Between Heaven Hell
4 Capítulo Quatro
Notas iniciais
P.O.V LYN
Jin se levanta, mas parece que eu não tem forças para fazer isso, fico ajoelhada no chão, ao lado de uma pequena poça de sangue onde antes estivera meu irmão, olhando minhas mãos.
Não sei o que pensar nesse momento, estou com a cabeça vazia, nunca quis acreditar que era meio anjo, sempre quis ser igual aos outros, sem nada de diferente, mas ao que parece eu não sou normal, e nunca serei.
Sinto meu irmão colocando a mão no meu ombro.
– Pode me odiar depois disso, mas não pode fugir de quem você é.
Continuo no chão, não sinto ódio dele, sei que ele esta certo, sempre soube o que era e fugi, mas... Mas agora tenho certeza, sou meio anjo. Jin me ajuda a levantar e me senta na cama.
– Achou mesmo que isso me mataria? Nem me arranhou, além do mais, em menos de dois minutos eu estaria curado. Mas, sua reação, se preocupa comigo?
– Você ia sujar o chão do meu quarto, queria que eu tivesse feito o que? Limpei tudo ontem.
– Bem pensado, melhor eu ir comer algo – ele diz e se levanta.
– Onde você pensa que vai? Olha o chão sujo de sangue, limpa.– Olho ele ir em direção a porta do quarto dando risada.
– Sério? Eu. Limpar?
– Você que se deu uma facada e sujou – Consigo me levantar e andar até a janela por onde ele tinha jogado meu pingente. – E eu quero outro.
– Porque? Eu que fiz, e você me odeia, então não é bom lembrar de mim
– Não tenho que dar explicações, era meu e eu quero outro.– Ando ate a porta e fico de frente para ele – Alias, nunca te odiei. Odiei você ter ido embora e me deixado e quase não ter me dado noticias depois.
– Não queria meter você nisso, foi melhor assim.
– Me deixar sozinha sem quase dar noticias, rezando para vocês estarem vivos? Foi melhor assim?
– Acredite, era melhor eu estar longe.
Ele realmente é mais alto que eu, mas eu encaro seus olhos. Senti falta dele todo esse tempo que ficou longe, queria meu irmão comigo, sabia que aquela cena na frente da minha escola com o Thiago foi ciumes da parte dele e sabia que ele realmente não precisava da minha ajuda, queria apenas ficar comigo.
– Agora que eu "aceitei" que sou meio anjo, vou poder ir com você?– Desenho as aspas com as mãos. – Ou já mudou de ideia?
Ele suspira pesado, parecia que tinha mudado de ideia depois do que aconteceu.
– É mesmo o que quer? E sua vida "normal"? – Ele também desenha aspas com as mãos. – E o Thiago?
Respiro fundo. Thiago. Teria que deixar ele aqui, teria que ir embora, ficar fora muito tempo... Eu queria poder ficar com ele, mas também quero ir com o meu irmão.
– Se eu for com você, nós não podemos voltar pelo menos uma vez por mês aqui?
Ele coça a cabeça e fica andando no quarto, em círculos.
– Você gosta dele?
– Muito... E alem dele tem minha melhor amiga, a vó...– Tento mudar de assunto para ver se ele esquecia o Thiago – a vó sentiu sua falta.
– Não mude de assunto. E–eu preciso matar o Thiago – ele diz num tom triste.
– Você não pode matar ele! Tem que ter um outro jeito! Por favor, me fala que tem um outro jeito.
Novamente ele anda em círculo pelo meu quarto, é agoniante. Ele pensa em dar uma resposta , mas hesita. Pensa mais um pouco.
– É um demônio de nível 4, eu posso tentar exorcizar. Da ultima vez não consegui e tive que matar o recipiente. E gastei muita energia, quase morri.
– E se eu te ajudar? Não sou meio anjo? Posso ajudar, não posso?
– Não – fala secamente. – Olha, é muito difícil, você pode morrer fazendo isso, consome muita energia vital, seu coração pode parar. Eu vou fazer, vou tentar. Prometo.
– Nem vem, você já me deixou de fora muito tempo. Eu quero ajudar! Eu quero salvar ele, você querendo ou não eu vou ajudar! – Jin não tinha mais o direito de me deixar fora da vida dele. Idaí que eu corria risco? Ele também corre, não quero perder meu irmão de novo, não para sempre.
– Olha, se algo der errado você tenta me curar, me fortalecer, certo? Se quiser ajudar vai ser isso.
Vou até a minha cama e me sento com as pernas cruzadas e olhando para ele.
– Ele não confia em você, vou ter que te ajudar em mais do que isso, ele confia em mim e eu sei que posso ajudar a controlar ele.
Ele começa a andar em círculos de novo e as vezes me olha com um pouco de raiva e outras com preocupação.
– Não pode controlar ele, não vai ser ele. E Você sabe disso.
– Mas eu posso fazer com que lute para que o demônio não tome conta dele.
– Já é tarde demais.
– Não é. Eu conheço ele, sei que não é. Eu acredito nele Jin, então por favor acredite em mim.
Ele me olha nos olhos me analisando e eu desvio o olhar, nunca tinha pensado que gostava tanto dele até agora que o meu irmão falou que teria que mata–lo.
– Sei que é difícil. Mas não tem como controlar um demônio nível 4. Eu não quero matar o Thiago, eu vou tentar expulsar. E você vai me da assistência.
– Não gosto quando você me trata como se eu fosse uma criança. Mas tudo bem, eu te dou assistência.
Meu irmão vai até o criado mudo que fica do lado da minha cama e tem vários porta–retratos em cima. Ele pega um que tem uma foto minha com o Thiago, tinha sido presente dele no meu aniversario e ficou olhando, depois ele olha curioso e pega um porta–retrato que tem uma foto dele pequeno comigo ainda bebe no colo.
– Você sempre foi linda – diz distraído com a foto. – Desde pequenina.
Sinto minha bochechas queimarem hora.
–Você cuidava muito de mim.
Ele sorri, pela primeira vez que ele voltou eu reconheço o lindo sorriso de menino dele, essa vida de caçadas mudou meu irmão. Antes ele era brincalhão e cuidava muito de mim. Nunca vou deixar de admira meu irmão, sempre sera meu Jin.
– Posso te abraçar? – Ele pede, para minha surpresa.
Não tenho tempo de responder, ele me puxa me fazendo ficar em pé e me abraça, posso falar que senti falta do abraço dele, fiquei tanto tempo sem que já tinha me esquecido de como era.
– Antes que eu esqueça, você vai limpar o chão do meu quarto.
Damos risada e ele me aperta mais forte.

Fale com o autor