Between Heaven and Hell
3 The Brown House
P.O.V Phoebe’s
– Porque temos trabalho para você, Phoebe Halloway.
Será que ele sabia? Oque tinha acontecido naquela lanchonete? Eu temia que sim, obviamente não contei a ninguém e aliás, provavelmente me matariam se soubessem que matei um demônio com apenas um toque, pesariam que eu sou uma aberração. Talvez eu fosse mesmo. Eu estava aterrorizada com que tinha acontecido nesse dia, parecia um dia normal como qualquer outro de um caçador, se não fosse pelo brilho que saiu de minha mão dilacerando o demônio e seus olhos. Sempre que penso nisso eu começo a tremer e a suar frio, eu tinha virado aquilo que eu caçava?
– Trabalho? Para mim? – eu falei gaguejando – quem tem trabalho para mim?
– Os anjos – disse Castiel, simplesmente.
Eu tinha a estranha impressão que já conhecia Castiel, não sei como mas...
– Que interesse os anjos poderiam ter na Phoebe, Cas? – Sam se manifestou.
– Eu não sei ainda, mas falaram para mim vir aqui e conversar com você, é importante.
Foi então que eu lembrei, eu o conheço.
– É você – sussurrei, não acreditando – não é mesmo?
– O que? – disse Sam confuso.
Castiel imediatamente pôs dois dedos na testa de Sam e ele desmaiou.
– Porque você fez isso? – gritei, olhando para Sam desesperada.
– Ele está bem – disse sério.
– É você que fica falando em meus sonhos, não é? – disse alterando a voz.
“Você deverá impedir isso antes que seja tarde demais...antes que o mundo acabe”. Ele era o dono da voz que cercava meus sonhos, me dizendo o que fazer e sobre o fim do mundo.
– Sim – ele desviou o olhar.
– Você está me seguindo?
– Não, apenas estou seguindo ordens do céu.
– O céu ordenou você me perseguir em sonhos? – disse indignada.
– Não exatamente – ele suspirou – estou apenas tentando ajudar.
– Se for para me ajudar a ter pesadelos – eu disse virando para frente – eu não preciso.
– Eu sei.
Comecei a suar frio, como poderia ele saber? Isso não é possível, eu nunca disse sobre isso em voz alta, a não ser que...
– Você consegue ver o que eu sonho? – o olhei assustada — tudo?
– Sim.
– Como você se atreve a ver isso? – eu estava quase pegando minha arma e atirando nesse anjo, mas sei que isso não vai funcionar – é pessoal!
– Me desculpe, mas foram ordens do céu.
– E você sempre faz isso? Obedece o céu como um cachorrinho? – gritei.
– Se for para salvar o mundo, sim – disse com a mesma expressão.
– O que meus sonhos e eu tem haver com salvar o mundo?
– Tudo.
– Você poderia me explicar então?
– Os anjos acreditam que você tem alguma relação com esses ataques e que você pode impedi-los.
– E como eu poderia fazer isso? – gritei – nem sabemos o que estamos enfrentando.
– Eu não sei ainda – disse pensativo – mas os anjos acharam uma casa que pode estar relacionada com isso. Porque está protegida contra anjos.
– Como?
– Símbolos
– Nos leve até lá – eu disse ligando o carro e dando ré.
* * *
P.O.V Dean’s
Um tempo depois na estrada eu notei marcas de pneu indo até um caminho cercado por árvores em volta sua volta dificultando a visão, talvez fossem eles. Adentrei no caminho e algo bateu em mim, era o carro de Phoebe.
– QUE INFERNOS? – disse gritando e saindo do carro.
– Dean? – disse confusa ao me ver – QUAL O SEU PROBLEMA?
– MEU PROBLEMA? VOCÊ QUE NÃO SABE DIRIGIR E SAIU BATENDO NO MEU BABY.
– AH EU NÃO SEI DIRIGIR? VOCÊ QUE BATE NO MEU CARRO E EU QUE NÃO SEI DIRIGIR?
– Gente – disse Sam também saindo do carro – se acalmem.
– EU NÃO VOU ME ACALMAR SAMMY, ESSA DESASTRADA BATEU NO MEU CARRO.
– VOCÊ QUE É IDIOTA E NÃO OLHA POR ONDE ANDA.
– IDIOTA É VOCÊ QUE NÃO SABE DAR RÉ SEM BATER EM ALGO.
– NÃO TENHO CULPA QUE UM OTÁRIO ENTRA EM UM CAMINHO SEM VER SE NÃO TEM NINGUEM SAINDO.
– A PREFERENCIA É DE QUEM ENTRA E NÃO DE QUEM SAI.
– O que está acontecendo? – disse Castiel que acabara de sair do carro.
– ESSE IDIOTA BATEU NO MEU CARRO – Phoebe apontou para o carro – OLHA ISSO ELE QUEBROU ATÉ O FAROL.
– É UMA LATA VELHA MESMO – ela me fuzilou com o olhar.
– Ele não disse isso
– Phoebe, se acalma – disse Sam se aproximando dela – não foi nada.
– NÃO FOI NADA? – gritou se afastando – LÓGICO QUE FOI, ESSE METIDO BATE NO MEU CARRO E AINDA COLOCA A CULPA EM MIM.
– Eu acho que deveríamos ir – disse Castiel se manifestando.
– Tira esse lixo da frente para eu passar – disse Phoebe entrando em seu carro.
– O QUE VOCÊ DISSE? – essa garota estava passando dos limites.
– EXATAMENTE OQUE VOCÊ ESCUTOU – ligou o carro e buzinou.
– Quer saber de uma coisa? Você é extremamente irritante.
– VAI SE FERRAR WINCHESTER.
– Ok, já chega – disse Sam tentando amenizar a situação – Dean tire o carro, temos trabalho a fazer.
– Como assim? – disse entrando no carro já não aguentando mais aquela garota me olhando furiosa, a culpa era toda dela mesma.
– Te explico no caminho – disse Sam enquanto todos entravam no carro, assim que sai da frente do carro de Phoebe ela acelerou e foi na frente como uma desesperada – siga a Phoebe.
– Tem certeza? É capaz de ela capotar o carro e ainda sobrar para mim.
– Apenas dirija, Dean – disse suspirando.
* * *
P.O.V Phoebe’s
Após eu conseguir tirar meu carro, com o farol recém quebrado, daquele caminho segui em direção da estrada, se eu ficasse mais um minuto na frente do Winchester metido era capaz de enfiar a faca em seu pescoço. Alguns minutos de estrada e eu escutei um barulho de asas do meu lado.
– AH! – perdi um pouco a direção do carro assim que vi Castiel sentado no banco do passageiro – Você pode por favor parar de fazer isso?
– Desculpe – disse ainda olhando para estrada – a casa fica em Dallas.
– Ok, indique o caminho.
* * *
Chegamos na casa algumas horas depois, estacionamos os carros no outro lado da rua e ficamos olhando. A casa era simples mas ampla, continha dois andares, duas garagens, uma janela grande no primeiro andar que ia quase até o chão, dos quartos eram medianas e onde provavelmente ficava o sótão continha apenas uma janela pequena. Um caminho que ia até as portas da garagem depois seguia até a porta principal, árvores grandes ao redor do terreno combinava com a cor amarronzada da casa deixando o ambiente mais misterioso. A morada ficava em um ponto afastado de Dallas e com poucos vizinhos.
– É aqui, Cas? – disse o metido saindo do carro assim como nós.
– Sim, contém proteção contra anjos em toda parte – disse Castiel observando a casa – é melhor vocês investigarem essa casa, eu tenho que ir.
– Ok, mas... – Dean iria continuar mas viu que Castiel já tinha sumido – alguém tem que ensinar boas maneiras a esse anjo.
– Antes alguém tem que ensinar a você – eu disse já lembrando do estrago que ele fez em meu carro.
– Como é? – disse se aproximando, mas eu continuei o ignorando.
– Não comecem vocês dois – Sam sempre apaziguando – vamos pegar as armas e ver o que tem nessa casa.
– Tudo bem, mas pegamos armas para o que?
– Demônios, gênio, o que mais poderia ser – eu falei enquanto abria meu porta-malas.
– Peguem um pouco de tudo, nunca se sabe – disse Sam enquanto pegavas as coisas.
Dean mandou um olhar convencido para mim e eu só revirei os olhos. Enquanto isso eu peguei tudo o que precisava e apertei o botão para guardar a “caixa” de armas.
– Caçadora moderna você – disse Sam ao meu lado, eu ri.
– Alguém tem que ser, não é?
– Chega de conversa fiada e vamos entrar na casa dos horrores logo – disse Dean.
Seguimos na direção da casa, já era noite mas todas as luzes da casa estavam apagadas, talvez fosse algum engano e ninguém morava ali. Estranho, essa casa me passava certa familiaridade. Assim que chegamos na porta deixamos nossas armas preparadas e Dean começou a destravar a porta. Abrimos a porta e testamos a luz, nada. Sam e Dean foram na frente e ligamos as lanternas, deixando-as ao lado da arma enquanto vistoriávamos o local.
– Procurando alguma coisa? – disse uma voz feminina atrás de nós.
Viramos imediatamente e demos de cara com uma garota baixa com cabelos loiros que iam até um palmo após os ombros, pele branca e seus olhos verdes se destacavam com a luz da vela que segurava em suas mãos.
– Desculpe moça, casa errada – Dean falou enquanto colocava a arma no cós da calça – já estamos indo.
– Ahhh – ela lamentou – indo tão cedo?
Seus olhos foram ficando completamente brancos e com o susto nós nos afastamos.
– Que falta de educação a minha, meu nome é Hadeel – ela sorriu – Hadeel Partash.
Ela fez um movimento simples com a mão, Sam e Dean foram jogados contra a parede, eu permaneci imóvel. Ela virou os olhos para mim e fez uma expressão de confusão.
– Hum, você é diferente – antes que ela dissesse mais alguma coisa eu me joguei em cima dela, peguei um frasco do meu bolso e apontei para seu rosto. Ela riu.
– Spray de pimenta não vai funcionar comigo, querida.
– Não é pimenta, fofa – apertei o spray e ela não reagiu, era água benta – Como?
– Isso também não funciona – ela me empurrou fazendo com que eu bata a cabeça no chão, ficando tonta — Talvez esteja na hora de você morrer.
Enquanto eu tentava focar em alguma coisa ela começou a me enforcar. Segunda vez essa semana que eu era enforcada, que sorte. Escutei Dean e Sam me chamando mas eles não podiam fazer nada, estavam presos na parede. Segurei seu pulso e usei toda minha força para me soltar.
Então veio o brilho começando a se irradiar de minha mão, ela gritou e saiu de cima de mim segurando seu pulso. Dean e Sam caíram no chão imediatamente.
– Como isso é possível? – ótimo mais uma sabe – quem é você?
– Isso não te importa, vadia – disse Dean segurando-a por trás e colocando a faca em seu pescoço.
– Phoebe, você está bem? – disse Sam me ajudando a levantar.
– Estou bem – menti.
– Hum, Phoebe, nome legal – Hadeel sorriu e virou a cabeça para tentar ver Dean – não sei se te falaram querido, mas facas não machucam pessoas como eu.
– Essa machuca – respondeu Dean enquanto fazia um corte em seu rosto, ele tinha razão, essa realmente machucava.
– Vocês são tão estranhos.
– Falou o demônio que não se afeta com água benta – eu disse.
– Cada um tem seus segredos, não é? – ela riu – principalmente você.
– O que faremos com ela? – eu falei para mudar de assunto.
– Acho melhor leva-la conosco – Sam só podia estar louco – ela deve estar envolvida nesse massacre, temos que interroga-la.
– Você só pode estar brincando.
– Ele tem razão – disse Dean enquanto colocava algemas nela – vou adorar te torturar, docinho.
– Aposto que vai mesmo – Hadeel sorriu, tem garota mais louca?
– Bom, no meu carro que ela não vai – disse fuzilando Dean com o olhar – ele já sofreu demais hoje.
– Olha aqui sua patricinha... – Dean começou mas eu o interrompi.
– Patricinha não, fale direito comigo.
– Ah me desculpe então, mimada – Dean estava querendo morrer.
– Cale a boca, você não sabe nada sobre mim – eu disse indo para meu carro.
– Nem você sobre mim.
– Tem certeza? – disse me virando para ele – o famoso Winchester mais velho, bonitão, pegador, metido, briguento e sempre protegendo o irmão caçula.
– Então eu sou bonitão, é? – disse Dean se aproximando de mim – você também não é de se jogar fora.
– Uau, essa é a sua melhor cantada?
– Se quiser eu faço mais do que uma cantada – ele se aproximou ainda mais, eu estava começando a me perder em seus lindos olhos verdes, quando percebi o que estava fazendo.
– Babaca – eu me afastei e entrei em meu carro, ele riu.
– Já está caidinha por mim – eu gargalhei.
– Não, você que está por mim – pisquei para ele e liguei o carro indo em direção ao hotel mais próximo.
* * *
P.O.V Dean’s
Quando eu quase estava ganhando alguma coisa, Phoebe se afasta, minha sorte com as mulheres não estava muito boa essa semana. Estava olhando o carro dela se afastar quando escuto um assovio atrás de mim.
– Você realmente precisa melhorar suas cantadas – disse Hadeel sendo guiada por Sam até o impala, com uma faca apontada em costas é claro.
– Ela tem razão – disse Sam rindo.
– Eu não vou começar a aceitar conselhos de você, Sam – eu falei enquanto entrava no carro.
* * *
Depois de algum tempo chegamos no hotel, acorrentamos Hadeel em uma cadeira fizemos um pentagrama ao redor, antes de começarmos ouvimos o conhecido som de asas.
– Quem é ela? – disse Castiel confuso.
– Uma doida que mora naquela casa – Phoebe disse – Hadeel Partash.
– E quem é você? – disse Hadeel sorrindo.
– Meu nome é Castiel, sou um anjo do senhor.
– Sabe, você é muito gostoso para um anjo – ela continuou – eu abriria minhas pernas para você se elas não estivessem acorrentadas nessa cadeira, seus amigos não estão sendo muito gentis comigo.
– Ok, depois eu deixo vocês dois em um quarto, agora temos coisas a descobrir – eu disse enquanto pegava minha faca.
– Ela não é um demônio.
– Lógico que ela é, ficou até com os olhos brancos – Phoebe questionou.
– Brancos?
– Sim
– Isso não está certo.
– Como assim? – Sam se pronunciou.
– Apenas Lilith ficava com os olhos brancos – continou Cas – e vocês a mataram.
– É, obrigada por matarem minha mãe – disse Hadeel
– MÃE? – dissemos em um uníssono, Castiel apenas continuou pensativo.
– Soltem ela – disse Castiel.
– E por que faríamos isso? – questionei.
– Preciso tocar a alma dela, descobriremos mais informações assim.
– Apressadinho você – Hadeel disse irônica.
– Tanto faz – disse Phoebe indo solta-la e eu fui ajudar – vê se não quebra nada, Winchester.
– Não enche, Halloway – disse empurrando-a de leve com o ombro.
– Seu sobrenome é Halloway? – disse Hadeel pensativa.
– Ahn... Sim – Phoebe respondeu hesitante — porque?
– Nada – Hadeel desviou o olhar, ela deveria saber alguma coisa sobre a Phoebe ou sua família.
Assim que soltamos Hadeel ela levantou se espreguiçando, foi na direção de Castiel e lhe deu um selinho rápido. Ela era mais louca do que pensávamos.
– Obrigada, Cas – ela disse indo até a cozinha e depois se virando para nós – vocês não tem nada para beber?
– Para você não – Phoebe sorriu ironicamente.
– Que grosseria com uma convidada.
– Chega disso e veja logo a alma dessa garota – disse Sam impaciente.
– É, não aguento mais essa maluca – disse Phoebe.
– Que gracinha – disse Hadeel ironicamente.
Hadeel se sentou novamente na cadeira e Cas começou arregaçar a manga de seu sobretudo.
– Vê se não grita, fofa – disse Phoebe se sentando na ponta da cama.
Antes que Hadeel respondesse Castiel colocou o braço dentro de sua barriga. Isso é muito nojento, não deve ser muito legal ser anjo e ficar tocando a alma das pessoas. Hadeel fez uma expressão de dor e tentou segurar um pouco o grito, quando Cas se afastou ela afundou na cadeira.
– Da próxima vez avise – disse enquanto se recuperava.
– E então? – disse Phoebe se levantando – podemos matar ela agora?
Dessa vez, eu tinha que concordar com Phoebe, não estava mais aguentando ficar levando demônios para todo o lado.
– Temos um problema – disse Castiel enquanto arrumava o sobretudo.
– E qual a novidade? – Phoebe questionou.
Ok, eu tinha que concordar com ela de novo, mas caçadores sempre estão com problemas.
– Então... o que ela é? – continuou Phoebe.
– Ela é.... – Castiel hesitou – metade demônio e metade humana.
Silêncio
– Como isso é possível? Eu não sei vocês, mas nunca vi isso.
– Nós também não – eu e Sam dissemos em um uníssono.
– Eu tenho que falar com os outros anjos sobre isso – falou Castiel.
– Tem certeza que isso é uma boa ideia, Cas? – perguntou Phoebe.
– Ela tem razão, os anjos podem querer matar ela antes que obtenhamos respostas sobre o caso – Sam se manifestou.
– Tudo bem, vou ver se encontro algo sobre... essa espécie – e Castiel sumiu.
– Mas já? Nem para dar um beijo de despedida – Hadeel reclamou.
– Alguém cale a boca dessa coisa – disse Phoebe se sentando.
– Não me importo do anjinho calar.
Phoebe apenas bufou para Hadeel. Foi então que eu lembrei o que aconteceu com ela naquela casa, aquele brilho. O estranho que a reação dela foi como já tivesse feito aquilo antes, não de proposito, mas sim. Aquela garota era mais misteriosa do que eu pensava, isso só me deixava mais curioso em conhece-la, não sei porque mas eu gostaria de saber mais sobre ela. Sua história, por exemplo, perguntei para Sam mas ele também não sabe nada além de que fizeram faculdade juntos e que Phoebe era amiga de Jess. Acho que eu teria que perguntar para ela então.
– Phoebe, posso falar com você por um minuto? – eu disse olhando em seus olhos.
– Comigo? – ela pareceu confusa – ok...
– Hmmm aí tem – disse Hadeel mas todos ignoramos ela como sempre.
Phoebe se levantou e foi na direção da porta que ia para o corredor e entrou em seu quarto, fiz apenas um aceno de cabeça com Sam para ver se ele não se importava de ficar com a doida mas ele apenas acenou de volta. Eu entrei em seu quarto que era exatamente igual ao nosso, paredes brancas levemente manchadas, duas camas de solteiro separadas por um criado-mudo marrom escuro, uma televisão velha em cima de uma mesa, um pequeno banheiro no canto e uma cozinha com um balcão no meio. Phoebe estava sentada em uma das camas, assim que entrei ela olhou pra mim e fez sua expressão sarcástica.
– Se for para pedir desculpas pelo o que fez com meu carro, eu não quero ouvir.
– Eu nunca vou te pedir desculpas sobre isso, a culpa foi sua.
– Eu também não vou pedir desculpas para você, foi você que não sabe dirigir.
– Eu não sei dirigir? – eu ia começar mas lembrei o motivo pelo qual a chamei – ok, não foi por isso que te chamei.
– Foi por que então?
– Aquilo que você fez na casa... aquele brilho saindo de sua mão... – parei de falar para ela explicar mas continuou calada — Phoebe?
Ela desviou o olhar e encarou o chão, mexendo suas mãos nervosamente em seu colo.
– E-eu não sei do que você está falando – ela gaguejou.
– Vamos lá Phoebe, me conte – ela continuou olhando para o chão – eu prometo que não conto para ninguém, nem para o Sam.
Ela finalmente olhou em meus olhos e suspirou.
– Eu não sei o que é aquele brilho.
– Mas você já fez isso antes?
– ... Sim
– Quando? – eu estava muito curioso.
– Semana passada, quando nos conhecemos.
– Como foi? – eu disse sentando do seu lado.
– Eu estava em uma lanchonete, mas então ela foi atacada por demônios – ela hesitou – eu estava quase morrendo e veio aquele brilho de minha mão, matando o demônio.
Ela olhava para suas mãos, como se procurasse por aquele brilho.
– Como é esse brilho? Não deu para ver direito – eu sorri de lado mas ela continuou olhando para as mãos.
– Ele é branco mas um pouco acinzentado, bem claro e intenso.
– Bom, então isso acontece quando você está prestes a morrer.
– Pelo jeito sim – ela disse com a voz embargada – o que eu sou? Eu virei o que caço? Que tipo de caçadora faz o que eu fiz?
Ela começou a chorar e eu peguei em sua mão e olhei em seus olhos, ela me olhou confusa.
– Não se preocupe Phoebs, nós vamos descobrir o que é isso, eu prometo – ela apertou minha mão de volta e deu um pequeno sorriso.
– Obrigada, Dean.
– Talvez podemos falar com Cas, essa cara é uma enciclopédia.
– Não, por favor, não conte para ele ainda – ela disse limpando o rosto – não estou pronta para contar a mais ninguém.
Fiquei olhando seus olhos castanhos escuros, eram realmente bonitos. Por mais que ela tenha se aberto comigo agora, seus olhos ainda continham aquele mistério, aquele tipo de mistério que você quer muito descobrir e que eu descobriria de todo jeito.
– Bom, vou deixar você descansar – eu disse me levantando e indo até a porta.
– Ei, Winchester – eu olhei para ela – não pense que vou esquecer o que você fez com meu carro.
– Também não vou esquecer que você bateu no meu baby – eu disse sério mas logo ri assim como ela.
– Boa noite, Phoebs – disse abrindo a porta.
– Boa noite, Dean – ela sorriu.
P.O.V Sam’s
Os dois foram para o outro quarto enquanto eu acorrentava Hadeel de volta na cadeira. O que o Dean queria conversar com a Phoebe? Estranho, até onde eu sei eles nem conseguem ficar em um mesmo ambiente sem discutir por causa da batida dos carros. Estava distraído pensando nisso quando Hadeel interrompe meus pensamentos.
– Preocupado? – disse sorrindo.
– Com o que? – fiquei confuso.
– Com a sua namorada conversando com seu irmão? – ela riu.
– Ela não é minha namorada.
– Você bem que queria não é? – ela provavelmente estava querendo me distrair para esquecer de acorrenta-la.
– Sei o que está fazendo – eu disse enquanto prendia as algemas para demônios, não sei se iria funcionar totalmente, em suas mãos – você não vai escapar.
– Relaxa garotão, eu ainda pretendo me despedir do anjinho – disse balançando as algemas – precisa mesmo disso? Não vou fugir.
– Claro que não – falei sarcástico.
– Voltando ao assunto, percebeu como eles estão demorando? Acho q a conversa ficou para depois em – disse pensativa — quem sabe já não foram parar na cama? Ou talvez o chão? A mesa não seria nada mal
– Porque você não cala a boca?
– Uh o alce ficou irritado – eu estava prestes a virar as costas quando percebi do que ela me chamou, apenas uma pessoa me chama assim.
– Do que você me chamou? – eu disse estreitando os olhos, essa história estava começando a fazer mais sentido.
Ela ficou confusa com a minha pergunta depois pareceu perceber o que tinha dito e desviou o olhar.
– De irritadinho – ela pigarreou.
– Não, foi outra coisa.
– Alce? Convenhamos que você é muito alto, nem passa pela porta – eu ignorei o comentário e continuei encarando-a.
– Estão você trabalha para ele – dei um pequeno riso quando consegui conectar tudo.
– Ele quem? – ela continuou se fazendo de desentendida.
– Crowley.
Ela pigarreou e desviou o olhar. Nesse mesmo instante Dean entrou no quarto.
– Eai foi bom? – disse Hadeel com o olhar malicioso.
– Cala a boca vadia – disse Dean enquanto sentava em sua cama.
– Uh alguém levou um fora.
– Eu não levo foras, eu dou foras – disse sorrindo abobado.
– Cadê a Phoebe? – eu disse confuso.
– Ela foi dormir.
– Hm, então ela cansou e você não? Impressionante.
– Podemos mata-la agora? — disse Dean olhando para mim.
– Não, porque acabei de descobrir para quem ela trabalha – disse olhando para Hadeel que parecia desconfortável.
– Para quem? – disse Dean curioso.
– Nada menos do que o rei do inferno, Crowley.
– Você só pode estar brincando comigo.
– Eu não trabalho para ele, ok? – disse Hadeel impaciente – eu trabalho com ele.
– Duvido – disse Dean rindo e eu tive que concordar.
– Porque não?
– Porque é o Crowley, ele não trabalha em conjunto com ninguém.
– Talvez trabalhe comigo.
– Porque você? – eu disse.
– Porque sou filha dele.
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