Notas iniciais
Je - Demoramos, mas enfim está ai o capitulo cinco. Espero que gostem e que continuem a ler a fic. Eu e Kah estamos nos esforçando muito, e é isso aí, obrigado por lerem. Abraço e até a próxima.

P.O.V JIN

Não consigo dormir, o ventilador gira e gira em movimentos repetidos e tediosos. São duas da manhã. Não estou acostumado a dormir tão bem, geralmente durmo em hotéis sujos ou quando o lugar é desumano prefiro dormir no banco do carro.

– Não, não, não, por favor. Volta Thi, volta – ouço gritos.

Droga. É a Lyn. Levanto correndo e passo pelo corredor mega rápido, abro a porta e entro. Ela está dormindo, agora não grita mais, porém fica se remexendo na cama e suando frio. Sento em sua cama ao seu lado e coloco a mão em sua testa, respiro fundo e entro lentamente em sua mente.

Não é um dom meu ler mente, mas posso fazer as pessoas terem pesadelos acordados ou intervir em seus sonhos e pesadelos enquanto dormem. Vejo Lyn, vejo Thiago ensanguentado deitado no colo dela sem respirar, ouço risadas demoníacas e sombras por toda parte. É o pesadelo dela, horrível. Entro no meio do pesadelo.

– Não é real, Lyn – falo a ela.

Lyn olha para mim, seu rosto marcado pelas lagrimas que insistiam em cair.

– Vou te acordar agora, ok? – Aviso.

Ela apenas balança a cabeça positivamente, seu rostinho estava tão pálido e triste que nem parecia com a Lyn que convivi no passado.

Saiu do pesadelo dela e volto minha alma para meu corpo. Quando entro nos sonhos da pessoa meu corpo real fica imóvel, apenas respirando, porém eu ainda consigo sentir tudo a minha volta, digamos que como um alarme de carro.

Lyn já esta suando, e seu rosto é de angustia.

– Acorda Lyn – mexo seu ombro delicadamente. – Lyn acorda – mexo mais rápido ao perceber que ela não estava acordando.

Ela acorda de repente, assustada olhando para todos os lados do quarto. Puxo e abraço-a.

– Estou aqui, acabou, foi só um pesadelo.

Ela permanece imóvel. A ficha de que realmente não tinha sido real ainda estava caindo, Lyn treme de medo, e eu entendo. Realmente o sonho foi horrível, percebo o quanto o Thiago é importante para ela.

Longos dez minutos se passam, ainda estou abraçando-a. Agora Lyn está mais calma.

– Tenho medo de perder ele, estou com muito medo – ela treme um pouco.

– Ter medo é normal, mas você precisa enfrentar esse medo – falo para ela.

– Você tem medo de alguma coisa, maninho? – Pergunta.

– Na verdade tenho, meu medo é perder você. É a única coisa que me sobrou de família.

– E a vovó – ela lembra.

– E ela.

Conversamos um pouco até que ela adormece encostada em meu peito. Tão anjo... Sorri com minha própria piadinha trocadilho. Volto para meu quarto e tiro um amuleto que inibe sonhos ruins, vou ao quarto dela e ponho na cabeceira. Beijo sua testa e volto para minha cama. Amanha será um longo dia.

Depois de fazer toda rotina monótona de um estudando vamos saímos para aula, andamos juntos na calçada. Vou me matricular para poder estudar melhor a situação do Thiago.

– Quer dizer que consegue invadir sonhos? – Ela pergunta.

– É por ai – falei.

– O que mais faz?

– Posso fazer as pessoas terem pesadelos acordados¸ consigo manipular o fogo com muita dificuldade admito, mas consigo – penso um pouco, o que mais? – Ah, sou mais rápido, forte, resistente. E tenho uma arma que mata demônios com tanta facilidade que chega a dar pena deles – sorriu.

– E eu, posso fazer o que alem de curar?

– Bom, pelo que sei você consegue alterar lembranças, poder de manipulação mental, escudo mental muito bom e na hora certa o arco arcanjo vai se revelar para você – falei convicto.

Lyn fica pensativa e ao mesmo tempo exibe um sorriso maroto.

– Eu sei que está achando seus dons melhores.

– O suficiente para te humilhar – ela ri.

– Calada a boca – empurro-a de leve.

– Chato.

– Obrigado.

Chegamos juntos a escola, alguns alunos no encaram, são uns grandes vermes ambulantes. Seria uma pena se eu entrasse na mente de alguns deles e os fizesse sofrer um pouco.

– Não faça nenhuma besteira – Lyn adverte.

– Anda lendo minha mente – brinco.

– Não preciso fazer isso para saber o que gostaria de fazer, apenas ignora. Como faço para usar meus dons? Quer dizer, eu te curei no meu quarto, mas foi meu sem querer – ele fala.

– Não foi sem querer, você quis muito, ai aconteceu – era simples.

Lyn respira fundo e tenta se concentrar.

– Queira muito que a pessoas faça o que você pede, olhe nos olhos dela e tente invadir sua mente – ensino, ou tento.

– Como se fosse simples.

– Se você quiser você pode – incentivo, apesar de não ser bom com isso.

– Ok. Vou tentar.

– Boa sorte.

– Obrigada – ela sai andando na direção da sala da coordenadora.

Espero cinco minutos até que Lyn sai com um sorriso no rosto triunfante. Acho que o sorriso já diz que ela conseguiu, sou novo aluno da escola, que coisa maravilhosa. Na verdade é uma droga não vejo a hora de fazer o que tem que ser feito e sumir dessa cidade. Preciso achar meu pai logo.

Logo atrás dela sai à diretora ou coordenadora, tanto faz. Ela vem com a cara de contente, parece que está sendo o melhor dia de sua vida.

– Você é o novo aluno, certo? – Ela pergunta.

A mulher até que é bonita, aparenta ter uns 35 anos, é loira e alta, os olhos são verdes folha seca, são bem bonitos.

– Sou? – pergunto, Lyn me da uma cotovelada na costela. – Claro, sou sim.

– Vamos, vou te apresentar a classe.

Andamos até a sala de aula, eu e Lyn lado a lado e a mulher na frente. Ela para e abre a porta, faz gesto para eu e Lyn entrarmos. Lyn entra na frente e na minha vez a mulher põe a mão em meu ombro e entra junto comigo.

– Bom dia alunos – ela saúda.

Os alunos respondem meio sonolentos, dentre os rostos reconheço a amiga de Lyn e Thiago.

– Esse é nosso novo aluno, Jin Mavericks. Espero realmente que o recebam bem e calorosamente, obrigada e boa aula – e saiu.

Sinto alguns olhares de reprovação, principalmente de Thiago. Lyn sentou na cadeira atrás dele, não me é novidade. Caço um lugar para sentar, não há muitas opções. Dentre sentar perto de nerds idiotas ou patricinhas ordinárias, sobra-me uma terceira opção, logo a frente da carteira onde a amiga de Lyn senta, é para lá que eu vou.

Sento e abaixo a cabeça.

– Oi – ouço alguém sussurrar.

Olho para trás.

– Fala – falo secamente.

– Você é o irmão da Karolyne, certo? – Pergunta.

– Certo, por quê?

– Nada, sou Isabelle, melhor amiga dela.

– Eu sei que você é.

Falamos por sussurro. Nem sei por que estou dando trela para essa menina. Mas ela é curiosa, o jeito de ser dela.

– Como sabe?

– Ela já falou de você.

– Ah bom.

– É.

Viro-me para frente. Uma professora entra na sala, e já começa falando asneira. Pelo menos ela não percebeu minha presença, dispenso ter que me apresentar, essa de escola nunca foi minha praia. Prefiro mil vezes caça um demônio por dia.

A professora passa uns deveres no quadro. Algumas coisas eu sei, meu pai pagava professores particulares por onde viajávamos. Mas outras eu não cheguei a ver.

– Ei, eu já terminei, quer que eu faça o seu? – Isabelle pergunta.

– Se quiser – entrego meu caderno.

Em menos de vinte minutos a danada termina todo dever e me entrega, mostro a professora e ela me da visto e me deseja um bom ano letivo. Ano? No máximo que ficarei aqui são duas semanas.

A semana passou muito rápido, Lyn aproveitou e treinou seus dons bastante, e eu a ensinei a matar demônios e atirar, a se defender e tudo mais. Claro que teoria é uma coisa e pratica de verdade é outra, mas pelos treinos e o sangue que corre em suas veias tem tudo para dar certo. Ela sabe se defender muito bem. Ah, tinha esquecido, a danadinha aprendeu a fazer luz com as mãos, uma luz branca e muito forte. Será muito útil, vai praticamente cegar os inimigos.

A Isabelle descobriu que somos diferentes, o tal de Thiago também, a princípio quase tiveram um infarto, mas no fundo já sabiam que Lyn não era normal. Isa, gosto de abreviar nome, conversava comigo todas as aulas, eu não tinha escolha já que ela sentava atrás de mim e só parava de encher o saco quando respondia-a.

– A Isa gosta de você – Lin fala assim que entramos na sala.

Sexta-feira. Finalmente. Meu plano é de agira no máximo até amanha a noite. O demônio se fortaleceu, mas ainda não dominou Thiago. Acho que está esperando o momento certo, ele sabe que estamos preparados.

– Eu não gosto de ninguém – falo e sento na minha cadeira.

Isa ainda não chegou, ah, acaba de entrar na sala. Ela é uma menina legal, gosto dela, mas não posso me envolver com humanos, espero realmente que ela ache alguém menos perigoso e que seja bom para ela.

– Bom dia Jin – Isa me cumprimenta e senta na cadeira.

– Bom dia.

– Hoje você vai entrar em minha mente? Por favor – ela sussurra.

– Não, é ruim.

Ela ficou a semana toda tentando fazer com que entrasse na mente dela , usando meu dom de criar pesadelo nas pessoas.

– Por favor, por favor, por favor.

– Ah meu Deus, ta bom. Mas depois não vá reclamar nem chorar para Lyn – aviso.

– Ok – ela respira fundo. – Quando quiser.

Concentro-me um pouco e entro em sua mente. Vejo os medos dela, são vários, baratas, aranhas, perder as pessoas que ama, ficar sozinha, palhaços. Vou pegar leve. Baratas.

Crio uma ilusão em sua mente, Isa está em um esgoto, escuro. Está sozinha, seu sorriso desaparece instantaneamente. Faço varias baratas aparecerem, são tantas que ela mal consegue enxergar o chão. Estão por toda parte, Isa corre desesperada, faço aparecer barata do outro lado, está sem saída. Por cima das pequenas crio uma barata de um metro, é muito nojento.

– Chega, por favor, já deu. Por favor.

Ela não me vê, claro. Eu crio o mundo que quiser em sua mente. Mas acho que já chega. Saiu de da mente dela.

– Isa? – Chamo.

Seus olhos estão vermelhos, é normal quando estou na cabeça da pessoa, mas eu já sai, era para está normal. Droga. Tento entrar novamente em sua mente, tentar tira-la de lá, mas não consigo. Algo não me deixa, parece que tem uma barreira em sua mente. Isso nunca acontece antes.

Isa começa a tremer na cadeira. A professora vem correndo até ela.

– O que houve? – Me pergunta.

– Não sei, ela está passando mal, sei lá.

Lyn se levanta e corre até nós.

– Isa, acorda. Isa, por favor.

Olho para Thiago, está de cabeça baixa. Ando até ele e seguro seu braço. No mesmo instante Isa desmaia.

– O que foi cara? – Ele pergunta sonolento.

– Nada não.

Está quase se revelando, o demônio aproveitou quando sai e continuou com o pesadelo dela. Deve ter ficado muito pior, e não tive forças para voltar, tira-la de lá. Pobre menina. Mas agora vai ficar tudo bem.

Corro até a cadeira dela, empurrando alguns enxeridos e curiosos. Pego Isa no colo.

– Vou levar ela para enfermaria, acho que foi só pressão.

– Vou com ele – Lyn fala.

– Não, senhorita Mavericks. Um já está de bom tamanho.

Lyn olha em seus olhos.

– Professora, eu vou com ele , vai ser melhor.

– Claro, como eu disse, vá com ele que vai ser melhor – a professora diz.

Aprendeu rápido.

Ando com Isa no colo e saiu da sala.

– O que você fez? – Lyn vem logo atrás de mim e me belisca.

– Nada – retruco. – Thiago caiu no sono, o demônio está muito forte, ele já consegue usa o pesadelo vivo.

Ela faz uma careta.

– Gosto de dar nomes as habilidades.

– Temos que agir – ela fala com voz triste.

– O mais rápido possível.

Notas finais
^^ O seis ja está pronto, essa semana postamos, abraço