Between Heaven Hell
3 Capítulo Três
Notas iniciais
P.O.V JIN
Apesar insistência de minha avó para ficar na casa dela enquanto eu estivesse na cidade, consegui rejeitar a proposta com muito esforço, não quero que corra risco por minha culpa, o quanto menos eu ficar, melhor vai ser para todos. Porém ela não quer que Lyn vá comigo, mas esse pedido eu não posso conceder a ela, Lyn tem sim que vir comigo. Pensei melhor, na proposta dela, e voltei atrás e em minha decisão, resolvi aceitar. Por quê? Acho que vai ser melhor assim, apenas. Sim, eu me contradigo o tempo todo.
É onze e cinquenta, o sinal bate e os alunos começam a sair. Saiu do Camaro e me escoro na porta, com os braços cruzados enquanto espero minha irmã. Imagino que vá ficar muito brava comigo, vai ser divertido ver o rostinho de raiva dela.
Finalmente a avisto saindo, está acompanhada por um menino, ele tem cabelo preto com franja, acho, a pele é pálida e é magro. E tem uma menina do lado. Até que é bonita e se veste no mesmo estilo de Lyn, a pele é clara e os olhos escuros, e usa óculos de grau.
A cara da Lyn quando me viu foi como esperava. Ela pede para os amigos esperarem e caminha em minha direção.
– Não te quero aqui – disse.
Reparei que algumas meninas me olham e dão risinhos ou comentam algo com as amigas. Ô falta de uma louça para lavar.
– A rua é sua? Acho que não. – Falo tranquilo.
– Você quer estragar minha vida também? – Sua voz mudou, agora já era de tristeza.
– Precisamos conversar – peço.
– Algum problema? – O garoto surgiu do lado dela.
– Thiago, volta para lá, deixa que eu resolvo – ela pede preocupada.
– Melhor escutar minha irmã – alerto-o em tom de ameaça.
– Ou o que? – O tal Thiago me desafia.
– Chega Thiago – Lyn segura seu braço. – Não vale a pena procurar intriga com ele.
– Você está assim por causa dele, Lyn. Não era para ele ter voltado, vai acabar com sua vida – o Thiaguinho se rebelando, que medo.
Coço a cabeça e dou um sorriso.
– Seu idiota – o garoto se solta de Lyn e me dá um soco. O contato do punho dele com meu rosto passa uma corrente para mim, uma sensação vazia, de medo, agonia.
Mas que droga, esse garoto tem um demônio parasita em seu corpo. Esse tipo de demônio não controla nada no ser humano até chegar à fase desenvolvida, o que acontecera em breve, muito em breve.
– Droga Thiago, porque fez isso? – Lyn o puxa e fica a sua frente.
Novamente abro um sorriso, devia agradecer a esse menino pelo soco, além de não doer nadinha revelou um demônio classe quatro. Esse tipo de demônio é muito difícil de expulsar depois que se revela.
– Ele me tira do sério Lyn – Thiago diz irritado e alisando a mão que me socou, mão de moça.
– Achei um bom motivo para bater em alguém – estalo o pescoço e os dedos das mãos.
– Não Jin, por favor, não machuque ele – minha irmã pede.
Os outros alunos nos olham, esperando para ver uma boa briga, mas minha intenção não é essa. Apesar da vontade. Esse menino pode ser importante para Lyn e querendo ou não me importo com isso.
– Só depende de você, se vier comigo não encostarei a mão nele – ando até o outro lado do carro e abro a porta.
– Não vai Lyn, eu dou conta dele – Thiago tenta.
– Cuida dessa mão, eu tenho que ir Thiago, não quero que ele te machuque, e sei que ele vai fazer. Olha, ele é meu irmão, não vai me machucar – obvio que não.
Ela beija seu rosto e entra no carro. Dou a volta e sento no banco do motorista, giro a chave e arranco deixando os alunos idiotas de boca aberta. Às vezes tenho raiva de pessoas, elas conseguem ser irritantes ao extremo.
– Conseguiu de novo, está novamente acabando com minha vida.
– Lyn, você pode pensar como quiser.
– Porque realmente voltou, Jin? Você sabe que sozinho você é melhor do que comigo – ela fala, baixinho.
– Eu sei – respondo. – É complicado Lyn — eu quero dizer, mas não consigo.
Não consigo simplesmente dizer que voltei por ela, que a amo tanto e estou com muito medo de perdê-la. Primeiro a mamãe, depois o papai, com certeza ela seria a próxima. É difícil dizer, mas ela vai estar mais segura comigo.
– Seria demais pedi uma coisa?
– Depende – ela fala, olhando para janela.
– Fique longe do Thiago – peço.
Ela sorri.
– Nunca, Thiago é meu melhor amigo – já esperava por uma resposta desse tipo.
Chegamos à casa da vovó, ela sobe até seu quarto correndo, eu a sigo e entro antes dela conseguir fechar a porta.
– Não pode ficar perto dele, é perigoso.
– Por quê? – Ela indaga.
– Thiago está com um demônio parasita em seu corpo, esse tipo de demônio evolui aos poucos, e o dele já está quase no ponto.
Ela ri desacreditada.
– Sei que você é meio, d-demoio, mas isso já é demais. Eu e Thiago somos N-O-R-M-A-I-S. E não tem demônio algum nele.
Papai já comentou quando era mais nova que Lyn era meio anja, mas ela nunca quis acreditar, e seus dons não se manifestaram e eu sei o motivo.
– E você é meio anja – afirmo. – Não tente mais se enganar fingindo que é normal, você é especial.
– Prova – ela pede me desafiando.
Aproximo-me devagar dela e tiro o cordão de seu pescoço, eu mesmo tinha feito o pingente quando tinha 12 anos, mandei de presente para ela, mas claro que papai fez algum selo que inibi o poder de um anjo.
– Porque você tirou meu colar?
– Vai entender – esmago o pingente na mão e arremesso o colar longe pela janela.
– Porque fez isso? – Ela pergunta quase chorando. – Você mesmo fez para mim. Era especial para mim Jin, muito especial.
Percebo que aquele pingente realmente era importante para ela, porque fazia se lembrar de mim... Respiro fundo. Tiro uma adaga do bolso de minha calça e finco em minha barriga. Dói um pouco, mas não tanto. Caiu no chão fingindo doer muito.
– Jin – ela grita e se agacha ao meu lado, chorando. – Porque você fez isso, porque está fazendo tudo isso comigo?
– Está doendo Lyn, me ajuda – peço. Sou bom ator.
Ela tira a adaga e joga no chão.
– Está sangrando muito – ela diz ainda chorando e nervosa, preocupada comigo.
– Você pode me curar é só querer – eu sei que no fundo ela sente o que é. Aquele selo era fraco para ela, porém ela nunca quis ser diferente, mas é preciso assumir o que ela realmente é, minha irmã, anja.
Ela coloca as duas mãos em meu ferimento, elas brilharam, uma luz branca e serena. A pequena dor que eu sentia some. Levanto-me e passo a mão na barriga, nenhum ferimento, nada, estava como se nada tivesse acontecido.

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