Between Dimensions

5 Fragment of Darkness!


Os olhos dele lembram vagamente uma esplendorosa ave de rapina, caçadora e feroz. Duas gemas de brilho enigmático e perspicaz disposto a tudo para obter o que lhe convém, sem se importar os obstáculos. Escuros e ameaçadores, prontos para dar o bote quando lhe for propício. É costume que ao confrontarmos uma pessoa cujo poder implicava a iminente perigo, sejamos mais lógicos e procuramos escapar imediatamente. Faz parte da natureza humana o senso de auto proteção, embora não se aplicasse a mim. Talvez o Vergil estivesse certo por ser um pouco ignorante ao perigo apesar dele estar bem na minha cara. Não sabia explicar se isso me tornara corajosa ou estritamente idiota, um de cada quem poderia dizer, não é?

O seu estilo lembrava alguém que já fora próximo, mas nada realmente conclusivo. Estávamos em uma localidade mais afastada do shopping, assim não havia tantas pessoas que vinham por esse caminho quase deserto. À medida que ele ousou se aproximar, recuava por precaução. Tem indivíduos que não compreendem o termo proximidade indesejável. Seus movimentos sincronizaram-se aos meus, sem se conter ou abalar-se devido a minha relutância.

A clássica cena que graciosamente formara-se naquele momento se equiparava a uma grande peça de ópera, o suspense que geralmente causava a expectativa do público ávido profundamente ligado a trama e o clímax prestes a culminar numa sequência de emoções e gerava a dose perfeita de apreensão e euforia. E como parte do elenco principal eu também tinha um papel a desempenhar, embora não soubesse os detalhes e agora teria que ser muito sagaz para não errar. Por que antes do mais importante e imprescindível para finalizar com êxito, precisava virar o jogo e colocá-lo, de um modo, vantajoso para mim e mostrar que nesse tabuleiro me tornarei rainha e não um simples peão. Fixei meu olhar ao dele, demonstrando que não estava intimidada com a forma extremamente suspeita que me abordara. No entanto, atrás dessa pose confiante e corajosa, existia uma parte insegura que estava preparada para qualquer coisa independente do que fosse e o grau de periculosidade. O homem rodeou-me, estudando-me. Notei que ele possuía uma aparência elegante; trajando um sobretudo bege e calça escura, seus cabelos castanhos claros penteados estrategicamente para trás sem nenhuma falha, seus astutos olhos escondido pelos delicados óculos que continuaram observando-me atentamente, por fim, reconhecendo-me um fino sorriso iluminou suas feições.

— É a mesma pessoa que me informaram; audaciosa e clínica. Essa fachada esconde uma mulher frágil que teme a verdade, embora busque tão impetuosamente por ela. — deduziu cético, prosseguindo com sua análise sobre mim. — A verdade é a única que pode te destruir, pequena Valentine.

A violenta contração em minha cabeça pela extração das minhas memórias contraiu meu cérebro a um ponto que ficou insuportável. As palavras dele despertaram algo dentro de mim que rebelou-se indignada por tal afronta. Rapidamente saquei uma pequena navalha que trazia sempre comigo no chaveiro, por ser discreta nunca chamara a atenção. Usei o peso do meu corpo num ataque repentino e esmagando-o contra a parede, a lâmina afiada pressionada em sua garganta como um alerta de que não estava para brincadeira. Diferente do que imaginei, ele sorriu a tamanha hostilidade.

— Diga o que quer e como sabe tanto sobre mim! Coopere por que posso um estrago bem aqui — adverti fixando no local com a navalha sem afrouxar a pressão constante exercida.

— É bom que finalmente tenha me dado alguns minutos do seu precioso tempo, minha querida. Mas não há por que ser tão arisca, estou em missão de paz.

Saltei para longe, ainda de guarda.

— Se me for conveniente o que tem a dizer terá valido a pena — respondi sarcástica.

O sorriso dele ampliou-se diante da minha atitude evasiva.

— A propósito, me chamo David. E pode ter certeza, minha cara, que esse assunto será de seu total interesse. Então, não é mais adequado um lugar reservado para conversar? — expôs, ajeitando suas vestes.

— Uma gracinha e farei com que engula sua pelutância! — rosnei segurando firme a arma, escondendo-a. Ele estendeu as mãos em sinal de rendição.

Em outra época uma situação tão fora do comum feito essa seria tratada com um grande cuidado, porém sem tanto alarde. Sem dúvida, consideraria estranho e intrigante tal como assustador e, no entanto, não se pode comparar após uma série perturbadora de eventos que desafiam a lógica, e certos conceitos pregados. A experiência que adquiri durante tantos fatos bizarros deu-me uma nova perspectiva sobre tudo, então ser seguida por um homem que sabia mais coisas a seu respeito que você mesma não é algo que classificaria no topo do ranking. Claro, que ser pega de uma maneira que ficasse completamente cercada é frustrante e desagradável, pois detestava ser subjugada.

Eu não tinha opções ou algum plano de emergência para contornar a situação sem me comprometer, e também esse indivíduo provou ser mais incisivo e sagaz do que imaginei, o bastante para não cometer o erro de subestimá-lo. E mais, eu fiquei muito curiosa sobre o assunto que ele tem associado a mim e a Vergil, e creio que no meu lugar Vergil não recusaria ouvi-lo.

Os indícios apontavam explicitamente para manter os olhos bem abertos para não cair em uma armadilha, todo cuidado e um pouquinho de cinismo são essenciais. Na minha encenação de pura tranquilidade enquanto levava um desconhecido para casa, posso afirmar com precisão que era uma boa atriz. David acompanhou meus passos, tornando o trajeto mais enfadonho quanto possível. Tentei ignorá-lo e eventualmente esquecer um pouco desse mais novo problema que veio de brinde, e a tarefa era mais complicado do que gostaria. Não definia muito bem o que sentia e se devesse baixar a guarda ou continuar pronta, disposta para qualquer surpresa. Até o momento, não houve uma atitude ameaçadora por parte dele, o preocupante somente era o silêncio e a aura suspeita que emanava ao seu redor.

Permanecemos no mais irrestrito silêncio, os sons usuais preenchia o ambiente: veículos de vários tamanhos e tipos percorrendo as ruas, pessoas ocupadas andando de um lado para o outro. Observar coisas tão simples davam-me uma minúscula sensação de segurança. Meu coração acelerou quando avistei minha casa, ela parecia crescer conforme me aproximava e trazia um incomodo, como estar sendo pressionada ao limite e sufocada. Pensei em inúmeras possibilidades, demarquei mentalmente as chances de sucesso e o tempo estimado para impossibilitá-lo o suficiente para tirar a força o que sabia ou chamar a polícia, sendo o mais indicado no caso. Estava ciente que não funcionaria, mas ainda quis acreditar no contrário.

Andei no ritmo mais lento que pude para, ao menos, atrasar o inevitável. Depois de recepcioná-lo contragosto para dentro da minha residência — cujo seria um local perfeito para cometer um assassinato —, e ele se acomodar no sofá, larguei as sacolas de compras em um canto e parti vagarosamente letárgica para o banheiro para acalmar meus nervos e, em seguida, caçar Vergil. As dores já faziam parte do que me tornara, uma resposta usual a peça inexistente da minha memória que por consequência transformara em nêmeses — a minha nêmeses. Olhei-me no espelho do pequeno banheiro me sentindo confusa pelo simples fato de estar confusa, isso é um problema sério se tratando de uma garota cheia de complexos. Procurei o frasco prescrito para diminuir os efeitos das crises de ansiedade que deixavam-me agitada, normalmente é assim tenho me sentido.

Engoli dois comprimidos e sai para procurar Vergil, pois ele também é um dos maiores interessados na questão. Sem contar que Vergil era um novo suporte para mim, afinal compartilhávamos algo em comum. A frustração corroeu-me por dentro enquanto o bolo na garganta crescia conforme averiguava cada cômodo e nem havia sinal de vida, questionava-me se Vergil tivesse partido e aquela constatação torturou-me durante os minutos que se seguiram. Com um demorado suspiro, girei a maçaneta e o adentrei torcendo mentalmente para que o encontrasse, mesmo tendo consciência de que ele não pode estar mais aqui, porém a esperança de revê-lo guiou minhas ações. Vergil que estava concentrado lendo um livro qualquer, encarou-me. Senti os efeitos do remédio quando os iniciais sinais da ansiedade tentaram tomar meus sentidos. Se fosse por impulso o teria abraçado com força, mas seria uma bobagem e temi que isso o desagradasse por invadir o espaço pessoal dele — a personalidade dele indicava ser bastante reservada.

— Algo errado? — inquiriu sério depositando o livro na mesa.

— Eu pensei que tivesse ido embora — confessei num fio de voz, um misto de alívio e felicidade. — Você me assustou, Vergil. Fiquei muito preocupada.

— Como vê essa preocupação não tem necessidade, mas agradeço mesmo assim. — apesar do receio pude respirar profundamente com harmonia devido às palavras dele, então sorri quase esquecendo a razão de tê-lo procurando tão loucamente. — E também não creio que esse seja o real motivo para estar nesse estado lamentável.

Ah, eu... Bem — me atrapalhei para falar — há uma pessoa nos esperando lá embaixo, segundo o que afirmou, pode dar as respostas que queremos. Principalmente sobre você.

Vergil estreitou os olhos.

— Você não parece estar segura disso — concluiu indiferente.

— Bem, ele sabe meu nome e que você está aqui. Não confio totalmente nele, mas... Algo me diz que tínhamos que ouvir o que ele tem a dizer. — expliquei soltando o ar de uma vez. — Inclusive demonstrou estar muito interessado em falar com, especificamente, nós dois.

— Então se for o caso, veremos se são elementos concretos — respondeu categórico, refazendo seu caminho para o andar inferior no qual encontrava-se o carrasco ou benfeitor que nos traria aquilo que precisávamos: verdades.

— Eu... Não consigo mudar minha visão sobre esse homem, ridículo ou não, o fato dele saber coisas sobre nós, me desperta receio. Talvez esteja perdendo a razão e esse temor seja infundado, ainda assim...

— Isso só comprova que você tenha o mínimo de sensatez, não é totalmente estúpida quanto imaginei que fosse. — analisou passivo, um sutil sorriso formou-se. Resolvi considerar suas palavras como um elogio.

— Temos assuntos pendentes e quero terminá-los rapidamente. Julgaremos se nos for útil. — reparando minha hesitação, Vergil olhou-me por cima dos ombros. — Está com medo?

— Medo? Não tenho medo de nada! — resmunguei cortando a tensão que impregnou o ar.

— E não precisa. — seu tom fora calmo e cheio de confiança, senti-me ruborizar. Ouvir aquilo me encheu de segurança. Desci as escadas junto a ele.

Minhas pernas tinham adquirido consistência de gelatina, meu corpo estava anestesiado e sentidos quase totalmente entorpecidos, se não fosse a forte dor de cabeça que me afligia cogitaria a possibilidade de estar sob efeito de algum remédio muito potente — com exceção do que tomara anteriormente. Com a mente a mil e não ter nem consciência de determinados acontecimentos, me senti impossibilitada e alheia, sendo uma mera telespectadora dentro de meu próprio corpo. Preferi permanecer de pé e Vergil sentou-se frente a David, sustentando um semblante de apatia. Não conseguia ter a mesmo empenho de ficar firme, e sem devida preparação psicológica sentia-me mentalmente fragilizada. Depois do que pareceu uma eternidade, David quebrou o silêncio e um suave suspiro escapou de meus lábios.

— Como dito a jovem dama, sou David. Trabalho na divisão não-governamental de codinome "Hunters", somos responsáveis na investigação dessas anomalias e sobre qualquer informação do assunto. — ele pausou, arrumando os óculos dando-lhe um aspecto sombrio. — Lidamos com tudo que deva ser relacionado ao caso, inclusive ao incidente no galpão. Não seria bom que ele fosse exposto a público, além disso, os problemas que geraria aos governos mundiais seriam catastróficos.

— E o onde exatamente isso nos encaixa? — Vergil interrogou monótono.

— Bem, o fato é que essas anomalias são, na realidade, distorções dimensionais.

— D-distorções dimensionais? — repeti lentamente absorvendo com cuidado cada palavra proferida, buscando coerência. Minha cabeça contraiu-se dolorosamente, mas detive-me, repreendendo-me por mostrar tais debilitações mediante as circunstâncias.

— Sim, minha cara. Nós investigamos desde a primeira que surgiu a dois anos atrás.

— Dois anos? Mas elas são recentes!

— Não, isso é o que o governo permite e quer que todos acreditem. Justificar o contrário não seria vantajoso tampouco manteria a população sob controle, não acha? — ele não esperou uma resposta para prosseguir. — Indo direto ao ponto, vocês já devem tê-las visto, correto? Aquelas criaturas saindo dos portais são o que chamariam de demônios.

— Demônios? Como as igrejas pregam? — questionei absorta.

— Não exatamente. Nós estamos tentando estudar a razão para tais criaturas virem para essa dimensão, por isso meio que nos considere caçadores.

— Tolice da sua parte acreditar que pode lidar com seres que estão muito além da compreensão de vocês. — Vergil irrompeu, olhando-o como se David fosse uma criança ignorante prestes a explorar um mundo desconhecido.

— Fazemos o possível, Vergil.

— Olha, muito esclarecedora sua história... Isso, no entanto, não é o que queremos saber. — murmurei incerta.

— Por esse motivo vim até aqui para conversar com ambos, vocês são essenciais nessa tarefa. Senhorita Valentine você possui as habilidades necessárias para a missão, afinal sua existência nesse mundo é o grande poder que carrega.

— O quê? — engasguei pasma.

— Quanto a você Vergil, após regressar do mundo dos mortos, é certo que seu destino tenha um propósito maior para você.

Vergil ficou calado assimilando a nova e inacreditável afirmação.

— Sendo mais claro, o que venho propor para ambos é que trabalhem para mim e poderei oferecer respostas para quaisquer dúvidas que possam ter, principalmente sobre o passado.

David depositou uma maleta na mesa de centro, pondo-a junto a um tipo de bastão encapado.

— É uma proposta e tanto...

— Então, é como dizem "pegar ou largar", vocês decidem.

— E como sabe tanto sobre nós?

— Eu sei de tudo que me interessa, senhorita Valentine.

— É tanta informação para conciliar, que parece que minha cabeça irá explodir. — massageei a têmpora na tentativa de aplacar a dor. — E como poderemos ter certeza que é verdade?

— Querem uma prova? — David levantou-se, cruzando os braços. — Pois concederei alguns detalhes relevantes para vocês, talvez um pouco sobre o que houve enquanto esteve desaparecida? Ou quem sabe dizer sobre o seu passado Vergil... Para verem que sou sincero em tudo que digo; há alguém que anda atrapalhando nosso trabalho em deter o processo dimensional, creio eu que seja o seu irmão, Vergil.

— Um irmão? — Vergil deu a sutil impressão de estar perdido, tanto quanto eu. — Eu tenho um irmão?

— Sim, irmão gêmeo mais precisamente. Ele tem causado muitos problemas ao meu pessoal sem contar que fora ele que te condenou ao inferno. — seja qual tenha sido o objetivo de David, aquilo devastou Vergil de uma forma que vi um brilho intimidador percorrer seus olhos. Era semelhante a um desejo de morte, uma sensação de raiva e confusão juntos. Não consegui avaliar até que ponto chegaria essa aura densa e escura provinda de Vergil. Toquei seu ombro despertando-o do transe, queria lhe passar um pouco da calma que tinha, ainda que estivesse a beira de um colapso nervoso.

— Eu disse tudo que precisavam saber por enquanto, se aceitarem nesse envelope — indicou um delicado papel num pacote pardo — terá tudo que é imprescindível para a missão. Conto com vocês. Obrigado pela atenção!

— O que devemos fazer? — perguntei após David se retirar.

— Se não tiver disposta a fazê-lo, isso é problema seu. Eu tenho que saber mais, muito mais. Essa dúvida constante me incomoda.

— Eu te seguirei! — disse sem olhá-lo, meu rosto esquentou. — Quer dizer, eu irei te ajudar. Independente de tudo, também quero saber.

— Faça como quiser — Vergil abriu o bastão protegido pela capa, revelando uma katana e curiosamente imitei-o, destravei a estranha caixa e me surpreendi com o conteúdo. Duas pistolas de diferentes calibres, próxima a elas pentes de balas. Tracei os contornos das armas, recordando a sensação de poder ao impunha-las e o meu magnífico manuseio. Em outra ocasião, nunca acreditaria nesse tipo de coisa, porém aquele incidente mudou meus conceitos e minha cota de estranhos fatos modificou-se drasticamente — uma visão nova. Num único movimento fechei a caixa, erguendo-me e marchando até a porta.

— Já volto — avisei antes de fechar a porta atrás de mim. De uma garota quase normal me tornei o centro de situações fantasiosas, mais propriamente dito: atraio problemas tal como abelha ao mel.


Namida ikutsu koborete
Muitas lágrimas eu derramei, e na noite
Shingetsu no yoru hitotsu umi ga umareta
De lua nova, outra lágrima é criada

Andei sem rumo para arejar a mente e assim a pôr em ordem, tanto para discernir e absorver em compensação pouco espaço no tumultuados e turbulentos pensamentos que pesavam amargamente. Hoje quando sai de casa para fazer compras, eu era somente uma garota normal com problemas de memórias e, de repente, sou tragada a um mundo novo e inexplorável. Uma versão assustadora do mundo que vivi por toda minha vida. Estava no limite, informações demais são um grande problema. Por enquanto queria me desligar de tudo, ter um momento de paz e esquecer. Tinha dúvidas que precisavam ser esclarecidas e respostas para refazer do ponto que ficou apagado das minhas lembranças. E não sendo o suficiente na minha cota de má sorte; eis que o mundo desaba diante dos meus olhos, descubro sobre coisas que escolheria jamais saber e responsabilidades são jogadas sobre mim. Visualizo de relance crianças brincando junto a seus pais, rindo alegremente.


Tooku tsumuida kotoba
Ao longe, as palavras desta
Kataribetachi no monogatari no naka ni
História estão girando ao redor

Continuei meu trajeto sentindo-me dolorosamente sozinha. Meus olhos apresentavam os sinais de choro, as lágrimas contidas ardiam e piscava para aliviá-las, mesmo que esforço fosse inútil. A brisa balançou meus cabelos e chacoalhou a copa das árvores, arrastando folhas suspensas no processo. Atravessei um sinuoso percurso de terra e subindo a colina íngreme para o lago, sempre tive preferência por tomar esse caminho, pois geralmente ninguém pegava essa tinha então não teria algum encontro inesperado, e mais; meu rosto vermelho e os olhos lacrimejando não seriam uma visão maravilhosa. Peguei uma pedrinha e num impulso atirei-a, ela quicou e afundou.


Mukashi dareka ga koko de
Há muito tempo atrás, alguém esteve aqui
Harisake sou na mune o sotto hiraita
Aqui, o coração se abre lentamente
Uta ni kanadete zutto
Sempre cantando sua canção
Donna basho ni mo hazusaette yukeru o
Levando junto onde quer que fosse

— Não vou chorar mais! — disse a mim mesma, criando uma espécie de mantra. As lágrimas queimavam em meus olhos querendo liberdade, mas lutei contra elas. — Não posso mais chorar!

Mordi o lábio inferior, bloqueando qualquer som escapasse por eles. Essa angústia que crescia dentro de mim, corroendo-me, o preço a pagar a perda das minhas memórias? Embora estivesse dilacerada e o coração em pedaços, praticamente reduzido a nada, a ironia era engraçada; eu me comparei a Heroine do Amnésia, ou a Saya do Blood+.


Kesanaide anata no naka no
Pouco tempo depois, a chama imortal
Tomoshibi wa tsuranari itsushika
Em você vai nos unir
Kagayaku kara
Como ela brilha em seu coração

Com outra pedra em mãos, lancei-a para o mais distante que meu braço pode.

Fechei os olhos, apreciando o ambiente e o que ele proporcionava em todo seu encanto. O calor de uma proximidade, uma presença ardente e acolhedora se instalou ali. A princípio o frio correu minha espinha e paralisei, seja de medo ou a sensação que me preencheu.


Katari tsugu koto ya tsutaete yuku koto
As coisas que eu quero transmitir e lhe explicar
Jidai no uneri o watatte yuku fune
Irão cruzar para o seu tempo, como um barco sobre a água
Kaze hikaru kyou no hi no sora o
O vento que vislumbra no céu hoje,
Mukezuide sore o ashita ni tewatashite
Eu o darei a você, juntamente com o futuro

Mãos masculinas que traziam um doce e familiar perfume repousaram-se nos meus olhos, compelindo-me a permanecer com eles fechados. Ainda extasiada e tensa, meu corpo relaxou ao contato como se o reconhecesse, fiquei confusa a reação de meu corpo. A força emanando dele e a intensidade do seu estranho poder sobre mim, me vi cedendo, vulnerável. Nem reagi agressivamente tampouco me incomodou, era uma sensação doce e tranquila que transbordava no meu peito. Havia um turbilhão de emoções que estavam me confundindo; meu coração batia fortemente ganhando potência a cada segundo, no meu estômago não tinha aquele impassível friozinho e sim, uma monstruosa avalanche, e todas as células de meu corpo embriagadas.


Umi ni itai ni kami ni
Eu posso ver brevemente o seu dedo,
Anata no mukou kaima mieru omokage
Sua testa, seu cabelo, á distância
Moshi mo toki no nagare o
Se de alguma forma, eu pudesse voltar o fluxo de
Saka noboretara sono hito ni deaeru
Tempo, eu estaria com você

O braço livre circundou-me, trazendo-me para perto.

— Quem...?

— Não fale. E fique calma. — pediu calmamente, meu corpo arrepiou sentindo sua respiração bater em meu pescoço.

— Pode ao menos, me dizer quem é?

— Um dia, doçura. Prometo que te direi, só me espere.


Kono sekai umarete soshite
Quando nascemos neste mundo
Ataerareta arayuru namae ni
Os nomes que nos são dados, cada um deles
Negai ga aru
Contém um desejo próprio

O calor desapareceu, substituído pelo vento frio e solitário. Virei-me desajeitadamente para encontrar o nada, falta daquele sentimento prazeroso fluindo nas minhas veias ocupou meus pensamentos. Eu reafirmei minha decisão após provar o fruto e saboreá-lo por preciosos segundos: Que seja! Vou descobrir sobre esse passado apagado.

Itoshii egao ni kokoro o ugokashite
O seu lindo sorriso, ele move o meu coração
Arashi ni yuraide tachitomaru toki mo
Quando eu estou preso dentro de uma tempestade
Mamoritai subete o sasagetemo
Quero proteger você, até mesmo desistir de tudo por você
Omoi wa chikara ni sugata o kaeru kara
Porque esses pensamentos se voltam com força para mim

[...]

Katari tsugu koto ya tsutaete yuku koto
As coisas que eu quero transmitir e lhe explicar
Jidai no uneri o watatte yuku fune
Irão cruzar o seu tempo, como um barco sobre a água
Kaze hikaru kyou no hi no sora o
O vento que vislumbra no céu hoje,
Mukezuide sore o ashita ni tewatashite
Eu o darei a você, juntamente com o futuro

Notas finais
Aliados e amigos, negócios a parte. -q Que tipo de pessoa é esse David? Amigo ou inimigo? Agora será uma missão para Diva e o Vergil se unirem para resolver. Aliás, quanto a certas coisa em relação ao Vergil; embora ele esteja sem memória, sua personalidade ainda continuara impassiva e calma, porém como não há "motivos" para ser cruel ou "malvado" alguns aspectos nele mudaram. Mas não vão achando que ele será fofo e carinhoso como Dante (Convenhamos que comparado os dois, Dante é mais sentimental HUAHUAHUA xD), pretendo manter o jeito dele de ser. u___u (Pois é assim que todas as fãs amam ele xD) E mais, adianto: As memorias da Diva não voltarão tão cedo, serão e continuarão sendo somente flashes com significativas lembranças. Até o Próximo!