez que o ruivo tocava sua pele, ele gemia mais alto, e Axel adorava, sorrindo para si mesmo toda vez que ouvia aquele som tão sedutor e excitante.
Mas foi esse mesmo som que alertou a Kairi e Riku que eles não estavam sozinhos. O casal, sentado na campina, de costas para os outros dois, se virou de repente. No começo seus olhos não acreditaram no que viram, de forma que eles tiveram que piscar várias vezes para perceber e reconhecer um Axel, de costas arqueadas, beijando um possível Roxas, que gemia tão alto que um trator faria menos barulho.
O casal se levantou de onde estava, agora vendo perfeitamente a cena tão... Digamos que... Inacreditável? O pior era que Axel e Roxas tinham se movido tanto que acabaram amassando a grama alta, abaixando-a, ficando perfeitamente visíveis ali.
Se você já viu um psicopata ou um assassino que realmente tenha sangue frio, você vai saber como ficou a cara de Riku ao perceber que estavam sendo observados num momento que exigia o máximo de intimidade com a Kairi. Se você nunca viu um psicopata, nem queira imaginar como ficou Riku, ou, vai por mim, você não vai conseguir dormir a noite.
-Axel!-Riku gritou, andando em direção aos outros dois, que tinham se separado e agora se olhavam, confusos. Quem tinha gritado mesmo heim?
Axel e Roxas se viraram, ainda deitados, olhando ao redor, e foi aí que perceberam que um monstro assassino com asas negras e uma fúria implacável estampada nos olhos, assim como a frase: “Eu vou matar vocês lenta e dolorosamente”, se aproximava, levando consigo uma garota ruiva, com uma expressão tão indecifrável quanto a de uma pessoa prestes a matar alguém.
Axel se levantou de pulo, segurando a mão de Roxas e o puxando para cima com força, ficando de pé por alguns minutos, fitando o destino terrível que se aproximava passo a passo, tão terrível quanto um fio de cabelo fora da franja de um emo.
Eu poderia dizer a vocês que Axel fez uma cara valente e que foi ate Riku, enfrentá-lo. Mas ele não fez isso. Poderia dizer que Axel ao menos tentou se explicar, mas ele também não fez isso. Poderia dizer até que Axel fez uma cara de cachorro sem dono e foi pedir desculpas com um enorme sorriso amarelo na cara, mas nem isso ele fez.
Pelo contrário, Axel saiu correndo dali na maior velocidade da sua vida, arrastando o coitado do Roxas consigo, que ainda não pensava direito, muito corado por sinal. A simples verdade era que até Axel tinha medo do Riku, e acredite em mim, nunca queira irritá-lo, exceto no caso que você queira morrer e que não tenha algumas giletes afiadas o bastante na sua casa ou também não queira ficar com o pulso todo desfigurado.
Axel desviava de todos os demônios apressados do acampamento, levando Roxas praticamente nos braços, pois o menor recusava-se a andar de um jeito que prestasse. Seria mais fácil voar, mas Axel sabia que se usasse suas asas, seria um alvo fácil para uma pessoa tão bem treinada quanto Riku, afinal, ele próprio o treinara.
Chegou até sua tenda e entrou lá, ainda correndo. Puxou um cobertor que descansava sobre sua cama, grande o bastante para cobrir tanto ele quanto Roxas. Sentou-se no chão ao lado da cama, e com movimentos rápidos, puxou o menor para si, fazendo-o sentar em seu colo, enquanto Axel os cobria, ao mesmo tempo murmurando uma ladainha nova e mais longa.
-Esse é a nossa capa de invisibilidade. Enquanto esse feitiço durar, o cobertor vai nos esconder e Riku e Kairi não poderão ver nada a não ser a parede, então silêncio ouviu?-Axel explicou, aconchegando-se mais entre a parede e a cama, e inconscientemente trazendo Roxas mais para perto de si, fazendo-o corar.
Roxas ainda não estava totalmente são Aquele beijo e aquelas carícias haviam-no deixado meio que fora de órbita, num estado stand by, pode-se dizer. Achou aquilo errado, mas ao mesmo tempo, apreciara demais, queria de novo até.
Mas por quê? A explicação mais óbvia seria dizer que Roxas amava Axel, mas isso seria impossível.
“Impossível? Por quê? Porque você é um anjo e ele é um demônio, e isso deveria bastar. Mas não basta. Eu me sinto bem com o Axel, e nós somos amigos, e pra mim isso é o que importa. Mas o que você sente é mais do que amizade, você sabe disso, não sabe? O que vai fazer quando não puder aguentar mais, como fez hoje na campina, se entregando de corpo e alma para uma criatura tão profana como Axel? Eu... Vou... Eu não sei. Isso mesmo, você não sabe, e o que você desconhece é perigoso. Mas eu ainda quero ficar com ele. Ele me salvou, cuidou de mim, me tratou de uma forma que nenhum outro anjo jamais fez, até me beijou. Você gostou disso, de ser beijado? Sim. Faria de novo? Mais de mil vezes. Então está na cara que você o ama. Olhe só, você cora quando ele se aproxima, não resiste ao seu toque, gosta da sua presença e até sua voz lhe acalma. Você o ama, e isso é ruim. Por quê? Porque eu já disse que anjos nunca devem se relacionar com demônios! Não é algo natural, mas você faz de propósito mesmo assim. Mas... Eu quero ser feliz! Ele me trouxe a felicidade, coisa que eu jamais tinha sentido, e agora que eu a provei, não quero abrir mão dela, mesmo que para isso tenha que quebrar todas as benditas regras do céu. Você não é louco para fazer isso! Não ouse! Posso não ser louco, mas irei fazer mesmo assim, afinal o amor nos induz a fazer loucuras, certo?”
Isso mesmo, Roxas amava Axel. Simples e curto assim, fácil de falar, mas difícil de compreender. Com esse pensamento tão repleto de certeza, Roxas corou mais ainda, se é que isso era possível, afinal, estava com o corpo colado ao do ruivo. Mas com a certeza veio a insegurança. E se Axel não o amasse? Não suportaria ser rejeitado, seria como o fim do mundo, como se o chão se abrisse sob seus pés e ele caísse num abismo profundo e sem fim...
-Ei, Roxas, como você está?-Axel perguntou, encostando seu queixo no ombro do menor, sussurrando em seu ouvido de forma sedutora, propositalmente ou não. -Seu coração está batendo mais rápido, o que foi?
Só então Roxas acordou definitivamente, e se seu coração estava acelerado, ficou mais veloz ainda. Uma das mãos de Axel estava sobre seu peito, acima do fino tecido da camisa, liberando um calor consideravelmente agradável, enquanto a outra estava pousada em seu pescoço, sobre a argola da corrente que o prendia ao ruivo.
-Escute, lá vem ele... -Axel sussurrou, abraçando Roxas ainda mais enquanto observava a tenda pelo cobertor.
Riku entrou a passos largos, com uma expressão ainda furiosa, digna de um serial killer. Estava só, o que indicava que Kairi deveria estar em sua tenda procurando um meio racional de liberar sua raiva, ao contrário do outro, que revirava tudo na tenda de Axel em busca dos alvos.
Minutos depois, Riku foi embora, insatisfeito, mesmo quando tinha jogado para o ar tudo que antes estava arrumado na tenda de seu superior. Uma vez que ficaram a sós, Axel e Roxas saíram debaixo do cobertor e se sentaram na cama, um ao lado do outro, com olhares distantes. O ruivo tinha posto um feitiço do lado de fora para ser avisado sempre que alguém se aproximasse, então não havia perigo dele ser surpreendido por Riku ou Kairi.
Roxas ainda estava corado, tanto que evitava o olhar do maior. Axel finalmente parecia ter sido atingido pelo constrangimento, como se estivesse envergonhado por ter tocado o menor tantas vezes hoje, não que se arrependesse, claro. Ambos estavam calados, e aquele silêncio estava enlouquecendo Roxas. Será que Axel estaria refletindo sobre os dois? Se o que tinha feito seria certo ou errado? Não, aquele silêncio tinha que desaparecer, senão o loiro ia começar a gritar e a se desesperar com tais pensamentos.
-Axel, eu... -Tentou começar, mas foi interrompido pelo maior, que se aproximara e agora estava sentado, ainda ao seu lado, mas com o corpo colado ao de Roxas, fitando com uma expressão triste.
-Desculpe, Roxas. Eu não devia tê-lo... Ah, você sabe. Sei como não gosta dessas coisas, de quebrar as regras de vez em quando, mas...
-Não faz mal, Axel. Eu gostei. -Roxas falou, nervoso, mas sorrindo. Era como tirar um enorme peso dos seus ombros.
-Sério? Não está com raiva ou...
-Não. No começo eu fiquei confuso, você foi a primeira pessoa que me beijou, mas depois eu me deixei levar...
-Realmente, com os gemidos que você deu parecia estar mesmo gostando. -Axel falou, sorrindo maliciosamente, fazendo Roxas desviar o olhar.
-Eu queria dizer uma coisa a você, Axel... -Roxas começou, mas foi parado quando o maior segurou seu queixo e o virou para si, o beijando novamente, dessa vez de uma forma mais carinhosa e repleta de ternura, e não como da primeira vez, com ferocidade e urgência.
Mantiveram seus lábios colados por vários minutos, até que o ar começou a faltar e se afastaram para respirar, olhando-se nos olhos ainda. A cor de vermelho que se espalhava pelo rosto de Roxas era de um tom mais escuro que rubro, e Axel fitava aquele rosto envergonhado, tão belo, tão delicado e tão atraente, pelo menos para ele.
O ruivo afastou uma mecha que caia no rosto do menor, ofegante, suado, como se tivesse corrido por uma maratona inteira sem beber um pingo de água. Mas estava feliz, irradiava felicidade.
-Roxas... Adoro quando cora desse jeito, sabia? Me lembra sangue, seu sangue, o que também me faz lembrar de que é real, e de que está aqui, que não é só uma ilusão. Isso aquece meu coração, se é que tenho um, mas... Ah é, esqueci, não tenho mais um coração... Porque você o roubou desde o primeiro momento que te vi naquela campina onde você tentou lutar comigo. -Axel falou, segurando o rosto de Roxas entre as mãos, olhando em seus olhos com tanta ternura e amor quanto era possível.
-Lembra de quando você perguntou por que eu salvei você?-Continuou o ruivo, uma vez que Roxas estava sem palavras. — E eu disse que você merecia? Era mentira, não era só por isso, mas sim porque desde o primeiro segundo que encontrei esse céu que são seus olhos, me apaixonei, caí num buraco escuro onde minha única escada para a superfície era você.
“Naquela hora, tudo que pude pensar foi no desespero que eu sentiria se você morresse. Imagine se eu perdesse o maior tesouro da minha vida? Tinha acabado de encontrá-lo, não iria perdê-lo tão facilmente. Claro que aquelas vozes também vieram a minha mente, e tenho certeza de que você também as escutou na sua própria cabeça, dizendo: Ele é um anjo! Você não pode ficar com ele! Você tem que matá-lo, mostrar que é o mais forte e o mais impiedoso de todos!”
“Mas eu apenas ignorei todas as vozes e vi que minha felicidade estava em suas mãos. Então eu te prendi aqui, porque sabia que se você me deixasse, não poderia te seguir, e que nunca voltaríamos a nos ver. Só queria ver seus olhos todos os dias, de tocar sua face corada e de discutir sobre besteiras, mesmo que para isso tivesse de te acorrentar feito um animal...”
“Sei que o que eu fiz foi errado, mas você precisa entender que foi tudo em nome do amor que eu sentia, e ainda sinto, por você e por mais ninguém, Roxas. Andei pensando nesses últimos dias, sabe? E cheguei a conclusão de que se você quiser ir embora, eu vou te libertar, mesmo que para isso tenha que abrir mão do meu coração, pois quando você for, vai levá-lo junto.
-Mas antes disso, Roxas. -Axel continuou, começando inesperadamente a chorar, soluçando de vez em quando. -Peço que me perdoe, por favor.
O ruivo então parou de falar, desviando o olhar do menor, que o fitava, ainda ingerindo as palavras que pareciam tão irreais, tão impossíveis. Axel o amava! O amou desde o primeiro momento no campo de batalha, e até ele também já tinha sido assediado por causa daquelas malditas vozes.
Roxas sorriu numa expressão literalmente angelical e tocou o rosto do maior, virando-o para si, sentindo-se desabar por dentro quando viu que o ruivo tinha os olhos marejados e a face bastante úmida por causa do choro, mas mesmo assim, manteve a postura e ,com coragem, disse:
-Tenho somente três palavras pra você, Axel.
-E quais seriam?
-Eu te amo.
Notas finais
Data por proximo chap: Até sexta ou dia 14/09.
Bjões, e por favor, mandem reviews, elas fazem uma grande diferença pra minha autoestima e na minha criatividade e inspirações.
Kisses!
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