Between Dimensions

1 The Little Bird In a Cage Dream!


Notas iniciais
Olha quem voltou para animar seus corações: Euzinha! rçrçrç
Confesso que demoraria para postar a Season Two... Por que? Nem eu sei, só fiquei com preguiça mesmo. E também terminarei de postar os extras em ND.
E eu não podia deixar a historia cheia de brechas sem explicação, afinal teremos mais duas temporadas para aproveitar:
- Next Dimension (Já oficialmente finalizada *Sambando*)
- Between Dimensions (Em andamento)
- Beyond the Dimensions (Quem sabe...)


The morning always came
It came too late
What did my mind forget?
Forget to hide
Could the nightmare be awake?
I don't know


Never know, it's an illusion


This dream I can't awake
What is real? What is real? What is real?
It's getting hard for me to take
What I need? What I need? What I need?
A little something I rely

Naquele momento, senti como se revivesse um significativo evento na minha vida. Olhei desanimadamente para a bagunça de caixas que ocupavam todo o espaço livre da minha nova casa, embora tivesse feito o possível para manter uma espécie de organização improvisada devido ao curto e apressado tempo que detinha, o caos alastrou-se sem demora. Se estiver disposta a me acomodar com toda tranquilidade e conforto, vou ter que pôr tudo em ordem e arranjar coragem para começar essa tortuosa tarefa. Precisei somente respirar fundo para renovar minhas forças e acender a determinação para arregaçar as mangas. Usando todo equilíbrio — que descobri ser muito melhor do que pensava — que possuía, me movimentei entre as minúsculas frestas existentes para chegar num ponto mais aberto — ou que ao menos possa mover-me com maior liberdade. O primeiro passo nessa nova saga fora arrumar e limpar a cozinha, pondo tudo em seu devido lugar. Em seguida, prontifiquei-me em deixar a sala num estado apresentável e digno de uma garota viver. Por último e não menos importante, meu quarto. Peguei as duas caixas pertencentes ao cômodo e parti para uma nova batalha. Acomodei meus livros na prateleira, colocando-os tão ajeitados quanto possível — terei que comprar outra para completar. Limpei os móveis e vasculhei a caixa que sobrou, nela encontrei meus jogos.

Todos postos e classificados por nomes. E conforme os guardava nos respectivos locais, pude refletir que nunca mais pegara em um controle para jogar. Na realidade, eu nem sequer disponibilizava mais umas horinhas para me entreter jogando como fazia antigamente. De alguma forma, havia esquecido de quem eu era antes de perder metade da minha memória — uma parte especifica. Eu simplesmente não possuía os mesmo interesses daquela época, embora numa abrisse mão dos meus tesouros. Chegando à sessão com a inicial "D", estudei analiticamente meus jogos da saga Devil May Cry. Eles foram meus favoritos desde que anunciaram seu lançamento e usei toda minha mesada para comprá-los. Sorrindo feito uma criança que descobrira algo revolucionário, os empilhei e peguei o jogo mais recente que tinha, o Devil May Cry 4.

Por um estranho e inexplicável segundo, meus pensamentos se resumiram no mais profundo branco existente e a inércia dominaram meus sentidos. Esse tipo de comportamento fora dos padrões da normalidade, no qual eu perdia momentaneamente o controle do meu corpo e paralisava, eram reflexos do que chamaria de estado semiconsciente — denominaria sendo como uma falha tentativa de recobrar algum fato relevante além da minha amnésia. A dor contraída pelo esforço mental me impulsionou para retomar posse de mim mesma, como dona de meus pensamentos e ações. Ela fora potente e agressiva, dando a sutil impressão que meu cérebro estava sendo rudemente comprimido até o limite. Apesar de querer ardentemente lembrar o que houve no período em que estive desaparecida, tinha certos efeitos colaterais que são totalmente dispensáveis. Dentre elas essas malditas dores de cabeça, que graças a elas me obrigavam a ter sempre remédios por perto para alivia-las. O lado positivo é que não eram frequentes, surgiam exclusivamente quando entrava nessa letargia. Segundo Alexis, minha psicóloga, seriam desencadeadas pelas inúmeras tentativas que inconscientemente fazia para recordar. Fechei os olhos, buscando serenidade depois de uma nova empreitada — se é que posso dizer isso. A brisa calma entrou pela janela entreaberta trazendo o suave frescor do entardecer, ela soprou meus longos cabelos castanhos que fizeram cócegas em meu rosto. Permiti-me limpar minha mente de todo que julgasse desnecessário, inclusive sobre o ocorrido anteriormente.

De súbito, um odor fétido encheu o ar e o tornou enfadonho e rarefeito. Ele pressionava o ambiente, transmitia ameaça pulsante e desagradável tal como estar prestes a ser atacada por algo invisível. Um poder cruel e implacável. Convicta de que já experimentara a mesma sensação, abri os olhos. A princípio não via nada além de algo vermelho bloqueando minha visão, porém reparando melhor pude ver que, assustadoramente, havia um homem com uma presença marcante mantinha-se diante de mim numa atitude protetora. Meus lábios trêmulos quiseram pronunciar um nome, ele permaneceu preso por baixo de uma pesada muralha de esquecimento. Tudo que consegui emitir fora balbucios desconexos e incoerentes. Ele queria me proteger de alguém que não conseguia ver, mas que representava um grande perigo. Há uma coisa nele que trazia segurança, que me fazia depositar toda minha fé. E a vontade incontrolável de ver seu rosto quase extraiu o foco do essencial, não posso deixar que esses devaneios assumissem minha mente e, portanto, a razão.

Vermelho... Sangue... Duas palavras que pareciam sinônimos.

Não é real! — guinchei, usando minhas mãos para cobrir meus olhos. — Não está aqui!

Ainda absorvida no choque, relutei para novamente abrir os olhos. Repreendi-me mentalmente por estar agindo como se não estivesse habituada, esse tipo de visão era comum de acontecer.

Impetuosamente tirei as mãos que impediam meus olhos de enxergarem a luz alaranjada proveniente da vidraça, que seria um sinal que não devia me preocupar com nada. Aproveitar uma tarde tão bonita para terminar essa tarefa.

Apertei entre os dedos o colar que carregava o anel, cujo valor é inestimável, embora não compreenda o motivo de crer nisso. Ergui o pingente e contemplei radiante o adereço preso ali, entretanto meu olhar recaiu por toda extensão de meus braços. Assombrosamente cobertos de sangue, a palidez maculada com o brilho carmesim. Não contive o asco ao cheiro enjoativo impregnado todo meu corpo, o grito de horror irrompeu pela minha garganta.

— Ah, não! — grunhi, a agonia tremulando em minha voz.

Respirei fundo, desejando que essas imagens desaparecessem. Abracei meus joelhos, e repousei minha cabeça neles. Permaneci desse modo pelo que pareceram infernais horas, minha mente afoita conciliava o ocorrido. Quanta noite de sono não perdera com coisas semelhantes ou quando apagava do nada vendo algo que fazia uma parte de mim querer lembrar. Tinha tantos problemas por conta disso, que deveria desistir logo em vez de me atormentar com tantas preocupações.

Certa vez Lyana me dissera que não precisava de um passado para escrever meu futuro, entretanto seria bom saber e ter ciência do que fui e tudo que fizera.

Dois anos e três meses haviam se passado...

Para mim não fazia muita diferença esse longo tempo, eram apenas adições ao vazio inexplicável que me engole mais no espaço vago formado no meu peito. A dor continua crescendo gradativamente, embora com a prática tenha conseguido injetar em mim mesma uma espécie de morfina psicológica: encher minha mente de tarefas assim evito pensar no que não devo. Eu tenho obtido sucesso até determinado ponto, sendo capaz de inibir as sensações desagradáveis. No entanto, não possuo controle no mundo dos sonhos e essas visões repentinas. Há exatos dois anos venho tendo o mesmo pesadelo, alguns detalhes mudam, porém esse homem usando um sobretudo vermelhos sempre aparece. Não posso visualizar seu rosto tampouco posso falar com ele, é como se estivéssemos separados por terrível distância — uma dimensão além dessa. No desenrolar dos acontecimentos surgem fatos mais estranhos, tal qual um monstro que me persegue implacável e cheio de fúria. Tem sido dessa forma durante esse período. A desesperada tentativa de fugir me impede de dormir adequadamente. Minha psicóloga me indicou um remédio para que possa dormir tranquila, mas tudo que eles fazem é manter-me presa e incapaz de acordar dos pesadelos até a manhã seguinte.

Ignorei tais inúteis discussões mentais para focar minha atenção no que realmente importava e que já devia ter concluído: a arrumação do meu quarto. Voltei a organizar meus jogos, durante o tempo que achasse necessário.

A exaustão de finalmente ter terminado meu árduo trabalho e o recompensador sono, deram a clara e absoluta certeza de que estava sonhando — para variar. Em primeiro lugar, ainda não escureceu e por incrível que possa parecer — quando se trata da coerência — não pude ver nada. O breu ocupava e engolia o ambiente, nem mesmo enxergava minhas mãos que estendi frente a meu rosto. E outro fator de igual importância era que eu persistia no trajeto para lugar nenhum, andando como se soubesse exatamente que caminho tomar. Comparado com os outros que já tivera, esse esta bastante normal. Andei cautelosamente sem rumo escuridão adentro, até que ao redor as sombras adquiriram formatos diversos. E identifiquei sendo fileiras de lapides, estátuas de anjos pertencentes a mausoléus desgastados, carvalhos centenários que criavam imagens perturbadoras e plantas de aspecto selvagem crescendo por toda parte. O cenário digno de um daqueles filmes de terror meia-boca. O vento gélido jogou violentamente meus cabelos contra meu rosto, mexendo freneticamente a copa das árvores e arrastando folhas pendentes para longe. O clima inóspito era uma demonstração clara de que não era bem vinda. Meu corpo tremia sem parar devido à baixa temperatura e a roupa fina não ajudou em nada, porém não me abati e rumei ansiosamente pelas fileiras de lapides. Senti uma incomoda queimação nas omoplatas e a percepção de não estar sozinha, isto é, que alguém me observava em ponto distante.

Dei de ombros, sonhos não são lógicos mesmo.

Captei no ambiente em meu entorno ondas sobrecarregadas e putrefatas que permeavam o ar na comprovação física de um campo de carnificina, tudo ali possuía o terrível cheiro de morte. E para meu desagrado, eu fazia parte desse lugar e tendo um papel a desempenhar — embora não tivesse certeza disso — naquele pesadelo. Em meio à escuridão gélida da noite, andei vagarosamente sem rumo e ainda tentando descobrir uma maneira de despertar antes que mergulhe demais nesse caos e não consiga mais sair. Meus pés adquiriram um ritmo lento e inseguro, não dando passos ousados ou demasiado firme. As finas roupas que vestia não eram suficientes para me proteger da fria brisa que acaricia minha pele, deixando-a sem sensibilidade. E apesar das dificuldades prossegui pelo trajeto sangrento, minha determinação vacilava conforme adentrava o ameaçador local.

— O que alguém como você faz nessa dimensão de sombras?

Virei-me para encarar quem quer que fosse. Ele estava tão perto que nossas roupas roçaram e nem meu movimento meio atrapalhado o fez recuar. O susto me derrubou contra o chão lamacento.

Não havia muito luminosidade, unicamente a débil luz da lua que vagamente dava formas as coisas. E não fora suficiente para ver o rosto naquela pessoa.

— Quem é você? — indaguei firmemente, querendo mostrar que não tinha medo. Ele ergueu a cabeça e a fraca luz iluminou suas feições, pude apreciar o brilho azul celeste nos olhos dele.

Esses olhos eram familiares...

— Diva! — alguém gritava. Mas não queria voltar antes de saber quem era aquele homem, lutei bravamente contra o poder que me tomava. A névoa do entorpecimento fora perdendo forças e, então aos poucos emergi na consciência. Lyana me encarava com testa franzida, sua expressão tensa.

— Outro sonho ruim?

— Acho que sim... — foi tudo que consegui articular para dizer.

Notas finais
Bem, já sabem o procedimento o
Até a Próxima!