Nada ali é reconhecível.

A construção de madeira bem conservada lembrava aquelas casas de veraneio que se vê em revistas; pequena, aconchegante e um pouco sombria. Em uma observação geral seria o lugar ideal para levar alguém sem correr o risco de ser flagrado, longe da civilização, sem testemunhas.

Sob os efeitos do sono anestésico, vislumbrei cada detalhe do local, buscando alguma evidência de quem pertencia. Não havia divisória entre os cômodos, além de uma imaginária criada pelos móveis: aos pés da cama um grande sofá delimitava espaço entre o que supus ser a sala, o balcão mais distante indicava a localização da minúscula cozinha composta por uma geladeira e uma mesa. Nada muito extravagante ou luxuoso, apenas simples demais. Prateleiras de livros velhos e decorações que pareciam ser artesanais dispostas na parede do que deveria ser o quarto e ao lado uma porta que — por motivos óbvios — levava ao banheiro. Agucei minha audição mais humanamente possível para captar melhor os ruídos provenientes daquele cubículo: não restavam dúvidas de que tinha companhia.

Rastejei para fora da cama, evitando ao máximo emitir algum som que denunciasse minha fuga. Ainda estava em processo de restabelecer minhas forças e livrar minha mente do torpor nauseante. Rapidamente varri toda extensão da cabana com olhos ávidos, tentando encontrar minha bolsa. Nela carregava itens de suma importância, sejam remédios e documentos ao estranho caderno que roubei do apartamento de Lyana. Não estava em meus planos ser raptada, trazida a um refúgio no meio do nada com meu sequestrador a poucos metros de mim. Frustrada por não ter êxito, ignorei o impulso de procurar e lancei-me em direção a porta, rezando que estivesse destrancada. De qualquer maneira, daria um jeito de escapar sem me deter por fechaduras, se for preciso destruindo a porta. Preparei-me para abrir, mas todo meu corpo, como se tivesse ligado um interruptor, paralisou. Atrás de mim uma aura ardente e envolvente emergiu, a intenção não era intimidar e sim alertar sua presença. Engoli em seco, recuperando a compostura e virando lentamente. Desarmada e zonza seria um alvo fácil, caso não tecesse uma estratégia de fuga. Embora estivesse esquecido o ocorrido da noite anterior, não me surpreendeu dar de cara com Dante. Ele secava os cabelos prateados com uma toalha enquanto outra cobria sua nudez, automaticamente olhei-o de cima a baixo, sem controlar tal ação instintiva. Nem ao menos tive tempo de pensar quão idiota parecia admirando indiscretamente o mestiço, quando um sorriso convencido formou-se em seu semblante despreocupado e sugestivo. Pisquei aturdida e irritada por distrair-me com tanta facilidade.

— O que pretendia fazer doçura? — inquiriu em falsa ignorância.

— Sair daqui, obviamente — respondi exaltada.

— Não é prudente sair, pelo menos não até a poeira abaixar — enxugou os cabelos e jogou a toalha molhada na cama. Talvez fosse uma reação automática, um hábito passado da minha mãe pra mim, mas detestava quando faziam isso. Uma aflição que me deixava louca. Dante estudou minha expressão obscura de raiva, sorriu cinicamente e retirou a toalha da cama, checando se não tinha ficado úmida. — Às vezes esqueço as pequenas coisas que te irritam.

Cruzei os braços, olhando para uma peça de decoração que balançava com a brisa da janela entreaberta.

— Quem você pensa que é? — questionei expondo totalidade da minha fúria, que arrastava-se pelas minhas veias fervendo. Dante semicerrou os olhos desconfiados, colocando a toalha estendida em uma cadeira.

— Quem eu penso que sou? — repetiu a pergunta com o ar debochado, simulando uma postura de inércia em pensamento profundo e esclarecedor. Então com um semblante tranquilo, exclamou: — Bem, não sou adepto a apresentações... Serei breve. Sou um caçador de demônios, viciado em pizza, armado até os dentes e, ironicamente, tenho sangue demoníaco... Essa parte é a clichê, vou ser mais direto. Nesse momento estou fazendo o que deveria ter feito há dois anos...

Com os olhos presos aos meus, Dante caminhou em passos hesitantes — algo que não combinava com sua personalidade —, diminuindo a distância que nos separava. Meu corpo estremeceu e recuei sem conseguir desviar dos penetrantes olhos azuis. Um estalo despertou-me do transe, quase tão efetivo quando levar um banho de água gelada. Contornei o espaço, indo apressadamente em um canto oposto, esquivando da primeira investida de Dante. Algo me dizia que ele não desistiria de tentar, mas também não iria cair pateticamente nos encantos dele. Era muita presunção da parte dele se achava que tinha uma chance. Ficamos em um silêncio carregado de questões inacabadas e tensão tangível, com um sabor amargo na boca ergui uma barreira impenetrável que eu garantiria ele não ultrapassaria. Minha rejeição parecia ter causado algum desconforto nele, ferindo-o. Um fugaz brilho desolado atravessou seus olhos, tão rápido que não pude ter certeza que, sequer, tenha realmente visto. Queria deixar tudo claro para que não houvesse dúvidas ou segundas intenções. Agora eu o encarava, em desafio e frieza. Sem pestanejar. Se fosse necessário inibiria a presença dele com todas as minhas forças. Fora o alívio de confrontá-lo, não teria nenhum sentimento que nos uniria. Dante pegou uma muda de roupas, retomando sua postura calma e inabalável.

— Saia por essa porta que vou caçá-la e te arrastarei de volta — advertiu com um meneio de cabeça, em seguida, entrando no banheiro. Seu tom apesar de ligeira brincadeira escondia uma ameaça real. Considerando o que já conhecia dos poderes de um mestiço e associei ao que ele poderia fazer baseado em Vergil, seria uma completa insanidade desobedecer. De decisões estúpidas para lidar eu estava batendo a cota. Arranjaria uma forma menos perigosa para me livrar de mais essa provação. Contragosto, fui até uma prateleira, curiosamente vasculhando-a. Camadas intermináveis de pó ocupavam cada livro ou objeto, alguns tinham sido movidos. Nada muito conclusivo. Uma caixa de joias esquecida entre pilhas de livros, imediatamente, capturou minha atenção. Remexi no conteúdo, explorando com entusiasmo de uma criança descobrindo um brinquedo novo. E tirando do fundo, o artefato que completaria a busca, o Brasão da Fênix — a Chave. Guardei em sobressalto quando senti Dante se aproximar. Fiz minha melhor encenação de inocente alheia, deitada na cama olhando tediosamente o teto. Dante vestia uma camisa preta justa que destacava seus atributos físicos invejáveis e a calça em um contraste de vermelho e preto. Essas cores deveriam ser excelência em seu guarda-roupa.

— Pode me explicar por que me trouxe aqui?

— Já disse. É para mantê-la segura. — entoou, andando até a geladeira.

— Segura de que?

— Tente confiar em mim...

— Confiar? — cortei, ríspida e desdenhosamente. Dante depositou a caixa de pizza na mesa. — Como confiar em alguém que me sequestrou?

— Em termos técnicos, não te sequestrei. É mais como um programa de proteção. — ele achou graça do próprio comentário e riu. — Está com fome?

— Não! — gritei no mesmo instante que um ronco vindo do meu estômago ressoou alto, fazendo com que um misto de vergonha e indignação invadisse e confundisse minha mente, mais contrariada de ter exibido de modo mais constrangedor minhas necessidades.

— Vou considerar isso como um sim — ele trouxe um prato com duas fatias de pizza cujo tamanho me saciaria antes de chegar à próxima. — Por conta da casa, doçura.

Franzi o cenho, intercalando meu olhar entre a não tão saudável e apetitosa refeição improvisada e Dante. Ele ergueu uma sobrancelha intrigado.

— Sei que sou atraente, mas não precisa ficar assim. Não tem nada nessa pizza.

Insegura, peguei a fatia e mordisquei um pedaço. Ainda que tudo fosse muito louco para administrar, não podia ir contra a vontade, ou a firme convicção de que confiar nele era uma boa ideia, mesmo minha razão gritando que não. A fome tinha sido muito maior que previ, então devorei três fatias grandes.

— Quanto tempo planeja me manter aqui?

— Tempo suficiente para quem quer que esteja te caçando esqueça sua existência.

Suspirei entediada.

— Queria tomar banho... Mas não tenho roupas — comentei absorta, como se falasse de um assunto trivial.

— Eu arrumo pra você, pode usar as minhas enquanto isso — sugeriu sem traço de malícia, tão gentil quanto a ocasião pedia. Dante entregou uma camisa preta, semelhante a que usava, mas que em mim iria se tornar um vestido. Relutei em aceitar, estava disposta a fazer linha dura, ser rebelde e violenta nesse período cativa, porém minhas reservas de energia negativa se reduziram a zero. Não me conformei a essa situação e veria em qualquer distração de Dante uma oportunidade para escapar.

— Me chame caso precise de ajuda pra tomar banho — Dante brincou assim que tranquei a porta em um baque. O espaço era claustrofóbico e recendia ao perfume de Dante. Retirei minhas roupas e liguei o chuveiro, a água fria jorrou por todo meu corpo como um choque para acordar todos os meus sentidos e arquitetar um bom plano. Quando sai, sentia-me praticamente nua e desprotegida. Dobrei as mangas da camisa para ajustá-las aos meus braços sem caírem, enquanto travava uma luta interna para não ficar puxando de segundo em segundo a barra da camisa que temia levantar a cada movimento meu. Dante não ajudava, mais ainda pela maneira que me secava.

Bufei constrangida.

— Passaremos o dia todo juntos... — sentei na cama indiferente. — Poderíamos tentar fazer algo interessante do nosso tempo

— Não tenho a mínima intenção de compactuar com você para nada — anunciei com desprezo. — E se acha que me forçando a ficar aqui com você irá ganhar minha afeição, está enganado!

Estava sentindo o pulsar da indignação tomar conta do meu corpo, fazendo-o tremer. Minha mente procurou formas de soar mais agressiva, queria feri-lo, romper sua defesa, atingi-lo com tudo, sobretudo, causar o maior dano que ele pudesse suportar por tudo que ele me obrigou a passar. E, ao mesmo tempo, existia uma fagulha de respeito e que identifiquei sendo um grande carinho que impediam-me de pôr em prática essa disseminação de ódio. Dante era uma verdadeira incógnita para mim.

A escuridão da noite transformou a pequena casa de veraneio em um cenário de filme de terror. O único foco de luz infiltrava-se pelas frestas insignificantes da janela, criando um efeito ainda mais tenebroso. Aguardei pacientemente o momento que Dante baixaria a guarda para finalmente fugir. Cuidadosamente andei até o sofá onde Dante dormia com o sono pesado e profundo. Balancei a cabeça nervosa quando pensamentos aleatórios sobre surgiram, coisas como ele ficava muito bonito relaxado assim ou quão irresistível ele era. Uma sombra de sorriso projetou no rosto dele. Censurei-me pela minha futilidade mediante a circunstância.

Troquei de roupa — recolocando as minhas — e enfiei a Chave no bolso do casaco, certificando-me de estar munida e não esquecer nada. De resto — minha bolsa e o que nela continha — certamente recuperaria ou teria novos. Nada lá era insubstituível. Não podia me dar ao luxo de realizar uma busca rápida por ela por que cada minuto a mais dentro daquela cabana, era um minuto privada de liberdade. Abri a janela. Para mim, cujo medo paralisante preenchera meu ser, os sons ecoavam terrivelmente ampliados. Saltei desajeitada para fora, o frio noturno e o cheiro de mato receberam-me, deleitei-me com a breve emoção de estar livre. Cambaleei às cegas para a íngreme passagem entre as árvores. Dei uma última olhada em meu cativeiro e liguei o isqueiro para iluminar o resto do caminho mergulhado no breu. Acelerei o passo tropeçando ocasionalmente em emaranhados de terra e raízes altas, com as chamas bruxuleantes a visão ainda era muito limitada.

Pássaros de hábitos noturnos agitavam a copa das árvores e o vento gemia por entre a vegetação, folhas pendentes flutuavam sem destino se permitindo levar e o farfalhar constante do mato enchia meus ouvidos em meio a quietude. Um estalo atrás de mim quebrou a monotonia e incentivou-me a disparar floresta adentro. O esforço fazia meus músculos protestarem e os pulmões entrarem em combustão devido a pressão e o ar que entrava queimando. Usei meu senso de direção para guiar-me e torci para que ele fosse infalível.

Choquei-me em uma árvore e escorreguei nas folhas no chão, absorvida no frenesi do terror. Freei-me diante de um lago, a luz prateada da lua dançava na superfície da água que oscilava continuamente. Respirei fundo, olhando para toda extensão do lago e tentando ver além da escuridão. Estava sem saída e ele me acharia. O vento uivou e as águas outrora calmas, giravam em seu eixo formando um redemoinho familiar. Eu sabia o que aquela perturbação significava: uma distorção dimensional. Uma criatura emergiu. A luz providenciada pelo isqueiro era insuficiente para sequer visualizar a coisa com exatidão. Entretanto, pude ver que algo se aproximava em uma velocidade alarmante. Preparei-me para o golpe que não veio. Dante bloqueou o ataque com a enorme espada e simplesmente retalhou o membro do monstro que emitiu um grito estridente.

— Avisei sobre não sair. Você é muito teimosa. — Dante virou se pra mim ignorando a presença da criatura. — Poderia ter se machucado pela imprudência, doçura.

Pisquei incontáveis vezes pela indulgência do mestiço. Ele parecia mais preocupado em me dar atenção que na coisa. Dante parecia genuinamente surpreso quando um tentáculo o agarrou e levou para dentro do lago. No susto, chamei Dante fixando meu olhar esperançoso nas águas que aos poucos adquiriram tons escuros de... Sangue? Meu coração bateu descompassadamente e um bolo subiu a garganta. Algo flutuou para superfície e mesmo com o sutil despontar da dor, trouxe-o para perto usando telecinésia. Puxei um Dante desfalecido para longe da água, ele estava coberto por uma grossa camada de sangue no peito. Arrastei-o com dificuldade para a margem. Em pânico, algumas lágrimas deslizaram pelo meu rosto e soluços incontroláveis irromperam pelos meus lábios trêmulos. Chequei o pulso e não tinha nenhum. Pensei no pouco que aprendi em primeiros socorros que seriam imprescindíveis naquele momento. Fiz massagem cardíaca, revezando entre realizá-lo e ver se obtinha sucesso em reanimá-lo. Olhei para o sangue em minhas mãos, um misto de sentimentos aterradores me tomou. A sensação de perda que partia meu coração, turvava minha mente e trazia uma dor incomparável. A lembrança de algo ruim sendo resgatado.

— Por favor, não morra, Dante — balbuciei aflita.

Resolvi tentar mais uma técnica de ressuscitamento. Apertei o nariz dele e o beijei, impulsionando o ar para dentro ele. De repente, algo prendeu minha nuca e senti os lábios de Dante mexer. Sorrindo em meio ao que deveria ser um beijo. Assustada, joguei para trás, a respiração rápida e irregular. Dante lambeu os lábios e sorriu tão cinicamente que o medo de perdê-lo foi substituído pela raiva de ter sido feita de palhaço ao bel divertimento dele. A falsa distração dele e permissão para o monstro pegá-lo não passavam de um truque. Toda a raiva dissolveu em mais lágrimas e me vi chorando descontroladamente igual uma criança desesperada. Dante reagiu de imediato ao meu choro compulsivo, olhando-me tenso e sem jeito, não tendo a mínima do que fazer para reverter aquilo. Engatinhei até onde as águas do lago estavam límpidas e lavei meu rosto e mãos ensanguentadas.

— Por que não saem? — resmunguei, esfregando dolorosamente os braços. As lágrimas nublaram minha visão, mas sentia que havia sangue ali e não saia mesmo com todo meu esforço para limpar. Dante segurou-me delicadamente pelos ombros, afastando-me do lago e imobilizando meus braços.

— Não há mais sangue, doçura. Fique calma. — sussurrou em consolo. Afagando meus ombros.

— Não consigo tirar... — soltei-me da restrição dos braços de Dante, mostrando a ele minhas mãos cobertas do denso e quente líquido escarlate. — Aqui! Ainda não saiu!

— Diva, não tem sangue — a voz de Dante soou mais séria e preocupada. — Eu sou um idiota mesmo. Sinto muito por isso. Vou levá-la de volta.

Senti Dante me pegar em seus braços, mas minha mente parecia alheia ao que acontecia. Abracei-o mecanicamente e fechei os olhos enquanto atravessávamos a floresta de volta a cabana. Eu choramingava baixinho e minha cabeça doía horrores. Assim que cruzamos a porta, acendeu a vontade de jogar-me cama e acordar desse sonho ruim. Tive que usar uma das camisas de Dante visto que minhas roupas estavam molhadas e sujas de lama e sangue. Demorei a relaxar e dormir, e Dante observava cada inquietação minha e experimentei um pouco de segurança.

***

Eu sentia entorpecida pela manhã. Não tive uma boa noite de sono e desejei que nada nem ninguém quisessem me tirar da cama. Pedaços do ocorrido de ontem desenrolaram-se como um filme antes que pudesse pará-los. Havia sido uma noite turbulenta e esgotou-me psicologicamente. Nunca imaginaria que a morte de Dante me afetaria tanto.

— Como está se sentindo, doçura? — Dante perguntou, segurando minha mão.

— Bem. Eu acho.

— Aqui estão algumas roupas caso queira se trocar. — apontou pra muda de roupas sob meus pés. Nem sequer questionei a origem delas dando a ele o privilégio da dúvida.

— Eu vou precisar sair por algumas horas — explicou. — E mesmo que eu queira ficar aqui com você — meu rosto formigou, tingindo-se de vermelho vivo. — Tenho que tratar de negócios. Não pretendo passar muito tempo fora, então se preocupe. E não saia.

Assenti.

— Te vejo mais tarde, doçura — ele fez menção de beijar minha testa, mas desviou seu objetivo apertando seus lábios contra os meus em um selinho. Virei o rosto irritada pela ousadia e Dante riu. Ouvi a porta bater suavemente anunciando que estava oficialmente sozinha. Tomei um banho e coloquei as roupas que Dante arrumou para mim que consistia em uma regata preta e calças jeans justas. Explorei minha moradia temporária, guardei a Chave em um local fácil de lembrar e encontrei meio oculta sob trapos, minha bolsa. Mais animada pela descoberta, levei pra cama e caiu o caderno que roubei de Lyana ao que pareceu séculos atrás. Deixando o conteúdo da bolsa em segundo plano, folheei o caderno — sem ignorar o estranho fato de que ela possuía uma tranca, porém abriu com extrema facilidade ao meu simples toque.

Travei no primeiro parágrafo escrito com a minha letra... Aquele diário... Era meu!