Notas iniciais
Mais três ou dois capítulos de novos personagens e eu começo os jogos, ok.

Lisa e Meiga

- Charlie! Fiz o café, quer uma xícara?

- Sim. – Charles se levantou da cama improvisada no chão. – Trás duas xícaras, já.

- Ok. – Lisa, da cozinha, soltou uma risada fraca e voltou para lá com um prato onde havia três xícaras.

Lisa era sua amiga mais íntima na escola. E sua família era composta por pessoas de bom coração. Assim que precisou deles, eles o acolheram. Agora, na casa de Lisa, ele tinha uma família que o amava, pelo menos assim pensava.

Tinha sido abandonado na casa dos avós pelos pais, e quando estava quase terminando o bimestre deste ano, os avós sumiram. A casa ficou vazia, ele foi abandonado mais uma vez. Chorou semanas intermináveis. Os pais de Lisa o chamaram para vir morar com eles, agora que Charles não tinha mais família.

Já se faziam três meses e estavam no final do ano. Lisa era uma pessoa muito querida por Charles, afinal ela também tinha uma doença: Leucemia. Embora já tivesse sido confirmado isso, Lisa não aparentava nenhuma reação contra a doença ou á favor da doença. Na verdade era uma garota normal. E isso impressionava Charles, que a admirava muito. Lisa era forte e corajosa, não ficava chorando por tudo. Já ele, chorava se alguém matasse uma borboleta, chorava se visse homens derrubando árvores, chorava até mesmo por causa de sonhos escurecidos. Um chorão, era isso o que era.

- Mas eu gosto do seu jeito medroso. – uma vez ela disse.

E bastou isso para deixar Charles mais do que feliz. Lisa era realmente a sua melhor das melhores amigas! Claro, no colégio tinha mais quatro amigos. Lisa era a única menina. Acho, em minha opinião de narrador, que Lisa só gostava de ficar junto com os meninos, pois possuía um amor infantil por Charles, mas como essa opinião é minha, como Charles já viveu até seus oitenta e poucos anos e já morreu, acho que não posso dar nenhuma opinião.

Era Dezembro, as aulas acabariam dali uma semana, e os jogos começariam dali um mês. Charles tinha aceitado o convite, já os pais de Lisa acharam muito perigoso e não permitiram que a filha fosse também. Isso deixou Charles muito triste, mas ele adoraria poder ouvir novamente com o ouvido esquerdo, que havia sido afetado pela meningite.

- Você acha que é mesmo perigoso essa coisa do Beta?

- Bom, é um beta, que dizer que é um teste e que pode haver erros ou bugs. – Lisa observou-o com atenção. – Mesmo assim você vai...

- Não posso perder esta oportunidade, Lisa. – ele fungou – É uma chance única...

- Foi assim que eles conseguiram convencer todos os doentes a serem cobaias! – Lisa se levantou, exaltada – Meu pai me explicou tudo! Eles só querem fazer testes com pessoas que não se importam de não viver mais. Se alguma coisa der errado, você pode morrer, Charles! Eles te cegaram prometendo sua audição de volta...

- Você não sabe o que diz. – Charles rebateu. – Você não perdeu nada. Nem parece ter leucemia.

- Mas eu tenho! Pensei que você me entendia! – deu um passo para trás. – Quer saber, não ligo mais! – algumas lágrimas escorreram seu rosto – Eu não ligo mais para você, Charles!

Charles sabia que era mentira, era evidente. É claro que ela ligava, e ligava muito. O garoto tinha apenas onze anos, mas sabia que aquela era a hora em que devia pedir desculpas, antes que ela saísse correndo.

- Lisa...

- Eu vou para a escola! – ela se virou, indo correr.

- Espere! Me desculpe, Lisa! Eu estou errado, você certa. Pronto?

Ela deu alguns passos para trás e então se virou na direção de Charles.

- Eu sabia que você ia dizer isso.

- Sou muito previsível...

- Não, você é muito bonzinho. – ela sorriu, com um rubor nas bochechas. – Não vai, Charles, por mim...

- Já assinei os papeis, não dá mais pra voltar atrás. Mas eu vou voltar. – ele sorriu, seguro de si. – E além disso, há vários outros doentes no jogo, como eu. Eles vão cuidar de mim.

Lisa assentiu, como se soubesse disso.

- Lisa?

- Sim?

- Posso fazer uma coisa que eu vi na novela?

- Estava vendo novela de novo?

- Sabe, é que você e seu pai saíram para comprar alguma coisa e eu fiquei sozinho em casa sem ter o que fazer...

- Ah, entendo...

- Então, deixa?

- T-Tudo bem. – ela assentiu.

- Fecha os olhos.

- Ahn? – Lisa deu um passo para trás.

- Eu não vou tentar te beijar! – Charles ergueu os braços – Nunca!

Ah, sim, Lisa se sentiu muito decepcionada com o “nunca” do final. Quer dizer, ela não queria ser beijada agora, mas talvez dali alguns anos...

- Certo, mas veja lá o que vai fazer!

Ela fechou o olhos fortemente, hesitando.

Charles riu e passou o dedo em seu lábio superior. Ergueu uma sobrancelha e pressionou-o.

- O que está fazendo? – ela perguntou após alguns segundos em silêncio.

- Na novela disse que os lábios eram macios como nuvens.

- E daí?

- O seu não é. É duro e... Áspero.

Lisa deu um tapa em seu dedo.

- Isso não é coisa que se diga á uma mulher.

- Desculpe. – Charles deu de ombros.

- E não é assim que você vê se é macio ou não. – revirou os olhos com certa impaciência.

Segurou na gravata do uniforme de Charlie com delicadeza, afinal ela também tinha visto isso numa novela. O puxou lentamente, e ele entendeu. Riu dela e deu de ombros. Quando chegou perto o suficiente, lhe roubou um beijo.

- Ah! – ela exclamou. – Eu não deixei!
— Você ia fazer isso, mesmo – Charles riu.

Lisa soltou sua gravata e arrumou a sua. Com a mochila já nas costas, pegou as xícaras já vazias e as levou para a cozinha. Lá, sozinha, Lisa colocou a ponta dos dedos nos lábios. O frio tinha rachado a boca de todos na cidade e a manteiga de cacau não dava conta. Mas mesmo assim, ela sorriu.

Notas finais
Charles: http://25.media.tumblr.com/tumblr_ltah4rDHYN1r53w0zo1_500.png
Lisa: http://4.bp.blogspot.com/-EBSWGCLAMIQ/UAIAt77z8aI/AAAAAAAAAPQ/mL8LOSFNJ7g/s400/Taiga+Aisaka.png
Uma foto super-fofa que achei: http://animuchan.net/media/uploads/4/f/c/77d93c3c243036d91efb3054a834097b577e8.jpeg
É isso. Hoje de noite eu posto mais uma.