Between Dimensions
31 Remnant of Shadows!
A intensidade ameaçadora daquele olhar, direcionado à mim, estreitos e predatório como um gato, paralisaram-me. Ainda que quisesse evitar, desviar minha atenção para qualquer outro ponto mais seguro, não obtinha sucesso. Uma linha caótica de pensamentos desdobrou-se, atordoando-me com sua força e completo descontrole. Tentei detê-los, não permitir que continuassem, focando exclusivamente na minha missão, mas elas vinham com a violência devastadora de uma onda. Logo me vi lutando contra a correnteza que aos poucos me afogava em suas turvas águas escuras, deixando-me à deriva.
Ele mexeu a cabeça, alguns fios rebeldes de seu cabelo negro caíram em seu rosto e um sorriso gentil iluminou suas feições. Havia algo intrigante nele e tragava-me para a imensidão escura e fria, um lugar que nunca desejaria estar. O medo apoderou-se de mim, arrastando-se através das minhas entranhas. Sentia-me sufocantemente presa a ele, recusando a não olhá-lo. Não havia somente familiaridade ali, um traço fragmentado de ódio vingativo e, ironicamente, uma parcela de doçura que encobria o rastro negativo. De um modo inexplicável, duas partes de mim foram ativas: algo que dizia para ignorar o garoto, esquecer a presença dele e o outro mais simpático concluiu que deveria somente manter uma distância segura sem parecer rude ou arrogante.
Engasguei pasma quando o garoto sustentava o sorriso encantador mais evidente e acenou, como se estivesse recepcionando-me discretamente. Ele ainda tinha os olhos fixos em mim, nunca uma troca de olhares fora tão... Intoxicante. E despertando as emoções mais confusas e perturbadores. Obriguei-me a olhar para um ponto aleatório da sala, usando o máximo da minha reserva de energia para bloqueá-lo. Embora esse comportamento destrutivo fosse considerado anormal e sem sentido, para mim soava sensato, sobretudo, como uma maneira de escapar de tudo que trazia lembranças e sensações desconfortáveis. A exaustão de depositar tanta pressão em uma tentativa de não ter contato com o garoto, valeu a pena. Através do bloqueio pude senti-lo derrotado voltando a sua postura de outrora, quieto e misterioso. Massageei minha têmpora querendo aliviar a dor de cabeça acarretada do esforço colossal de autoproteção.
Inúmeras questões invadiram minha mente: por que essa reação defensiva com alguém que sequer conheço?
Terminada a aula, disparei para fora sem me incomodar com os telespectadores interessados. Minha experiência com ambiente escolar já me preparava para eventualidades como aquela, afinal uma agitação anormal era um motivo a mais para burburinho. Havia um pouco de receio em minha atitude impulsiva, uma leve determinação em ficar o mais longe possível daquele garoto.
— Pensei que nunca te alcançaria! — Myu expôs, visivelmente exausta de ficar me seguindo. Dou crédito a ela pela insistência. — O que aconteceu?
— Nada. Apenas queria tomar um pouco de ar — menti, usando meu tom mais convincente. Myu pareceu ter acreditado, então empurrou-me para o próximo período e eu permiti ser conduzida sem mostrar resistência. O ocorrido acabou sendo esquecido no momento em que deslizamos para nossos assentos e debatemos sobre o Renascimento. Agradeci mentalmente por não ter que passar pelo martírio de fazer uma apresentação. Não estava em condições boas para interações sociais, tampouco para fingir estar contente. À medida que o tempo se arrastava, mais estressada sentia-me. As linhas e diferentes padrões de pensamentos pulsaram sobre mim, sufocando-me. E para completar o porejar paralisante do selo. Todas as sensações desagradáveis vindo de uma vez, sem dar intervalo para acostumar a elas. Suspirei aliviada quando, enfim, a manhã e as aulas passaram. Sobrevivi ao primeiro dia. Myu tagarelava sem parar acerca de uma matéria que nem me dignei a ouvir enquanto nos dirigíamos para fora. Involuntariamente olhei para trás, aquele garoto estava andando a poucos metros de onde eu e Myu estávamos, olhando para uma agenda, então ergueu a cabeça fazendo nossos olhares se cruzarem. Um fixado no outro. O sentimento de rejeição embrulhou meu estômago e prontamente apertei o passo. Sem entender, Myu me acompanhou.
O primeiro dia tinha sido muito mais cansativo que presumi que seria.
— Quem era? — indaguei disfarçando meu súbito interesse. — Aquele garoto sério da nossa classe...
— Noctis. Nosso presidente do conselho estudantil. O rapaz mais popular da escola. — explicou sorrindo. Ela continuou falando sobre ele, enriquecendo de detalhes e enaltecendo seus feitos com um estudante exemplar. De acordo com as informações — meio exageradas — de Myu, Noctis era nobre e confiável. Talvez só a mim tenha gerado transtorno. Deve ser alguma lembrança desagradável que, sem querer, associei a ele.
Seguimos de volta para o templo em silêncio, apreciando o cenário — que não importa quantas vezes se vê continua lindo e de tirar o fôlego — e a presença uma da outra perante a calmaria. Myu adiantou-se e arrumou o necessário para fazer suas obrigações no templo. Eu decidi investigar as imediações em busca de pistas do paradeiro da Chave. Pensei em conversar com a avó de Myu, mas pelo pouco que conhecia dela sabia que ficava boa parte do tempo reclusa. A frustração começava a latejar em minha cabeça. Pelo que entendi a Chave não estava sendo guardada junto com nenhum dos artefatos sagrados. Não fui muito longe, era mais conveniente, por enquanto, buscar pelos arredores.
Sem que pudesse controlar, meus pensamentos repentinamente voltaram-se para Vergil. Estava tão acostumada em ter ele por perto, que uma missão solo faz com que sinta com muito mais poder sua falta. Respirei fundo, descansando sob a fraca e prazerosa luz do sol. A brisa gentil espalhou as folhas e flores, trazendo consigo um doce perfume outonal. Abruptamente tirei-me da breve meditação e foquei-me no que deveria fazer. Enquanto não concluísse o trabalho, não estivesse com a Chave em mãos, minha mente e toda minha atenção tinham que se concentradas unicamente em como encontrá-la, custando o que custasse. Livrando-me de qualquer distração, dei a primeira parte da busca como finalizada.
O resto da tarde, como não programei nada de importante para realizar e estava psicológica e mentalmente exaurida, optei por permanecer no meu quarto e repor minhas energias. David alertara sobre o uso indiscriminado de habilidades psíquicas e que poderiam ocasionar caso force-as além do limite estipulado pelo selo. Tudo isso era consequência da minha imprudência e desespero. Entreguei-me ao conforto do futon e apaguei.
Vislumbrei uma alta silhueta diante de mim, imóvel como uma escultura de gelo. Com o brilho suave que penetrava pela janela, consegui identificar o casaco azul e o cabelo prateados impecavelmente escovados para trás. Levantei bruscamente, meio tonta com o súbito despertar. Vergil virou-se, seu belo rosto parcialmente iluminado lhe dava um aspecto sombrio e místico. Sacudi a cabeça para afastar a nuvem entorpecente de sono que encobria minha mente, e assim pudesse processar o que via mais adequadamente. Ainda sob o efeito da sonolência, ondas de calor subiram pelo meu pescoço e rosto. Se o quarto não estivesse quase totalmente mergulhado na escuridão, certamente o vermelho em minhas bochechas seria notado.
— Vergil... O que está fazendo aqui? — sussurro ciente das horas e que poderia acordá-las e também facilmente ouviram nossa conversa.
— Algum progresso? — questionou, ignorando o que eu dissera anteriormente.
Suspirei.
— Não. Nada ainda.
— Pelo visto essa Chave será a mais difícil. Conto com seu desempenho para encontrá-la.
— É só pra isso que veio? — a indignação refletiu em minha voz.
— Não só isso. Vim certificar se está indo bem. Conhecendo-a tão bem, todo cuidado é pouco com você e sua inclinação ao perigo. — Vergil declarou com sua usual monotonia. — Seja prudente. Não quero ter que interferir no seu trabalho. Creio que é autossuficiente para isso.
Balancei a cabeça positivamente, nervosa.
— Espero notícias. E descanse.
Abri a boca para dizer algo ao vê-lo partir, porém qualquer palavra que fosse pronunciar morreu muito antes que tivesse a oportunidade de formulá-la. Tudo que me dispus a fazer era observar enquanto Vergil desaparecida na escuridão. Irritada comigo mesma, voltei a deitar e pensar no ocorrido.
A semana passou sem eventos significativos e sem novidades em relação ao paradeiro da Chave — o que deixava a dúvida se esse é realmente o local correto. Ainda cumpria o papel de estudante, praticamente adaptei-me sem problemas a rotina do colegial. Apesar dos dias divertidos que me dividia entre estudos e afazeres do templo, queria que tudo acabasse para poder sentir a satisfação de mais uma tarefa concluída. Desde daquela última vez não tive mais contato com Vergil, minhas conversas frequentes eram com Thanatos que ditava instruções de onde poderia iniciar uma nova pesquisa. Fiquei intrigada com o afastamento súbito de Vergil. Ele tinha suas razões pessoais fortes para participar ativamente de tudo do grupo. Nunca desistiria, independente do que significava. Nossa perda de interação afetou-me mais profundamente do que permitiria demonstrar. Chegava a questionar se minha atual variação de humor fosse por não poder ver Vergil. Admito que tenha sido bem difícil resistir e não pensar nele, inclusive tinha alguns sonhos no qual era o personagem principal. Minha autodisciplina não era exatamente tão impecável quanto gostaria. De todo modo, ocupava — ou fazia o melhor para tal — minha mente com exercícios e livros sobre mitologia japonesa.
Superei um pouco a aversão por Noctis, ele mostrou ser uma boa pessoa; ajudava os colegas no que precisavam, dava apoio, conselhos e, de praxe, todas as garotas o amavam. A estratégia mais lógica seria não ficar na marca dele e não precisar ter que suportar meninas infantis disputando atenção sendo que o meu verdadeiro alvo estava, para meu desgosto, muito distante do meu alcance. Em determinados momentos refletia como tudo ficaria entre nós após termos em mãos as sete Chaves. Cada um seguiria o próprio caminho, ou existe a hipótese de trilharmos juntos?
Devia acostumar com a ideia de nunca mais vê-lo e, embora não quisesse, futuramente seria um fato consumado.
Parei de varrer. Limpei o filete de suor que escorria pela minha testa e contemplei o céu azul. O dia estava lindo, cheio de promessas e nada estragaria isso, nem meu mórbido estado de espírito e pessimismo. Escovei uma mecha rebelde de cabelo que insistia em ficar em meu rosto. Depois de ter descolorido meu cabelo e deixado loiro, resolvi fazê-lo voltar ao normal tingindo-o de castanho. O resultado, para meu gosto, ficou razoável. Afinal não era o tom original dele.
Podia me dar ao luxo de voltar a ser eu mesma.
Ajeitei a fita que prendia meus cabelos. Eu estava parecendo mesmo uma sacerdotisa, usando vestes tradicionais de uma e auxiliando no cuidado do templo. Nunca imaginei chegar a ser uma, mesmo temporariamente. Myu brincou com isso dizendo que a avó dela viu a essência de Kami em mim. A princípio não entendi a referência, só depois de uma rápida observação de Myu, soube o sentido e o peso daquelas palavras: Kami é deus. Aparentemente ter a essência de Kami daria direito de atuar como uma sacerdotisa. Então aproveitei a chance e embarquei no desafio. E enquanto Myu se dedicava as orações, eu varria o sandō com empenho. Queria fazer tudo conforme o costume.
Distraída nem reparei no intruso que aproximava-se, somente quando o ouvi chamar meu nome. Noctis com sua elegância natural, andou até mim carregando alguns livros.
Dei um aceno que incitou a quebrar o espaço que nos separava.
— Desculpe te incomodar Aya — pediu ternamente, um sorriso constrangido despontou em seu semblante. — Precisava te ver antes de ir para o colégio. É sobre o relatório.
Assenti, indicando para prosseguir com o que falava.
— Como uma integrante do grupo queria que ao término das aulas fosse direto a biblioteca. Já combinei antecipadamente com Kyle. Só falta você. Aceita?
— Claro! — dei meu melhor sorriso.
— Conto com sua presença então. — em um gesto embaraçoso e atrapalhado, tropecei na barra da calça. Em um intervalo de poucos segundos, Noctis largou os livros e agarrou-me, evitando minha desastrosa queda. Seu aperto em meus ombros se afrouxou ao tentar me firmar de pé. Estávamos perigosamente próximos um do outro, quase a ponto de sentir o calor que ele emitia. A maneira que Noctis me encarava, diferente da primeira vez, possuía uma poderosa variedade de sentimentos. No entanto, não pude identificar nenhuma delas. Lentamente, envolvido em seu próprio encantamento, ele inclinou-se sobre mim. Desviei o olhar, quebrando o contato visual e levei um susto com a nova presença. Pronta e meio desajeitadamente, pulei fora da restrição dos braços de Noctis. Vergil mantinha a expressão monótona e indiferente, deixando o clima extremamente pesado. Ajudei Noctis a recolher os livros e com um sorriso agradecido e simpático, foi embora.
— Ah, Vergil, fico feliz que tenha me agraciado com sua presença — ironizei, pegando a vassoura e depositando no lugar dela. — Avisa com antecedência quando vem dar uma visita, assim tenho tempo para arranjar uma desculpa se necessário.
— Não vim fazer uma visita — proferiu com calma e estudou-me de cima a baixo com uma expressão muito diferente de todas que já tive o prazer de presenciar. Virei-me, sem coragem para fitá-lo, meu coração batia tão rápido que temi que Vergil pudesse escutá-lo. — Thanatos me informou do que acontecia, então eu vim pessoalmente saber o que nos atrasava.
— Não consegui nada relevante sobre a localização da Chave. Tem certeza que estamos no lugar certo?
— Sim. Tudo indica que é aqui.
Vergil observou curiosamente o templo, analisando os detalhes e espaços ali existentes. Uma aura pesada criava uma atmosfera enfadonha entre nós, agíamos como dois estranhos apesar de tudo que passamos. O sabor amargo do aborrecimento borbulhou em mim. Compreendia seu empenho para resolver logo o assunto e recuperar suas memórias, isso também era o que eu queria. Não estou lutando por mim, não inteiramente, mas por Vergil. Simplesmente por que meu desejo de ajudá-lo somado ao afeto que nutria por ele me proporcionava mais motivação para enfrentar tantos obstáculos.
Eu, mais que todos, tinha consciência do quão terrível é isso.
Nada é mais doloroso que viver em um vazio psicológico, incontáveis lacunas em branco que precisavam ser preenchidas. Se experimentar uma pequena parte daquilo era uma tortura, a batalha pessoal dele deveria ser infinitamente maior. A ideia de vê-lo atormentado, deixava meu coração apertado.
Tenho feito o possível para não transparecer, coloquei minha mente além do limite para não encher meus pensamentos, escondi e tranquei meus sentimentos para completar essa missão. E, mesmo sabendo da posição de Vergil quanto ao que sentia, a mágoa era mais forte que a razão. Ele deliberadamente me tratava com cortesia e indiferença. Lágrimas queimaram em meus olhos, mas nunca ousaria chorar. Não ali. Não agora. Meu objetivo pulsou em minha, lembrando-me o que deveria ser feito e que se fosse para colocá-lo no topo de prioridades e desligar minhas emoções, faria.
Respirei fundo, recuperando a compostura.
— Fique atenta. Estarei investigando por conta própria.
— Boa sorte. — não era isso que queria ter dito, e à medida que Vergil se distanciava, o arrependimento me consumiu.
— Por que não contou a ele? — me surpreendi ao ver Myu, parada e séria. Uma atitude incomum para ela.
— Não sei do que está falando — tentei disfarçar com um sorriso.
— Posso ser boba, mas não sou idiota. Ou esqueceu que minha sensibilidade e intuição são mais aguçadas que uma pessoa normal?
Não respondi.
— Deveria ter dito seus sentimentos mais profundos a ele.
— Não posso. Tenho algo a ser feito e esses sentimentos nada mais seriam que uma fraqueza, uma complicação. — em gestos nervosos, corri apressadamente para trocar de roupa, deixando uma Myu confusa para trás.
***
Adiantei a pesquisa do relatório, visto que meus parceiros se atrasaram. O bom de estar no acolhedor silêncio de uma biblioteca era a tranquilidade que irradiava pelo ambiente. Apesar do prédio da escolar ser próximo a ela, nunca a explorei. Repreendi mentalmente por não ter feito antes. Folheei um dos livros que peguei em uma das prateleiras, lendo um pouco sobre a história local. Desde a fundação do templo ao desenvolvimento da cidade.
Mergulhada na leitura, li em um dos capítulos sobre a Chave sendo representado em uma espécie de conto de fadas muito antigo, sem data definida. Havia pequenos trechos que não conseguia decifrar, principalmente por estar em uma língua desconhecida.
“Dezesseis poderosos amuletos carregados com a vontade de uma geração...
[...]
Conta-se que há muitos anos, em uma época longínqua, duas forças rivalizaram.
[...]
Guerras foram travadas em nome de tais entidades, nomeadas Guerras Santas. E depois de muitas perdas, novamente saiu invicta a Luz, detentora do mundo humano. No entanto, ela também caiu em esquecimento.
Um dia quando novamente a Escuridão cobrir o mundo, nascera outra Guerra”.
Engoli em seco. Não seria um conto muito bom para ler a uma criança. Subitamente, fui atingida por uma epifania — entendimento profundo sobre um determinado assunto — e cogitei se nesse conto teria uma pista, ainda que muito bem escondida, do paradeiro da Chave. Com os olhos fixos, reli todo conteúdo. Nenhuma resposta surgiu, nem um detalhe sugestivo. Absolutamente nada. Retirei da bolsa um comprimido ao sentir o porejar na minha cabeça. Estava exigindo da minha mente muito mais do que ela aguentava, e não amenizava o fato de não estar adquirindo bons frutos.
Debrucei-me sobre os livros, lentamente deixando-me levar pelo torpor.
Acordei bruscamente com meu celular tocando. A noite já havia caído e a biblioteca estava na mais completa escuridão. Com a luz fornecida pelo aparelho, procurei entre prateleiras e mesas de estudo algo ou alguém. Não tinha sentido terem me esquecido aqui dentro. Geralmente o responsável fiscalizava para nenhuma incidente como esse acontecer. Guardei meu material e corri para a entrada com a impressão de estar sendo vigiada, encurralada.
— Merda! — praguejei, socando a porta. Um braço prendeu minha cintura e no susto me debati violentamente. Arrisquei chutes e cotoveladas, nenhum golpe funcionava. Serviu somente para fazer meu captor me comprimir mais contra si. Ele pressionou um tecido com um odor forte e sufocante em meu nariz. Aos poucos, minha visão tonou-se turva e meus reflexos mais vagarosos. Continuei lutando até ser dominada pelo efeito da substância. Percebendo minha fraqueza, o captor me largou.
A última imagem que vi — meio embaçada — era dele.
Noctis.
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